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Daryl Hall & John Oates: sucesso comercial e qualidade artística

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Por Fabian Chacur

Parece mentira, mas 46 anos após lançarem seu primeiro álbum, Whole Oats (1972), e posteriormente conquistarem as paradas de sucesso de todo o planeta, enfim Daryl Hall & John Oates virão ao Brasil pela primeira vez. Antes tarde do que nunca, já dizia aquela célebre frase. Até o momento, apenas uma apresentação está confirmada, e será em São Paulo, no dia 11 de junho (terça-feira) às 21h30 no Espaço das Américas (rua Tagipuru, nª 795- Barra Funda- fone 0xx11-3829-4899), com ingressos de R$ 115,00 a R$ 420,00. Uma dupla que merecia muito mais reconhecimento por parte da crítica especializada.

Sim, eles não são mais moleques- Daryl tem 72 anos, enquanto John ostenta 70. No entanto, permanecem na ativa, fazendo turnês e trabalhando bastante. Sua original mistura de soul, rock e pop soa mais cativante e original do que nunca, fórmula própria que lhes rendeu mais de 40 milhões de cópias vendidas e o título de dupla mais bem-sucedida em termos comerciais da história da música pop, superando até mesmo Simon & Garfunkel, Tears For Fears e The Everly Brothers, só para citar outros concorrentes de peso.

Já escrevi bastante em Mondo Pop sobre esses caras, por gostar muito do trabalho da dupla e também achar uma tremenda injustiça a forma como seu trabalho é ignorado pelos “çábios” da crítica especializada nacional e internacional. O que eles fazem é algo extremamente difícil de se fazer, que é música com alma, qualidade artística e forte apelo comercial, tudo junto e misturado. I Can’t Go For That (No Can Do), Out Of Touch, Kiss On My List, Private Eyes, One on One, é muita música boa junta. Garantia de shows efervescentes!

Para quem desejar ler mais sobre o trabalho deles, com direito a muitos detalhes, resenhas, links para canções etc, é só entrar aqui e se divertir.

Veja o clipe de I Can’t Go For That (No Can Do):

Daryl Hall fala com franqueza sobre carreira em Rock Icons

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Por Fabian Chacur

O trabalho do cantor, compositor e músico americano Daryl Hall nunca foi levado muito a sério pela crítica especializada. Um lamentável erro de julgamento, pois o cara é um verdadeiro gênio. Sua extensa e consistente obra em dupla com o cantor, compositor e músico americano John Oates rendeu belíssimos frutos em seus mais de 40 anos de atividade. Ele é o tema de Rock Icons 8, que o Canal Bis exibe nesta 2ª (16) às 12h30, 3ª (17) às 3h e 8h05 e 4ª (18) às 16h30. Saiba mais aqui.

Normalmente voltado a nomes do heavy/hard rock, desta vez este ótimo programa, dirigido por Sam Dunn e Scott McFadyen, prefere se render a um desses artistas capazes de superar barreiras e criar um trabalho ao mesmo tempo consistente em termos artísticos e bem-sucedido comercialmente. São apenas 22 minutos, mas absurdamente bem aproveitados, com direito a entrevistas feitas especialmente para a atração com o artista enfocado, o parceiro Oates e Kathy Phillips, irmã de Hall, além de excelente material de arquivo.

Neles, o autor de Maneater, I Can’t Go For That (No Can Do), Rich Girl, Kiss On My List e tantos outros hits fala sobre o início de sua carreira, na mitológica cidade da Filadélfia, quanto montou um grupo vocal, os Temptones, influenciado pelos Temptations. Uma foto reunindo os dois grupos é uma das surpresas que o expectador terá durante o programa.

Ele comenta sobre não admitir barreiras entre estilos musicais, dizendo-se à vontade ao fazer música influenciada pelos negros artistas e repelindo acusações do tipo “apropriação cultural” que alguns radicais desferem a brancos que fazem “black music”.

Com muita franqueza e sem papas na língua, ele lembra de suas experiências no meio musical, que o levaram a “odiar o negócio da música, pois eles não são amigos dos músicos, nunca foram meus amigos”, e de como descobriu ser a autoprodução o melhor caminho para viabilizar a sonoridade que sonhava em criar, após trabalhar com inúmeros produtores nos anos 1970.

