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Luizinho Lopes, um cantor e compositor mineiro de primeira

Luizinho Lopes-400x

Por Fabian Chacur

Muitos músicos de grande talento são obrigados a dividir sua vocação com o trabalho em outras áreas para conseguir sobreviver. Este é o caso do cantor, compositor e músico mineiro Luizinho Lopes, que além das artes é graduado em engenharia e atua como funcionário público desde 1996. No entanto, ele soube conciliar as duas atividades e, dessa forma, criar uma obra rica, consistente e admirável, em seus mais de 40 anos na música.

Como forma de celebrar essas quatro décadas como músico, Luizinho lançou o álbum-vídeo Dossiê40, já disponível nas plataformas digitais e ainda sem previsão de lançamento em formatos físicos (uma pena!). Nessa longa e deliciosa entrevista concedida a Mondo Pop, ele viaja pela sua belíssima trajetória como músico e criador de um songbook que merece ser mais conhecido Brasil e mundo afora, por sua qualidade incontestável.

MONDO POP- Para começar, fale um pouco de como teve início a sua relação com a música, se sua família tem músicos, o que você ouvia quando era criança, quando começou a tocar e cantar etc.
LUIZINHO LOPES
– Comecei a cantar, em casa, desde muito cedo. Na década de 60 havia os grandes festivais de MPB. Meu pai adorava. Sempre um LP era lançado com as finalistas. Meu pai comprava e me dava de presente. Com seis, sete anos, eu já curtia Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano, Gil, Milton, Geraldo Vandré, Elis Regina, Agostinho dos Santos e muitos outros. Considero essa a minha primeira formação musical. Meu pai teve dois irmãos que eram músicos, um tocava flauta e saxofone e o outro chegou a ser maestro de banda de cidade do interior. Meu pai nasceu em São Pedro dos Ferros, zona da mata mineira, próximo a Ponte Nova. Comecei a tocar violão bem mais tarde aos 18 anos! Antes,fiz algumas músicas de ouvido. Escrever, comecei desde cedo. E lia muito.

MONDO POP- Você nasceu em Pirapora (MG), mas está em Juiz de Fora há muito tempo. Qual a influência dessas duas cidades em sua vida e, por tabela, na sua criação musical?
LUIZINHO LOPES
– Meu pai era bancário. Somos seis filhos. Eu sou o caçula. Meu pai foi transferido de Governador Valadares para Pirapora, onde chegou promovido a gerente do banco. Morou lá por uns sete anos. Nasci lá, mas quando a família mudou-se da cidade, eu tinha somente dois anos. Então, Pirapora nem chegou a exercer uma influência considerável em minha formação, não tenho lembranças de lá. Só mais tarde que retornei para conhecer. Posteriormente, meu pai foi transferido para Bom Jesus do Itabapoana, fronteira do estado do Rio com Espírito Santo, onde moramos por apenas três anos. De novo, meu pai foi transferido para Leopoldina, Minas, onde morei dos cinco aos treze anos. De Leopoldina meu pai foi para Juiz de Fora, onde se aposentou. Foi em Juiz de Fora que tudo começou para mim em relação à arte.

MONDO POP- Você é graduado em engenharia civil. Trabalha na área? Muitos músicos aceleraram seus contatos ao participar do meio universitário, isso também ocorreu com você?
LUIZINHO LOPES
– Foi Na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) que iniciei de forma a princípio amadora a minha carreira musical. Ganhei um violão de meu pai logo quando passei do primeiro para o segundo período(semestre) na Engenharia. Tinha acabado de completar dezoito anos. Uma tarde, após o almoço, estava de férias, fui para o meu quarto escutar um pouco de música, e logo depois, meu pai entrou e me disse que havia visto um violão “bonitinho” na vitrine de uma loja e pensou em me dar de presente, já que eu adorava música. Nessa época, meu pai já havia se aposentado, a diferença de idade dele para mim era de quarenta e dois anos, ele tinha sessenta anos, isso foi em 1977. Acabei convencido, e fui com ele até a tal loja. Quando cheguei com o violão em casa, por volta das duas e meia da tarde, tranquei-me em meu quarto e comecei a tocar. Lá pelas oito da noite, meu pai bateu na porta, e assim que entrou, foi logo comentando: “Meu filho, você está aqui trancado sem sair desde quando chegamos da rua, se soubesse que seria assim, nem teria tido a ideia de dar um violão pra você. Você não saiu nem pra ir ao banheiro ou tomar água. Não é possível, dê um tempo. Vá comer alguma coisa. O que você fez esse tempo todo? Que eu saiba, você nunca havia tocado violão antes”. E eu respondi: “Fiz uma música. Quer ouvir?”… Daí em diante, na atmosfera da UFJF, sem dúvida, adquiri muitos contatos. Estávamos em plena ditadura militar, sentíamos necessidade de estar juntos, cantar juntos, como se isso nos protegesse contra o
medo e a censura. E hoje afirmo com certeza, foi o grande aprendizado que carreguei para a minha vida, não só artística.

