Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Author: Fabian Chacur (page 1 of 48)

Com Vida traz a versatilidade do talentoso Keco Brandão

keko brandao capa cd dvd-400x

Por Fabian Chacur

Se eu me metesse a colocar o currículo completo de Keco Brandão neste post, certamente preencheria dezenas de linhas muito antes de conseguir falar algo sobre ele. Com 30 anos de estrada, este gaúcho que morou no Rio e está radicado há muito em São Paulo esbanja versatilidade em seu novo trabalho, o DVD/CD (vendidos juntos em luxuosa embalagem digipack) Com Vida, no qual este tecladista, arranjador, compositor e cantor conta com participações especiais de alguns desses parceiros ilustres de tantos anos.

Nessas três décadas de atividade, Keco gravou mais de dez CDs solo instrumentais investindo em diversos estilos musicais. Ele participou de gravações e shows de artistas do porte de Gal Costa, Jane Duboc, Zizi Possi, Pedro Mariano, Leila Pinheiro, Toquinho, Célia, Roberta Miranda e Ângela Maria, só para citar alguns, além de ter atuado na área de jingles e trilhas publicitárias e também em programas de TV.

Incentivado inicialmente por Jane Duboc e depois por Gal Costa, ele acrescentou o canto a suas atividades. Seguindo a sugestão do amigo Flávio Venturini, decidiu iniciar um projeto composto só por canções. Na Contramão, composição feita por ele com a cantora Denise Mello, tornou-se o primeiro fruto do que viria a ser Com Vida. As gravações em áudio e vídeo foram de outubro de 2015 a janeiro de 2017.

O álbum traz 15 músicas: sete de autoria de Keco com vários parceiros/parceiras (uma solo) e oito de autores que admira, como Ivan Lins, Lyle Mays, Pedro Aznar, Johnny Alf e Joaquin Rodrigo. Marcam presença no CD Simone Guimarães (três faixas), Tatiana Parra (duas faixas), Sachal Vasandani (duas faixas), Ivan Lins, Zizi Possi, Fabiana Cozza, Felipe Cato, Denise Mello, Sueli Vargas e Heitor Branquinho.

Pela primeira vez em sua carreira, o artista gravou vocais, sendo uma dobradinha com Simone Guimarães (Aranjuez Con Tu Amor), vocalizes com Ivan Lins (Encontro dos Rios) e uma performance vocal solo e em castelhano (Emília). Nelas, Keco prova que, se por ventura quiser gravar um álbum como vocalista principal, tem tudo para passar com nota alta por essa experiência, tal a desenvoltura que mostra.

Os arranjos das faixas de Com Vida dão roupagens belas e sofisticadas a cada canção, em um repertório que prima pela qualidade de suas melodias e por um clima romântico, lírico e próximo de baladas, embora tenhamos momentos de funk-jazz, latinidade, samba e bossa. Os convidados mostram nítida admiração pelo trabalho de Keco, e se submetem a seu comando de corpo e alma. O resultado é um disco delicioso de se ouvir, do começo ao fim.

Difícil citar melhores faixas em um repertório tão bem escolhido e trabalhado, mas, só para não ficar demais em cima do muro, vale citar Timidez (com Tatiana Parra nos vocais), Cura (um banho de swing de Fabiana Cozza) e Sweet Bird Of Youth (versão em inglês para Eu e a Brisa, de Johnny Alf, que o americano Sachal Vasandani interpreta com rara finesse). Mas recomendo a você ouvir e fazer suas próprias escolhas.

Incrível a versatilidade de Keco Brandão, que se mostra craque como arranjador, vocalista, compositor e pianista. Um exímio acompanhante de cantores, por sinal. Ele admite a possibilidade de novos trabalhos nessa linha, pois muitos amigos acabaram ficando de fora. Se for feito com a qualidade deste aqui, que venham muitos outros mesmo.