As experiências com os videoclipes são lamentadas pelos dois parceiros, que detonam os diretores com os quais trabalharam e também a utilização de um visual nos clipes que nada tinha a ver com as letras das canções que as ilustravam. Oates, em um momento particularmente divertido, reflete que seus clipes equivalem a aqueles álbuns de fotos com visuais constrangedores que as pessoas tem nas gavetas de suas casas. Só que, no caso deles, totalmente acessíveis a todos e sempre os assombrando, com seu mal gosto.

Durante as entrevistas, temos cenas de ótimas apresentações ao vivo nos anos 1970 e 1980, trechos de clipes como Out Of Touch (o que eles mais detonam, de forma detalhada). Hall explica o seu processo de criação, sobre a mistura de soul music e folk que ele e Oates fizeram, e de como conseguiram se consolidar no cenário musical mundial.

Ele também fala de seu incrível programa Live From Daryl’s House, criado em 2007 inicialmente para exibições apenas via internet e que depois também entrou na programação de uma emissora de TV americana. A ideia era mostra-lo de forma mais informal e honesta, ao lado de músicos que admira, como forma de divulgar uma imagem sua mais próxima do real. O curioso é que em nenhum momento ele aborda os bons trabalhos que lançou como artista solo. Mas isso não tira a alta qualidade desta atração, que faz jus a esse craque da música pop.

Rock Icons 8- Daryl Hall (veja em streaming, sem legendas):

Novo CD solo de Daryl Hall é o pop perfeito

Por Fabian Chacur

Desde que I Can’t Go For That ( No Can Do) me cativou há 30 anos, sou fã incondicional de Daryl Hall. E não é por acaso. Razões existem aos borbotões para que esse fanatismo se mantenha firme e forte.

Ao lado do parceiro John Oates, o astro americano criou uma discografia impecável, repleta daquelas canções que te pegam pelo ouvido e nunca mais saem de sua memória, tipo a citada acima, One On One, Sara’s Smile, Say It Isn’t So, Everything Your Heart Desires e tantas, mas tantas outras mesmo.

O cara humilha: canta maravilhosamente bem, toca com maestria, compõe com versatilidade e inspiração, tem ótima presença de palco…

Além de gravar com John Oates, ele também eventualmente investe em trabalhos solo, algo que tende a se ampliar daqui pra frente, já que a dupla aparentemente encerrou suas atividades após quatro décadas de sucesso.

Laughing Down Crying, novo CD solo de Hall lançado no exterior pelo selo Verve Forecast da Universal Music e ainda inédito em edição brasileira, é um daqueles álbuns destinados a deixar os fãs encantados, tal a sua qualidade.

Acompanhado por ótimos músicos, Daryl não inventa moda, mergulhando no universo musical em que sempre costuma atuar, aquela perfeita mistura de rock, soul, rhythm and blues e pop que ora te faz dançar, ora te anima a abraçar a pessoa amada para curtir a dois.

São 10 músicas muito boas, com destaque para a balada rock que dá nome ao álbum, o rock dançante Talking To You (Is Like Talking To Myself), a balançada Eyes For You (Ain’t No Doubt About It), ao rock compassado Get Out Of The Way e à delicada balada Crash And Burn.

Uma das coisas mais difíceis de se fazer na música é conseguir ser ao mesmo tempo sofisticado e acessível ao ouvido médio, e Daryl Hall consegue tal façanha com uma naturalidade simplesmente absurda.

Aos 62 anos, o músico americano continua com a voz em plena forma, e sua inspiração para o pop perfeito ainda não se mostra nem perto de se esgotar.

De quebra, ele ainda apresenta desde 2007 um programa musical via internet, Live From Daryl’s House, do qual já participaram nomes como Todd Rundgren, KT Tunstal e Rob Thomas (do grupo Matchbox Twenty).

Daryl Hall é bom exemplo de quando a música pop equivale a arte, os tais biscoitos finos para as massas.

Ouça Talking To You (Is Like Talking With Myself):

Como conheci Daryl Hall & John Oates

Por Fabian Chacur

Lá pelos idos de 1981, uma musica poderosa, de beat irresistível, tomou conta dos meus sentidos e me impulsionou rumo à loja de discos mais próxima, para comprar um exemplar daquele single.

