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Albert Cummings faz a estreia no Brasil no Samsung Blues

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Por Fabian Chacur

Albert Cummings, um dos grandes nomes do atual blues rock americano, virá ao Brasil pela primeira vez. Ele será uma das atrações do Samsung Blues Festival, que ocorrerá de 1º a 3 de junho em São Paulo. O cantor, compositor e guitarrista será a atração do dia 3/6 (sábado), às 21h, com abertura por conta do trio brasileiro Hammond Grooves. O local será o Teatro Opus (avenida das Nações Unidas, nº 4.777- Alto de Pinheiros- call center: 4003-1212), com ingressos de R$ 40,00 a R$ 200,00.

Nascido em 1968, Cummings inicialmente tocava banjo em bandas de country e bluegrass, até que ouviu uma fita de um primo com o trabalho de Stevie Ray Vaughan (1954-1990), o grande renovador do blues dos anos 1990. Logo virou fã do cantor e guitarrista e dos músicos que tocavam com ele, Tommy Shannon (baixo) e Chris Layton (bateria), conhecidos como Double Trouble. Nâo só virou fã do trio como também encaminhou sua musicalidade para a guitarra e o blues rock.

Mal sabia ele que a vida lhe proporcionaria um encontro com aqueles dois músicos. “Fui participar de um festival de blues em Albany, e lá eles me perguntaram com quem eu gostaria de tocar. Sugeri o Double Trouble de brincadeira, nunca imaginei que ele fossem tocar comigo, mas o pessoal gostou da ideia, os convidou e eles toparam”, relembra o músico, em entrevista concedida a Mondo Pop via Skype.

A coisa ficaria ainda melhor. “Foi incrível, pois logo que começamos a tocar parecia que sempre havíamos tocados juntos; eles me sugeriram que a gente gravasse um álbum em parceria; nem quis acreditar que isso pudesse se tornar realidade, mas logo me vi viajando para Austin, Texas, e gravamos juntos o From The Heart (2003); somos amigos até hoje”.

Se a parceria com o Double Trouble marcou a sua vida, a amizade com B.B. King, que o considerava um grande guitarrista, entrou na raia do inacreditável. “Não dá para explicar a honra de ter o apoio de alguém como ele. Era um cara muito humilde, o que ele era no palco, era fora dele. É um artista que influenciou a todos nós!”

Para os shows no Brasil, ele promete muita espontaneidade. “Nunca ensaio um show específico, nunca toco da mesma forma, sou muito espontâneo, tento criar algo nunca feito antes em cada apresentação”. Ele admite não conhecer nada do país em termos musicais, mas revela ter muita vontade de fazer novos amigos por aqui. Certamente músicas de Someone Like You (2015), seu mais recente álbum, estarão no repertório. “É um dos melhores discos que gravei, mas problemas com a gravadora não permitiram que ele fosse divulgado como merecia”.

Além de Stevie Ray Vaughan, ele também gosta de outros grupos no formato três músicos, como Stray Cats, Jimi Hendrix e Led Zeppelin. “Amo Brian Setzer (guitarrista e vocalista dos Stray Cats), já gostava dele antes de conhecer o Stevie Ray Vaughan; e o Jimi Hendrix era um gênio, um cara que criou muito em pouco tempo de vida”.

Cummings gravou um de seus shows em um teatro em 2016, e pretende lança-lo em um futuro não muito distante nos formatos CD, DVD e Blu-Ray. Em termos musicais, ele tem uma teoria muito interessante: “para mim, existem dois tipos de músicos, os artistas e os performers, sendo que os performers tocam aquilo que os artistas de verdade criam”.

Embora reconheça que existam alguns artistas bons na cena blues atual, Cummings afirma sentir saudade dos tempos em que estavam em campo B.B. King, Albert King e outros desse mesmo calibre. “Atualmente, existem muitos artistas ‘fakers’ (falsos, imitadores), falta verdade”. Ele é fã do formato trio. “Gosto muito, pois são só três músicos e muitos espaços a serem preenchidos, isso exige muito de você”.

Make Up Your Mind– Albert Cummings:

CPM 22 volta ao street punk no seu álbum Suor e Sacrifício

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Por Fabian Chacur

Foram seis longos anos sem lançar um álbum de estúdio de inéditas, mais precisamente desde 2011, quando saiu Depois de Um Longo Inverno. Nesse meio tempo, o CPM 22 nos proporcionou CPM 22 Acústico (2013) e Rock in Rio Ao Vivo (2016). O retorno aos CDs de estúdio ocorre com Suor e Sacrifício (Universal Music), também disponível no formato digital.

O guitarrista Luciano Garcia, no time desde 1999, define o novo álbum do grupo radicado em São Paulo (SP) como um trabalho 100% street punk. Esse CD marca a volta do baixista Fernando Takara, que havia saído em 2011 após seis anos de serviços prestados. Completam o grupo Badaui (vocal, fundador do time em 1995), Japinha (bateria, desde 1999 no grupo) e Phil Fargnoli (guitarra, entrou em 2014).

O retorno de Takara é explicado por Luciano. “Ele é o melhor baixista que já tivemos, e só saiu por problemas particulares dele, pois sempre se deu muito bem conosco. Quando o nosso baixista anterior saiu, pensamos em convidar o Fernandinho para voltar pro CPM 22, e por sorte ele já havia resolvido os problemas e estava doido para voltar; em um único ensaio, já estávamos entrosados de novo”.

O álbum já está pronto há algum tempo, mas demorou a ser comercializado e divulgado por causa do lançamento de Rock in Rio Ao Vivo, registro de sua marcante participação no megafestival de música. “Acho legal ter esse espaço entre os CDs de inéditas porque isso nos permite fazer trabalhos diferentes entre si; seguramos ele um pouco porque seria besteira lança-lo muito perto do CD/DVD do Rock in Rio”.

Por sinal, Luciano guarda ótimas recordações do show no festival carioca. “Olha, nunca mais vou ficar nervoso por causa de um show depois desse, pois tocamos só com bandas fortes, no palco principal, e com as mesmas condições técnicas das bandas internacionais, acho que colhemos os frutos que plantamos durante toda a nossa carreira”.

O repertório de Suor e Sacrifício traz 16 faixas autorais. Em Never Going To Be The Same, eles contam com a participação do americano Trever Keith, da banda Face To Face, uma das maiores influências no som do CPM 22. “Um puta orgulho para nós ter tido a participação do Trever no nosso CD. Tudo começou quando tocamos uma música do Face To Face no festival Planeta Atlântida, em 2008, e um fã nosso mandou para eles, que adoraram. Aí, resolvemos convidá-lo para participar do disco; demorou, mas aconteceu na hora certa e ficou perfeito”.

Outro momento importante do novo CD é Honrar Teu Nome, que Badauí fez em homenagem ao pai, que faleceu em 2016. “Foi a última música gravada para o disco, e a gente se emocionou muito com ela, pois gostávamos muito do pai dele”. O título do álbum, extraído de um dos versos da canção Conta Comigo, tem a ver com a dureza da vida de um rocker no Brasil. “É preciso engolir muita coisa para manter uma banda de rock no Brasil; passamos por muitas dificuldades, mas estamos aqui, e sem ter feito concessões, acreditando no nosso som”.

