Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Author: Fabian Chacur (page 1 of 118)

Lô Borges retoma parceria com o irmão Márcio em single c/Moska

Lô Borges (participação Paulinho Moska) - Muito Além do Fim (single)

Por Fabian Chacur

Em um ano repleto de notícias ruins, qualquer coisa boa que surja no horizonte merece ser comemorada de forma efusiva. E é dessa forma que Mondo Pop saúda a retomada, após dez anos, da parceria entre os irmãos Lô e Márcio Borges. Autores de maravilhas do porte de Clube da Esquina, Um Girassol da Cor do Seu Cabelo e Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor, entre outras, eles acabam de divulgar o primeiro fruto dessa nova safra de canções, já disponível nas plataformas digitais via gravadora Deck.

Trata-se de Muito Além do Fim, um delicioso rock melódico com versos para tentar levantar o nosso astral nesse momento complicado do Brasil e do mundo em plena pandemia do novo coronavírus. Para melhorar ainda mais a coisa, temos a participação de Paulinho Moska, que se encaixa feito luva no balanço de Lô e na poesia de Márcio.

Além de Lô e Moska, marcaram presença nesta gravação Henrique Matheus (guitarra), Thiago Corrêa (baixo, teclados e percussão) e Robinson Matos (bateria). A faixa fará parte de um novo álbum de Lô Borges que está em fase de produção. Que venha logo, pois sua música é sempre um bálsamo para a nossa alma.

Muito Além do Fim– Lô Borges e Paulinho Moska:

Aline Calixto divulga outra faixa do DVD gravado ao vivo em BH

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Por Fabian Chacur

Em 2009, Aline Calixto lançou o seu primeiro e autointitulado álbum. Desde então, a carioca radicada há muito em Belo Horizonte (MG) se consolidou como uma das grandes sambistas deste país, com o lançamento de mais três álbuns- Flor Morena (2011), Meu Ziriguidum (2015) e Serpente (2017). Para celebrar essa década na estrada, ela em breve lançará um DVD gravado ao vivo, cuja primeira amostra foi Dona do Pedaço (ouça aqui).

Agora, chega a vez de Flor Morena, seu maior sucesso, faixa-título de seu segundo CD e parte integrante da trilha sonora da novela global Fina Estampa. Mais uma vez, o carisma de Aline, acompanhada por uma banda liderada pelo craque Thiago Delegado, cativa, com participação ativa da plateia presente à rua Sapucaí, no Centro de BH, onde o show foi gravado, em 2018.

O repertório do DVD traz 16 músicas, que se dividem entre faixas de seus álbuns anteriores, uma inédita e releituras. Temos as participações especiais da saudosa Beth Carvalho e também do brilhante Monarco ao lado da Velha Guarda da Portela. Pela qualidade das amostras, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos dos últimos tempos da música popular brasileira.

Leia mais sobre Aline Calixto aqui.

Flor Morena (ao vivo)- Aline Calixto:

Keith Richards lança single de vinil para o Record Store Day

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Por Fabian Chacur

Será realizada neste sábado (24) uma nova edição do Record Store Day, evento criado há alguns anos na Inglaterra para valorizar as lojas de discos e também os lançamentos em vinil. São habituais lançamentos exclusivos para essas ocasiões. Desta vez, quem oferece um petisco saboroso para os colecionadores é Keith Richards. Trata-se de um single de vinil vermelho. Saiba mais sobre como adquirir o disco e sobre o evento aqui.

O compacto traz em seu lado A a faixa Hate It When You Leave, lançada originalmente em 1992 como parte integrante do segundo álbum solo de estúdio do guitarrista dos Rolling Stones, Main Offender, que embora elogiado pela crítica foi muito mal em termos comerciais, atingindo apenas o 99º posto na parada americana e o de nº 45 no Reino Unido.

Como forma de divulgar a canção, temos um novo videoclipe, dirigido por Jacques Naudé e exaltando os aspectos mais simples da vida familiar, com breves aparições de Richards. No lado B do single, foi incluído o cover do clássico do blues Key To The Highway (Charlie Segar e Big Bill Broonzy)), que só saiu anteriormente como faixa-bônus da edição japonesa em CD de Main Offender.

