Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Author: Fabian Chacur (page 1 of 139)

Gonna Take a Miracle- Laura Nyro and Labelle (CBS, 1971)

laura nyro gonna take a miracle

Por Fabian Chacur

Em 1971, Laura Nyro era uma jovem veterana. Aos 24 anos de idade, já tinha no currículo quatro excelentes álbuns, repletos de composições inéditas de grande originalidade e apelo pop. Algumas dessas canções, como Wedding Bell Blues, Stoned Soul Picnic, And When I Die, Eli’s Comin’ e Save The Country, atingiram os 1ºs postos das paradas de sucesso com intérpretes do naipe de Barbra Streisand, The Fifth Dimension, Blood Sweat And Tears e inúmeros outros.

Ao intercalar, durante os shows que realizou em 1970, músicas de outros autores em seu repertório autoral, sentiu a boa reação por parte de seus fãs e resolveu encarar o desafio de gravar um álbum completo com material alheio.

Selecionou 11 canções (duas delas interpretadas no formato pot-pourry), lançadas entre 1954 e 1970 e abordando basicamente o universo dos grupos vocais de soul, especialmente aqueles oriundos ou inspirados no doo wop, valendo-se de vocalizações em alguns momentos derivadas do scat singing do jazz e também dos improvisos apaixonados do gospel.

A ideia era ousada, pois aquele tipo de música estava meio que deixado de lado naquele momento, e provavelmente nem todos haviam percebido que aquelas belas e de certo modo ingênuas canções de amor se tornariam grande clássicos pop com o decorrer dos anos. Para dar contornos ainda mais potentes ao trabalho, Laura não poderia ter sido mais feliz ao escolher duas parcerias decisivas para tornar Gonna Take a Miracle, o álbum em questão, um clássico.

Para a produção, a cantora e compositora escolheu uma promissora dupla radicada na Filadélfia que em breve invadiria as paradas de sucesso produzindo e compondo músicas para artistas icônicos como Billy Paul, The O’Jays, Harold Melvin And The Blue Notes e tantos outros. Kenny Gamble e Leon Huff escalaram um elenco de craques para acompanhar o piano swingado de Laura, entre os quais destacam-se Jim Helmer (bateria), Norman Harris e Roland Chambers (guitarra) e Ronnie Baker (baixo), além dos arranjos de metais e cordas a cargo de Tom Bell, Lenny Pakula e Robert Martin.

A cereja do bolo ficou a cargo da participação do grupo feminino Labelle. Na ativa desde meados dos anos 1960, inicialmente como Patti LaBelle & The Blue Belles, o trio vocal incluía as cantora Patti LaBelle, Nona Hendryx e Sarah Dash. Excelentes cantoras, elas incorporavam de forma intensa o formato dos girl groups do final dos anos 1950 e início dos anos 1960, e se encaixaram feito luva no projeto. Também com muita fome de bola, pois elas só estourariam em 1974 com o megahit Lady Marmalade. Aproveitaram e bem a vitrine.

Das 11 músicas, três vieram do repertório do efervescente grupo feminino da Motown Records Martha & The Vandellas. Sem desrespeitar as melodias originais, Laura, Labelle e os músicos souberam trazer aquelas canções maravilhosas para o contexto do álbum e dar a elas uma nova roupagem, uma nova assinatura, com direito a improvisos, aceleração dos ritmos em alguns momentos e muita alma nas interpretações. Laura Nyro sempre foi uma branca de alma negra, no melhor sentido que essa expressão possa ter.

Afinal de contas, o início da carreira daquela moça oriunda de Nova York foi precisamente cantando com grupos vocais, a capella (só vocais), nas esquinas daquela cidade, perto de estações de trem. Isso explica o porque a faixa que abre o álbum vai só no gogó até um minuto e pouco, uma bela reverência a essa época mágica. Mas vamos a uma análise faixa a faixa, com informações e tudo o mais.

I Met Him On a Sunday (S.Owens- D.Coley- A. Harris- B. Lee)- Gravada em 1958 pelas Shirelles.

