Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Max Viana lança novo álbum no Brasil e também no Japão

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Por Fabian Chacur

Em 1998, com 25 anos de idade, o guitarrista Max Viana começou sua carreira de músico profissional integrando a banda de seu pai, ninguém menos do que Djavan. Era o princípio de uma trajetória repleta de conquistas. A mais recente é seu quarto álbum solo, Outro Sol, que está sendo lançado simultaneamente no formato digital no Brasil e Japão. Ele fala sobre este trabalho e sobre a carreira em entrevista concedida a Mondo Pop.

Mondo Pop- A sua carreira como músico profissional começou há 20 anos, como guitarrista da banda do seu pai. Quando sua trajetória como artista solo se iniciou? Como foi esse processo?
Max Viana
– Na verdade, o início foi também em 1998, na mesma época em que entrei na banda do meu pai. Eu comecei a gravar as minhas composições para ver como elas ficariam na minha voz, visava mais a validação das minhas músicas. Aí, eu gostei do que ouvi e iniciei um longo processo que retomei em 2001 e que teve como consequência o meu primeiro disco solo, lançado em 2003.

Mondo Pop- Como você compara esse seu primeiro disco solo, No Calçadão, com Outro Sol?
Max Viana
– Vejo coisas no meu novo álbum que tem a ver com as músicas de No Calçadão. A junção entre a black music e a MPB, por exemplo. Tem Linha de Frente, que é mais samba rock, tem O Amor Não Acabou, que é um samba. Sempre investi na diversidade, de não seguir um único caminho. Para mim, a MPB ganhou todo esse espaço no mundo graças a essa versatilidade, essas várias tendências e estilos diferentes.

Mondo Pop- Você lançou quatro álbuns solo nesses 20 anos de carreira, um número relativamente pequeno. Qual é a explicação para isso? Perfeccionismo, os problemas do mercado musical?
Max Viana
– É uma soma de várias coisas, incluindo esses problemas do mercado discográfico. Meu pai é bem mais perfeccionista do que eu, o disco para mim é legal no sentido de ser a fotografia de um momento. Fiquei dez anos trabalhando com o meu pai, produzi discos do Dudu Falcão, da Luiza Possi, de artistas de Angola, fiz a trilha para uma peça teatral da Heloísa Périssé, gravei com a Claudia Leitte, compus com o Guilherme Arantes, trabalhei em vários projetos diferentes.

Mondo Pop- Caramba, você fez muitas coisas nesse tempo todo de carreira…
Max Viana
– Ter uma aptidão para a música e não explorá-la ao máximo não é legal. Por isso, procuro sempre estar aberto aos mais diversos tipos de trabalho, sem me dedicar apenas a uma dessas vertentes.

Mondo Pop- Como foi que surgiu a oportunidade de lançar Outro Sol no Japão?
Max Viana
– O Renato é um brasileiro que atua no Japão, ele fez o contato, e foi a Universal Music Japan quem na verdade me convidou para gravar por lá. Mas ficou claro que seria um desperdício não lançar no Brasil, também, e é por isso que o álbum está saindo aqui e lá. No Japão, também sairá no formato físico no segundo semestre. Não mudei a minha concepção musical em função do disco sair no Japão, pois o público japonês gosta dessa diversidade da música brasileira, a música dita “de exportação” dá ao músico uma liberdade maior.

Mondo Pop- Você regravou nesse álbum Samurai, um dos maiores sucessos do Djavan. Como surgiu a ideia dessa releitura?
Max Viana
– Eu gravei parcerias minhas com o meu pai nos meus dois primeiros discos solo, mas nunca havia relido um sucesso dele. Quem teve a ideia foram os japoneses, pois Samurai fez muito sucesso lá nos anos 1980, regravá-la seria uma espécie de fecho de um ciclo. Ficou uma versão renovada, turbinada, bem 2018.

Mondo Pop- A música que você faz é bastante sofisticada, mas possui melodias e letras que fogem do hermético, tanto que Canções de Rei e Prazer e Luz (ambas de No Calçadão, de 2003) integraram trilhas de novela. Como você se autoavalia, musicalmente, e porque seu estilo musical aparece pouco atualmente na grande mídia?
Max Viana
– Acho o meu trabalho muito acessível em termos de melodias e letras. Tenho uma veia popular, mas um pouco mais sofisticada do que o que toca hoje em rádios e na TV. Nada contra, cada um vai buscar o que gosta, o que é preciso acontecer é mais democratização nos veículos de massa, abrindo espaços para estilos musicais além dos que estão na moda.

Mondo Pop- Como foi para você ter decidido trabalhar com música sendo filho de um dos nomes mais importantes da história da MPB?
Max Viana
– Para mim, sempre foi tranquilo a coisa de ser filho do Djavan. Uns são mais rigorosos comigo, outros, mais acessíveis, você se acostuma com a vida que você tem. Em outras profissões, isso é encarado com mais naturalidade, tipo medicina, direito, um filho seguir os passos do pai nessas áreas, enquanto na música encaram de forma um pouco pejorativa. Tem o lado bom e o lado ruim. A vida é sábia, não tem de ter só o lado bom, é preciso do equilíbrio.

Mondo Pop- Você compôs várias músicas com o Dudu Falcão, que também é parceiro de Lenine e Danilo Caymmi e foi gravado por muita gente. Como é seu trabalho com ele?
Max Viana
– Já fizemos parcerias de todas as formas, com ele fazendo letra e eu música, os dois fazendo as duas coisas etc. Ele é muito rápido, intenso, natural, aprendo muito com ele, A gente compõe sempre, independente de trabalho, de ter um disco para lançar ou coisa assim. Eu produzi o disco dele, não se trata “apenas” de um letrista.

