Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Author: Fabian Chacur (page 1 of 108)

Suzi Quatro, 70 anos, uma bela e verdadeira rainha do rock and roll

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Por Fabian Chacur

Não tem um só roqueiro da minha geração ou da geração anterior à minha que não seja até hoje apaixonado por Suzi Quatro. Não só pelo fato de essa cantora e baixista americana ser uma tremenda de uma gata. A coisa ia muito além disso. Esse ícone do rock and roll completa nesta quarta (3) 70 anos cada vez mais viva nos corações de quem curte rock de verdade. E esse sempre foi um forte diferencial dela. Tinha charme e era bonita, mas ganhava fãs fieis mesmo era na hora em que começava a cantar e tocar seus diversos hits.

Nascida nos Estados Unidos em 3 de junho de 1950, mesmo ano de Peter Frampton, Suzi tinha no pai (Art, funcionário da General Motors e músico de jazz nas horas de folga) uma influência. Ainda garota, montou dois grupos só de mulheres, ao lado das irmãs Patti, Nancy e Arlene.

A primeira banda das garotas, a The Pleasure Seekers, gravou dois singles, um em 1966 (com as faixas Never Thought You’d LeaveWhat a Day To Die) e outro em 1968 (incluindo Light Of LoveGood King Of Hurt). Vale o registro: Suzi nasceu e iniciou a sua carreira em Detroit, a cidade onde também nasceu e cresceu a mitológica Motown Records.

Em 1971, foi descoberta por lá pelo produtor britânico Mickie Most, que havia trabalhado com Jeff Beck, The Animals e Donovan, entre outros, e se mudou para a Inglaterra, onde foi contratada pela Rak Records, de Most.

Ela também havia recebido um convite da Elektra Records, mas preferiu o selo britânico, explicando em uma entrevista a razão:
“O presidente da Elektra me disse que eu poderia me tornar a nova Janis Joplin, enquanto Mickie Most me fez a oferta de me levar para a Inglaterra e me tornar a primeira Suzi Quatro. E eu nunca quis ser a nova coisa alguma!”

Uma rainha do rock nasce no Reino Unido e no mundo

Most preparou sua pupila durante mais de um ano. O primeiro single de Suzi, Rolling Stone, saiu em 1972, mas só se deu bem em Portugal. O sucesso veio em 1973 com dois singles explosivos, Can The Can e 48 Crash, ambos de autoria da dupla de compositores Mike Chapman e Nicky Chinn, que também fizeram hits para o The Sweet e vários outros.

Embora diferentes entre si, esses dois rockões tinham características em comum: abertura absurdamente energética de bateria, guitarras distorcidas na medida e o vozeirão ardido de Suzi dando o tom, além de melodias muito, mas muito bacanas mesmo. Além disso, temos seu visual, com longos cabelos loiros em corte repicado que virariam sua marca registrada e roupas justas de couro.

Ironicamente, Suzi Quatro não fez sucesso nessa época em seu país natal. Na Inglaterra, Europa, Austrália e diversos outros países, entre os quais o Brasil, a moça virou mania. Até 1975, outros sucessos rolariam, como Devil Gate Drive, Daytona Demon e a alucinada The Wild One.

Ela também fazia covers, e um é dos mais curiosos: I Wanna Be Your Man, de Lennon e McCartney e também gravada pelos Rolling Stones, na qual ela cantava “quero ser seu homem” sem o menor pudor, e também sem necessariamente a menor vontade de encarar alguém do mesmo sexo.

O sucesso retorna com um contorno mais pop

Após alguns anos de vacas magras, Suzi Gata voltou às paradas em 1978 com dois singles bem bacanas, mas com pegada mais pop: o sacudido pop rock If You Can’t Give Me Love e a popíssima Stumblin’ In, esta última em dueto com o cantor Chris Norman, vocalista do grupo Smokie, e o único hit de verdade de Suzy nos EUA, atingindo o quarto lugar na parada de singles americana em 1979.

Aliás, nos EUA a cantora ficou mais conhecida por ter vivido o papel da roqueira Leather Tuscadero no seriado televisivo de grande sucesso Happy Days, participando de sete episódios das temporadas de nº 5 e 6 da atração entre 1977 e 1979. O produtor do programa, Garry Marshall, propôs a ela estrelar uma série baseada nessa personagem, mas Suzi achou melhor recusar, pelo medo de ficar rotulada e perder força em sua carreira dessa forma.

Em 1980, lançou a poderosa Rock Hard, tema do filme Times Square, de Alan Moyle (conhecido pelo filme Empire Records, de 1995), que não fez sucesso mas tem uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos. Um dia preciso escrever sobre esse disco aqui.

Fora das paradas de sucesso, mas firme na ativa

A partir daí, o sucesso musical saiu de cena para Suzi Quatro. Ela também se dedicou durante algum tempo a ter filhos com o primeiro marido, o guitarrista de sua banda de apoio Len Tuckey, com quem se manteve entre 1976 e 1992 e teve Laura e Richard Leonard. Em 1986, lançou uma releitura de Wild Thing, dos Troggs, em dueto como o vocalista daquela célebre banda, Reg Presley. Ela também apresentou outros programas de rádio e TV, além dos já citados.

