Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Author: Fabian Chacur (page 2 of 116)

Ronald Bell, 68 anos, um dos criadores do Kool & The Gang

ronald bell

Por Fabian Chacur

Chega a ser sintomático o autor de uma das músicas mais alegres e festivas de todos os tempos nos deixar em um ano tão terrível como este 2020. Foi exatamente o que ocorreu na manhã desta quarta-feira (9). O compositor, produtor e multi-instrumentista Ronald Bell, também conhecido por seu nome muçulmano Khalis Bayyan, um dos fundadores da seminal banda americana Kool & The Gang e autor, entre diversos outros megahits, da contagiante Celebration, deixou-nos aos 68 anos, em sua casa nas Ilhas Virgens, de forma repentina e de causa ainda não revelada.

Ronald nasceu em 1º de novembro de 1951, irmão mais novo de outro cofundador e integrante do grupo que o tornou famoso, o baixista Robert “Kool” Bell (que veio ao mundo no dia 8 de outubro de 1950). Filhos de um boxeador que viajava pelo país no circuito de lutas para defender o pão de cada dia e ficou amigo de músicos de jazz como Miles Davis e Thelonius Monk, foi assim que os garotos tiveram acesso a música de boa qualidade.

Em 1964, junto com o baterista e compositor George Brown e outros amigos, criaram em Jersey City, New Jersey (para onde haviam se mudado quatro anos antes, de Youngstown, Ohio) uma banda inicialmente denominada Jazziacs, nome que foi se alterando até chegar em 1969 ao batismo definitivo, mesmo ano em que assinaram com a gravadora De-Lite.

Seu primeiro álbum, autointitulado e todo instrumental, trouxe como destaque a faixa Kool & The Gang, seu primeiro hit lançada como single e curiosamente utilizada, pela TV Bandeirantes no Brasil, como música de abertura para o seriado Jeannie é um Gênio. Seu som dançante, mesclando o então efervescente funk com jazz, pegou no breu de vez em 1973 com seu quarto álbum de estúdio, Wild And Peaceful.

É deste álbum (nº 33 na parada pop) que fazem parte três faixas que renderam aos irmãos Bell os primeiros grandes hits nos charts americanos, as sensacionais Jungle Boogie (nº 4 entre os singles, escrita por Ronald e incluída com destaque em 1994 na célebre trilha sonora do filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino), Hollywood Swinging (nº 6 na parada pop) e Funky Stuff (nº 29 na parada pop).

Logo a seguir, no entanto, a banda entrou em uma fase difícil em termos de popularidade, especialmente com a ascensão da disco music. Ao tentarem inicialmente se adaptar ao novo som, não se deram muito bem. Um consolo bacana ocorreu com a inclusão da faixa-título de seu álbum de 1976, Open Sesame, composição de Ronald que na época vendeu muito pouco, na multiplatinada trilha sonora do filme Os Embalos de Sábado à Noite (1977).

A saída para a crise teve origem brasileira. O produtor Eumir Deodato, radicado há anos nos EUA e muito bem-sucedido em uma carreira solo, aceitou o convite para produzi-los, e de cara deu uma sugestão que se mostrou acertadíssima. A ideia era deixar de lado os vocais em uníssono que os marcavam e contratar um vocalista principal, que veio a ser James J.T. Taylor.

A nova roupagem do Kool & The Gang veio à tona em 1979 com o álbum Ladies Night, com seis faixas matadoras, entre elas os hits Ladies Night e Too Hot. O álbum atingiu o 13º lugar na parada pop, uma entrada triunfante da banda no primeiro escalão da música pop.

Em 1980, inspirado em versos de Ladies Night, Khalis Bayyan resolveu escrever uma canção para virar uma espécie de hino de festas. Nascia Celebration, que atingiu o primeiro lugar na parada pop no formato single e impulsionou o álbum do qual faz parte, Celebrate!, rumo ao 10º lugar nos EUA e a vender mais de um milhão de cópias, primeiro disco de platina dos rapazes.