Hate It When You Leave (clipe)- Keith Richards:

Pelé celebra 80 anos gravando single com Rodrigo Y Gabriela

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Por Fabian Chacur

Em seus mais de 20 anos como atleta profissional, Pelé fez o suficiente para se consagrar como o eterno Rei do Futebol. Uma lenda que nunca será superada, com mais de mil gols marcados e tendo conquistado os mais importantes títulos que um jogador poderia almejar- e sempre mais de uma vez. Como forma de celebrar seus 80 anos de vida, o que ocorrerá na próxima sexta-feira (23), ele surpreende a todos com o lançamento nas plataformas digitais de Acredita no Véio (Listen To The Old Man), single gravado com os mexicanos Rodrigo Y Gabriela.

O envolvimento de Edson Arantes do Nascimento com a música se tornou folclórico, e inclui gravações com Elis Regina (um compacto de vinil em 1969 com as música Vexamão e Perdão Não Tem ), Jair Rodrigues e outros, além de uma hilariante música para uma campanha governamental, a célebre ABC, que sempre é lembrada quando o assunto é Pelé, o compositor.

Agora, no entanto, o craque da bola que não é exatamente um mestre da música nos apresenta uma faixa simplesmente irresistível, daquelas pragas que grudam em nossos ouvidos logo em sua primeira audição. A canção foi escrita em 2005, quando o Rei trabalhava com o tecladista, produtor e compositor Ruriá Duprat, e aguardava o momento de sair do baú. A inspiração é explicada por ele em texto enviado à imprensa:

“Escrevi essa porque quando eu jogava no Santos, o treinador falava que quando a gente perdia era nossa culpa, mas quando ganhávamos era a macumba que ajudou. A música brinca com isso – é claro, macumba não ganha nenhum jogo.”

O que deu consistência à história foi a participação de Rodrigo Y Gabriela, dupla mexicana de muito sucesso que em 2019 faturou um Grammy, o Oscar da música, com seu álbum Mettavolution. Tudo começou quando eles participaram de um álbum-tributo ao grande compositor Armando Manzanero, trabalho produzido pelo consagrado produtor Jorge Berlanga.

Rodrigo e Gabriela são fãs incondicionais de futebol, e ao saberem que Berlanga tinha uma longa amizade com Pelé, ficou no ar a possibilidade de uma parceria musical entre eles. E o resultado não podia ser sido melhor, com uma levada rítmica deliciosa aliada a uma letra bem divertida. As gravações foram feitas via internet, e os vocais do eterno camisa 10 do Santos e da Seleção Brasileira nunca soaram melhor. Acredite!

Para coroar a coisa toda, o clipe feito para divulgar a parceria é impecável e muito bem realizado, mesclando cenas de animação com alguns dos lances incríveis que Pelé protagonizou na Copa do Mundo de 1970 no México, para muitos o seu momento máximo no mundo da bola. A dupla mexicana dá a sua opinião sobre a parceria:

“Somos ambos grandes fãs de futebol. Quando crescemos na Cidade do México, ouvimos muitas histórias sobre Pelé e a lendária seleção brasileira que triunfou na Copa do Mundo de 1970 em nossa terra natal. Imagine nossa surpresa e alegria ao descobrir que Pelé não só é o maior jogador de futebol de todos os tempos, mas também é um cantor e compositor muito talentoso? É uma grande honra para nós colaborar com Pelé por ocasião do seu 80º aniversário.”

Acredita no Véio (clipe)- Pelé e Rodrigo Y Gabriela:

João Marcello Bôscoli realiza um talk show baseado em Elis e Eu

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Por Fabian Chacur

Em 2019, João Marcello Bôscoli lançou o livro Elis e Eu, baseado nos 11 anos, seis meses e 19 dias em que conviveu com a sua mãe, ninguém menos do que Elis Regina. Com boa repercussão, a publicação agora gera um novo projeto. Trata-se de um talk show, no qual o produtor, músico e executivo de gravadora nos mostra de forma audiovisual o conteúdo de sua obra. Ele estará em São Paulo no palco do Bourbon Street Music Club (rua dos Chanés, nº 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100) neste domingo (25) às 20h30, com ingressos custando de R$ 90,00 a R$ 100,00.

