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Filme mergulha na alma de Ray Davies

Por Fabian Chacur

O Festival In-Edit, cuja quarta edição está sendo realizada em São Paulo e Salvador neste mês de junho, equivale à consolidação de um evento fundamental para aquele tipo de fã de música cujo objetivo é saber mais dos seus ídolos, ou de seus futuros ídolos, ou apenas para matar sua curiosidade musical. Não importa.

Um dos grandes momentos da programação desse evento maravilhoso em 2012 é Ray Davies: Imaginary Man (2010), com direção a cargo de Julian Temple, diretor britânico que tem em seu currículo clássicos como The Great Rock And Roll Swindle (1979) e The Filth And The Fury (2000), ambos sobre os Sex Pistols, e o filme Absolute Beginners (1986), além de outras obras e muitos clipes.

O documentário foi realizado em 2010, quando o líder dos Kinks havia acabado de lançar See My Friends, álbum solo no qual releu vários de seus sucessos ao lado de Bruce Springsteen, Jon Bon Jovi, Metallica e outros. Ray fala sobre o álbum quase que de passagem, pois a entrevista mergulha mesmo é em sua trajetória musical e de vida.

Não se trata de uma biografia daquelas completinhas. Quem deseja ver algo assim deve procurar o DVD You Really Got Me – The Story Of The Kinks, já resenhado aqui em Mondo Pop e disponível nas lojas brasileiras, ou então procurar o filme Do It Again, do jornalsta Geoff Edgers (2010, exibido no In-Edit 2011 e também resenhado aqui). Eles cumprem melhor essa função de dar uma geral na carreira da banda.

Imaginary Man é, na verdade, um delicioso bate-papo entre dois amigos, no qual Ray Davies relembra sua juventude ao rever locais importantes em sua vida, situados em Londres e nas imediações da capital inglesa. Em meio a isso, o astro fala sobre suas composições, os problemas que encarou como astro, seu temperamento e suas paixões.

Ora bem-humorado, ora levemente melancólico e frequentemente filosófico (sem ser chato, diga-se de passagem), Ray Davies nos revela um pouco do ser humano por trás de maravilhas como You Really Got Me, Tired Of Waiting For You, Waterloo Sunset, Celluloid Heroes, Superman, Low Budget e tantos outros clássicos do rock.

Ray está brigado há muito anos com seu irmão, o guitarrista Dave Davies, o que levou Julian Temple a fazer outro documentário, Kinkdom Come: Dave Davies, também exibido no In-Edit 2012 mostrando a visão de Dave da carreira dos Kinks. A chuva paulistana, no entanto, me impediu de ver esse. Buááááááá´!

Vale lembrar que boa parte dos filmes exibidos no In-Edit não entra no circuito comercial brasileiro, e nem ao menos é lançado por aqui nos formatos DVD ou Blu-ray. Ou seja, quem viu, viu. Quem não viu terá de correr atrás de cópias na internet ou coisa que o valha. O braço paulistano do In-Edit 2012 vai até domingo (10). Aproveitem!

Veja trechos de Ray Davies: Imaginary Man:

5 Comments

  1. Assisti os 2 filmes, sobre cada um dos irmãos Davies. O documentario sobre o Dave é bem baixo-astral, deixando claro que a carreira musical dele está encerrada, devido a seu estado de saúde (sofreu um AVC há alguns anos – fala durante o filme inteiro com uma voz balbuciada, mas pelo menos está bem lúcido, e até consegue manter o bom humor). Dá até a impressão que o Julien Temple quis filmá-lo com certa urgencia, antes que… deixa pra lá, toc toc toc na madeira!
    No dia seguinte fui ver o filme sobre o Ray, que, como eu imaginava, é mais “pra cima”… mesmo assim, achei a atmosfera quase tão lúgubre quanto… e o Ray também já está meio caidaço, mas mantém a disposição para continuar sempre compondo, qualquer que seja o pretexto, como atesta o depoimento do colega baterista dos Kinks, Mick Avory (cuja existencia é ignorada no filme sobre o Dave, que tem depoimentos do outro Kink original, Pete Quaife, antes de seu falecimento).
    E tanto Dave como Ray citam que os Kinks nunca mais foram os mesmos depois que Pete saiu da banda, lá por 1968.

  2. Adoraria ter visto o documentário do Dave, mas o tempo não permitiu… Mas no documentário Do It Again tem depoimento dele, e o clima descrito por você, Cláudio, é bastante semelhante. Uma pena. Mas não concordo com a visão dos irmãos Dave e Ray sobre os Kinks não serem mais os mesmos a partir da saída de Peter Quaife. Aliás, algumas das coisas de que mais gosto da banda são exatamente as pós-Quaife, nos anos 70, tipo o Low Budget e o excelente ao vivo One For The Road. Mas sei lá, é questão de opinião, algo discutível. Grande abraço e obrigado pela visita sempre qualificada, meu caro amigo!!!

  3. Talvez a referência ao Pete Quaife diga respeito ao ambiente, ao fim da inocência dos amigos de infância. Musicalmente falando, após sua saída foram lançados discos e compactos ótimos mesmo: “Arthur…”, “Mindless Child Motherhood” e outras do “Kink Kronikles”, “Lola…”, “Sleepwalker”, “Misfits”, além dos citados pelo Chacur (também acho “One for the Road” excelente). Nenhum tão bom quanto “The Village Green Preservation Society”, claro, mas bem melhores que os primeiros, anteriores a “Face to Face” (aliás, John Dalton já havia participado deste disco como convidado – além de “Dead End Street”).

  4. Faz sentido o seu comentário, Neder, pode ser isso mesmo. E valeu pelas citações adicionais referentes à carreira dos Kinks. Grande abraço, valeu pela visita sempre qualificada e volte sempre!!!!

  5. Alexandre Bonfim

    April 28, 2013 at 7:46 pm

    Gente, eu sou fã recente do The Kinks e me cobro por não ter ouvido essa banda antes. Ela é simplesmente fantástica. Sou estudante de História e tô pretendendo fazer um trabalho para uma disciplina que tenho chamada ‘História Contemporânea II’, com o objetivo de demonstrar como “Arthur” – um dos grandes álbuns deles – é uma verdadeira aula de história, exprimindo a visão de Ray, lúcido ao extremo, sobre seu próprio tempo e sobre o passado recente (o de seus pais, q viveram a 2° Guerra) demonstrando como a música é uma excelente fonte histórica. Deixando essas explicações de lado, gostaria de saber se vcs sabem de algum link para download com os documentários do Kinks legendado, de preferência em Português. Se vcs souberem de algum, serei bastante agradecido. Valeu, gente, abraço!!!

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