Timidez– Tatiana Parra e Keco Brandão:

Selo Maritaca comemora seus 20 anos com um show em SP

selo maritaca artistas-400x

Por Fabian Chacur

Em 1997, a flautista, compositora, arranjadora e produtora Léa Freire deu início ao selo Maritaca, gravadora independente especializada em música instrumental. Com mais de 60 lançamentos de alta qualidade em seu catálogo, a empresa celebra seus 20 anos de estrada com um show especial em São Paulo que será realizado nesta sexta-feira (20) às 21h no Auditório Ibirapuera (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº- Portão 2 do Parque Ibirapuera- fone 0xx11-3629-1075), com ingressos custando R$ 10,00 (meia) e R$ 20,00 (inteira).

Com mais de 40 anos de carreira, Léa é uma guerreira, pois consolidar espaços dedicados ao som instrumental no Brasil é tarefa hercúlea. Sua definição para a vertente sonora que abraçou é das mais inteligentes: “A música instrumental é pra pensar o que você quiser, para sentir o que você quiser, para criar seu próprio enredo”.

A comemoração das duas décadas do Maritaca reunirá um elenco composto por artistas que já gravaram pelo selo, um time repleto de feras da música brasileira que se revezarão no palco durante o espetáculo. Com direção artística a cargo do maestro Felipe Sena, teremos, entre outros, Amilton Godoy, Arismar do Espírito Santo, Filó Machado, Silvia Góes, Quinteto Vento em Madeira (do qual Léa faz parte), Grupo Câmaranóva, Edu Ribeiro e Teco Cardoso.

Nesses anos todos, além de lançar CDs, o selo também comercializou livros de partituras. Outros nomes importantes com trabalhos que fazem parte do acervo da Maritaca são Laércio de Freitas, Bocato, Banda Mantiqueira, Trio Corrente e Théo de Barros. Entre os álbuns mais recentes lançados pela gravadora, vale destacar A Mil Tons, dueto de Amilton Godoy e Léa Freire (leia mais sobre esse trabalho aqui).

Mamulengo– Léa Freire e Amilton Godoy:

Andre Gimaranz lança seu CD Supermoon com show no Rio

andre gimaranz foto 1 show-400x

Por Fabian Chacur

Se você é daqueles fãs de classic rock com um tempero caprichado de blues, jazz e folk e busca algum artista atual que desenvolva bem essa fórmula mágica de se fazer música, precisa ouvir urgente Andre Gimaranz. O cantor, compositor, guitarrista e arranjador brasileiro esbanja categoria nessa praia em Supermoon, álbum de altíssima qualidade artística que ele lança no Rio de Janeiro nesta terça-feira (17) às 20h30 na Casa de Cultura Laura Alvim (avenida Vieira Souto, nº 176- Ipanema- fone 0xx21-2332-2016), com ingressos de R$25,00 a R$50,00.

Lógico que um álbum com a qualidade de Supermoon não sairia do nada, e o pedigree de Gimaranz é dos mais elogiáveis. Filho do violonista e guitarrista Antônio Carlos, que tem no currículo parcerias com Roberto Menescal e foi bastante atuante nas décadas de 1950 e 1960, ele é formado em guitarra na mitológica Berklee School, em Boston, e atuou como músico de estúdio e produtor de vinhetas para publicidade e trilhas sonoras nos EUA, especialmente em Nova York e Los Angeles.

Em 2014, ele resolveu investir em um trabalho autoral, que sairia no ano seguinte, o álbum Handmade. O álbum trazia composições próprias e duas releituras, Murder By Numbers (do The Police) e I Can’t Stand The Rain (hit com Tina Turner, Eruption e diversos outros artistas). “Pensava inicialmente em só incluir canções próprias, mas resolvi regravar essas duas, pois consegui fazer releituras delas de forma bem pessoal”, diz, em entrevista via telefone a Mondo Pop.

Além de fazer shows de divulgação do álbum nos EUA e no Brasil, Gimaranz também foi indicado nas categorias Disco do Ano e Música do Ano (Even) no IMEA Awards, importante prêmio criado pela Associação Internacional de Artes de Entretenimento da América. “O meu primeiro álbum teve uma aceitação interessante no meio independente internacional. Foi o possível para alguém independente”.