Canções de Rei (clipe)- Max Viana:

Maneva lança single e gravará um DVD/CD acústico ao vivo

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Por Fabian Chacur

Há mais de dez anos na estrada, o grupo Maneva iniciou sua parceria com a Universal Music há quase dois anos. Desde então, conseguiu ampliar ainda mais os seus horizontes. Sua mais recente turnê passou por 19 estados e 130 cidade, atingindo mais de 600 mil expectadores. Agora, chegou a hora de preparar um novo trabalho. Eles acabam de lançar um novo single, e gravam neste fim de semana um DVD/CD acústico. Os ingressos para o show de sábado (2/6) já estão esgotados, mas ainda existem ingressos para o de domingo (3/6). Saiba mais aqui.

Integrado por Tales de Poli (vocal), Felipe Sousa (guitarra), Fernando Gato (baixo), Diego Andrade (percussão) e Fabinho Araújo (bateria), o Maneva é um dos nomes mais bem-sucedidos do reggae brasileiro nos últimos anos. Para Diego, esse sucesso tem a ver com as vibrações positivas do som da banda. “Cantamos o que a gente sente, com vibrações positivas, pra cima, trazendo as pessoas para o bem”, avalia.

Tô de Pé, o novo single, está sendo divulgado com um videoclipe gravado na avenida Paulista, e fala sobre a batalha para ser feliz mesmo seguindo um estilo de vida diferente do padrão tradicional da sociedade em geral. Caio, um músico de rua descoberto quando a equipe que registrou o vídeo pesquisava as locações, é o personagem principal.

“Acho que a gente pode ser feliz buscando novas soluções para encontrar a felicidade, para termos uma vida que apreciamos. E esse novo single representa isso, a busca da vida que será perfeita para você sem se importar com os outros”, explica Tales.

O trabalho, que mostrará a banda em meio a violões, percussão, metais e teclados eletroacústicos, trará uma mescla de nove faixas inéditas com outras tantas canções não tão conhecidas do repertório do grupo oriundo da zona norte da cidade de São Paulo.

“Deixamos de fora os nossos maiores hits para não ficar mais do mesmo, pois eles já fazem parte dos DVDs anteriores; temos os lados B do nosso acervo antigo que o grande público ainda não conhece, como Teu Chão, Ruínas e Vá Vivendo, por exemplo”, explica Diego.

Duas surpresas só serão descobertas na hora dos shows. Uma será a primeira vez em que o grupo gravará uma música de outro artista. Diego só dá uma pista: é um grande sucesso do pagode dos anos 1990. A outra fica por conta da provável participação de convidados especiais.

Este será o terceiro DVD e oitavo CD da bem sucedida carreira do Maneva. “Levantamos essa bandeira das bandas orgânicas, que são poucas atualmente no Brasil comparando com as eletrônicas, mas esse é o som no qual acreditamos”, finaliza Diego.

Tô De Pé (clipe)- Maneva:

Gabily investe no funk carioca em seu novo single, “Toma”

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Por Fabian Chacur

Gabily ficou conhecida no cenário nacional ao lançar, no final de 2016, um EP pela Universal Music do qual se destacou a faixa Deixa Rolar, de pegada pop dançante e apelo romântico. A cantora carioca de 23 anos agora volta com um novo single pela mesma gravadora, Toma, gravado em parceria com o MC WM, no qual mergulha de cabeça no funk carioca. Ela afirma ser o início de uma nova fase em sua carreira.

“Em 2018, pretendo trabalhar mais no funk. Acho que o público pode estranhar um pouco, pois eu nasci no pop e agora estou vindo para o funk, o contrário do que normalmente ocorre. Mas estou totalmente funk agora, acho que o funk te dá uma liberdade de expressão em dança, em música, em fala, a mulher se sente livre, encara os preconceitos”, explica, em entrevista a Mondo Pop.

Toma, a faixa que inaugura esse nova fase, já está disponível nas plataformas digitais em áudio e clipe. Trata-se de um exemplo dessa liberdade que ela busca em seu trabalho. “Essa música defende uma igualdade entre o homem e a mulher, que um pode usar para o outro a mesma abordagem, sem preconceitos nem limitações”, explica ela, que diz admirar o trabalho do MC WM como funkeiro e como produtor.

Para Gabily, o EP Deixa Rolar ajudou a posicioná-la perante o cenário musical. Quem curtiu o formato pop desse trabalho pode aguardar futuramente algo nessa linha, pois se há algo que a artista carioca preza é liberdade artística. “Minha ideia é lançar uns quatro singles na linha do funk até o final deste ano, mas a seguir já tenho uma faixa nessa linha romântica, não quero ficar presa a um único jeito de fazer música”.

Os formatos single e EP serão seguido pela artista, que não pensa em lançar álbuns. “Hoje não existe um padrão rígido de formatos musicais, pode ser single, álbum, o que for. Aqui no Rio essa coisa do álbum acabou faz tempo, todos investem nos singles, que te permitem dar ao público aquele gostinho de mistério, de fugir do padrão único que as músicas de um álbum costumam seguir. Acho melhor lançar um DVD com os clipes, uma espécie de álbum visual”, explica.

Desde 2015, quando lançou sua primeira música de trabalho, Não Enrola, Gabily já gravou parcerias com vários artistas, entre os quais Ludmilla, Mika (Mikael Borges, ex-Rebelde) e a dupla Lucas e Orelha. Algumas rolam por sugestão de seus produtores, os badalados Umberto Tavares e Mãozinha. “Mas eu dou palpite em tudo na minha carreira. Isso até me atrapalha um pouco, pois gosto de acompanhar tudo de perto”.

Dos 16 aos 21 anos, Gabriela Batista (seu nome de batismo) trabalhou em um banco, e nesse período cursou três semestres do curso universitário de Gestão Financeira na Unigranrio. Ela abandonou a faculdade ao decidir se concentrar integralmente na carreira musical, que ela havia experimentado ainda criança ao lançar um CD gospel quando tinha apenas 9 anos de idade.

