Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Xamã usa filmes clássicos como mote para álbum O Iluminado

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Por Fabian Chacur

Para quem pensa que a cena musical do Rio de Janeiro só se dedica ao funk carioca no momento, vale conferir o trabalho de Xamã. O rapper carioca vê sua popularidade crescer de forma constante graças à ótima repercussão de seu álbum de estreia, Pecado Capital (2017) e também ao lançamento de vários singles e colaborações com outros artistas. Inquieto, ele lança nesta quinta (12) nas plataformas digitais um novo álbum, O Iluminado, lançamento da gravadora independente Baguá Records.

O novo trabalho do artista carioca de 30 anos que foi vendedor ambulante antes de mergulhar no mundo da musica tem como inspiração alguns de seus filmes favoritos, entre eles o que dá nome ao álbum, clássico de 1980 estrelado por Jack Nicholson. Como forma de anteceder o lançamento, a música Um Drink No Inferno foi divulgada com clipe gravado em Paris e dirigido por Dauto Galli.

“Gravamos esse clipe em Paris em apenas uma noite. Eu não conhecia a cidade, e foi uma experiência muito boa. Esse filme Um Drink no Inferno (de Robert Rodriguez e com roteiro de Quentin Tarantino) marcou a minha vida, assim como todos os outros que inspiraram as canções do meu novo álbum”, explica o artista.

O álbum conta com a participação do rapper Rio Santanna, dos cantores Luccas Carlos e Filipe Ret, de Major RD e da cantora Agnes Nunes. “Criei um ambiente próprio para cada música, e encaixei os convidados em função disso, em função do que cada uma dessas música pedia”, explica.

Além desse clipe para ilustrar uma música do disco (virão outros em breve), temos também um curta-metragem de quase 11 minutos no qual Xamã dá vasão ao seu lado ator, recriando cenas de filmes como Pulp Fiction- Tempo de Violência e Taxi Driver (veja aqui).

Aliás, se há algo que impulsiona esse artista carioca é a possibilidade de expandir seus horizontes musicais e culturais. “Você precisa criar conteúdos criativos, criar uma demanda, mostrar coisas novas para as pessoas, instigar a curiosidade do público; acho isso da hora, pois quem fica é quem cria algo novo, como Black Allien, o Cazuza, o Mano Brown”, reflete.

Se a qualidade é um item fundamental para Xamã, a quantidade também tem sua importância. “Hoje, você precisa injetar conteúdos novos o tempo todo, é uma engrenagem que nunca para; além de álbuns, já lancei diversos singles, fiz colaborações, investi em estilos diferentes como rap, trap, rock, r&b”.

Aliás, ele continua acreditando no formato álbum, tanto que O Iluminado terá, além da versão digital, uma tiragem limitada em vinil, prevista para sair daqui a dois meses. “Nesse álbum, por exemplo, reuni canções com potencial de single que seguem um tema, que é o cinema, elas se encaixam, fazem uma sequência legal; você distrai o público com o seu flow e informa através das letras”.

Na hora de mostrar ao vivo as músicas que cria, Xamã também não se restringe a uma única possibilidade. “No Rock in Rio, por exemplo, eu me apresentei no Espaço Favela rock com banda, e também faço shows com DJs, com DJs e MCs e também em formato acústico, são vários formatos diferentes”.

Para ele, o conturbado momento político e social que o Brasil passa atualmente tem um lado positivo. “O Brasil vive um momento complicado, as pessoas vivem uma crise de personalidade, não sabem no que acreditar, é um caos de informações desencontradas e em grande quantidade; mas sempre que o Brasil passa por fases assim, as artes ajudam a nos encaminhar para um rumo melhor, o importante é cada um trabalhar, fazer a sua parte”, finaliza.

Um Drink no Inferno (clipe)- Xamã:

Os Caras e Carol mostram a força do novo pop-rock feito no Brasil

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Por Fabian Chacur

Para aqueles que insistem em dizer que o rock morreu, e que o rock brasileiro morreu ainda mais, vale conferir o trabalho de várias bandas da nova geração. Entre elas, certamente deve ser incluída Os Caras e Carol, quarteto carioca com quatro anos de estrada e cujo primeiro álbum, Coisas da Vida, já está disponível nas plataformas digitais pela Universal Music. Formatos físicos devem vir na sequência, para felicidade de quem prefere ouvir música assim.

Formada por Carolina Coutinho (vocal), Leonardo Maciel (baixo), João Loroza (guitarra) e Ruvício Santos (bateria), o grupo investe em um pop-rock vigoroso, com direito a letras incisivas e poéticas e uma sonoridade que remete a influências das décadas de 1970 e 1980. Além de consistente repertório próprio, também releem canções alheias em seus shows. Uma delas, You Don’t Know Me, de Caetano Veloso, integra o álbum Coisas da Vida.

Em entrevista feita por telefone no esquema viva-voz, Mondo Pop buscou saber um pouco mais sobre essa promissora formação do pop-rock brazuca do século XXI, mais uma prova de que, sim habemus rock do bom de novas safras. O grupo se prepara para tocar em um novo espaço, a Highway Stage, no Rock in Rio, nos dias 27, 28 e 29 deste mês e 3,4 e 5 de outubro.

MONDO POP- Como surgiu o grupo, e como se deu o seu direcionamento em termos musicais?
CAROLINA COUTINHO
– A gente se conheceu na Escola de Atores Wolf Maya, no Rio, em 2015. No início, queríamos montar um musical, mas logo percebemos que seria mais lógico montar uma banda. Cada um de nós tem influências próprias, mas quando começamos a tocar juntos, o pop-rock surgiu como um idioma comum a ser explorado.
LEONARDO MACIEL– Nossas referências musicais tem a ver com os anos 1970 e 1980, e até um pouco dos anos 1960, de bandas como Fleetwood Mac, Beatles, Paralamas do Sucesso, Frejat, Queen e o rock clássico. O rock surgiu para nós durante os ensaios, e vimos que o pop-rock é a nossa cara enquanto banda.

MONDO POP- Porque vocês assinaram com uma grande gravadora, em um momento no qual muitos artistas tem optado pela via independente, e o que acham dessa coisa de “o rock morreu” que alguns tentam impor ao público?
CAROLINA COUTINHO
– Nossa história com a Universal Music começou há um ano e meio, quando começamos a nos estruturar, após um início independente com a música Cabelo (veja o clipe aqui). É uma experiência diferente, a Universal Music está nos dando um apoio muito bom. Dizem que o rock morreu, mas tem muita gente boa fazendo pop-rock no Brasil, é um segmento que está crescendo. A música é cíclica, a cena musical é cíclica, as coisas vão e voltam.

