Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Author: Fabian Chacur (page 1 of 99)

Ave Sangria inicia 2020 com o lançamento do single Janeiro

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Por Fabian Chacur

Foram décadas de espera até que o retorno do Ave Sangria se concretizasse. A partir desse momento, ocorrido em 2014, no entanto, o grupo pernambucano que mistura de forma criativa e talentosa rock psicodélico com ritmos nordestinos se mostra ativo e inquieto. Após lançar em 2019 um novo álbum de estúdio, Vendavais, os caras agora nos oferecem um single inédito, Janeiro, cujo lyric video já está disponível, sendo que a versão digital estará nas plataformas digitais nesta quinta-feira (30).

Com bela capa criada pelo ilustrador Kin Noise, Janeiro traz uma bela aposta da banda em seu mix de rock e baião, com uma letra que investe na esperança que o início de um novo ano oferece às pessoas. Marco Polo (vocal), Paulo Rafael (guitarra solo e viola) e Almir de Oliveira (guitarra base e vocais), integrantes da formação original do grupo nos anos 1970, hoje tem a seu lado Juliano Holanda (baixo e vocais), Gilu Amaral (percussão) e Junior do Jarro (bateria e vocais).

O grupo iniciará a divulgação de Janeiro ao vivo com um show no dia 8 de fevereiro (sábado) em Recife (PE), no Estelita. Leia mais sobre o Ave Sangria aqui.

Janeiro (lyric video)- Ave Sangria:

Sheryl Crow esbanja talento e maduridade em trabalho ao vivo

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Por Fabian Chacur

Quando o tema é grandes nomes femininos do rock, dificilmente alguém coloca Sheryl Crow no primeiro escalão. E isso é uma baita de uma injustiça. Algumas razões possíveis ficam por conta de a cantora, compositora e musicista americana ter perfil discreto, não apelar, não se deixar levar por modismos e ser uma fiel seguidora do rock and roll da escola Bob Dylan, Tom Petty, Eric Clapton e outros deste porte. A moça provou mais uma vez sua excelência em Live At The Capitol Theatre (2018), lançado no exterior no formato CD duplo+Blu-ray. Coisa finíssima!

O home vídeo, que integra atualmente a programação do canal a cabo brasileiro Bis, flagra Sheryl em gravação realizada no dia 10 de novembro de 2017 no imponente Capitol Theatre, em Port Chester, New York, local onde monstros sagrados do porte de Dylan, Clapton e o Grateful Dead se apresentaram, e onde ela nunca havia tocado antes. A cantora, então, encerrava a turnê de divulgação de seu mais recente álbum, Be Myself (2017).

Acompanhada por um sexteto caprichado no qual se destacam Peter Stroud (guitarra), Josh Grange (pedal steel guitar) e Jennifer Gunderman (teclados), a roqueira americana mostra sua desenvoltura se alternando entre violão, baixo e guitarra, além de cantar com uma voz potente e com assinatura própria que se mostra afiadíssima aos 55 anos (idade da cantora na época, pois em 11 de fevereiro ela completará 58 anos).

Com boa presença de palco e muita simpatia, Sheryl Crow realiza uma bela viagem pelos seus maiores hits, entre os quais All I Wanna Do, Leaving Las Vegas, If It Makes You Happy, a sublime releitura de The First Cut Is The Deepest (de Cat Stevens, hoje Yusuf) e Soak Up The Sun.

Seis faixas foram selecionadas de Be Yourself, todas ótimas, especialmente a canção que dá nome ao álbum, Atom Bomb e Halfway There. São 21 músicas que nos dão um belo panorama de uma carreira-solo que ultrapassou os 25 anos e é repleta de shows e discos de sucesso. Ela nos visitou em 1995, abrindo os shows de Elton John, e em 2001, no Rock in Rio, com performances impecáveis.

A grande lição que Sheryl Crow nos dá é que, sim, é possível seguir um rumo mais conservador em termos musicais sem necessariamente cair na mesmice ou na mera repetição de fórmulas já apresentadas anteriormente com sucesso. Basta ter o talento, a convicção e a segurança desta grande artista.