A parceria com Eumir Deodato renderia mais dois álbuns de muito sucesso, Something Special (1981), 12º lugar nos EUA e trazendo os hits Take My Heart (You Can Have It) e Get Down On It, e As One (1982), 29º lugar nos EUA com a salerosa Let’s Go Dancin’ (Oh La La La). A mistura de disco music, funk e pop dessa era se mostrava imbatível.

Em 1983, no entanto, Eumir deixou de trabalhar com o grupo, e Khalis Bayyan passou a ser produtor ou coprodutor dos próximos trabalhos, deixando aos poucos de participar dos shows. Nos estúdios, ele mostrava sua versatilidade tocando sax tenor, flauta, teclados, clavinete, sintetizadores e percussão.

Sem Deodato, o Kool & The Gang ainda se manteria disputando os primeiros lugares dos charts até 1986, emplacando sucessos como Joanna, Tonight, Fresh e Cherish (de Bayyan). Em 1988, com a saída do vocalista James J.T. Taylor rumo a uma carreira-solo, a banda viu sua mágica comercial cair por terra, sendo que o cantor também não se deu tão bem com a mudança.

Houve um reencontro entre J.T. e a banda em 1996, que teve como marca o lançamento do álbum State Of Affairs naquele mesmo ano, mas nada aconteceu, e o cantor saiu fora de novo em 1999. Seja como for, o Kool & The Gang se manteve na estrada fazendo shows e animando as festas pelo mundo afora.

Outra tentativa de reativar o seu poder em termos comerciais ocorreu em 2005, quando saiu o álbum-duplo The Hits Reloaded (saiu no Brasil pela extinta Indie Records), no qual o grupo releu alguns de seus grandes sucessos em novas versões ao lado de nomes das novas gerações como Lisa Stansfield, Angie Stone, Lauryn Hill, Youssou N’Dour, Jamiroquai, Beverley Knight e Tony Hadley, mas infelizmente não deu certo. O grupo se apresentou no Brasil em 2008 e 2011.

Ouça o álbum Ladies Night na íntegra em streaming:

Laura Pausini lança um single com a cantora pop espanhola Bebe

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Por Fabian Chacur

Em 2018, Laura Pausini lançou o álbum Hazte Sentir, no qual deu vazão a seu lado mais roqueiro. Como forma de reforçar essa faceta de uma carreira que ganhou força nos anos 1990 e se mantém com força total desde então, a cantora e compositora italiana nos apresenta a releitura de uma das faixas desse vigoroso trabalho, desta vez em castelhano e com a participação especial da estrela pop espanhola Bebe.

Verdades a Medias, o dueto das duas estrelas pop, está sendo divulgado com um clipe elaborado e recheado de efeitos especiais dirigido por Gaetano Morbioli, com gravações feitas em Madri após o período mais duro da pandemia do novo coronavírus naquela cidade. A letra da canção toca no sensível tema da sinceridade, como explicou Laura em comunicado enviado à imprensa:

“Sempre compartilhei a ideia de que a verdade, por mais dolorosa que possa ser, deve ser a luz que ilumina nossas palavras. Existem pessoas que, em vez de enfrentar a verdade, preferem se afastar sem motivo algum, deixando que a outra pessoa sem ao menos uma explicação. No que me diz respeito, não gosto de deixar as coisas sem explicações. Inclusive hoje, quando canto essa canção, me sinto enojada. Escrever Verdade a Medias me ajudou a compreender que as vezes não vale a pena continuar com uma amizade com quem não a merece”.

Verdades a Medias (clipe)- Laura Pausini e Bebe:

The Jaded Hearts Club lança o videoclipe de Love’s Gone Bad

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Por Fabian Chacur

Tudo começou em 2017, quando alguns integrantes de bandas famosas dos anos 2000 resolveram montar um grupo para tocar covers dos Beatles, com o nome Dr.Pepper’s Jaded Hearts Club Band. A repercussão positiva foi tanta que o time não só se rebatizou, agora como The Jaded Hearts Club, como também expandiu seu repertório para releituras de outros artistas, sempre com muita energia. Seu novo single acaba de sair, via BMG-Warner, e é de primeira linha.