A canção intitulava-se I Can’t Go For That (No Can Do), e foi responsável por eu me apaixonar por seus autores e intérpretes, Daryl Hall & John Oates.

O compacto simples de vinil (com Unaguarded Minute no lado B) virou o meu favorito da época rapidinho, e me levou a ir atrás de mais coisas daquela dupla americana.

Confesso que não havia dado muita bola para o sucesso anterior deles, Kiss On My List, tanto que nem ligava o nome ao artista. Com o tempo, essa canção também entrou nas minhas favoritas.

Mas meu culto a Hall & Oates tornou-se forte mesmo a partir do momento em que adquiri o então recém-lançado Rock ‘N’ Soul Vol.1, (1983) na verdade uma coletânea com os grandes hits deles e mais duas músicas até então inéditas, as ótimas Say It Isn’t Soul e Adult Education.

A partir daí, passei a seguir os lançamentos deles, e também descobri que o duo começou a trabalhar junto no início dos anos 70, tendo lançado seu primeiro álbum, Whole Oats, no já então longínquo ano de 1972.

A primeira onda de sucessos veio em 1976, quando Sara’s Smile tornou-se um grande sucesso na parada america, e She’s Gone, lançada três anos antes, enfim estourou.

A segunda (e mais forte) fase positiva em termos comerciais rolou durante os anos 80, quando hits como Private Eyes, Kiss On My List, I Can’t Go For That (No Can Do), Maneater, Out Of Touch, Say It Isn’t So e Everything Your Heart Desires cativaram fãs pelo mundo afora.

O nome da coletânea que me fez virar fã de vez dos caras é uma boa pista sobre sua sonoridade, uma mistura de rock, soul, rhythm and blues, pop e muito mais, trazendo como armas refrãos marcantes, vocais sempre caprichados e o carisma do cantor Daryl Hall, uma das melhores vozes da música pop.

Entre as dezenas de sucessos dos caras, que estavam na ativa até há pouco, selecionei cinco marcantes.

I Can’t Go For That (No Can Do)

Com um beat irresistível reforçado por bateria eletrônica e um refrão matador, essa canção sensacional me tornou fã da dupla. Seu beat foi usado em dois outros sucessos alheios, Say Don’t Go, do grupo de rap De La Soul (no fim dos anos 80) e Sunrise, do Simply Red, já nos anos 2000.

Say It Isn’t So

Essa era uma das duas faixas inéditas incluídas na coletânea Rock ‘N’ Soul Vol. 1, lançada em 1983 e meu primeiro LP de vinil da dupla. Daquelas que te pega logo na primeira audição, que logo em seguida se torna segunda, terceira, quarta… Um clássico!

One On One

Conheci essa sensual balada de tempero latino em Rock ‘N’ Soul Vol.1, embora ela faça parte também do álbum H20 (1982), que também inclui o megahit Maneater. Uma das músicas ideais para se ouvir ao lado de quem se ama. Nos anos 90, Gabriel o Pensador usou seu beat para criar o sucesso Cachimbo da Paz (maresia, sente a maresia…).

Sarah Smile (live)

Sarah Smile colocou Daryl Hall & John Oates pela primeira vez entre os dez mais na parada americana, lá pelos idos de 1976. É uma de suas grandes baladas soul, e até hoje é presença infalível em seus shows, com direito a interpretação matadora de Daryl Hall.

Maneater

Uma das mais conhecidas do repertório de Hall & Oates, essa canção balançada se aproveita com criatividade e assinatura própria da linha de baixo de You Can’t Hurry Love, sucesso das Supremes nos anos 60 e regravada nos anos 80 por Phil Collins

The Bird And The Bee fazem bela homenagem a Daryl Hall & John Oates

Por Fabian Chacur

The Bird And The Bee é uma dupla americana surgida na cidade de Los Angeles em 2006. A passarinha é a cantora Inara George, enquanto o produtor e multiinstrumentista Greg Kurtin se incumbe do papel da abelha da banda. Após dois elogiados discos autorais, eles resolveram homenagear dois de seus ídolos.