Embora tenha perdido a mãe quando ainda era criança, João Marcello guarda memórias bem interessantes do convívio com ela, o que ele mostrará em seu talk show com pouco mais de uma hora de duração valendo-se de trechos de vídeos, fotografias e objetos como forma de ilustrar essas recordações sobre uma das maiores cantoras não só da história da nossa música popular, como certamente do mundo como um todo. Inesquecível.

Em sua carreira, João Marcello Bôscoli foi o principal dirigente da gravadora Trama, da qual foi um dos fundadores, além de ter atuado em diversos projetos culturais relevantes. Ele também lançou o que definiu na época como um “disco de produtor”, o ótimo João Marcello Bôscoli (1995-Sony Music), que emplacou o swingado hit Flor do Futuro e contou com participações de Cláudio Zoli, Wilson Simoninha, Max de Castro e outros.

Flor do Futuro– João Marcello Bôscoli & Cia:

Kleiton & Kledir e MPB-4 gravam juntos a bela canção Paz e Amor

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Por Fabian Chacur

Kleiton & Kledir e o MPB-4 mantém há quatro longas décadas uma amizade que se mostra mais do que consolidada. Os irmãos gaúchos receberam grande apoio do consagrado grupo vocal no início de sua trajetória como dupla, fazendo shows com eles e inclusive compondo a canção que deu título a um dos álbuns de maior sucesso do quarteto, o inesquecível Vira Virou (1980). Essa parceria ganha um novo item, Paz e Amor, faixa distribuída nas plataformas digitais pela Biscoito Fino.

A composição dos irmãos Ramil traz como tema a esperança de que logo possamos viver tempos mais esperançosos e menos sombrios. Com acompanhamento basicamente acústico, traz arranjo de Kleiton para uma bela performance das seis vozes envolvidas. O clipe conta com direção de Tiago Arakilian, que vive atualmente em Paris e em cujo currículo figuram o filme Antes Que Eu Me Esqueça e a série internacional Kids And Glory.

Todas as imagens foram captadas por celulares, e mesclam imagens dos músicos participantes com imagens de fachadas, horizontes e do céu, com um resultado dos mais eficientes para ilustrar essa verdadeira profissão de fé na crença de que ainda vale a pena acreditar e pregar paz e amor.

Paz e Amor (videoclipe)- Kleiton & Kledir e MPB-4:

Pearl Jam lança música inédita em single e álbum beneficente

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Por Fabian Chacur

Sete meses após lançar Gigaton, seu primeiro álbum de inéditas em sete anos, o Pearl Jam se mostra com a inquietude habitual e nos oferece uma nova canção. Trata-se de Get It Back, um rock dos mais competentes, como é a praxe da banda americana liderada por Eddie Vedder. A música já está disponível nas plataformas digitais em geral, e sua origem é das mais nobres.

A faixa foi incluída na coletânea Good Music To Avert The Collapse Of American Democracy Volume 2, lançada no dia 2 de outubro, disponível por apenas 24 horas e com o objetivo de arrecadar fundos para o projeto Voting Rights Lab, cujo objetivo é garantir o direito de voto a todos os cidadãos dos EUA. O álbum também incluiu faixas inéditas de David Byrne, Mark Ronson, Feist, Arcade Fire e Yoko Ono Plastic Ono Band.

