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Morre Lee Dorman, do grupo Iron Butterfly

Por Fabian Chacur

Lee Dorman, ex-baixista dos grupos Iron Butterfly e Captain Beyound, foi encontrado morto em um carro nos EUA nesta sexta-feira (21) em Laguna Nigel, California, onde morava. O músico e produtor norte-americano tinha 70 anos de idade. Ainda não se sabe a causa de sua morte.

Nascido em 19 de setembro de 1942, Douglas Lee Dorman entrou no Iron Butterfly em março de 1968 no lugar de Jerry Penrod, quando a banda californiana estava na estrada há apenas dois anos e tinha lançado um álbum de repercussão mediana, Heavy. Mas isso iria mudar logo a seguir.

A estreia de Dorman no grupo de rock psicodélico ocorreu naquele mesmo ano, com um álbum cuja faixa-título, In-A-Gadda-Da-Vida, rapidamente se tornaria um dos grandes clássicos do psicodelismo e do então ainda emergente hard rock.

Com seu tom pesado, sinistro e agresivo e uma linha de baixo inesquecível, a cargo de Lee, além dos teclados e vocais marcantes de Doug Ingle, da guitarra virulenta e vocais de Erik Braunn e do vigoroso baterista Ronald Bushy, In-A-Gadda-Da-Vida (o álbum) atingiu o quarto lugar na parada americana, vendeu mais de quatro milhões de cópias e se manteve nas paradas durante três anos consecutivos.

O single, que trazia uma versão editada dos mais de 17 minutos de duração desse autêntico classic rock (a versão completa é repleta de solos, por sinal), chegou à posição de número 30 nos charts. Ball, terceiro álbum do grupo, saiu em 1969 e chegou ao terceiro lugar nos charts ianques, tendo como destaque a faixa Soul Experience.

Em 1971, após algumas alterações em sua formação, o Iron Butterfly se separou pela primeira vez. Dorman não perdeu tempo e montou um novo grupo, o Captain Beyond, ao lado de Rod Evans (ex-vocalista do Deep Purple), Bobby Caldwell (tocou com Johnny Winter) e Larry Rhino Reinhardt (que integrou o Iron Butterfly entre 1969 e 1971).

Com sua mistura de rock progressivo, hard rock e elementos até de jazz, essa banda lançou três álbuns nos anos 70, sendo o de estreia, autointitulado, considerado um dos grandes clássicos do rock daquela década, embora não tenha feito grande sucesso em termos comerciais.

Após uma rápida reunião em 1987, o Iron Butterfly voltou à cena na década de 90, e Dorman e o baterista Ronald Bushy eram os únicos músicos da formação clássica a permanecerem em cena deste então. Eles tocaram no Brasil em maio de 2012, na Virada Cultural em São Paulo.

Lee Dorman também ficou conhecido como descobridor e produtor de duas boas bandas de rock que fizeram algum sucesso nos anos 70, o Blues Image e o Black Oak Arkansas. Vale lembrar que Larry Rhino Reinhard, seu ex-colega de Iron Butterfly e Captain Beyond, também morreu este ano, no mês de janeiro.

Sessão cultura inútil: conheci a música In-A-Gadda-Da-Vida em regravação disco muito bacana feita pelo grupo Julia Keen And Pin Up Stick lá pelos idos de 1977, em um álbum da série Excelsior A Máquina do Som Volume 7 (1978), lançado pela gravadora Som Livre e com repertório escolhido pelos programadores daquela rádio AM.

Vídeo de In-A-Gadda-Da-Vida, com o Iron Butterfly:

2 Comments

  1. Fico muito triste, aliás já tinha ficado bem triste assistindo o Butterfly na Virada Cultural, onde já se percebia o precário estado de saúde do Lee (entrou e saiu do palco carregado!). Não foi um show memorável, a não ser pelo heroísmo dele, e comentei com um amigo que ele merecia mais estar descansando, em vez de ter que se sujeitar a cansativas turnês em longínquos rincões do planeta, talvez para conseguir pagar seus tratamentos médicos. Desculpem esse desabafo, principalmente todos que estavam naquela noite na av. São João e se extasiaram com In-A-Gadda-Da-Vida (foi bonito ver o povo que ajudou a banda cantando, no gogó, o famoso riff que ele mal conseguia executar no baixo). Ressalto também que, apesar de todo o entusiasmo, a plateia teve o bom senso de não pedir bis, o que seria exigir demais do nosso amigo que agora se foi. Chacur, apesar dessa tristeza, desejo um ótimo Natal e Ano Novo a vc e todo o Mondo, aliás todos os Mondos! ab’çãopr’ocê

  2. Cláudio, muito obrigado pelo belíssimo depoimento referente ao show do Iron Butterfly aqui no Brasil. Retribuo a você e aos seus entes queridos os votos de um feliz Natal, e que 2013 possa ser um ano iluminado, com direito a muita saúde, paz, alegria, dinheiro (sem o qual…) e realizações. E valeu pelas visitas constantes aqui ao Mondo Pop, que espero que se mantenham nos próximos doze meses.!!!

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