O álbum tem início com uma faixa que vai até a metade a capella, e já entrega logo de cara o entrosamento entre Laura e as meninas do Labelle.

The Bells (I. Bristol- G. Gaye- M. Gaye- E. Stover)- Gravada em 1970 pelos The Originals.

Uma arrepiante balada gospel, faixa mais recente do repertório, mas com uma inspiração claramente extraída daquelas canções do final dos anos 1950.

Monkey Time (Curtis Mayfield)/ Dancing In The Street (W. Stevenson- M. Gaye- I. Hunter)- Gravadas respectivamente por Major Lance em 1963 e por Martha & The Vandellas em 1964.

No formato pot-pourry, foram unidas duas canções hiper pra cima. O resultado é de tirar o fôlego, especialmente em sua parte final, com Laura e suas meninas dialogando com muito swing.

Desiree (L. Cooper- C. Johnson)- Gravada por The Charts em 1957.

Uma balada delicada, na qual Laura esbanja sensibilidade e doçura.

You’ve Really Got a Hold On Me (W. Robinson)- Gravada por Smokey Robinson & The Miracles em 1962 e pelos Beatles em 1963.

Aqui, Laura Nyro, Labelle e os músicos fazem uma verdadeira façanha, que é fazer frente a duas gravações brilhantes feitas anteriormente. A performance do time todo, especialmente na parte final, em uma aceleração de ritmo e improvisação vocal empolgantes, é de aplaudir de pé.

Spanish Harlem (J. Leiber- P. Spector)- Gravada por Ben E. King em 1960.

Pausa para outro momento mais lento, mas com sensualidade latina que se encaixa feito luva na letra.

Jimmy Mack (B. Holland- L. Dozier- E. Holland)- Gravada por Martha & The Vandellas em 1967.

Releitura repleta de pura energia que não fica nada a dever à clássica versão original do grupo vocal liderado pela grande Martha Reeves, uma das grandes cantoras reveladas pela Motown Records.

The Wind (N. Strong- B. Edwards- W. Hunter- Q. Ewbanks- J. Gutierrez)- Gravada por Nolan Strong & The Diablos (1954).

Tem um clima etéreo, de sonho mesmo, é a mais antiga das canções escolhidas por Laura, e simplesmente encantadora.

Nowhere To Run (B. Holland- L. Dozier- E. Holland)- Gravada em 1965 por Martha & The Vandellas.

Mais um petardo do repertório de Marta & The Vandellas que Laura e sua turma da pesada releem com uma garra absurda. Difícil alguém ouvir essa gravação e não começar a dançar e a bater palmas para acompanhar. A performance dos músicos aqui também merece destaque, especialmente a do baixista Ronnie Baker.

It’s Gonna Take a Miracle (T. Randazzo- B.Weinstein- L. Stallman)- Gravada por The Royalettes em 1965 e Deniece Williams em 1976.

O álbum é encerrado por uma canção romântica daquelas de arrepiar, que deixa o ouvinte com aquele gostinho de quero mais ao concluir a audição desses pouco mais de 33 minutos de mero prazer auditivo.

Não muito tempo após o lançamento de Gonna Take a Miracle, que atingiu o nº 46 na parada pop americana, Laura se casou com o carpinteiro e veterano da Guerra do Vietnã David Bianchini. Só teríamos um novo álbum dela em 1976, quando seu casamento já havia se encerrado. Entre idas e vindas, ela se manteve na ativa até 1997, quando nos deixou precocemente, aos 49 anos, vítima de um câncer de ovário, lamentavelmente a mesma razão e a mesma idade em que sua mãe a deixou, nos anos 1970.