Já em plena turnê para divulgar o novo trabalho, Luciano não demonstra entusiasmo com os rumos do rock atual. “Não estou animado com nada do rock atual no Brasil ou no exterior, continuamos ouvindo os nossos ídolos. Hoje, todo mundo soa igual, é uma mesmice completa; quando surgimos, cada banda tinha a sua própria cara”.

Honrar Teu Nome– CPM 22:

Pedro Batistélla capricha bem no formato físico em 1º álbum

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Por Fabian Chacur

Em uma época na qual muita gente opta por não lançar seus trabalhos no formato físico, Pedro Batistélla navega na contramão e nos oferece Lúcido, seu primeiro álbum, no formato CD. Com direito a embalagem digipack, encarte com letras e informações sobre as gravações e tudo o que o fã mais minucioso tem direito. “Amo o formato físico, sou muito ligado a essa parte visual do CD, das fichas técnicas, era importante nesse momento da minha carreira fazer um disco físico”, justifica.

Com distribuição a cargo da Tratore e também disponível nas plataformas digitais, o trabalho de estreia deste cantor e compositor nascido em Bebedouro (SP) e desde 2010 radicado em São Paulo (SP) selecionou as 8 faixas do disco em um universo de 40 composições. “É um disco mais orgânico e muito pessoal, o meu cartão de visitas; é muito sentimental, com melancolia, mas com um pouco de esperança, uma espécie de pop orquestral”, define o artista.

Um dos destaques do álbum, extremamente bem produzido e com uma sonoridade consistente que reporta à chamada nova MPB, pop internacional, r&b e até jazz, fica por conta da parceria com Roberta Campos na faixa Recomeçar de Vez, na qual ela também marca presença cantando. “Demoramos um oito meses para finalizar essa parceria. Ela adorou a melodia que eu mandei e fizemos essa parceria; ela tem uma emoção muito verdadeira em sua voz e trabalho”.

O disco poderia ter tido uma participação mais do que especial, a da estrela americana de r&b Macy Gray, mas isso não teve como ser concretizado por questões burocráticas e financeiras, segundo Pedro. “Conheci ela em 2014 no backstage de um show aqui no Brasil, e em agosto de 2015, fiquei dois dias no estúdio com a Macy, durante as gravações do CD The Way-Deluxe Version; ela me mandou depois uma carta com três páginas me incentivando”.

No momento, Batistélla prepara o show de divulgação do disco, adaptando-o para os palcos. “O estúdio é um ambiente controlado, enquanto o ao vivo é novidade para mim, pois já fiz shows, mas não com o meu trabalho autoral”, explica. Além da canção gravada com Roberta Campos, ele também está divulgando Todo Dia nessa fase inicial de lançamento do CD. “Acho que é uma canção mais solar, mas adequada para abrir a divulgação do álbum”, justifica.

Recomeçar de Vez– Pedro Batistélla e Roberta Campos:

Morgana Kurmann apresenta fase autoral com Hurricane

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Por Fabian Chacur

Aos 31 anos de idade, Morgana Kurmann dá o pontapé inicial em sua carreira autoral. Ela acaba de lançar nas plataformas digitais o single Hurricane, que é também a faixa-título de seu primeiro álbum, previsto para ser lançado em maio. Antes de se aventurar nesse universo de canções próprias, elas interpretou músicas alheias, formou-se em arquitetura, atuou como atriz e se preparou para esse importante passo em sua carreira.

O álbum traz 12 faixas escritas por Morgana, que mora desde 2004 em Araraquara (SP), e todas são em inglês. Ela explica a opção. “Sempre compus em inglês, por influência do que eu ouvia. Gravar em inglês no Brasil não é um caminho fácil, mas acho que há muitas pessoas por aqui que consomem música nesse idioma, e é o trabalho no qual acredito, é verdadeiro para mim”. Ela começou a compor algo em português recentemente, mas preferiu deixar para um futuro lançamento.

Hurricane, uma balada pop com sonoridade próxima do country moderno, curiosamente foi a última música composta para o álbum. “Essa música é uma espécie de resumo do tema do álbum, que é a briga entre o que é concreto e o que é abstrato, sobre como a gente planeja as coisas de um jeito e as coisas acontecem de outro”, teoriza.

Morgana buscou mostrar várias facetas de sua musicalidade no álbum. Ela cita a canção com arranjo jazzístico I’ll Let You In, a bossa estilizada meio longe Parallel World e a balada Searchin’ For You All Around como bons exemplos dessa diversidade. “Ouço muito pop, jazz, blues, soul e cantoras como Ella Fitzgerald, Aretha Franklin e Billie Holiday, busco nuances diferentes na minha voz, que vem de tudo o que ouço”.

A preocupação com sua preparação em termos musicais se reflete no fato de ela atualmente estudar canto lírico, mesmo sendo uma cantora pop, opção que ela justifica. “O canto lírico me ajuda a conhecer melhor a minha voz, o som que eu posso fazer, descobrir ainda mais os recursos do meu instrumento, a ter o domínio da minha voz”. Os arranjos das músicas foram feitos em parceria com o guitarrista Cleber Shimu, enquanto Deivid Leme dirigiu o clipe de Hurricane.

As gravações tiveram como local o estúdio Paulinas Comep, em São Paulo, a mixagem ficou por conta de Luis Paulo Serafim, e a masterização teve como realizador Mike Couzzi, na Florida (EUA). O álbum sairá em versões digital e física, sendo que esta última em uma tiragem inicial de 1.000 cópias viabilizadas pela Lei Rouanet e com o apoio do Grupo Curimbada (MG), Guabi Fios (SC) e Librelato (SC).

Hurricane– Morgana Kurmann:

Luccas Carlos quebra limites e mistura rap e r&b em EP Um

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Por Fabian Chacur

O rap e o r&b são estilos irmãos de sangue. De sangue bom! Só que, em termos de mídia no Brasil, esses dois gêneros musicais nem sempre estão juntos, o que nos EUA, por exemplo, é algo bastante comum. Por isso, é de se louvar um trabalho como o do rapper, cantor e compositor carioca Luccas Carlos, que mistura os dois com desenvoltura total e muita consistência. Ele acaba de lançar o EP Um pela via digital, em parceria com a Universal Music e disponível nos principais canais digitais.

Luccas tem 23 anos de idade e começou a cantar aos sete anos de idade. Ele é fã de Chris Brown, 2Pac, The Weeknd, Kanye West, R. Kelly e Usher, influências presentes em sua música. “Fazia muitos refrãos nas minhas músicas, umas coisas mais melódicas; no começo, não curtia o resultado, mas fui pegando o jeito, e até mudei o meu jeito de escrever”, explica o artista, em entrevista via fone concedida a Mondo Pop.

Em 2015, com um mixtape no currículo, ele entrou no coletivo Pirâmide Perdida, que reúne vários artistas e funciona também como selo independente. “A Pirâmide não é uma banda propriamente dita, mas a gente faz muitas coisas juntos, tipo shows, andar juntos por aí etc; cada um lança os seus trabalhos solo, e eventualmente participamos dos trabalhos uns dos outros”, explica.

O EP já estava pronto quando surgiu a parceria com a Universal Music. “O Um marca o começo da minha relação com a Universal Music; já estava tudo pronto, gravamos e produzimos com nossos próprios recursos, no estúdio Companhia dos Técnicos (n. da r.: antigo estúdio da gravadora BMG). Eles se incumbem da distribuição e da divulgação, e por enquanto, o lançamento só será pela via digital”.