MONDO POP- Fale um pouco de como foi a experiência como integrante do grupo Vértice, como surgiu, quanto durou, se gravou algo, e porque acabou. Ainda tem contato com seus ex-integrantes?
LUIZINHO LOPES
– O Vértice surgiu em 1979. Inicialmente eram sete integrantes, quatro estudantes de engenharia, um de economia, um de farmácia e outro que cursava medicina. O nome Vértice foi dado, obviamente, por um estudante de engenharia, na época, o que era o melhor músico do grupo, o Thadeu Grizendi. Todos homens na primeira formação. Com o tempo, chegaram duas cantoras: Andréa Gomes (hoje, Monfardini) e Lúcia Neves. O auge do Vértice foi a participação no programa Som Brasil da TV Globo, em dezembro de 1981. Na época o programa era comandado por Rolando Boldrin. Gravamos três músicas, uma instrumental, “Sete Lenços”, composta pelo Thadeu Grizendi e por Edson Zaghetto, que fora o último a entrar no grupo, “Vice-Versa” e “Chaminés”, ambas de minha autoria, letra e música. O programa foi ao ar em janeiro de 1982, mas a instrumental foi cortada, somente as minhas duas músicas foram apresentadas no programa. Meses mais tarde, descobrimos que “Sete Lenços” estava sendo usada como fundo de uma propaganda da Secretaria de Agricultura do estado de São Paulo. Nós éramos muito ingênuos, pedimos só para que a música fosse extraída da propaganda. A nossa apresentação repercutiu bastante. Fomos convidados a fazer diversos shows. O Grupo Vértice realizou dois shows oficiais em teatro, o “Sem Fronteiras”, em 1981 e o “Via Luz”, em 1982, ambos em Juiz de Fora. O grupo acabou no final de 1982. A maioria dos integrantes formou-se na Universidade e partiu para a vida profissional. Também me formei no fim de 1982, mas resolvi partir para a música. Em 1983, fiz o primeiro show, já fora do Vértice, com a cantora Andréa Gomes, chamado “Hóstia da Noite”.

MONDO POP- Você está celebrando 40 anos de carreira. Qual é o marco inicial, a partir do qual você conta essas quatro décadas?
LUIZINHO LOPES
– O marco inicial é 1978, ano em que comecei a me apresentar cantando tão somente canções de minha autoria, no palco do Anfiteatro do ICBG (Instituto de Ciências Biológicas) na UFJF, em um projeto que se chamava Som Aberto, com edições que aconteciam todos os sábados, a partir das dez da manhã. O show “DOSSIÊ40” foi gravado em dezembro de 2018, completando justamente estes quarenta anos. DOSSIÊ40 foi lançado somente em 2020. Em 2019, gravei e lancei um outro álbum, “Pé de Letras”, o que acabou atrasando o lançamento de “DOSSIÊ40”.

MONDO POP- Seu primeiro álbum, Nem Tudo Que Nasce é Novo, saiu em 1990, quando você já tinha por volta de uma década de estrada. Quais as dificuldades para conseguir, enfim, concretizar esse disco, e na sua opinião porque demorou tanto tempo para realizar esse sonho?
LUIZINHO LOPES
– Na época, era muito mais difícil gravar um disco do que hoje. Os custos eram bem mais elevados e eu vivia, na ocasião, somente da música, tinha poucos recursos e o “Nem Tudo Que Nasce É Novo” foi um disco feito de forma independente. Tive uma ideia que pus em prática e que possibilitou a gravação do meu primeiro disco: um vale-disco, em que a pessoa comprava o LP de forma antecipada. Deu certo, vendi cerca de trezentos vales assim.

MONDO POP- Qual a importância na sua trajetória de participar de festivais? Lembre-se de algumas experiências nessa área que você considere as mais significativas em termos de repercussão.
LUIZINHO LOPES
– Participei de diversos festivais, como integrante do Vértice e de forma individual. Os mais marcantes foram os festivais do TUCA, em São Paulo (SP), em 1982, em Porto Alegre(RS) e Ouro Preto(MG), ambos em 1983, no Festival Nacional do Carrefour, semifinal em Uberlândia(MG), em 1992, e no Musicanto, em Santa Rosa (RS), festival de música latino-americana, em que faturei o segundo lugar com a música “Lume” numa interpretação antológica do grande cantor paulistano Renato Braz, acompanhado pelo maestro Roberto Lazzarini ao piano, e por mim no violão. O prêmio neste festival trouxe uma grande visibilidade, que contribuiu muito para a expansão de meu trabalho.

