Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Author: Fabian Chacur (page 2 of 96)

Bliss tem o seu álbum de estreia, do hit I Hear You Call, relançado

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Por Fabian Chacur

O mundo da música frequentemente prega peças em seus participantes. Em 1989, por exemplo, o grupo britânico Bliss lançou seu álbum de estreia, Loveprayer, e esperava conquistar o mundo com aquele trabalho vibrante e consistente. No entanto, passou batido nos principais mercados, os EUA e o Reino Unido. Mas no distante e remoto Brasil… Esse trabalho está sendo relançado por aqui pela Warner sem previsão de versão física, mas disponível nas plataformas digitais.

Liderada pela cantora Rachel Morrison e pelo baixista Paul Ralphes, os principais compositores do time, na época ainda contava com Paul Sirett (guitarra), Roger Askew (teclados) e Chris Baker (bateria). A ideia era fazer uma mistura de soul, pop e rock de clima sessentista, que a bela capa meio hippie do álbum dava a entender logo de cara. Influências bem digeridas como as de Janis Joplin e Aretha Franklin logo vem à mente ao ouvir seu trabalho.

O single I Hear You Call, impulsionado por sua inclusão como tema de comerciais dos cigarros Hollywood, tornou-se um hit instantâneo no Brasil, e inclusive acabou trazendo a banda para apresentações ao vivo e divulgação em programas de TV e rádio por aqui. Tive a oportunidade de participar de uma coletiva de imprensa com o grupo, que se mostrou bastante simpático e acessível.

Além do marcante hit, Loveprayer é um disco com boas canções, nas quais a voz potente e personalizada de Rachel Morrison se mostra de forma muito atraente. O sucesso ocorreu no Brasil, na Austrália e em alguns países europeus, passando batido nos principais mercados discográficos, os EUA e o Reino Unido.

A Bliss ainda lançaria um segundo álbum, A Change In The Weather (1991), que embora muito interessante não teve a mesma repercussão. Logo a seguir, Rachel saiu para cuidar de seu filho recém-nascido, e a banda saiu de cena.

Paul Ralphes teve uma ligação muito forte com o Brasil, e isso o levou a se mudar para aqui em 1996, tentando a sorte no mercado discográfico nacional. Deu super certo, pois produziu discos de sucesso para bandas como Kid Abelha e também foi diretor artístico da Universal Music entre 2010 e 2017.

Por sua vez, Rachel Morrison lançou posteriormente alguns discos-solo (um de covers) sem grande repercussão, com o apoio do guitarrista Tom E. Morrison, seu marido. Em 2007, o selo alemão Zounds lançou o álbum Spirit Of Man, com canções dos dois discos da Bliss e algumas inéditas.

A nova edição de Loveprayer foi remasterizada por Andy Jackson, conhecido por seus trabalhos com Pink Floyd e David Gilmour. Além do conteúdo original, temos também quatro faixas-bônus, incluindo duas inéditas, todas gravadas na época. Uma versão acústica de I Hear You Call também será lançada em breve.

Eis as faixas da nova versão de Loveprayer:

I Hear You Call (PLG)
How Does It Feel The Morning After?
Good Love
Your Love Meant Everything
Won’t Let Go
Lovin’ Come My Way
Light and Shade
May It Be On This Earth
All Across The World
I Walk Alone
Better Take Care
Further From The Truth
Sweet Lovin’ Child
Waited Too Long
Gonna Be Good 4 U *
How Does It Feel The Morning After (7 inch Single Remix) *

* Inédita

Ouça Loveprayer em streaming:

Victor Biglione dá aula de rock em Classic Rocks From Brazil

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Por Fabian Chacur

Muitos músicos e grupos brasileiros se metem a tocar os clássicos do rock internacional. Alguns conseguem interpretações muito próximas das originais, no melhor estilo copiar nota por nota. Nada contra. Agora, reler essas canções e colocar sua assinatura musical própria nelas, sem as descaracterizar, aí é tarefa para poucos e bons. E Victor Biglione já provou há muito que integra essa restrita confraria, como fica evidente mais uma vez em seu mais recente álbum, o excelente Classic Rocks From Brazil, distribuído pela Tratore e disponível nos formatos CD e digital. É coisa de quem entende do assunto e tem ferramental técnico e artístico para realizar tal tarefa de forma impecável.

Nascido na Argentina em 22 de fevereiro de 1958 e radicado no Brasil desde 1964 (naturalizou-se brasileiro nos anos 1980), este guitarrista, cantor, compositor e produtor tem um currículo profissional do tipo lista telefônica de antigamente. Já acompanhou em shows e em CDs gente da estirpe de Belchior, Beto Guedes, Caetano Veloso, Cássia Eller, Chico Buarque, Gal Costa, Elis Regina, Ivan Lins e muitos, mas muitos outros mesmo.

Além de ter integrado de 1982 a 1984 o grupo A Cor do Som, Biglione gravou álbuns em parceria com Andy Summers, Wagner Tiso e Marcos Valle, além de desenvolver uma carreira-solo repleta de momentos significativos.