Depois de muito tempo radicado nos EUA, atualmente o músico se concentra um pouco mais em seu país, tanto que Supermoon foi gravado por aqui, com a masterização realizada em Nashville (EUA). Em relação ao 1º CD, algumas diferenças se sobressaem. “Desta vez, tenho alguns parceiros nas composições. Isso deu uma cor maior nesse segmento do meu trabalho”. Outra novidade: duas músicas em português.

Admito Que Perdi (de Paulinho Moska) e Construção (de Chico Buarque) me deram a oportunidade de investir no meu lado de arranjador, pois as trouxe para o meu universo musical; gravei oito tracks de guitarra em Construção, ficou bem diferente da versão original”. São as duas primeiras músicas gravadas por ele em português. “Não me sinto muito confortável para compor em português, mas pode rolar no futuro, quem sabe com um parceiro letrista”.

Supermoon conta com a produção do experiente Kadu Menezes (que já trabalhou com Kid Abelha, Leo Jaime e Lobão, entre outros). Marcam presença no disco músicos como Flávio Guimarães (Blues Etílicos), Billy Brandão e Guilherme Schwab (Suricato), entre outros. O álbum não se perde em solos excessivos de guitarra. “Lógico que o disco tem bastante guitarra, mas não vejo necessidade de fazer solos exibicionistas, procuro mostrar mais texturas, investir nos arranjos e valorizar as canções”.

Com dez faixas, o álbum inclui desde rocks mais vigorosos como State Of Rage And Fear e Tough Guys Don’t Dance até as delicadas Falling Appart e Reaching, com direito a cordas e metais. A diversidade do material bate com a concepção musical do artista. “Sempre ouvi muita coisa diferente, como rock, jazz,blues, bossa nova, e acho que sempre terá um pouco de tudo isso no que eu fizer; tem coisas mais pesadas, mais leves, o meu negócio é música boa, sempre”.

O álbum Supermoon pode ser encontrado em CD e também nas plataformas digitais, em lançamento do selo do artista, o Flawless Imperfections. Sobre a atual situação do mercado discográfico, Gimaranz tem uma opinião própria. “A internet trouxe coisas boas para os artistas independentes, e as gravadoras passaram a ser basicamente empresas de marketing. Acho que, no futuro, as gravadoras irão retomar a sua importância no surgimento de novos valores, pois é complicado para o artista fazer tudo ao mesmo tempo”.

Em termos de rock no Brasil, ele põe o dedo na ferida. “O rock perdeu muito espaço no Brasil, nos últimos 20 anos. O que se faz atualmente é muito ruim, sem melodias, nem acordes, falta criatividade. Acho que é um ciclo. E tem pouco rock nas rádios. O artista novo nasce morto por causa da pouca remuneração do streaming, que atualmente predomina. E para fazer shows, é preciso que conheçam a sua música, o artista com trabalho próprio sofre”.

Para acompanha-lo no show desta terça (17), Andre Gimaranz terá consigo uma banda afiadíssima formada por Billy Brandão (guitarra), Bruno Migliari (baixo), Alex Veley (teclado), Kadu Menezes (bateria) e ele próprio nas guitarras, violão, ukulelê e charango. No repertório, músicas de Supermoon, algumas de Handmade e releituras como Wolverine, dos Picassos Falsos.

Nesta segunda (16), Gimaranz fará uma Facebook Live Session a partir das 17h direto do estúdio Palco 41, no qual ele e sua banda estão ensaiando para o show desta terça (17). Você poderá ouvir um bate-papo com ele e também performances ao vivo. O link é aqui.

Falling Apart (clipe)- André Gimaranz:

Carla Bruni e o French Touch, um álbum de belas releituras

carla bruni french touch-400x

Por Fabian Chacur

Acaba de sair no Brasil, via Universal Music, o sexto álbum de estúdio de Carla Bruni. Trata-se de French Touch, no qual a cantora e compositora italiana radicada na França desde os sete anos de idade se dedica a reler do seu jeito onze hits de diferentes origens, com direito a canções extraídas dos universos do jazz, rock, synth pop, country e até heavy metal.