Interpreting The Masters Volume 1: A Tribute To Daryl Hall & John Oates é desde já uma das boas surpresas do ano. Embora dois dos grandes nomes do pop, Hall & Oates nem sempre tem seu enorme valor artístico valorizado. E o legal é que a homenagem deu super certo.

Os dois não complicaram a história, e escolheram as oito canções da mais bem-sucedida dupla em termos comerciais da história da música pop a partir das 12 incluídas na matadora coletânea Greatest Hits- Rock ‘N Soul Part 1 (1983).

A faixa inicial do álbum do The Bird And The Bee é a única autoral, a deliciosa Heard It On The Radio, que serve também como tributo aos mestres pela letra e por sua incrível capacidade de grudar em nossos ouvidos, com um quê do pop do grupo irlandês The Corrs. Uma delícia.

As releituras das canções de Hall & Oates ficaram deliciosas e partem de um princípio básico muito inteligente. Eles usaram boa parte dos arranjos, melodias e vocalizações originais, mas mergulharam de cabeça em sutilezas adicionais para dar às novas gravações um tempero original.

A voz doce, afinada e sensual de Inara ajudam nesse sentido. Kurstin, por sua vez, se vale de teclados quando o solo é de guitarra, inclui sonoridades exóticas aqui e ali e dá uma cara renovada a sucessos maravilhosos.

O CD pode ser ouvido como um todo sem sobressaltos, mas destaco as releituras de Sara Smile, I Can’t Go For That ( No Can Do), One On One e Private Eyes como as mais felizes.

A sutileza final: A capa do CD do The Bird And Bee segue a estética da de um dos mais famosos de Daryl Hall & John Oates, o maravilhoso Private Eyes (1981), um dos melhores da carreira do duo.

Ah, se toda homenagem a um artista fosse do mesmo nível deste Interpreting The Masters Volume 1: A Tribute To Daryl Hall & John Oates

Daryl Hall & John Oates em show quase acústico

Por Fabian Chacur

A única coisa mentirosa deste Live At The Troubadour é o subtítulo, unplugged (acústico). Não se trata de uma gravação totalmente acústica. Embora os violões fiquem à frente, temos também teclados e baixo elétricos.

De resto, o novo lançamento da dupla Daryl Hall & John Oates que chega às lojas nacionais pelo selo Coqueiro Verde é uma verdadeira maravilha. Pena que inclua um dos últimos registros do genial baixista e arranjador T-Bone Wolk, cuja morte eu noticiei em post anterior aqui em Mondo Pop.

Gravado em 2008, trata-se de um registro histórico da volta da dupla ao primeiro lugar no qual eles se apresentaram na cidade de Los Angeles, no distante 1973. Esse mesmo lugar, por sinal, marcou a estreia de Elton John em solo americano.

O DVD inclui 19 músicas, enquanto o CD ficou com 13 (enfatizando os maiores sucessos e deixando de lado músicas menos conhecidas). Os novos arranjos das músicas da dupla são no mínimo interessantes.

Algumas canções se encaixaram feito luva no formato violões à frente, como Everything Your Heart Desires e Sara Smile. A maravilhosa When The Morning Comes, então (do primeiro CD deles, Whole Oats), foi feita para esse estilo de arranjo.

Da ala menos conhecida, mas não menos legal, temos também canções como It’s Uncanny e Abandoned Luncheonette, e até mesmo uma da carreira solo de Daryl Hall, Cab Driver.

Do caminhão de hits gravados por eles em seus quase 40 anos de estrada, temos também One On One, Say It Isn’t So, Private Eyes, Kiss On My List e Rich Girl, entre outras.

A voz de Daryl Hall continua quente e negroide, acompanhada com habilidade pela de John Oates, que dá um banho no violão. A banda é afiadíssima, com direito até ao saxofonista que gravou os solos nos maiores hits da dupla, o mítico Charlie De Chant

O clima intimista do Troubadour ajuda a criar uma interação forte entre a dupla e a plateia, o que tornou o registro em CD e DVD ainda melhor. Recomendo com entusiasmo, ainda mais pelo preço do exemplar brasileiro de CD e DVD estar sendo vendido a preço bem acessível, em torno de R$ 15 (CD) e R$ 25 (DVD).