Aliás, o fato de ser filha de pais evangélicos não trouxe complicações a Gabily, quando ela resolveu se dedicar à música secular (termo usado pelos evangélicos para definir música que não seja a religiosa). “Meus pais me apoiaram demais, assim como os meus amigos. Para eles, continuo sendo a Gabriela, o meu trabalho não tem a ver com a minha religiosidade, que continua a mesma, indo à igreja e tudo o mais”.

Toma– Gabily e MC WM:

Victor Mota lança EP e busca o crossover na música popular

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Por Fabian Chacur

Era para Victor Mota ter se tornado um profissional bem-sucedido na área de atuação em que se formou em termos universitários, a administração de empresas. No entanto, a música, que há muito fazia parte de sua vida, atropelou esse rumo que parecia inevitável. Ele acaba de lançar o seu primeiro EP, Antes do Sol Chegar, que já está disponível nas principais plataformas digitais e é fruto de um processo de consolidação e criação que durou uns bons anos antes de, enfim, se concretizar.

O cantor, compositor e músico cearense explica como ocorreu essa reviravolta em seu direcionamento de vida. “A música foi um hobby para mim até o limite em que isso foi possível. Só que chegou um momento em que tudo estava encaminhado na administração de empresas, não tinha tempo para música nem em termos de hobby”. relembra. Aí, o conselho de um professor o levou a ir para os EUA conhecer a célebre Berklee School Of Music, em Boston.

“Fiquei inicialmente um mês por lá para conhecer a Berklee e sentir o tamanho do desafio. Então, voltei ao Brasil e, em maio de 2010, retornei novamente para os EUA, desta vez para estudar”, relembra. “Foi uma experiência de vida, um divisor de águas, abriu a minha cabeça. Convivi com pessoas de todo o mundo, até mesmo do Brasil”.

Na Berklee, uma das escolas de música mais conceituadas do mundo e que tem entre seus formandos nomes do gabarito de Quincy Jones e Diana Krall, ele teve a oportunidade de participar de workshops com músicos como Ivan Lins, Marcos Valle e Filó Machado. “A Berklee dá muito valor ao músico brasileiro, tem até um curso de música brasileira lá. Essa oportunidade de interagir com o Ivan, o Marcos e o Filó foi marcante para mim”.

Após voltar ao Brasil, no final de 2013, Mota passou um período de um ano e meio em Fortaleza, tocando em bares. Em 2015, mudou-se para São Paulo, em busca de uma equipe para trabalhar com ele e viabilizar seu projeto de carreira. “Para mim, o sucesso de um artista depende da equipe com a qual você trabalha, é preciso montar um time”.

Depois de lançar vídeos no Youtube (um deles com o conterrâneo Marcos Lessa) e se apresentar ao vivo, incluindo shows semanais em um badalado hotel em São Paulo, Victor resolveu investir em um EP digital com quatro músicas, escolhidas a partir de um universo inicial de 30 composições próprias. “Vivemos um momento no qual as informações vem de todos os lados, é melhor lançar as coisas aos poucos, o mercado nos levou a essa coisa do EP, do single”, justifica.

O EP traz as músicas Antes do Sol Chegar (divulgada por um videoclipe já disponível no Youtube), Vem, Dias Melhores e Vou (Saudade é Feita). “Procurei nesse EP dar pinceladas do meu trabalho; temos muito violão e voz, com canções sobre relacionamentos; em um próximo trabalho, quero mostrar o meu lado guitarrista, e também estou aberto a outros temas para as letras”.

Aliás, se há algo que Victor Mota ressalta em sua abordagem artística é a abertura em relação a flerte com diversos estilos musicais. “Minha música sempre vai ser pop, minhas referências musicais também transitam por vários estilos, é o que artistas como John Mayer, Paulinho Moska, Marília Mendonça e Jamie Cullum fazem, por exemplo, e é definido lá fora como crossover”.

Atualmente, por sinal, ele está compondo com artista sertanejos que ele prefere não revelar no momento. “Está sendo uma troca muito boas para nós, pois estou aprendendo e ensinando ao mesmo tempo. O resto do mercado musical tem muito a aprender com o sertanejo, eles sempre estão abertos a essas parcerias, e isso explica o porque é um gênero musical tão popular”, explica.

Victor pretende lançar novas músicas no segundo semestre, embora ainda não saiba em que formato. Um álbum completo está em seus planos para o futuro. Para ele, o formato digital e as redes sociais são ferramentas importantes para progredir em termos profissionais. “O digital tem uma coisa caótica, você é bombardeado de informações o tempo todo. O caminho é criar um contato direto com o público, cativá-lo e atraí-lo para os seus shows”.

A expressão “ser popular sem cair no popularesco” parece feita sob medida para as pretensões profissionais de Victor Mota no cenário da música brasileira. “Meu propósito sempre foi fazer música popular, para o povo. Junto todos os estilos, jogo em um caldeirão e crio a minha própria linguagem, sem forçar a barra para fazer sucesso”.

Antes do Sol Chegar (videoclipe)- Vitor Mota:

Jehane Saade lança videoclipe Fuego e busca novos rumos

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Por Fabian Chacur

Jehane Saade define como marco inicial de sua carreira musical a criação de sua primeira composição, Je Ne Veux Plus, em 2009. O fato de a letra ser em francês diz muito sobre o direcionamento da carreira desta descendente de libaneses. Ela inicia uma nova fase na sua trajetória com o lançamento do single Fuego, com letra mesclando castelhano e português e divulgada por um caprichado lyric vídeo gravado no Líbano.

Com levada dançante com forte tempero do reggaeton, Fuego equivale a uma amostra do que a cantora carioca quer fazer neste momento da carreira. “Pretendo ir lançando novas faixas aos poucos, fazendo músicas dentro dos padrões aceitáveis do pop atual, ampliando os meus horizontes, para entrar nas principais vitrines”, define.

Versátil, Jehane é cantora, compositora, dançarina, atriz e jornalista. Seu contato com a música foi bem precoce, pois sua mãe canta e o pai dava aulas de canto lírico, além de ser ator. “Ouvi muita ópera quando criança, e também Chico Buarque, George Moustaki e a música libanesa, que é muito profunda, com muitas modulações; minha veia artística sempre teve muito apoio da minha mãe”.

