Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Author: Fabian Chacur (page 1 of 96)

Musical One Night Of Tina chega ao nosso país em maio de 2020

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Por Fabian Chacur

Tina Turner completou 80 anos de idade recentemente (leia texto de Mondo Pop aqui). Longe dos palcos por opção própria, a cantora deixou saudades de suas incríveis performances nos palcos de todo o mundo. Como isso no momento não rola mais, um consolo pode ser ver o espetáculo britânico One Night Of Tina, que chegará ao Brasil em maio de 2020.

One Night Of Tina tem 90 minutos de duração, e durante eles o espectador terá a oportunidade de ouvir hits de todas as fases da carreira da estrela americana, como Nutbush City Limits, River Deep Mountain High, The Best, Private Dancer, We Don’t Need Another Hero e Goldeneye, entre outros, com direito a coreografias e figurinos representando detalhadamente cada período.

A direção do espetáculo ficou a cargo do britânico Gary Lloyd, que em sua carreira já trabalhou com Paul McCartney, Giorgio Moroder, Cliff Richard, Tom Jones e Robin Gibb em shows e clipes, e tem em seu extenso currículo de espetáculos musicais Thriller Live!, homenagem a Michael Jackson que vem sendo exibido nos palcos londrinos e de outros países há mais de dez anos.

A incumbida de representar Tina Turner em cena é a experiente e talentosa cantora e atriz britânica Sharon Ballard, que além de cantar muito bem tem uma certa semelhança com a diva pop. Ela é conhecida por sua participação em musicais teatrais e também como atriz em séries televisivas com Sherlock. Um de seus marcos foi participar de um show com vários artistas importantes no qual fez duetos com Bill Medley (ex-Righteous Brothers) e o saudoso Peabo Bryson (conhecido por seus duetos com Roberta Flack).

Datas da Tour Brasil ONE NIGHT OF TINA

28 de Maio de 2020 São Paulo – Brasil Espaco das Américas

29 de Maio de 2020 Rio de Janeiro – Brasil Vivo Rio

30 de Maio de 2020 Belo Horizonte – Brasil Teatro Palácio das Artes

31 de Maio de 2020 Porto Alegre Teatro Bourbon Country

Veja trechos do show One Night Of Tina:

Fernando Noronha lança filme sobre o blues com evento em SP

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Por Fabian Chacur

O blues possui seguidores fiéis e criativos no Brasil. Um deles é o excelente cantor guitarrista e compositor Fernando Noronha, que inclusive é contratado de um selo americano, pelo qual lançou seu oitavo e mais recente álbum, Time Keeps Rolling. E esta gravadora ianque, a Wordhaus Music, está lançando um documentário estrelado por nosso conterrâneo, Highway 61: de Chicago a Nova Orleans. A exibição do filme ocorrerá em São Paulo em evento nesta quinta-feira (5) às 21h no Bourbon Street Music Club (rua dos Chanés, nº 194- Moema- fone 0xx11-5095-6100), com ingressos custando R$ 45,00.

A noitada promete ser das melhores, pois também incluirá um showcase com artistas da gravadora sediada em Austin, Texas, uma das capitais mundiais do blues. Além de Noronha, que será acompanhado pela Black Soul Brasil, teremos em cena a americana Myla Hardie (que também é a CEO da Wordhaus Music), Anamoli (Argentina), Gustavo Chaise (Brasil) e Pata de Elefante (Brasil).

Highway 61: de Chicago a New Orleans flagra Fernando Noronha fazendo uma viagem pela estrada que também é conhecida como Blues Highway. Através dela e partindo de Chicago, visita locais icônicos da história do blues em cidades como St. Louis, Memphis, Clarksdale, Houston e Nova Orleans, onde encerra a jornada chegando em pleno Mardi Gras, o carnaval à moda norte-americana.

Em sua rica trajetória artística que já ultrapassa os 20 anos de duração, além de ter lançado oito álbuns, Fernando trabalhou com ícones do porte de B.B. King, Chuck Berry e Buddy Guy, entre outros.

O evento no Bourbon Street faz parte da 7ª edição da Semana Internacional da Música de São Paulo (SIM São Paulo), que será realizada de 4 a 8 de dezembro na cidade com direito a painéis, reuniões, encontros, coqueteis e mais de 400 apresentações ao vivo em mais de 45 palcos de SP, tendo como base de operações o adorável Centro Cultural São Paulo.

Veja o trailer de Highway 61 de Chicago a Nova Orleans:

Chico Chico lança versão voz e violão do hit Maria Bethânia

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Por Fabian Chacur

O Chicão cresceu, assumiu o nome artístico de Chico Chico e tem mostrado que não nega seu DNA. Para quem não se lembra, ele é filho de dois saudosos nomes da nossa música, a grande Cássia Eller e o também brilhante baixista Tavinho Fialho. Seu mais recente lançamento é uma releitura de Maria Bethânia, clássico do repertório de Caetano Veloso de 1971, com clipe já disponibilizado nas plataformas digitais.

