Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Category: Editorial (page 2 of 2)

Cazuza: uma saudade completa 18 anos

Por Fabian Chacur

Cazuza teria completado cinqüenta anos de idade no dia quatro de abril. Teria, se não nos tivesse deixado em um triste sete de julho de 1990, entristecendo a todos os fãs de música e poesia sublime e rascante. Viveu por penas 32 anos, mas com grande intensidade. Em minha trajetória profissional, tive a oportunidade de encontrar o artista em três ocasiões diferentes.

A primeira, em 1987, na entrevista coletiva de lançamento de seu segundo disco solo, o ótimo Só Se For a Dois. Simpático, sincero e articulado, fez com que a minha admiração por ele aumentasse. Tiramos até fotos juntos. A coletiva rolou no antigo escritório da gravadora Polygram, situado na rua Teixeira da Silva, no Paraíso, próximo à avenida Paulista, e foi marcante por também ter conhecido naquele dia Ezequiel Neves, produtor do artista e um dos meus ídolos no jornalismo musical.

A segunda, em 1988, teve como tema o show que o artista faria no Aeroanta (SP), casa de shows situada no Largo da Batata, em Pinheiros. Lembro que me assustei por ver o quanto ele havia emagrecido. O astral positivo, no entanto, permanecia firme. Ele me autografou os LPs Cazuza (também conhecido como Exagerado), Só Se For a Dois e Ideologia.

O terceiro encontro ocorreu quando ele se apresentou ao vivo ou no final de 1988, ou no início de 1989, no antigo Palace (hoje, Citi Bank Hall). Era o show de lançamento de O Tempo Não Para-Cazuza Ao Vivo. Magérrimo, o roqueiro, no entanto, esbanjou energia, garra e aquela voz vibrante. No início, ficou meio contrariado pelo fato de o público não levantar e dançar, mas isso se alterou, e no final do espetáculo, a festa era total. Um grande show, com direito aos versos de Vida Louca Vida, de Lobão e Bernardo Vilhena: “vida louca vida, vida breve”……É, breve, mas no caso de Cazuza, repleta de luz, belas canções e fortes lembranças para os fãs. Saudades!

Cazuza ao vivo na tevê interpreta Codinome Beija-Flor:

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Echo & The Bunnymen brilha na festa da Kiss FM

Por Fabian Chacur

Quem presenciou a maratona roqueira que rolou no dia dois de julho na Via Funchal (SP) saiu de lá com um sorriso de orelha a orelha. A Kiss FM comemorou mais um aniversário de forma classuda, oferecendo aos fãs de classic rock quatro boas atrações. Bem, três, se levarmos em conta que o show de abertura, a cargo de Nasi, não esteve à altura do que o ótimo frontman fez em tempos idos. Cantar Sociedade Alternativa, de Raul Seixas, não ajudou muito a melhorar as coisas. Perdoável, se levarmos em conta o que viria depois.

Interessante banda do rock alternativo americano dos anos 80, o T.S.O.L. voltou ao Brasil mandando ver um rock básico com forte tempero de garage band e hard rock, arrancando urros ao tocar seu maior hit, Flowers By The Door, com ecos de Doors e faixa de seu ótimo álbum Change Today?, de 1985. Com seu vocalista flamboyant, Jay Aston, o Gene Loves Gezebel também levantou a platéia, com um rock gótico dançante no qual se destaca o hit Desire, que em 1987 tocava toda hora no Madame Satã.

Tive a honra de ver o Echo & The Bunnymen no Palácio das Convenções do Anhembi, em 1987, quando o então quarteto nos visitou pela primeira vez, e com sua formação original. Hoje, são seis músicos no palco, mantendo apenas Ian McCulloch (vocal) e Will Sargeant (guitarra) dos anos áureos. O que, felizmente, não significa queda de qualidade. A belíssima voz de Ian continua firme e forte, arrepiando a todos, enquanto as sutilezas da guitarra de Sargeant são muito bem acompanhadas pelos outros músicos. O repertório infelizmente deixou de lado alguns clássicos, como Lips Like Sugar e Bedbugs & Ballyhoo, mas nos ofereceu outros, como Killing Moon, Back Of Love, The Cutter, Seven Seas, Bring On The Dancing Horses, o histórico cover dos Doors People Are Strange e Rescue, além de boas canções dos discos mais recentes. Show excelente, de uma das poucas rádios comerciais que a gente consegue ouvir sem vomitar.

Bring On The Dancing Horses – Echo & The Bunnymen ao vivo:

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Cólera preserva a essência do punk rock de combate

Por Fabian Chacur

Em 1986, era sócio da Som & Imagem, espécie de fanzine feito de forma profissional cujo tema era o rock and roll em todas as suas vertentes. Na época, tive a honra de entrevistar Redson, vocal e guitarra do Cólera, uma das bandas pioneiras do punk rock brazuca. Tenho uma foto daquele encontro. Curiosamente, durante todos esses anos não havia tido a oportunidade de conferir a banda ao vivo, uma séria lacuna em meu currículo rocker. Para minha felicidade, corrigi isso no sábado passado, conferindo o trio em performance no Hangar 110 (SP). Uma noite inesquecível, em todos os aspectos.