A cantora nascida em Turin, Itália, em 23 de dezembro de 1967, e radicada há muito em Paris, mostrou muito bom gosto e versatilidade na seleção do repertório. Duas das canções já estão sendo muito ouvidas pelos fãs nas plataformas digitais, Miss You (dos Rolling Stones) e Enjoy The Silence (do Depeche Mode), que ganharam nova vida na charmosa voz da cantora que já namorou Eric Clapton e Mick Jagger e foi primeira-dama da França como esposa de Nicolas Sarkozy.

O álbum traz um dueto com o genial astro country americano Willie Nelson em um de seus maiores sucessos, a deliciosa Crazy. Também estão no repertório Jimmy Jazz (The Clash), The Winner Takes It All (Abba) e Highway To Hell (AC/DC), entre outras. A cantora iniciará no próximo dia 23 a turnê de divulgação de French Touch, prevista para passar por mais de 20 países. Ainda não se sabe se ela incluirá o Brasil nessa sequência de shows. Tomara que sim!

Enjoy The Silence– Carla Bruni:

Bunny Sigler, grande nome do Philly Sound, morre nos EUA

bunny sigler-400x

Por Fabian Chacur

Quem curtia as novelas globais nos anos 1970, especialmente as suas trilhas sonoras, possivelmente se lembrará de uma balada classuda, com tempero de jazz e soul, intitulada Picture Us. Foi o maior hit no Brasil do cantor, compositor e produtor americano Bunny Sigler. Ele se foi na última sexta-feira (6), aos 76 anos, vítima de um ataque cardíaco. Mas ele não era um mero one hit wonder, aqueles artistas que estouram com um único sucesso e depois somem de cena. Muito longe disso, como vocês poderão ler a seguir.

Walter Sigler nasceu na cidade americana da Filadélfia em 27 de março de 1941. Como muitos garotos negros de sua geração, aprendeu a cantar inicialmente em igrejas, e posteriormente integrando grupos vocais que se dedicavam ao doo-wop, estilo musical que consagrou bandas como The Platters e The Moonglows na década de 1950. Ele integrou por algum tempo um desses grupos, os Opals, sem muito êxito.

Ele gravou seu primeiro single como artista solo lá pelos idos de 1959. Em seguida, conheceu o jovem compositor e produtor Leon Huff, que o indicou ao selo local Cameo Parkway. Depois de alguns singles pouco ouvidos e vendidos, Bunny Sigler sentiu o primeiro gostinho do sucesso ao gravar o pot-pourry Let The Good Times Roll/Feel So Good, que em 1967 atingiu o 22º lugar na parada pop. Com a decadência da Cameo Parkway, ficou disponível no mercado.

Aí, surgiu o momento decisivo em sua carreira. O velho amigo Leon Huff estava iniciando uma parceria com o músico, compositor e produtor Kenny Gamble, dobradinha que iria criar em 1971 o selo Philadelphia International Records (PIR), que não só consagrou artistas como The O’Jays, Billy Paul e Harold Melvin & The Blue Notes (incluindo Teddy Pendergrass) como ajudou a criar o Philly Sound, uma vertente sofisticada da soul music que desembocaria na disco music.

Lá, Sigler seria utilizado como compositor e vocalista de apoio. Hits do trio vocal The O’Jays como Sunshine, You Got Hooks On Me e When The World Is At Peace são de sua autoria, assim como I Could Dance All Night, sucesso com Archie Bell & The Drells. E sua voz está no refrão de hits como If You Don’t Know Me By Now, de Harold Melvin & The Blue Notes.

Já com bastante moral na PIR, ele resolveu gravar, depois de muitos anos, um álbum solo, That’s How Long I’ll Be Loving You (1974, saiba mais sobre o disco aqui). Ele se apresentou no badalado programa de TV Soul Train cantando duas músicas deste LP, a faixa título e também Things Are Gonna Get Better.