No melhor estilo voz e violão de cordas de aço, Chico Chico imprime à belíssima canção em inglês, lançada em um sublime álbum que Caetano gravou durante seu exílio na Inglaterra e uma espécie de carta musical à sua irmã, uma forte acentuação de blues, com resultado bastante interessante.

A regravação faz parte do projeto Vale a Pena Gravar de Novo, que celebra os 20 anos do selo fonográfico Astronauta e traz releituras de clássicos da nossa música. A idealização, produção e direção artística ficaram a cargo de Leonardo Rivera, com engenharia de áudio de Pedro Garcia. As gravações ocorreram no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, no estúdio Cantos do Trilho.

Com 26 anos de idade, Chico Chico apareceu com destaque durante o show de sua mãe no Rock In Rio em 2001, durante a incendiária releitura que ela fez de Smells Like Teen Spirit, sugestão do garoto, por sinal. Desde 2015 com o novo nome, ele participou de discos de Ana Cañas e Gastão Villeroy.

Além disso, participou dos grupos 2×0 Vargem Alta, com a qual lançou em 2015 um álbum autointitulado, e mais recentemente do 13.7. Ele voltou ao Rock In Rio em outubro deste ano, no espaço Ford, marcou presença em show ao lado de integrantes das bandas Fresno, NX Zero, Cachorro Grande e Vanguart, cantando músicas como Sujeito de Sorte, de Belchior, e Lithium, do Nirvana.

Maria Bethânia (clipe)- Chico Chico:

Isso É Amor, do Ira!, é relançado em vinil 180 gramas e fita cassete

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Por Fabian Chacur

Uma quantidade significativa dos recentes relançamentos em vinil se concentra em trabalhos já anteriormente lançados nesse formato. Isto É Amor, do Ira!, que a Polysom estará disponibilizando em LP de 180 gramas e também em fita cassete, foge desse perfil, pois saiu em 1999, quando os discos chegavam ao mercado brasileiro exclusivamente em CD, que atualmente vive uma espécie de ostracismo temporário em alguns desses projetos de resgate de grandes álbuns. Uma pena.

Como foi concebido para a duração bem maior de tempo proporcionada pelos compact discs, Isso É Amor contém quase 50 minutos de conteúdo musical. Como forma de viabilizar uma edição em vinil sem prejudicar a qualidade técnica, a Polysom optou por oferecer o LP com 12 faixas, sendo que as duas faixas restantes do formato original aparecem em um compacto simples de vinil que será vendido junto com o “bolachão”.

Isso É Amor flagra o grupo então integrado por Nasi (vocal), Edgard Scandurra (guitarra e vocal), Ricardo Gaspa (baixo) e André Jung (bateria) relendo canções alheias. As faixas que tiveram maior repercussão do CD, na época lançado pela hoje extinta Abril Music, foram Telefone (hit da Gang 90), com participação de Fernanda Takai, e Bebendo Vinho (de Wander Wildner).

Outros momentos bacanas deste trabalho do grupo paulistano são Jorge Maravilha, rock bissexto de Chico Buarque, Teorema (da Legião Urbana de Renato Russo) e Um Girassol da Cor do Seu Cabelo (Lô e Márcio Borges), esta última com participação especial de Samuel Rosa, do Skank. O título do álbum foi extraído do refrão da música Telefone, o maior hit da Gang 90 do saudoso Julio Barroso.

Ouça Isto É Amor em streaming:

Victor Biglione Trio faz um show nesta sexta (29) no Rio de Janeiro

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Por Fabian Chacur

O formato trio é um dos mais desafiadores para os músicos de jazz, blues, rock etc. Nele, os músicos ficam mais expostos, e precisam mostrar muito jogo de cintura para conseguir dar conta da demanda. Isso, no entanto, é sopa para o Victor Biglione Trio, liderado pelo cantor e guitarrista Victor Biglione, um dos grandes nomes do instrumento por aqui. Ele e seus parceiros tocam no Rio de Janeiro nesta sexta (29) às 19h no Centro Cultural dos Correios (rua Visconde de Itaboraí, nº 20- Candelária-RJ- fone 0xx21-2253-1580), com ingressos a R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira).

Nascido na Argentina e radicado há muito no Brasil, onde se naturalizou, Victor possui um currículo invejável, como os leitores de Mondo Pop tiveram a oportunidade de conferir quando da resenha de seu mais recente álbum, o excelente Classic Rocks From Brazil (leia aqui).

Ao lado desta fera da guitarra, temos dois músicos à altura do desafio de acompanhá-lo. O baixista Jorge Pescara é também diretor musical, professor e autor de livros e uma videoaula didática sobre o instrumento, além de ter tocado e gravado com nomes como Ithamara Koorax, Eumir Deodato e Ney Matogrosso, entre outros. Ele lançou recentemente seu 3º álbum solo, o ótimo Grooves In The Eden, nos formatos CD e digital.

Autodidata, o baterista e percussionista Fábio Cezanne tem 25 anos de estrada, com atuação em diversos grupos. Além de tocar com Biglione desde 2017, ele também participa como percussionista dos corais Popcoro e de Nova Iguaçu, e do grupo progressivo Knight Prog, este último ao lado de Jorge Pescara.