MONDO POP- A música O Que Será de Nós? tem uma letra muito afinada com o que vivemos atualmente no Brasil e no mundo, um tempo de dúvidas e de muita insegurança. Falem um pouco de como surgiu essa canção tão forte.
CAROLINA COUTINHO
– O que me assusta em relação a O Que Será de Nós? é que naquele instante de 2016, quando a compusemos, eu sentia aquilo, mas era o registro de um momento particular. Desde então, parece que toda hora acontece algo novo que nos leva a reforçar essa questão de como será o nosso futuro, de como será o futuro de todas as pessoas.
JOÃO LOROZA– Tem a ver com falar de angústias de um país recente, tipo Que País É Esse, da Legião Urbana.

MONDO POP- Existe uma diferença de aproximadamente sete anos entre Carolina, Leonardo e Ruvício e João, diferença bastante grande se levarmos em conta a faixa etária de vocês, entre 19 e 25 anos. Como rolou essa parceria?
CAROLINA COUTINHO
– Idade é apenas um rótulo, nossa amizade vai além disso. O João entrou na banda quando tinha apenas 15 anos, e isso nunca atrapalhou nada, pelo contrário. Essas diferenças de idade nos completam, pois cada um tem as suas referências.

MONDO POP- Como surgiu a ideia de regravar You Don’t Know Me, do Caetano Veloso (faixa do álbum Transa, de 1972)? Vocês cantam outras composições alheias em shows?
CAROLINA COUTINHO
– Essa música entrou em nosso repertório logo em nossos primeiros shows. Cada um de nós se identificou com uma parte específica da música. O legal é que o Caetano aprovou essa nossa releitura. Em nossos shows normais, também tocamos Kiwi, do Harry Stiles (do grupo One Direction) e Old Town Road, do rapper Lil Nas X.

MONDO POP- Como surgiu o convite para tocar no Rock In Rio, e como serão essas suas apresentações?
CAROLINA COUTINHO
– A confirmação da nossa entrada no festival foi quando eu já tinha até comprado ingresso para o festival! Será em um espaço novo no evento, que ficará logo na entrada. Tocaremos músicas dos anos 1960,1970 e 1980, além das nossas. Será um set list criado especialmente para esse evento, que estamos ensaiando há meses, com músicas de Pink Floyd, Creedence Clearwater Revival, Rita Lee, Paralamas do Sucesso e outros, em quatro sets de 30 a 40 minutos cada, por dia.

MONDO POP- João, qual o seu parentesco com o consagrado ator,cantor, compositor e humorista Serjão Loroza? Perdoe a minha ignorância, mas não encontrei a resposta para essa dúvida nas pesquisas que fiz.
JOÃO LOROZA
– Eu sou filho do cara! (risos)

MONDO POP- Coisas da Vida está sendo lançado inicialmente apenas no formato digital. Como vocês encaram essa questão dos formatos físicos e digitais? Acham importante lançar também em CD e LP de vinil esse álbum?
LEONARDO MACIEL
– Achamos importante ter o formato físico também, pois nem todos tem acesso ao digital. Tocar nossas músicas em rádio também é importante, é legal ter esse diálogo entre os diversos formatos, pois dessa forma você consegue atingir públicos diferentes. Pretendemos lançar em CD promocional e possivelmente em vinil.

MONDO POP- Como foi a concepção do álbum, que traz sete faixas próprias, a releitura do Caetano e um remix (de Cabelo)?
LEONARDO MACIEL
– Gravamos essas músicas em etapas. Inicialmente, nossa ideia era fazer um EP, mas o projeto se expandiu até chegar ao formato definitivo, com essas nove faixas.

MONDO POP- Em shows, vocês tem músicos adicionais?
CAROLINA COUTINHO
– Sim. Tocam conosco o Mauricio Pacheco (guitarra) e o Rodrigo Braga (teclados).

MONDO POP- Quais seus próximos projetos?
LEONARDO MACIEL
– Estamos lançando um novo clipe de outra faixa do álbum, a música Até Amanhã (veja aqui). Depois do Rock in Rio, continuaremos a divulgar o álbum, com shows próprios.

O Que Será de Nós? (clipe)- Os Caras e Carol:

Banda Power Blues lança single com show no Madame Satã (SP)

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Por Fabian Chacur

Em 2014, o guitarrista e compositor paulistano Daniel Gerber voltou ao Brasil após 20 anos morando nos EUA e deu início a uma nova banda. Ex-integrante do Made In Brazil e da Santa Gang, ele buscava uma imersão no universo do blues rock, com fortes influências do rock paulistano dos anos 1970. Nascia a Power Blues, quarteto que acaba de lançar o poderoso single Mentes Criminosas e promete um álbum de estreia com músicas autorais para breve.

Eles se apresentam neste sábado (17) a partir das 19h no lendário Madame Satã (rua Conselheiro Ramalho, nº 873- Boa Vista- fone 0xx11-2592-4474), com ingressos a R$ 20,00. A abertura ficará por conta da Santa Gang, que volta à ativa após 31 anos. Teremos as participações de Kim Kehl, Oswaldo Rock Vecchione e Celso Kim Vecchione. Gerber também fará tocará no show da Santa Gang, em evento com cara de celebração do rock paulistano.

Além de Daniel Gerber na guitarra e composições, a Power Blues conta em sua escalação com Paula Mota (vocal, ex-Lado C e Made In Brazil), Daniel Kid Ribeiro (baixo, tocou com Walter Franco, Ronaldo e os Impedidos e Tony Tornado) e Roby Pontes (bateria, tocou com o Golpe de Estado). Um time experiente e entrosado. Veja vídeos da banda aqui.

Em entrevista ao Mondo Pop, Daniel fala sobre a carreira, o longo período em que viveu nos EUA, a Power Blues e muito mais.

MONDO POP- Antes de entrarmos no tema Power Blues, fale um pouco sobre as suas experiências com a Santa Gang e o Made In Brazil, e também sobre o início da sua carreira como músico.
DANIEL GERBER
– Comecei a tocar com apenas 11 anos, e aos 12, ganhei do meu avô a minha primeira guitarra. Toquei em várias bandas, entre elas a Santa Gang, até que fui convidado a tocar no Made, onde fiquei de 1983 a 1986 e depois de 1989 a 1991. Fiz inúmeros shows, participei de discos como Deus Salva…O Rock Alivia (1985) e compus diversas músicas em parceria com o Oswaldo Rock Vecchione. Perdia de dois a três quilos por show, eram apresentações muito intensas.

MONDO POP- Como foi o seu período nos EUA, e o que você fez por lá?
DANIEL GERBER
– Vivi nos EUA entre 1993 a 2013. Tive a oportunidade de ver muitos shows de artistas como Jeff Beck, e também participei de bandas como a The Mangrols e a Charlie Doc Band, esta última uma banda completa, com teclados, metais, foi uma experiência incrível. Também trabalhei com equipamentos de luz e som, área de que gosto muito. Fiz mais de 200 projetos de luz e som pelos EUA. Foi uma experiência maravilhosa em um país organizado e estabilizado. Voltei para o Brasil por causa da minha família e dos amigos, sentia muita falta da minha terra.