Ouça Gonna Take a Miracle- Laura Nyro And Labelle em streaming:

Placebo lança Beautiful James, primeiro single após cinco anos

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Por Fabian Chacur

Foram cinco anos sem material inédito do Placebo. Esse período se encerrou nesta sexta (17) com a divulgação nas plataformas digitais de Beautiful James, um rock melódico com tempero eletrônico no qual Brian Molko (vocal e guitarra) e Stefan Olsdal (baixo e guitarra) se mostram mais afiados do que nunca. Ainda não se sabe se teremos um novo álbum em breve ou coisa que o valha, mas o duo britânico nos deixa animados.

Inspirado nos tempos atuais sem cair na tentação de comentar temas mais específicos, o novo single do duo britânico é explicado por Molko em declaração divulgada em press release endereçado à imprensa: “Se a música serve para irritar os quadrados e os tensos, que seja alegre. Mas continua sendo imperativo para mim que cada ouvinte descubra sua própria história pessoal dentro dela – eu realmente não quero dizer a você como se sentir. ”

Com mais de 25 anos de estrada, o Placebo se firmou como um dos mais consistentes grupos do rock britânico dito alternativo, emplacando cinco de seus álbuns no Top 10 da parada britânica e fazendo shows nos quatro cantos do mundo, Brasil incluso. Isso, além de colaborações bacanas com nomes do porte de David Bowie, Robert Smith (The Cure), Alison Mosshart e Michael Stipe (R.E.M.), sempre com uma sonoridade vigorosa, soturna e com elementos pop.

Beautiful James– Placebo:

Antonio Adolfo mergulha em Jobim de um jeito todo seu

antonio adolfo jobim forever

Por Fabian Chacur

Antonio Adolfo teve o privilégio de iniciar a sua brilhante carreira como músico nos anos 1960, quando o Brasil vivia uma efervescência musical acompanhada com muito prazer por seu próprio povo e também no exterior. Nesse contexto, a bossa nova era um dos principais caminhos, e nele, havia um Maestro Soberano, um certo Tom Jobim. Que não só o inspirou como também se tornou um amigo querido. E agora chega a vez de homenagear esse grande craque. Aliás, caso típico de um craque homenageando o outro: Jobim Forever (AAM Music), já disponível nas plataformas digitais e em CD.

Antes de iniciar a análise do trabalho em si, valem algumas palavrinhas introdutórias. Já li e ouvi por aí muitas restrições em relação a novas releituras da obra de Tom Jobim, especialmente quando engloba momentos mais conhecidos de seu maravilhoso songbook. Sim, muita gente já bebeu nessa fonte. E daí? Cada novo trabalho lançado com este repertório merece ser analisado de forma individual, deixando de lado preconceitos. E, neste caso aqui, estamos a anos luz de uma abordagem conservadora, diluída ou mesmo conformista-comercial. O sarrafo é bem alto.

Aos bem vividos 74 anos de idade (vale lembrar que Jobim nos deixou em 1994, aos 67 anos), Antonio Adolfo esbanja vitalidade, criatividade e produtividade, lançando novos trabalhos em períodos relativamente curtos e sempre buscando oferecer ao seu ouvinte um produto artístico de primeiríssima qualidade. E não seria justo com músicas de um dos artistas que mais o influenciaram que ele deixaria essa peteca ir ao chão.

Novamente acompanhado por uma banda integrada por craques do gabarito de Lula Galvão (guitarra), Jorge Helder (contrabaixo), Paulo Braga (bateria), Rafael Barata (bateria), Jessé Sadoc (trumpete e flugelhorn), Danilo Sinna (sax alto), Marcelo Martins (sax tenor e soprano e flauta), Rafael Rocha (trombone), Dada Costa (percussão) e Zé Renato (vocais em A Felicidade), Antonio pilota seu piano com a fluência habitual, com direito àqueles timbres maravilhosos que o caracterizam e um swing que só quem tem muito talento e ama o que faz pode nos oferecer com tanta categoria.

Os arranjos são de uma inspiração ímpar, e seguem um padrão com cara jazzística, pois nos apresentam as melodias originais com muita categoria e depois abrem espaços para que os diversos instrumentos envolvidos deem seus recados, em uma coesão perfeita e explorando elementos presentes nas composições e os expandido com uma fluência simplesmente impressionante. Toda essa criatividade, vale registrar, a serviço dos nossos ouvidos, pois Jobim Forever é daqueles discos que fluem deliciosamente a cada nova audição.