Mais um pouco de Daryl Hall & John Oates

Por Fabian Chacur

Já que ninguém escreve muita coisa sobre Daryl Hall & John Oates aqui no Brasil, vou aproveitar o gancho do lançamento da caixa Do What You Want Be What You Are- The Music Of Daryl Hall & John Oates que eu resenhei no post anterior e esticar a conversa em pequenos tópicos.

A Voz de Daryl Hall– Este cantor, compositor e músico americano é o típico caso de branco com alma negra. Sua voz é forte, intensa e sabe ir da potência à sutileza em questão de segundos. Pouca gente canta tão bem no universo da música pop como ele.

A importância de John Oates-1 – Em duplas de sucesso, sempre existe o mito de que “um carrega o outro nas costas”. Conversa mole. A carreira solo de Hall é bacana, mas não se compara ao que ele fez com Oates. Prova simples de que o trabalho em dupla é de fato onde ele rende melhor.

A importância de John Oates-2– O ex-bigodudo compõe bem, toca uma guitarra respeitável, sabe cantar (embora não tão bem como o parceiro) e consegue ser a combinação perfeita para a voz de Daryl Hall. Ou seja, os caras se completam musicalmente de forma perfeita.

Bandas sempre ótimas– Hall & Oates sempre tocaram com músicos fantásticos. Destaco alguns deles: G. E. Smith (guitarra), Charles DeChant (sax, teclados), Kenny Passarelli (baixo), Caleb Quaye (guitarra), T-Bone Wolk (baixo), Mickey Curry (bateria), Jerry Marotta (bateria) e Larry Fast (sintetizadores). Nunca os vi tocando com bandas toscas. Nunca.

Everytime You Go Away-1 –A música é de autoria de Daryl Hall e foi gravada originalmente pela dupla no CD Voices, o mesmo que inclui Kiss On My List. Na época, passou meio batida, fazendo sucesso só no Japão. Em 1985, o britânico Paul Young fez uma bela regravação da canção e estourou em todo o planeta com ela. Aliás, não confundir este Paul Young com o que integrou o Mike & The Mechanics de Mike Rutherford (do Genesis) e o grupo Sad Cafe. E que, infelizmente, já foi dessa para a melhor.

Everytime You Go Away-2– A dupla deve ter se sentido desafiada pelo novato e resolveu fazer uma releitura à altura da dele. Conseguiram no sublime álbum ao vivo Live At The Apollo With David Ruffin & Eddie Kendrick (1985) no qual Daryl Hall dá à canção a interpretação que ela merecia e que na versão de estúdio deles não ficou tão ótima.

Marigold Sky (1997)– Este álbum, inexplicavelmente ignorado na caixa, marcou a volta da dupla após sete anos sem gravar, e é bem bacana, um de seus melhores trabalhos. Acredite se quiser: a versão nacional deste CD inclui três faixas-bônus em relação ao americano! Mas não se anime, pois está fora de catálogo há séculos. A faixa-título, Romeo Is Bleeding, The Sky Is Falling, Out Of The Blue e Time Won’t Pass Me By são os destaques.

Daryl Hall flertou com a vanguarda– No final dos anos 70, Daryl Hall fez trabalhos ao lado de Robert Fripp, guitarrista da banda King Crimson e um rei da experimentação no rock. Ele produziu Sacred Song, primeiro disco solo de Hall, enquanto o cantor marcou presença em Exposure, de Fripp. Ambos foram gravados em 1979.

Livetime– Inédito em CD, Livetime é o primeiro disco ao vivo de Daryl Hall & John Oates. Excelente, ele traz pelo menos dois momentos antológicos: uma inspiradíssima versão ao vivo de Sara Smile, com oito minutos de duração, e uma releitura ainda mais acelerada do rockão Room To Breathe, o que de mais rocker eles já gravaram na carreira.

Extended Versions- The Encore Collection (2004)- Esta coletânea de embalagem simples e nenhuma informação na capa é na verdade um tesouro, pois reúne 10 faixas extraídas dos ao vivo Livetime e Live At The Apollo, ambos raridades até em vinil. As faixas que citei acima estão presentes na mesma, que vale cada centavo que você pagar nela. Quem lançou foi a BMG no exterior. Não saiu por aqui.