No repertório do show desta sexta (29), teremos quatro clássicos de Jimi Hendrix- Little Wing, Voodoo Child, Foxy Lady e Red House e também maravilhas do naipe de Take Five (Paul Desmond, hit máximo do grupo de Dave Brubeck), Status (Billy Cobham) e Soul Sacrifice (Santana).

Voodoo Child (live)- Victor Biglione Trio:

Humberto Gessinger esbanja personalidade em novo álbum

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Por Fabian Chacur

Participei, em 1986, do que deve ter sido a primeira entrevista coletiva da carreira dos Engenheiros do Hawaii, realizada na denominada “sala de lazer” da gravadora BMG, em São Paulo. O grupo divulgava seu álbum de estreia, Longe Demais das Capitais. Tenho fotos do evento, por sinal. O que mais me chamou a atenção, na época, foi o vocalista e então guitarrista da banda, um certo Humberto Gessinger, citar entre as suas principais influências Pink Floyd e Rush.

Não fazia sentido, se levássemos em conta a sonoridade pop-rock, com elementos de ska, que aquele primeiro trabalho revelava, com os hits Toda Forma de Poder, Sopa de Letrinhas e Longe Demais das Capitais. Estaria ele brincando com os jornalistas, ou mesmo dando a entender de que gostava de uma coisa, mas fazia outra na hora do trabalho? Ficou a dúvida no ar.

Que se encerrou de forma categórica no ano seguinte (1987), com o lançamento de A Revolta dos Dândis, segundo LP do trio que agora trazia Humberto no baixo e vocal, Carlos Maltz ainda na bateria e o jovem veterano Augusto Licks na guitarra, substituindo o baixista Marcelo Pitz. Ali, essas fontes se mostravam de forma cristalina, em uma mistura de rock progressivo, folk e pop-rock ousada e personalizada e temperada por letras inteligentes.

Desde então, muita água passou por debaixo da ponte. Mudaram formatos de se comercializar música, mudaram as gravadoras (muitas acabaram, na verdade), mudaram estilos, mudaram ídolos… Humberto Gessinger, no entanto, manteve-se fiel ao universo musical que escolheu para si, seja como líder dos Engenheiros do Hawaii, integrante do duo Pouca Vogal ou, a partir de 2013, como artista-solo.

Não Vejo a Hora, que a gravadora Deck disponibilizou em CD, LP de vinil, fita cassete e nas plataformas digitais, é o segundo álbum de estúdio completo que Gessinger lança nos últimos seis anos, sucedendo Insular (2013). Nesse meio-tempo, nos ofereceu singles e trabalhos ao vivo bem bacanas, além de shows lotados pelos quatro cantos do país.

Este novo álbum traz onze canções, sendo cinco só dele e seis assinadas com os parceiros Tavares, Felipe Rotta, Nando Peters (duas), Bebeto Alves (um dos monstros sagrados do rock gaúcho) e Duca Leindecker (do grupo Cidadão Quem e parceiro de Humberto no Poca Vogal).

Em oito, atua o power trio integrado por Gessinger (vocal, teclados e baixo), Felipe Rotta (guitarra) e Rafael Bisogno (bateria), e em três, estão em cena Gessinger (viola caipira, violão e voz), Nando Peters (baixo) e Paulinho Goulart (acordeon), com abordagem acústica. Duas formações coesas e certeiras.

Para quem procura novidades escandalosas ou novos rumos sonoros, Não Vejo a Hora pode soar como um “mais do mesmo”, ou “variações sobre um mesmo tema”. E é mesmo, pois o ex-líder dos Engenheiros do Hawaii não abre mão de seus conceitos musicais e poéticos (a tal de “zona de conforto”) neste álbum. E quer saber? Ele está absolutamente certo nessa opção.

Nem sempre mudar de rumo significa algo bom ou positivo em termos artísticos. Aliás, com uma certa frequência, pode gerar frutos nada interessantes, especialmente se a motivação levar em conta objetivos comerciais ou mesmo de tentar agradar a crítica especializada. Convicção e personalidade são elementos muito importantes para quaisquer profissionais, e estão entre os grandes méritos do autor de Infinita Highway.

Atuar dentro de um mesmo universo sonoro não significa, no entanto, necessariamente se repetir de forma tediosa e sem imaginação. Não Vejo a Hora é uma prova disso. Nele, Humberto Gessinger se vale de suas armas habituais com muita inspiração, inteligência e sutileza.

A forma como Gessinger compõe se vale de colagens, bricolagens, citações de outros autores, aproveitamento de elementos poéticos e musicais de obras próprias ou alheias e observações do cotidiano e existenciais. Tem muito parentesco com o estilo de Belchior, que por sinal é citado na deliciosa Estranho Fetiche, prima-irmã de Fetiche Estranho, deste mesmo trabalho.

O cantor, compositor e músico gaúcho demonstra um profundo respeito ao seu público, e isso aparece nas sutilezas que cada faixa nos oferece. Audições repetidas nos levam a observar novos detalhes. Nada parece ser por acaso.