Antes de realizar tudo isso, estudou nos EUA e também com alguns dos melhores guitarristas brasileiros, o que lhe deu uma bagagem teórica que se mostrou bastante valiosa na hora de encarar as mais diversas sonoridades durante essas mais de quatro décadas de estrada.

Nessa sua incursão pelo chamado classic rock, Victor nos dá uma verdadeira aula de guitarra, esbanjando timbres belíssimos de instrumentos e indo desde solos velozes e agressivos até aquelas notas choradas e bem sustentadas, típicas do blues. O nível de execução dele é simplesmente brilhante, sem se limitar a apenas uma forma de atuar. E seu bom gosto é também admirável, nunca se permitindo o tecnicismo puro e respeitando a beleza de cada canção que toca.

O repertório de Classic Rocks From Brazil inclui 12 faixas, sendo duas de Jimi Hendrix, duas dos Rolling Stones (de seu antológico álbum Beggars Banquet, de 1968), uma de Peter Green/Billy Cobham, três autorais, uma do Deep Purple, uma do jazzista Larry Corryell e uma de cada dos seminais bluesmen John Lee Hooker e Johnny Winter. As suas são fantásticas, e a escolha das releituras busca pérolas nada óbvias dos repertórios de cada artista selecionado.

Nas faixas Stray Cat Blues, No Expectations, Serves To Right To Suffer e I Love Everybody, o vocal principal fica a cargo da poderosíssima Vera Negri, que solta a voz sem medo de ser feliz e faz um belo contraponto com a guitarra do mestre de cerimônias deste álbum. Parceria que merece um CD completo um dia desses.

Jam Back At The House/We Gotta Live Together tem o próprio Victor no vocal principal, sendo que as outras sete gravações são centradas na parte instrumental. O velho amigo e parceiro Andy Summers marca presença em um belo duelo de violões na faixa 1+2 Blues. O elenco de músicos, todos ótimos, varia de faixa para faixa, incluindo feras como Sérgio Della Mônica, André Tandeta e Roberto Alemão, entre outros.

As composições próprias Copacabana Balcony Bar Blues, Latin Texas e Psychodelic Frisco 67 se encaixam muito bem dentro desse contexto, e mostram como Biglione se sente à vontade tocando rock com forte tempero de blues.

Classic Rocks From Brazil é daqueles trabalhos para se curtir a todo momento, especialmente por quem deseja ouvir novas nuances de grandes músicas de classic rock internacional, além de algumas novidades nessa mesma área. Além de deixar o ouvinte muito a fim de ouvir Victor Biglione tocando esse repertório ao vivo, onde as faíscas certamente incendiarão o público sedento por rock visceral e de qualidade incontestável.

Ouça Classic Rocks From Brazil em streaming:

Denitia mostra sua sonoridade etérea em Touch Of The Sky

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Por Fabian Chacur

Após cerca de cinco anos integrando o duo Denitia and Sene, a cantora, compositora, produtora e musicista americana Denitia resolveu investir em uma carreira-solo. A partir de 2017, lançou alguns EPs e singles e aos poucos foi criando uma expectativa bastante positiva por parte de crítica e público. Agora, chega a vez de nos mostrar seu primeiro álbum desta nova fase, Touch Of The Sky, que está sendo lançado nas plataformas digitais do Brasil, América Latina em geral e México pela gravadora brasileiro Lab 344.

O duo, em seu tempo de existência, lançou os álbuns His And Hers (2013) e Love And Noir (2016), e investia em uma versão mais suave e eletrônica de r&b e hip-hop. Em sua trajetória individual, Denitia partiu dessa base e a ampliou para uma sonoridade que traz ecos da feita por grupos como Cocteau Twins e Siouxsie And The Banshees (na fase do álbum Hyaena, de 1984).

O resultado soa etéreo, reflexivo e envolvente, com a voz suave e delicada da artista nascida no Texas, criada no Brooklin e hoje radicada em Rockaway Beach dando o norte. A musicalidade também abre espaços para o eletropop e o eletrorock, sem deixar de lado o r&b e até mesmo o reggae e o dub.

A faixa Waves envolve o ouvinte com seu andamento lento e uma psicodelia delicada. Where You Go (ouça aqui) apresenta uma vertente mais dançante, enquanto Place To Be (ouça aqui ) é uma balada mais próxima do r&b anos 2000. Uma pegada mais rocker marca Sweat (ouça aqui ), com tempero eletrorock.

A artista, que tem na guitarra seu instrumento musical mais constante, define esse seu álbum inicial na carreira individual como “uma viagem através da natureza transformadora do amor”.

Denitia tem duas conexões com o Brasil. O diretor, produtor e editor brasileiro radicado em Nova York Hugo Faraco fez um curta-metragem sobre Touch Of The Sky (veja aqui), incluindo cenas registradas no estúdio onde o álbum foi gravado e também em Rockaway Beach.

A artista americana também produziu o remix da faixa Sua Sugestão, do consagrado produtor brasileiro Kassin, que entrará em um álbum resultante do projeto Co-Lab, no qual artistas ligados à Lab 344 colaboram entre si. Estão no elenco, além de Denitia e Kassin, nomes como Boogarins, DJ Memê, Marcelinho da Lua e Diogo Strauz, entre outros.