Para começo de conversa, curti muito o Hangar, que me lembra um pouco o saudoso Dama Xoc, que ficava na rua Butantã, em Pinheiros. Espaço despojado, com cara rock and roll e acústica satisfatória, se a compararmos aos locais roqueiros dos 80’s em Sampa City.

As três bandas de abertura agradaram, com destaque para a Miguelito Cochabamba, misturando estilos que tornam seu hardcore bastante original e interessante. Mas a noite seria toda do Cólera, obviamente. A começar de seu líder, Redson. Sempre achei o Clemente, dos Inocentes, o melhor vocalista do punk rock brasileiro. Continuo sendo seu fã, mas o homem de frente do Cólera fica pau a pau com ele, com voz potente, carisma e fazendo algo muito difícil, que é preencher bem os espaços sonoros sendo a única guitarra da banda. Seu irmão, o vigoroso batera Pierre, injeta pura adrenalina em cada música, e o baixista Val não deixa a peteca ir ao chão. Pique, experiência e qualidade técnica tornam o show dos caras arrepiante.

Uma característica marcante, as letras militantes e com preocupações pacíficas, ecológicas e construtivas, continua forte e arrancando reações entusiásticas por parte da platéia. Em 2009, o Cólera irá comemorar 30 anos na estrada com o lançamento de seu primeiro DVD. Que venha logo. Garanto que não demorarei nem mesmo 22 meses para vê-los de novo ao vivo!

Confira o Cólera ao vivo no Hangar 110:

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Lua investe em sensacional fusão sonora

Em 2007, tive a oportunidade de conferir, na casa de shows Tom Brasil, um show da cantora Lua. Oriunda de Brasília e com o nome de batismo Luana Gorayeb, a moça veio acompanhada por integrantes do coletivo Instituto, e me deixou uma impressão arrebatadora.

A expectativa por seu disco de estréia era grande, e agora se confirma de forma positiva. Lua, o CD, que chega ao mercado pela via independente, é um verdadeiro coquetel molotov do melhor pop-rock-MPB dos últimos anos. Nasce como um clássico.

Ao contrário da maior parte das cantoras que andam surgindo ultimamente, Lua se pauta por duas características básicas: faz um som mais sacudido e dançante e não assina nenhuma das canções desse disco de estréia. Ou seja, não cai no erro de Ana Cañas, por exemplo, excepcional cantora cujas composições infelizmente ainda não tem o mesmo nível de sua bela voz.

Ela preferiu selecionar o repertório a partir da obra de outros artistas. Embora a maior parte dos autores seja bem conhecida do grande público (Cazuza, Chico César, Lenine, Davi Moraes, Carlinhos Brown, Zeca Baleiro, Pedro Luis, Jorge du Peixe, Moska), fica claro que o critério usado pela morena de cabelos longos foi o de qualidade musical, e não griffe.

Com produção a cargo de Alê Siqueira e mixagens de Bob Power, o disco é uma delícia de se ouvir, misturando elementos de reggae, funk, rock, MPB, mangue beat e o que mais vier. Os arranjos são certeiros, e Lua usa sua voz na medida certa, também aproveitando boas vocalizações quando necessário.

Além de ter um quê de Cássia Eller na ousadia, no pique, na vibração e na voz poderosa. Resultado: um discaço com forte potencial pop, no qual dá para destacar as sublimes Se Tudo Pode Acontecer, Piercing, Obrigado (Por Ter Se Mandado), Seres Tupy (com participação especial de Lenine), A Rede e Maracatu de Tiro Certeiro, embora o repertório seja bom como um todo. Sensacional é pouco para definir um trabalho como esse.

Lua ao vivo no Tom Jazz em 2007:

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Elvis Costello faz profissão de fé no rock and roll

Por Fabian Chacur

Desde o início de sua carreira discográfica, na segunda metade dos anos 70, Elvis Costello dá mostras de que é um artista muito acima da média. Ótimo músico, cantor vibrante, compositor original, nunca se limitou a um único horizonte em termos musicais. Até na seara erudita já andou se metendo. Lógico que nem sempre acerta, mas quando isso ocorre, é garantia de satisfação aos ouvintes mais exigentes. E é exatamente isso o que Momofuku, seu novo CD, creditado a Elvis Costello And The Imposters, proporciona. Disco básico, direto, mas daquele jeito que só ele sabe fazer.

Concebido para ser lançado em vinil, mas também disponível em CD e downloads, Momofuku teve seu nome extraído do inventor do cup noodle, ou seja, o miojo, matador instantâneo de fome popular no mundo todo. De certa forma, é o que as doze faixas do novo trabalho de Mr.Costello possibilitam. Ele investe no lado mais vigoroso de sua musicalidade, sem, no entanto, deixar de lado espaço para baladas e até mesmo uma canção com influências de bossa nova (Harry Worth).