MONDO POP- Como surgir a Power Blues, e como você define o seu direcionamento musical?
DANIEL GERBER
– Quando voltei ao Brasil, em 2013, participei de shows do Made In Brazil e conheci a Pàulinha Mota. Resolvemos criar uma banda, que no início era de blues raiz, mas que fui eletrificando aos poucos. Hoje, fazemos um blues rock, som que começou com o Buddy Guy, seguido pelo Jimi Hendrix e que atualmente tem como grandes seguidores o Kenny Wayne Shepherd e o Joe Bonamassa, com distorções mais refinadas, pois atualmente você pode controlar melhor as frequências.

MONDO POP- Você teve importante participação no cenário do rock paulistano. Isso também influenciou o som da Power Blues?
DANIEL GERBER
– Com certeza. Quando começamos a investir em material autoral, as influências do Made In Brazil, Rita Lee & Tutti Frutti, Mutantes e Joelho de Porco, do rock paulistano dos anos 1970, veio a tona. É um som que costuma ter certas características marcantes e peculiares, como determinados riffs de guitarra, a métrica das letras etc.

MONDO POP- Mentes Criminosas, o single que vocês estão lançados, serve como um bom cartão de apresentações da banda. Como foi a escolha dessa faixa, e como você define o álbum que está sendo finalizado pela banda?
DANIEL GERBER
– Essa faixa é bem representativa do som da Power Blues, porque mistura um riff de surf rock, bateria tribal, hard rock, solo de baixo e uma letra de crítica sócio-política, mostra várias das nossas influências. O álbum, que sairá em breve, é muito eclético, pois penso que não precisamos ser lineares, é uma coisa misturada, livre.

MONDO POP- Como será o show no Madame Satã?
DANIEL GERBER
– Tocaremos as músicas que entrarão em nosso primeiro álbum e também algumas músicas de Mutantes, Rita Lee & Tutti Frutti (Corista de Rock será uma delas) e Made In Brazil (Deus Salva…o Rock Alivia, que é uma das minhas parcerias com o Oswaldo Rock Vecchione). Vou fazer uma participação especial no show da Santa Gang, também, e vão participar do nosso show o Oswaldo, o Celso e o Kim Kehl. Iremos filmar e gravar o show, para um possível lançamento em DVD, e teremos ótimas condições de som e de luz, algo que acho essencial para a nossa proposta musical.

MONDO POP- O seu álbum sairá em quais formatos? E como você vê as mudanças na forma de se lançar música geradas pela internet?
DANIEL GERBER
– O álbum sairá em CD e vinil, e também estará nas plataformas digitais. A internet abriu caminhos para todos os estágios, mudou tudo para a música em geral. Hoje, você anda com a música no bolso, em um celular. As pessoas se perdem em meio a tanto conteúdo. Você gasta bem menos para gravar, mas ninguém quer comprar, mostra o som para o mundo, mas precisa de suporte para poder sobreviver.

MONDO POP- Como superar essas dificuldades? Ainda há público para o rock no Brasil?
DANIEL GERBER
– Tem muito roqueiro no Brasil, é só conferir o número de downloads de músicas desse gênero musical em plataformas digitais como o Spotify feitos por aqui. A concorrência aumentou muito, é preciso uma dose maior de perseverança. Você precisa oferecer músicas boas e um show bom para o público. Sem um bom trabalho, você não cativa um público. As mudanças tecnológicas impulsionam as mudanças na música, sempre foi assim. O importante é emocionar as pessoas, tem de tocar o coração delas.

Mentes Criminosas– Power Blues:

Suricato se torna banda de um cara só em Na Mão As Flores

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Por Fabian Chacur

Rodrigo Suricato construiu nos últimos dez anos uma carreira repleta de acontecimentos bacanas. Entre eles, figura o projeto Suricato, que ganhou fama nacional em 2014 ao participar do reality show musical global Superstars. O cantor, compositor e multi-instrumentista carioca está lançando o terceiro álbum de sua carreira, Na Mão As Flores, que estará disponível nas plataformas digitais nesta sexta (26) e posteriormente em CD e (possivelmente) vinil.

Desta vez, Suricato se virou sozinho, tocando todos os instrumentos e produzindo o álbum, cujo lançamento está sendo feito pela Universal Music. Além de se preparar para os shows que divulgarão o álbum, ele também está em vias de lançar seu primeiro álbum como vocalista e guitarrista do Barão Vermelho (leia entrevista com a banda aqui), grupo que integra desde 2017.

Em entrevista a Mondo Pop, Suricato fala sobre seu novo álbum, o Barão Vermelho, as experiências ao lado de nomes como Zélia Duncan, Ana Carolina e Fito Páes e outros detalhes interessantes de uma carreira intensa.

MONDO POP- Na Mão as Flores, seu novo álbum, está creditado a Suricato, embora desta vez tenha sido gravado de forma totalmente individual. Por que você não assinou como Rodrigo Suricato, ressaltando esse lado solo?
RODRIGO SURICATO
– Suricato é o nome de um projeto com fases distintas, sendo que 12 músicos já participaram dele, até o momento. E agora eu vi que precisava me resguardar, quis experimentar fazer sozinho, misturar o folk com música eletrônica. É o melhor disco que já fiz, é um disco para todos, para cantar no Maracanã, busco atingir o outro, agradar as pessoas.

MONDO POP- A faixa título, Na Mão As Flores, fala sobre as contradições do ser humano, com versos como ” O pior de mim está na mesma mão que trago flores pra você”. Fale um pouco sobre essa canção.
RODRIGO SURICATO
– Essa é uma das frases mais sinceras, é reconhecer você como um todo, amar a si mesmo e não negar o seu pior lado. Deus e o diabo tomam chopp no mesmo bar. Todos erram. Fiz um disco para me curar, sobre mim, mas para todas as pessoas, que podem se identificar com as músicas.

MONDO POP- Você investe na carreira-solo ao mesmo tempo em que gravou recentemente com Zélia Duncan e Ana Carolina e está gravando um álbum como vocalista e guitarrista do Barão Vermelho. Como é conciliar todos esses trabalhos, e o que te leva a fazer isso?
RODRIGO SURICATO
– Sou muito apaixonado por música, no lado mais amplo disso. Sou um músico e me tornei compositor. Trabalhei com muitos artistas, aprendi muito com eles. Meu trabalho não começa e não termina no palco, sou muito abrangente, e sinto prazer igual em tudo o que faço.

