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Enorme saudade do eterno Freddie Mercury

Por Fabian Chacur

Vacilei ao não escrever nada aqui em Mondo Pop sobre os 20 anos da morte de Freddie Mercury, ocorrida em um triste 24 de novembro de 1991. Mas antes tarde do que nunca, não é mesmo? Então, lá vamos nós.

Digamos que o início da minha “convivência” com o Queen não foi das melhores. Corria o ano de 1977, e eu estava no primeiro ano do glorioso Liceu de Artes e Ofícios, vivendo o papel do patinho feio no curso de Desenho de Construção Civil. Que roubada! Mas foram anos interessantes os que passei lá.

Em um dia qualquer, um colega, o Henrique, mostrou-me duas músicas de uma banda que eu ainda não conhecia. Bohemian Rhapsody e Somebody To Love, de um tal de Queen.

Confesso que o vozeirão operístico de Freddie Mercury me soou brega e exagerado nessa primeira audição. “Brega? Você está louco!”, foi a resposta que tive de ouvir do colega de Liceu.

Ele estava certo. Pouco tempo depois, ouvi nas rádios o novo single daquela mesma banda britânica, e a música me enfeitiçou de tal forma que comprei o compacto simples com a mesma. Era We Are The Champions.

A partir daí, passei a acompanhar atentamente a carreira da banda, uma daquelas formações perfeitas, pois incluía quatro músicos e compositores de altíssimo gabarito.

Na guitarra, o virtuose Brian May. No baixo, o seguro e constante John Deacon. Na bateria, o vigoroso, sutil e brilhante Roger Taylor.

E nos vocais, teclados, violão, guitarra e composições, um dos maiores gênios da história da música como um todo. Pois não dá para restringir a amplitude que esse cara atingiu em sua curta trajetória profissional.

Se tiver de definir Freddie em uma única palavra, usaria paixão. O cara mergulhava de cabeça nas coisas que fazia. Versátil, gravou de rock pesado a canções operísticas, passando por cabaré, jazz, folk, rockabilly, baladas, funk de verdade, soul e muito mais. Sempre de forma convincente.

Com uma das vozes mais poderosas de todos os tempos, aquele cara magrelo e pequeno era um verdadeiro gigante nos palcos e estúdios, e hipnotizava fãs nos palcos da vida pelo mundo afora.

Não tive a felicidade de vê-lo com o Queen em suas duas visitas ao Brasil, nos anos 80. Uma pena. Mas hoje não só tenho quase todos os discos da banda como a coloco entre as melhores de todos os tempos.

É o tipo do grupo cuja obra não consegue ser resumida em uma coletânea, mesmo que a mesma seja dupla. Exemplo: a balada Jealousy, do álbum Jazz (1978) e sucesso aqui no Brasil, nunca entrou em compilações, mesmo sendo belíssima. Diversas outras músicas do quarteto se encaixam nessa descrição.

Mesmo na curta carreira solo, que desenvolveu paralelamente ao Queen e na qual investia em repertório mais pop e descompromissado, Mercury fez coisas bem bacanas. Entre as quais, uma fantástica releitura do clássico dos anos 50 The Great Pretender, do grupo vocal americano The Platters

Morto aos 45 anos, ele nos deixou como legado  uma obra fantástica, que felizmente está sendo muito bem administrada atualmente pela Universal Music, vide a sensacional série de relançamento dos álbuns originais da banda, com direito a faixas bônus e bela apresentação visual.

Devo ser eternamente grato a esse Henrique por ter me apresentado um grupo tão bom!

We Are The Champions (ao vivo), com o Queen:

Another One Bites The Dust (clipe), com o Queen:

4 Comments

  1. Alexandre Damiano

    November 26, 2011 at 11:12 pm

    Sem dúvida um dos maiores vocalistas que já ouvi.

    e se foi no mesmo dia do grande baterista Eric Carr, do kiss.

    dia triste pro rock.

  2. Bota triste nisso, Alexandre. Dois nomes importantes do rock se foram no mesmo dia, um horror!!! No entanto, eles jamais morrerão no coração dos fãs. Grande abraço e obrigado pelas visitas qualificadas!!!!

  3. vladimir rizzetto

    December 2, 2011 at 1:01 am

    O que eu poderia dizer do Queen?
    Que Bohemian Rhapsody e o álbum A Night at the Opera são uma das obras mais fabulosas que a mente humana criou?
    Que We Will Rock é feito com a genitália? Que We are the Champions é um hino imortal? Que Tie your Mother Down é um rockão que deve ter assustado a turma do Black Sabbath?
    Que a discografia dele é simplesmente impecável até o The Game? Que quando eu escuto Flash Gordon, dá vontade de sair marchando?
    Enfim, o Queen para mim é uma banda especialíssima e foi, didaticamente falando, fundamental para o meu aprendizado sobre rock.
    E quem cantou tudo isso? Ele. Sim, Fredie Mercury, um dos caras mais fodões do rock! Tinha atitude, genialidade e voz além da conta.
    Podem me chamar de saudosista, mas, não se fazem mais bandas e artistas como antigamente. Não mesmo…

    Grande abraço Fabian

  4. Belo depoimento, Vladimir! O Queen realmente atraiu muita gente boa para o velho e bom rock and roll, com sua música original e cativante. Grande abraço e obrigado pela visita qualificada de sempre!

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