MONDO POP- A sua carreira ganhou força a partir de 2014, com mais lançamentos de CDs e DVDs do que em todos os anos anteriores. Qual a razão?
LUIZINHO LOPES
– Creio que tenha sido pelo fato de que em 2012 consegui retornar para Juiz de Fora, e com isso pude ter mais condições de investir em meu trabalho musical. Gravar um disco foi se tornando mais fácil, a
tecnologia contribuiu para o barateamento das gravações. Este fato, inclusive, já tinha sido observado por mim quando da gravação de “Noiteceu”, meu terceiro álbum, que foi gravado com recursos próprios além de recursos da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura de Juiz de Fora.

MONDO POP- O Ricardo Itaborahy tem uma participação importante na fase mais recente de sua carreira. Como você o conheceu, e como funciona o entrosamento musical entre vocês?
LUIZINHO LOPES
– A resposta a esta pergunta tem a ver com a questão anterior. Em 2015, quando Ricardo Itaborahy assumiu a direção musical de “Falas Perdidas”, CD produzido com recursos da Lei Murilo Mendes e recursos próprios, percebi que meu trabalho tomaria outro rumo. Ricardo já havia feito a mixagem de meu álbum anterior, “Luizinho Lopes Ao Vivo”, álbum duplo por sinal, e ali já pude observar a maneira dele trabalhar. Quando iniciamos a produção de “Falas Perdidas”, parecia que já havíamos trabalhado juntos nessa atividade anteriormente. Tudo se encaixava, o modo como ele desenvolveu os arranjos, e até hoje ele discorre sobre isso, respeitando as sequências harmônicas que eu criara quando da composição das músicas, para em cima disso poder partir para suas ideias, além de facilitar o seu trabalho, fazia com que a música não perdesse a sua essência de origem. Em minha opinião, um grande erro de um arranjador é praticamente desvestir a música de um compositor para sobrecarregar com suas ilações, o que na quase totalidade dos casos, desfigura a obra original, transportando o que restar para o patamar da mesmice. O entrosamento entre mim e Ricardo é muito grande. O fato de Ricardo morar em outra cidade faz com que eu envie para ele uma nova composição ou uma ideia de arranjo, através dos meios digitais. Muitas vezes, quando nos encontramos para realizar uma apresentação, um show, não dispomos de muito tempo para ensaiar, o que não chega a ser problema para nós, um tanto também pelo entrosamento que há.

MONDO POP- Fale sobre a concepção de Dossiê40 – escolha de repertório, montagem da banda de apoio, local etc. Quantas músicas incluídas neste trabalho nunca haviam entrado antes em um de seus discos?
LUIZINHO LOPES
– Para o repertório, primeiramente, recolhi cinquenta músicas para escolher dezesseis para o show. Com ajuda do Ricardo Itaborahy peneiramos para vinte e cinco, e finalmente para dezenove. Seis músicas não haviam entrado anteriormente em nenhum de meus discos: Charada, A Dança das Palavras, Coração Kamikaze, Que Loucura!, Vice-Versa e Vi a Luz.

MONDO POP- As cantoras Andréa Monfardini e Elisa Bara Zaghetto participam do álbum. Como surgiu a ideia de convidá-las, e como você avalia o resultado da participação delas?
LUIZINHO LOPES
– As duas cantoras tiveram participações marcantes no show. Andréa Monfardini já participa de trabalhos comigo desde a época do Vértice. A Elisa estuda canto desde cedo e atua em teatro também, tem uma voz
diferenciada, muito afinada. Não é para menos, sempre recebeu orientação artística de seu pai, meu grande parceiro Edson Zaghetto.

