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Por Fabian Chacur

O cantor, compositor e multi-instrumentista carioca João Capdeville estreia em disco com um formato que voltou a ser utilizado por muitos artistas, o EP. Trata-se de um CD com no máximo cinco músicas, no qual o artista pode apresentar uma amostra de seu trabalho de um jeito mais conciso. Uma espécie de cartão de apresentação chique.

Com 21 anos de idade, o artista carioca nos apresenta canções elaboradas, melódicas e doces, mas com um tempero ardido que lhe dão um diferencial em relação ao que anda sendo feito por seus contemporâneos. É MPB, sim, mas também tem raízes no rock, na música pop e até mesmo no jazz e música erudita. Som sem amarras, com vocalizações concisas.

Em entrevista exclusiva a Mondo Pop, Capdeville nos fala do primeiro EP, intitulado Pausa e lançado pela via independente, e também sobre as influências musicais que permeiam sua obra, seus planos, projetos e muito mais. É um artista promissor que mostra bastante poder de fogo logo na estreia. Vale a pena ficar de olho nele.

Mondo Pop- O que te levou a estrear em termos fonográficos com um EP? O que acha da atual tendência de vários artistas lançarem músicas novas nesse formato? E como você faz as vendas dele? Em shows, na internet etc?
João Capdeville– Então. Gravar primeiro um EP foi na verdade uma espécie de teste, uma experiência. Escolhemos as músicas que achamos que se destacavam e, se desse certo e as pessoas gostassem, gravaríamos o resto das músicas para lançar, posteriormente, um CD cheio. Felizmente o Pausa tem dado um bom retorno e rendido boas críticas, o que facilita a continuidade do projeto. Acho o EP uma forma muito legal de se trabalhar. É claro que depende de cada artista. Mas acho bem bacana porque não é necessário esperar você ter um monte de músicas pra gravar. Tudo pode ser feito aos poucos. De 3 em 3, de 4 em 4 músicas etc. Isso diminui o tempo total de criação e faz com que o público tenha alguma novidade por parte do artista em um período menor. A espera por novidades fica menos demorada. Acho muito bacana.
Eu tenho o EP inteiro disponível para compra online através de algumas plataformas como o iTunes, por exemplo, mas pra quem quiser ter o álbum físico, eles sempre estão à venda em meus shows. Interessados em comprar o disco físico podem entrar em contato pelo meu email também para mais informações (joaocapdevillecontato@gmail.com).

Mondo Pop- Como foi selecionar o repertório para Pausa? Que tipo de critérios você seguiu? Todas as músicas foram compostas em uma mesma época ou vem de períodos diferentes?
João Capdeville– Pra mim foi um pouco difícil escolher apenas cinco músicas. Tenho um carinho muito grande por todas as canções que escrevo e não queria deixar nenhuma de fora. Essa escolha veio junto ao Diogo, que foi quem produziu o disco. Ele ia escutando e me dizendo as que mais o agradavam e, estando enfim de acordo, depois de um tempo tínhamos as cinco faixas determinadas. Quanto ao processo de criação, há músicas de períodos distintos da minha vida. A Lembra?, por exemplo, é uma das que compus há mais tempo e tinha guardado na gaveta. Por outro lado, escrevi O Mundo Vai Girar pouco antes de entrar no estúdio pra gravar o disco.

Mondo Pop- Você tem 21 anos, mas suas referências musicais (que constam do release do seu disco) são de nomes bem anteriores à sua geração. Isso ocorreu de forma não intencional ou denota uma insatisfação com a música feita dos anos 80 para cá?
João Capdeville– Engraçado. Sabe que eu não tinha percebido isso? (Risos) De forma alguma. Não tenho insatisfação nenhuma com a música feita dos anos 80 pra cá. Pelo contrário, tenho admiração por um monte de artistas dessa época. Acho que foi só coincidência mesmo.

Mondo Pop- Ainda na mesma pegada da pergunta anterior: quais são os artistas da nova geração que você mais gosta, e por quê?
João Capdeville– Ah! Eu gosto de muitos. Adoro o trabalho do Silva, do Lucas Santtana, do Cícero. Acho que são capazes de fazer algo magnífico, cada um com suas características, e sem fugir das raízes.

