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Ben E. King, de Stand By Me, morre nos EUA aos 76 anos

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Por Fabian Chacur

Embora sempre lembrado pela canção Stand By Me (1961), Ben E. King está muito longe de ser um one hit wonder, aquele tipo de artista que só teve um sucesso na carreira. O grande cantor americano nos deixou aos 76 anos segundo informação do site da revista americana Billboard. A causa não foi revelada. Uma grande perda para os fãs de soul music e da música pop em geral.

Benjamim Earl Nelson nasceu em Henderson, Carolina do Norte, em 23 de setembro de 1938. Ele começou a se tornar conhecido no cenário musical americano ao entrar em 1958 no The Crowns, que naquele mesmo ano, por razões empresariais, acabou se tornando uma nova encarnação do então já estabelecido grupo vocal The Drifters.

King ficou menos de dois anos nos Drifters, mas teve tempo de emplacar por lá os hits There Goes My Baby, Dance With Me e especialmente Save The Last Dance For Me. A carreira solo teve um início marcante, com o estouro de Spanish Harlem, com produção do então ainda iniciante Phil Spector. E o melhor viria logo a seguir.

O cantor resolveu adaptar uma canção spiritual intitulada Lord Stand By Me. Com nova letra escrita por ele, a música virou Stand By Me, e atingiu o quarto lugar na parada pop americana em 1961. A canção voltaria ao top 10 americano em 1986 ao integrar com destaque a trilha do filme Conta Comigo (cujo título original é exatamente Stand By Me).

Stand By Me logo se tornou um standard pop, regravada por diversos artistas no decorrer dos anos seguinte. A releitura mais famosa ficou por conta de John Lennon, que frequentou os charts de todo o mundo em 1975 com sua gravação, incluída no álbum de covers Rock ‘N’ Roll, totalmente dedicado a recriação de hits dos anos 1950 e 1960.

Amor (1961), seu primeiro álbum solo, obteve êxito, e até 1969, ele lançou outros hits pela Atlantic Records, pela qual gravou desde os tempos dos Drifters. Entre outras, emplacou nessa fase sucessos como I(Who Have Nothing) (relida no auge da disco music por Sylvester), Don’t Play That Song (regravada por Aretha Franklin) e outras.

Curiosamente, Ben saiu da Atlantic Records em 1969 e só voltou às paradas de sucesso em 1975, ano no qual retornou à gravadora criada no fim da década de 1940 pelos irmãos Ertegun. O hit que o trouxe de volta aos charts foi a sensacional Supernatural Thing, com uma levada soul-funk simplesmente marcante. Tipo da música certa na hora certa.

Em 1978, gravou um álbum antológico, Benny And Us, em parceria com a banda britânica de soul e funk Average White Band. O álbum traz maravilhas como o hit Get It Up For Love, as excelentes The Message, A Star In The Ghetto e Keepin’ It To Myself e uma boa releitura de Imagine, de John Lennon. Vale lembrar: o guitarrista Hamish Stuart, da AWB, é aquele mesmo que tocou com Paul McCartney do fim dos anos 1980 até meados dos anos 1990.

Embora sem emplacar novos hits, Ben E. King permaneceu na ativa, fazendo shows e gravando eventuais novos álbuns, sendo o mais recente I’ve Been Around, de 2006. Com sua voz maravilhosa e uma presença de palco repleta de sutileza e classe, ele nos deixa um legado que, como vocês puderam ver acima, vai muito além da maravilhosa Stand By Me.

Supernatural Thing Parts 1 & 2– Ben E. King:

Give It Up For Love– Ben E. King & The Average White Band:

Stand By Me – Ben E. King:

Spanish Harlem– Ben E. King:

2 Comments

  1. Claudio Finzi Foá

    May 2, 2015 at 12:51 pm

    Que pena!
    Considero “Stand By Me” uma canção irmã de “When a man loves a woman”, cujo criador Percy Sledge se foi há duas semanas. Eu conheci ambas fora de época, em excelentes covers de dois cantores de nome John (ou Johnny)…

  2. fabian chacur

    May 4, 2015 at 3:48 pm

    Lennon e Rivers…. Duas perdas significativas para o cenário da música pop, sem sombra de dúvidas, Cláudio. Grande abraço e obrigado pela visita qualificada de sempre!!!

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