Partiu, por exemplo, que abre o disco, dialoga com Missão, sua faixa de encerramento, nessa perspectiva de seguir em frente, sempre, apesar dos pesares. A vida é assim, e só nos resta encará-la da melhor forma possível.

Um Dia de Cada Vez dá outro toque simples, que é de tentar encarar cada problema no seu tempo, um por vez, sem querer abraçar o mundo com os braços, além de observar que “a cada dia sua agonia, seus prazeres também”.

Bem a Fim, com sua sonoridade acústica, traz como grande sacada os versos “a highway to hell faz a curva e vai pro céu quando a resposta vem do outro lado alguém dizendo que está tudo bem”. Viva as parcerias!

Algum Algoritmo é uma divertida divagação sobre um relacionamento afetivo improvável, que no entanto se firma mesmo assim: “somos muito diferentes, improvável par, algoritmo algum ousaria nos ligar”.

Calma em Estocolmo aborda os turbulentos tempos dos dias atuais, repletos de incertezas que Humberto ressalta bem em versos como “o preço da pressa atropela a tua timeline, atrás do troll elétrico só não cai quem já morreu”.

O clima soturno de vigilância totalitária no melhor estilo 1984, de George Orwell, pontua Olhou Pro Lado, Viu.

As canções acústicas e irmãs Fetiche Estranho e Estranho Fetiche trazem como mote os versos “tudo depende da hora, fruto, semente e flor, mas o sonho de mudar o mundo, ao menos muda o sonhador”. Bem por aí: muitos deixam de sonhar, mas outros tantos pegam o bastão e seguem adiante nessas esperanças utópicas, mas necessárias. E mudam, no fim das contas.

Maioral é a minha favorita do álbum, um belo tapa com luva de pelica na cara de quem se acha o máximo, o dono da cocada preta, ou, enfim, o maioral, com versos sensacionais como “um dinossauro e uma ficha telefônica tem o mesmo tamanho pois agora tanto faz, não faz sentido pensar que é o maioral”.

Outro Nada é mais um biscoito fino sonoro escrito por Humberto em parceria com o genial Bebeto Alves, e outro petardo, prova de que não estranharei se em um futuro próximo os dois gravarem um disco juntos. Missão, da dobradinha Gessinger-Leindecker, fecha a tampa arredondando o conceito inicial.

Em termos sonoros, temos canções melódicas, simples e muito bem concatenadas, interpretadas por um cara que está cantando melhor do que nunca, a caminho de completar 56 anos no dia 24 de dezembro. Sabe valorizar cada palavra e o timbre agradável de sua voz, jogando sempre a favor de cada faixa. Craque, é assim que se define alguém assim?

Não Vejo a Hora é uma profissão de fé no formato álbum, pois suas canções podem perfeitamente ser curtidas individualmente, mas fazem muito mais sentido se ouvidas na sequência que nos é oferecida aqui. Um trabalho sólido de um artista que merece ser levado a sério.

Ouça Não Vejo a Hora em streaming:

Tina Turner, os 80 anos de uma rainha da música pop mundial

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Por Fabian Chacur

É infalível. Toda vez que ouço a bela introdução da música What’s Love Got To Do With It as lágrimas começam a brotar dos meus olhos. Tem a ver com a emotividade que herdei da minha saudosa mãe, mas também pode ser explicado pelo significado dessa incrível canção escrita por Terry Britten e Graham Lyle. Ela marca o momento em que Tina Turner, em 1984, atingiu o primeiro lugar na parada americana de singles e sacramentou uma das mais espetaculares voltas por cima da história da música.

Aos 45 anos de idade na época, essa verdadeira guerreira superava quase dez anos de uma luta intensa para recuperar sua relevância no cenário da música, após sair literalmente sem nada de um turbulento casamento musical e pessoal com o talentoso, mas detestável e truculento Ike Turner, com quem conviveu por quase duas décadas. O que essa mulher sofreu nas mãos desse sujeitinho ultrapassa os limites do humanamente suportável.

Mas Anna Mae Bullock, que neste 26 de novembro de 2019 completa 80 anos de idade, não só suportou como teve a coragem de dar um basta naquela situação. Além do lado pessoal, também tinha a ditadura musical, que o marido barra pesada lhe impunha. Tudo bem, ele foi muito importante para que aquela jovem e ingênua garota de Nutbush, Tennessee, conseguisse aparecer com sucesso no cenário da música, no finalzinho dos anos 1950.

Com shows eletrizantes e gravações valorizadas por sua voz potente, Ike & Tina Turner se tornaram uma das atrações mais empolgantes do circuito da soul music nos anos 1960. No entanto, a partir da segunda metade dos anos 1960, o formato de seus shows e gravações foi ficando mais padronizado, e só mesmo a incrível energia da cantora conseguia atrair as atenções do público.

Percebendo esse potencial imenso e mal utilizado, o genial produtor Phil Spector propôs trabalhar com Tina em um trabalho-solo, que Ike autorizou sem muita convicção. O resultado foi a incrível River Deep Mountain High (1966), uma das grandes gravações protagonizadas por ela. A repercussão abaixo do esperado no mercado americano deu uma arrefecida nessa promissora carreira-solo.