Get It Back– Pearl Jam:

Edna Wright, do Honey Cone, feminista sem perder o swing

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Por Fabian Chacur

Edna Wright nos deixou no último dia 12 de setembro, aos 76 anos. Em uma época na qual as mulheres lutam cada vez mais por seus direitos em um mundo ainda predominantemente machista, é sempre bem-vindo relembrar o trabalho de uma cantora e compositora que figura entre as pioneiras nessa direção, em termos musicais. A integrante do grupo Honey Cone e intérprete de poderosos libelos feministas como Want Ads não merece ser esquecida. Então, lá vamos nós, em uma viagem aos anos de ouro desta importante artista negra norte-americana.

Nascida em 1944, Edna é a irmã mais nova de outra cantora do primeiro escalão, Darlene Love, conhecida por seus trabalhos ao lado do produtor Phil Spector. Filha de um pastor evangélico, ela deu seus primeiros passos como cantora atuando em corais de igreja. Nessa área, fez parte do grupo gospel The COGIC (Church Of God In Christ). Com o apoio de Darlene, participou de trabalhos com Spector, e em 1964 foi a vocalista principal do single pop Yes Sir That’s My Baby, creditado a Haze And The Hushabyes, projeto que incluía Brian Wilson, Sonny & Cher e Jackie DeShannon.

Com o pseudônimo Sandy Wynns, a cantora lançou alguns singles entre 1965 e 1967, entre os quais um pequeno hit, A Touch Of Venus. Além disso, participou de gravações de Ray Charles, The Righteous Brothers e Johnny Rivers. Ela também eventualmente marcava presença no grupo vocal de sua irmã, The Blossoms, e fez amizade com outras duas cantoras, Shelly Clark, que foi uma das Ikettes de Ike & Tina Turner, e Carolyn Willis.

Em meados de 1968, Darlene Love não tinha como cumprir o compromisso de se apresentar no programa de TV do cantor Andy Williams, e pediu para que Edna a substituísse. Ela não só aceitou o convite como resolveu levar Shelly e Carolyn junto com ela. Um amigo de Edna, o famoso compositor Eddie Holland, conhecido pelas canções que escreveu ao lado do irmão Brian Holland e de Lamont Dozier para grupos como The Four Tops e The Supremes, viu a performance das meninas, e ficou entusiasmado.

Naquele momento, Holland-Dozier-Holland estavam saindo da Motown Records, onde trabalhavam, para montar seu próprio negócio, os selos Hot Wax e Invictus, e perceberam que as três garotas insinuantes e boas de voz poderiam ser as Supremes ou Martha And The Vandellas de seu novo empreendimento. Convite feito, convite aceito, mesmo que as meninas não tenham ficado muito contentes com o nome com que H-D-H batizaram o grupo: Honey Cone.

Como não podiam assinar novas músicas com seus nomes por causa de uma batalha jurídica com sua antiga empregadora, H-D-H passaram a usar como “laranja” o nome de um de seus colaboradores, Ronald Dunbar, em uma parceria de fachada com uma certa Edyth Wayne que na verdade não existia. Mas, embora o Honey Cone tenha gravado várias músicas de “Dunbar-Wayne”, foram outros os compositores que criaram os hits para o trio.

Um deles deles foi General Johnson, cantor de outro grupo da Hot Was-Invictus, o Chairman Of The Board, de hits como Give Me Just a Little More Time. Seu parceiro nessas canções, o músico Greg Perry, acabou virando o parceiro de vida de Edna, casando-se com ela. Absorvendo o clima feminista da época, eles criaram canções sacudidas com letras nas quais as meninas não se submetiam à tirania masculina, propondo relações afetivas mais justas.

O primeiro single do trio, While You’re Out Looking For Sugar, saiu em 1969, seguido pouco depois pelo álbum de estreia, Take Me With You (1970). A repercussão foi apenas mediana, mas a semente parecia promissora, e H-D-H sacaram que deviam continuar investindo nas meninas. Valeu a pena, e como!

Em 1971, o feminismo empoderado entrou com força total nas paradas de sucesso, e um dos precursores dessa nova vertente musical foi o single Want Ads (ouça aqui), do Honey Cone. Com seu balanço contagiante e uma letra que propunha colocar um anúncio nos classificados de jornal para encontrar substituto para um namorado vacilão, o single com essa faixa chegou ao número 1 na parada pop americana e também na de r&b, destronando nada menos do que Brown Sugar, dos Rolling Stones (simbólico demais!) e vendendo mais de um milhão de cópias.