A música foi escolhida a dedo. Trata-se de Love’s Gone Bad, que foi lançada em 1967 pela banda de garagem americana The Underdogs. A nova versão ganhou uma releitura vigorosa, muito roqueira e dançante, com direito a um clipe em preto e branco para dar um ar vintage à coisa toda. Para levantar até zumbi.

A escalação do The Jaded Hearts Club traz atualmente Nic Cester (da banda Jet) e Miles Kane (da The Last Shadow Puppets) nos vocais, Graham Coxon (do Blur) e Jamie Davis (da Transcopic) nas guitarras, Matt Bellamy (do Muse) no baixo e Sean Payne (The Zutons), na bateria. Os shows costumam trazer convidados ilustres, como Paul McCartney (confira ele e a banda em Helter Skelter aqui).

O grupo nos ofereceu no dia 31 de julho outra faixa que estará em seu novo trabalho, You’ve Always Been Here, previsto para sair no dia 2 de outubro. Trata-se de Reach Out I’ll Be There (veja o clipe aqui), grande hit com os The Four Tops em 1966. Será o segundo álbum deles em 2020, pois em 17 de janeiro deste ano tivemos o lançamento do disco ao vivo Live At The 100 Club.

Love’s Gone Bad (clipe)- The Jaded Hearts Club:

Jamie Cullum vence o importante prêmio Ivor Novello pela 1ª vez

jamie cullum ivor novello

Por Fabian Chacur

Um dos prêmios mais prestigiados da cena musical britânica e mundial é o Ivor Novello. Criado em 1956, teve como vencedores nomes como John Lennon e Paul McCartney, Adele, Bryan Adams, David Bowie, Eric Clapton, Elton John, Phil Collins e inúmeros outros desse mesmo alto calibre. Pois Jamie Cullum, figura frequente aqui em Mondo Pop (leia mais sobre ele aqui), é outro nome bacana a ser inserido na lista de vencedores, na categoria “melhor canção em termos de melodia e letra”.

A canção que proporcionou ao cantor, compositor e musico britânico o cobiçado troféu é The Age Of Anxiety, lançada em 2019 como parte do álbum Taller. Trata-se de uma boa amostra do que este ótimo artista concretizou em seus mais de 20 anos de estrada. Ele deu a seguinte declaração, após saber de sua vitória, em comunicado enviado à imprensa por sua assessoria de imprensa:

“Estou muito orgulhoso e feliz por receber este prêmio. Tenho me empenhado nisso há algum tempo e nem sempre fui levado a sério como compositor. Neste ponto da minha carreira, receber agora esse prêmio para esta música, na qual eu acredito ferozmente, me parece particularmente especial. Usei nela todo o meu conhecimento e amor pela escrita de música, que construí ao longo dos anos, e estou muito feliz que ressoou nas pessoas e em vocês, da Ivors Academy”.

The Age Of Anxiety (clipe)- Jamie Cullum:

The Struts lançam single em parceria com Robbie Williams

the struts + robbie williams

Por Fabian Chacur

Os Struts estão a mil por hora. Poucos dias após o lançamento de seu single em parceria com Albert Hammond Jr. (leia mais sobre aqui), a ascendente banda britânica nos apresenta outra novidade. Trata-se de Strange Days, faixa que dará nome ao seu terceiro álbum, previsto para sair ainda este ano. Desta vez, a participação nos vocais é do astro pop britânico Robbie Williams (ex-Take That).

O clipe disponibilizado nesta segunda (7) mostra a banda em um estádio de futebol britânico participando do evento Soccer Aid, promovido em benefício da Unicef em prol das crianças. O entrosamento entre Williams e o vocalista do The Struts, o carismático Luke Spiller, é mais uma prova de que, se continuar nesse embalo, o quarteto do Reino Unido acabará em breve entrando no primeiro escalão do rock mundial. Fica a torcida!