Waves (clipe)- Denitia:

Freedom (1989), o álbum que trouxe Neil Young de volta ao lar

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Por Fabian Chacur

Neil Young sempre teve como marca registrada a imprevisibilidade. Em seus mais de 50 anos de trajetória artística, este cantor, compositor e músico canadense nunca teve medo de arriscar mudanças repentinas nos rumos de sua música. Muito produtivo e com uma quantidade enorme de itens em sua discografia, ele tem alguns trabalhos que se sobressaem por sua importância artística e estilística, e um deles, Freedom, está celebrando 30 anos de seu lançamento.

A década de 1980 foi certamente o período mais conturbado e menos popular da carreira do astro canadense. Ele iniciou essa era com um álbum bastante irregular, Re-Ac-Tor (1981). Logo após, saiu da gravadora Reprise para entrar na Geffen Records, onde ficou até 1987. Logo na estreia, assustou a todos ao apresentar Trans (1982), um mergulho inusitado na música eletrônica que não atraiu a atenção do público e não entusiasmou a crítica.

A partir daí, Young atirou para diferentes direções musicais. Rockabilly em Everybody’s Rockin’ (1983), country tradicional em Old Ways (1985) e rock básico com sonoridade modernosa em Landing On Water (1986) e Life (1987). O resultado comercial piorou de disco pra disco, o que gerou uma reação absolutamente absurda por parte da gravadora criada e dirigida pelo polêmico e bem-sucedido empresário David Geffen.

Ele simplesmente resolveu processar Neil Young, alegando que o artista estaria lançando discos totalmente fora de sua sonoridade habitual simplesmente para prejudicar a Geffen Records. O executivo perdeu a disputa, mas ficou nítido que não havia mais clima para que o criador de Harvest (1972) ficasse por lá.

Em 1987, de volta à Reprise (parte do conglomerado Warner), Neil reestreia na gravadora com outro disco improvável, This Note’s For You, no qual é acompanhado por uma banda de sonoridade blues/rhythm and blues com direito a sessão de metais e tudo. A faixa-título, ironizando o mundo da música e da relação com seus patrocinadores, consegue alguma repercussão, mas mantém o artista na parte mais baixa das paradas de sucesso.

Volta às raízes e bom resultado comercial

É neste cenário que Neil Young começa a trabalhar em um novo álbum. Em entrevistas dadas na época de lançamento, ele explicou suas intenções com esse lançamento: “Eu quis fazer um álbum Neil Young per se, sem assumir nenhum outro personagem que não eu mesmo; o produto final é quase como ouvir o rádio, que se mantém mudando e indo de uma coisa para outra”.

E foi exatamente isso o que ele fez. Trata-se do primeiro álbum de Neil Young evidentemente concebido especialmente para o formato CD, pois ultrapassa os 60 minutos de duração em suas 12 faixas. Nele, nada de incursões em sonoridades nunca antes experimentadas pelo artista.

No entanto, a diversidade de sons e de climas prevalece, assim como a inspiração das composições, prova de que valeu a pena ficar um tempão longe de sua “casa musical”, pois quando enfim voltou, o cara sentia saudades…

Fórmulas são reutilizadas em todo o álbum, sendo a mais evidente usar a mesma música na abertura e no encerramento, em versões acústica e elétrica, tal qual havia feito em Rust Never Sleeps (1979). Só que, desta vez, Rockin’ In The Free World se mostra mais maleável para a tarefa do que Hey Hey My My/My My Hey Hey, ficando ótima tanto na leitura voz e violão (gravada ao vivo em show em Long Island, EUA) quanto na elétrica e visceral que fecha o disco.

Rockin’ in The Free World tem uma letra que flagra o horror do mundo moderno em cenas como a de uma jovem mãe, que odeia o que fez com sua própria vida, abandonando o filho recém-nascido em uma lata de lixo, “mais uma criança que nunca irá à escola, nunca se apaixonará, nunca será cool”.

Rapidamente, tornou-se um verdadeiro hino do rock, e provavelmente a canção mais popular da carreira de Neil Young, sendo tocada ao vivo por artistas tão distintos como Pearl Jam, Bon Jovi, Suzy Quatro e G3.

Do folk romântico ao rock ardido

Duas das faixas incluídas em Freedom haviam sido gravadas para This Note’s For You, mas ficaram de fora. A hipnótica e longa Crime In The City (Sixty To Zero Part I) equivale a outra polaroide urbana, com direito a uma visão irônica de um produtor de discos que pede a seu assistente que lhe arrume um compositor “que tenha fome e seja solitário, e também me traga um cheeseburger e a nova edição da revista Rolling Stone”.

A outra dessa origem é a maravilhosa Someday, uma balada com tempero r&b cuja letra explora as várias possibilidades de finalizar uma situação que seu título (algum dia, em tradução livre) sugere, sendo o mais belo o da estrofe final: “abrace-me, querida, ponha seus braços em volta de mim, dê-me todo o amor que você tiver para me dar, amanhã poderá ser tarde, nós não temos de esperar por algum dia, não temos que esperar por algum dia”.

