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Foo Fighters voltam com CD pra lá de bom

Por Fabian Chacur

A afirmação é óbvia, mas merece ser repetida: Dave Grohl é o Phil Collins da geração grunge.

Não há como não comparar as trajetórias dos dois, logicamente deixando estilos e tendências musicais seguidas por cada um à parte.

Os dois começaram tocando bateria e sendo coadjuvantes em bandas que ficaram famosas e, posteriormente, provaram que tinham talento para ir muito além de simplesmente defender com galhardia as baquetas de algum time.

No caso de Collins, a virada ocorreu com a saída do vocalista Peter Gabriel do Genesis, em 1975.

Com a trágica morte de Kurt Cobain em 1994 e o inevitável fim do Nirvana, o baterista Dave Grohl ficou com uma estrada aberta à sua frente para fazer o que quisesse.

Pois em 1996 ele surpreendeu o mundo ao montar o Foo Fighters, projeto no qual se incumbe de vocais, composições e guitarra, acompanhado por músicos que mudaram nesses 15 anos, mas sem perder a qualidade.

Nesses anos todos, ficou claro que Grohl é realmente um talento exponencial, pois canta bem, toca guitarra com categoria, compõe com estilo e também toca bateria com fúria e estilo.

Após integrar o supergrupo Them Crooked Vultures ao lado de John Paul Jones (Led Zeppelin) e Josh Homme (Queens Of The Stone Age), ele retoma sua banda titular em grande estilo.

Wasting Light, sétimo trabalho dos Foo Fighters, entrou direto no primeiro lugar na parada americana, vendendo em uma semana 235 mil cópias, e dando ao grupo sua primeira vez no topo do mercado fonográfico mais importante do mundo.

Até aí, só falamos de negócios. O bacana mesmo é que Grohl fez por merecer essa façanha comercial, oferecendo aos fãs 11 músicas não menos do que excelentes.

A ótima mistura de punk, hard rock, pop, grunge e rock básico que marca os Foo Fighters aparece mais azeitada do que nunca a partir da faixa de abertura, a incendiária Bridge Burning.

Dear Rosemary, uma das melhores do álbum, nasceu histórica, pois reúne duas gerações do rock.

Junto a Grohl, temos na guitarra e vocais Bob Mould, ex-integrante da seminal, subestimada e efêmera banda americana Husker Du, que nos anos 80 foi uma da precursoras do grunge e nos proporcionou álbuns como o fantástico Candy Apple Gray (1986, faz parte dos Discos Indiscutíveis de Mondo Pop).

Em I Should Have Known, quem aparece no baixo e acordeon é Krist Novoselic, ex-colega de Nirvana.

A energética e melódica Rope, a primeira faixa de trabalho, está sendo divulgada com um clipe que consegue ser simples e criativo ao mesmo tempo. Não deixe de vê-lo.

Wasting Light é para se ouvir de ponta a ponta, numa enfiada só. E você vai querer ouvir de novo, e de novo, e de novo…

Rock energético, bem elaborado e que consegue carregar a bandeira do que de melhor esse estilo nos proporcionou nesses anos todos. Belo retorno, Dave Grohl!

Veja This Is a Call ao vivo no programa de Dave Letterman:

3 Comments

  1. De Mondo Palmeiras para o primeiro comentário em Mondo Pop!

    Numa época em que o bom e velho rock n’roll nacional e internacional anda escanteado das rádios brazucas para dar lugar ao emocore e outros ritmos fora do rock, é muito bom ouvir um disco bom como esse novo do Foo Fighters!

    Esse disco tem uma energia e pegada que lembra o disco de estréia deles, Foo Fighters, um dos primeiros CDs de rock que eu comprei, muito bom mesmo!

    Parabéns pelo seu blog Fabian e, mesmo com nosso Alviverde Imponente numa draga de dar dó, não siga as sugestões de alguns mondistas e encerre o post “A vida dos outros”! Ele é bom pra vermos que desgraças não acontecem só no Palmeiras… um abraço e até mais!

  2. vladimir rizzetto

    May 24, 2011 at 7:59 pm

    Essa é uma grande notícia, Fabian!
    O Foo Fighters é, entre as bandas contemporâneas, a minha favorita.
    Você já definiu bem a ótima miscelânea musical que o grupo oferece: hard, punk, metal e pop, tudo com a assinatura inconfundível de Dave Grohl.
    Gosto absolutamente de toda a discografia da banda e inclusive, tenho dificuldades em apontar qual seria o melhor. Não sei, mesmo…
    Dave Grohl é o cara mais rock and roll da atualidade, senão vejamos:
    – Já homenageou mineiros que enquanto estavão ‘soterrados’, ouviam Foo Fighters, inclusive, reza a lenda, que ele tomou uma cerveja com o cara!
    – Tocou de graça nas garagens de alguns afortunados fãs, nos Estados Unidos!
    Na boa, o cara não é foda? Se isso não é o verdadeiro espírito do rock, eu não sei o que é então.
    Fabian, mate a curiosidade, deste que vos escreve e diga, apenas para eu ter uma vaga idéia, com qual disco do Foo, este lançamento se parece?
    Com a crueza total de One by One e The Colour and the Shape, ou com o ecletismo de Echoes, Patience… e In Your Honour?
    Grande abraço, baluarte!

  3. admin

    May 25, 2011 at 9:30 pm

    Caro Eder: muito obrigado pela visita, e espero que você volte mais vezes. Pode ficar tranquilo, que se depender de mim, A Vida dos Outros continuará importunando alguns e agradando alguns, mas sempre em cena.
    Caro Vladimir: acho que o Eder matou a charada, tem a ver mesmo com o álbum de estreia, embora na verdade possa também ser interpretado como um disco-síntese, pois tem elementos que podem ser associados a quaisquer dos outros álbuns. Agora, uma coisa é certa: a faixa Dear Rosemary conseguiu unir Dave Grohl e Bob Mould de forma brilhante. Grande abraço, obrigado pela força de sempre!!!!

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