Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Janis Joplin, 40 anos sem essa grande voz

Por Fabian Chacur

Minha história em relação a Janis Joplin é curiosa. Durante minha infância e adolescência, tinha apenas uma vaga ideia de quem se tratava. Não ouvi e nem tive acesso a discos da moça, que morreu quando eu tinha nove anos.

Durante um certo período de tempo, achava que era uma cantora de rock que gritava muito, verdadeiro símbolo da era hippie. E nada além.

Mas isso mudaria, curiosamente, em 1980, quando fazia dez anos que a intérprete texana havia nos deixado.

Entrei na faculdade e comecei a trabalhar com registro durante aquele ano. Comecei a ter muita curiosidade de conhecer mais coisas de rock, e como agora eu ganhava o meu próprio dinheiro, passei a comprar discos e mais discos.

Um dia durante aquele revelador 1980, fui ao departamento de discos da finada Sears, onde hoje fica o Shopping Paulista, e peguei o álbum Pearl, de Janis, para dar uma ouvidinha. Logo na primeira faixa, Move Over, senti que a coisa ali era séria. Pirei.

Foi o primeiro álbum da texana que ouvi, e logo o melhor de todos. A partir dali, fui atrás de seus outros trabalhos e virei seu fã incondicional. Ou melhor, um fã crítico, capaz de analisar sua obra sem viajar demais na maionese, mas amando sua voz.

Pearl, lançado de forma póstuma em 1971, marcou o momento em que Janis Joplin conseguiu equilibrar sua energia e vibração com uma técnica vocal impecável. Razão e emoção em doses rigorosamente iguais. Só podia gerar um clássico, ainda mais com aquele repertório.

Além de Move Over, maravilhas do naipe de Me And Bobby McGee, Cry Baby, A Woman Left Lonely, Mercedez Benz….. Meu Deus, que disco maravilhoso. Blues, rock, soul e country em um pacote único.

Pois na próxima segunda-feira, dia 4 de outubro, farão 40 anos que a Pérola do Texas nos deixou. A moça tinha apenas 27 anos e estava no auge do seu talento. Quanta coisa boa poderia nos ter proporcionado, heim?

No entanto, deixou-nos um legado que merece ser apreciado com prazer, incluindo o já citado Pearl e também o visceral Cheap Thrills (1968) e o fantástico póstumo Farewell Song (1981).

Mesmo Kosmic Blues (1969), em que pese sua irregularidade, tem grandes momentos. E as gravações ao vivo da mulher são impressionantes.

Janis se entregava a cada canção como se não houvesse amanhã. Mesmo quando errava notas ou saía do tom, dava um banho de emoção e garra que poucas roqueiras fizeram antes ou depois dela. Que tal ouvi-la agora? E preciso do Farewell Song em CD!

2 Comments

  1. Alexandre Damiano

    October 2, 2010 at 1:33 am

    Uma pena que ela se foi cedo.

    Fabian,
    procura no youtube Move Over com o Cinderella.

    depois me diz o que achou.

  2. admin

    October 9, 2010 at 12:19 pm

    Vou procurar, sim, Alexandre, afinal, você sempre me dá ótimas dicas. Grande abraço, e de fato a Pearl se foi muito, mas muito cedo mesmo. No entanto, ao menos temos seus discos para matar as saudades e tentar imaginar como seria se ela estivesse entre nós até hoje.

Leave a Reply

Your email address will not be published.

*

© 2020 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