MONDO POP- O seu álbum tem uma releitura de Como Nossos Pais, do Belchior. Como surgiu a ideia de dar uma nova roupagem a uma música que já teve inúmeras gravações nesses anos todos?
RODRIGO SURICATO
– Essa música já fazia parte do repertório dos meus shows. O Belchior era fã de blues, eu também sou. Tive a coragem de cometer essa versão, de colocar a minha assinatura nela. Gosto também de ser intérprete, mas não fazendo apenas um cover. Gosto de interpretar de uma forma pessoal e própria, da mesma forma que Cássia Eller e Maria Bethânia, por exemplo, “suricateando”, como gosto de dizer.

MONDO POP- Como está sendo ser integrante do Barão Vermelho, e o que você pode nos adiantar sobre esse novo álbum da banda?
RODRIGO SURICATO
– Quando entrei no Barão, nunca pensei em tentar imitar o Cazuza ou o Frejat. Sou o Rodrigo Suricato no Barão, pensando no futuro. Lançaremos um disco de inéditas em agosto, com nove canções, sendo cinco minhas. Quanto entrei no grupo, já tinha ganho um Grammy Latino, havia participado do Lollapalooza. Não deixou de ser um desafio, mas sei que o jogo se ganha no campo, e é o que estou fazendo.

MONDO POP- Na Mão As Flores está saindo inicialmente só no formato digital. Como você encara os formatos físicos musicais?
RODRIGO SURICATO
– Acho natural o fim dos formatos físicos, com a facilidade que o digital chega às pessoas, às lojas virtuais, às plataformas. Por teimosia eu vou fazer um formato físico, o CD, pois acho importante para ter nos shows. Possivelmente, faremos também vinil. O digital é como se fosse um shot de tequila, você toma de uma vez. Ouvir vinil é mais comparável a degustar um vinho. Adoraria que o meu álbum desse a chance de cada um ouvi-lo no formato que achar o mais conveniente para ele.

MONDO POP- Fale um pouco como foi o processo de gravação do álbum, e de como a faixa Tatua acabou tendo duas versões diferentes.
RODRIGO SURICATO
– Cada música teve até seis ou sete versões diferentes, experimentei bastante. Tatua surgiu da minha busca por uma frase para tatuar, e virou canção. Música é um pouco ocasião, e essa música serve como exemplo de como se valer de duas leituras diferentes para uma mesma composição.

MONDO POP- Você disse que fará a turnê de divulgação de Na Mão As Flores totalmente sozinho no palco. Como será? Terá um pouco a ver com o estilo do Ed Sheeran?
RODRIGO SURICATO
– Estou desenvolvendo essa sonoridade há quatro anos, totalmente autossuficiente. Sou um multi-instrumentista ao meu dispor. Tudo o que o meu show não será é “violão e voz”, terá um formato inovador que, garanto, ninguém faz no Brasil. Vou viajar com quatro pessoas encarregadas da parte técnica para entregar um espetáculo totalmente profissional.

MONDO POP- A turnê já tem datas marcadas? Como será o repertório?
RODRIGO SURICATO
– Vou incluir as minhas principais canções e também vou suricatear algumas canções de outros artistas. O show estreia em 20 de agosto no Theatro Net Rio, chega a Sâo Paulo no dia 29 de agosto, no Theatro Net São Paulo, e depois vai para a Autêntica, em Belo Horizonte. Outras datas serão divulgadas futuramente, e a turnê será paralela à do Barão Vermelho.

MONDO POP- Você tem uma fama das mais significativas como guitarrista, sempre convidado para acompanhar outros artistas. Em algum momento você pensou em se dedicar “apenas” a isso?
RODRIGO SURICATO
– Ainda estou entendendo a minha história. Cada passo na minha carreira foi como se fosse um mirante, com uma visão maravilhosa em cada estágio. Já estava muito feliz como guitarrista, mas quando você é picado pelo mosquito da composição, deixa o guitarrista em segundo plano. Ficar à frente do palco nunca esteve em meus objetivos, não queria ser o Mick Jagger, até por ser tímido, mas agora é irreversível dar vasão a esse meu lado. Quero ter a liberdade de aproveitar o melhor dos dois mundos, o solo e o coletivo.

Na Mão As Flores (clipe)- Suricato:

Luiza Casé investe na diversidade sonora em seu álbum Mergulho

LUIZA CASÉ Mergulho 1 crédito Peter Wrede-400x

Por Fabian Chacur

A carreira artística de Luiza Casé teve seu primeiro momento de destaque em 2010, quando ela venceu o reality show musical
Geleia do Rock, promovido pelo canal a cabo Multishow. No ano seguinte, estrelou a novela global adolescente Malhação, vivendo o papel de Lorelai. Desde então, essa atriz, cantora e compositora carioca trabalhou bastante em várias frentes, e agora apresenta o seu primeiro álbum, Mergulho, que a Universal Music disponibilizou nas principais plataformas digitais.

O álbum traz como produtores os experientes Arto Lindsay e Thiago Nassif, que deram à artista um apoio que ela avalia como decisivo. “No começo, fiquei ansiosa por trabalhar com eles, principalmente por meu lado compositora, mas eles foram muito generosos comigo, me deram o apoio de que eu precisava”.

Luiza encara o álbum como um trabalho com dois aspectos bem distintos. “Tem a ver com o meu momento atual, pois a sonoridade é bem múltipla, vai do orgânico ao eletrônico, e ao mesmo tempo reflete a minha personalidade musical como um todo”. Essa observação faz sentido pelo fato de ela ser frequentemente associada com o blues, ritmo que ela abraçou durante alguns anos. “O blues se encaixou em mim quando saí do Geleia do Rock; chorei bastante cantando blues nos primeiros shows, pois sentia muito aquelas canções”, relembra.

Atualmente, ela procura ser mais abrangente. “Com o tempo, ampliei os meus horizontes, pois uma só sonoridade não daria conta, o pop tem a flexibilidade de me abrir vários caminhos, como, por exemplo, eu fazer algo hip-hop no futuro, por exemplo; o título do álbum exemplifica bem essa minha intenção, é um mergulho em diversas possibilidades musicais”.

Canções autorais e letras elaboradas

Mergulho traz 10 faixas, sendo 8 escritas só por ela, uma em parceria com Lindsay e outra com Nassif. Além da sonoridade diversificada e pop, o repertório tem como característica o apuro das letras, bem acima da produção média atual no setor. “Sempre gostei de ler, de ver filmes, sempre me envolvi com a literatura e várias expressões de arte, tenho uma intimidade com essas linguagens, e procuro buscar um caminho próprio e original”.

Um bom exemplo dessa sensibilidade criativa é a faixa Jornais, que traz versos como “Não vou ter medo, Eu quero ver mudar, Não vou ter medo, Vou ter que enfrentar os jornais”. Ela explica o que a inspirou:

“Escrevi com a perspectiva de quem lê um jornal; as notícias atuais me chocam muito, eu tinha a tendência de fugir do noticiário, e a letra mostra como tenho me relacionado com isso, como lidar com um projeto de fuga; hoje me sinto apta para olhar para essa realidade e descobrir o que há de importante”.