O repertório traz nove faixas, sendo oito delas composições lançadas dos anos 1960 e uma nos 1950. Certamente Antonio Adolfo mergulha nos seus anos formativos, relendo músicas que provavelmente tocou nos bares da vida e com suas bandas daqueles mágicos anos 1960 e 1970. Entre outras, temos aqui The Girl From Ipanema, Wave, A Felicidade e Estrada do Sol, tocadas com uma excelência e inspiração incomparáveis.

Tom Jobim foi certamente um dos grandes nomes da história da música brasileira e mundial, e uma das suas marcas era uma generosidade e humildade impressionantes. Consigo imaginar o sorriso que ele abriria ao ouvir esse álbum, uma obra-prima que está liderando há semanas a parada da revista americana JazzWeek. Certamente iria render um bom papo entre esses dois gênios, regado a belas reminiscências, uisquinho e chopes. O título deste álbum é simples, e diz tudo. Mas vou além: Antonio Adolfo Forever!

Garota de Ipanema (clipe)- Antonio Adolfo:

Fickle Friends mergulha no som de Prince em seu novo single

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Por Fabian Chacur

Dá para seguir o som de um determinado artista como inspiração e fugir de uma cópia diluída ou meramente caricata? Pois o grupo britânico Fickle Friends se meteu a encarar esse desafio, valendo-se de elementos sonoros imediatamente ligados ao trabalho do grande e saudoso Prince nos anos 1980. E não é que eles se deram bem? Love You To Death, o single criado pelo quarteto sob esses parâmetros, é uma delícia. Ele fará parte do 2º álbum deles, Are We Gonna Be Alright?, que será lançado no dia 14 de janeiro de 2022.

Na estrada desde 2013, o Fickle Friends é integrado por Natassja Shiner (vocal, teclados), Jack Wilson (teclados, guitarra, vocais, samples e programações), Jack Harry Herring (baixo e vocais) e Sam Morris (bateria). Eles fizeram inúmeros shows no Reino Unido e Europa antes de lançar seu álbum de estreia, You Are Someone Else (2018), que atingiu o 9º lugar na parada britânica. Sobre o novo single, Natassja nos dá alguns detalhes:

Love You To Death é pura diversão. Foi tão maneiro explorar esse novo lado Prince dos Fickle Friends! A música é tão simples e nos deu muito espaço para enlouquecer um pouco com a guitarra e os vocais de apoio. Acho que todo membro da família e seu vizinho canta isso! É uma música sobre amar tanto alguém que você pode até matá-lo. Estou muito impressionada com o quanto posso sentir às vezes, como se fosse demais na maior parte do tempo. É daí que vem essa música.”

Love Yo To Death– Fickle Friends:

Dion, lenda viva, lançará álbum com convidados do 1º escalão

Dion Stomping Ground

Dion Stomping Ground

Por Fabian Chacur

Em meio a tantas notícias ruins e a tantos artistas maravilhosos nos deixando, é fantástico poder divulgar novidades positivas de um dos grandes nomes do rock and roll. Trata-se do grande Dion, que aos 82 anos continua ativo e produtivo. Ele acaba de divulgar o clipe de Take It Back, e anuncia o lançamento de um novo álbum, Stomping Ground, que será lançado em 5 de novembro em CD simples, LP duplo de vinil e nas plataformas digitais. Outra faixa já havia sido divulgada com clipe, I’ve Got To Get To You (veja aqui).

Com 14 faixas, sendo apenas uma não inédita, o clássico Red House (de Jimi Hendrix), e na sua maioria composições do próprio Dion DiMucci em parceria com Mike Aquilina, Stomping Ground flagra o artista ao lado de grandes nomes de várias gerações do rock e do blues, entre os quais Bruce Springsteen, Patti Scialfa, Boz Scaggs, Rickie Lee Jones, G.E. Smith, Joe Bonamassa e Keb’ Mo, com o texto incluído no encarte (liner notes) escrito por ninguém menos do que Pete Townshend, um dos inúmeros fãs célebres do artista americano.

