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Jamie Cullum é o mestre do inesperado

por Fabian Chacur0604_jamie

Está cansado de ouvir música repetitiva e previsível? É fã de misturas bacanas? Curte ouvir quem transpira tesão em cada nota que canta e toca? Uma belíssima dica: ouça The Pursuit, novo disco do inglês Jamie Cullum. É um CD que se encaixa feito luva na descrição que fiz acima.

Jamie tem 30 anos de idade, embora sua cara dê a entender que se trate de um adolescente. O cantor, compositor e pianista já está na estrada há mais de dez anos, e lançou seu primeiro disco por uma gravadora de maior porte, Pointless Nostalgic, em 2002.

Desde o começo, o cara nos oferece um trabalho forte e delicioso de se ouvir. Ele é basicamente um jazzistica, que toca com maestria e canta com rara personalidade. Sabe tocar standards de nomes como Cole Porter e George Gershwin como se tivesse vivido os anos 30 e 40.

Mas, ao contrário de muitos outros por aí, ele não se limita a isso, embora pudesse, e ganhando uma bela grana. Cullum tem paixão por soul, pop, rock e funk, e faz questão de acrescentar essas influências ao som que faz. E é aí que a coisa fica realmente bacana.

Tive a honra de ver esse moleque ao vivo em setembro de 2006, na Via Funchal, em São Paulo. Deve ter crítica aqui em Mondo Pop, procure, se por ventura se interessar. Mas posso resumir o show em uma palavra: espetacular.

O cara canta muito, toca muito e é acima de tudo um entertainer, aquele tipo de artista que cativa a plateia de uma forma que você não consegue tirar os olhos do sujeito, ou mesmo parar de dançar, estalar os dedos ou até cantar junto, como se fosse possível.

The Pursuit é o quinto CD dele (contando o raríssimo primeiro disco, independente, que teve tiragem de apenas 500 cópias), e pode ser considerado o melhor. Não tem rotina, não tem burocracia. Só prazer.

Do início com uma releitura sublime de Just One Of Those Things, de Cole Porter (com acompanhamento da The Count Basie Orquestra), o cara envereda por baladas psicodélicas, jazz de tempero latino, rock, funk e o que mais pintar em sua frente.

Seu estilo de tocar piano está mais fluente do que nunca, e sua voz, mais negróide e sensual do que nunca. E a capacidade de compor, das melhores, vide canções como I’m All Over It, You And Me Are Gone (com um solo demencial de piano) e I Think, I Love, só para citar algumas.

Alguém pode estranhar ele reler um sucesso recente da cantora de rhythm and blues pop Rihanna, Don’t Stop The Music. Mas para quem já tocou ao vivo ou gravou canções de Elton John, Joy Division, Radiohead e Massive Attack, faz parte de seu ecletismo.

Melhor: a releitura ficou sensacional, ainda melhor do que a versão original. E a letra tem muito a ver com a sua abordagem musical, especialmente no refrão, que vai traduzido: por favor, não pare a música, não pare a música, a música, a música…… Se a música for de Jamie Cullum, não, mesmo!

2 Comments

  1. Para alguém que fez a versão de high and dry do jeito que ele fez, só poderia esperar coisa boa.

    Saudações Chacur!

  2. Esse Jamie Cullum é muito bom, mesmo, Carla, e veio para ficar, pelo andar da carruagem. Obrigado pela visita e volte sempre!

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