Curiosamente, uma faixa deste mesmo álbum que não teve grande repercussão nos EUA estourou por aqui, em 1975. Trata-se exatamente de Picture Us, incluída na trilha sonora da novela global O Grito, ao lado de outros hits daquela época como Fly Robin Fly (Silver Convention), Island Girl (Elton John) e True Love (Steve McLean.

Lá pelos idos de 1973/74, ele conheceu uma banda oriunda de New Jersey cujo nome era Instant Funk. Logo, tornou-se o produtor dos rapazes, que se mudaram para a Filadélfia em 1976. Quando resolveu sair da PIR, Sigler levou essa banda com ele.

Na nova gravadora, a Gold Mind Records (que pouco depois seria incorporada pela Salsoul Records, de Nova York), ele lançou seu grande hit disco em 1978, Let Me Party With You (Party, Party, Party), bem legal e cantada em falsete, mas com alguma semelhança com Got To Give It Up, de Marvin Gaye. E gravou com a cantora Barbara Mason em 1977 o álbum Locked In This Position.

Em 1978, produziu o maior hit do Instant Funk, a demencial I Got My Mind Made Up (You Cant Get It Girl), que chegou ao número 20 na parada pop americana e depois seria sampleada e entraria em diversas trilhas de filme, incluindo o ótimo Studio 54 (1998). Bodyshine, Witch Doctor e Slap Slap Lickedy Lap são outras maravilhas funk-disco produzidas por Sigler para a banda, que chegou a acompanhar ele e outros astros funk-soul em shows e discos.

Only You foi um dueto que gravou com a cantora Loleatta Holloway. E já que o assunto é cantoras, sua parceria com a consagrada Patty Labelle rendeu belos frutos. Entre eles, a gravação por parte dela, em 1983, de Love, Need And Want You, parceria de Sigler com Kenny Gamble que não só fez sucesso nessa versão como seria sampleada por vários artistas posteriormente. Entre eles, Nelly, que usou o refrão dela na sua Dilemma, estouro em 2002 em dueto desse artista com Kelly Rowland.

Se não apareceu tanto na mídia a partir dos anos 1990, Bunny Sigler se manteve fazendo shows, gravando e até mesmo mantendo um canal próprio do Youtube (confira aqui). Nele, foi lançado há pouco Angel Eyes, seu novo single, parte do seu próximo álbum, Young At Heart, previsto para sair em breve. Ah, ele gravou gospel também. E aí, continua achando que esse cara só fez Picture Us?

Picture Us– Bunny Sigler:

I Got My Mind Made Up (You Can Get It Girl)– Instant Funk:

Curta-metragem com entrevista do artista e cenas de sua carreira:

Pato Fu faz uma maratona de Música de Brinquedo em SP

pato fu-400x

Por Fabian Chacur

O Patu Fu fará uma verdadeira maratona em São Paulo para lançar na cidade seu mais recente trabalho. Aproveitando o feriado prolongado, o grupo mineiro apresentará de quinta (12) a domingo (15), com duas sessões diárias (em horários do tipo matinê) o repertório de Música de Brinquedo 2. O local é o Sesc 24 de Maio (Rua 24 de Maio, nº 109- Centro- fone 0xx11-3350-6300), com ingressos de R$ 12,00 a R$ 40,00.

O novo álbum da badalada banda encabeçada por Fernanda Takai e John Ulhoa dá sequência ao álbum inicial lançado em 2010. O conceito permanece o mesmo, que é trazer releituras de clássicos da música pop nacional e internacional interpretados com o auxílio de diversos tipos de brinquedos, instrumentos em miniatura e kazoos, criando assim uma sonoridade divertida e bastante lúdica. O grande sucesso da investida original justifica essa continuação.

Música de Brinquedo 2, lançado pela gravadora Deck em CD e nas plataformas digitais, traz onze faixas deliciosas e inesperadas. Entre outras, temos Palco (Gilberto Gil), Livin’ La Vida Loca (Ricky Martin), Rock da Cachorra (Eduardo Dussek), Mamãe Natureza (Rita Lee) e Every Breath You Take (The Police), com arranjos que agradarão os adultos e também as crianças, pois incluem vocais infantis.