Strange Days (clipe-live)- The Struts + Robbie Williams:

Yes lança em outubro um álbum gravado ao vivo em Las Vegas

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Por Fabian Chacur

Em seus 50 anos de estrada, o Yes primou por grandes momentos musicais e também por variações diversas em sua formação. Desde a morte de seu fundador, o saudoso baixista Chris Squire (1948-2015), a, digamos assim, “versão oficial da banda” tem como comandante o guitarrista Steve Howe. E é esse time atual que anuncia para outubro o lançamento de um novo álbum ao vivo, The Royal Affair Tour- Live From Las Vegas, que sai inicialmente em 2 de outubro com exclusividade na Yes Store e a partir de 30 de outubro nos outros pontos de venda.

A gravadora BMG (a nova empresa que usa esta sigla, não confundir com a antiga, cujo acervo hoje pertence à Sony Music) disponibilizará o álbum, gravado ao vivo no Hard Rock Hotel, Las Vegas, em julho de 2019, nos formatos CD simples com encarte de 12 páginas, LP de vinil duplo com encarte de 12 páginas e digital. A capa, só pra variar, é de autoria de Roger Dean, responsável há décadas por essa tarefa e sempre com muita categoria.

Além de Steve Howe, a escalação do Yes neste trabalho traz Alan White (bateria), Geoff Downes (teclados), Billy Sherwood (baixo) e o “novato” (no time desde 2012) Jon Davison (vocal). A turnê, realizada em 2019 pelos EUA, reunia o Yes, a atual encarnação do Asia (que inclui Geoff Downes e uma participação especial de Howe), John Lodge (dos Moody Blues) e o ELP Legacy do baterista Carl Palmer (com participação do célebre vocalista Arthur Brown).

O set list viaja por várias fases do Yes, com direito a No Opportunity Necessary No Experience Needed (de Richie Havens e gravada por eles em 1970 no LP Time And a Word), America (fantástica releitura do hit de Paul Simon registrada por eles nos anos 1970) e Tempus Fugit (do polêmico álbum Drama, de 1980, da fase com Geoff Downes nos teclados).

A principal curiosidade fica por conta de uma releitura de Imagine, de John Lennon, com o vocal principal a cargo do amigo e colega de turnê John Lodge. Vale lembrar que, em 2017, três outros ex-integrantes do grupo, Jon Anderson, Ricky Wakeman e Trevor Rabin, fizeram shows (ótimos, por sinal) com o repertório do Yes. O Canal Bis costuma exibi-los de tempos em tempos.

Eis as faixas de The Royal Affair Tour – Live in Las Vegas:

1. No Opportunity Necessary, No Experience Needed
2. Tempus Fugit
3. Going For The One
4. I’ve Seen All Good People
5. Siberian Khatru
6. Onward
7. America
8. Imagine
9. Roundabout
10. Starship Trooper

Veja cenas de show da The Royal Affair Tour:

Jeff Beck celebra a sua bela carreira em show antológico

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Por Fabian Chacur

Nenhuma lista com os melhores guitarristas da história do rock estará completa se o nome de Jeff Beck não estiver nela. A habilidade do cidadão com esse icônico instrumento nas mãos é simplesmente assombrosa, como tive a oportunidade de conferir em show realizado por ele em São Paulo em maio de 2014 (leia a resenha aqui). O Canal Bis está com um show dele em sua programação ao vivo e em streaming, o espetacular Live At The Hollywood Bowl, e eu o recomendo com muito, mas muito entusiasmo mesmo.

O show realizado em 10 de agosto de 2016 no mitológico Hollywood Bowl, situado na região de Los Angeles, Califórnia (EUA), visava celebrar os mais de 50 anos de estrada deste brilhante músico britânico. Desta forma, o set list nos trouxe uma amostra das várias fases de sua trajetória, desde os tempos dos Yardbirds nos anos 1960 e chegando até seu então mais recente álbum, o ótimo Loud Hailer (2016), que ele gravou em parceria com as jovens e talentosas Carmen Vanderberg (guitarra) e Rosie Bones (vocal).