Até 1976, Ike & Tina Turner tiveram bons momentos em termos de shows e discos, mas não é de se estranhar que o maior sucesso desse período tenha sido uma impressionante releitura de Proud Mary, do Creedence Clearwater Revival. Tina queria ter a liberdade de cantar o que quisesse. E essa liberdade veio quando a violência de Ike tomou proporções tamanhas que só restou à artista sair fora, com a roupa do corpo e não muito mais.

Demorou um pouco para conseguir um rumo, mas contou com a ajuda de amigos famosos como os Rolling Stones e Rod Stewart, para quem abriu shows. A entrada em sua vida do empresário Roger Davies, no início de 1980, marcou o momento em que as coisas começaram a se encaminhar de forma positiva. E, em 1984, enfim aquele projeto de megadiva do rock se concretizou. E veio com tudo, para tirar o atraso com juros e correção monetária sonora.

A partir de então, todos sabem o que aconteceu. Novos hits, como Private Dancer, Typical Male, Paradise Is Here e dezenas de outros, milhões de discos vendidos, shows em estádios pelos quatro cantos do mundo (Brasil inclusive, com direito a Pacaembu e Maracanã lotados, em 1988) e as pernas mais elogiadas da cena pop como uma espécie de bônus em meio a tanto talento artístico e musical.

Tina Turner virou um dos exemplos mais fortes do poder da mulher, e de como a violência doméstica em relações afetivas é um câncer que precisa ser combatido de forma veemente. Ela sofreu, mas sobreviveu, e colheu os mais belos frutos. Nada mais merecido. Viva essa maravilhosa Acid Queen! Tudo de bom pra ela, sempre. E que venham novas lágrimas ao ouvir What’s Love Got To Do With It. São lágrimas de felicidade e admiração!

What’s Love Got To Do With It (clipe)- Tina Turner:

The Yardbirds versão atual virá ao Brasil para shows em 2020

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Por Fabian Chacur

Em matéria publicada pelo jornal Destak no dia 22 (sexta), o jornalista José Norberto Flesch anunciou que em março de 2020 o grupo britânico The Yardbirds fará alguns shows no Brasil, cujas datas e locais serão divulgados em breve. Como o cara é o mais bem informado nessa praia de divulgação de shows internacionais por aqui, é notícia quente. E que merece ser saudada com aquela velha brincadeira do “um lado ruim e um lado bom”.

O aspecto ruim é evidente: não estamos em 1965 ou 1966, quando os Yarbdirds viviam o seu auge em termos criativos. Da formação daqueles tempos, só sobrou o baterista, Jim McCarthy. Ou seja, estaremos diante de uma espécie de banda cover de luxo. Mas o bacana é que se trata de uma bela de uma banda cover de luxo, pois traz com o batera quatro músicos com um pedigree dos mais decentes.

Estão hoje ao lado de McCarthy os músicos Kenny Aaronson (baixo), John Idan (guitarra-base e vocal), Myke Scavone (vocal e vários instrumentos) e Godfrey Townsend (guitarra-solo).

Sendo assim, Mondo Pop fará uma pequena viagem pela trajetória dessa seminal banda britânica, que se fez bem menos sucesso comercial do que contemporâneas como Beatles, Rolling Stones, The Who, The Hollies e The Animals, deixou sua marca registrada nos compêndios da história do rock.

Sensação em Londres com Eric Clapton na guitarra

Tudo começou em 1963, quando Keith Relf (vocal), Chris Dreja (guitarra-base), Paul Samwell-Smith (baixo) e Jim McCarthy (bateria) iniciaram uma banda para embarcar na onda do blues-rock que incendiava a cena britânica naqueles tempos. Seu guitarrista inicial, Anthony Top Topham, com apenas 16 anos, logo se mostrou imaturo para tocar o barco, e saiu para se dedicar aos estudos.

O substituto, apenas dois anos mais velho mas muito disposto a encarar a carreira na música, foi um certo Eric Clapton. Com este novo guitarrista-solo, a banda logo se tornou quente na cena londrina, a ponto de ter sido escolhida para acompanhar o bluesman americano Sonny Boy Willianson em show feito por ele no final de 1963 na Inglaterra. Esta apresentação foi gravada e lançada posteriormente, quando o quinteto já estava bem badalado.

Em 1965, após ter lançado alguns singles e um álbum ao vivo, os Yardbirds resolveram experimentar algo fora do universo do blues rock. O single For Your Love, de autoria de Graham Goldman (também autor de Bus Stop, hit na época com os Hollies, e nos anos 1970 integrante do grupo 10CC, do sucesso I’m Not In Love) rapidamente invadiu as paradas de sucessos, mas levou Clapton a sair do time, insatisfeito com essas experiências com o lado mais pop do rock.

Jeff Beck, hits, psicodelia

Para a vaga aberta de guitarrista-solo, veio outro nome que se tornaria lendário no rock, ninguém menos do que Jeff Beck. Foi com ele que os Yardbirds viveram a sua fase mais criativa e de maior sucesso comercial, com direito a hits como Heart Full Of Soul e Evil Hearted You (ambas também de Graham Goldman) e também The Train Kept a Rollin’ e Shapes Of Things.