O vídeo também traz trechos de uma entrevista na qual a cantora fala sobre sua vida, incluindo a afirmação de que decidiu ter uma carreira-solo ao integrar a banda de Michael Jackson durante a turnê Bad, quando percebeu que gostaria de liderar seu próprio grupo. Vale lembrar que, naqueles shows, ela dividia o microfone com o chefão na música I Just Can’t Stop Loving You, fazendo ao vivo as partes de Siedah Garrett na gravação de estúdio.

All I Wanna Do (ao vivo)- Sheryl Crow:

James Taylor lança “Teach Me Tonight”, de American Standard

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Por Fabian Chacur

No próximo dia 12 de março, James Taylor completará 72 anos, mas quem vai ganhar o presente serão os seus inúmeros fãs, e com antecedência. Alguns dias antes, em 28 de fevereiro, o selo Fantasy, ligado ao conglomerado da Universal Music, colocará no mercado musical American Standard, álbum de estúdio que sucede Before This World (2015), o primeiro do grande cantor, compositor e músico americano a atingir o topo da parada americana.

Coincidência ou não, em fevereiro completará 50 anos de lançamento Sweet Baby James(1970), segundo álbum da carreira do astro americano e aquele que o elevou ao estrelato mundial, com hits do porte de Fire And Rain, Country Road e a faixa-título. Este trabalho atingiu o 3º posto na parada americana e o de número 6 no Reino Unido, na época.

Como forma de atiçar a curiosidade do público, já está disponível o primeiro single do álbum, a deliciosa Teach Me Tonight. Trata-se da releitura de hit de 1954 da cantora de jazz e r&b Dinah Washington, e que ganhou uma roupagem minimalista, delicada e com a cara do trabalho de Taylor. A versão da saudosa diva da música faz parte do Grammy Hall Of Fame de canções, com toda a justiça.

Como o título do álbum já dá a dica, American Standard traz o grande nome do bittersweet rock e um dos criadores dessa vertente do rock revisitando clássicos da música americana, canções extraídas de musicais da Broadway, filmes e fontes similares, entre as quais podemos citar Moon River.

A produção foi dividida por James com Dave O’Donnell (produtor e engenheiro de som que já trabalhou com ele e artistas como Eric Clapton, John Mayer, Keith Richards e Ray Charles) e John Pizzarelli. Este último, conhecido por sua brilhante carreira como jazzista, também divide os violões com Taylor, em duetos que são o alicerce dos arranjos do álbum, elegantes e investindo em uma sonoridade delicada e intimista.

Ouça Teach Me Tonight, de James Taylor:

Michael Hutchence, o INXS e suas três diferentes visitas ao Brasil

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Por Fabian Chacur

Michael Hutchence teria completado 60 anos de idade no dia 22 (quarta-feira). Infelizmente, o cantor e compositor australiano não chegou nem perto disso, pois nos deixou aos 37 anos em 1997, tirando sua própria vida em um quarto de hotel na cidade de Sidney, na antevéspera do início da turnê que divulgaria Elegantly Wasted, o então mais recente álbum de sua banda, a INXS. Resta aos fãs curtir suas lembranças. No caso dos brasileiros, as três passagens do sexteto por aqui durante seus 20 anos de carreira.

O grupo, que iniciou sua carreira em 1977 e lançou o primeiro álbum em 1980, não se tornou conhecido internacionalmente do dia para a noite. Após dois álbuns inicialmente lançados apenas na Austrália, eles chegaram ao mercado internacional com Shabooh Shoobah (1983). The Swing (1984), o álbum seguinte, trouxe como destaque Original Sin, produzida por Nile Rodgers.

Foi lá pelos idos do lançamento de Listen Like Thieves (1985), um belo passo do grupo rumo ao estrelato, que o INXS esteve no Brasil pela primeira vez. Foi uma discreta viagem promocional, durante a qual o grupo concedeu entrevistas e fez ações promocionais. Da próxima vez, a coisa seria bem diferente.

