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Jim Morrison virou eterno há exatos 40 anos

Por Fabian Chacur

Chega a ser estranho pensar que neste 3 de julho de 2011 a morte de James Douglas Morrison, que viveu apenas 27 anos, completa quatro longas décadas.

Gente de talento que morre muito cedo parecia saber que precisaria ir mais rápido do que nós, pobres e insignificantes mortais.

Eles criam mais rápido, agem mais rápido, respiram mais rápido…

Do momento em que conheceu o tecladista Ray Manzarek à sua morte, foram apenas seis anos de carreira musical. Quatro, se levarmos em conta apenas os discos.

No entanto, Jim Morrison nos deixou um legado absurdamente forte, consistente, emocionante e revolucionário, construído ao lado de Manzarek, John Densmore (bateria) e Robbie Krieger (guitarra).

The Doors foi uma dessas bandas destinadas a criar polêmica e a ter tanto fãs incondicionais como detratores incansáveis.

Desde a morte de seu vocalista e letrista, a obra do quarteto vive momentos de visibilidade e esquecimento. Agora, novamente pouco se fala nos Doors. Mas não se iluda. Isso é provisório.

Daqui a pouco, por alguma razão qualquer (pouco importa), esta obra maravilhosa será novamente analisada e apreciada, como ocorreu, por exemplo, nos anos 80, época em que os conheci.

The Doors e Strange Days, os dois álbuns que iniciaram a discografia do grupo americano, ambos lançados em 1967, integram aquela verdadeira Meca dos trabalhos essenciais da história do rock.

Como definir o som feito por Morrison, Manzarek, Krieger e Densmore? Difícil, não é mesmo?

Para consumo imediato, digamos que se trata de uma das melhores bandas da história do chamado psicodelismo.

Mas eles foram muito além disso, mergulhando em blues (a âncora de sua sonoridade, provavelmente), rock básico, jazz, hard rock, pop, progressivo etc etc etc (e tome etc!).

Nem sempre acertaram, vide trabalhos irregulares como Waiting For The Sun (1968) e The Soft Parade (1969), mas criaram muito mais coisas boas e marcantes do que ruins e dispensáveis.

Ao vivo, como reconhece até hoje o próprio Manzarek, podiam tanto fazer um show inesquecível como oferecer ao público performances apavorantemente ruins. Tudo graças à instabilidade de seu líder.

Jim Morrison foi um dos astros do rock que melhor soube trazer a essência da poesia escrita para o contexto roqueiro, com letras equivalentes ao trabalho dos melhores poetas de qualquer época.

Tinha também o vozeirão, inconfundível e imitado sem sucesso por centenas (milhares?) de cantores nesses anos, além da inegável presença física, contra a qual lutou engordando e deixando a barba crescer.

Mas não adiantou nada. Para todo o sempre, ele sempre será lembrado como uma das figuras mais belas e míticas da música popular.

A música dos Doors permanece atemporal, intensa, vibrante e inspiradora, prova de que, sim senhor, o rock tão desprezado por alguns idiotas pode ter o status de pura arte.

Riders on the Storm, Light My Fire, L.A. Woman, Moonlight Drive, People Are Strange, Break on Through, Love Me Two Times, é tanta música boa que até me arrepia…

Descanse em paz, Rei Lagarto, e obrigado por ter nos deixado um legado tão poderoso, tão inspirador e tão bom de se ouvir quando não temos mais esperança de nada, nesse mundo de merda, repleto de pessoas detestáveis em cargos altos que não fizeram por merecer!

Ouça Riders on the Storm, dos Doors:

4 Comments

  1. Se amo muita coisa do rock n´roll, a culpa é James Douglas Morrison.

    Saudações Chacur.

  2. fabian chacur

    July 4, 2011 at 2:38 pm

    Eis uma culpa que, na verdade, não é culpa alguma, e sim bênção. My my, hey, hey, rock and roll is here to stay!!!! Obrigado pela visita e tuuuudo de bom!!!!

  3. vladimir rizzetto

    July 9, 2011 at 5:05 pm

    Ah… Doors é bom demais!

    Ray Manzarek disse, certa vez, que eles eram “carnívoros numa época de vegetarianos…”.
    Boa definição, não?
    Deixaram um mega legado, exceto o o fraquíssimo The Soft Parade.
    O meu favorito é Strange Days. Poético, intenso, delicado e feroz ao mesmo tempo!
    Além de ser uma banda magnífica, seu vocalista, Jim Morrison, é a definição máxima do rockeiro outsider. Bebia, se drogava, contestava e caçoava da sociedade norte-americana e, sequer tinha um lar, vivia na casa da namorada, amigos e hóteis fedorentos.
    Marketing 0, autenticidade 10! Ah, como o rock já foi melhor…
    Solta o vozeirão, Jim!
    “… when the music is over, turn out the lights, turn out the lights…”
    Grande abraço, Fabian

  4. Obrigado pela visita, Vladimir. Realmente os Doors foram uma banda admirável!!! Boa escolha para favorito, Strange Days é realmente ótimo!!! E a música desses caras viverá para sempre!!! Grande abraço e tudo de bom!

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