Com sua mistura de rock, blues, pop e psicodelia, a banda trazia como marca registrada o chamado “rave up”, estilo no qual os integrantes da banda enfatizavam (todos ao mesmo tempo) a parte rítmica em determinadas partes das canções, gerando um efeito poderoso, especialmente nos shows.

A criatividade de Jeff Beck elevou os Yardbirds a um outro e ainda mais alto patamar do que nos bons tempos de Clapton. A banda foi uma das pioneiras do rock psicodélico, e muito disso se deve às experiências de Beck com pedais e efeitos em sua guitarra, além de uma técnica impressionante e diversificada.

Outra mudança na formação, outro astro em cena

Cansado das turnês, Paul Samwell-Smith saiu do grupo em meados de 1966 para se dedicar a uma carreira como produtor de discos de artistas como Cat Stevens, Jethro Tull e All About Eve, entre outros. Em seu lugar, entrou um músico de estúdio que estava se destacando em Londres, um certo Jimmy Page.

Logo, ficou claro que seria um desperdício ter um guitarrista daqueles quebrando o galho no baixo, e então, Chris Dreja foi deslocado para tal posição, ficando os Yardbirds com dois guitarristas-solo, Page e Beck. Essa formação infelizmente não durou muito tempo, e ficou eternizada na gravação ao vivo de Stroll On (na verdade, The Train Kept a Rollin’ com outra letra) que virou cena do cultuado filme Blow Up-Depois Daquele Beijo (1967), do cineasta italiano Michelangelo Antonioni.

Jeff Beck decidiu sair fora para criar sua própria banda, The Jeff Beck Group, ao lado de dois novatos que depois também se tornariam astros do rock, o cantor Rod Stewart e o baixista e guitarrista Ron Wood. Os Yardbirds, a partir daquele momento, se tornaram um quarteto.

Jimmy Page, o início do Led Zeppelin e o fim dos Yardbirds

Os Yardbirds tiveram uma fase muito curta com Jimmy Page no comando, entre 1967 e 1968, com poucos lançamentos e sucesso comercial declinando bastante. Sentindo o clima de fim de feira, Jim McCarthy e Keith Relf saíram da banda, para criar o embrião do que viria a ser o grupo progressivo Renaissance.

Por sua vez, Chris Dreja decidiu abandonar a música para se dedicar a uma carreira como fotógrafo profissional. Praticamente da noite para o dia, Jimmy Page, que largou a carreira de músico de estúdio para se dedicar à banda, ficava na mão. Sorte que ele, rapidamente, soube arregimentar um novo time.

Para o baixo, chamou o colega de gravações de estúdio, John Paul Jones. O jovem vocalista Robert Plant foi indicado por um amigo, e o baterista John Bonham já havia tocado antes com Plant. Surgia o que, por razões contratuais, seria denominado The New Yardbirds, e pouco depois, seguindo sugestão de Keith Moon, do The Who, virou Led Zeppelin. Que, ironicamente, conseguiu o sucesso comercial que os Yardbirds jamais sequer sonharam em obter.

Curiosamente, a foto do Led Zeppelin incluída na contracapa de seu autointitulado álbum de estreia, lançado em janeiro de 1969 e rapidamente um grande sucesso comercial, foi tirada pelo agora fotógrafo Chris Dreja.

A vida pós-Yardbirds e uma reunião com novo nome

Após o seu fim, os Yardbirds se tornaram aquele tipo de grupo mais lembrado pelos músicos que revelou do que propriamente pela qualidade de sua música, algo injusto. A probabilidade de um retorno, levando-se em conta esse fator, parecia difícil, pois seus ex-integrantes aparentemente sequer cogitariam isso.

Outro fator que poderia encerrar quaisquer perspectivas de um retorno do grupo ocorreu em 1976, com a trágica morte de Keith Relf, aos 33 anos de idade, vítima de um choque elétrico quando tocava guitarra em sua casa.

Em 1984, no entanto, Jim McCarthy, Chris Dreja e Paul Samwell-Smith resolveram matar as saudades e se reunir com um novo nome, Box Of Frogs. Essa banda lançou dois álbuns, Box Of Frogs (1984) e Strange Land (1986), com alguns shows, mas a falta de tempo de Samwell-Smith se mostrou fatal para a sua continuidade. Eric Clapton e Jeff Beck chegaram a dar canjas com eles.

Hall da Fama e o retorno nos anos 1990

Quando os Yardbirds foram incluídos no Rock And Roll Hall Of Fame, em 1992, ficou claro para Jim McCarthy e Chris Dreja que, quem sabe, ressuscitar sua antiga banda pudesse se tornar uma boa forma de faturar uma grana e pagar os boletos bancários. Sem Page, Clapton, Beck e o saudoso Relf, obviamente, mas com um nome atraente e comercialmente muito viável.

