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Minhas memórias do genial Lou Reed

Por Fabian Chacur

Neste domingo (28), nosso amado rock and roll perdeu um de seus nomes mais emblemáticos, talentosos e influentes. Lou Reed nos deixou graças a problemas decorrentes do transplante de fígado que sofreu em abril deste ano. Ou algo do gênero, não saberemos precisar neste momento. Mas a verdade é que Laurie Anderson e todos nós estamos viúvos, órfãos, deixados para trás. Mas nem tanto.

Afinal de contas, o ser humano Lou Reed não se encontra mais nesse alucinado planeta do sistema solar. Sua obra, no entanto, jamais sairá de cena. E já que todo mundo já escreveu tudo sobre a carreira dele, resolvi registrar, de forma aleatória e sem querer fazer uma retrospectiva ou algo do gênero, algumas coisas de sua produção que me impressionaram bastante.

De temperamento difícil e nenhuma disposição em ceder às pressões da indústria musical, Mr. Reed nos surpreendeu em diversas ocasiões de sua carreira. Duas delas são bem marcantes. O álbum que gravou em parceria com o Metallica, o controverso Lulu (2011), é recente a ponto de todos se lembrarem. A outra parceria é bem mais surpreendente, e praticamente esquecida de todos: uma dobradinha com o Kiss de Gene Simmons e Paul Stanley.

O álbum Music From The Elder (1981), o mais polêmico da carreira do quarteto mascarado americano, traz três faixas que inclui Lou Reed como letrista: Dark Light, Mr. Blackwell e A World Without Heroes, sendo que esta última foi a que conseguiu melhor repercussão em termos de divulgação. Mesmo assim, foi provavelmente o trabalho do Kiss que menos vendeu.

Artistas de todos os tipos regravaram canções de Lou Reed. Duas das gravações mais curiosas ocorreram em 1995, quando o Duran Duran resolveu ler à sua moda a ótima Perfect Day em seu álbum de covers Thank You, e em 1994, com Marisa Monte interpretando de forma suave e inspirada a bela Pale Blue Eyes em seu melhor trabalho, Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão. Ah, e tem a inominável Vi Shows (Vicious), raro tropeço de Arnaldo Brandão.

Em 1983, Lou Reed deu provas de seu sarcástico bom humor ao participar do divertido e descompromissado filme Get Crazy! Na Zorra do Rock. Na atração, ele vive o papel de um excêntrico roqueiro que está há anos fora de cena e que é convidado por um velho amigo promotor de shows a participar de um evento de ano novo para salvar uma badalada casa noturna. Ele aceita o desafio, no fim das contas.

No entanto, como não tinha nenhuma música nova pronta para tocar no tal show, ele passa o filme inteiro andando de taxi e finalizando a canção. Nem é preciso dizer que, quando chega no teatro, o espetáculo já havia acabado, só restando por lá uma jovem e fiel fã que queria vê-lo a qualquer custo. Aí, quando os créditos do filme surgem, ele canta a bela balada rock Little Sister, perante essa única admiradora. Delicioso!

Em 1996, tive a oportunidade de ver seu show em São Paulo, no finado Palace, parte de sua primeira passagem por nosso pais. Naquela turnê, ele divulgava o ótimo e hoje bem esquecido CD Set The Twilight Reeling, que inclui belos rocks como NYC Man e Hooky Wooky. Alguns clássicos ficaram bem diferentes das versões originais, mas como diria a amiga Claudia Bia, “ele sempre foi assim”. E sempre foi mesmo!

Gosto muito da obra do Velvet Underground, banda que vendeu poucos discos mas influenciou bandas que posteriormente venderam muito mais do que eles. Curiosamente, meu trabalho favorito da banda capitaneada em sua fase áurea por Lou Reed e John Cale é o póstumo VU (1985), que nem parece um álbum com sobras de outros álbuns, tal a sua qualidade. Excepcional, com pérolas como I Can’t Stand It (depois regravada em sua carreira solo), Lisa Says e Foggy Notion.

A obra de Lou Reed é repleta de momentos sublimes, e quem não a conhece certamente perde bastante em seu conhecimento musical. Letras ácidas e irônicas, melodias básicas, riffs de guitarra envolventes, momentos folk de rara beleza, ousadia em álbuns quase absurdos como Metal Machine Music (1975) e nenhum compromisso com a mesmice e o mediano. A Wild Side nunca mais será a mesma sem ele.

Can’t Stand It, com Lou Reed (versão da carreira solo):

Little Sister, com Lou Reed:

Veja o filme Get Crazy! Na Zorra do Rock:

4 Comments

  1. Bacana, Fabian. Lou Reed apenas pintou os olhos antes de todos, hehe.

  2. admin

    October 30, 2013 at 6:06 pm

    Valeu pela visita e pelo elogio, Dum. Grande abraço e volte sempre que puder quiser!!!

  3. Genial Fabian.. Otimo texto.. Como todos..

  4. admin

    November 6, 2013 at 7:24 pm

    Muito obrigado pelo elogio, Samorai, mas eu é que me sinto honrado de ter leitores com o seu alto gabarito. Obrigado pela visita a este blog, e volte sempre que puder/quiser. Abração!!!

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