Residindo em Essex, na Inglaterra, passando alguns períodos em Hamburgo e em Detroit, Suzi continua bem ativa, mesmo sem o sucesso dos bons tempos, lançando novos trabalhos e fazendo alguns shows. Em 2017, ela lançou o álbum Quatro, Scott & Powell, reunindo três astros da era do glam rock: ela própria, Andy Scott (do The Sweet) e Don Powell (do Slade). Seu álbum mais recente, No Control, saiu em 2019 por um selo independente.

Algumas curiosidades bacanas sobre Suzi Quatro

*** Das três irmãs que integraram com ela o grupo The Pleasure Seekers (que em sua fase final virou Cradle), Patti foi quem avançou mais. Ela tocou com a irmã em algumas ocasiões e integrou outra banda feminina de sucesso, a Fanny, com quem gravou em 1974 o álbum Rock And Roll Survivors. As meninas também tinham outro irmão, Michael Quatro, que lançou vários trabalhos solo também na área roqueira. Arlene é mãe da atriz Sherilyn Fenn, conhecida por sua atuação em séries como Twin Peaks e Ray Donovan e no filme televisivo Liz: The Elizabeth Taylor Story, no qual viveu o papel da célebre estrela de Hollywood.

*** Quando chegou aos EUA oriundo da Itália, Art teve de mudar o seu sobrenome original, Quattrocchi, que virou Quatro por sugestão da imigração americana. A mãe de Suzi era oriunda da Hungria.

*** O britânico Nicky Chinn e o australiano Mike Chapman compuseram os maiores hits de Suzy Quatro, maravilhas do porte de 48 Crash, Can The Can, Devil Gate Drive, If You Can’t Give Me Love e Stumblin’ In, entre inúmeros outros. Eles também escreveram canções de sucesso para The Sweet, Huey Lewis And The News, Toni Basil, Smokie, Mud e Racey. Sozinho, Chapman também produziu álbuns dos grupos Blondie e The Knack e compôs sucessos para Tina Turner.

*** Suzi regravou vários clássicos do rock, entre eles All Shook Up, que estourou na voz de Elvis Presley. Diz o livro Guiness Book Of Rock Stars (1991), de Dafydd Rees e Luke Crampton, que o The Pelvis não só elogiou a performance da moça em sua regravação como a convidou (em 1974) para ir à sua casa, a mitológica Graceland, conhecê-lo. Dizem que ela amarelou, por Elvis ser seu maior ídolo e Suzi achar que não aguentaria o tranco!

*** Suzi é considerada uma das mais influentes mulheres da história do rock, citada como influência por grupos como The Runaways, Girlschool, The Bangles e até por Tina Weimouth, a baixista dos Talking Heads, que diz ter resolvido tocar baixo tendo como estímulo a intérprete de 48 Crash.

*** A primeira performance de Suzi foi aos oito anos de idade, fazendo uma participação em um show do grupo de jazz de seu pai, que fez questão de dar uma educação musical aos cinco filhos.

*** A roqueira americana está aproveitando a quarentena gerada pelo combate ao novo coronavírus fazendo lives com um curso gratuito de baixo. Confira o interessante canal dela no youtube aqui.

Veja uma sequência de clipes de Suzi Quatro aqui .

48 Crash (TV clip)- Suzy Quatro:

Mahmundi investe em um som de banda em seu álbum Mundo Novo

Por Fabian Chacur

Aos 33 anos de idade, Marcela Vale tem muitas histórias para contar. Filha adotada por uma família de evangélicos, a moça se envolveu com a música desde cedo, tocando bateria e violão e cantando em igrejas. Com o tempo, sentiu que era essa musa que desejava seguir. Mas não foi fácil. Durante anos, conciliou trabalhos fora dessa área com a atuação como técnica de áudio e microfonista de lugares como o Circo Voador e a Fundição Progresso.

Há cerca de 10 anos, resolveu encarar o desafio de uma carreira como cantora, musicista e compositora. Desde então, conhecida pelo nome artístico Mahmundi, vai pavimentando uma trajetória das mais interessantes. Efeito das Cores (2012) e Setembro (2013), dois EPs, foram os seus primeiros lançamentos. Em 2016, veio o primeiro álbum, Mahmundi, pelo selo Stereomono-Skol Music.

Sua parceria com a gravadora Universal Music teve início em 2018 com o álbum Para Dias Ruins. Desde o início, mostrou uma voz doce e muito bem colocada, aliada a canções que, como um todo, dificultam uma rotulação. Seria nova MPB, pop, soft rock, eletropop, r&b, reggae, soul? Ou seria tudo isso junto e misturado? Pouco importa, pois a qualidade é o que importa, e é grande.