As duas faixas já disponibilizadas, ambas excelentes, são blues elétricos e sacudidos, e não é surpresa o fato de o lançamento ser feito pela KTBA Records, selo ligado à fundação Keep The Blues Alive, criada por Joe Bonamassa para manter o blues mais firme e forte do que nunca. Por sinal, esta gravadora teve como primeiro lançamento o disco anterior de Dion, Blues With My Friends (2020), com participações de Paul Simon, Jeff Beck e Bruce Springsteen.

Na ativa desde 1957, Dion fez sua fama inicialmente com o grupo vocal Dion And The Belmonts, embarcando posteriormente em uma brilhante carreira-solo. Sua mistura do rock inicial com o doo-wop mostrou-se original e impactante, gerando hits como A Teenager In Love, I Wonder Why, Runaround Sue, The Wanderer e Abraham Martin And John, só para citar alguns, até o fim dos anos 1960.

Desde então, se não visitou mais as paradas de sucesso, manteve-se ativo e gravando ótimos álbuns (alguns de música cristã), entre os quais o excelente Yo Frankie (1989), com participações de Bryan Adams, Lou Reed, Paul Simon, k.d. Lang e Patty Smith. Em 24 de março de 2022, estreará em Millburn, New Jersey (EUA) o musical The Wanderer, inspirado em sua bela trajetória musical.

Eis as faixas de Stomping Ground:

Take It Back– with Joe Bonamassa
Hey Diddle Diddle– with G.E. Smith
Dancing Girl– with Mark Knopfler
If You Wanna Rock ‘n’ Roll– with Eric Clapton
There Was A Time– with Peter Frampton
Cryin’ Shame– with Sonny Landreth
The Night Is Young– with Joe Menza and Wayne Hood
That’s What The Doctor Said– with Steve Conn
My Stomping Ground– with Billy F Gibbons
Angel In the Alleyways– with Patti Scialfa and Bruce Springsteen
I’ve Got To Get To You– with Boz Scaggs, Joe Menza and Mike Menza
Red House– with Keb’ Mo’
I Got My Eyes On You Baby– with Marcia Ball and Jimmy Vivino
I’ve Been Watching– with Rickie Lee Jones and Wayne Hood

Take It Back (clipe)- Dion e Joe Bonamassa:

Lana Del Rey divulga clipe e lançará mais um álbum em 2021

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Por Fabian Chacur

Lana Del Rey é uma das artistas mais produtivas da sua geração. Desde o lançamento de seu autointitulado álbum de estreia em 2010, a cantora e compositora americana não tem deixado seus inúmeros fãs sem material novo por um prazo muito grande. Desta vez, então, ela caprichou na encomenda. Em 19 de março, a moça de cabelos longos lançou com sucesso o álbum Chemtrails Over The Country Club. Agora, surpreendendo a muitos, anuncia outro, Blue Banisters, para o dia 22 de outubro, em vários formatos físico e nas plataformas digitais. O clipe de mais uma de suas faixas, a bela e melancólica Arcadia, acaba de ser disponibilizado.

Além de Arcadia, cujo clipe introspectivo tem tudo a ver com o momento atual vivido por todos nós, já tivemos três outras faixas do que será o 8º álbum de estúdio de Lana devidamente disponibilizadas nas plataformas digitais: Wildflower Wildfire, Blue Banisters e Text Book.

Com visual fortemente inspirado nos anos 1950 e 1960 e explorando sonoridades mais sofisticadas e densas daquele período, a cantora americana surpreende pelo fato de conseguir um resultado comercial excelente com seus álbuns, sendo que cinco deles atingiram o topo da parada britânica e dois nos EUA, sendo que todos (com a exceção do 1º, lançado de forma independente) atingiram ao menos o nº3 nas paradas de sucesso citadas.