Michael Hutchence e seus colegas tocaram pela primeira vez em nosso país como uma das atrações principais da segunda edição do Rock in Rio. Foi no dia 19 de janeiro de 1991. Na verdade, eles entraram em cena já na madrugada do dia 20, mas de forma apoteótica, tocando a impactante Suicide Blonde.

Eles estavam no início da turnê de divulgação do álbum X (1990), que tinha a difícil tarefa de suceder o trabalho que os catapultou rumo à primeira divisão do rock mundial, o excelente Kick (1987), e provaram sua grande capacidade ao vivo, com direito ao carisma de Hutchence e o pique dos músicos. Um dos melhores grupos para animar festinhas de todos os tempos.

A consagradora tour mundial que passou pelo Brasil gerou um belo álbum ao vivo, Live Baby Live, lançado em novembro daquele mesmo ano de 1991 e com faixas gravadas em diversos países, incluindo uma por aqui.

Entre essa performance consagradora, uma das melhores daquele festival repleto de grandes nomes (Prince, George Michael, Santana etc) e a próxima visita da banda ao Brasil, muita coisa mudaria na vida de Michael Hutchence, e infelizmente não para melhor. Tudo começou com um violento acidente ocorrido em agosto de 1992.

Hutchence estava em Copenhague, Dinamarca, com a modelo internacional Helena Christensen, com quem namorou entre 1991 e 1994. Eles estavam saindo de um taxi, o taxista se enfezou com o roqueiro e enfiou um soco em seu rosto. O cantor caiu de costas no chão, batendo a parte de trás de sua cabeça.

O cantor foi negligente em termos de se cuidar, e passou um mês no apartamento da namorada, vomitando, alimentando-se mal e se comportando de forma inconveniente. Só após esse período o casal resolveu procurar um especialista em Paris, e naquele momento ficou clara a gravidade do seu estado de saúde. Ele perdeu para sempre os sentidos de paladar e olfato, além de outras contusões que o afetaram de forma intensa.

O acidente certamente explica o porque o INXS não saiu em turnê para divulgar o álbum que havia lançado na mesma época, agosto de 1992, Welcome To Wherever You Are, algo até então inédito na trajetória da banda. A justificativa divulgada então referia-se ao desejo de o grupo dar uma descansada para, logo a seguir, começar a preparar um novo trabalho, que seria lançado em 1993 com o título Full Moon, Dirty Hearts.

Embora interessantes e com momentos muito bons, os dois álbuns fizeram bem menos sucesso do que os anteriores, especialmente nos EUA. É nesse contexto que eles voltam ao Brasil em 1994, para shows no Rio de Janeiro (estádio da Gávea) no dia 10 de março, em São Paulo (estacionamento do Anhembi) no dia 11 de março e 12 de março em Curitiba (Pedreira Paulo Leminski).

Com abertura da banda americana Soul Asylum, o show em São Paulo reuniu por volta de metade da capacidade do espaço, fato possivelmente motivado pelo tempo chuvoso. Hutchence aparentava muito menos energia do que na performance anterior, mas mesmo assim conseguiu comandar um show profissional e competente, com direito aos hits e a canções boas da safra recente como Heaven Sent e Please (You Got That…), esta última gravada no álbum Full Moon Dirty Hearts com a participação especialíssima de Ray Charles.

Dali em diante, Michael Hutchence passou a frequentar mais as páginas da imprensa sensacionalista do que as musicais. Ele, que namorou famosas como a cantora Kylie Minogue, deixou a modelo Helena Christensen para se envolver em um romance controverso com a apresentadora de TV e escritora Paula Yates, que desde 1976 estava comprometida com o cantor Bob Geldof, do grupo Boontown Rats e criador do Live Aid.