Mahmundi nos oferece ecos de Corinne Bailey Rae, Marina Lima, Marisa Monte e Erikah Badu, só para citar algumas possíveis referências, mas do seu jeito. Mundo Novo, seu novo álbum, acaba de ser disponibilizado nas plataformas digitais, e tem tudo para ampliar ainda mais os seus horizontes profissionais em termos de público e crítica especializada.

São sete faixas (incluindo uma espécie de vinheta). Uma, inteligentemente escolhida para iniciar a divulgação do trabalho, é a hipnótica Nova TV, uma das duas parcerias com o artista carioca Castello Branco incluídas neste álbum (a outra é Nós de Fronte). Trata-se de uma gravação absolutamente perfeita, que te prende do primeiro ao último segundo, com letra e melodia envolventes.

Sem Medo, parceria com Felippe Lau, fecha o lado autoral. Convívio (Paulo Nazareth) e Vai (Frederico Heliodoro), de dois talentosos compositores da nova geração, estão aqui. O repertório é fechado com uma bela releitura de No Coração da Escuridão, composição de Dadi e Jorge Mautner gravada pelo primeiro originalmente em seu autointitulado álbum de 2005 com marcante participação de Caetano Veloso nos vocais.

Mundo Novo equivale a um álbum conciso (tem pouco mais de 20 minutos de duração) que deixa aquele adorável gostinho de quero mais, amostra luxuosa de uma artista que tem tudo para pavimentar uma discografia preciosa. Em entrevista por telefone a Mondo Pop, a artista carioca atualmente radicada em São Paulo nos dá algumas pistas de suas intenções musicais.

MONDO POP- Como foi o seu encontro com a música, e o que você ouvia quando criança e adolescente?
MAHMUNDI
– Minha educação musical foi muito restrita à música gospel, pois meus pais são religiosos. Ouvia música gospel americana e brasileira. Comecei, na igreja, a tocar violão e bateria. Só depois fui ouvir outras coisas, como Legião Urbana, Oasis, Keane, Avril Lavigne.

MONDO POP- Qual a diferença básica do conceito deste novo trabalho em relação aos anteriores?
MAHMUNDI
– Tenho uma assinatura estética em cada um deles. A ideia em Mundo Novo era fazer algo que soasse mais como uma banda, saindo da produção sozinha, dos sintetizadores e tudo mais. Então, partimos pra um trabalho com coprodução do músico Frederico Heliodoro, que trouxe suas referências de música instrumental. Eu assino a direção e a produção musical e ele fez a coprodução do álbum.

MONDO POP- Mundo Novo tem uma duração de 22 minutos, não muito comum em álbuns tradicionais. Há quem rotule um trabalho com essa duração como EP. Como você encara essa questão?
MAHMUNDI
– Para mim, esse trabalho é um álbum, pois tem um formato atual, adaptado para os dias atuais. Toda a concepção dele é a de um álbum, desde a seleção de faixas até a concepção final, capa, encarte etc.

MONDO POP- Esse é o seu segundo álbum lançado por uma gravadora grande, a Universal Music. Como está sendo a relação entre vocês?
MAHMUNDI
– Minha relação com a Universal é maravilhosa. Eu cuido de tudo em termos artísticos e criativos, e eles me dão todo o apoio necessário na parte de divulgação. A sugestão de que Nova TV fosse a primeira faixa de trabalho, por exemplo, foi uma sugestão deles que acabei aceitando.

MONDO POP- Aliás, já que tocamos nessa faixa, fale um pouco sobre ela.
MAHMUNDI
– É uma parceria com o Castello Branco, que é um artista carioca maravilhoso. Vi um texto dele em uma rede social, gostei muito e adaptei para a criação desta canção. Adoro TV, ver o que as pessoas fazem nos botecos, sair dessa visão de Sudeste que as pessoas tem do Brasil. Somos muito presos aos celulares, e essa música fala sobre isso.

MONDO POP- Como surgiu a ideia de reler No Coração da Escuridão?
MAHMUNDI
– Conheci o Dadi quando ele tocava com a Ana Cañas, em um show no Circo Voador. Eu nem sabia quem ele era, e vi que ele tocava muito, fiquei impressionada como ele era bom. Fiquei amiga dele, e depois fui saber de tudo o que ele já tinha feito em sua carreira. É uma pessoa muito profunda. Este álbum é um encontro muito bonito entre eu e outras pessoas, conectei-me com o melhor das pessoas envolvidas neste trabalho.

MONDO POP- O título do seu disco anterior é Para Dias Ruins. Este é Mundo Novo. No caso do que você está lançando agora, isso tem a ver com o que estamos vivendo nesse momento atual?
MAHMUNDI
Mundo Novo é uma relação muito pessoal, muito comigo mesma, comecei a criar o conceito desse trabalho em 2019. Fiz psicanálise e me descobri muito nesse processo. Quanto ao que está acontecendo hoje, não dá pra ficar só batendo panelas, só reclamando. Não podemos nos bloquear, é preciso seguir em frente, pois isso vai passar. O brasileiro consegue de um jeito muito espirituoso resolver as coisas.