Como boa parte dos trabalhos de hip hop e r&b no Brasil costumam sair pela via independente, Luccas tem consciência de que terão de superar algumas dificuldades em relação à cena rapper brasileira. “Há muito preconceito contra parcerias com gravadoras grandes nesse meio. Mas faço o meu trabalho para todo o mundo ouvir, sem restrições e sem fugir do que eu gosto, sem me segmentar, e uma parceria como essa pode nos ajudar a ampliar nossos horizontes”.

Um possui sete faixas autorais. O Que Quiser Fazer conta com a participação especial do rapper BK, enquanto Felp22 e Sain marcam presença em Ford. As letras investem em romantismo, relações amorosas e sensualidade, e também passam por questões sociais. O destaque fica pela ótima voz de Luccas, bastante bem colocada e de uma modernidade não muito comum na produção atual do gênero por aqui.

Em seus planos, o artista carioca pretende lançar um álbum completo em um futuro não muito distante, além de divulgar Um na mídia e com shows, nos quais é acompanhado por um DJ. Os clipes e lyric vídeos que divulgam o seu lançamento estão obtendo um excelente número de views, tipo quase três milhões para o clipe de O Que Quiser Fazer, no Youtube, por exemplo, provas de que o trabalho está indo no caminho certo. “Isso é só o começo”, finaliza.

O Que Quiser Fazer– Luccas Carlos e BK:

Bronca do pai no filhinho gera bruxinha totalmente do bem

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Por Fabian Chacur

Pode uma bronca descabida de um pai em seu filho por causa de uma brincadeira gerar, posteriormente. um projeto que começa a encantar crianças e adultos em todo o Brasil? Pois foi essa a sementinha que permitiu a criação de Bruxinha Catarina, lançado em DVD com distribuição da Universal Music.

Criado pelo advogado Paulo Roberto Maluna com o apoio do Cafundó Estúdio Criativo e da Elephant Produções, o DVD traz 14 músicas ilustradas por clipes com um divertido elenco de personagens liderados pela Bruxinha Catarina, uma bruxinha bonita e do bem que só anda de patinete e que curte brincar com todos.

Saiba tudo sobre essa promissora criação em entrevista concedida a Mondo Pop por Paulo Roberto Maluna via e-mail:

Mondo Pop- O projeto de Bruxinha Catarina era inicialmente ser apenas um DVD para os seus filhos. Como surgiu essa ideia, de suas brincadeiras com eles? E o personagem Bruxinha Catarina, como foi criado?
Paulo Roberto Maluna
– Num certo dia, estressado com algumas situações da minha profissão de advogado, retornava do trabalho com meu filho mais velho, Matheus, que vinha brincando de Harry Potter no banco de trás do carro. Incomodado com o barulho de sua brincadeira, dei-lhe uma bronca dizendo-lhe que parasse com aquilo,já que ele já tinha 8 anos e que sabia que mágica não existia. Ele me olhou pelo retrovisor e disse que mesmo sabendo que aquilo tudo não existia de verdade, ele gostava porque era criança e brincar de faz-de-conta lhe deixava feliz.
Na mesma hora eu voltei à razão e pedi perdão a ele tentando convencê-lo que eu só havia feito aquilo pois estava estressado com o trabalho e que não tinha nada a ver com ele.
Chegando em casa, pensando naquela bronca descabida do carro, sentei em frente ao computador e comecei a tentar me desculpar de uma forma mais jeitosa, ou seja, com coisas que ele gostava. Foi ai que criei a primeira música. No dia seguinte, fui logo tratando de contar pra ele e para os irmãos a novidade. Para minha surpresa todos gostaram da canção. Na noite seguinte, mais uma vez à frente do computador, escrevi outras músicas e criei a história de três irmãos (meus três filhos, Matheus, Lucas e Natália), que descobriram, juntamente com seu cachorro Pinguinho, que no fundo do quintal da casa onde moram há um portal mágico que leva para um lugar chamado Vale Encantado. Nesse vale existe uma linda bruxinha de nome Catarina, que não usa vassourinha, só voa de patinete, tem um chapéu pontudo e uma varinha de confete. Usa vestidinho colorido e suas palavrinhas encantadas são: com licença, por favor e muito obrigada.
Foi dessa forma que surgiu a ideia da Bruxinha Catarina. Sem pretensão de torna-la um produto comercial, mas sim uma singela forma de um pedido de desculpas de um pai arrependido para um filho amado.

Mondo Pop- Quando você apresentou o projeto à produtora Cafundó, ele já tinha esse formato de 14 músicas ou essa cara foi se desenvolvendo a partir do envolvimento entre vocês, criador e produtoras (Cafundó e Elephant)?
Paulo Roberto Maluna
– Quando procurei o estúdio Cafundó já tinha muito mais de 14 músicas, porém cheguei meio envergonhado em mostrar o que havia feito. Mas como meus filhos gostaram das músicas e da história, tomei coragem e contei o que eu queria. Inicialmente meu objetivo era produzir um DVD de animação para eles. De repente, quem sabe lá na frente, em um de seus aniversários, passar num telão como forma de homenageá-los e deixa-los orgulhosos do pai que fez um DVD deles, para eles. O estúdio viu potencial e começamos a amadurecer juntos o projeto. Então, criei o meu próprio estúdio (MALUNA Produções, que é a junção das iniciais dos meus três filhos) e comecei a estudar um pouco mais sobre o que estava propondo como meta pessoal, parei de advogar inclusive para me dedicar ao projeto. A chegada do Junior Rios (Elephant Produções) no projeto foi um presente de Deus. Além de nos tornarmos grandes parceiros de trabalho, viramos grandes amigos. Tenho a honra de ter um amigo tão especial quanto esse cara.

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Mondo Pop- O estilo dos desenhos de Bruxinha Catarina tem um estilo meio retrô e vintage. Isso foi proposital?
Paulo Roberto Maluna
– Quando decidi por em prática o projeto tinha uma ideia bem delineada de como queria as personagens, mas não sabia se cairia no gosto da criançada.
Foi então que me ocorreu uma ideia simples, porém pontual para resolver essa situação. Pedi autorização na escola dos meus filhos para que as crianças na faixa etária de até 8 anos fizessem alguns desenhos de como eles imaginavam que seria uma bruxinha do bem que voasse de patinete. Afinal, o projeto é para criança e nada mais justo de deixa-los no comando. Os elementos que eles trouxeram foram ao encontro do meu pensamento. Ocorre, entretanto, que não sou desenhista e explicar para os profissionais a forma que eu imaginava, mesmo com todos aqueles elementos materializados foi desafiador. A partir dos primeiros desenhos, a equipe encaixou o trabalho e o que eu pedia, era como se entrassem em meu pensamento e visualizassem minhas ideias.

Mondo Pop- A utilização das expressões “com licença”, “por favor” e “muito obrigado” como mágicas foi uma sacada bem interessante. Quando você pensou nisso? Trata-se de inspiração da cultura oriental? De onde veio a ideia?
Paulo Roberto Maluna
– Quando criei a primeira música e a história, as palavras “mágicas” já foram incorporadas nos encantos da Catarina, uma bruxinha do bem cuja maior vocação é ajudar a todos que precisem de auxilio.
Tais palavras mágicas, também, sempre fizeram parte de forma lúdica do vocabulário dos meus filhos. Sempre tive como objetivo para eles uma educação pautada no respeito e valores, um legado que recebi da minha mãe, avó e tias e sempre passei a diante como norte a ser seguido em suas vidas.