Um mergulho no som de Daryl Hall & John Oates

Por Fabian Chacur

Pouca gente consegue se manter por muito tempo com sucesso no meio musical. Fazendo trabalhos relevantes e em boa forma, então, chega a ser quase impossível, tantos são os obstáculos a serem vencidos para tal.

Daryl Hall & John Oates fazem parte desse restrito time que superou todas as encrencas e dificuldades em mais de 40 anos de estrada, conseguindo se consolidar como a dupla mais bem-sucedida em termos comerciais de todos os tempos.

Como forma de comemorar trajetória tão bem-sucedida em termos artísticos e comerciais, saiu no finalzinho de 2009 a caixa Do What You Want Be What You Are – The Music Of Daryl Hall & John Oates (selo Legacy).

São quatro CDs com 74 faixas. Dezesseis delas são inéditas, sendo quatro canções de estúdio nunca antes lançadas e 12 versões ao vivo de músicas de seu repertório de shows. Todos os sucessos estão aqui.

A viagem ao universo musical de Hall & Oates é bem abrangente, começando com duas faixas dos The Temptones, primeiro grupo de Hall, e uma do The Masters, que marcou a estreia do parceiro cuja antiga marca era um bigode hoje posto de lado.

Essas primeiras gravações mostram músicos talentosos mas ainda iniciantes, com fortes influências de doo-wop e Motown e dispostos a criar uma sonoridade própria.

Oriundos da Filadélfia, ele viram nascer o império de Kenny Gamble e Leon Huff, e também foram influenciados pelo som deles. Foram amigos durante alguns anos, até resolverem encarar juntos a carreira profissional.

A dupla se iniciou de fato em 1972, com o lançamento de seu primeiro álbum, Whole Oats.

A partir daí, eles foram criando uma sonoridade própria, que mistura soul, funk, rock, pop e folk, sempre com criatividade.

Todas as 22 canções que alcançaram o Top 20 americano estão aqui, assim como faixas importantes dos álbuns, releituras ao vivo importantes de canções desses mesmos álbuns e covers bacanas.

Ouvir os quatro CDs de uma vez só deixará o ouvinte surpreso. Como eles conseguiram gravar tantas coisas legais e diferentes entre si, nesses anos todos? Eles nunca se acomodaram em uma só direção.

Compare a balada folk Lilly (Are You Happy), a canção pop balançada a la Elton John Fall In Philadelphia, a balada soul Sara’s Smile, a popíssima e alto astral Rich Girl, a sacudida Private Eyes e o rockão Head Above Water, por exemplo.

São canções bem diferentes entre si, mas todas tem uma assinatura própria, que fica por conta dos vocais marcantes de Daryl e John, do requinte dos ótimos músicos que sempre os acompanharam, e da falta de medo de errar.

E esta compilação tem muito mais. Tipo I Can’t Go For That (No Can Do), que eu ouso definir como a melhor música pop  gravada nos anos 80, com seu minimalismo e balanço irresistível.

Out Of Touch, She’s Gone, Maneater, Head Above Water, Everything Your Heart Desires, One On One, Wait For Me, Do It For Love, How Does It Feel To Be Back…. É muita música boa junta!

E agora irei chocar alguns: acreditem, faltaram muitas músicas legais! Natural, para quem lançou mais de 20 álbuns, entre trabalhos de estúdio, ao vivo etc.  Mas esta caixa é uma amostra de luxo dessa obra tão boa.

A caixa, cuja embalagem é bem bacana, traz um livreto repleto de fotos e informações detalhadas sobre cada faixa.

Todas as gravações inéditas são boas, ou seja, o colecionador ficará satisfeito, mesmo tendo bastante material repetido.E quem não tem nada dos caras certamente tem tudo para ficar viciado.

Únicas queixas: poderiam ter sido colocados mais faixas dos discos ao vivo oficiais, e não entendo porque nada do ótimo Marigold Sky, de 1997, entrou aqui. De resto, nota dez, cem mil!

Do What You Want Be What You Are é o melhor presente que dei a mim mesmo em anos, e isso não é pouco para quem é tão fanático por boa música como eu. Aliás, a música que dá título à compilação é uma balada blues sensacional… E chega, senão, eu não paro mais de escrever!