Sweet Replies (1971), o álbum que traz Want Ads, atingiu o nº 137 entre os álbuns pop e nº 15 nos de r&b. Uma curiosidade: a marcante guitarra-base de Wants Ads foi gravada por um então adolescente Ray Parker Jr., que depois faria fama com o grupo Raydio e em carreira-solo (Ghostbusters e muito mais). Animada com o sucesso, a gravadora Hot Wax resolveu não perder tempo, partindo rapidamente para o lançamento de um novo LP.

Naquele mesmo 1971, Soulful Tapestry chegava às lojas, com faixas inéditas e trazendo os dois hits do trabalho anterior como faixas-bônus, Want Ads e The Day I Found Myself (chegou ao 23º lugar na parada pop, ouça aqui). O álbum chegou ao nº 72 na parada pop e ao 15º no chart de r&b.

Uma das inéditas bateu forte por lá e também aqui no Brasil. Trata-se de Stick Up, petardo dançante que liderou a parada de r&b e atingiu o 15º posto na parada pop, também ultrapassando a marca de um milhão de singles vendidos. Essa faixa e outra de Soulful Tapestry, Don’t Count Your Chickens (ouça aqui) foram incluídas na trilhas sonora internacional da novela global O Primeiro Amor (1972). Outro hit foi One Monkey Don’t Stop No Show Parts 1 & 2 (ouça aqui)

O céu era o limite para essas garotas incríveis? Infelizmente, não. Por problemas de administração, as gravadoras de H-D-H tiveram sérias dificuldades para repetir o sucesso dos lançamentos anteriores, e isso explica o fracasso do 4º álbum do Honey Cone, Love, Peace & Soul (1972), que não passou do nº 189 na parada pop e do nº 41 na de r&b, com o ótimo single Innocent ‘Til Proven Guilty (ouça aqui) fracassando nas paradas.

Aí, Carolyn Willis, insatisfeita com os rumos com o trio estava percorrendo naquele momento, preferiu sair fora. E, logo a seguir, Edna e Shelly decidiram dar um fim ao grupo, em 1973. Em 1976, a Hot Wax tentou reviver a marca Honey Cone com outras cantoras, entre elas Shanon Cash, mas o single lançado, Somebody Is Always Messing Up A Good Thing, foi ignorado pelo público, e essa tentativa ficou por aí.

Willis, que era a arranjadora vocal do grupo, participou do hit Get Closer, da dupla Seals & Crofts, participou das bandas de apoio de artistas do porte de Neil Diamond, Carly Simon e Boz Scaggs e gravou jingles para empresas de grande porte. Por sua vez, Shelly se casou em 1980 com Verdine White, baixista do Earth, Wind & Fire, e passou a trabalhar em produção de programas de TV e em empresas de assessoria de celebridades.

Em 1977, Edna Wright foi contratada pela gravadora RCA, e lançou seu primeiro (e, infelizmente, único) álbum solo, Oops! Here I Go Again (ouça aqui ). Nele, ela mostrou o seu lado compositora, escrevendo as sete canções em parcerias com o marido Greg e também com Angelo Bond e Terrance Harrison. O disco é bem legal, mas fracassou em termos comerciais. Sua espetacular faixa título é cultuada pelos fãs de r&b dançante, e foi resgatada em 2009 na maravilhosa coletânea Rare Groove- The Master Series, lançada pela Sony Music inclusive no Brasil. Ray Parker Jr. também participa deste álbum.

A partir dali, Edna largou mão da carreira individual e passou a trabalhar como vocalista de apoio, trabalhando com nomes do porte de U2, Whitney Houston, Aaron Neville, Kim Carnes, Cher, Mike Love (dos Beach Boys) e Annie Lennox, entre outros. Em 2014, Edna e Shelly Clark reviveram o Honey Cone, com Melody Perry (filha de Edna) na vaga de Carolyn, para dois shows durante o cruzeiro marítimo Soul Train Cruise.