Vale registrar que mesmo em uma faixa tão bela e lírica, Young guarda lugar para pequenas passagens irônicas, como em uma estrofe sobre pregadores religiosos de TV e outra refente a trabalhadores em gasodutos, ambas com direito a corais, um reproduzindo a alucinada pregação dos pastores e outro o canto dos trabalhadores. O efeito é delicioso. A rádio Eldorado FM, em São Paulo, tocava Someday em sua programação, naquela época.

Ecos de Harvest e Comes a Time

Freedom oferece aos fãs de Neil Young algumas canções com ecos do trabalho mais melódico do artista em álbuns clássicos como Harvest (1972) e Comes a Time (1978). A estrela Linda Ronstadt, que participou dos megahits Heart Of Gold e Old Man, marca presença em duas maravilhas deste álbum.

No melhor esquema vozes e violão, Young e Ronstadt nos oferecem harmonizações vocais deliciosas e muita delicadeza na puramente folk Hangin’ on a Limb. Com outros músicos no acompanhamento, The Ways Of Love tem uma pegada mais country e traz como marca genial o arranjo baseado no Bolero de Ravel para o refrão, além da pedal steel guitar do iluminado Ben Keith.

Músicos que fizeram toda a diferença

Para acompanhá-lo neste álbum seminal, Neil Young convocou gente do mais alto gabarito. A cozinha rítmica é integrada por Chad Cronwell (bateria) e o saudoso Rick The Bass Player Rosas (baixo-1949-2014), que se mostram uma parceria sólida, consistente e versátil, encarando com categoria as diferenças rítmicas existentes durante todo o álbum.

Quando precisou de um segundo guitarrista, Young se valeu do talentoso Frank Poncho Sampedro, do grupo Crazy Horse, que também se incumbiu dos teclados. E temos também outro cara saudoso, Ben Keith (1937-2010), que além de sua marca registrada, a pedal steel guitar, também se incumbe do sax alto.

Completa o time o produtor e técnico de som Niko Bolas, que ao lado de Neil Young forma uma dobradinha batizada por eles como The Volume Dealers, com direito a logotipo próprio e tudo, parceria que rendeu muita coisa boa.

Faixas longas, homenagem a Jimi Hendrix…

Uma das grandes virtudes de Freedom é não entediar o ouvinte em momento algum. Na pesadíssima Don’t Cry, por exemplo, temos uma intencional ou não homenagem a Jimi Hendrix, pelo fato de o andamento e o arranjo lembrarem o de Voodoo Chile (Slight Return), do genial guitarrista. Uma porrada!

Longa e elaborada, Eldorado demonstra influência flamenca e traz ecos de faixas do artista dos anos 1970 como Cortez The Killer. Aliás, Eldorado saiu inicialmente em um EP que leva seu nome lançado apenas no Japão e na Austrália em abril de 1989, que trazia as faixas Don’t Cry, On Broadway e Eldorado e duas que não entraram em Freedom, Heavy Love e Cocaine Eyes.

No More também possui longa duração, por volta de seis minutos, e uma sonoridade intrigante, algo como um rock levemente ardido com um delicioso e cristalino riff de guitarra. A letra envolve a questão das drogas e da dificuldade não só de abandoná-las como também de substituir o lado bom de seu efeito por algo mais saudável e melhor.

Um belo cover e o momento mais rural

A única faixa que não leva a assinatura de Neil Young é a clássica On Broadway, obra dos lendários compositores Jerry Leiber, Mike Stoller, Barry Man e Cynthia Weil, lançada com sucesso pelo grupo vocal The Drifters em 1963 e cuja melhor gravação foi feita por George Benson no ao vivo Weekend In L.A. (1978).

A versão de Young é pesadíssima, com o apoio preciso de Rosas e Sampedro na cozinha e ele soltando o verbo na guitarra, em uma das melhores performances dele nesse instrumento durante todo o álbum.

A delicada Wrecking Ball, em tom menor, equivale a um momento no qual o astro canadense de certa forma investe em uma levada próxima da bossa nova, com um resultado incrível. E o lado mais caipira do álbum fica por conta de Too Far Gone, com todo aquele jeitão de country de Nashville dos tempos mais antigos.

Um disco de ouro após dez longos anos

Em termos de posição na parada de sucessos Freedom não voou tão alto, atingindo apenas o 35º lugar na lista apurada pela revista Billboard. Mas sua vendagem foi sólida, proporcionando ao roqueiro o seu primeiro disco de ouro em dez anos. O último havia sido em 1979, com o álbum ao vivo Live Rust.

Um grande e influente retorno à forma

Se as experiências que fez com outros ritmos e sons no período entre 1981 e 1988 foram extremamente válidas e com alguns momentos interessantes, elas também lhe renderam um certo descaso por parte de crítica e público. Com Freedom, ele ganhou novamente o coração desses dois setores, e iniciou uma nova fase dourada em sua carreira.

Não é de se estranhar que ele logo a seguir tenha sido considerado uma espécie de precursor do grunge, e novamente reverenciado em shows e na compra de discos por uma nova geração. Um reconhecimento merecido.

Nada melhor do que quando o artista consegue ser fiel a seus princípios artísticos e ao mesmo tempo obter um bom resultado comercial, e este é o grande mérito de Freedom, um dos melhores trabalhos da carreira desse nome indiscutível da história do rock and roll.