Nos shows, que trarão em seu set list músicas dos dois CDs, o grupo terá Takai, Ulhoa e Ricardo Koctus (o trio que iniciou a banda, há mais de 20 anos) acompanhado por Glauco Mendes (bateria), Richard Neves (teclados) e dois convidados especialíssimos: os bonecos/monstrinhos Groco e Ziglo, criados pelo grupo Giramundo de Bonecos. Uma boa dica para quem quiser comemorar o Dia da Criança acompanhado por seus filhos, sobrinhos, netos e quetais.

Livin’ La Vida Loca– Pato Fu:

Marcos Lessa apresenta o seu novo single, O Amor é Capaz

marcos lessa o amor e capaz single 400x

Por Fabian Chacur

A voz de veludo de Marcos Lessa está de volta com um novo e excelente single. Trata-se de O Amor é Capaz, já disponível para audição nas principais plataformas digitais de streaming e downloads pago. A faixa já está obtendo bons resultados nas rádios do estado natal do cantor, o Ceará, e merece estender essa repercussão positiva pelo resto do país.

O Amor é Capaz tem como autores Thiago Silva e Sergio Jr., este último integrante do grupo carioca Sorriso Maroto. Ficou por conta do próprio Sérgio a produção da faixa, que conta com arranjos do consagrado tecladista Jota Moraes (que trabalhou com os grandes nomes da MPB e do pagode) e a participação dos músicos Camilo Mariano (bateria), Michel Fujiwara (violão e guitarra) e Wilson Prateado (baixo).

Trata-se de um samba romântico com forte tempero da MPB dos anos 1970/1980 e de letra inspirada, que fala sobre a incrível capacidade que o amor tem de superar todas as dificuldades enfrentadas pelos seres humanos. Otimismo, mesmo em tempos difíceis como os atuais.

Com 26 anos de idade, Marcos Lessa ficou conhecido nacionalmente ao participar do reality show musical The Voice em 2013. Não ganhou, mas demonstrou um potencial incrível, concretizado no ótimo CD Entre o Mar e o Sertão e também em shows badalados, como o que fez acompanhado pela banda do saudoso Emilio Santiago. Leia mais sobre este talentosíssimo artista aqui.

O Amor é Capaz– Marcos Lessa:

No Voo do Urubu é o Verocai mais inspirado do que nunca

arthur verocai no voo do urubu-400x

Por Fabian Chacur

Foram necessárias quase quatro décadas para que Arthur Verocai tivesse o devido reconhecimento no cenário musical brasileiro, após inúmeros serviços de alta qualidade prestados aos amantes da boa música. Mas, pelo visto, valeu esperar. Aos 72 anos, o genial cantor, compositor, músico e maestro carioca se mostra mais inspirado do que nunca, vide seu mais recente lançamento, o não menos do que espetacular CD No Voo do Urubu (Selo Sesc).

Sem medo de cair em exageros, defino a atuação de Arthur Verocai como uma mistura personalizada do trabalho de maestros e compositores do porte de Burt Bacharach e Tom Jobim. Ele tem o dom de transformar a canção popular em arte requintada, com direito a arranjos delicados e precisos, nos quais os instrumentos convivem de forma harmoniosa e dialogam entre si com fluência, sem cair naquele universo intrincado demais que só os músicos conseguem entender.

A música deste genial artista carioca consegue a façanha de ser incrivelmente elaborada e ao mesmo tempo deliciosa de se ouvir. Coloquem as faixas dele para o público médio conferir, e duvido que alguém se meta a dizer que é “música para músicos”. Arthur Verocai direciona todo o seu imenso talento em prol das canções, e isso se reflete no resultado final. E isso se mostra desde seu primeiro e cultuado disco solo, de 1972 (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

No Voo do Urubu equivale a uma espécie de concisa sinfonia pop. Abre com a espetacular faixa-título, que traz Seu Jorge nos vocais e forte influência de Tom Jobim. Outro momento bem jobiniano do álbum é Minha Terra Tem Palmeiras, interpretada por Lu Oliveira. Oh! Juliana é bossa pura, com uma interpretação deliciosa de Danilo Caymmi.