Nova TV– Mahmundi:

Leela lança clipe com a releitura de O Dia Em Que a Terra Parou

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Por Fabian Chacur

No dia 17 de março, o grupo Leela estava em meio a um ensaio quando recebeu a notícia de que a maior parte do mundo entraria em quarentena por causa de uma nova e assustadora doença, a Covid-19. Na hora a internet bombou a lembrança de uma música de Raul Seixas e Cláudio Roberto antevendo esse cenário assustador, O Dia Em Que a Terra Parou. E surgiu a ideia de reler essa canção. O clipe feito para divulgar essa regravação já está disponível, e finaliza uma história bastante interessante.

Como ainda tinham três horas disponíveis antes de finalizar o tal ensaio, Bianca Jhordão (vocal), Rodrigo O’Reilly Brandão (guitarra) e seus parceiros Guilherme Dourado (baixo) e Fabiano Paz (bateria) resolveram aprender a clássica canção do Maluco Beleza lançada em seu disco O Dia Em Que a Terra Parou (1977). Por via das dúvidas, gravaram um registro para desenvolverem no próximo ensaio. Que, infelizmente, não se realizou até hoje…

Sorte que essa gravação ficou bem bacana, elegantemente crua e original. Aí, os integrantes do grupo fizeram seus registros visuais onde se encontram cumprindo o isolamento social. De quebra, convidaram uma das filhas de Raul, Vivi Seixas, para também participar com algumas imagens suas, e, como a cereja do bolo, cenas de arquivo do próprio artista foram aproveitadas. A edição e finalização ficou a cargo de Bianca, dando vida a um clipe delicioso.

O Dia Em Que a Terra Parou (clipe)- Leela:

Cosmo’s Factory (1970), o auge do Creedence Clearwater Revival

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Por Fabian Chacur

Nesta quinta (28), John Fogerty completa 75 anos de idade. Em abril, Doug Cosmo Clifford (no dia 24) e Stu Cook (no dia 25) atingiram a mesma idade. Como forma de homenagear esses três grandes músicos, resolvi mergulhar de cabeça no mais bem-sucedido álbum da carreira da banda que os consagrou, o Creedence Clearwater Revival. Trata-se de Cosmo’s Factory, que no dia 25 de julho celebrará 50 anos de seu lançamento. A homenagem também se estende ao quarto integrante do time, o saudoso Tom Fogerty (9-11-1941/6-9.1990).

Em 1970, poucas bandas de rock se aproximavam do Creedence Clearwater Revival em termos de popularidade. Em um período de dois anos, haviam lançado quatro álbuns que atingiram os primeiros postos das paradas de sucesso do planeta, todos recheados de singles certeiros, entre os quais Proud Mary, Suzy Q, Down On The Corner, Green River e Fortunate Son, só para citar alguns. Como explicar tanto sucesso e produtividade artística em tão curto período de tempo?

Não, o CCR não surgiu do nada. Na verdade, os colegas de ginásio John, Doug e Cook tocavam juntos desde o finalzinho dos anos 1950, quando ainda eram adolescentes imberbes. Pouco depois, Tom, o irmão mais velho de John, entrou no time, na época intitulado The Blue Velvets. Durante anos, o quarteto tocou em bares, e gravou singles a partir de 1961, inicialmente como Tommy Fogerty & The Blue Velvets e também Tommy Fogerty & The Blue Violets.

Em 1964, foram contratados pela Fantasy Records, agora batizados de The Golliwogs. Eles lançaram diversos singles, mas sem o desejado sucesso comercial. Pode-se dizer que, dessa forma, os garotos fizeram o seu caminho das pedras, aprendendo a tocar e gravar e conquistando dessa forma um entrosamento impressionante. Em 1966, John e Clifford tiveram de servir o exército, mas nem isso baixou a guarda do grupo.

Mudança de nome e o sucesso enfim se concretiza

O ponto de mudança ocorreu em 1967, quando a Fantasy Records foi adquirida pelo ambicioso Saul Zaentz. Ele viu o enorme potencial daquele quarteto endiabrado e resolveu apostar de vez nele, mas com uma condição: deixar o tolo nome Golliwogs e adotar outro mais palatável. A sugestão foi aceita.

No início de 1968, o agora rebatizado Creedence Clearwater Revival vinha à tona. Naquele mesmo ano, no mês de maio, lançou seu autointitulado álbum de estreia, de sucesso moderado, mas com um single matador, Suzie Q (releitura do clássico rockabilly de Dale Hawkins), que chegou ao 11º lugar nos EUA.

O ano de 1969 marcou um verdadeiro tsunami roqueiro por parte de John Fogerty e seus asseclas. Em apenas 12 meses, lançaram três álbuns de muito sucesso, Bayou Country, Green River e Willy And The Poor Boys, que atingiram, respectivamente, as posições de nº 7, 1 e 3 nas paradas americanas. De quebra, ainda tocaram com destaque no festival de Woodstock.