Além da música, ela sempre teve envolvimento com grupos teatrais, o que a ajudou a desenvolver sua expressão corporal. Em 2012, gravou em Los Angeles (EUA) um EP com o produtor e músico Erich Bulling, conhecido por seu trabalho com artistas do porte de Rita Lee, Fafá de Belém e Fábio Jr, entre outros. “Foi uma grande oportunidade que eu deveria ter aproveitado melhor, mas optei por voltar ao Brasil por razões familiares”, relembra.

Em 2016, ela lançou seu primeiro álbum, Exótica, disponível nas plataformas digitais e trazendo 11 faixas autorais com sonoridade eletrônica, dançante e hipnótica, entre as quais Pé na Estrada, Fora do Lugar, a pioneira Je Ne Veux Plus, Meia Noite em Paris e Caminho de Buda. “É um projeto autoral em todos os aspectos, totalmente genuíno”.

Jehane tem uma orientação de vida bastante voltada para o seu eu interior. “Nos tempos modernos, a arte começou a ser consumida de uma forma descartável e efêmera, e eu busco uma visão mais artística, com uma linguagem mais plástica, com tudo bem harmonizado, indo profundamente rumo ao meu interior; busco o eterno”.

Além de lançar novas músicas, a artista carioca também pretende estruturar um show no qual possa desenvolver de forma completa a sua concepção artística, na qual mescla elementos de música, teatro e dança. “Sempre imagino linguagens visuais para as músicas que faço, brincar com as linguagens, misturar teatro com música, mas de forma espontânea, traduzindo o que penso de forma aberta, deixar fluir”.

Fuego (clipe)- Jehane Saade:

Jão faz trabalho autoral após cover bem-sucedido de Anitta

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Por Fabian Chacur

Jão e Anitta ainda não se conhecem pessoalmente, mas o cantor e compositor paulista deve uma à estrela pop brasileira. Um fã-clube da cantora encontrou no Youtube um cover feito por Jão da música Bang!, e proporcionaram ao clipe caseiro quase 400 mil acessos. Um ano e dois meses depois, surge a Universal Music, que o contratou e agora aposta na vertente autoral do artista de 23 anos, com os singles Álcool e Ressaca.

Ao contrário do que os títulos podem dar a entender, o artista oriundo da cidade de Américo Brasiliense e há quatro anos radicado em São Paulo não investe em relatos de bebedeiras a la sertanejo universitário em suas letras. “Essas duas músicas foram feitas a partir do contraste entre a expectativa e o resultado final, saiu do óbvio”, explica.

O nome artístico, básico e curiosamente igual ao do guitarrista e fundador do grupo punk Ratos de Porão, entrou na vida de João Vitor Romania quando ele ainda era criança. “Na hora de definir meu nome artístico, achei Jão ideal, porque é muito prático, simples e fácil de falar, além de me acompanhar desde a minha infância”.

A música faz parte da vida de Jão desde sempre, pois, segundo ele, sua família é muito festeira e bem musical. Ainda em sua cidade natal, aprendeu sozinho a se gravar com o auxílio de um computador, e seu objetivo era fazer coisas diferentes, fugindo do habitual voz e violão. E foi dessa forma que gravou a releitura de Bang!.

Os clipes dos singles foram gravados tendo locais específicos de São Paulo como cenário. “Nunca imaginei que pudesse participar de dois clips feitos de forma tão profissional, mostrando São Paulo de uma forma muito legal. Ficaram ótimos”, avalia. As faixas farão parte de seu primeiro EP, previsto para sair no primeiro semestre de 2018 pela via digital. “Serão lançados alguns singles antes, e por enquanto não pensamos em lançar em CD ou vinil”.

A música de Jão é basicamente r&b moderno, mas buscando caminhos próprios. “A música tem de mexer com as pessoas, trazer emoções, para fazer você se divertir, pensar; gosto de misturar elementos musicais, criar algo novo”. E não nega que amaria gravar com Anitta. “Ela viu o meu clipe e disse que adorou, adoraria fazer um trabalho com ela”.

Álcool (clipe)- Jão:

Tim Reynolds inicia uma turnê de quatro shows pelo Brasil

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Por Fabian Chacur

O violonista alemão radicado nos EUA Tim Reynolds inicia neste domingo (26) às 19h no Teatro Municipal de Niterói (RJ) uma curta turnê pelo Brasil que inclui também shows no dia 1º/12 no Rio de Janeiro (Blue Note Rio) e 2/12 em Belo Horizonte (A Autêntica). A sequência se encerra no dia 5/12 às 21h30 em São Paulo no Bourbon Street (rua dos Chanés, nº 194- Moema- fone 0xx11-6100), com ingressos de R$ 115,00 a R$ 160,00.

Nascido em 15 de dezembro de 1957 na Alemanha, filho de um militar americano, Reynolds tornou-se conhecido no cenário musical dos EUA a partir da década de 1990, como artista-solo, integrante do trio TR3 e também tocando com a Dave Matthews Band. Vale lembrar que ele foi um dos maiores incentivadores de Matthews a se tornar músico profissional, quando o hoje astro do rock era apenas um bartender de uma pequena casa de shows no interior dos EUA.

Os shows do artista serão acústicos, e provavelmente terão algum material do álbum That Way, gravado neste formato e previsto para sair em dezembro nos EUA. No repertório, canções próprias e também releituras de obras de artistas e grupo admirados por ele, como Prince, Jethro Tull, James Brown e Led Zeppelin.

O show terá convidados brasileiros: Carlos Malta (que já participou de shows da Dave Matthews Band e de nomes como Roberto Carlos, Caetano Veloso e muitos outros), Pedro Agapio (do grupo 3 Steps) e Fernando Anitelli (do Teatro Mágico). Reynolds já tocou no Brasil anteriormente, como integrante da Dave Matthews Band e com seu grupo paralelo, o TR3, projetos que ele intercala com a sua carreira-solo, que agora ele vem mostrar por aqui.