Eis as faixas de Blue Banisters:

1. Textbook

2. Blue Banisters

3. Arcadia

4. Interlude – The Trio

5. Black Bathing Suit

6. If You Lie Down With Me

7. Beautiful

8. Violets for Roses

9. Dealer

10. Thunder

11. Wildflower Wildfire

12. Nectar of the Gods

13. Living Legend

14. Cherry Blossom

15. Sweet Carolina

Arcadia (clipe)- Lana Del Rey:

James Blunt lançará coletânea com hits e inéditas em novembro

james blunt coletanea 2021

Por Fabian Chacur

Desde o estouro de You’re Beautiful, em 2004, o cantor, compositor e músico britânico James Blunt construiu uma trajetória repleta daquilo que é essencial para um artista digno de nota: boas canções. Sem apelar nem inventar muita coisa, ele sempre se mostrou capaz de nos proporcionar melodias e letras simples, mas inventivas o suficiente para envolver-nos de forma positiva. No dia 19 de novembro, Blunt lançará Stars Beneath My Feet (2004-2021), coletânea com 30 faixas incluindo hits e algumas novidades para os fãs.

Temos aqui quatro gravações inéditas. Love Under Pressure, ótima canção melódica e dançante composta por ele em parceria com o astro pop britânico Jack Savoretti, é a primeira delas a ser divulgada, e traz uma boa expectativa em relação às outras três, intituladas Unstoppable, Adrenaline e I Came For Love.

Outras quatro faixas são gravações ao vivo, entre elas Coz I Love You, registrada em uma performance de Blunt no mitológico festival de Glastonbury, no Reino Unido, um dos maiores do mundo.

Para quem, por ventura, ainda acredita ser James Blunt um one hit wonder (maravilha de um sucesso só), vale registrar que ele emplacou todos os seus seis álbuns no Top 10 britânico (sendo dois na 1ª posição) e quatro no Top 20 americano, além de ter vendido mais de 23 milhões de álbuns em todo mundo e vencido duas vezes os badalados Brit Awards e Ivor Novello Awards.

Eis as faixas de The Stars Beneath My Feet (2004-2021):

1. Love Under Pressure
2. 1973
3. Wisemen
4. Same Mistake
5. You’re Beautiful
6. Monsters
7. Tears And Rain
8. Bonfire Heart
9. I Really Want You (live in New York)
10. The Truth
11. Heart To Heart
12. Champions
13. Postcards
14. No Bravery (live in London)
15. Adrenaline
16. Smoke Signals
17. Unstoppable
18. Goodbye My Lover
19. Coz I Love You (live at Glastonbury)
20. So Long, Jimmy
21. Carry You Home
22. The Greatest
23. High
24. Don’t Give Me Those Eyes
25. OK
26. Stay The Night
27. Bartender
28. Cold
29. Where Is My Mind? (live in Paris)
30. I Came For Love

Love Under Pressure (lyric video)- James Blunt:

Baccara perde Maria Mendiola, 69 anos, integrante original

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Por Fabian Chacur

Um dos destaques da trilha sonora da novela global Espelho Mágico (1977) foi a faixa disco Yes Sir I Can Boogie. Esse hit, que atingiu o 1º posto em 14 paradas europeias na época, incluindo a do Reino Unido, marcou a efusiva estreia do duo Baccara. Neste domingo (12), foi divulgado em um perfil do Instagram que a cantora e dançarina espanhola Maria Mendiola, única integrante da dupla original na formação atual, infelizmente nos deixou aos 69 anos em Madrid, de causa não revelada.

Nascida em 4 de abril de 1952, Maria Mendiola trabalhava como dançarina em uma emissora de TV espanhola ao lado de Mayte Mateos (nascida em 7 de fevereiro de 1951) quando sugeriu à amiga que elas poderiam se dar bem cantando em dupla músicas dançantes. Seus caminhos se cruzaram com o do produtor Leon Dane, que trabalhava para a filial alemã da gravadora RCA e viu potencial nas duas. Não demorou para que elas fossem contratadas.