Dizem os boatos (possivelmente verdadeiros) da época que Yates estava interessada em Hutchence desde que o entrevistou para um programa de TV britânico em 1985. Em 1994, em outra entrevista, o fogo aparentemente acendeu de vez, e a consequência foi não só o fim de um casamento de quase trinta anos como também o nascimento em 22 de julho de 1996 de Tiger Lily, primeira e única filha do casal.

Envolto com os problemas de saúde e o consumo cada vez mais alto de drogas e barbitúricos, além da distância da filha, Hutchence ainda mostrou disposição para o trabalho, pois, paralelamente ao início das gravações de um disco solo, ainda gravou um último álbum com o INXS, o mediano Elegantly Wasted.

O disco-solo estava sendo feito por Hutchence em parceria com Andy Gill, guitarrista da banda britânica Gang Of Four e coautor de boa parte das músicas. Como forma de homenagear o amigo, o músico arregaçou as mangas e conseguiu finalizar as gravações, contando com a participação de Bono na faixa Slide Away. O resultado é o álbum intitulado Michael Hutchence, lançado em 1999 e digno da bela trajetória do astro australiano.

Conhecido por ter trabalhado durante muito tempo com a banda e ser o diretor de clipes de hit singles como Need You Tonight, Never Tear Us Apart e Suicide Blonde, o diretor australiano Richard Lowenstein lançou em 2019 o documentário Mistify Michael Hutchence.

Ele se valeu de raros registros da banda e do cantor (incluindo alguns com Kylie Minogue e Helena Christensen) para ilustrar depoimentos em áudio de integrantes do INXS e de outros nomes importantes na trajetória do astro do rock. Um dos destaques fica por conta dos detalhes do acidente de agosto de 1992 e sobre as terríveis consequências com as quais Hutchence teve de conviver em seus anos finais de vida.

Sem seu principal integrante, o INXS tentou seguir adiante, com substitutos que não deram conta do recado, incluindo um selecionado em um reality show televisivo. Em 2012, resolveram sair de cena, e um retorno parece improvável, embora não impossível. Com Jon Stevens no vocal, o grupo voltou a se apresentar no Brasil em 2002, com shows dia 15 de maio no ATL Hall, no Rio de Janeiro, e 17 de maio em São Paulo, na Via Funchal.

Se não revolucionou o mundo da música, Michael Hutchence e sua banda certamente criaram uma obra dançante e pra cima, com direito a boas baladas no meio e repleta de momentos bacanas que merecem ser reverenciados pelos fãs de pop rock consistente e com personalidade forte.

Veja o trailer de Mistify Michael Hutchence:

Pearl Jam lança single e álbum inédito deve sair em março

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Por Fabian Chacur

O Pearl Jam inicia 2020 a mil por hora. Primeiro, eles anunciaram que em 27 de março será lançado Gigaton, primeiro álbum de inéditas do grupo americano desde Lightning Bolt (2013). Agora, disponibilizaram nesta quarta (22) o primeiro single a ser extraído do novo trabalho. Trata-se de Dance Of The Clairvoyants, um potente rock funkeado que surge com cara de hit potencial.

O clipe que ilustra a canção, que ocupa a posição de número 3 na sequência de faixas do álbum (veja abaixo a relação completa das músicas) traz uma impressionante combinação de imagens da natureza e do meio ambiente. O refrão é forte, com direito a vocais incisivos, e tem tudo para ser repetido durante os shows que a banda fará em breve para divulgar este trabalho, com início no dia 18 de março no Canadá, e ainda sem previsão de chegar ao Brasil.

A capa de Gigaton, que obteve boa repercussão entre os fãs, traz uma imagem nomeada Ice Waterfall, realizada pelo fotógrafo, filmmaker e biólogo marinho canadense Paul Nicklen. Registrada em Svabald, na Noruega, retrata a calota de gelo de Nordaustlandet, que se derrete e desta forma gera enormes quantidades de água. Prova da preocupação da consagrada banda norte-americana com as alterações climáticas e a temática ecológica.