A faixa título está sendo divulgada com um clipe gravado no parque aquático paulista Thermas Water Park. “Foi um dia bem intenso de gravações, umas cinco horas de trabalho; desci umas 50 vezes aquela toboágua”, relembra.

Minimalismo sustentável

Mergulho sai apenas no formato digital, e Luiza tem uma posição curiosa sobre esse tema. “Sou minimalista sustentável. Por mim, só lançaria digital, mesmo, embora ache legal se houvesse uma tiragem mais reduzida em vinil, acho legal ouvir vinil; Tenho problema com lixo, não coleciono mais nada”.

A ideia da artista carioca é manter a sua versatilidade, ela que é formada em Direito e já atuou como atriz em filmes, teatro e TV e gravou músicas para trilhas de filmes e minisséries televisivas. ” Pretendo continuar fazendo TV. Minha época adolescente não foi muito boa, eu ainda estudava quando fiz Malhação, hoje desfrutaria muito mais”, reflete. “Quando você entende a sua identidade e não foge, vê que um tipo de trabalho se encaixa com outro. É preciso foco em cada trabalho, mas não há limites”.

Luiza Casé já está com dois shows agendados para divulgar o seu álbum de estreia, nos quais será acompanhada por Mikhaila Copello (baixo), Pedro Garcia (bateria) e Felipe Fernandes (guitarra): dia 30 deste mês no Clube Manouche, no Rio, e dia 24 de agosto no Beco 203, em São Paulo, sendo que um terceiro em Belo Horizonte será divulgado em breve. Além das canções de Mergulho, ela também promete uma faixa autoral inédita, Coração na Mão. Ela tem perfis no Instagram, Twitter e Facebook.

Mergulho (clipe)- Luiza Casé:

Distopia mostra para o Brasil o seu rock oriundo de Rondônia

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Por Fabian Chacur

Com apenas dois anos de estrada, a banda Distopia começa a colher frutos de sua atuação. Oriundo do estado de Rondônia, mais precisamente da capital daquele estado do norte do país, Porto Velho, tem em sua escalação Vandrin Rodrigues (guitarra e composições), Hugo Borges (vocal), Rafini Root (guitarra), Mikeias Belfort (baixo) e Renan Lima (bateria). Seu primeiro álbum, autointitulado, saiu em 2017, uma amostra de seu rock alternativo com tempero melódico e romântico.

Nos últimos meses, tiveram o single À Deriva produzido pelo consagrado Luiz Carlos Maluly (RPM e inúmeros outros), participaram dos festivais Boto Rock e Rondon Rock e também do programa Estúdio Show Livre, apresentado pelo lendário Clemente (Inocentes e Plebe Rude). Eles abriram um show em Rondônia para o Biquini Cavadão e em breve farão o mesmo para Fernando Anitelli, vocalista e líder do grupo O Teatro Mágico, só que desta vez em São Paulo.

Seu mais recente single, Meu Vício Sem Fim, acaba de ter seu clipe divulgado, já com milhares de visualizações. Eles também lançaram recentemente um EP, Por Acaso. Leia entrevista com Vandrin Rodrigues, na qual ele fala sobre a banda, a cena roqueira de Rondônia e muito mais.

Mondo Pop- O Distopia mudou muito do lançamento do primeiro álbum para cá. Como ocorreram essas mudanças? Dá para afirmar que, na verdade, o primeiro álbum acabou sendo o embrião para o que a banda é hoje?
Vandrin Rodrigues-
Afirmamos atualmente que se trata exatamente disso. Eu me reuni com o compositor Hélio Vieira e resolvemos pegar algumas músicas que tínhamos, juntar o trabalho e ver o que saia. A princípio, entramos no estúdio do Hugo Borges, nosso atual vocalista, pra gravar as músicas. Então, convidamos Rafini Root (guitarra) Mikeias Belfort (baixo) e Renan Lima (bateria) para participarem das gravações do que veio a se tornar o primeiro álbum da banda. Na época, mais pessoas de fora participaram, e pouco tempo depois o que era inicialmente o álbum Distopia acabou se tornando a “banda Distopia”. O amadurecimento mostrado no EP Por Acaso trata-se justamente de a gente ter se abraçado dessa vez realmente como uma banda e todos participarem do processo de composição. Isso trouxe uma variedade enorme de influencias que acredito que conseguimos harmonizar no segmento indie pop.

Mondo Pop- Vocês trabalharam com o Luiz Carlos Maluly no single À Deriva. Como foi essa experiência? Vocês pretendem gravar mais músicas, ou mesmo um álbum completo, com ele na produção?
Vandrin Rodrigues-
A experiência foi incrível. Viajamos todos para São Paulo para gravar o clipe e foi um dia muito intenso para todos nós. Já posso confirmar que isso rendeu bons frutos com o sucesso de À Deriva, e estamos para lançar outro single que (Maluly) ajudou a produzir. Em breve teremos mais novidades em nossas redes.

Mondo Pop- Vocês são uma das primeiras bandas de Rondônia a aparecer no Sudeste. Em que lugares fora do norte do país vocês já estão com uma repercussão mais significativa?
Vandrin Rodrigues-
Nossa música tocou em algumas rádios do Sul também, mas o trabalho ainda é recente para podermos afirmar. Acredito que no norte e no sudeste é onde estamos aparecendo mais, pelo menos por enquanto. Vale lembrar que não somos a primeira banda de Rondônia a aparecer na mídia nacional, pois a Versalle conseguiu isso, bombando no programa Super Star.

Mondo Pop- Falem um pouco sobre como é o cenário rock em Rondônia. Muitas bandas? Que estilos elas tocam? Como é o relacionamento entre essas bandas? Dá para dizer que há uma cena consistente de rock por lá? Citem algumas dessas bandas.
Vandrin Rodrigues –
– Hoje, temos em média 50 bandas listadas no festival Boto Rock, isso apenas na capital, Porto Velho. O cenário está passando por uma fase nova, uma galera começando a aparecer, e há bastante variedade dentro do gênero, desde o heavy metal ao indie rock. Algumas das bandas que estão lançando trabalhos no momento são Os Ultimos, O RetroAtivo e Tuer Lapin. Eu diria que estamos passando por uma fase boa e estamos com um movimento consistente.

Mondo Pop- Como foi a experiência de participar do programa Estúdio Showlivre, com a apresentação do lendário Clemente, dos Inocentes? E a repercussão?
Vandrin Rodrigues-
Foi simplesmente incrível, pois trabalhamos com técnicos muito profissionais, e o Clemente (dos Inocentes e Plebe Rude) conduziu a entrevista muito bem. A partir do momento em que entramos no estúdio nos sentimos em casa. A energia que conseguimos captar foi muito boa e nos surpreendemos com a quantidade de pessoas nos assistindo. Além dos amigos que acompanham nosso trabalho, conseguimos bastante visibilidade pelo brasil afora. Foi uma das maiores experiências que já tivemos como banda.