Faixas de Freedom:

Rockin’ In The Free World
Crime In The City (Sixty To Zero Part 1)
Don’t Cry
Hangin’ On a Limb
Eldorado
The Ways Of Love
Someday
On Broadway
Wrecking Ball
No More
Too Far Gone
Rockin’ In The Free World

Ouça Freedom na íntegra em streaming:

San-São Trio mostra Novos Caminhos com show em SP

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Por Fabian Chacur

Quem vê a sigla San-São e acompanha futebol logo pensa no apelido dado ao clássico disputado entre Santos e São Paulo. No entanto, aqui o mote é música, e da boa. San-São Trio reúne três músicos de primeiríssimo escalão da seara instrumental, cuja amizade remonta há uns bons anos e inclui alguns shows e colaborações bacanas.

Agora, eles apresentam nos formatos CD e digital o álbum Novos Caminhos, lançado pelo selo Maritaca. O repertório desse trabalho é o gancho do show que farão em São Paulo nesta segunda-feira (11) às 19h no Sesc Consolação (rua Dr. Vila Nova, nº 245- Vila Buarque- fone 0xx11-3234-3000), com entrada gratuita.

A célula mater do trio é o consagrado pianista Amilton Godoy, que ganhou fama na primeira metade da década de 1960 como integrante do lendário Zimbo Trio, que além de acompanhar artistas do porte de Elis Regina e Jair Rodrigues se firmou como um dos melhores e mais populares da música instrumental no Brasil. De quebra, ainda criou o CLAM, uma das escolas de música que mais frutos proporcionou em termos de revelar e educar novos nomes.

Um deles foi o de Léa Freire, flautista, pianista e compositora que não só desenvolve uma carreira repleta de momentos importantes como também criou em 1997 o selo Maritaca, que tem em seu currículo mais de 50 lançamentos de gente do mais alto gabarito da música brasileira. Sua ligação com Amilton gerou inicialmente trabalhos deles em dupla, até que em determinado momento surgiu a ideia de colocar mais um amigo nessa história. E um amigo internacional.

Oriundo do estado americano da Califórnia, Harvey Wainapel é saxofonista e clarinetista, e participou de turnês internacionais ao lado de Ray Charles, Joe Lovano, Airto Moreira, Flora Purim e Jovino Santos Neto, além de investir em carreira solo. A partir de 2000, costuma passar, anualmente, de um a dois meses no Brasil, trabalhando com artistas do naipe de Guinga, Filó Machado e Nelson Ayres, só para citar alguns. Sua amizade e afinidade musical com Léa gerou o convite para um trabalho conjunto.

Se não veio do futebol, o batismo desta formação musical envolve a junção de iniciais de nomes. Aqui, são eles São Paulo (sede do trabalho de Léa e Amilton) e San Francisco, Califórnia (onde vive Harvey).

Novos Caminhos traz sete composições de Léa e quatro de Amilton, investindo em uma inventiva e delicada mistura camerística de diversas vertentes da música brasileira com elementos de jazz e música erudita no meio. Suas afinidades musicais e pessoas geraram uma sonoridade deliciosa, sofisticada e digna do currículo dos três. Que venham mais álbuns desse trio de craques da música.

Ouça e veja o San-São Trio ao vivo:

Evinha Canta Guilherme Arantes em álbum e shows em Sampa e RJ

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Por Fabian Chacur

Há quase 20 anos (segundo ela), Evinha recebeu de Guilherme Arantes uma composição inédita do consagrado artista paulistano, Sou o Que Ele Quer. Desde então, havia a vontade de gravá-la. Pois enfim chegou a hora, e não poderia ter sido de forma melhor. Além desta, a cantora carioca registrou outras 11 desse mesmo autor no álbum Evinha Canta Guilherme Arantes (Kuarup), disponível em CD físico e nas plataformas digitais. Ela, há 40 anos radicada na França, mostra o repertório deste trabalho com shows nesta terça (12) em São Paulo e no dia 16 (sábado) no Rio de Janeiro.

O álbum traz Evinha acompanhada apenas por seu marido, o experiente pianista francês Gérard Gambus, que também se incumbiu da produção artística, com a executiva ficando a cargo do brilhante Thiago Marques Luiz. As gravações, mixagem e masterização do álbum foram feitos na França.

O repertório traz canções lançadas entre 1976 e 1989, sendo seis na década de 1970 e cinco na de 1980. Curiosidade: quatro delas- Antes da Chuva Chegar, A Cidade e a Neblina, Águas Passadas e Cuide-se Bem integram o álbum de estreia da carreira-solo de Guilherme, autointitulado e considerado por muita gente como o mais inspirado em seus mais de 40 anos de ótima trajetória musical.

Celebrando 50 anos do início de sua carreira como solista, após ter saído do Trio Esperança, Evinha se mostra em plena forma vocal aos 68 anos de idade. Ela está à vontade trabalhando com o repertório de Guilherme Arantes, e o bacana fica por conta de não ter se concentrado apenas no lado mais baladeiro e romântico do artista, aventurando-se também em faixas mais balançadas ou roqueiras como Deixa Chover e A Cidade e a Neblina.