Uma proposta sonora atípica ganha o público

O mais impressionante é situar o CCR em meio ao que ocorria na época. O rock vivia um momento de mudanças, com gêneros como o hard rock, o heavy metal e o psicodelismo dando as cartas. E o que o quarteto californiano oferecia ao público? Uma sólida releitura do rock and roll original, com direito a rockabilly, country, blues e soul na mistura. “É onde o country e o rhythm and blues se encontram que fica o meu lugar favorito”, disse John Fogerty em entrevista a Craig Rosen para o livro The Billboard Book Of Number One Albums.

Lógico que esse coquetel molotov sonoro só atingiu esse sucesso todo devido ao imenso talento dos músicos envolvidos. É a chamada simplicidade sofisticada, algo muito difícil de se concretizar. De cara, o vozeirão inconfundível de John, somado ao seu talento como compositor e guitarrista-solo.

A seu lado, um certeiro guitarrista-base (seu irmão Tom) e uma das melhores cozinhas rítmicas da história do rock. O extremamente eficiente Cook encaixava seu baixo com perfeição na sólida batida de Clifford, um dos melhores bateristas de rock de todos os tempos, verdadeira usina rítmica que merecia ser mais reverenciada pelos críticos e público em geral.

O disco-síntese de uma banda seminal

É nesse momento de puro êxtase artístico e comercial que Cosmo’s Factory vem à tona. O nome do álbum tem a ver com o lugar onde o quarteto realizava os seus ensaios, localizada em um espaço situado na casa do baterista da banda, cujo apelido Cosmo vem desde seus tempos de moleque. O jeitão de fábrica valeu o apelido ao local, que é exatamente onde a foto da capa do álbum foi registrada.

A ideia de John Fogerty era que o álbum se tornasse uma espécie de auge desses anos iniciais do CCR, e seu desejo não poderia ter se concretizado de forma mais cristalina e potente. O álbum atingiu o topo da parada americana, permanecendo por lá durante nove longas semanas e ultrapassando a marca de quatro milhões de cópias nos EUA desde então.

Trata-se de uma espécie de disco-síntese da banda, ao trazer em suas 11 faixas bons exemplos das variações sonoras que se propôs a fazer durante sua carreira, além da bela mistura de composições próprias de John com releituras de clássicos alheios. Vale uma análise faixa a faixa, para explicitar isso.

As faixas de Cosmo’s Factory

Ramble Tamble (J.C. Fogerty)- Nada melhor para abrir um álbum de puro rock como esta aqui. Com mais de 7 minutos de duração, começa e termina com levada rockabilly, e possui várias mudanças de andamento no meio, ficando mais rápida e mais lenta e com direito a belos solos.

Before You Accuse Me (Bo Diddley)- Um clássico do repertório do célebre bluesman roqueiro merece uma releitura vigorosa mostrando o jeito próprio de abordar o blues do CCR.

Travelin’ Band (J.C. Fogerty)- Rock and roll cinquentista típico, clara homenagem a Little Richard, de quem o CCR regravou Good Molly Miss Molly no álbum Bayou Country (1969). Fogerty chegou a ser incomodado pela editora de vários hits de Richard sob acusação de plágio, mas acabou dando em nada. O famoso “parece mas não é”.

Ooby Dooby (Moore-Penner)- O primeiro hit de Roy Orbison, em seus tempos de Sun Records, é relido de forma ao mesmo tempo reverente e energética, com muito balanço e categoria.

Lookin’ Out My Back Door (J.C. Fogerty)- O momento mais country do álbum, com pique dançante e um delicioso sotaque caipira.

Run Through The Jungle (J.C. Fogerty)- O rótulo swamp rock criado por um crítico para definir o som da banda tem neste rock balançado com elementos do som de Nova Orleans um bom exemplo. Matadora!

Up Around The Bend (J.C. Fogerty)- Um rockão sacudido com riff de guitarra ardido e inconfundível. Aqui, o estilo próprio do CCR se mostra de forma mais explícita.

My Baby Left Me (Arthur “Big Boy” Crudup)- Regravação vigorosa de clássico do mesmo autor de That’s All Right, o primeiro sucesso de Elvis Presley. Aliás, Elvis também regravou essa música. Fica difícil dizer quem a releu melhor, mas creio que o Creedence ganhe por pequena diferença.

Who’ll Stop The Rain (J.C. Fogerty)- Delicioso rock balada no qual Fogerty aproveita para falar sobre a Guerra do Vietnã, algo que poucos esperariam em uma canção tão delicada e melódica.

I Heard It Through The Grapevine (Norman Whitfield-Barrett Strong)- Este clássico do songbook da Motown Records possui três versões espetaculares, todas com muito sucesso: a de Marvin Gaye, a de Gladys Knight And The Pips e esta aqui. A do CCR cativa pela longa duração, mais de 11 minutos, uma batida sólida, dançante e constante e uma performance absurda dos músicos, improvisando com foco e sem perder o prumo.

Long As I Can See The Light (J.C. Fogerty)- Para encerrar o álbum, nada melhor do que uma fantástica balada soul, na qual John tem uma performance certeira nos vocais e ainda toca sax, de quebra.