Leia a seguir entrevista feita por mim em 2013 por telefone com Tim Reynolds e que ficou inédita por razões alheias à minha vontade:

Nascido na Alemanha e criado desde moleque nos EUA, Reynolds se juntou à Dave Matthews Band quando o grupo estava em vias de gravar seu primeiro álbum por uma grande gravadora, Under The Table And Dreaming (1994). Ele já esteve algumas vezes no Brasil, com a DMB e o TR3, e tem ótimas recordações.

“Amei a música, a atmosfera e o público brasileiro, e é muito bom poder voltar agora com o meu próprio trabalho, tocando em um lugar mais intimista, onde a troca de energias é mais direta”.

A atual encarnação da TR3 (com a qual ele tocou por aqui em 2013) está na ativa há dez anos, e Reynolds a considera melhor do que a inicial, com a qual se apresentou no inicio de sua carreira, nos anos 80, e que deixou de lado ao entrar na DMB.

“Nossa formação atual é mais sólida, tocamos bastante juntos, somos como uma família. Sinto que crescemos a cada ano em termos musicais”, explica. Eles já lançaram os álbuns Radiance (2009), From Space And Beyond (2011) e Like Some Kind of Alien Invasion (2014). Ele normalmente não toca músicas da Dave Matthews Band em seus shows individuais. “Não faria sentido”, justifica.

Tim Reynolds garante curtir muito tocar com o TR3 e a Dave Matthews Band, além dos shows acústicos em duo que costuma fazer com Matthews (que geraram vários discos gravados ao vivo).
“Gosto de me dedicar a trabalhos diferentes entre si, são desafios bons de encarar. Com a DMB sou um “sideman” (músico de apoio), toco as partes de guitarra. Na TR3, componho, faço arranjos, mostro mais quem eu sou. E tem o duo de violões com Dave. Gosto de investir em coisas diferentes, aprender coisas novas”.

Dos diversos trabalhos que gravou com Dave Matthews nesses anos todos, ele aponta Away From The World (2012), como o seu favorito. “Gostei muito desse disco, pude improvisar mais como músico, e achei ótimo trabalhar de novo com o produtor Steve Lillywhite, que voltou a produzir um álbum da DMB após 14 anos”. Entre seus ídolos, ele aponta Led Zeppelin, Cream. Robin Trower e Golden Earring, que considera influências marcantes no som do TR3.

Betrayal (live)- Tim Reynolds:

Andre Gimaranz lança seu CD Supermoon com show no Rio

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Por Fabian Chacur

Se você é daqueles fãs de classic rock com um tempero caprichado de blues, jazz e folk e busca algum artista atual que desenvolva bem essa fórmula mágica de se fazer música, precisa ouvir urgente Andre Gimaranz. O cantor, compositor, guitarrista e arranjador brasileiro esbanja categoria nessa praia em Supermoon, álbum de altíssima qualidade artística que ele lança no Rio de Janeiro nesta terça-feira (17) às 20h30 na Casa de Cultura Laura Alvim (avenida Vieira Souto, nº 176- Ipanema- fone 0xx21-2332-2016), com ingressos de R$25,00 a R$50,00.

Lógico que um álbum com a qualidade de Supermoon não sairia do nada, e o pedigree de Gimaranz é dos mais elogiáveis. Filho do violonista e guitarrista Antônio Carlos, que tem no currículo parcerias com Roberto Menescal e foi bastante atuante nas décadas de 1950 e 1960, ele é formado em guitarra na mitológica Berklee School, em Boston, e atuou como músico de estúdio e produtor de vinhetas para publicidade e trilhas sonoras nos EUA, especialmente em Nova York e Los Angeles.

Em 2014, ele resolveu investir em um trabalho autoral, que sairia no ano seguinte, o álbum Handmade. O álbum trazia composições próprias e duas releituras, Murder By Numbers (do The Police) e I Can’t Stand The Rain (hit com Tina Turner, Eruption e diversos outros artistas). “Pensava inicialmente em só incluir canções próprias, mas resolvi regravar essas duas, pois consegui fazer releituras delas de forma bem pessoal”, diz, em entrevista via telefone a Mondo Pop.

Além de fazer shows de divulgação do álbum nos EUA e no Brasil, Gimaranz também foi indicado nas categorias Disco do Ano e Música do Ano (Even) no IMEA Awards, importante prêmio criado pela Associação Internacional de Artes de Entretenimento da América. “O meu primeiro álbum teve uma aceitação interessante no meio independente internacional. Foi o possível para alguém independente”.

Depois de muito tempo radicado nos EUA, atualmente o músico se concentra um pouco mais em seu país, tanto que Supermoon foi gravado por aqui, com a masterização realizada em Nashville (EUA). Em relação ao 1º CD, algumas diferenças se sobressaem. “Desta vez, tenho alguns parceiros nas composições. Isso deu uma cor maior nesse segmento do meu trabalho”. Outra novidade: duas músicas em português.

Admito Que Perdi (de Paulinho Moska) e Construção (de Chico Buarque) me deram a oportunidade de investir no meu lado de arranjador, pois as trouxe para o meu universo musical; gravei oito tracks de guitarra em Construção, ficou bem diferente da versão original”. São as duas primeiras músicas gravadas por ele em português. “Não me sinto muito confortável para compor em português, mas pode rolar no futuro, quem sabe com um parceiro letrista”.

Supermoon conta com a produção do experiente Kadu Menezes (que já trabalhou com Kid Abelha, Leo Jaime e Lobão, entre outros). Marcam presença no disco músicos como Flávio Guimarães (Blues Etílicos), Billy Brandão e Guilherme Schwab (Suricato), entre outros. O álbum não se perde em solos excessivos de guitarra. “Lógico que o disco tem bastante guitarra, mas não vejo necessidade de fazer solos exibicionistas, procuro mostrar mais texturas, investir nos arranjos e valorizar as canções”.

Com dez faixas, o álbum inclui desde rocks mais vigorosos como State Of Rage And Fear e Tough Guys Don’t Dance até as delicadas Falling Appart e Reaching, com direito a cordas e metais. A diversidade do material bate com a concepção musical do artista. “Sempre ouvi muita coisa diferente, como rock, jazz,blues, bossa nova, e acho que sempre terá um pouco de tudo isso no que eu fizer; tem coisas mais pesadas, mais leves, o meu negócio é música boa, sempre”.

O álbum Supermoon pode ser encontrado em CD e também nas plataformas digitais, em lançamento do selo do artista, o Flawless Imperfections. Sobre a atual situação do mercado discográfico, Gimaranz tem uma opinião própria. “A internet trouxe coisas boas para os artistas independentes, e as gravadoras passaram a ser basicamente empresas de marketing. Acho que, no futuro, as gravadoras irão retomar a sua importância no surgimento de novos valores, pois é complicado para o artista fazer tudo ao mesmo tempo”.

Em termos de rock no Brasil, ele põe o dedo na ferida. “O rock perdeu muito espaço no Brasil, nos últimos 20 anos. O que se faz atualmente é muito ruim, sem melodias, nem acordes, falta criatividade. Acho que é um ciclo. E tem pouco rock nas rádios. O artista novo nasce morto por causa da pouca remuneração do streaming, que atualmente predomina. E para fazer shows, é preciso que conheçam a sua música, o artista com trabalho próprio sofre”.

Para acompanha-lo no show desta terça (17), Andre Gimaranz terá consigo uma banda afiadíssima formada por Billy Brandão (guitarra), Bruno Migliari (baixo), Alex Veley (teclado), Kadu Menezes (bateria) e ele próprio nas guitarras, violão, ukulelê e charango. No repertório, músicas de Supermoon, algumas de Handmade e releituras como Wolverine, dos Picassos Falsos.

Nesta segunda (16), Gimaranz fará uma Facebook Live Session a partir das 17h direto do estúdio Palco 41, no qual ele e sua banda estão ensaiando para o show desta terça (17). Você poderá ouvir um bate-papo com ele e também performances ao vivo. O link é aqui.

Falling Apart (clipe)- André Gimaranz:

Xande de Pilares retorna com uma enxurrada de canções

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Por Fabian Chacur

Três anos se passaram desde que Xande de Pilares lançou Perseverança, seu primeiro álbum solo. Nesse período, ele se consolidou de vez no meio do samba, após ter sido integrante do grupo Revelação entre 1992 e 2014. Agora, ele volta, e com tudo, com um novo CD. Trata-se de Esse Menino Sou Eu, que esbanja fome de bola, especialmente pelo fato de trazer 17 canções, algo não muito comum nos lançamentos atuais.

Chega a ser curioso saber que, quando o cantor, compositor e músico carioca saiu do Revelação, ele pensou em largar mão de tudo. “Recebi muitos conselhos do Jorge Aragão, da Leci Brandão, do pessoal do Salgueiro, do Prateado, do Leandro Sapucahy, da minha mãe, eles não me deixaram desistir, e me fizeram acreditar no meu trabalho”, relembra, em entrevista a Mondo Pop.

Após a ótima repercussão do primeiro trabalho individual, ele preferiu preparar com calma um sucessor de Perseverança, algo que tem a ver com o seu jeito de ser. “Não sou um cara apressado em nada. Não estou preocupado com resultados imediatos, quero fazer história. Vide o Noel Rosa, que viveu pouco e se foi há muito tempo, mas cujo trabalho está aí até hoje”. A música Tem Que Provar Que Merece, uma das melhores do álbum, fala exatamente sobre isso, essa disposição de lutar para conseguir concretizar seus sonhos.

O seu som traz elementos das raízes do samba, mas sem se fechar a outras influências. “Não me submeto a mudanças. Procuro me adaptar e evoluir, mas sem deixar de ser eu. O samba está sempre aí, e respeito os outros estilos musicais”. Aliás, ele justifica o grande número de canções exatamente a essa vontade de investir em material de qualidade. “Tinha muitas músicas boas, a seleção inicial de repertório trazia umas 50, então não dava para deixar tanta coisa de fora”.

A explicação de Xande fica ainda mais clara quando ele revela que lançará um segundo volume de Esse Menino Sou Eu em um futuro não muito distante, com direito a mais 18 músicas e a participações especiais de nomes como Maria Rita e Seu Jorge, entre outros. Um DVD, que será o primeiro sem o Revelação, também está previsto para 2018.

Esse Menino Sou Eu, em seu primeiro volume, traz participações especiais de Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, André Renato e a mãe de Xande, Maura Helena. “Conhecer o Zeca e me tornar seu amigo foi um dos maiores presentes que o Arlindo Cruz me deu, pois foi ele quem me aproximou dos meus ídolos; o André Renato é filho do Sereno, do Fundo de Quintal, e sempre vi um grande potencial nele, tem um estilo de cantar bem próprio”.

A faixa Mãe é uma das mais emocionantes. “Esse disco fala muito da minha vida, e nessa faixa homenageio a minha mãe, que me influenciou muito musicalmente e que tem muita importância para mim, foi emocionante gravar ao lado dela”. Aliás, uma das coisas que Xande mais curte é trabalhar em equipe. “Vida compartilhada é muito melhor, música é você interagir com os outros, é aí que as coisas saem”.

Ele também aponta a importância do consagrado e experiente produtor Prateado na concretização desse novo projeto. “Nossa parceria fluiu muito no estúdio, também compusemos músicas juntos. Sempre quis trabalhar com ele, mas como sou muito tímido, espero sempre o momento certo para concretizar essas parcerias. Temos os mesmos gostos musicais, é um cara incrível”.

Aliás, o que não falta no currículo de Xande é parceria. Só com Zélia Duncan ele já compôs 17 músicas, sendo que 3 já foram gravadas por ela. Ele também destaca outros nomes importantes. “A Maria Rita virou minha irmã, ela gravou três músicas minhas. E também busco relação com os músicos das antigas, respeito muito eles, fui criado assim”.

Além de composições inéditas dele e de outros autores, o ex-cantor do Revelação também escolheu a dedo algumas canções para regravar, dos repertórios de Benito di Paula, Jorginho do Império e Djavan. “Alegre Menina, por exemplo, foi lançada na trilha da novela Gabriela, em 1975, com o Djavan; ela soa natural, me dá uma grande emoção, pois me transporta para a minha infância”.

Além de todos os projetos previstos para o futuro próximo, ele também gostaria de regravar músicas de Roberto Carlos e Jorge Ben Jor. Desde último, ele até já sabe qual seria a escolhida. “Amo o álbum A Tábua de Esmeraldas (1974), e especialmente a faixa A Minha Teimosia é Uma Arma Pra Te Conquistar, essa seria muito legal de regravar”.

Tem Que Provar Que Merece– Xande de Pilares:

Feito em Casa, clássico LP de Antônio Adolfo, faz 40 anos

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Por Fabian Chacur

Em 1977, cansado de ouvir não dos diretores artísticos de gravadoras, Antonio Adolfo arregaçou as mangas e lançou por conta própria o LP Feito em Casa. Os grandes selos queriam que ele repetisse o seu trabalho anterior , como autor de hits de intérpretes como Tony Tornado e Evinha ou como líder do grupo A Brazuca. Ele queria ir adiante, mesmo fazendo música instrumental e sem se render a fórmulas pré-estabelecidas.

Graças à sua ousadia e ao resultado positivo dessa experiência, a alternativa independente começou a ser uma opção para quem se dedicava a um estilo musical que por ventura não estivesse dentro dos parâmetros do mainstream musical. Os frutos foram incríveis.

Marco na produção independente no Brasil, este álbum foi reeditado posteriormente em CD e em vinil, e é um clássico não só por seu valor histórico, mas também por seu conteúdo musical, com oito faixas instrumentais, uma com vocalizes e duas com letras.

Em entrevista feita via e-mail, o músico, maestro, arranjador e compositor, que completou 70 anos em fevereiro mais ativo do que nunca, recorda como foi sua opção pela independência, e dá detalhes sobre como encarou esse desafio.

Leia mais sobre Antonio Adolfo e sua produção atual aqui .

E leia a resenha de Feito em Casa aqui .

Mondo Pop- Você primeiro gravou o Feito em Casa para só depois procurar as gravadoras, já com tudo pronto. O que o levou a fazer isso? Era uma espécie de premonição em relação ao que viria (a não aceitação por parte delas) ou era dessa forma que você fazia seus trabalhos habitualmente, já naquela época?
Antonio Adolfo
– Não era habitual. Eu vinha de uma temporada de estudos na França (com Nadia Boulanger) e aqui no Brasil (com Guerra-Peixe) entre 1974 e 1976. Compus muito nessa época e acho que aprendi bastante. Cheguei ao Rio e, enquanto estudava com o Guerra, fazia gravações com vários artistas da MPB, jingles, trilhas sonoras etc – eu atuava somente como músico acompanhante, nessas gerações – e ficava ganhando para sobreviver. Costumava gravar muito lá no estúdio Sonoviso – o engenheiro de som (Toninho Barbosa) ficou muito meu amigo e eu comecei a pensar que ali seria um bom estúdio – não muito caro – onde eu poderia gravar algumas músicas minhas Selecionei músicos etc, e resolvi alugar algumas horas do estúdio para gravar. Foi dando tudo certo. Os músicos dando todo o apoio. E a fita (gravação completa) ficou pronta. Resolvi então mostrar ao pessoal das gravadoras, que foram unânimes em recusar. Acho que eles queriam que eu repetisse a fórmula Antonio Adolfo e Tibério Gaspar ou Antonio Adolfo e a Brazuca. Resolvi, então, fazer eu mesmo. Contratei uma fábrica de disco e fiz uma edição pequena. Pedi à gráfica para me vender capas em branco, com cartolina ao avesso, pois criaríamos, eu e amigos, capas uma a uma.. Depois dos 500 primeiros, escolhi uma para matriz.

Mondo Pop- Como você fez para cobrir os custos do álbum na época? Os músicos que participaram do disco receberam algum tipo de cachê ou você contou com o apoio deles sem remuneração imediata?
Antonio Adolfo
– Eu tive que vender um carro, e ganhava dinheiro nas gravações e também algum direito autoral. Assim, dava pra eu viver com minha família e sobrou para a gravação. Os músicos me deram a maior força e acho que só precisei pagar alguns. Esse tipo de atitude entre os colegas músicos é fundamental, já que com o restante da produção, geralmente, não tem “colher de chá”.

Mondo Pop- Fale um pouco da forma como você realizou as vendas. Tinha uma equipe? Conseguiu colocar em todo tipo de loja ou se concentrou nas de menor porte?
Antonio Adolfo
– Cheguei a colocar anúncio no jornal para conseguir vendedores: “gravadora nova precisa de vendedores etc” ou coisa assim. E apareceram vários candidatos. Só um tinha experiência nessa área, e me ajudou muito. Mas como o disco não era um hit, ele foi pra outra. E eu tive que criar coragem e vender de loja em loja. Foi aí que o Tim Maia me deu umas dicas, pois já havia feito coisa semelhante com o Tim Maia Racional. Passou muita informação das lojas e explicou como fazer, mas ele mesmo não estava mais nessa. A imprensa começou a apoiar o disco e fui convidado pra fazer o Fantástico na TV Globo. Aí as coisas começaram a mudar, pois já estava vendendo nas lojas e o LP ganhou força. Mas o que me ajudou muito mesmo a vender foram os shows.

Mondo Pop- Você levava os discos para vender nos shows. Tem ideia de quantos exemplares conseguiu comercializar dessa forma? E quantas cópias, mais ou menos, no total, você vendeu de Feito em Casa naquela época? E tem ideia de quanto venderam os relançamentos em CD (pela Kuarup) e LP de vinil (pela Polysom)?
Antonio Adolfo
– Fiz vários shows, sendo que os Seis e Meia, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, eram um sucesso. E vendia, às vezes, 100 discos após o show que fazia em parceria com o Cesar Costa Filho. Daí por diante, fui combinando vendas em lojas e em show. E o disco chegou a vender 20 mil copias. Um sucesso, principalmente por se tratar principalmente de disco instrumental. O Feito em Casa foi meu best seller. Na Kuarup vendia bem menos e na Polysom (reedição do Feito em Casa) também. Acho que porque não estava fazendo muitos shows nessa época. É bem comum vender muitos discos em shows. É onde se vende maior quantidade de discos físicos no momento.

Mondo Pop- Das onze faixas do álbum original, duas tem letras e uma traz vocalizações. Como surgiu a ideia de incluir essas faixas, e qual o critério usado por você para escalar as cantoras Joyce e Málu para interpretá-las?
Antonio Adolfo
– Nunca fui muito de escrever letras. Mas gostava da canção , que a Málu interpretou. Gosto de música cantada também, mesmo que sem letra. Veja o exemplo da faixa Acalanto que a Joyce gravou. E teve a Aonde Você Vai, que eu mesmo me atrevi a cantar.

Mondo Pop- O repertório traz obras compostas entre 1972 e 1976. Quais foram as principais influências musicais ou mesmo não musicais que você teve para cria-las?
Antonio Adolfo
– Eu vinha de um momento muito tranquilo, quando só estudava, fazia yoga, Aikido, macrobiótica, lia Krishnamurti etc. Acho que essa combinação resultou naquele som. No entanto, no meu terceiro disco, Viralata, eu já havia me modificado um pouco e “suinguei” mais (risos).

Mondo Pop- Eu era adolescente na época, e conheci a faixa Aonde Você Vai? ouvindo-a em uma emissora de rádio. Conte como foi para conseguir que essa e outras faixas entrassem em programações de rádio?
Antonio Adolfo
– A melodia e a letra eram bem simples. E eu era conhecido do pessoal de radio por causa dos hits dos anos 67 a 70 (n da r.: BR 3, Teletema, Juliana e inúmeras outras). Então, comecei a ir também às emissoras de radio e conversar com os programadores, que escolheram essa faixa, por ser a mais “comercial”. Ia também às redações dos jornais e revistas. Isso, no Brasil inteiro.

Mondo Pop- Como foi a turnê de divulgação do álbum? Quantos shows você fez , mais ou menos, e como foi a recepção do público?
Antonio Adolfo
– Viajei o Brasil inteiro. Quando o local do show era mais próximo ao Rio, ia de carro – tinha uma Belina na época, e colocava meu piano elétrico e muitos LPs nela. Quando era mais longe, tipo Belém e Nordeste, ia de avião. Entrava em contato com os diretórios acadêmicos, estações de radio e jornais e ia me aproximando dos artistas locais Conheci muita gente, e esses encontros foram maravilhosos. Fiz shows por todo o país. Fiz também turnês com meu grupo e, a partir de algum momento, o Projeto Pixinguinha. Foi tudo maravilhoso e na hora certa.

Mondo Pop- Aonde Você Vai tem você como vocalista principal. Como surgiu a ideia de você mesmo cantá-la? Cogitou convidar alguém para interpretá-la antes ou desde o começo pretendia fazer isso você mesmo? Pensa em repetir a experiência?
Antonio Adolfo
– Não gosto de cantar. Prefiro tocar piano.

Mondo Pop- A letra de Aonde Você Vai? soa extremamente atual, 40 anos após o seu lançamento. Como você encara isso?
Antonio Adolfo
– Não tinha reparado isso. Talvez outro cantor (ou cantora) pudesse gravá-la novamente. Não eu, pois não gosto de cantar.

Mondo Pop- Nos últimos 40 anos, as grandes gravadoras entraram em parafuso, e hoje perderam muito do seu poder e do seu tamanho. Como você vê esse estado de coisas? Seria a vitória da música independente? Ou foi só incompetência deles mesmo?
Antonio Adolfo
– Foi uma modificação toda do mercado, assim como a tecnologia, a internet etc. Naquela época em que comecei, os meios de produção estavam nas mãos das gravadoras. Depois, a coisa foi mudando. Hoje com a internet, temos inúmeras possibilidades e os autoprodutores foram aumentando. As gravadoras, que ficaram paradas de certa forma, acabaram virando, ou distribuidoras ou empresárias de artistas. A produção delas é bem pequena se comparada à independente. Na verdade, eles não tinham como enfrentar essa avalanche da transformação. Você vê que a Internet, hoje em dia, está até penetrando mais do que a midia tradicional (rádio, TV, jornais impressos).

Mondo Pop- Você é um artista inquieto, sempre buscando novos projetos. Mesmo assim, pensa em fazer algo para comemorar esses 40 anos do Feito Em Casa? Hoje muitos artistas celebram essas efemérides com shows tocando o repertório do trabalho em questão na íntegra. Pensa em fazer isso eventualmente?
Antonio Adolfo
– Não penso em fazer mais do que aguardar um reconhecimento como o seu. Acho que se eu ficar recordando o passado, vou bloquear os novos lançamentos, que estão me dando o maior gás e força pra continuar produzindo e divulgando internacionalmente o meu trabalho.

Mondo Pop- Uma última curiosidade: esse Peninha que aparece nos créditos de músicos que participaram do álbum é aquele mesmo que depois integraria o Barão Vermelho e que nos deixou há alguns meses?
Antonio Adolfo
– Sim, havia ele, que gravava muito comigo quando eu fazia arranjos pra terceiros e o Ariovaldo Contesini também. Os dois na percussão.

Ouça Feito em Casa em streaming:

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