Mondo Pop- As suas canções mesclam elementos de MPB, rock e mesmo música erudita de forma bem aberta, sem amarras. Essa era a sua intenção desde o início?
João Capdeville– Acho que essa mistura é algo inevitável, não é só questão de ter ou não a intenção. Isso vem das coisas que gosto de ouvir e tocar, de todas as minhas influências, e estas estão presentes em todas as minhas composições. De forma intencional ou não, penso que todas as minhas músicas tem e terão essa característica de misturar minhas influências.

Mondo Pop- Qual o seu objetivo básico enquanto artista? Gostaria de fazer sucesso em termos comerciais ou prefere concentrar seu poder de fogo na parte artística, sem levar isso em conta?
João Capdeville– Meu objetivo é conseguir chegar no maior número possível de pessoas e vê-las se identificando com minhas letras e melodias. Pra mim isso é tudo! Dinheiro e sucesso seriam consequências. O mais importante é poder me expressar de forma sincera, através das minhas canções, e fazer com que as pessoas se sintam, ao ouvir, do mesmo jeito que eu me sinto ao cantá-las.

Mondo Pop- Nos seus shows você mescla músicas próprias e releituras de músicas de outros artistas. Como foram escolhidas essas canções alheias, e como você as relê, mais próximas dos arranjos originais ou tentando partir para um rumo diferente em termos estilísticos?
João Capdeville– A prioridade nos meus shows é, obviamente, das minhas músicas mas, sobrando espaço, é um prazer poder cantar alguma composição de artistas de quem eu gosto. No último show, toquei algumas versões de músicas de outros compositores, mas a tendência é que, conforme eu vá lançando mais material, diminua um pouco esse número. Quando toco uma música de outra pessoa, tento colocar o máximo de João Capdeville nela. Tento tratar a canção como se eu mesmo a tivesse escrito. Por isso, escolho somente músicas com as quais me identifico muito. Caso contrário, não veria razão em cantá-las.

Mondo Pop- Como funciona o trabalho com os músicos de sua banda de apoio? É como se fosse um grupo, com abertura para que eles opinem, ou você dá as coordenadas e eles as seguem?
João Capdeville– É 100% aberto para que opinem. Somos um grupo. É claro que eu tenho que dar a palavra final pra que tudo tenha o meu jeito e minha cara, mas eu fico muito contente em receber sugestões dos meus parceiros.

Mondo Pop- Como você encara o atual cenário da indústria fonográfica no Brasil, e como é o seu relacionamento com os fãs via redes sociais?
João Capdeville– Ao meu ver, nossa cena é extremamente rica! Não canso de dizer que há artistas sensacionais espalhados pelo Brasil, independente do gênero. Escuto muito da nova cena e fico muito orgulhoso da nossa música.Quanto aos fãs, procuro responder todas as mensagens que recebo e busco sempre retribuir o carinho dessas pessoas. Minha maior alegria é abrir minha conta em alguma rede social e encontrar uma mensagem nova de alguém dizendo que gostou e se identificou com minhas canções.

Mondo Pop- Quais são seus próximos projetos (CD “cheio”, DVD etc)?
João Capdeville– Meu próximo projeto é gravar um CD cheio. Essa seria, ao meu ver, a minha verdadeira estreia na indústria fonográfica. Ainda não tenho uma previsão muito precisa sobre a data do lançamento mas, daqui a uns meses, terei mais informações. Fora isso, meu objetivo é estar sempre fazendo show e levando meu trabalho pra mais lugares.

Mondo Pop- Se você tivesse de escolher um CD de outro artista para tocar na íntegra ao vivo, qual seria, e por quê?
João Capdeville– Hoje eu estava escutando o CD do Tom junto ao Sinatra. Acho que essa seria uma boa pedida. (n.da r.: Antonio Carlos Jobim & Francis Albert Sinatra, lançado em 1967 pela Reprise Records).

Ouça Lembra?, com João Capdeville: