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Et Pluribus Funk – Grand Funk Railroad (1971-EMI)

Por Fabian Chacur

Esse é mais um daqueles discos que conheci graças ao meu irmão, o saudoso Victor Riskallah Chacur (1954-1999).

Por sinal, a versão em vinil que ele comprou no longínquo 1972 (o álbum saiu no exterior no final de 1971) está agora comigo, além de outra cópia em vinil que comprei nos anos 80 e duas versões em CD que consegui décadas depois.

O Grand Funk Railroad se manteve como um trio em seus anos inicial, integrado por Mark Farner (vocal, guitarra, teclados e gaita), Mel Schacher (baixo) e Don Brewer (bateria e vocal).

A banda lançou seu álbum de estreia, On Time, em 1969. Et Pluribus Funk é o sexto, e chegou às lojas em 1971. Ou seja, os caras estavam trabalhando bastante naqueles anos iniciais.

Mesmo sendo rejeitado pela crítica internacional, que os via como uma banda medíocre, o GFR foi rapidamente conquistando um fã-clube enorme.

Et Pluribus Funk explica muito do porquê essa banda conseguia essa reação ambígua por parte de fãs e crítica.

O seu som nesses anos iniciais se caracteriza por uma simplicidade e um peso viscerais, primando pela aposta de alma e fé no hard rock sem firulas, embora com ótimos vocais e três músicos muito competentes.

O lendário “álbum da moeda”, apelidado assim pelo fato de sua capa original em vinil ter o formato de uma moeda e usar papel prateado (mesmo em sua versão nacional, acredite!) é o primeiro só com músicas inéditas, todas assinadas por Farner.

É um discaço de hard rock básico, direto, sem frescuras e com uma energia que cativa o roqueiro de alma logo aos primeiros acordes da sacudida faixa de abertura Footstompin’ Music, com belos trechos de órgão a cargo de Mr. Farner, que também solta faíscas de sua guitarra e gogó.

Com direito ao uso certeiro do pedal wah-wah, popularizado na década anterior por Jimi Hendrix, o rockão People Let’s Stop The War é um sincero libelo pela paz.

Hard e poderosa, Upsetter traz como marcas um refrão poderoso e riffs de guitarra irresistíveis.

I Come Tumblin’ tem levada quebrada a la Led Zeppelin, sem soar como mera cópia, no entanto, e encerra bacana o lado A do bolachão.

O rockão marcado Save The Land tem como marcas o peso e a letra de teor ecológico, algo que ainda não era moda no mundo do rock.

Aliás, as letras do Grand Funk Railroad tinham como marca mensagens positivas, ditas de maneira simples e vestidas com ótimas melodias.

Também pacifista, o rockão No Lies vem a seguir, abrindo legal o caminho para a magistral faixa de encerramento do álbum.

Com um esplêndido arranjo de cordas, letra falando sobre a tentativa de fugir da solidão e interpretação intensa por parte do trio, Loneliness equivale a 8m38 de puro prazer, dando cores finais a um álbum maravilhoso.

Chega a ser cômico pensar que a crítica baixou o cacete nessa banda naqueles anos. Como um disco tão sublime como este Et Pluribus Funk pode ter sido considerado ruim? Será que os críticos realmente o ouviram?

40 anos após seu lançamento, o sexto álbum do GFR foi o último produzido por seu mentor, o ex-cantor e produtor Terry Knight.

Eles lançariam coisas bem legais até 1976, quando dariam fim a sua primeira fase, mas comentários sobre esses anos  ficarão para uma outra hora.

O que importa dizer neste momento é que esse Et Pluribus Funk é simplesmente uma obra-prima do rock and roll.E que de picareta o Grand Funk Railroad não tinha era nada!

Veja Footstompin’ Music ao vivo com o GFR:

Ouça People Let’s Stop The War com o GFR:

3 Comments

  1. vladimir rizzetto

    April 19, 2011 at 11:54 am

    Caramba, Fabian!
    Quando vi o Pluribus Funk por aqui, quase cai da cadeira…
    Esse disco é fantástico, demolidor, uma verdadeira ode ao barulho, aliás, bendita barulheira.
    O Grand Funk, com Pluribus Funk e outros álbuns, provou que rock não se faz apenas com virtuosismo, mas, também com energia, garra e pegada. Poucas vezes uma banda logrou êxito ao tocar de forma tão crua e ensurdecedora!
    Footstompin’ Music é de uma fúria incontrolável, People let’s Stop the War, idem… Em I Come Tumblin’, Mark, Don e Mel assassinam seus instrumentos. A balbúrdia reina absoluta em um verdadeiro caos sonoro!
    Eu acho, inclusive, Fabian, que o Grand Funk não tem o reconhecimento merecido. Eles eram bons demais, uma tremenda banda!
    Sendo bem crítico e rigoroso, a discografia deles até o We’re an American Band é simplesmente perfeita, embora eu goste de alguns depois deste.
    E Pluribus Funk é foda! Grand Funk é foda!
    Meu caro Fabian, guardo o meu vinil redondo, prateado e com os rostos do trio em alto relevo com o maior carinho e cuidado!

    Grande abraço, baluarte

    Loneliness cries deep for my soul…
    Foda!!!!!!!!

  2. Odair De Almeida Lopes Júnior

    February 20, 2012 at 9:03 pm

    Há o cd et pluribus funk à venda? Preço, forma de pgto e entrega.
    Att.

  3. admin

    February 21, 2012 at 6:39 pm

    Caro Odair:
    Eu não vendo CDs em Mondo Pop, que é um blog de informações. Você pode encontrar esse CD em sites específicos que vendem CDs e DVDs. Vale procurar, pois Et Pluribus Funk é um discaço! Grande abraço e obrigado pela visita.

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