Mondo Pop- Atualmente, as crianças estão cada vez mais envolvidas com videogames, internet e alta tecnologia. O seu projeto é bem mais lúdico e educacional. Como as crianças tem reagido a Bruxinha Catarina?
Paulo Roberto Maluna
– Tivemos uma experiência maravilhosa de um parque itinerante em uma rede de shoppings com bases/atividades pensadas exclusivamente com brincadeiras lúdicas. Não que eu não ache importante a tecnologia. Muito pelo contrário. Uma atividade que temos é uma caixa holográfica, onde a pessoa entra (criança ou adulto), e através de um programa de computador é confeccionado o seu próprio holograma para celular ou tablet. Porém, quando idealizei o parque, e fiquei algumas madrugadas acordado pensando em sua dinâmica, tentei buscar algo que foi a essência do nascimento do projeto, ou seja, um momento de pai/mãe e filho. Olho no olho, rir com a alegria dos pequenos, um momento de descontração no qual os adultos voltam a ser criança para brincar com seus filhos. Então no parque tem bases que retratam a personalidade das personagens do projeto no qual, por exemplo, no centro esportivo do Lucas, o pai/mãe joga minigolfe com a criança. Torce quando eles conseguem, pedalando em uma bicicleta, acender a varinha de confete da bruxinha. Plantam a sementinha mágica no ateliê da Natália e após aprenderem o ciclo de germinação da planta e falar as palavrinhas mágicas da bruxinha, brota de dentro do vaso uma linda flor. Brincam de experimentos científicos no laboratório do Matheus. Confeccionam juntos instrumentos musicais com materiais reciclados no palco da banda da Dona Cigarra. Assistem um vídeo na autoescola do Vale encantado onde aprendem regras básicas de transito, saem em um percurso dentro do Vale com um jipe elétrico e, ao final, ganham a carteirinha de habilitação do Vale Encantado. Além de outras atividades onde os pais participam com seus filhos. Para minha grata surpresa, presenciei algumas vezes crianças de até 12 anos curtindo o parque e as personagens. Inclusive muitos adultos paravam para tirar fotos com a Bruxinha Catarina, Matheus, Lucas, Natália, Ratinho Encrenqueiro, e o cachorro Pinguinho. Emocionei-me quando vi uma senhora de mais de 80 anos sentada em uma cadeira de rodas chamando as personagens e perguntando se podia tirar uma foto com eles também.

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Mondo Pop- Em termos musicais, Bruxinha Catarina é bem eclético, com música pop, rock, reggae, forró e baladas. Essa versatilidade era buscada desde o início ou acabou ficando assim?
Paulo Roberto Maluna
– Isso foi a nossa meta para contemplar um maior número de crianças, pais, mães, avós, padrinhos, madrinhas, tios, tias, enfim, deixar agradável para os ouvidos e gostos de crianças de todas as idades, desde as de 0 até as de 100 anos.

Mondo Pop- Como foi que surgiu a Universal Music nesse projeto, e como essa parceria está sendo realizada? Distribuição, divulgação? Dê-me mais detalhes, por favor.
Paulo Roberto Maluna
– Mandei o material para a Universal pelo sac da empresa e após 30 dias entraram em contato com o estúdio Cafundó. Então eles me ligaram avisando. Confesso que fiquei meio desconfiado, não acreditando muito, vez que a forma que utilizei para apresentar meu produto não foi a mais convencional. Porém foi a única que apareceu na oportunidade. Hoje a Universal Músic tem os direitos de distribuição e divulgação dos clipes do DVD vol. I, por um período contratual de 8 anos, além dos próximos trabalhos a serem desenvolvidos nesse formato.

Mondo Pop- Como se trata de um projeto um pouco diferente do habitual, como você está fazendo a divulgação deste DVD? Usam “faixas de trabalho”? Tentam participação em programas de TV?
Paulo Roberto Maluna
– Sem sombra de dúvidas a parceria com a Universal está dando mais visibilidade à marca. Estamos elaborando, juntamente com a Universal e escritórios especializados em marketing, algumas estratégias e ações de divulgação que serão lançadas em breve nas redes sociais e em pontos estratégicos tais como lojas, escolas, shoppings, e programas de TV. Por ser um DVD com músicas bem ecléticas, não pensamos em uma música específica de trabalho. O que tenho em mente é a alegria de cada um com a música que mais goste. Isso me deixa extremamente lisonjeado. Saber que em algum lugar tem uma criança cantando uma música que fiz para meus filhos e, imaginar que essa canção possa se perpetuar para outras gerações, é algo extremamente gratificante.

Mondo Pop- Vários desses projetos destinados ao público infantil acabam ganhando desdobramentos, do tipo show ao vivo, produtos para licenciamento (brinquedos, camisetas etc). Como está Bruxinha Catarina nesse sentido?
Paulo Roberto Maluna
– Atualmente a Bruxinha Catarina tem o DVD, e o parque itinerante, que voltará a circular pelo Brasil a partir do segundo trimestre de 2017.
Estamos formalizando algumas parcerias para fortalecer a marca e expandi-la. Nossa meta é tornar a marca Bruxinha Catarina um referencial no mercado infantil, não apenas com o objetivo de entreter, mas também de divertir e ensinar, além de proporcionar momentos de felicidades nas famílias.
Obviamente que as coisas, com a visibilidade que a marca está ganhando, começam a acontecer e o resultado financeiro será uma consequência natural do processo. Mas chegar em casa e partilhar com meus filhos um momento especial de nosso sonho, seja uma entrevista, uma nota em um jornal, site ou qualquer outro tipo de veiculação, e ver os olhos deles brilhando é algo que dá uma satisfação inenarrável.

Mondo Pop- A Bruxinha Catarina é uma bruxa que subverte o conceito que normalmente gira em torno desse tipo de criatura. Como surgiu essa ideia?
Paulo Roberto Maluna
– Hoje, com o fenômeno de vendas chamado Harry Potter, esse “conceito” já não é tão arraigado no pensamento das pessoas. Não bastasse isso, as feições da personagem, suas características psicológicas e suas palavrinhas mágicas, aliadas a sua roupa colorida e divertida, bem como a novidade que ela não voa de vassourinha só de patinete, é um convite lúdico para toda família conhecer a história dessa pequena bruxinha.
Quando pensei em me desculpar com meu filho mais velho da bronca do carro, não hesitei em contextualizar a bronca com o que ele me falou: “Eu sei que não existe de verdade, mas brincar de faz-de-conta me deixa feliz”. Foi aí que surgiu a ideia da pequena bruxinha. Hoje, quando paro pra criar alguma coisa, eles estão sempre perto de mim e são as primeiras pessoas a me darem o parecer.
Tenho uma peça escrita que começará a circular nos teatros de todo o Brasil, e quando terminei de escrever o texto, fiz uma noite de colchão na sala. Coloquei os três deitados, rezamos como todas as noites, e ao invés de ler uma história, tratei de ler o texto. Tinha hora que chorávamos de tanto rir com as piadinhas da peça.
Poder ter sido agraciado por Deus com a dádiva de ter esses três professores (Matheus, Lucas e Natália) em minha vida é algo que vou agradecer para toda a eternidade. Ter a oportunidade de passar mais tempo com eles, acompanhando seus respectivos desenvolvimentos, criando com eles e para eles histórias do nosso cotidiano dentro do Vale Encantado da nossa pequena bruxinha é algo que extrapola o termo trabalho tornando-o realmente uma brincadeira. Só posso agradecer sempre por eles terem resgatado a criança que existia adormecida dentro de mim e terem me inspirado na criação dessa história divertida.