Mondo Pop- Vocês tiveram a oportunidade de tocar com o Biquini Cavadão em Porto Velho. Falem um pouco sobre essa experiência, e se vocês se identificam com o trabalho deles.
Vandrin Rodrigues
– A maioria das personalidades do rock nacional fazem parte de nossa bagagem de influencias, e não é diferente com o Biquini Cavadão. A experiência foi muito gratificante e principalmente desafiadora, mas conseguimos dar a volta por cima.

Mondo Pop- Em julho, vocês abrirão shows para o show solo de Fernando Anitelli, líder do grupo Teatro Mágico, em São Paulo. Como surgiu essa oportunidade, e qual a expectativa de vocês em relação a tocar com um grupo cujo público é imenso?
Vandrin Rodrigues
– Estamos muito ansiosos para realizar esse trabalho, e a ideia é que possamos aprender mais sobre o que é participar ativamente da banda, viajando, se planejando, passando por diferentes cidades e lidando com diferentes públicos.

Mondo Pop- Vocês lançaram um EP digital, Por Acaso. Falem um pouco sobre ele, e onde pode ser ouvido. A música Meu Vicio Sem Fim faz parte dele?
Vandrin Rodrigues-
Meu Vicio Sem Fim é nossa nova música, foi lançada no formato single. O EP Por Acaso é resultado de muitos meses de trabalho e dedicação no estúdio. Passamos 2018 quase inteiro em meio a esse processo de composição e produção, gravamos cerca de 14 músicas e fizemos a triagem para o EP. Dentre as 14, estavam A Deriva e Meu Vicio Sem Fim, que resolvemos lançar como single. Nosso EP está disponível em todas as plataformas digitais.

Mondo Pop- Como vocês definem o som de vocês, em termos de letras e de músicas? Quais são seus temas favoritos, e quais as influências em termos musicais e poéticos?
Vandrin Rodrigues-
Nos consideramos um grupo de rock alternativo. As letras têm um link direto com o nome da banda, pois pensamos em falar um pouco sobre como é a vida nesse mundo distópico em que vivemos. Nossas influências a respeito de letras vêm principalmente de músicas atuais, mas as bandas que temos como base são em maioria dos anos 90 para trás.

Mondo Pop- Para finalizar, contem sobre os planos para o futuro próximo- um álbum completo, novos singles, shows etc.
Vandrin Rodrigues-
Para o próximo semestre estamos planejando lançar um novo álbum. Já estamos em fase de produção e esperamos em breve poder confirmar algumas novidades bem bacanas. Muito obrigado pela entrevista. Agradecemos o espaço e esperamos poder estar por aqui em breve!

Meu Vício Sem Fim (clipe)- Distopia:

Roberta Campos lança o seu 1º DVD com hits, inéditas e covers

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Por Fabian Chacur

Roberta Campos iniciou a sua carreira no mundo da música em 1998. Foram dez anos até o lançamento de seu primeiro CD, Para Aquelas Perguntas Tortas (2008). Desde então, gravou outros três- Varrendo a Lua (2010), Diário de um Dia (2012) e Todo Caminho é Sorte (2015)- e conquistou um público fiel Brasil afora. Só agora ela nos proporciona o seu primeiro DVD, Todo Caminho é Sorte Ao Vivo, lançado pela gravadora Deck. E a explicação que ela dá, durante entrevista para Mondo Pop, sobre essa aparente demora é simples e bastante lógica, levando-se em conta a sua origem mineira (nasceu em Caetanópolis em 29 de dezembro de 1977).

“Esse DVD é uma celebração a meus 20 anos de carreira. Agora, eu já tenho o conteúdo de quatro CDs lançados, acho que faz mais sentido fazer isso (lançar o DVD) nesse momento, pois estou mais madura artisticamente. Procuro realizar uma coisa de cada vez, sem pressa. Esse é um registro muito bonito, sensível, de como é o meu show, e feito no momento exato. Quis fazer algo que mostrasse a minha essência da melhor forma possível, de um jeito simples, mas chique”.

Gravado no Teatro Porto Seguro, em São Paulo, no dia 3 de julho de 2018, o DVD traz Roberta nos vocais, violão e guitarra, acompanhada por Patrícia Ribeiro (violoncelo), Fabio Pinczowski (teclados, percussão, vocais), Fábio Sá (baixo), João Erbetta (guitarra, violão, loop steel) e Loco Sosa (bateria e percussão). O repertório traz 18 faixas, sendo duas inéditas autorais (Todo Dia e Dois Flamingos), um cover inédito (My Love, de Paul McCartney), sete canções do mais recente álbum de estúdio e oito faixas de seus outros três álbuns.

O DVD traz uma única participação especial, a da cantora e compositora Nô Stopa, na faixa Sinal de Fumaça. “De início eu não pensava em ter convidados no DVD, mas logo vi que a Nô se encaixaria muito bem neste projeto, pois a conheci bem no início da minha carreira, quando me mudei para Sâo Paulo (o que ocorreu em 2004). Ela me ajudou muito, fizemos juntos juntas, somos parceiras musicais, inclusive em Sinal de Fumaça“, relata.

Aliás, habitualmente Roberta costuma escrever suas canções sozinha. “Por volta de 90% das minhas músicas eu faço sozinha, aprendi desse jeito, é uma forma de falar comigo mesma”. As canções alheias que grava costumam ter ligações afetivas. “Casinha Branca, do Gilson, eu conheci quando tinha 4 anos de idade, o meu tio a tocava, e me inspirou muito, é a minha música favorita. Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor, do Lô e Márcio Borges, eu conheci na voz do Milton Nascimento e pensava que era de autoria dele. E fiz um pedido de casamento com My Love, do Paul McCartney”. Todas elas estão no DVD.

Uma das marcas da carreira de Roberta Campos é o fato de ter tido o impressionante número de 18 músicas incluídas em trilhas sonoras de novelas. “É uma boa forma de divulgar as minhas músicas, você entra nas casas das pessoas todos os dias, reflete em tudo de forma positiva. Lembro que, quando criança, eu assistia muito novelas, e sonhava em ter um dia músicas minhas em suas trilhas”, comenta. Como dizem por aí, cuidado com o que você deseja…

Roberta é uma das principais expoentes de uma geração cuja sonoridade tem fortes influências da musica folk. “Essa pegada do folk eu sempre tive, ouvi muito o Clube da Esquina (Lô Borges, Milton Nascimento, Beto Guedes etc), comecei a tocar violão aos 11 anos. Também ouvi muito Bob Dylan, Joni Mitchell, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso”, relembra.