Acompanhado por uma banda compacta da qual Vanderberg e Rhonda Smith (baixista que tocou com Prince) se destacam, Beck teve alguns convidados especiais de primeiro escalão. O tecladista Jan Hammer, por exemplo, que gravou com ele um álbum ao vivo em 1977, foi um deles, brilhando na instrumental Freeway Jam. O grande mestre do blues Buddy Guy esbanjou seu imenso carisma e vozeirão em Let Me Love You.

Billy Gibbons, cantor e guitarrista do ZZ Top, nos proporcionou a deliciosa balada rock Rough Boy, enquanto Steven Tyler, do Aerosmith, tomou as rédeas vocais em belíssimas interpretações de dois clássicos do repertório de Jeff Beck, The Train Kept A-Rollin’ e Shapes Of Things. Rosie Bones marcou presença em músicas de Loud Hailer, entre as quais The Revolution Will Be Televised, e a ótima Beth Hart arrasou em uma versão inspiradíssima de Purple Rain, do Prince.

A qualidade do registro de vídeo nos permite em vários momentos conferir mais de perto a técnica como guitarrista de Beck, que desde os anos 1980 deixou as palhetas de lado e toca apenas se valendo dos dedos, indo desde solos com poucas e bem usadas notas até aqueles alucinantes que parecem impossíveis para os leigos. Sua releitura instrumental de A Day In The Life, dos Beatles, é de se ouvir ajoelhado, agradecendo pela graça recebida.

Live At The Hollywood Bowl foi lançado em DVD e CD duplo. O único problema de ver no Canal Bis em sua programação normal é que, por alguma razão bizarra, eles tem exibido por volta de metade das 21 músicas registradas no lançamento oficial, para não ultrapassar uma hora de duração. Qual seria a lógica de um canal a cabo fazer isso? Sabe Deus… Seja como for, este é um dos melhores registros de rock realizados ao vivo nesta década, uma bela amostra do que esse gênio da guitarra sabe fazer, e dos craques que consegue agregar ao seu lado.

The Train Kept A-Rollin’ (live)- Jeff Beck e Steven Tyler:

Let It Be: material raro surge e some rapidinho do Youtube

let it be cena filme

Por Fabian Chacur

Se há um item cobiçado por beatlemaníacos de todo o mundo é o filme Let It Be. Indisponível desde o final dos anos 1980, trata-se de um registro cru do clima que gerou a dissolução da mais bem-sucedida banda da história da música pop. Após décadas de expectativa, parece que, em breve, teremos de volta esse importante documentário, mas em uma nova versão. A pergunta agora é como será essa reedição.

Enquanto isso, os fãs mais atentos se divertem com a divulgação não autorizada de material raro referente a Let It Be. A nova leva chegou ao Youtube em agosto, mas já foi devidamente tirada do ar a pedido da Apple Corps, detentora dos direitos autorais. Só que este crítico e jornalista especializado em música teve a oportunidade de ver esse rico material. Uma única, mas deliciosa vez. E aqui vai o relato, pedindo desculpas se por ventura algum ponto importante ficou de fora.

Foram postados dois arquivos. Um com aproximadamente 40 minutos de duração, trazia gravações realizadas de 2 a 14 de janeiro de 1969. O outro, com 2h08 de duração, compilava registros feitos de 15 a 31 de janeiro do mesmo ano.

Em entrevista recente, Paul McCartney afirma que existem mais de 56 horas das filmagens de Let It Be nos arquivos da Apple. Portanto, esse material vazado pode ser uma espécie de seleção prévia de momentos considerados mais significativos por quem fez esse trabalho e teve acesso ao total das gravações.

A qualidade dos registros varia do perfeito em cores ao mais precário em preto e branco. Em alguns casos, temos tomadas feitas de ângulos diferentes de uma mesma cena. A qualidade de áudio também varia. No entanto, os pontos mais interessantes para os seguidores mais detalhistas se mostram acima de quaisquer problemas técnicos.