Afora algumas vocalizações adicionais feitas provavelmente por ela própria em momentos pontuais de algumas das faixas, o que temos aqui é o melhor voz e piano. E a coisa só poderia dar certo com um músico de primeira, o que Gérard Gambus se mostra, dialogando de forma elegante e fluente com a voz de Evinha.

Como já tive a honra de ver alguns shows de Guilherme Arantes no formato voz e piano, foi muito divertido comparar suas performances com as de Evinha, notando as características próprias de cada um. E não é de se estranhar que o compositor tenha feito no encarte do CD um texto tão reverente e de gratidão à cantora por ter gravado este álbum. Ela merece.

Sou o Que Ele Quer, canção inédita que acabou gerando o álbum, é um belo acréscimo ao songbook do autor de Meu Mundo e Nada Mais, gravada com uma levada mezzo latina, mezzo jazzy que envolve o ouvinte sem muita dificuldade.

Outro ponto bacana do repertório foi equilibrar clássicos mais conhecidos do astro paulistano, como Êxtase, Brincar de Viver, Pedacinhos (Bye Bye So Long) e Amanhã, com resgates elogiáveis de outras menos conhecidas do grande público, entre as quais Antes da Chuva Chegar e Águas Passadas, esta última interpretada de forma tão vigorosa e feliz que se tornou totalmente dela. Merecia virar hit!

Evinha Canta Guilherme Arantes é aquela parceria perfeita, pois ajuda a divulgar a ótima e essencial obra de Guilherme Arantes, além de nos oferecer um pouco mais de uma cantora simplesmente brilhante, e que não tem tantos itens em sua discografia. Se vier um volume 2, garanto que ninguém irá reclamar.

Serviço dos shows:

São Paulo
Dia 12 de novembro (terça-feira) às 21h
Teatro Itália (avenida Ipiranga, nº 344- Edifício Itália- República- fone 0xx11-3255-1979)
Ingressos a R$ 50,00 (meia) e R$ 100,00 (inteira)

Rio de Janeiro
Dia 16 de novembro (sábado) às 19h30
Teatro Rival Petrobrás (Rua Álvaro Alvim, nº 33-37- Centro- fone 0xx21-2240-4469)
Ingressos a R$ 70,00

Ouça Evinha Canta Guilherme Arantes em streaming:

Taiguara no EP Como Lima Barreto, com gravações inéditas

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Por Fabian Chacur

Taiguara Chalar da Silva (1945-1996) nasceu no Uruguai, mas foi criado no Brasil, e se tornou um dos cantores, compositores e músicos que mais refletiu a beleza, o lirismo e a militância política na canção brasileira. Ao nos deixar precocemente aos 50 anos, deixou um legado musical de qualidade inquestionável. E é com muita alegria que celebramos o lançamento nas plataformas digitais do EP Como Lima Barreto, feito em parceria pelas gravadoras Kuarup e Saravá Discos e com quatro gravações inéditas do autor de Universo no Teu Corpo.

A gênese deste novo trabalho de Taiguara encontra-se em fitas cassete do acervo do jornalista e pesquisador musical Marcello Pereira Borghi. As gravações, provavelmente feitas durante a década de 1980, foram recuperadas de forma minuciosa pelo engenheiro de som Leonardo Nakabayashi.

Em três delas, tivemos o acréscimo de refinados acompanhamentos vocais e instrumentais dos quais participaram Zeca Baleiro (dono da Saravá Discos), Adriano Magoo, Swami Jr. e Tatiana Parra, entre outros.

A faixa que abre o EP é a mais impactante. Trata-se de uma gravação ao vivo do provavelmente maior clássico da canção de teor político da nossa música, Pra Que Não Dizer Que Não Falei das Flores (Caminhando), de Geraldo Vandré.

Com quase 10 minutos de duração, a gravação tem uma extensa fala em sua introdução na qual Taiguara fala sobre o mal que a ditadura militar fez à música brasileira e a importância de Vandré nesse contexto.

A plateia participa de forma vibrante da canção, que Taiguara emenda, na parte final, com a sua composição Voz do Leste, cuja versão de estúdio (com participação da dupla Cacique e Pajé) integra seu álbum Canções de Amor e Liberdade, lançado em 1983 e que marcou seu retorno discográfico após sete longos anos durante os quais foi perseguido pela censura.

Por dedução, dá para se imaginar que esta gravação tenha sido extraída de um show de divulgação deste álbum, na época. Das quatro faixas, é nesta que a voz do saudoso artista aparece mais cristalina e nítida.

Paulistana é uma bonita balada romântica com evidente influência de Tom Jobim e tempero quase erudito. Ave Maria também exemplifica a veia dedicada aos temas relacionados ao amor, só que com uma pegada mais pra fora.

Autor do livro Triste Fim de Policarpo Quaresma e figura importante da cultura brasileira, Lima Barreto é o tema da faixa que dá título ao EP, um samba-enredo composto com o intuito de ser utilizado em desfile da escola de samba carioca Unidos da Tijuca, o que infelizmente não ocorreu. O pique contagiante é ressaltado por violão sete cordas, percussão e coral acrescentados aqui.