Com produção musical e composições a cargo dos alemães Frank Dostal e Rolf Soja, as espanholitas, agora se valendo do nome Baccara, gravaram um primeiro single em 1977. E logo de cara, a canção em foco, Yes Sir I Can Boogie, as levou a invadir as paradas europeias com sua levada disco com tempero latino e um jeitão de pop sensual e ingênuo. Deu tão certo que estourou também no Brasil, na gravação original delas e na divertida versão em português interpretada pela paraguaia Perla com o peculiar título Eu Sei Tudo Professor.

Essa faixa foi o carro-chefe do autointitulado álbum de estreia do Baccara, lançado no final de 1977. Outra canção desse álbum conseguiu boa repercussão nas paradas de sucesso, a também dançante e muito caliente Sorry I’m a Lady. Nas apresentações ao vivo, a marca registrada das moças era Mendiola de vestido branco e Mayte de preto, além das coreografias.

O 2º álbum do duo, Light My Fire (1978), trouxe como destaque um longo pot-pourry com quase 12 minutos reunindo mais uma composição de Dostal/Soja, Baby Why Don’t You Reach Out?, com a célebre Light My Fire, canção mais popular da carreira do The Doors. Releituras de La Bamba (Ritchie Valens) e Yummy Yummy Yummy (Ohio Express) também marcaram presença, mas o álbum vendeu pouco em relação ao anterior.

Outra tentativa, no mesmo ano, foi participar do festival Eurovision defendendo Luxemburgo com a canção Parlez-Vous Français?, que atingiu o 7º lugar na competição e também marcou presença no LP Light My Fire.

Após mais dois álbuns sem grande repercussão (Colours– 1979 e Bad Boys-1981), as duas integrantes do Baccara resolveram seguir caminhos distintos, ambas tentando se valer do nome Baccara e competindo intensamente pelos antigos fãs. No fim das contas, foi Maria Mendiola quem se deu melhor, e conseguiu sucesso (embora muito menor do que os antes) com faixas como Call Me Up, Fantasy Boy e Touch Me.

Após a saída de Mayte Mateos, Maria Mendiola teve a seu lado Marisa Perez (de 1985 a 2008), sua sobrinha Laura Mendiola (de 2008 a 2011) e Cristina Sevilla, outra amiga dos tempos de TV espanhola e que chegou a integrar a versão Baccara de Mayte nos anos 1980. E foi precisamente Sevilla quem anunciou, no Instagram, a morte da colega de dupla, ocorrida neste sábado (11) em Madrid.

Yes Sir I Can Boogie ganhou sobrevida desde os tempos da disco music graças a releituras de Sophie Ellis-Bextor, The Fratellis e Goldfrap, além de ter sido usada de forma informal como uma espécie de hino da seleção de futebol da Escócia durante a Euro 2020.

Yes Sir I Can Boogie (clipe)- Baccara:

Kika Malk e Renan Rodrix gravam bela canção com Bruno Gouveia

kika renan bruno- CREDITO Faab Santos

Por Fabian Chacur

O romantismo é o tema básico do trabalho da dupla Kika Malk e Renan Rodrix. Mas não qualquer romantismo. Eles mostram atitude e intenções realmente artísticas naquilo que fazem. E possuem um aval mais do que poderoso, o de Ney Matogrosso, espécie de mentor do casal que opina até na escolha de seu repertório. Após lançar o belo single-clipe Raro (veja aqui), eles nos oferecem outra faixa bem bacana, Pra Chamar de Amor.

A nova e envolvente canção conta com a participação especial de Bruno Gouveia, cantor do Biquini Cavadão, e o resultado da parceria não poderia ter sido melhor. A produção ficou a cargo do experiente músico Nani Dias, e o clipe registra as gravações em um estúdio carioca.