O que mais impressiona são duas participações de Yoko Ono. Em uma delas, faz improvisos vocais agudos semelhantes a guinchos radicais acompanhada por John Lennon, que arranca sons de sua guitarra dando pequenos socos e tapas e também, em alguns momentos, provocando microfonia ao apontá-la em direção aos amplificadores. Sons de bateria são ouvidos, o que nos dá a entender que Ringo também está presente, embora não apareça em nenhum take.

Se essa primeira jam já seria um achado, a segundo vai ainda mais longe, pois, nela, o grupo aparece completo. Yoko berra John o tempo todo, como se fosse um refrão (há uma faixa em um dos discos experimentais que gravou ao lado de Lennon, The Wedding Album, que segue essa linha, com ele gritando Yoko em resposta), enquanto a banda faz uma trilha ardida como acompanhamento. Paul McCartney também provoca microfonia com seu baixo.

All Things Must Pass é uma das músicas que George Harrison tentou submeter à banda para entrar em Let It Be, mas ele só conseguiria lançá-la no álbum solo batizado pela mesma. Nos vídeos, temos o autor tocando-a duas vezes, sendo que, em uma delas, John Lennon aparece tocando piano e harmonizando o refrão com o amigo, aparentemente curtindo muito aquela canção.

Alguns momentos são bastante simpáticos, como, por exemplo, Lennon cantando com a enteada de Paul, Heather, em uma visita ao lado de Linda durante as gravações. Parte dessa visita aparece no filme original, mas não me lembro de ter visto esse dueto Lennon-Heather lá. Sarcástico, Lennon em um determinado momento aparece cantando sozinho um trecho do refrão de Let it Be, soltando um hilariante “Let it Be, Let It Ce”.

Em um determinado momento, enquanto a banda ensaia a canção que dá nome ao filme, Lennon dá uma de folgado e toca seu instrumento musical deitado no colo de Yoko, que, por sinal, aparece o tempo todo colada nele. Durante um ensaio de Two Of Us, temos ela sendo filmada durante o tempo todo pintando caracteres japoneses em pedaços de pano brancos, sem que os músicos sejam focados em momento algum.

I Want You (She’s So Heavy) é uma das faixas mais pesadas do maravilhoso Abbey Road. Neste vídeo, temos algo que eu nunca havia visto antes, que é seu autor, John Lennon, cantando um bom pedaço dela, acompanhando-se na guitarra. Também temos a banda ouvindo na mesa de som uma versão de Teddy Boy, outra canção que só seria lançada em um disco solo, no caso McCartney (1970).

Um momento muito legal ocorre quase no final do vídeo mais longo, quando a banda improvisa um trecho de Run For Your Life, do álbum Rubber Soul, em uma versão bem mais lenta do que a original. E também temos Commonwealth (ouça aqui), um divertido rock básico que já apareceu em discos piratas, mas que não me lembro de ter visto imagens da banda a tocando.

Outro ponto bem interessante é o bom humor que John Lennon demostra em diversos momentos dessas gravações, o que de certa forma reforça o ponto de vista defendido por Paul McCartney em algumas entrevistas de que a versão original de Let It Be tem um enfoque excessivo na parte mais, digamos assim, “beligerante” daquelas gravações. Aparentemente, tivemos também momentos em que os músicos estavam muito soltos e se divertindo.

Agora, fica a expectativa de como será a nova versão de Let It Be, e se teremos nele algumas das cenas mais bacanas dessa amostra pirata, especialmente as envolvendo Yoko Ono. Tomara que, em uma atitude de bom senso, o Let It Be original também seja disponibilizado oficialmente. Aliás, recentemente também uma versão aparentemente remasterizada do filme, com alta qualidade técnica, esteve disponível por um curto tempo no youtube.

Dig a Pony– The Beatles:

Parde2 lançará o seu álbum de estreia no dia 25 de setembro

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Por Fabian Chacur

Já tem data para chegar às plataformas digitais, com distribuição da gravadora Lab 344, o álbum de estreia do duo Parde2. Autointitulado, o trabalho estará disponibilizado no dia 25 de setembro. Como forma de antecipar a sua divulgação, três de suas faixas já estão sendo divulgadas. A primeira, A Estrela e o Astronauta, parceria da dupla com o músico e produtor Mu Chebabi, deu início à estratégia há algumas semanas, uma bela balada pop swingada com direito a um estiloso clipe de animação.