Hall & Oates/Tears For Fears em turnê conjunta nos EUA

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Por Fabian Chacur

Uma das turnês do ano acaba de ser anunciada. Ao menos, para os fãs do rock/pop dos anos 1980 e que curtem boa música. A programação reunirá dois dos maiores duos de todos os tempos. São eles Daryl Hall & John Oates e Tears For Fears. Em princípio, serão 27 datas nos EUA e duas no Canadá. O início está previsto para o dia 4 de maio, em Tulsa Oklahoma, com o encerramento no dia 28 de julho, em Los Angeles. A abertura ficará a cargo de um show acústico do cantor e compositor americano Allen Stone.

Segundo declarações dadas à versão americana da revista Rolling Stone, Daryl Hall disse ser um grande fã do Tears For Fears, além de achar que pode ser o início de uma longa parceria entre os dois duos. Ambos tem em comum o fato de terem vivido o seu auge em termos de popularidade na década de 1980, com direito a shows lotados, milhões de discos vendidos e uma fila de hits nas paradas de sucesso de todo o planeta.

Quem levantou a lebre muito bem levantada foi o colega Carlos Eduardo Lima, do Rio: seriam duas belas pedidas para o Rock in Rio. Aliás, para qualquer empresário que desejasse trazer ao país dois nomes com muito sucesso por aqui. E vale lembrar que Hall & Oates nunca fizeram shows no Brasil, ao contrário do Tears For Fears, que esteve por aqui em 1990, no segundo Hollywood Rock, e também lá pelos idos de 1996, dessa feita sem Curt Smith.

Na ativa desde 1972, com algumas idas e vindas, a dupla americana Daryl Hall & John Oates se consagrou dentro do estilo que eles próprios definiram como “Rock ‘N’ Soul”, uma mistura caprichada de rock, funk, soul, pop e mais. Em seu currículo, uma penca de canções maravilhosas, tipo She’s Gone, I Can’t Go For That (No Can Do), Say It Isn’t So, Change Of Season, Out Of Touch e Private Eyes, só para citar algumas. A voz de Daryl é uma das mais belas do cenário pop.

Por sua vez, o duo britânico integrado por Roland Orzabal e Curt Smith está na estrada desde 1981, e se tornou conhecido mundialmente graças ao seu fantástico segundo álbum, Songs For The Big Chair (1985). Com seu som denso, com fortes elementos de tecnopop e até tempero progressivo no meio, conseguiram provar que é possível unir forte apelo comercial a uma qualidade artística enorme, em canções como Shout e Everybody Wants To Rule The World.

E aí, produtores de shows brasileiros, quem se habilita a trazer essas feras pra cá?

Change Of Season(live)- Daryl Hall & John Oates:

Ringo e seus amigos agitam o Credicard Hall

Por Fabian Chacur

Se há um grupo que merece o nome que tem é certamente a All Starr Band. Em seus 24 anos de existência, sempre capitaneada pelo ex-Beatle Ringo Starr, teve em suas fileiras alguns dos mais importantes e talentosos músicos da história do rock. E a atual formação, que tocou nesta terça-feira (29) no Credicard Hall (SP) manteve a excelência habitual. Entretenimento de primeira linha.

Durante as quase duas horas de show, Ringo e sua turma nos ofereceram um hit atrás do outro, extraídos do repertório dos Beatles, da carreira solo de Mr. Starkey e também do currículo dos ilustres músicos presentes. Tudo tocado com muita garra, swing e disposição. Delicioso ver o empenho de cada um deles para tornar o momento solo do colega muito especial. Um luxo.

Lógico que seria muito complicado fazer uma análise bacana do show em bases tradicionais. Então, tive a ideia de encarar o espetáculo como se fosse um jogo de futebol, especificamente naquele capitulo de dar notas individuais a cada jogador, detalhando suas atuações. Lógico que nesta adaptação musical, a nota de todos é a máxima. Vamos aos detalhes, então.

Ringo Starr – O ex-Beatle deu um banho como baterista, tocando em parceria com Greg Bissonette, e também como cantor, naquele estilo descompromissado e sacudido. Simpático, soube cativar a plateia, além de dar generosos espaços para seus colegas de time brilharem. Entre outras, ele cantou Boys, Don’t Pass Me By, Photograph, It Don’t Come Easy, Matchbox, Yellow Submarine, I Wanna Be Your Man, With a Little Help From My Friends e duas de Ringo 2012, Wings e Anthem. Em forma aos 73 anos, é uma lenda mais viva do que nunca.