A reedição de Cosmo’s Factory lançada em 2008 traz, além de um belo encarte com fotos, ficha técnica e texto informativo e opinativo do consagrado crítico Robert Cristgau, três faixas-bônus: uma versão alternativa de Travellin’ Band, uma gravação ao vivo de Up Around The Bend e uma gravação (infelizmente com baixa qualidade técnica) de Born On The Bayou reunindo o CCR com o mitológico grupo Booker T & The MGs.

obs.: a primeira edição de Cosmo’s Factory lançada no Brasil em vinil veio com duas faixas diferentes. Ninety Nine And a Half (Steve Cropper, Eddie Floyd, Wilson Pickett), lançada originalmente no álbum de estreia do CCR, entrou no lugar de Travellin’ Band, enquanto The Working Man (J.C. Fogerty), também do primeiro álbum do grupo, veio na vaga de Who’ll Stop The Rain. Os relançamentos posteriores em vinil e depois em CD em nosso país trouxeram a seleção original de faixas. Obrigado aos amigos Emilio Pacheco e Valdir Angeli por essa informação, que adicionei após ter publicado este post.

Ouça Cosmo’s Factory em streaming:

Lady Gaga lança sua parceria com Ariana Grande em single e clipe

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Por Fabian Chacur

Nem o clima sombrio que tem marcado 2020 consegue conter o pique e a energia de Lady Gaga. Após lançar em fevereiro o single Stupid Love (leia mais e veja o clipe aqui), a cantora nos oferece Rain On Me, que ela interpreta junto com a jovem estrelinha americana Ariana Grande, em parceria inédita que está agitando o mercado pop.

Com clima dance total e muito pra cima, Rain On Me mostra um bom entrosamento entre as duas cantoras, com direito às coreografias ao lado de dançarinas e o visual over habitual dos clipes de Gaga. A direção ficou a cargo do cineasta Robert Rodriguez, conhecido por seus filmes violentos a la Quentin Tarantino, de quem é parceiro e amigo, por sinal.

Chromatica, o álbum do qual as duas faixas já divulgadas fazem parte, tem lançamento digital via Universal Music (com o seu selo Interscope Records) previsto para esta sexta-feira (29).

O álbum também terá vários tipos de versões físicas, incluindo CD, LPs de vinil com várias cores e fitas cassete coloridas também. A gravadora promete futuramente colocar essa diversidade de formatos físicos à venda no Brasil. O álbum também traz participações especiais de Elton John e BLACKPINK.

Rain On Me (clipe)- Lady Gaga e Ariana Grande:

Thaide, craque do rap brasileiro, é atração de live #EmCasaComSesc

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Por Fabian Chacur

A importância de Thaide para o rap nacional é imensa. Pode-se dizer, sem medo de errar, que ele é uma espécie de marco zero do gênero no Brasil, pois foi seu primeiro nome de sucesso. Com muita criatividade, talento e jogo de cintura, este paulistano de 52 anos solidificou uma carreira que o levou além de simplesmente cantar e compor. Ele será a atração desta quinta (28) às 19h do projeto #EmCasaComSesc, produzido pelo Sesc que promove lives de nomes bacanas da nossa música. A transmissão será via youtube (youtube.com/sescsp) e instagram (instagram.com/sescaovivo).

Thaide se tornou nacionalmente conhecido a partir do final de 1988, com o lançamento da coletânea Hip Hop Cultura de Rua pela Gravadora Eldorado. Em parceria com o DJ Hum, ele se destacou no álbum com a marcante Corpo Fechado, primeiro grande hit do rap brasileiro. A dupla se manteria até 2001, período durante o qual lançou álbuns bem bacanas e emplacou clássicos do porte de A Noite, Sr. Tempo Bom e Nada Pode Me Parar, só para citar alguns deles.

Com o fim da dupla com o DJ Hum, Thaíde não só iniciou uma ótima carreira-solo como também expandiu seus horizontes, atuando como apresentador e repórter de programas de TV como Yo! MTV, Manos e Minas e A Liga, ator em filmes como Antonia (2006), Caixa 2 (2007) e 2 Coelhos (2012) e até garoto propaganda de campanhas governamentais relevantes.

Com sua voz de timbre grave e marcante, ele sempre soube nos transmitir as experiências de uma vida repleta de dificuldades e desafios que ele sempre soube enfrentar com garra, criatividade e pensamento positivo.

As letras de Thaíde tem um enfoque positivo, propositivo, sem cair em clichês nem incitar violência ou rebeldia sem causa. Por isso, tornou-se um belo exemplo para as novas gerações. Seu álbum mais recente é o elogiado Vamo Que Vamo Que o Som Não Pode Parar, de 2017.