A faceta soul-jazz da obra de Mestre Verocai surge no álbum com generosidade. A Outra, cantada por Vinícius Cantuária, Cigana, comandada por Mano Brown, e O Tambor, com Criolo no microfone, mostram como o cara sabe lidar com o mundo do groove.

E vale um elogio extra: é impressionante o quanto Arthur Verocai evoluiu como cantor. Na faixa O Tempo e o Vento, na qual ele se incumbe da tarefa, o cara esbanja maturidade, afinação e ginga. Era o que faltava para considera-lo completo. Não falta mais.

Se as sete faixas com vocais já valeriam uma nota máxima ao álbum, as instrumentais Snake Eyes, Na Malandragem e Desabrochando, que encerram o CD, tornam essa avaliação inevitável. Diferentes entre si, ressaltam o DNA do trabalho de seu autor, que é quase cinematográfico, conduzindo o ouvinte rumo a caminhos envolventes e cativantes.

No Voo do Urubu equivale a um verdadeiro disco de produtor, no qual o chefe da história toda comanda um elenco escolhido a dedo e brilhante e o encaminha rumo ao nirvana sonoro. Demoramos a descobrir e a reverenciar a música de Arthur Verocai, mas isso felizmente ocorreu com ele ainda vivo e repleto de energia. Que muitos mais descubram a sua música envolvente, intensa, criativa e repleta de boas energias. Leia entrevista de Mondo Pop com ele aqui.

No Voo do Urubu (completo, em streaming)- Arthur Verocai:

Charles Theone lança o novo CD com show único no Rio

charles theone 3-400x

Por Fabian Chacur

Oito anos após seu trabalho anterior, New Orlinda (2008), o cantor, compositor e ator pernambucano Charles Theone volta com um novo álbum, que leva o seu nome como título. Antes conhecido como Charles Teony, ele mostra o repertório do CD no Rio de Janeiro com um show único neste sábado (7) às 21h no Solar Botafogo (rua General Polidoro, nº 180- Botafogo- fone 0xx21-2543-5411), com ingressos de R$ 25,00 a R$ 50,00.

O show terá participações especiais de Daúde e Rita Benneditto. Além do repertório do disco, Theone também apresentará releituras de músicas de Gonzaguinha (Festa), Tim Maia (Coroné Antônio Bento), Alceu Valença (Embolada do Tempo) e Zé Ramalho (Garoto de Aluguel).

Produzido pelo lendário guitarrista Paulo Rafael, que toca há décadas com Alceu Valença, Charles Theone (o álbum) traz composições próprias como Noite Negra (cujo clipe foi lançado recentemente), Pai do Samba, Cuidado Com Mané e Estrela da Paz. O som traz elementos de mangue beat, música nordestina dos anos 1970 e muito mais, sempre com a ideia de gerar uma identidade própria.

Noite Negra (clipe)- Charles Theone:

Tom Petty, elo perdido entre os Byrds e o R.E.M., viajou

tom petty rock singer-400x

Por Fabian Chacur

Na melhor resenha que tive a oportunidade de escrever na extinta revista Bizz (acho que já nos tempos de Showbizz), sobre a coletânea Greatest Hits, defini Tom Petty como uma espécie de elo perdido entre os Byrds, grande banda dos anos 1960, e o R.E.M., que trouxe a sonoridade do folk rock para a linguagem dos anos 1980. Um de meus ídolos, esse brilhante e genial cantor, compositor e músico americano nos deixou nesta segunda-feira (2), 18 dias antes de completar 67 anos.

A notícia surgiu no site TMZ, especializado em celebridades e marcado por ter sido quem divulgou em primeira mão o falecimento de Michael Jackson em 2009. Petty foi encontrado inconsciente em sua casa, em Malibu, não respirando e vítima de um ataque cardíaco. Ainda com sinais de vida, foi levado neste domingo (1º) ao Santa Monica Hospital, da UCLA (universidade de Los ANgeles). Chegando ao local, foi constatada morte cerebral, e posteriormente houve a decisão de desligar os aparelhos que o mantinham respirando.