Todd Rundgren– Integrante das bandas Nazz e Utopia e um artista solo dos mais consistentes, esse cara soube como poucos em sua trajetória misturar rock, pop, soul, rock progressivo, power pop e o que mais pintasse na sua frente. Um gênio, que também tem belíssimo currículo como produtor e que nos visitou pela primeira vez. Na All Starr Band, ele tocou basicamente guitarra e violão, com grande presença de palco, correndo o tempo todo. Ele trouxe, de seu repertório, a pérola power pop I Saw The Light, a fantástica balada Love Is The Answer e a agitadíssima Bang The Drum All Day, na qual cantou e tocou percussão. Ah como eu queria ver um show solo dele! Mas valeu a amostra.

Richard Page– Baixista, cantor e compositor do Mr. Mister, boa banda de pop rock dos anos 80, ele mostrou o porque é tão procurado para fazer vocais em discos alheios. Toca baixo com precisão e muito swing, e canta que é uma beleza. Do repertório do seu extinto grupo, trouxe os megahits Kyrie e Broken Wings, além de uma música inédita. Para quem não o conhece, recomendo com entusiasmo o álbum Welcome To The Real World (1985), que inclui os dois hits e também Is It Love (tema do filme Tocaia), um belo álbum de pop rock. Pat Mastelotto, o baterista do grupo, depois foi integrar o King Crimson de Robert Fripp.

Steve Lukather – Além de guitarrista e vocalista do Toto, uma das mais bem-sucedidas bandas de pop rock dos anos 70/80, esse cara participou de mais de mil discos como músico de estúdio, entre eles um certo Thriller, de um tal de Michael Jackson. Ao vivo, esbanjou carisma, técnica, pegada e bom gosto, deixando no ar a pergunta: porque dificilmente seu nome é citado no Brasil quando o tema é melhores guitarristas de pop rock de todos os tempos? O cidadão é um monstro! Ele interpretou com categoria três hits de sua ex-banda, apoiado vocalmente pelos colegas: Rosanna, Africa e Hold The Line, três petardos que incendiaram a festa roqueira em Sampa City.

Mark Rivera – Além de diretor musical da All Starr Band há quase 20 anos, esse saxofonista, percussionista, vocalista e tecladista tem no currículo trabalhos com gente do naipe de John Lennon, Daryl Hall & John Oates, Simon & Garfunkel, Billy Joel e um caminhão de outros. Ele não tem momentos solo, mas ajuda de forma efetiva nas performances de todos os outros. Tipo do músico “pau pra toda obra”, esbanjando simpatia, boa voz e excelente desempenho nos instrumentos de sopro. Craque.

Greg Rollie – Esse cantor e tecladista integrou a Santana Band em sua espetacular fase inicial, que rendeu álbuns do naipe de Abraxas (1970) e Santana III (1971), e também fundou e integrou durante anos o Journey. Além de arrasar no Hammond e no teclado convencional, capitaneou performances de três clássicos do repertório da banda que o tornou conhecido mundialmente: Evil Ways, Oye Como Va e Black Magic Woman, que deram aos músicos a chance de improvisar de forma swingada e vibrante. Gerou os momentos latinos e salerosos do show. Vamos bailar la salsa!

Greg Bissonette – Baterista que tocou com Dave Lee Roth, Steve Lukather, Duran Duran, Richard Marx, Andy Summers e inúmeros outros, é um verdadeiro dínamo, esbanjando energia e muita técnica, sem perder um único beat. Não é nada fácil tocar ao lado de um mito como Ringo Starr, mas Bissonette se mostrou mais do que aprovado nesse desafio, dividindo com generosidade e categoria o espaço com o chefinho famoso. Versátil, encarou rock básico, hard, latinidade, baladas e pop com desenvoltura de quem sabe tudo. Fera demais!!!

obs.:a foto que ilustra esse post foi feita por Raul Bianchi, com quem tive a honra de ver esse show maravilhoso e sem o qual… Valeu, grande amigo!!!

Ouça o álbum Ringo (1973), de Ringo Starr, na íntegra:

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