Mondo Pop- Qual faixa etária é o alvo principal de Bruxinha Catarina

Paulo Roberto Maluna-Crianças de até 6 anos.

Bruxinha Catarina– Bruxinha Catarina (clipe):

Danilo Caymmi relê com pura classe a obra de Tom Jobim

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Por Fabian Chacur

A carreira discográfica de Danilo Caymmi começou em um disco do seu pai, Dorival Caymmi, o antológico Caymmi Visita Tom (1964). Nele, teve a primeira oportunidade de trabalhar com Tom Jobim. Era o início de uma parceria que se estreitaria a partir de 1983, quando o flautista e cantor passou a integrar a Banda Nova, que acompanhou o Maestro Soberano em discos e em inúmeros shows pelo Brasil e pelo mundo.

Tom foi decisivo na carreira de Danilo, ao incentivá-lo não só a cantar, mas como a assumir a tonalidade natural de sua voz. O artista carioca que completará 69 anos no próximo dia 7 de março faz uma bela viagem no universo de seu mentor no CD Danilo Caymmi Canta Tom Jobim, que acaba de ser lançado pela Universal Music.

A capa do CD possui uma diagramação que lembra a dos álbuns Tide e Wave, do homenageado. A faixa Estrada do Sol traz uma belíssima participação especial da cantora americana Stacey Kent. Em deliciosa entrevista exclusiva concedida por telefone a Mondo Pop, ele fala do disco, do seu relacionamento com Tom e muito mais.

Mondo Pop- A primeira gravação da sua vida foi no álbum Caymmi Visita Tom, gravado por seu pai com a participação de Tom Jobim. Quais as recordações que você tem dessa experiência?
Danilo Caymmi– Meu pai era muito amigo do Tom. A ideia desse disco surgiu do produtor Aloysio de Oliveira. Lembro que eu estava mais preocupado com a prova de Química que faria (risos). Tocava flauta há poucos meses, era muita responsabilidade, o Dori e a Nana (seus irmãos, que também participaram do álbum) também eram muito novos. A gravação de Saudade da Bahia tem um contracanto do Tom incrível. Ele respeitava muito o meu pai. Esse disco contou com grandes músicos, é um trabalho maravilhoso.

Mondo Pop- Como surgiu a oportunidade de você entrar na Banda Nova, que se tornou o grupo de apoio do Tom a partir de 1983?
Danilo Caymmi
– O Tom estava meio parado no Rio, e foi chamado para fazer um show na Áustria, na cidade de Viena. O Paulo Jobim, seu filho e meu amigo, me chamou para participar da banda que iria acompanha-lo nessa apresentação. Durante os ensaios, o Tom me convidou para cantar A Felicidade e Samba do Avião, como solista. Fui até estudar canto.Já havia lançado um LP solo (Cheiro Verde, em 1977), mas usava falsete. Foi com a Banda Nova que assumi o meu verdadeiro tom de voz.

Mondo Pop- Qual o critério que você seguiu na seleção das 11 músicas que estão em Danilo Caymmi Canta Tom Jobim?
Danilo Caymmi
– Acho que esse é provavelmente o melhor disco que gravei em minha carreira, é o mais trabalhado, um mergulho profundo na obra do Tom. O critério de escolha das canções foi puramente afetivo. Ele gostava muito de vocais. Fiz de uma forma que ele gostasse. Por Causa de Você eu ouço desde garoto. Eu participei da gravação original de Chora Coração. Querida eu vi ele fazer, ele não terminava nunca. Quando a finalizou, eu mostrei para o produtor Mariozinho Rocha no viva voz, e acabou entrando na abertura da novela O Dono do Mundo (1991). E Tema Para Gabriela tem a citação da música do Papai, Modinha Para Gabriela.

Mondo Pop-Fale um pouco sobre a concepção sonora do seu CD.
Danilo Caymmi
– O Flávio Mendes se incumbiu dos arranjos. Não é um repertório fácil, são canções minimalistas e complexas. E não tem nem bateria e nem piano, o disco traz eu na voz e flautas, o Flávio no violão e o Hugo Pilger no violoncelo. Inclusive, penso em fazer o show de divulgação com esse mesmo formato, espero concretizar ainda esse ano.

Mondo Pop- Era impressionante a simplicidade do Tom Jobim. Quem teve a chance de conhece-lo não imaginaria o tamanho de sua importância, se levarmos em conta esse desapego à frescura. Como você avalia isso?
Danilo Caymmi
– Essas pessoas mais geniais, como o meu pai, o Tom, o Vinícius de Moraes, eram muito simples. Eles sabiam que não precisavam provar nada a ninguém. A arrogância não passava por esse povo. Aprendi isso com eles. A gente sabe que tem de ser acessível, de respeitar o caminho, é importante saber que são as pessoas que nos possibilitam uma carreira.

Mondo Pop- Os formatos musicais mudaram muito desde o começo de sua carreira. Vinil, fita cassete, CD, agora streaming. Como você lida com isso?
Danilo Caymmi
– Eu vejo que os formatos musicais vão e voltam. No fim das contas, tudo se ajeita. Sempre foi muito ligado à tecnologia. Hoje é o streaming, não é nada linear. Estamos em meio a uma revolução, e é importante saber se adaptar aos novos formatos.

Mondo Pop- Você usa as redes sociais para divulgar seu trabalho e dialogar com os fãs?
Danilo Caymmi
– Uso muito o Facebook. Até criei por lá umas aparições eventuais ao vivo que apelidei de TV Dendê que sempre dão um ótimo retorno. Isso me aproximou mais do público. Gosto muito do bom humor, de uma relação mais próxima com os fãs.

Mondo Pop- Você deve ter centenas de histórias legais para contar das suas viagens com o Tom. Conte uma delas.
Danilo Caymmi
– Uma coisa muito engraçada ocorria nas entrevistas no exterior. Sempre perguntavam a ele o que era a bossa nova, e toda vez ele vinha com uma resposta diferente. Duas delas são bem divertidas: bossa nova é “euforia controlada” e “Guerra de guerrilhas”. (risos)

Ouça a gravação de Querida, com Danilo Caymmi:

Victor Mendes lança o seu 1º CD solo, o belo Nossa Ciranda

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Por Fabian Chacur

Atualmente com 29 anos de idade, Victor Mendes começou a tocar ainda criança. Oriundo da cidade de São José dos Campos (SP), ele integrou durante três anos a banda de rock Ethama, com a qual gravou dois CDs independentes. Depois, foi estudar História na USP, em São Paulo, e ficou um pouco mais distante do mundo musical.