Sr. Tempo Bom (clipe)- Thaide e DJ Hum:

Tuia relê canções alheias e as próprias em seu novo álbum

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Por Fabian Chacur

Se estivéssemos na era medieval, Tuia certamente seria um daqueles trovadores, viajando por todas as cortes e reinados com seu instrumento musical para cantar as idas e vindas do amor perante as mais diversas plateias. De certa forma, é exatamente isso o que ele faz em 2020. Na estrada desde os anos 1990, o cantor, compositor e músico paulista tem um currículo dos mais respeitáveis (leia mais sobre ele aqui), e agora lança Versões de Vitrola Vol.1 (Kuarup), nos formatos CD e digital.

Em sua rica trajetória profissional, Tuia consolidou uma sonoridade que tem tudo a ver com o rock rural brasileiro, pois mistura com categoria e do seu jeito rock, country, folk, MPB e música caipira. Não por acaso, atraiu as atenções dos craques dessa praia, entre os quais Zé Geraldo, Tavito, Renato Teixeira e Guarabyra, com quem já trocou belas figurinhas em shows e discos.

Este novo trabalho o flagra em um momento de releituras. Temos aqui oito canções, sendo seis composições alheias e duas de sua autoria, nenhuma delas inédita. Linda Juventude, grande hit com o 14 Bis nos anos 1980, aparece em duas versões, uma acústica e outra com banda, ambas contando com a delicada participação da cantora e compositora paranaense Ana Vilela.

A consagrada estrela paraibana Elba Ramalho, por sua vez, marca presença na nova gravação de uma das canções mais bem-sucedidas de Tuia, a lírica Céu, em dueto que funcionou às mil maravilhas.

A única música que foge das fronteiras do som rural brasileiro é Tudo é Possível, rock de Kiko Zambianchi lançado pelo autor em seu álbum Disco Novo (2001) e que aqui surge em um arranjo mais afeito ao universo do country. Aliás, o ponto alto do disco é exatamente esse: as canções surgem repaginadas com assinatura própria de Tuia, mas sem perderem suas espinhas dorsais.

Chalana, clássico de Mário Zan e Arlindo Pinto que muita gente conheceu nas versões de Sérgio Reis e Almir Sater, aparece aqui com jeitão folk rock.

Espanhola, megahit escrito por Guarabyra e Flávio Venturini, renasce como uma power ballad, enquanto Senhorita, do grande Zé Geraldo, virou um country rock encapetado. Flor, a outra composição de Tuia incluída neste CD, surge levemente diferente de gravações anteriores.

Completa o repertório a maravilhosa Começo Meio e Fim (Tavito, Ney Azambuja e Paulo Sérgio Valle), que fez sucesso nas gravações do próprio Tavito e do Roupa Nova. Nela, assim como nas outras, Tuia nos oferece suas interpretações apaixonadas, nas quais se entrega às canções sem medo de ser feliz, e por tabela consegue cativar seus inúmeros fãs pelo Brasil afora.

Versões de Vitrola Vol.1 é daqueles trabalhos de sofisticada simplicidade que transmite ao ouvinte paz, emoção e alegria, especialmente em tempos tão confusos e conturbados como os atuais. Que o nosso querido trovador possa continuar cumprindo seu ofício com essa categoria e sensibilidade por muitos e muitos anos. E que venha em breve o Volume 2 dessa parada aí!

Céu (lyric video)- Tuia e Elba Ramalho:

Carlos Coelho, do Biquini Cavadão, lança clipe solo

carlos coelho

Por Fabian Chacur

Além de guitarrista há 35 anos do Biquini Cavadão, Carlos Coelho também é cantor, compositor, produtor e diretor de clipes, tendo também trabalhado com jingles e trilhas para filmes, TV e teatro. Ele acaba de lançar um clipe solo, We’ll Roll On, no qual canta, toca guitarra e baixo e de quebra se incumbe da produção e criação. As cenas são todas de animação, com direção de arte e motion design assinadas por Fabio Holtz e ilustrações muito legais de Otávio Bittencourt. O resultado é bastante elogiável.

We’ll Roll On foi composta em 2011 por Coelho em parceria com o neozelandês radicado nos EUA Simon Spire, que tem em seu currículo musical os álbuns All Or Nothing (2008) e Four-Letter Words (2012). Esta canção já havia sido gravada em 2014 pelo Biquini Cavadão em versão ao vivo e em português intitulada Vou Deixar Tudo Pra Traz (ouça aqui), do DVD Me Leve Sem Destino.

Coelho é acompanhado nesta gravação por Diogo Macedo (bateria) e Tay Cristelo (backing vocals), e dá à sua versão da música um clima mais de rock alternativo, sem no entanto perder a energia da gravação em português feita por sua banda. Ele tem mais de 250 composições gravadas pela sua banda e por outros artistas, além de ter participado de CDs e DVDs de Leila Pinheiro, Cidade Negra, Jammil e Uma Noites, Vinny e Buchecha, entre outros.