Como a polícia de Los Angeles não confirmou a notícia posteriormente, causando um verdadeiro alvoroço na imprensa, os fãs, como eu, ainda tivemos a esperança de que pudéssemos ter a boa notícia de sua luta pela vida ainda estar ocorrendo. Mas Tony Dimitriades, manager há muitos anos de Tom Petty & The Heartbreakers, confirmou a morte do roqueiro. O link de seu site oficial, com a lamentável notícia, que agora é oficial, pode ser acessado aqui.

O astro americano havia encerrado há alguns dias a turnê comemorativa de 40 anos de carreira de sua banda, Tom Petty & The Heartbreakers, e vivia uma fase importante de sua trajetória. Em 2014, por exemplo, conseguiu colocar seu álbum Hypnotic Eye no topo da parada americana, e em 2016 lançou o segundo álbum (intitulado 2) da sua primeira banda, a Mudcrutch, que se separou no meio dos anos 1970 e só lançaria o primeiro álbum, autointitulado, em 2008.

Thomas Earl Petty nasceu em Gainesville, Florida, em 20 de outubro de 1950. Ele começou a mergulhar no mundo do rock no fim dos anos 1960, e mostrou forte potencial com o grupo o Mudcrutch, com quem só gravou singles, na época. Em 1975, ele e dois colegas daquela banda, o guitarrista Mike Campbell e o tecladista Benmont Tench, resolveram partir para outro projeto. Nascia Tom Petty & The Heartbreakers, cujo álbum de estreia, que leva o nome da banda como título, chegou às lojas em 1976.

Desde o início, o cantor, compositor e guitarrista americano mostrava forte influência rocker sessentista em sua sonoridade, ignorando tendências daquele momento como o glam rock, o punk, o heavy metal e a disco music para mergulhar no folk rock, country e rock básico. Tom Petty & The Heartbreakers (1976) e You’re Gonna Get It (1978) são duas obras-primas, com direito a muita urgência, entrosamento entre os músicos e um rock ao mesmo tempo melódico, retrô e sem soar saudosista. Coisa de craque. O retorno comercial foi mediano.

Foi com o seu terceiro álbum, Damn The Torpedoes (1978), que Petty e seus parceiros estouraram no cenário do rock americano. A partir daí, a banda conseguiu não só se firmar nas paradas de sucesso como também adquirir um incrível prestígio entre os grandes nomes do rock. Após uma turnê ao lado de Bob Dylan, ele, o autor de Blowin’ In The Wind, George Harrison, Roy Orbison e Jeff Lynne criaram o supergrupo Travelling Wylburys. O quinteto se reuniu inicialmente apenas para gravar um lado B de single do ex-beatle, mas a coisa cresceu tanto que virou um verdadeiro evento.

Foram dois álbuns do mais puro rock and roll (Vol.1-1988 e Vol.3-1990), nos quais Petty se mostrou à altura dos colegas de time. Não estava lá por acaso. De quebra, ainda lançou em 1989 seu primeiro disco solo, Full Moon Fever, um de seus grandes êxitos em termos artísticos e comerciais. Curiosamente, Benmont Tench e Mike Campbell, parceiros de Heartbreakers, participaram do CD. Prova da parceria inseparável entre eles.

Nesses anos todos, Tom Petty se manteve na ativa, lançando discos relevantes e lapidando com categoria e bom gosto o seu estilo de fazer rock and roll. Nunca abdicou do total controle artístico. Ele entrou no Rock and Roll Hall Of Fame em 2002, e ganhou o cobiçado Billboard Century Award em 2005.

Em 2007, o cineasta Peter Bogdanovich lançou um documentário sobre Petty, Running Down a Dream. O rock and roll vigoroso, melódico, poético e intenso deste grande artista é um legado maravilhoso que ele nos deixou. Que saibamos valorizá-lo. E chega, não consigo escrever mais nada…É muita dor no meu peito!

You’re Gonna Get It- Tom Petty And The Heartbreakers:

Older posts

© 2017 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