Felizmente, esse distanciamento não durou muito, e ele voltou a tocar e cantar, com o Trio José e agora também em carreira-solo. Seu primeiro trabalho nesse novo formato, Nossa Ciranda, acaba de sair, com uma sonoridade melódica e muito consistente. Leia entrevista com esse promissor nome da nossa música popular:

Mondo Pop- Antes de lançar este trabalho solo, você gravou três CDs, com os grupos Ethama e Trio José. Fale um pouco sobre esses discos, de como foi a sua participação neles e como você as avalia.
Victor Mendes
– Minha primeira experiência em estúdio foi na adolescência, com a banda de rock Ethama. Chegamos a gravar dois discos com canções autorais e, apesar de jovens, já levávamos bastante a sério o que fazíamos. Mas foram discos que não saíram fisicamente e acabaram ficando apenas como um registro. Já com o Trio José, em 2014, tínhamos um projeto muito bem definido, de musicar os poemas de Juca da Angélica. Eu dividi a produção do disco com Danilo Moura. Aprendi muito durante as gravações, a pensar os arranjos, descobri as dificuldades e facilidades que eu tenho dentro do estúdio. Tivemos que pensar na concepção do disco, foi um projeto muito interessante e que rende frutos até hoje. Em ambos, participei como músico, compositor, cantor e produtor.

Mondo Pop- Você pretende a partir de agora se dedicar apenas à carreira-solo ou pensa em fazer isso paralelamente à participação em algum grupo? E o que te levou a optar por lançar um álbum solo, ou a seguir exclusivamente esse rumo, se for a sua opção a partir de agora?
Victor Mendes
: Durante as gravações do disco do Trio José, passei por um processo de amadurecimento dentro do estúdio, e no final das gravações estava bem mais a vontade para gravar. Como eu já tinha um repertório pronto, pois muitas das canções já haviam sido compostas mesmo antes do disco do Trio José, sentia necessidade de gravá-las, poder divulga-las, compartilhar com mais gente aquelas canções que eu fazia. Além dessas canções, outras músicas de parceiros também entraram no disco, e eram canções que eu já cantava há algum tempo, mas nunca tinham sido gravadas.
Quando componho uma música, já penso em quase todo o arranjo, desde o violão até a instrumentação. Isso também contribuiu para que eu fizesse um disco solo, com a minha concepção. Esse trabalho não exclui outros. Ainda continuo com o Trio José, estamos planejando um show em homenagem ao compositor capixaba Sergio Sampaio em breve. Eu acompanho a cantora Karine Telles no violão num show que em breve voltará pros palcos, conheci há pouco tempo a cantora e compositora argentina Gaby Echevarria e estamos montando um show juntos também! E pra mim, quando mais música, melhor! É só administrar o tempo! (risos)

Mondo Pop- Você gravou o álbum durante um período de quase dois anos. Houve algum tipo de modificação de seu projeto inicial em função disso ou você conseguiu manter a linha musical que pretendia seguir? Quais foram as principais dificuldades para viabilizar esse projeto?
Victor Mendes
: Inicialmente, era pra ser um disco de voz, violão e viola. Pensei dessa maneira inclusive para ser mais viável e barato. Mas aos poucos percebi que ficaria bom colocar percussão em uma música. Gostei. Gravamos em seis. E percussão sem baixo não fica muito bom. Aí, entrou o baixo acústico. E percebi que com a participação dos músicos o disco ganhou muito, ficou mais rico, os arranjos que pensei ficaram mais bonitos. No final das contas, o disco teve percussão, baixo, flauta, rabeca, violão slide e participações especiais. Sim, fugiu dos planos iniciais, mas ficou muito melhor do que um trabalho idealizado somente por mim. As maiores dificuldades para se gravar um disco independente, além do dinheiro, acho que é conseguir organizar o tempo de todos que participam. Muitas vezes, as agendas dos músicos não coincidem, pois todos trabalham muito, isso atrasa o processo. Quando se faz um disco com mais estrutura, agenda, prazos, ou com um orçamento maior, fica mais fácil de organizar as agendas. Fora isso, tudo ocorreu muito bem, foi um trabalho muito gostoso de se fazer.

Mondo Pop- Você se manteve distante da música durante um período, dedicando-se exclusivamente aos estudos de história. Quando retomou, mudou alguma coisa em sua concepção musical?
Victor Mendes
: Sim, muito. Durante o curso de história na USP, pude conhecer muita gente importante e que mudou minha concepção musical. Paulo Nunes e Saulo Alves são os mais importantes. Eles me ensinaram muita coisa e despertaram o meu interesse para a música brasileira, da obra de artistas como Milton Nascimento, Guinga, Sérgio Sampaio e Dercio Marques, que me fizeram olhar para minhas origens, a cultura caipira de São José dos Campos, e a beleza da cultura popular que existe em todo lugar. Nessa época em que estudava no curso de história, não me distanciei da música. Na verdade, foi o momento eu que eu descobri a música que queria fazer, que me identifico, e até hoje tento me expressar através dela.

Mondo Pop- O CD Nossa Ciranda traz a participação de três cantoras. Como surgiu essa ideia?
Victor Mendes
: A sugestão inicial foi do Ricardo Vignini, dono do estúdio Bojo Elétrico, onde gravei o disco. Todas as cantoras são grandes amigas e, de alguma maneira, tem uma ligação com a música que cantam. A Karine Telles já vinha cantando Negra Lua nas cantorias que fazemos de vez em quando na casa do Paulo, a música a escolheu. A Roberta Oliveira é uma amiga de longa data. Hoje em dia, nos encontramos pouco, mas convivemos bastante numa época, e a canção Filho de Ogum, da Maria Ó, já fazia parte do nosso repertório, as duas são grandes amigas, e quando decidi gravar a música logo pensei nela, a energia que ela transmite cantando é muito forte. E a Paola Albano é uma grande amiga, ela é professora de canto e me ajudou muito nas gravações. A canção que ela canta comigo é de autoria de Danilo Moura, seu namorado. Eles me mostraram a música em dueto, e não tive dúvidas em “roubá-la” para o meu disco (risos).

Mondo Pop- Como você trabalha como compositor? Sempre faz as melodias? Pega os versos de outros autores e põe música neles ou é o contrário (dá suas melodias para que as letras sejam encaixadas posteriormente)?
Victor Mendes
: Normalmente, o Paulo me manda as letras, primeiro. Aí eu pego uma delas e começo a tocar e cantar algo que me vem na cabeça, às vezes funciona muito bem e a música fica pronta. Mas, muitas vezes, eu vou criando melodias no violão, algumas ideias de harmonia, de levada, e quando tenho algo mais concreto, vou procurar alguma letra que possa se encaixar na música. Já aconteceu de eu fazer uma música inteira (sem letra) e o Paulo me mandar uma letra que se encaixava perfeitamente na harmonia. Foi sorte. Agora, estamos querendo inverter o processo, vou mandar as melodias pro Paulo colocar letra, acho que vão surgir músicas bem diferentes.

Mondo Pop- O disco traz dois temas instrumentais. Você pensa em lançar futuramente um álbum só com esse tipo de composição? E como surgiu a ideia de incluir essas duas neste CD?
Victor Mendes
: A Correria é uma música antiga, foi um dos primeiros temas que fiz na viola e gosto muito dela. Eu fiz quando estava ouvindo muito a música latino-americana. A Rio Manso eu fiz muito lentamente, fiz a primeira parte, e depois de anos terminei, como ideias que foram se juntando até formar uma música. Não pensei em gravar um álbum só de músicas instrumentais, eu gosto de cantar, gosto de me comunicar com as letras. Como nesse disco eu tinha total liberdade para escolher o repertório, decidi incluir esses dois temas. Eu escutei muita música instrumental, o disco do Quarteto Novo, por exemplo, foi crucial para minha formação, os discos instrumentais de viola do Almir Sater, Ivan Vilela. E acho que para o ouvinte, os temas instrumentais ajudam a compreender a concepção sonora do disco, é uma outra maneira de se comunicar.. só com a música.

