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Filme mostra o início do mito Renato Russo

Por Fabian Chacur

Renato Russo (1960-1996) se tornou um verdadeiro mito do rock brasileiro, para o bem ou para o mal. O criador da Legião Urbana tanto tem fãs entusiásticos quanto detratores furiosos. Mas uma coisa é certa: ninguém consegue ou pode ignorar a importância do cantor, compositor e músico na história do rock brasileiro.

Somos Tão Jovens, filme dirigido por Antonio Carlos da Fontoura que entra em cartaz em todo o país a partir do dia 3/5 (sexta-feira), tem como tema o período compreendido entre 1976 e 1984, ou seja, quando um certo Renato Manfredini Jr, estudante não muito entusiasmado e professor de inglês, aos poucos deu lugar ao roqueiro, rebelde e astro Renato Russo.

Sem aparente pretensão de soar como uma biografia seriosa e investindo em uma visão mais romanceada e leve da vida do autor de Será, o filme tem como núcleo básico o relacionamento afetuoso entre Russo e a amiga/confidente Aninha, obviamente cercado pelas parcerias com amigos que acabaram virando colegas de bandas como Aborto Elétrico e coautores de músicas que depois ganhariam o mundo, como Eduardo e Mônica e Ainda é Cedo.

Um ponto mais do que positivo de Somos Tão Jovens é a sólida atuação de Thiago Mendonça, que incorpora um personagem por demais polêmico e frequentemente caricato na vida real de forma solta e sem exageros, no tom exato para cativar não só os fãs do Renato Russo real como aqueles que por ventura vejam o filme só para se divertir.


A reconstituição da época é bem realizada, mas um erro grosseiro acabou passando batido. Em cena situada na parte inicial do filme, quando Renato fala com seus amigos em um quarto de apartamento, discos de vinil guardados em uma estante são focalizados, com destaque para a capa de um certo LP. O álbum em questão é Civil, trabalho de estreia da banda homônima liderada pelo cantor Ricardo Henrique.

O “probleminha” é que esse LP saiu em 1987, ou seja, quase dez anos após a época em que a cena citada é ambientada (fim dos anos 70). Uma bela mancada, que de repente pode até gerar um revival desse grupo, que emplacou sucessos medianos como Sombras na Calçada e Jogo de Espelhos e sumiu de cena.

Somos Tão Jovens não é tão bom como O Tempo Não Para, baseado na vida de Cazuza, mas é uma boa atração, e tem tudo para conseguir boa repercussão em termos de público e crítica, abrindo as portas para que novas atrações cinematográficas enfocando nomes de pop-rock brasileiro possam ser viabilizadas.

Veja o trailer de Somos Tão Jovens:

7 Comments

  1. Claudio Foá

    May 1, 2013 at 8:48 am

    Acho que o que você chama de “mancada” é na verdade uma “pegadinha” proposital que costuma acontecer muito quando algum filme mostra LPs que existiram na vida real. Dois exemplos:
    1) No filme “Eu, Christiane F.”, a garota adolescente (e viciada) protagonista da história tem uma vitrolinha em seu quarto, onde escuta sempre o mesmo disco. O disco em questão é a coletânea “ChangesOneBowie”, do David Bowie, mas cada vez que vemos ela pousar a agulha nesse vinil, a faixa que ouvimos é “Heroes”, que não faz parte dessa coletânea!
    2) No filme “Quadrophenia”, baseado na ópera-rock do Who, há uma festinha da turma de “mods” em que estes põem pra tocar na vitrola uma coletânea-dupla do Who que reunia os álbuns “A Quick One” e “Sell Out”, e o som que se ouve é a música “My Generation”, que não é desses discos! Some-se a isso que a ação se passa em 1965, e não havia essa coletânea, e ninguém tocava LPs em festinhas, só compactos!
    1 abção

  2. Caro Cláudio:
    Respeito a sua interpretação e a citação desses exemplos bem interessantes, mas não acho que seja o caso em relação à estranha aparição da capa do disco do Civil no filme Somos Tão Jovens. Esse grupo não tem rigorosamente nada a ver com a história da Legião Urbana, e seu disco de estreia não tem relevância a ponto de ser colocado como “pegadinha” em uma cena de um filme comercial e sem maiores pretensões artísticas. Só por curiosidade: o Marcelo Nova, ex-Camisa de Vênus, participa de uma faixa desse álbum. Se fosse um filme sobre ele,aí, quem sabe….rsrsrsrs Grande abraço e tuuuudo de bom!!!

  3. Claudio Foá

    May 2, 2013 at 9:44 pm

    Agradeço a você por respeitar minha interpretação… você poderia ter objetado que ambos os exemplos que citei tratam de adolescentes relapsos, que não guardam seus vinis nas capas corretas! (e pra guardar CDs, então, a molecada que veio depois (pré-mp3) era pior ainda, rssrsss!!

  4. Oi,Fabian

    Lendo o artigo me lembrei agora de duas mancadas ocorridas na minissérie “Anos Rebeldes”,exibida em 1992 pela TV Globo:

    -Durante um baile, o conjunto começa a tocar “Can’t take my eyes off you”,hit de 1967 com Frankie Valli,só que o baile se passa em 1964!!!!
    -No momento da libertação do embaixador dos EUA, um dos militantes lhe dá de presente um Lp da Gal Costa contem a musica “Baby”,que o embaixador achava bonita.pois bem,em vez do album homônimo de 1969,o embaixador recebe o album “Baby Gal” de 1983!!!!!!

    ABS
    André Luiz

  5. Boa, Cláudio!!! rsrsrsrsrs E ótimos os seus exemplos, André Luiz. São provas de que a produção de filmes e séries de TV às vezes dão umas vaciladas sensacionais. Como diria o outro, “herrar é humano” ehehehe Mas cornetar o erro é mais do que divino!!! Grande abraço e tudo de bom para vocês, e obrigado pela visita!!!

  6. Gostaria de saber como e onde eu encontro a Aninha confidente e amiga do RENATO RUSSO?
    Pois eu gostaria de fazer uma entrevista com ela.
    MARCELO

  7. admin

    August 13, 2013 at 4:25 pm

    Caro Marcelo: como eu e você bem sabemos, Aninha na verdade é uma personagem fictícia que engloba vários amigos e amigas de Renato Russo, usada pelo roteirista do filme com “licença poética” para refletir a trajetória do líder da Legião Urbana em seus tempos de adolescente-jovem adulto. Eu deveria ter deixado isso mais claro no meu texto, pois obviamente fica a ambiguidade no ar, dando a entender que Aninha é um ser de carne e osso, e não um recurso ficcional. Fica o registro. Grande abraço e obrigado pela visita, e pela fina ironia, também….

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