We’ll Roll On (clipe)- Carlos Coelho:

Diana Ross lança novo álbum de remixes Supertonic Mixes dia 29

diana ross supertonic capa 400x

Por Fabian Chacur

Com mais de cinco décadas de carreira, Diana Ross ainda mostra fôlego para invadir as paradas de sucesso. Em 2017, o remix de seu clássico hit Ain’t No Mountain High Enough (ouça aqui) atingia o topo da parada Dance Club Songs da Billboard, a bíblia da indústria fonográfica mundial. Era o início de uma série de quatro hits número 1 nas mesmas listas- os outros são I’m Coming Out/Upside Down (ouça aqui), The Boss (ouça aqui) e Love Hangover (ouça aqui). E não é só isso.

Além de disponibilizar uma quinta faixa com as mesmas características, It’s My House (será que também chegará ao topo?), a ex-cantora das Supremes e uma das maiores divas da história da música promete para o dia 29 deste mês um álbum com estas e outras pérolas de seu longo currículo de sucessos em versões repaginadas. Trata-se de SUPERTONIC Mixes, que aqui só chegará às plataformas digitais, mas que no exterior terá versões em CD e LP.

Com produção da própria Diana, o trabalho teve como autor dos remixes o badalado produtor, músico, compositor e remixador americano Eric Kupper, que desde meados dos anos 1980 se firmou como um dos mais bem-sucedidos nessa área, tendo feito trabalhos para artistas como Whitney Houston, Janet Jackson, Sheryl Crow, Lenny Kravitz, New Order, Depeche Mode, Donna Summer, Myley Cyrus e inúmeros outros do mesmo alto calibre.

Lógico que as versões originais desses grandes sucessos continuam sendo as melhores, mas essas releituras equivalem a uma nova visão de grandes canções, e não as invalidam, além de preservarem a essência de cada uma delas, o que não é pouco. Nada mal para uma artista tão celebrada e que em 2019 recebeu uma homenagem na cerimônia do Grammy, o Oscar da música, em função de tudo o que conquistou nesses anos todos.

It’s My House (remix)- Diana Ross:

David Bowie em disco ao vivo digital da sua turnê de 1997

bowie album ao vivo capa-400x

Por Fabian Chacur

Mais um álbum ao vivo de David Bowie está disponível nas plataformas digitais via Warner Music, dando prosseguimento a uma série de lançamentos nesse formato com material registrado em diversas fases da carreira do saudoso artista britânico. LIVEANDWELL.COM saiu originalmente em tiragem limitada em 2000 e disponibilizado apenas aos assinantes da Bowienet. São 12 faixas gravadas ao vivo em Nova York, Rio de Janeiro, Amsterdam e Reino Unido em 1997 durante a turnê de lançamento do álbum Earthling (1997).

Os registros flagram o autor de Space Oddity no auge de sua fase eletrônica, incluindo cinco músicas do álbum Earthling e cinco do trabalho anterior, Outside (1995). Duas faixas saíram antes em um maxi-single de 12 polegadas e creditadas ao The Tao Jones Index, nome com o qual Bowie e sua banda se apresentaram de surpresa em tendas dedicadas à dance music em festivais. São elas Pallas Athena (do álbum Black Tie White Noise, de 1993) e V-2 Schneider (do álbum Heroes, de 1977, única música não lançada nos anos 1990).

Aqui está a escalação do timaço que interpreta com vigor e categoria (e com excelente qualidade de áudio) as 12 faixas deste excelente álbum ao vivo: David Bowie (vocais, guitarra, saxofone), Zachary Alford (bateria), Gail Ann Dorsey (baixo, vocais, teclados), Reeves Gabrels (guitarras, sintetizadores, vocais) e Mike Garson (piano, teclados, sintetizadores).

Eis as faixas de LIVEANDWELL.Com :

1 – I’m Afraid Of Americans (Radio City Music Hall New York, 15th October, 1997) *
2 – The Hearts Filthy Lesson (Long Marston, Phoenix Festival, 18th July, 1997) x
3 – I’m Deranged (Amsterdam, Paradiso, 10th June, 1997) x
4 – Hallo Spaceboy (Rio de Janeiro, Metropolitan, 2nd November, 1997) x
5 – Telling Lies (Amsterdam, Paradiso, 10th June, 1997) *
6 – The Motel (Amsterdam, Paradiso, 10th June, 1997) x
7 – The Voyeur Of Utter Destruction (As Beauty) (Rio de Janeiro, Metropolitan, 2nd November, 1997) x
8 – Battle for Britain (The Letter) (Radio City Music Hall New York, 15th October, 1997) *
9 – Seven Years In Tibet (Radio City Music Hall New York, 15th October, 1997) *
10 – Little Wonder (Radio City Music Hall New York, 15th October, 1997) *
11 – Pallas Athena (Amsterdam, Paradiso, 10th June, 1997) y
12 – V-2 Schneider (Amsterdam, Paradiso, 10th June, 1997) z

* versões de estúdio são do álbum Earthling (1997)
x versões de estúdio são do álbum Outside (1995)
y versão de estúdio é do álbum Black Tie White Noise (1993)
z versão de estúdio é do álbum Heroes (1977)

Hallo Spaceboy (Live from Rio de Janeiro, Metropolitan, 2nd November, 1997)

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