Como Lima Barreto é um belo acréscimo à obra de Taiguara, um cantor de voz doce e compositor de algumas das mais expressivas e apaixonantes canções da nossa música durante as décadas de 1960 e 1970. Seu nome merece ser reverenciado, ainda mais em tempos tão obscuros e inseguros como os que vivemos na atualidade. Viva Taiguara!

Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores/Voz do Leste (ao vivo)- Taiguara:

George Michael tem novo single, tema do filme Last Christmas

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Por Fabian Chacur

O imenso talento de George Michael faz uma falta danada no cenário pop atual. Uma forma de aplacar um pouco a saudade deste grande cantor e compositor chegou às plataformas digitais nesta quarta-feira (6). Trata-se de This Is How (We Want You To Get High), single inédito e primeiro lançamento póstumo do astro pop. A canção integra um projeto cinematográfico que pode se tornar um grande sucesso de público.

Trata-se do filme Last Christmas (Uma Segunda Chance Para Amar, no Brasil), coescrito pela consagrada atriz britânica Emma Thompson e estrelado pelos atores Emilia Clarke e Henry Golding, com direção a cargo de Paul Feig (o mesmo da versão feminina de Os Caça-Fantasmas, de 2016).

O legal é que a trama, uma comédia romântica, é baseada em hits da carreira de George Michael. O álbum com a trilha sonora, que será disponibilizado nas plataformas digitais nesta sexta (8) e em breve também sairá no Brasil em CD, traz mais 14 faixas além da inédita, sendo três do Wham!, duo que levou o astro ao topo das paradas mundiais, e 11 hits de sua carreira-solo.

This Is How (We Want You To Get High), uma canção balançada e muito bacana com fortes elementos eletrônicos, começou a ser trabalhada em 2012, teve seu desenvolvimento em sessões no Air Studios (criado pelo saudoso e genial George Martin, produtor dos Beatles) e finalizada em 2015, durante as últimas gravações do autor de Father Figure. James Jackman é creditado como coautor e coprodutor desse single ao lado de George.

Eis as músicas da trilha de Last Christmas:

1. Last Christmas – Wham!
2. Too Funky
3. Fantasy
4. Praying for Time
5. Faith
6. Waiting for That Day
7. Heal the Pain
8. One More Try
9. Fastlove, Pt. 1
10. Everything She Wants – Wham!
11. Wake Me up Before You Go-Go – Wham!
12. Move On
13. Freedom! ’90
14. Praying for Time
15. This Is How (We Want You to Get High)

This Is How (We Want You To Get High)– George Michael:

Ayrton Mugnaini Jr. e seu jogo de cintura em Sujeito Determinado

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Por Fabian Chacur

Um certo Ayrton Mugnaini Jr. investe em sua carreira-solo há 35 anos, desde que nos proporcionou o seu primeiro lançamento, a fita-cassete Brega’s Banquet. Em seu currículo, integrou os célebres grupos Língua de Trapo e Magazine, além de ter músicas gravadas por muita gente boa (leia mais sobre ele e seu álbum anterior aqui). Agora, o cantor, compositor, jornalista e uma lista telefônica de outras coisas mais nos oferece um novo lançamento, Sujeito Determinado. E bota determinado nisso!

Certa vez, Mugnaini se definiu como um “pasteleiro de canções”. A comparação, típica de seu humor ácido, faz todo o sentido do mundo para quem acompanha sua trajetória há 37 anos. Sua capacidade de compor é similar ao de um pasteleiro em seu ofício, e até a questão dos sabores se encaixa feito luva. Não temos pastéis com os mais diferentes recheios? Pois esse cara também é capaz de escrever sobre qualquer tema, e valendo-se dos mais distintos ritmos musicais. E em quantidades industriais!

Querem um bom exemplo? A divertida Sou Lixeiro saiu da crítica publicada em um jornal mineiro sobre o ótimo álbum Na Honestidade (2002), do Magazine. O autor do texto ironizou a faixa Sou Flanelinha como se fosse uma medíocre (que não é, creiam) sucessora de Sou Boy, o maior hit da banda liderada pelo saudoso Kid Vinil. E aí, lá pelas tantas, o escriba soltou a pérola: “O Magazine agora vai falar de todos os subempregos. Qual vai ser o próximo? Sou Lixeiro?”.

Não deu outra. O Mug anotou a sugestão e agora nos oferece uma canção com o tema sugerido de forma irônica pelo cri-crítico mineiro. Provavelmente esse cara não irá saber, mas a música ficou sensacional, um retrato irônico e ácido sobre a relação entre nós e os lixeiros, importantes profissionais que deveriam ganhar muito mais e serem muito mais respeitados do que na verdade são.

O repertório de 18 músicas traz outros bons exemplos desses temas inesperados e improváveis que Mr. Mug, com sua alma pasteleira, transforma em biscoitos, digo, pasteis finos para quem curte música boa e inventiva. Eu Sei Que Vou Estar Lá, por exemplo, com uma levada no melhor estilo jovem guarda, tem como inspiração os discos ao vivo, mais especificamente o público que participa como plateia e as maracutaias feitas durante suas gravações.