A carreira desta cantora, compositora e musicista mineira ganhou impulso em plena era da internet, e ela procurou se aproveitar das novas ferramentas surgidas, embora sem deixar de lado os formatos físicos. “Você precisa se adequar ao que está acontecendo. Usei muito o Myspace no meu começo. Essa coisa do ‘faça você mesmo’ ajuda, vejo de forma muito positiva a coisa de internet, pois tem muitas formas de você espalhar a sua música. Penso em lançar EPs digitais, já lancei singles, mas ainda penso no formato álbum e nos formatos físicos, inclusive já lancei dois de meus discos em vinil”.

Ainda sem definir quando terá início a turnê de lançamento de seu DVD no Brasil, Roberta fará em abril shows em Portugal e Cabo Verde. Um novo trabalho de estúdio também já está em seus planos. “Tenho muitas músicas prontas, mas penso em compor outras especialmente para um novo trabalho, algo que ainda não fiz. Acho legal experimentar novas possibilidades. Ela encerra o papo relembrando dos tempos iniciais de sua bem-sucedida trajetória musical.

“Tive de superar muitas dificuldades até gravar meu primeiro CD. A cantora Duda Monteiro gravou uma composição minha, e me possibilitou ter o dinheiro para gravar esse CD, independente, no qual eu fiz até o encarte. Foi difícil, mas nada me impediu de fazer, e depois fui contratada pela Deck”.

Todo Dia– Roberta Campos:

Bruno Mog lança seu primeiro álbum com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Com 33 anos de idade, Bruno Mog lança o seu primeiro álbum. Uma fase da vida em que outros artistas já teriam lançado diversos outros trabalhos. Este cantor, compositor e músico nascido em Lins (SP), criado na região do Portal do Paranapanema (PR) e radicado em São Paulo desde 2005, preferiu, no entanto, não precipitar as coisas. “Procurei me preparar bem e fazer isso apenas quando me senti preparado”, explica. Ele mostra o repertório do álbum e músicas de outros artistas em show neste sábado (2) às 15h na Casa Pompeia (avenida Pompéia, nª 681- Vila Pompeia- fone 0xx11- 2597-0681), com ingressos a R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira), sendo que ambos os valores incluem de brinde a versão física do trabalho.

A estrada de Bruno até chegar ao primeiro CD foi longa. Ele se interessou por música desde moleque, e contou com o apoio incondicional do pai. “Meu pai sempre me incentivou a estudar, me cobrou muito isso”. Em 2005, ele se mudou para São Paulo com o intuito de cursar a faculdade de artes cênicas, e não demorou a se envolver com o teatro, trabalhando em diversos espetáculos. Paralelamente, atuava com uma banda na qual incluía músicas de sua autoria.

Há três anos, sentiu que havia chegado a hora de arregaçar as mangas para criar seu primeiro álbum solo, e passou a se concentrar nisso. Como inspiração, ouviu Tim Maia, Skank, Paralamas do Sucesso, Cazuza, Los Hermanos e Elis Regina, entre outros. Desse mix, saíram características de suas composições, que trazem elementos de blues, MPB, folk e rock. “No Brasil, a gente tem o costume de ouvir de tudo, os gêneros se misturam, isso é muito bom”.

O resultado é um trabalho disponível nas plataformas digitais e também em formato físico com sete músicas, escolhidas a partir de um universo de 14. “Não sou um Guilherme Arantes, que diz compor uma música por dia. Escrevo conforme vêm a inspiração. Crio em cima de coisas do mundo, misturo experiências próprias com aquilo que observo e transformo em canções”, define.

O álbum, extremamente consistente e que se divide em climas blueseiros e momentos mais próximos do folk, foi finalizado no Canadá com o engenheiro de som João Thiré, conhecido por seu trabalho com a cantora Mart’nália.

O som de Bruno Mog conta com generosas intervenções de metais como trombone, trumpete e sax. “Uso muito os metais como se fossem a extensão da minha voz, uma segunda ou terceira voz, e tem a ver com os artistas de que mais gosto, que também se valem desse recurso musical de forma criativa”.

No show deste sábado (2), Bruno cantará e tocará guitarra, acompanhado por uma banda com direito a naipe de metais, backing vocals, guitarra, baixo e bateria. Além das músicas autorais do disco, entre as quais as ótimas Flores de Outono, Avoa, Hey Man e Só Quero Ser Feliz, também teremos releituras de canções alheias, entre as quais Todo Amor Que Houver Nessa Vida, de Cazuza, e outras de Tim Maia, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho. “Mas não faço versões iguaizinhas, procuro colocar o meu toque pessoal nelas”, adverte.

Ouça Flores de Outono, de Bruno Mog:

Barão Vermelho mostra um novo single com show no Circo Voador

Foto: Leo Aversa

Foto: Leo Aversa

Por Fabian Chacur

O Barão Vermelho sofreu dois fortes abalos nos últimos meses, com as saídas de Roberto Frejat (vocal e guitarra) e Rodrigo Santos (baixo e vocais). No entanto, a histórica banda carioca sacudiu a poeira, deu a volta por cima e se mantém mais na ativa do que nunca. Após a entrada de Rodrigo Suricato na vaga de Frejat, com Márcio Alencar assumindo a função de baixista, eles lançam um primeiro single inédito, o contagiante A Solidão Te Engole Vivo, que será mostrado em show para o público pela primeira vez nesta sexta (28) às 23h no Rio, no Circo Voador (avenida dos Arcos, s-nº- Lapa- fone 0xx21-2533-0354), com ingressos a R$ 60,00 (meia) e R$ 120,00 (inteira).

Em entrevista via fone a Mondo Pop, o guitarrista Fernando Magalhães, há mais de trinta anos no grupo ao lado dos fundadores Guto Goffi (bateria) e Maurício Barros (teclados) nos conta tudo sobre a fase atual da banda que ajudou a consolidar o rock no Brasil, e também sobre seus planos para o futuro.

MONDO POP- O que gerou as saídas de Roberto Frejat e Rodrigo Santos, e como o grupo as encarou?
FERNANDO MAGALHÃES
– O Frejat e o Rodrigo tem carreiras muito solidificadas. Ficou difícil se dedicar ao Barão e aos outros projetos que possuem, ao mesmo tempo. Para eles, no fim das contas, foi melhor sair. A saída do Frejat não foi nenhuma surpresa, víamos a carreira-solo dele consolidada, abriu para o Eric Clapton, tocou no Rock in Rio.

MONDO POP- E como está sendo seguir em frente, com esses dois belos desfalques?
FERNANDO MAGALHÃES
– Fico muito feliz de tocar no grupo. A entrada do Rodrigo Suricato nos deu uma nova energia, um gás muito grande, pois ele é muito fã do Barão, além de ser uma pessoa muito boa, maravilhosa. Logo no primeiro ensaio, tocamos 19 músicas de cara, sem ensaios anteriores, e ele sabia todas essas músicas, voz e guitarra! O cara tem muita intimidade com esse repertório, que todos na banda gostam muito de tocar. Isso nos ajudou bastante.