A dupla lançará ainda este ano o álbum Capítulo de 2, com faixas produzidas por Nani e também Felipe Cambraia, Jorge Valladão André Valle e Aurélio Kauffmann. Renan, que foi apresentado ao cenário musical pelo grande e saudoso Ezequiel Neves, jornalista mitológico e produtor do Barão Vermelho e de Cazuza, também promete para outubro o livro DisparArte, contendo caras e poemas e com prefácio de George Israel (ex-integrante do Kid Abelha).

Pra Chamar de Amor (clipe)- Kika Malk e Renan Rodrix:

Otis Redding: há 80 anos, nascia uma lenda da música mundial

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Por Fabian Chacur

Monterey Pop (1968), fantástico documentário sobre o festival de Monterey realizado em 1967, é um dos registros máximos da música popular em todos os tempos. Dirigido pelo genial D.A. Pennebaker, traz inúmeros momentos marcantes. E um dos exponenciais fica por conta da participação de um sujeito que, se estivesse vivo, completaria nesta quinta-feira (9) 80 anos de idade. Otis Redding não viveu isso tudo, mas a música dele, sim, e permanecerá viva enquanto houver mundo e pessoas com sensibilidade capazes de captar toda a sua energia positiva.

Nascido em Dawson, Georgia (EUA) em 9 de setembro de 1941, Otis é mais um desses frutos maravilhosos cultivados nas igrejas americanas frequentadas pelos negros. Nelas, aquela fé intensa, fruto de tanto sofrimento e injustiças impetradas a eles no decorrer de décadas e mais décadas, tomou o formato de uma música feita para desabafar, para armazenar energias e para ajudá-los a enfrentar a dura realidade. Durante décadas, permaneceu naquele ambiente.

A partir principalmente da década de 1950, elementos do que se convencionou chamar de música gospel começaram a pular a cerca dos campos religiosos e se endereçar ao meio secular, gerando caras amarradas por parte dos pastores e fiéis radicais e muita excitação por parte de quem começou a ouvir esse filho bastardo, que logo ganhou o nome de soul music. Os pais são diversos, mas o máximo é provavelmente o imenso Ray Charles. E alguns nomes foram fundamentais na consolidação desse estilo musical.

Nem é preciso dizer que Otis Redding foi um deles. Seu período de gravações foi bem curto, entre 1960 e 1967, quando morreu em um acidente de avião, mais precisamente no dia 10 de dezembro de 1967. No entanto, seu legado é absolutamente fundamental, pois ele conseguiu como poucos unir a intensidade e a devoção da música gospel original com uma categoria absoluta no trato de melodias e letras dignos da melhor música pop.

Meu momento favorito da espetacular performance dele em Monterey, que gerou um documentário próprio do próprio Pennebaker, é quando ele afirma que vai dar uma acalmada no clima do show e cantar uma música mais lenta. No caso, a impressionante I’ve Been Loving You Too Long (To Stop Now), uma das mais intensas declarações de amor jamais transformadas em música e letra.

O desempenho de Redding é de deixar todo mundo resfolegante, tamanho o tsunami de energia oferecido pelo cantor. Ele domina completamente o palco, os músicos e o público, com direito a uma repetição em quatro tempos da paradinha clássica da música que simplesmente nos deixa incrédulos. “Não, esse cara não conseguiu fazer isso!”. Mas fez. E como fez! Quando acaba, a platéia se rende, vibrando, gritando, aplaudindo, ciente de que presenciou um momento histórico.

Shake, Try a Little Tenderness, Respect,Mr. Pitiful, a deliciosa (Sittin On) The Dock Of The Bay (esta lançada de forma póstuma), enfim, o legado deixado por ele em seus 26 anos de vida nos mostra que em determinados momentos a música pode ir além de mero entretenimento e se transformar em verdadeiro alimentador de almas, dando-nos força para seguir adiante. A música de Otis tem esse poder. Desfrute disso, sem contra-indicações.

I’ve Been Loving You Too Long (live in Monterey)- Otis Redding:

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