O rock-balada Amor no Metrô flagra seu personagem em meio ao encontro com sua namorada. Aliás, já que falamos em parceira, Eu Fui Pego Pela Loira do Banheiro, outro rock-balada matador, usa como mote a lenda urbana da loira do banheiro para homenagear de forma delicada a atual companheira de Ayrton, Martha Maria Zimbarg, que é a autora de encantadora capa do CD e de quebra ainda é coautora e intérprete de A Mila, adorável homenagem a uma cachorrinha.

Se há uma canção neste álbum que tem cara de hit instantâneo, ela atende pelo título Você é o Zé Mané. Trata-se de um rock básico de tempero sessentista que gruda no seu ouvido e te leva a repetir o refrão ad infinitum. Se o saudoso Kid Vinil ainda estivesse entre nós, entraria como luva em seu repertório.

O cordel musical Peleja da Feminista Mal-humorada com o Galanteador é um registro sensacional de uma situação recorrente em redes sociais: o cara tentando ser gentil e a moça pé na porta encarando aquilo como assédio. Nem todo homem é assediador e nem toda mulher é gentil, sabemos todos nós.

E temos também a sensacional Palhaça, na qual Mug aparece acompanhado por seus parceiros Carlinhos Machado (bateria) e Marcos Mamuth (guitarra) no trio Los Interesantes Hombres Sin Nombre (que merecem seu próprio álbum, por sinal) e mais Chico Mar na flauta, gerando uma espécie de híbrido de Stray Cats com Jethro Tull que ficou uma delícia sonora.

Mas o momento mais surpreendente fica por conta de uma mistura mais do que improvável: Queen com Demônios da Garoa. Acha possível? Pois o Mugão, com ajuda do seu filho Ivo, conseguiu ao versionar Another One Bites The Dust (John Deacon) com um arranjo no qual o riff de baixo chupado de Good Times pela banda britânica virou um quás-quás-quás nas mãos dessa figura aqui.

Sujeito Determinado é divertido, inventivo e repleto de surpresas, e altamente recomendável para quem gosta de música feita com conhecimento de causa. Para conferir letras e texto do Ayrton sobre o álbum entre aqui. Saiba como conseguir sua cópia em CD via e-mail: mugayr@hotmail.com .

Namoro no Metrô (ao vivo)- Ayrton Mugnaini Jr.:

O Filho de José e Maria, de Odair José, enfim é reeditado em vinil

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Por Fabian Chacur

Durante 42 longos anos, o álbum O Filho de José e Maria (1977), de Odair José, manteve-se longe do catálogo das gravadoras, tornando-se uma raridade disputada a tapa nos sebos da vida. Isso não impediu esse incrível trabalho de se tornar um dos mais cultuados da carreira deste grande cantor, compositor e músico goiano. Pois agora, finalmente, teremos uma reedição, no formato LP de vinil de 180 gramas, bancada pela Polysom em parceria com a Sony Music, atual detentora dos direitos dos títulos da extinta gravadora RCA Victor.

Em pleno auge de seu sucesso comercial, Odair saiu da gravadora Polydor (atual Universal Music) e foi para a RCA, aceitando uma proposta das mais atrativas em termos financeiros. No entanto, surpreendeu a direção artística de lá ao gravar um álbum totalmente fora do que se poderia esperar. Ele compôs uma ópera-rock inspirada na vida de Jesus Cristo e nos livros de Gibran Kalil Gibram, mas adaptada para os dias atuais, tocando em temas polêmicos como a homofobia, o preconceito e o conservadorismo.

O elenco de músicos que o acompanha é de primeiríssima linha, incluindo o trio Azymuth (que também marcou presença nos seus discos clássicos da Polydor), Hyldon (guitarra), Robson Jorge (piano e Fender Rhodes) e Jaime Além. O resultado é simplesmente brilhante. No entanto, o público dele não estava preparado para um trabalho daquele porte, assim como a gravadora também não soube como divulgá-lo, e o resultado foi um retumbante fracasso.

Com o passar dos anos, O Filho de José e Maria tornou-se cultuado por um público roqueiro e mais sofisticado, e ganhou tanto respeito que levou o artista a fazer alguns shows tocando o seu repertório na íntegra, um deles tendo sido lançado em DVD em parceria com o Canal Brasil.

Lamente-se apenas o fato de esse relançamento ser apenas em vinil. Você só encontra músicas de O Filho de José e Maria em formato CD na hoje raríssima coletânea Grandes Sucessos (2000-BMG Brasil), que inclui 8 das 10 faixas do mais polêmico disco de Odair José.

Meu exemplar deste álbum histórico, autografado posteriormente pelo artista, tem uma história curiosa. Eu o adquiri em uma loja de discos no bairro paulistano da Liberdade no finalzinho dos anos 1980, a preço acessível e estado de novo. A explicação: os LPs naquele local ficavam em um mostruário com apenas a capa, com um papelão dentro da mesma. Eles guardavam os discos separadamente, e você só os tinha na hora que os comprava. Dessa forma, adquiri diversas raridades ultra bem conservadas e a preços ótimos.

Leia mais textos sobre Odair José aqui.

Fora da Realidade– Odair José:

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