Mondo Pop- Com a popularização dos MP3 e outros formatos digitais, há quem preveja o fim do formato álbum. No entanto, esse tipo de obra continua sendo lançada, inclusive por músicos jovens como você. O que você pensa sobre isso?
Victor Mendes
: O disco físico ainda é importante, inclusive para conseguirmos trabalhar, vender shows, divulgar o trabalho, ele dá um caráter mais maduro e profissional para a obra. Além disso, acho muito importante o disco ter uma unidade estética, tanto na música quanto na arte gráfica, o disco ainda é um suporte físico para isso. Isso é muito interessante, pois a música não é um objeto material, como um quadro, mas o disco, o encarte, dão um suporte material, visual, para essa arte que se descola no tempo e desaparece. Não há nada melhor, para quem gosta de música, do que ouvir um disco com o encarte na mão, lendo quais músicos tocaram nas faixas, quem produziu, onde foi gravado. O MP3 ajuda muito na divulgação das músicas, mas acaba fragmentando essa unidade da obra, tão importante e tão cuidadosamente pensada pelos músicos.

Mondo Pop- Fale um pouco sobre as suas preferências musicais (autores, gêneros musicais etc), e como isso se refletiu no disco Nossa Ciranda.
Victor Mendes
: Tenho muitas referências musicais e que influenciam muito no meu trabalho, como Milton Nascimento, Gilberto Gil, Dori Caymmi, Vitor Ramil, Jorge Drexler, Jorge Fandermole, Dércio Marques, Renato Braz, Mercedes Sosa, Heraldo Monte… Todas essas influências, creio, têm em comum algo que busco na minha música, que é se inspirar no que há de mais simples, mais popular, e fazer disso algo universal, sem amarras, ser ao mesmo tempo tradicional e inovador. Acompanho muito a carreira de todos, desde a escolha dos repertórios, arranjos, interpretação.

Remo Bom– Victor Mendes:

Marcelo Archetti e a parceria digital com a Universal Music

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Por Fabian Chacur

Com 25 anos de idade e natural de Pato Branco (PR), Marcelo Archetti acaba de inaugurar uma parceria com a Universal Music com o lançamento do single digital Sei Lá. O cantor, compositor e músico teve passagem de destaque na 4ª edição do programa The Voice Brasil. Com sua mistura de rock, pop e MPB, ele surge como uma das boas promessas da música brasileira atual. Leia entrevista feita por Mondo Pop via e-mail com Archetti.

MONDO POP- O que te levou a relançar o single Sei Lá, que já havia sido lançada em 2015? Sentiu que a canção tinha potencial para uma divulgação maior, ou poderia mesmo ser um bom cartão de apresentação nessa sua nova parceria com a Universal Music?
MARCELO ARCHETTI
– Sua pergunta já explicou toda a minha resposta. Foram exatamente esses dois fatores que me levaram a relançar Sei Lá. Primeiro, porque ela funcionou bem num micro espaço onde eu já divulgava minhas músicas: na minha região, na cidade onde nasci, Pato Branco, no Paraná e também em todo o estado do Paraná e na região sul do país.Senti que faltava um pouco mais de divulgação no resto do Brasil para que ela conseguisse alcançar mais publico. A música ainda não havia sido apresentada para o grande publico e ela, como você falou, é um ótimo cartão de visita: Por ela ser alegre, fácil de se conectar com as pessoas, letra fácil, e um apelo brincalhão.

MONDO POP- Você integrou duas bandas (Stereotapes e Clappers) antes de optar pela carreira-solo. Fale um pouco de como foram essas duas experiências, e o que te levou a seguir carreira individual.
MARCELO ARCHETTI
– Sim, participei de duas bandas que foram basicamente a mesma banda, só que uma em Pato Branco, onde comecei minha carreira musical, e a outra em Curitiba. Mudamos apenas um integrante: Em Pato Branco, tinha um baixista e em Curitiba, outro. Foram experiências ótimas, mas para mim a dinâmica entre ter uma banda e ter uma carreira solo é bastante diferente porque lá existe uma divisão de tarefas muito maior, e também muitas facilidades de você se lançar como uma banda. Não é o seu nome que está em jogo. Por mais que você seja o front man, todo mundo ali é protagonista. Então, existe uma diferença muito grande nesse sentido, inclusive para fazer show.

MONDO POP- Então, partir para a carreira-solo tinha mais a ver com o seu projeto musical?
MARCELO ARCHETTI
– Quando se tem uma carreira-solo e você opta por músicas produzidas que tenham bateria, baixo e guitarra, você acaba tendo que montar uma estrutura de show para te acompanhar. A dinâmica entre as duas experiências é bastante diferente. Optei pela carreira-solo principalmente pela liberdade de poder fazer o trabalho da forma como eu gostaria, como eu idealizava, e de poder moldar as musicas para a melhor forma de cantar. Com a banda, você acaba se tornando um pouco refém do estilo de cada um dos integrantes. Lá, sentia que estava começando a desgastar a minha voz, a fazer coisas que eu sentia que não eram minha identidade. Pensei: poxa, tenho meu estilo muito mais bem definido para estar numa banda. Então, optei em seguir carreira-solo para trazer um universo Marcelo Archetti para as pessoas.

MONDO POP- O clipe de Sei Lá é bastante criativo e simples, ao mesmo tempo. Como surgiu a ideia de homenagear com ele o Dia do Sorriso e como foram arregimentadas todas as pessoas que participaram dele? Quanto tempo demorou para serem captadas todas essas imagens e para finalizar o vídeo?
MARCELO ARCHETTI
– Essa ideia surgiu por acaso, numa produtora de Curitiba chamada Arquiteto e Cinema. O pessoal da Arquiteto tinha dois vídeos para teste e um deles era intitulado “Familiares”. Todos eles estavam sérios. Tinha outro vídeo que todos sorriam e isso provocava outra reação em quem assistia. Quando vi esses vídeos pensei logo: Poxa, que ótima ideia! E se aproveitássemos as duas no mesmo clipe?”. A Sei Lá tem uma virada, tem uma parte que entra a bateria, o baixo, depois um solo de piano em que muda mais ainda o humor dela dentro da própria música. O pessoal da produtora se apaixonou pela ideia. Na época, a faixa de trabalho não seria essa, mas eles me propuseram a gravar esse clipe e foi tudo muito rápido e divertido. Fizemos tudo em quatro dias (concepção, edição, chamar voluntários, amigos e familiares, músicos etc) e começamos a divulgar na internet. Passamos dois dias incríveis captando risos, e acho que isso ficou impresso no clipe.

MONDO POP- Você lançou três EPs solo, e agora está lançando um single. Como encara atualmente a forma de se lançar música? Pensa em lançar um álbum no formato tradicional? Esses EPs saíram de forma independente? Você tem algum lançamento em formato físico? Pretende explorar esse rumo também (CDs, LPs etc)?
MARCELO ARCHETTI
– Como costumo falar nas entrevistas, é um caminho sem volta hoje em dia. Porque facilitou muito o acesso das pessoas, você não ter mais a obrigação de carregar um CD, vinil ou fita para ouvir um trabalho. Acho que o lançamento digital tem um alcance muito grande. A internet é muito democrática, então favorece todo o artista que tenha um material de qualidade, que tenha uma carreira na música, que possa postar coisas e o publico receber, como antes não podia. Acho muito interessante priorizar esse tipo de lançamento. A grande questão, ao meu ver, é saber trabalhar: Ao mesmo tempo que todo mundo posta, também a concorrência é grande. Tenho planos, sim de fazer um lançamento físico no futuro. Também quero sentir como é comprar um CD, ter na sua casa uma capa, uma arte. Preocupo-me muito com a capa. Acho que é uma apresentação muito bonita e gostaria de sentir isso, mas é um plano lá pra frente. O foco agora é o digital. Coloquei uns trabalhos na internet. Tenho outras músicas prontas.