Eis as faixas de Gigaton:

1. Who Ever Said

2. Superblood Wolfmoon

3. Dance of the Clairvoyants

4. Quick Escape

5. Alright

6. Seven O’Clock

7. Never Destination

8. Take The Long Way

9. Buckle Up

10. Come Then Goes

11. Retrograde

12. River Cross

Dance Of The Clairvoyants (clipe)- Pearl Jam:

Green Day lança single com sample da cantora Joan Jett

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Por Fabian Chacur

Já está definida a data na qual sairá Father Of All Motherfuckers (com palavrão no título e tudo!), novo álbum de estúdio do Green Day e sucessor de Revolution Radio (2016). Será no dia 7 de fevereiro. Enquanto isso, o trio americano antecipa faixas do mesmo. A que dá título ao trabalho foi a primeira (ouça aqui). A segunda acaba de ser disponibilizada, Oh Yeah!.

A nova faixa, outro rock sacudido, também traz polêmica em sua gênese, mas de outro tipo. O refrão traz um sampler creditado da releitura feita em 1980 por Joan Jett & The Blackhearts do hit Do You Wanna Touch Me (Oh Yeah!), lançada em 1973 por seu coautor (em parceria com o produtor inglês Mike Leander), o cantor e compositor britânico Gary Glitter. Essa música fez muito sucesso nas duas versões, e é um clássico do glitter rock.

No entanto, a carreira de Glitter teve uma reviravolta meganegativa a partir de 1997, quando vieram à tona as primeiras acusações de pedofilia para o roqueiro, com milhares de imagens encontradas em seu computador e provas de que ele abusou de crianças. Desde então, ele teve de encarar vários processos e detenções. A prisão mais recente foi em 2015 e se refere a uma pena de 16 anos.
green day novo cd 2020

Para quem por ventura contestar o uso de trecho dessa canção pelo Green Day, a banda deixou claro, em sua conta oficial no Youtube, que sabe ser o coautor dessa música um “total asshole” (palavras exatas usadas por eles), e que por essa razão doou os seus royalties para duas instituições de caridade.

Além do novo álbum, o grupo integrado por Billie Joe Armstrong (vocal e guitarra), Mike Dirnt (baixo e vocais) e Tré Cool (bateria) iniciará no dia 13 de junho a turnê The Hella Mega Tour ao lado das bandas Fall Out Boy e Weezer, que passará inicialmente apenas pela América do Norte e Reino Unido.

Oh Yeah! (clipe)- Green Day:

Fernanda Takai, Marcos Valle e Roberto Menescal visitam o Tom

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Por Fabian Chacur

Uma parte do charme da bossa nova fica por conta de ter nascido em torno de reuniões informais e intimistas de amigos em apartamentos cariocas para tocar suas canções. A semente de O Tom da Takai (2018), álbum que reuniu Fernanda Takai e dois dos papas da bossa, Marcos Valle e Roberto Menescal, surgiu assim, e gerou um belo CD, que agora ganha a esperada releitura ao vivo. O Tom da Takai Ao Vivo, lançado pela gravadora Deck, está disponível em DVD físico e também nas plataformas digitais.

A vocalista do Pato Fu participava de um show em homenagem a Tom Jobim e, em um determinado momento, Menescal sugeriu que ela gravasse um disco com aquele tipo de canção. A moça topou na hora, e Valle, que estava lá também, de bate pronto se incluiu no projeto, que a gravadora Deck encampou. Além das afinidades musicais, o que deu liga à parceria do trio foi a afinidade pessoal entre eles, no melhor estilo “bons amigos trabalhando juntos”.

Para a versão ao vivo do álbum, foi escolhido como palco uma suíte do Hotel La Suite By Dussol, que tem uma belíssima visão das praias cariocas como cenário. Além de Takai (vocal principal), Marcos Valle (teclados e vocais) e Roberto Menescal (guitarra e vocal), quatro músicos selecionados a dedo entraram no time. O veterano Fernando Merlino, por exemplo, se incumbiu dos teclados.

