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Verdade Tropical-Caetano Veloso, 13 anos depois

Por Fabian Chacur

Em 1997, Caetano Veloso lançou seu primeiro livro de memórias. Intitulado Verdade Tropical, o trabalho influenciou até um disco que lançou mais ou menos na mesma época, que ele intitulou de forma espirituosa Livro.

Na época, não me interessei por lê-lo, ou por viver um momento conturbado em minha vida pessoal, ou por absoluta falta de dinheiro para comprá-lo, ou ainda por temer um amontoado verborrágico de páginas intermináveis.

Sim, Caetano Veloso é um gênio, um artista brilhante, alguém que há muito deixou o seu nome cravado na cultura brasileira com destaque. Mas em algumas ocasiões ele pode ser meio difícil de se digerir. E um livro parecia ser a mídia mais provável para que isso acontecesse de forma exponencial.

Treze anos se passaram. Dentro de uma revistaria situada numa rodoviária de São Paulo há algumas semanas, vi uma edição pocket de Verdade Tropical a preço acessível, e me deu um clique: chegou a hora de ler Caetano.

Me dei bem. Verdade Tropical, que está mais para “Minha Verdade Tropical”, representa pensamentos, opiniões e análises deliciosas de alguém que tem uma infinidade de experiências maravilhosas de vida e que, generosamente, resolveu dividi-las com os interessados.

Não se trata de uma autobiografia tradicional, pois ele, se conta várias passagens de sua existência pessoal e profissional, prefere centrar fogo na experiência do Tropicalismo.

Lendo o livro de Caetano, você terá um belo depoimento de quem esteve no centro da criação de um dos mais importantes movimentos musicais da história da música brasileira, cujos frutos influenciam até hoje a música feita no Brasil e no mundo.

As análises, opiniões e teorias do artista são sempre escritas de forma caudalosa, entusiasmada e ativa, sem subir em cima de muros e sempre tomando partidos nos mais diversos momentos.

O relato dos meses em que ficou preso pela Ditadura Militar, do final de 1968 até meados de 1969, é uma boa oportunidade de se ver o quanto aquele período foi nefasto na vida política do Brasil.

Detalhes sobre músicas fundamentais como Tropicália e Alegria, Alegria também tornam a leitura de Verdade Tropical indispensável para quem é apaixonado por música.

Como não abordou todos os aspectos de sua carreira, fica a esperança de que, um dia, Mr. Veloso possa escrever outro registro desse gabarito, trazendo mais lembranças desses anos intensos de criação e polêmicas de sua vida.

Só não consigo compartilhar de seu entusiasmo por João Gilberto, que para mim foi, é e sempre será um pioneiro que, com o passar dos anos, virou uma espécie de Chuck Berry da bossa nova, refazendo mal a mesma coisa e sendo ultrapassado pelos artistas que influenciou, entre eles o próprio Caetano. Bem, mas essa é a minha verdade tropical…

1 Comment

  1. Sempre achei o trabalho de Ivan Lins, um espetáculo,
    de uma criatividade genial,
    um artista diferenciado, e incrível,
    parabéns Ivan Lins,
    por todo esse sucesso,

    ” EVERALDO GOMAS”

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