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Made in Japan (Deep Purple) volta em bela versão deluxe

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Por Fabian Chacur

Made in Japan, do Deep Purple, costuma ser presença certa nas listas dos melhores álbuns ao vivo da história do rock. Com toda a justiça. Quem por ventura ainda não entende o porque este álbum é tão cultuado tem agora a oportunidade de conferir uma Deluxe Edition lançada no Brasil pela Universal Music que reforça a qualidade deste trabalho sublime.

Em 1972, o grupo inglês de heavy metal vivia um momento iluminado de sua existência, provavelmente o auge da chamada mark II, segunda formação de sua história e iniciada em 1969. Faziam parte dela o carismático vocalista Ian Gillan, o incrível guitarrista Ritchie Blackmore, o excepcional tecladista Jon Lord, o seguro baixista Roger Glover e o potente baterista Ian Paice. Um timaço com talento acima da média.

O grande mérito do Deep Purple sempre foi a capacidade de dosar o pique e a simplicidade do rock and roll com improvisações criativas e dignas do jazz e da música erudita, gerando uma sonoridade própria que influenciou gerações de outros músicos nos anos que viriam. Técnica e garra em um único e generoso pacote musical cultuado até hoje.

As sete faixas de Made in Japan foram gravadas em três shows realizados no Japão nos dias 15 e 16 de agosto de 1972 em Osaka e um terceiro no dia 17 de agosto do mesmo ano em Tokyo, este último no lendário Budokan Hall. Uma é do primeiro show, quatro do segundo e duas do terceiro, montadas de forma a soar como um único espetáculo.

As releituras “live” de Highway Star, Child In Time, Smoke On The Water, The Mule, Strange Kind Of Woman, Lazy e Space Truckin’ acrescentam adrenalina aos já ótimos registros de estúdio, mantendo o formato básico de cada música e acrescentando a elas com brilhantismo novos solos, novos duelos instrumentais e novas interpretações vibrantes do cantor Ian Gillan. De tirar o fôlego.

Essa sublime Deluxe Edition traz, além da versão remasterizada do álbum original, um segundo CD com os bis de cada show, com direito a três versões de Black Night, duas de Speed King e uma de Lucille, esta última cover do hit do roqueiro Little Richard. Uma ótima ideia, pois essas interpretações são também bastante legais e diferentes entre si, com nuances entre uma e outra versão.

A bela embalagem digipack do álbum é em cartão duro e abre em quatro partes. Além de trazer fotos expressivas, o encarte conta com prefácio de Slash e um belíssimo texto assinado por Malcom Dome repleto de informações das mais interessantes. Uma delas é simplesmente inacreditável: nenhuma das fotos usadas na capa, contracapa e encarte do CD foram tiradas nos shows japoneses!

Sim, é isso mesmo que você leu. As imagens são de shows realizados em Londres na mesma época, e a explicação dada pela produção do disco fica por conta de o público no Japão na época ficar muito distante do palco e sentado, impossibilitando registros que fossem compatíveis com a energia do show. Temos também outra peculiaridade surpreendente.

A foto na contracapa traz, agitando na plateia e na direção de Ritchie Blackmore, um loirinho cabeludo de 14 anos que, tempos depois, iria se tornar também um astro do rock. Trata-se de Phil Collen, guitarrista do Def Leppard, que no texto incluído no encarte afirma que aquele show foi uma das razões que o levaram a querer se tornar um músico de rock.

Indispensável em qualquer discoteca básica roqueira decente, Made in Japan é a prova definitiva de que em determinados estilos do nosso amado rock and roll o que vale mesmo é a capacidade de se entrar em um palco e ir além das expectativas, acrescentando qualidade ao que já era bom na sua origem. Arrepiante e seminal.

Ouça Made in Japan, do Deep Purple, em streaming:

2 Comments

  1. vladimir rizzetto

    July 30, 2014 at 10:41 pm

    Salve, Fabian!

    Atesto tudo o que você escreveu sobre este mítico disco.
    Made in Japan é uma das maiores referências do hard rock dos anos de 1970. Opressor, opulento, “arquiteto” da agressão, pesado, elétrico e intenso, Made in Japan impressiona até os dias atuais.
    O Deep Purple jamais repetiu tamanho vigor posteriormente, ainda que tenha lançado outros álbuns excelentes, como o também ao vivo, Made In Europe. Mas nenhum outro ostenta tanta ferocidade.
    E o que o torna mais especial ainda, é que (parece) não tem overdubs. É mole?
    Bom, vamos estourar os tímpanos ouvindo Highway Star!

    Abração

  2. admin

    August 1, 2014 at 8:23 pm

    Grande Vladimir!!! Fazia tempo que eu não ouvia esse Maide In Japan, e confesso que fiquei com o queixo caído, pois é tudo isso o que você escreveu mesmo. Uma incrível mescla de habilidade técnica e energia em um mesmo pacote sensacional. Muito obrigado pela visita e volte sempre, fera!!!!

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