O excelente Thiago Delegado, também conhecido como cantor e compositor de destaque das novas gerações, ficou incumbido do violão, enquanto os competentes e talentosos Caio Plínio e Diego Mancini se incumbiram, respectivamente, de bateria e baixo. O entrosamento e o swing deles se mostrou perfeito para a missão de encarar um repertório tão bom e sofisticado.

Em clima descontraído, Fernandinha interpretou as 13 músicas do álbum original, uma adicional do próprio Tom (Once I Loved- Amor em Paz), uma de Marcos Valle (Samba de Verão) e outra de Roberto Menescal (um pot-pourry incluindo O Barquinho e sua versão para o japonês, Kobune), em um total de 16 faixas. Entre uma e outra, o trio principal relembra deliciosas histórias envolvendo essas composições de Tom, bastidores da nossa música e também sobre a parceria deles nesse projeto.

Como já havia ficado claro em trabalhos anteriores dela, a voz da cantora do Pato Fu se mostra mais do que adequada para esse tipo de repertório, e brilha ainda mais do que a média já alta em Olha Pro Céu, Brigas Nunca Mais, Estrada do Sol e Esquecendo Você. Menescal faz dueto com ela em Ai Quem Me Dera, enquanto Valle exerce esse papel em Discussão, Fotografia e Samba de Verão.

Uma boa sacada foi ter colocado Fernanda e Menescal sentados em um sofá repleto de almofadas, com os outros músicos próximos e bem distribuídos pelo cenário. Temos também uma pequena plateia, em meio à qual se destaca Zélia Duncan, mas que só se manifesta com palmas em raros momentos, como forma de ressaltar a atmosfera delicada do evento.

Houve quem questionasse o fato de Fernanda Takai ter relido músicas de Tom Jobim, um autor já tão abordado por outros artistas, mas seria um pecado que alguém tão talhada para essa missão como ela deixasse uma oportunidade como essa passar batida. Ainda mais ao lado de dois dos grandes estilistas do gênero. Tom certamente deve estar sorrindo feliz, onde estiver, ao ver e ouvir suas obras tão bem abordadas por esse septeto afiado e inspirado.

Olha Pro Céu (ao vivo)- Fernanda Takai:

Alexisonfire lança single soturno e potente, Season Of The Flood

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Por Fabian Chacur

A banda canadense Alexisonfire lançou em 2019 duas faixas inéditas, algo que não fazia há dez longos anos. As energéticas Familiar Drugs (veja o clipe abaixo) e Complicit (ouça aqui) flagraram o quinteto em plena forma. E agora eles nos oferecem um terceiro biscoito fino, Season Of The Flood (ouça aqui), enquanto fazem uma série de cinco shows de hoje (20) a domingo (26) no Canadá e EUA.

Season Of The Sun é bem diferente das outras duas canções, com quase sete minutos de duração, andamento mais compassado e um clima soturno recortado por guitarras pesadas e boas vocalizações. Um belo momento que flagra George Pettit (vocal) e Dallas Green (vocal, guitarra-base e piano) cantando juntos em uma faixa do grupo pela primeira vez.

“Estou muito orgulhoso dessa nova música”, diz Pettit. “Houve algumas primeiras tentativas e todos nós nos reunimos no estúdio para fazer dessa música o que é. Essa também foi a primeira vez que cantei com Dallas em uma música. Eu sei que estou tocando em uma banda com Dal há quase 20 anos, mas caramba, a voz desse cara pode derreter um anjo.”

Criado em 2001 em Ontario, no Canadá, o Alexisonfire também traz em sua formação Wade MacNeil (guitarra-solo e vocais), Chris Steele (baixo) e Jordan Hastings (bateria), e faz um som que mistura hardcore com elementos melódicos e muita energia. No currículo, o quinteto traz quatro álbuns de estúdio e quatro ao vivo, sendo seu CD mais popular Old Crowns/Young Cardinals (2009). Eles tocaram no Brasil em 2012, durante a turnê que marcou sua separação.

