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Old Sock é Eric Clapton solto e despretensioso

Por Fabian Chacur

Depois de passar por fases não muito favoráveis em sua vida, Eric Clapton aparentemente sossegou neste novo século em termos pessoais. Casado desde 2002 e pai de três filhas, o mestre da guitarra investiu nos últimos 15 anos em bons projetos solo e em parcerias com craques do naipe de Steve Winwood, B.B.King e J.J.Cale.

Seu novo álbum individual, Old Sock, acaba de sair no Brasil via Universal Music, e é mais uma prova de como essa vida familiar mais tranquila aparentemente está influenciando de forma positiva em seu trabalho. Trata-se de um disco ensolarado, despretensioso e no qual seu talento surge com força.

O repertório do novo álbum não inclui nenhuma música assinada pelo cantor, compositor e guitarrista britânico. São 12 faixas, sendo 10 releituras de canções de artistas como J.J. Cale, Peter Tosh, Gary Moore, George & Ira Gershwin e Taj Mahal, e duas inéditas assinadas por seu guitarrista e braço direito nos últimos tempos, o guitarrista Doyle Bramhall II.

As canções de Doyle tem como coautores o coprodutor e técnico de som do álbum, Justin Stanley, e uma figura que andava meio sumida das manchetes: a cantora Nikka Costa. Sim, a filha do saudoso maestro Dom Costa (célebre por ter trabalhado com Frank Sinatra) que estourou nos anos 80, ainda criança, com a releitura de (Out Here) On My Own, gravada originalmente por Irene Cara para a trilha do filme Fama.

Após o estouro inicial, Nikka deu uma sumida mas voltou em 1989, e passou a gravar alguns discos de repercussão moderada. Ela hoje tem 41 anos e é casada com Justin Stanley, com o qual compõe músicas para diversos artistas, incluindo Eric Clapton. Nada mal para aquela menininha de voz ardida, mas bela. Aliás, ela também marca presença no álbum fazendo backing vocals (vocais de apoio).

As duas composições do trio Bramhall/Stanley/Nikka são os momentos mais pops do trabalho, o rockão Gotta Get Over (com participação discreta da grande Chaka Khan) e o delicioso reggae Every Little Thing. Nesta última, já que falei há pouco de crianças precoces, temos os vocais (na parte final da canção) de Julie, Ella e Sophie Clapton, filhas do roqueiro britânico.

O disco flui de forma gostosa e se divide entre reggaes, baladas folk e standards da música americana. Temos outras participações bacanas, além das já citadas. Taj Mahal, por exemplo, toca harmônica e banjo no seu reggae Further On Down The Road. J.J. Cale canta e toca guitarra na balada country de sua autoria Angel.

Paul McCartney retribuiu a participação de Clapton em seu Kisses On The Bottom e canta e toca baixo no maravilhoso standard All Of Me, que ganhou nova vida na versão da dupla. E tem também Steve Winwoond arrasando no órgão Hammond B3 na elegante e sutil releitura de Still Got The Blues, maior hit de Gary Moore.

Mas a grande estrela do álbum é mesmo o seu criador. Clapton está cantando como nunca, indo do rockão de Gotta Get Over à sutileza jazzística em Our Love Is Here To Stay e The Folks Who Live On The Hill, além do folk blues em Goodnight Irene e balada country em Born To Lose. E os solos de guitarra fluem delicados e repletos de emoção e amor.

Old Sock soa um pouco como aqueles discos lançados pelo astro britânico nos anos 70, como 461 Ocean Boulevard (1974) e Slowhand (1977). Trata-se do novo trabalho de um artista genial que se sente livre para cantar e tocar aquilo que quiser, sem desejar provar nada a ninguém e em plena maturidade de seus 68 anos bem vividos.

Ouça All Of Me, com Eric Clapton e Paul McCartney:

4 Comments

  1. Também gostei do disco. Ainda mais agora que me conformei que Clapton só vai tocar guitarra Fender mesmo – eu sou apaixonado pelo som de guitarra que ele fazia no disco que gravou com John Mayall e no Cream; e lá tem muita Gibson (som áspero, rocker, sujo…). Que papo mais Arnaldo Batista, né Chacur…? Desculpa aê.

    Minha favorita do novo disco é “Angel”, do J.J. Cale. Êita música linda. As guitarras são maravilhosas. A guitarra solo lembra muito os dois primeiros discos do Dire Straits.

  2. Também curtia esse som mais sujo do Clapton, Neder, mas o que ele faz com as Fender também é de entusiasmar. Angel é realmente uma belíssima música, e ficou demais com o Clapton. A referência aos dois primeiros (e ótimos) discos do Dire Straits é muito pertinente, especialmente se levarmos em conta a influência que o Mark Knopfler tem do Clapton setentista. Como seria um disco gravado por eles em dupla? Fica a especulação. Grande abraço e tuuudo de bom, Neder!!!

  3. A sonoridade de ambos – Clapton e Knopfler – paga tributo ao velho J. J. Cale. Sobre trabalharem juntos, o mais perto que temos disso é o Clapton tocando “Setting Me Up” no disco “Just One Night” (discaço!), com a participação mais que especial de Albert Lee.

  4. Paga mesmo, Neder, é fato. Grande abraço e tuuudo de bom!!!!

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