A música do Honey Cone continuou e continua cultuada pelos fãs de r&b e soul, e foi sampleada por outros artistas em algumas ocasiões. Kanye West, por exemplo, sampleou Innocent ‘Til Proven Guilty para criar a sua composição Testify, que ele produziu para o astro do r&b Common em 2005. Edna faz uma rápida aparição no clipe que divulgou Testify.

Por sua vez, o grupo de hip hop De La Soul sampleou Oop! Here I Go Again, do único disco solo de Edna Wright, na sua música Pass The Plugs, faixa incluída no segundo álbum do trio, De La Soul Is Dead (1991).

Ao lado de Jean Knight, Betty Wright (que infelizmente também nos deixou este ano) e Freda Payne, Edna figura entre as pioneiras do som feminino “empoderado”, e não pode ser esquecida nem pelas feministas, nem por quem gosta de dançar e menos ainda pelos fãs de soul music.

Stick Up– Honey Cone:

Stevie Nicks lança single e clipe incentivando o americano a votar

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Por Fabian Chacur

A eleição presidencial americana de novembro poderá definir os rumos do mundo nos próximos quatro anos, sendo uma das mais importantes dos últimos tempos. Como por lá o voto é facultativo, uma das questões que se impõem é incentivar as pessoas a exercerem seu direito democrático. Esse é o objetivo de Show Them The Way, canção composta por Stevie Nicks em parceria com o produtor Greg Kurstin (trabalhou com Adele, Paul McCartney, Beck e inúmeros outros) que a cantora do Fleetwood Mac acaba de lançar.

O clipe, dirigido pelo consagrado diretor Cameron Crowe (Quase Famosos), traz uma reunião de imagens de líderes progressistas americanos desde a década de 1960, entre os quais Martin Luther King, Barack Obama e John F. Kennedy, com direito a registros dos protestos realizados este ano, além de algumas aparições de Stevie e cartazes com os dizeres “November Is Coming” e “Vote”.

A canção é um rock típico dessa grande cantora e compositora americana, e conta com as participações na parte instrumental do produtor Kurstin (baixo, teclados, guitarra e percussão), Dave Grohl (bateria, do Foo Fighters e Nirvana) e Dave Stewart (guitarra, ex-Eurythmics). Todos os lucros obtidos com o single serão doados à associação MusiCares, conhecida pelos shows beneficentes que promove homenageando grandes nomes da música.

Show Them The Way (clipe)- Stevie Nicks:

John Cale lança seu primeiro single inédito em quatro anos

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Por Fabian Chacur

Em meio a tantos obituários e notícias ruins, é de se comemorar o fato de John Cale, ex-Velvet Underground e um dos nomes mais importantes da história do rock, lançar o seu primeiro single em quatro anos. Aos 78 anos, o cantor, compositor e músico galês radicado desde os anos 1960 nos EUA nos oferece a densa Lazy Day, uma canção hipnótica divulgada por um envolvente videoclipe dirigido por Abby Portner.

Como muitos outros artistas, Cale foi pego de surpresa quando estava finalizando um novo álbum, ainda sem previsão de lançamento. Em comunicado enviado à imprensa, o artista explica a situação e fala sobre sua nova canção, desde já um dos lançamentos mais interessantes desse sombrio 2020:

“Eu estava tão pronto para finalmente lançar meu novo álbum; trancos e barrancos e então o maldito 2020 aconteceu! Muito a dizer nestes tempos ”, diz Cale. “O contexto é tudo e 140 caracteres não vão bastar! Como compositor, minha verdade está toda ligada a essas canções que devem esperar um pouco mais. E então me ocorreu que eu tenho algo para o momento, uma música que eu terminei recentemente… Com o mundo saindo de sua órbita, eu queria parar a guinada e desfrutar de um período em que podemos tomar nosso tempo e respirar nosso caminho de volta para um mundo mais calmo.”

Lazy Day (clipe)- John Cale:

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