Se a dupla ainda dá seus primeiros passos, seus integrantes possuem um belíssimo currículo. A cantora Cris Delano é bastante conhecida no Brasil e exterior por seu trabalho em cima de uma sonoridade bossa lounge com toques eletrônicos, em álbuns solo e também em parceria com o grande mestre Roberto Menescal. Por sua vez, o produtor e músico Alex Moreira tornou-se conhecido ao integrar o inovador trio Bossacucanova, com vários álbuns e shows realizados.

As duas novas faixas recém-divulgadas são amostras de rumos seguidos por eles em seu trabalho de estreia. Dispositivos Móveis, assinada pelos dois, é um pop-rock com elementos eletrônicos que poderia estar em um dos discos lançados por Rita Lee e Roberto de Carvalho na primeira metade dos anos 1980. Tipo Lua de Mel (escrita por eles com o hitmaker Gabriel Moura) já segue uma levada mais bossa latina eletrônica.

Com um total de 10 faixas, Parde2 (o álbum) traz colaborações com nomes seminais da nossa música, como Marcos Valle (Deixa a Noite Nos Levar), Hyldon (Sábado Passado) e Carlos Lyra+Bossacucanova (Só Quero Amor). Tomara que também tenhamos formato (s) físico (s) deste promissor trabalho.

Eis as faixas do álbum Parde2:

1 – Happiness in the Sugar Loaf (Cris Delanno / Alex Moreira)

2- Parde Dois (Cris Delanno / Alex Moreira)

3- Calçadão (Cris Delanno / Alex Moreira / DJ Meme)

4- A Estrela e o Astronauta (Cris Delanno / Alex Moreira / Mu Chebabi)

5- Tipo Lua de Mel (Cris Delanno / Alex Moreira / Gabriel Moura)

6- De Boa (Cris Delanno / Alex Moreira / Julia Bosco)

7- Só Quero Amor (Cris Delanno / Bossacucanova / Carlos Lyra)

8- Sábado Passado (Cris Delanno / Alex Moreira / Hyldon)

9- Deixa A Noite Nos Levar (Cris Delanno / Alex Moreira / Marcos Valle)

10- Dispositivos Móveis (Cris Delanno / Alex Moreira)

A Estrela e o Astronauta (clipe)- Parde2:

The Struts lançam um single com Albert Hammond Jr. (The Strokes)

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Por Fabian Chacur

A banda britânica The Struts (leia mais sobre eles aqui) está com novidades para seus fãs. Um dos nomes mais bacanas da nova geração do rock, eles acabam de disponibilizar o single Another Hit Of Showmanship, que conta com a participação especial de Albert Hammond Jr., guitarrista do grupo americano The Strokes.

A nova música mantém a pegada glam rock que marca o quarteto formado por Luke Spiller (vocal), Adam Slack (baixo), Jed Elliott (baixo) e Gethin Davies (bateria), com um tempero levemente mais pop. Trata-se da primeira amostra do que virá a ser o terceiro álbum do grupo, Strange Days, gravado durante a pandemia do novo coronavírus e previsto para sair ainda este ano.

Além de Albert Hammond Jr., teremos outras presenças bacanas no disco que será o sucessor de Young & Dangerous (2018). São eles dois integrantes do Def Leppard (Joe Elliott e Phil Collen), Tom Morello (Rage Against The Machine, Audioslave) e o astro pop Robbie Williams (Take That).

Além de composições próprias inéditas, o repertório inclui um cover de uma das várias bandas que os músicos britânicos citam como influência. Trata-se de Do You Love Me, do Kiss, lançada pelo grupo de Gene Simmons no álbum Destroyer, de 1976, um dos mais marcantes de sua trajetória.

Another Hit Of Showmanship– The Struts e Albert Hammond Jr.:

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