O primeiro nome a se firmar nessa nova formação foi o cantor e guitarrista americano John Idan. Ele conheceu Jim McCarthy em 1988, e tocou com ele e também com Anthony Top Topham. Inicialmente, atuou como cantor e baixista, função que manteve entre 1994 e 2008. Após um período durante o qual se dedicou a projetos próprios, Idan retornou ao grupo em 2015, desta vez como vocalista e guitarrista-base.

No mesmo 2015, mas em sua parte final, entrou no time nos vocais e vários instrumentos o americano Myke Scavone. Ele se tornou famoso como integrante da banda Ram Jam, que em 1977 estourou com a releitura de Black Betty, clássico do compositor folk Lead Belly.

No final de 2018, os Yardbirds ganharam em sua nova fase uma outra adição. Trata-se do guitarrista americano Godfrey Townsend, que tem no currículo trabalhos com John Entwistle (do The Who), Jack Bruce, Alan Parsons, Todd Rundgren, Mark Farner (do Grand Funk Railroad) e Christopher Cross.

Vale a lembrança: Chris Dreja permaneceu nessa nova fase dos Yardbirds de 1994 a 2012, quando saiu de uma vez por todas, deixando Jim McCarthy como único membro original a permanecer no time.

Kenny Aaronson merece um capítulo à parte

Se Jim McCarthy é o único integrante original dos Yardbirds a marcar presença na atual encarnação do grupo (e também o único inglês, vale lembrar), o baixista americano Kenny Aaronson, na banda desde 2015, é o cidadão com o currículo mais invejável, em seus mais de 40 anos de atuação como músico profissional.

Aaronson iniciou a sua carreira como baixista da banda de hard rock Dust, cujos álbuns Dust (1971) e Hard Attack (1972), embora não tenham feito enorme sucesso em termos comerciais, são bastante apreciados pelos fãs do gênero, em especial o trabalho de estreia.

Seu primeiro momento de glória no mundo do rock se deu em 1973, como integrante da banda americana Stories. Eles estouraram em seu país natal com uma releitura matadora de Brother Louie, dos britânicos Hot Chocolate, balada soul-rock na qual a linha de baixo proeminente de Aaronson é um dos pontos seminais deste hit que atingiu o topo da parada ianque de singles naquele ano.

No final de 1974, Aaronson saiu dos Stories e entrou na banda de apoio de Daryl Hall & John Oates, com quem ficou por volta de um ano, durante a turnê de divulgação do mais controvertido álbum da dupla, War Babies (1974), sendo que em algumas ocasiões eles abriram shows para Lou Reed, acredite se quiser.

Em 1986, ele participou do álbum The Knife Feels Like Justice, primeiro álbum-solo do cantor e guitarrista dos Stray Cats, Brian Setzer, e também participou da turnê de divulgação deste trabalho.

De 1991 a 1995, acompanhou a roqueira Joan Jett em diversas turnês e participou do CD Pure And Simple (1994). De quebra, também esteve na banda de Bob Dylan entre 1988 e 1989, e fez um teste para substituir Bill Wyman nos Rolling Stones em 1994. Ufa!

O que ouvir em termos de Yardbirds

A discografia dos Yardbirds de sua fase 1963-1968 é bastante confusa, com direito a discos lançados exclusivamente nos mercados americano e britânico, com faixas variando de uns para outros. O melhor para quem deseja mergulhar no rico universo musical na banda é optar por coletâneas.

Em sua fase pós 1994, o grupo lançou em 2003 o álbum de estúdio Birdland, com sete composições inéditas e oito releituras de hits da banda, contando com as participações especiais de Jeff Beck, Steve Lukather, Brian May, Joe Satriani, Slash, Steve Vai e Jeff Skunk Baxter. A faixa An Original Man (A Song For Keith) é uma bela homenagem ao ex-vocalista do grupo, Keith Relf.

The Train Kept a Rollin’– The Yardbirds:

Dia da Consciência Negra, dia da celebração a guerreiros geniais

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Por Fabian Chacur

“Porque Dia da Consciência Negra, e não Dia da Consciência Humana?” Você certamente já ouviu alguém aparecer com esse argumento, sempre que o dia 20 de novembro está próximo. Como em inúmeras situações análogas, a origem dessa ideia pode até não ser mal intencionada, pode até tentar pregar uma “união de todas as raças” ou coisa do gênero. Mas, no fim das contas, é uma ideia péssima. Lamentável. Se bem que, sejamos sinceros, Dia da Consciência Negra deveria ser não só hoje, mas amanhã, depois de amanhã… Sempre, sempre, sempre!

A dívida que o Brasil tem com os afrodescendentes é do tamanho de uma galáxia, e teve início de forma deprimente. Afinal de contas, tente imaginar algo pior do que ser tirado à força de seu lugar de origem, perder sua liberdade, ser enviado para o outro lado do oceano nas piores condições possíveis e, ao chegar, ter de servir a pessoas de temperamento péssimo, gananciosas e incapazes de ter qualquer noção de dignidade e empatia em relação ao outro.