MONDO POP- Fale um pouco sobre A Solidão Te Engole Vivo, que é uma parceria sua com o Guto e o Maurício, como surgiu e como foi escolhida como o cartão de apresentações dessa nova fase do grupo.
FERNANDO MAGALHÃES
– Escolhemos essa música porque ela tem bem a cara do Barão, mas com elementos novos. Fala de amor, sem apontar na cara de ninguém, é de âmbito geral. O tema básico é o fato de que as pessoas fazem melhor as coisas juntos do que sozinhas, não tem uma conotação política. A letra foi escrita pelo Guto.

MONDO POP- E como sendo está esse processo de compor canções novas, nessa nova fase da banda?
FERNANDO MAGALHÃES
– A gente já vem compondo há algum tempo. Antes, gravamos algumas músicas antigas com o Suricato nos vocais, colocamos nas plataformas digitais e depois saímos para a estrada. O projeto de composições novas veio logo a seguir. O Barão sempre fez trabalhos diferentes em cada novo disco, e procuramos ver como seria esse novo momento do grupo. Estamos compondo os quatro, em várias formações.

MONDO POP- Vocês pretendem lançar em breve um novo álbum? Será em formato físico também?
FERNANDO MAGALHÃES
– Vamos lançar o disco em formato físico, é um produto maneiro de se ter na mão. Ainda iremos lançar mais um single antes do álbum completo, que deve sair no primeiro semestre de 2019.

MONDO POP- Como tem sido esse contato inicial com os fãs após a entrada do Suricato?
FERNANDO MAGALHÃES
– Para nós, é um grande desafio, um novo recomeço, mas que você recomeça não como se fosse um bebê. A reação do público ao Suricato está sendo muito boa, estamos nos divertindo muito. Tem gente conhecendo a banda agora. O documentário Por que a Gente é Assim? nos ajudou a ficar mais conhecidos pelas novas gerações, que estão demonstrando uma curiosidade muito grande pelo Barão. E o show sempre foi o nosso forte.

MONDO POP- Em 2017, você lançou um belo álbum em dupla com o Rodrigo Santos, o Efeito Borboleta (leia a resenha aqui). Como avalia a repercussão dele?
FERNANDO MAGALHÃES
– Tenho muito orgulho desse trabalho, mas acho que lançamos em uma época imprópria, quando as atenções estavam mais voltadas para a reformulação do Barão Vermelho.

A Solidão Te Engole Vivo (video)- Barão Vermelho:

Patricia Marx procura fugir do tédio em seu novo álbum, Nova

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Por Fabian Chacur

Patricia Marx está de volta ao universo das canções inéditas, após o sucesso de seu álbum Trinta (2013), no qual releu sucessos de seus trabalhos anteriores. Apropriadamente intitulado Nova e lançado pela gravadora LAB 344, o novo CD da cantora e compositora paulistana nos oferece 14 faixas, com direito a letras em português e inglês, participações especiais bacanas e uma consistência artística compatível com sua extensa experiência artística.

Em entrevista a Mondo Pop, ela dá detalhes sobre o seu 13º álbum de carreira, além de falar sobre sua trajetória e novos projetos, um deles sendo uma parceria com Luciano Nassyn intitulada Trem da Alegria Celebration, na qual os dois integrantes do célebre grupo infantil de muito sucesso nos anos 1980 irão reler os hits daqueles tempos em shows ao vivo.

Mondo Pop- Como você define o álbum Nova, comparado com seus trabalhos anteriores?
Patricia Marx
– Consegui experimentar mais nesse álbum do que nos anteriores. Teve um ganho gigantesco, eram ideias que eu já tinha, e que agora consegui concretizar. É um disco no qual você vai descobrindo novas coisas a cada audição, tem sutilezas, como a faixa a capella Cathedral, por exemplo. A gravadora LAB 344 me deu liberdade para fazer isso, me deixou muito livre.

Mondo Pop- Em termos de estilo, musicalmente falando, que caminhos o Nova tomou?
Patricia Marx
– É um trabalho de pop, soul,com umas coisas estranhas no meio. Se eu me sinto me repetindo, fico entediada, sempre busco coisas novas. Não é uma mudança radical em relação ao que já fiz, mas a mudança está lá.

Mondo Pop- Como começou a sua parceria musical com o Herbert Medeiros, e qual a importância dele neste CD?
Patricia Marx
– O Herbert é um coautor desse álbum, meu braço direito, o parceiro musical perfeito, além de arranjador, músico, parceiro de composições. Começamos a trabalhar juntos quando ele era músico da banda do Trinta, inicialmente só como músico e depois como arranjador e tudo o mais.

Mondo Pop- O álbum tem algumas parcerias bem legais. Com o Paul Pesco, por exemplo.
Patricia Marx
– O Paul Pesco, produtor americano que trabalhou com Daryl Hall & John Oates, Madonna, Steve Winwood, Mary J. Blige e Miguel, entre outros, eu conheci através do Sérgio Martins (diretor e criador da LAB 344). Começamos a nos comunicar via whatsapp, ele de Nova York e eu e o Herbert daqui. Gostei demais de trabalhar com ele, que é muito rápido.

Mondo Pop- Tem outros parceiros bacanas, também, fale sobre eles.
Patricia Marx
– O Jorge Ailton, que toca na banda do Lulu Santos e lançou um disco solo há pouco (Arrembi, pela mesma LAB 344), é meu parceiro na música Lá No Espaço. O Marc Mac, da banda londrina 4Hero, fez letras em inglês. O Jair Oliveira é parceiro na música Luz Numa Lágrima, enquanto o rapper francês radicado no Canadá Lou Piensa participou da música Don’t Break My Heart.

Mondo Pop- Aliás, o disco mescla letras em inglês com outras em português. Isso tem um pouco a ver com a repercussão que seu trabalho tem no exterior, e do fato de você ter morado em Londres?
Patricia Marx
– Eu, por mim, teria feito um álbum inteiro em inglês, mas é muito bom cantar na minha língua, também. Desde 2001, quando morei em Londres, tive abertura para me divulgar no exterior, estou no mundo há algum tempo.

Mondo Pop- Para encerrar, diga algo sobre seus projetos para 2019.
Patricia Marx
– Farei um show para divulgar o Nova, vou bolar uma forma nova de fazer isso. Pretendo lançar uma biografia, e farei junto com o Luciano Nassyn o Trem da Alegria Celebration, uma série de shows com músicas do Trem de Alegria, cujos discos foram disponibilizados nas plataformas digitais.

You Showed Me How (clipe)- Patricia Marx:

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