Após um retorno em 2015, o grupo agora retoma a carreira com mais empenho. Seus músicos também tem projetos paralelos, sendo o mais bem-sucedido o de Dallas Green, o City And Colour, no qual o artista investe com muita desenvoltura em folk e pop, tendo lançado até o momento seis álbuns de estúdio e três ao vivo. Sua voz é ótima, e se encaixa feito luva nesse repertório mais delicado, em canções como Northern Wind (ouça aqui).

Familiar Drugs (clipe)- Alexisonfire:

Bruno Gouveia faz show em dupla com a sua esposa, Izabella Brant

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Por Fabian Chacur

Bruno Gouveia é conhecido nacionalmente como vocalista do Biquini Cavadão, grupo que integra com sucesso há mais de 30 anos. Nesse tempo todo, ele fez participações especiais em trabalhos alheios, mas nunca um trabalho-solo. Aproveitando uma brecha na agenda da sua banda, ele fará no próximo dia 29 (quarta-feira) às 22h em São Paulo um show no qual dividirá o palco com sua esposa, a cantora Izabella Brant. O local será o Bourbon Street (rua dos Chanés, nº 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100), com ingressos a R$ 60,00.

Intitulado Cheek To Cheek, o espetáculo trará um repertório totalmente diferente do habitualmente encarado por Bruno e também por Izabella, que integrou a banda mineira Menina do Céu.

Sem nenhuma canção de seus repertórios anteriores, eles investirão em standards da música americana, canções de desenhos animados e também clássicos dos Beatles e do Queen. Tudo em inglês. Eles explicam o projeto:

“Sempre sonhamos em cantar juntos. Ela já havia feito isso comigo, no palco e em discos do Biquini. Eu também fiz o mesmo em sua antiga banda. Uma certa noite em casa, ouvindo Ella Fitzgerald e outros cantores, ficamos nos perguntando o que aconteceria se fizéssemos um show com estas músicas. Decidimos arriscar”, explica Bruno sobre o conceito em torno do espetáculo.

“Queríamos algo que não brigasse com os estilos que já dominávamos, que fosse um desafio e que nos desse, acima de tudo, muito prazer em cantar juntos”,diz Izabella, dando a sua versão para o show.

Vento Ventania (clipe)- Menina do Céu e Bruno Gouveia:

Gregory Porter disponibiliza single e lançará álbum em abril

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Por Fabian Chacur

O ano de 2020 mal começou e já temos uma grande canção inédita para celebrar. Trata-se da deliciosa e impactante Revival, do cantor, compositor e ator americano Gregory Porter. Com forte influência de gospel e jazz, a faixa é a primeira a ser divulgada do que será o sexto álbum de estúdio desse incrível artista, All Rise. A Blue Note Records, célebre selo hoje vinculado à Universal Music, promete lançá-lo no dia 17 de abril.

Revival tem um belo clipe dirigido por Douglas Bernardt que mostra um garoto que se sente oprimido e com medo do realmente assustador mundo atual. No entanto, ele descobre uma forma de superar essa pressão toda e dar a volta por cima: a dança e o canto. O resultado em termos visuais se mostra perfeito para ilustrar uma canção que nasce com clima de clássico.

Nascido em Sacramento, Califórnia, em 4 de novembro de 1971, Gregory Porter lançou dois álbuns independentes (Water, em 2010, e Be Good, em 2012) que tiveram boa repercussão e atraíram as atenções da Blue Note. Desde então, cativa fãs nos quatro cantos do mundo com sua voz deliciosa. Sua fama é maior no Reino Unido, onde emplacou três álbuns no Top 10 dos charts de lá.

Vencedor de dois troféus Grammy, o Oscar da música, Porter também tem no currículo dois álbuns ao vivo e gravações ao lado de nomes importantes da música, entre os quais Buddy Guy, Jools Holland, Dianne Reeves, Till Bronner, Jamie Cullum e Renée Fleming. Além de ótimo compositor, ele também sabe reler com classe canções alheias, como prova seu álbum Nat King Cole & Me (2017), que traz clássicos do repertório do célebre astro americano.

Revival (clipe)- Gregory Porter:

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