Se só tivesse a matadora trinca de abertura, com as canções No Hiding Place, American Gangster Time e Turpentine, já valeria o preço, mas é um trabalho bom como um todo. Básico, sim, mas repleto de requintes como instrumentos com timbres bem diversificados, vocalizações bem concatenadas e ótimas participações de gente como Jenny Lewis, Johnathan Rice e David Hidalgo, além dos parceiros fiéis dos Imposters, a saber: Steve Nieve (teclados), Pete Thomas (bateria) e Davey Faragher (baixo).

Momofuku dá mostras de que o vigor e a criatividade desse cinquentão vibrante continuam mais fortes do que nunca, para alegria de quem curte rock com erre maiúsculo.

Elvis Costello e Sting cantam Alison ao vivo em maio de 2008:
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Os dedos ágeis de um genial Lindsey Buckingham

Por Fabian Chacur

A fama entrou na vida de Lindsey Buckingham a partir do momento em que gravou seu primeiro disco com o Fleetwood Mac em 1975. Auto-intitulado, o álbum ajudou a banda a tomar um novo rumo, tornando-se uma das grandes forças da história do pop rock. Mas ele também desenvolve uma carreira solo respeitável. Para divulgar o belo Under The Skin (2006), seu CD de estúdio mais recente, rolaram alguns shows nos EUA, sendo que um deles foi gravado, gerando o CD/DVD Live At The Bass Performance Hall. Um trabalho que reforça a categoria do astro americano, um excepcional cantor, compositor, guitarrista e violonista.

Buckingham se divide entre momentos voz e violão, e outros em que é acompanhado por Neale Heywood (guitarra e vocais), Taku Hirano (bateria) e Brett Tuggle (baixo, teclados e vocais). Ele enfatiza material de Under The Skin, com direito à faixa título, a tocante Not Too Late e a doce Cast Away Dreams, entre outras, mas não se absteve de investir em canções de outras eras. Trouble, seu maior sucesso na trajetória individual, por exemplo, surge em arranjo voz-violão que enfatiza o lirismo da letra, longe do delicioso formato pop da gravação original, embora igualmente ótima. Temos também algumas do Fleetwood Mac, como Never Going Back Again, Second Hand News, Go Your Own Way e Big Love. Os dedos ágeis e talentosos de Lindsey se sobressaem em meio a muita inspiração, bom gosto e perfeito timing em cena.

O DVD, além do show, também traz um média metragem intitulado Not Too Late, no qual todas as músicas de Under The Skin são tocadas, pontuadas por imagens íntimas do músico e sua família, comentários sobre vida, música, projetos etc. Se a banda que lhe deu fama voltará a ativa em 2009, ainda é cedo para garantir, embora os rumores (trocadilho inevitável) sejam fortes, até com uma possível presença de Sheryl Crow. Mas que a carreira solo do cara continua bem consistente, ah, lá isso continua.

Videoclipe de Trouble, de 1982:
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Deliciosa viagem na carreira-solo de Paul McCartney

Por Fabian Chacur

O que não falta no mercado, felizmente, são DVDs de James Paul McCartney. No entanto, o mais importante de todos acaba de sair. The McCartney Years é uma caixa contendo três discos e um encarte luxuoso. O conteúdo deixará qualquer fã de queixo caído: “apenas” mais de quarenta videoclipes lançados pelo ex-beatle em sua carreira individual, entre 1970 e 2005, ou seja, entre os álbuns McCartney e Chaos And Creation In The Backyard. Um registro que comprova o óbvio: mesmo que não tivesse integrado a maior banda de rock da história, ainda assim teria lugar garantido no Olimpo da música.

The McCartney Years resgata clipes há muito sumidos. Coming Up (1980), por exemplo, no qual Macca aparece vivendo vários personagens, incluindo baterista de rock pesado, guitarrista de rockabilly e baixista dos Beatles. Press (1986) teve concepção simples: o astro passeando pelo metrô londrino, lidando de forma bem-humorada com o assédio e a surpresa do público ao vê-lo ali, no meio do povão. Um mergulho em seu ambiente campestre em Heart Of The Country (1971), com direito até a participação da lendária sheep dog Martha (que inspirou Martha, My Dear, dos Beatles), apresentação na tevê para divulgar sua balada mais apaixonada e soul, My Love (de 1973), clima Segunda Guerra Mundial para divulgar a maravilhosa balada jazzística Baby’s Request, um hipotético colecionador japonês de memorabilia pontuado a deliciosa My Brave Face…….. E tudo isso com o recurso de ouvir os comentários do próprio McCartney acerca de cada clipe, e outros extras imperdíveis.

Dois DVDs trazem só os clipes, sendo que o terceiro é reservado a uma seleção de performances ao vivo nos anos 70, 90 e 2000. Para não dizer que só temos elogios por aqui, o encarte lista o clipe de Off The Ground como tendo sido gravado em 1989, quando foi na verdade realizado em 1993. De resto, só alegria. Vale cada centavo que você pagar nesse pacote luxuoso. Parcele no cartão……

Videoclipe de Coming Up:

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