De passar séculos sendo humilhado, usado como mercadoria de terceira qualidade, fazendo o serviço que ninguém queria fazer, alimentando-se mal e tendo como perspectiva de vida subsistir, se tanto. O que poderia se esperar de pessoas tratadas dessa forma aviltante durante tanto tempo? Rigorosamente nada de bom. No entanto, essas pessoas deram em troca ao país em que foram obrigados a viver um tesouro inestimável.

Dá para imaginar como teria sido o Brasil se os afrodescendentes não tivessem aportado por aqui? Sua presença forte e criativa se espalhou para todos os setores deste país, com ênfase na parte cultural. Nossa identidade cultural e o melhor de nossa produção nessa área tem forte sotaque negro. A miscigenação também ajudou a moldar o brasileiro, que se tornou um povo capaz de driblar as piores condições humanas e culturais, sempre.

No icônico filme Queimada, do diretor italiano Gilo Pontecorvo e lançado há exatos 60 anos, o personagem William Walker (vivido de forma esplêndida por Marlon Brando) se torna uma espécie de conselheiro de um líder popular que comanda uma revolução, tomando o poder. E um de seus conselhos parece muito coerente com o que ocorreu por aqui, no dia 13 de maio de 1888.

“Dê aos escravos a liberdade. Será a melhor alternativa. Como escravo, você é obrigado a sustentá-los, a dar a eles um lar. Como trabalhador, basta pagar um salário, e ele que se vire”. Parece com algo que você já viu por aqui? Ou melhor, vê até hoje, mais de um século após a tal da libertação dos escravos?

Mas, insisto em ressaltar, os afrodescendentes não se transformaram no que poderiam ter sido, de forma até compreensível, vale dizer. Tipo assassinos cruéis, seres violentos dispostos a se vingar de qualquer jeito dos brancos opressores. No geral, o negro no Brasil nos ofereceu os mais comoventes e inspiradores exemplos de superação, de criatividade, de dignidade e superação.

Em um dia como o de hoje, penso mais do que nunca nos incríveis Cartola, Dona Ivone Lara, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Racionais MC’s, Tim Maia, Tony Tornado, Clemente (dos Inocentes), Elza Soares, Pelé, Milton Santos, Jair Rodrigues, Seu Jorge, os fundadores do Olodum, Jairzinho, Luiz Pereira, Nei Lopes, Luis Gama, Milton Gonçalves… Ah, essa lista vai longe, muito longe e muito além da minha tacanha capacidade de reconhecimento.

Sim, hoje é o Dia da Consciência Negra, e se nunca conseguiremos saldar o nosso saldo negativo em relação a essa gente tão maravilhosa, o que nos resta é não só louvar a sua cultura, como, e principalmente, tratá-los com o respeito, admiração e dignidade que tanto merecem. Viva o afrodescendente brasileiro!

Texto dedicado a Oswaldo Faustino, meu mestre e uma das pessoas mais sábias e generosas com quem tive a honra de conviver nesses meus 58 anos de vida!

Sorriso Negro– Dona Ivone Lara:

Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro lança um álbum autoral

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Por Fabian Chacur

A sanfona é um dos instrumentos musicais que melhor se inseriu na cultura popular brasileira, não só marcando presença com destaque em vários estilos da nossa rica musicalidade como também ampliando com frequência essa participação. Um bom exemplo é o fato de termos uma orquestra de sanfonas em pleno Rio de Janeiro, reduto máximo do samba. É a Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro, que lança um novo CD com show neste sábado (23) às 19h30 no Teatro Rival (rua Álvaro Ramos, nº 33-37- Centro- fone 0xx21-2240-4469), com ingressos a R$ 35,00 (meia) e R$ 70,00 (inteira).

A Orquestra Sanfônica do Rio Janeiro foi criada e tem como maestro Marcelo Caldi, um dos músicos de maior prestígio neste instrumento cuja trajetória traz diversos trabalhos individuais e também parcerias com músicos do gabarito de Hamilton de Holanda, Maurício Carrilho e Silvério Pontes. Ele também é conhecido como educador, e criou um método próprio de ensinar a tocar sanfona que envolve um esforço coletivo.

Criada em 2015, a orquestra liderada por Caldi conta com 15 sanfoneiros, 3 cantores, 2 percussionistas, um baixista e um rabequeiro, oriundos do Rio e também do Maranhão, Rio Grande do Sul, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Vários dos sanfoneiros entraram no cenário musical como discípulos do maestro, e desde o início uma das práticas é a realização de aulas semanais.

Nesses quatro anos, a Sanfônica já realizou homenagens a Jackson do Pandeiro, Pixinguinha e Luiz Gonzaga, e se apresentou em teatros e ao ar livre em diversas ocasiões, sempre com boa repercussão por parte do público.

O novo CD traz 15 composições autorais e inéditas, algumas de Caldi em parceria com integrantes da orquestra como Yeda Maranhão, Rodrigo Bis, Roberto Kauffmann e Alberto Magalhães e outras com os consagrados Silvério Pontes e Chico Salles. A sonoridade se divide entre baião, xote, maxixe, choro, valsa e quadrilha, só para citar algumas vertentes da música brasileira seguidas por Caldi e seus afiados discípulos.

Lembrei do Ceará (ao vivo)- Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro:

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