MONDO POP- Você gravou um EP em inglês e dois em português, com produtores diferentes. Existe uma diferença nas duas abordagens, em termos musicais? O que te levou a fazer essa escolha?
MARCELO ARCHETTI-
Existe, sim, uma diferença: a própria forma de compor em inglês é diferente de se compor em português, bem como a forma de se expressar cantando. E a opção por dois profissionais acontece por eu gostar muito de me reinventar. Às vezes, corro riscos por ter medo de parecer obvio ou de não conseguir me transformar ao longo da minha carreira. Apesar de estar só começando, acho legal me impor esse desafio de querer me reinventar musicalmente.

MONDO POP- Fale um pouco sobre como foi trabalhar com Alexy Viegas e com Maycon Ananias.
MARCELO ARCHETTI
– Para o EP em inglês, contei com o produtor Alex Viegas. Ele trabalhou com bandas bem legais, mais atuais, mais pop. E ele trouxe um “quê” mais comercial, muito interessante para essas músicas. Para o EP em português, contei com o Michel Ananias, que é um baita produtor. Ele trabalhou com Tiago Iorc e Maria Gadú, e tem outra abordagem completamente diferente, mais refinada, mais elegante. Claro que os dois discos, apesar da abordagem diferente, tem o fio condutor que é a minha voz, a minha forma de cantar e compor.

MONDO POP- Quais são as suas principais influências em termos musicais, e como você define, de forma geral, o som que faz?
MARCELO ARCHETTI
– O meu som passeia por alguns estilos como pop-rock, MPB, folk, e existe até um pouco de pitadas indie. Gosto bastante de acompanhar as bandas atuais. Minhas grandes referências são as bandas britânicas, principalmente da década de 1960, porque acho que elas têm um refinamento, uma elegância muito grande na forma de composição, na forma de cantar, nos arranjos. Sinto que ainda existe um pouco de espaço para fazer isso no Brasil. Misturar isso com a brasilidade. Procuro fazer isso nos meus trabalhos. Como referências específicas: o grande compositor, que mais admiro na musica pop, é o Paul McCartney. Pra mim, ele é uma lenda viva. Eric Clapton também me inspira bastante. Noel Gallagher, ex-Oasis. Aqui no Brasil: Caetano Veloso, Chico Buarque, Los Hermanos, Skank…São minhas influencias

MONDO POP- Como foi participar do The Voice Brasil?
MARCELO ARCHETTI-
A experiência foi fantástica do inicio ao fim. Todo esse processo de participar, de enviar material, de ser chamado até conseguir cantar, mesmo, trouxe um enorme aprendizado para a minha carreira. Foram lições diárias de como se tornar um artista melhor. Porque ali você está em contato com músicos do Brasil inteiro, de diversas áreas musicais, de estilos diferentes, e conhece produtores que fazem a música de hoje e ouvir deles o que você tem de bom, de ruim, o que pode melhorar… Todo esse processo foi de grande valia para mim. Procuro não me ater ao fato de ter ficado pouco tempo no programa, porque eu acho que não é isso que iria definir se eu fui bem ou mal. Foi ótimo para as pessoas me conhecerem, se identificarem com o meu estilo; E abriu portas para que eu tocasse minha carreira a partir de agora com as músicas autorais.

MONDO POP- Fale sobre seus próximos projetos. Pretende divulgar sua música com shows? Tem uma banda de apoio formada?
MARCELO ARCHETTI-
Os próximos passos são, primeiro, continuar trabalhando muito forte na divulgação das minhas músicas. Acabei de lançar o EP. Estou muito feliz com tudo que está acontecendo. Na sequência, partirei para a rotina de shows, e também continuar gravando novos materiais. Já tenho nove músicas prontas para serem trabalhadas, e com certeza teremos lançamentos no futuro. Enfim, munir as pessoas com novas músicas através da internet ou shows.

Veja o clipe de Sei Lá, com Marcelo Archetti:

Anavitória mescla sonoridade suave e sutileza em seu álbum

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Por Fabian Chacur

Duas jovens garotas de Tocantins estão fazendo atualmente o maior furor no meio musical. Com mais de 16.3 milhões de visualizações em seu canal no Yutube e várias músicas fazendo bela carreira nos canais de streaming, essa dupla, que atende pelo nome de Anavitória (assim mesmo, tudo junto), está lançando seu primeiro álbum, autointitulado, com direito a versões física e digital e distribuição a cargo da Universal Music.

Simpáticas, as garotas afirmam se conhecer “desde sempre”, na cidade de Araguaína (TO). Mas o envolvimento musical demorou um bocadinho mais. Ana Caetano, de 21 anos, criou um canal de composições no Youtube, e não demorou para que a amiga Vitória Falcão, de 20 anos, virasse a sua parceira em 2013, para cantarem juntos aquelas e também eventuais canções alheias. Uma dessas de outros autores, Um Dia Após o Outro, de Tiago Iorc, iria dar o maior pé.

“A gravação chegou ao Tiago via Felipe Simas, empresário dele, e os dois não só gostaram como também nos convidaram para gravarmos um EP com a produção do Tiago”, relembram. Esse EP digital ajudou a impulsionar o duo. As cantorias ocorriam via internet e nas férias das duas, pois Vitória estava estudando teatro em São Paulo, enquanto Ana cursava medicina em Araguari (MG). Mas a paixão musical quebrou essas distâncias e as uniu de vez.

Através do processo de financiamento coletivo (crowdfunding), a dupla conseguiu viabilizar a gravação de seu primeiro álbum, com produção de Tiago Iorc, que de quebra participou da faixa Trevo, tocou vários instrumentos e também é coautor de três das dez composições inéditas do trabalho. O trabalho já estava finalizado quando o produtor Paul Ralphes, da Universal Music, conheceu a dupla e as convidou para lançar o álbum pela multinacional.

A parceria com Iorc, um dos artistas mais cultuados no cenário pop brasileiro, foi das mais importantes. “Ele nos orientou muito, produziu o disco junto conosco, e além disso nós gostamos muito do som dele”, comenta Vitória. Além das músicas inéditas, o disco (disponível nos formatos físico e digital) traz a releitura de Tocando Em Frente (Renato Teixeira e Almir Sater), hit com Maria Bethânia. “É uma referência ao pop rural, e procuramos fazer uma releitura fugindo da mesmice, imprimindo a nossa verdade nela”, afirma Ana.

Vitória explica as características peculiares do trabalho da dupla. “A Ana compõe de uma forma muito pessoal, fala de amor. Tudo foi uma chamada, espalhar o amor, música que faça as pessoas sorrirem, de luz, de coisas positivas. Temos influência de folk, mas ouvimos de tudo, é legal a música passar por vários caminhos”. No momento, as garotas estão em plena turnê de divulgação de seu primeiro álbum.

Singular– Anavitória:

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