MONDO POP- Como você define o seu universo musical, enquanto cantor e compositor? Quais são as influências que você sente como mais decisivas para a consolidação de seu estilo musical próprio?
LUIZINHO LOPES
– De uns tempos pra cá, comecei a vasculhar as origens da arte em minha vida. Na infância, em Leopoldina, estudei em colégio de freiras.Lá, havia uma bandinha com instrumentos de percussão e vozes. Eu era
sempre a primeira voz do grupo, por ser afinado, principalmente, lembro-me da professora que coordenava a bandinha comentar isso. Depois na adolescência, quando já morava em Juiz de Fora, andei fugindo do papel de cantor por uma timidez adquirida não sei como. Mesmo depois de ter lançado dois álbuns, ainda não sentia muito prazer em cantar, na verdade tinha medo de soltar a voz. Enfim, em 2002, encontrei um professor de canto que me fez perder o medo. Estudei com ele por dois anos e foi o maior aprendizado que tive em relação à música, mais do que qualquer aprendizado de teoria musical, harmonia ou técnicas de violão, porque ganhei confiança e a certeza de que o que eu precisava era me soltar no palco, interpretar o que cada canção suplica. Como compositor, creio que as minhas maiores referências são musicais, literárias e cinematográficas. Não sei separá-las. O cinema é cheio de música, palavra e silêncio. É o que mais me fascina. E isso interfere diretamente nas minhas composições. No geral, nomes imprescindíveis para mim: Chico Buarque, Gilberto Gil, Egberto Gismonti, Vítor Ramil, Beatles, Keith Jarret, Chico César, Elomar Figueira de Mello, João Cabral de Melo Neto, Octavio Paz, Luiz Ruffato, Gabriel García Márquez, Kafka, Jorge Luiz Borges, Luis Buñuel, Bergman, Scorcese e Stanley Kubrick. A influência mais decisiva para mim talvez venha de uma expressão literária, talvez seja Jorge Luiz Borges; quando o li pela primeira vez engatei uma leitura de umas 6 horas sem parar, sem levantar da cadeira, foi um soco e eu disse para mim mesmo: dessa forma que eu quero trazer as palavras para a minha música…

MONDO POP- Boa parte das suas composições são solo, mas você também tem algumas parcerias. Comente um pouco como é escrever canções sozinho e também com parceiros.
LUIZINHO LOPES
– Adoro escrever e adoro fazer música. Quando estou compondo sozinho, tenho um prazer especial de ao estar tecendo a melodia, ao mesmo tempo estar selecionando palavras. As palavras chegam antes do tema muitas vezes. Compor com parceiros é sensacional, mas tem que haver muita afinidade com a forma que o parceiro escreve, por exemplo. Por isso tenho poucos parceiros, e esses poucos, deixam comigo os textos que vou conformando à métrica e à necessidade da canção. Entre os parceiros que me municiam com palavras, tenho dois ilustres que eu me orgulho muito, que são o Luiz Ruffato e o Iacyr Anderson Freitas. Já em relação aos parceiros que fazem as melodias, são muito poucos. Sinto muita falta de receber melodias para que eu possa criar as letras.

MONDO POP- Você iniciou sua carreira no final dos anos 1970, em um momento no qual a música brasileira vivia uma de suas fases áureas. Que recordações tem daquela época, e como avalia a cena atual?
LUIZINHO LOPES
– Aquela foi uma época em que ficávamos esperando um disco chegar com tremenda ansiedade. Lembro-me muito do LP A Ópera do Malandro, do Chico Buarque. Cheguei na loja de discos, ainda fechada, e aguardei. Na véspera, fiquei sabendo que chegariam poucas unidades do disco, fui o primeiro a comprar. A MPB estava no auge, vários trabalhos magistrais sendo lançados, praticamente um disco por ano dos grandes compositores. Sem entrar no mérito dos diversos benefícios que a era digital trouxe para a arte em geral, pelo menos o glamour do lançamento da bolacha, do LP, foi perdido, e não sinto como substituí-lo. A cena atual ainda é indecifrável. Como não há espaço suficiente na mídia tradicional para a música de qualidade como havia
no final dos anos 1970, a descoberta das pérolas fica restrita e sujeita à qualidade de farejo do pescador digital.

MONDO POP- Como você encara os formatos através dos quais se lançam músicas atualmente? Pretende lançar Dossiê40 também em formato físico (CD,DVD)? O formato digital tem trazido bons frutos para você em termos de
repercussão e ganhos financeiros?
MONDO POP
– Sem dúvida, a partir desses formatos digitais surgiu uma chance de democratização maior da divulgação do artista, de sua obra de arte. Na prática isso não está ocorrendo ainda para determinados setores da
música. Em termos de repercussão aumentou bastante o alcance de minha música, de minha obra. Em termos de ganho financeiro, ainda não. Mas está aumentando, isso varia proporcionalmente com a quantidade de seguidores nas redes sociais. Por ora, não pretendo lançar o DOSSIÊ40 em formato físico.

MONDO POP- Dossiê40 pode ser considerado uma espécie de viagem por esses 40 anos de carreira?
LUIZINHO LOPES
– Com certeza. A forma como escolhemos o repertório levou em consideração as variáveis “idade” da música, aceitação, contemporaneidade, impacto, poesia e outras. Obviamente se adicionadas mais umas quatro músicas, essa viagem seria mais abrangente, ficaria ainda mais representativa.

MONDO POP- Como compositor, quem você gostaria de ouvir interpretando canções de sua autoria? E como intérprete, com quem você gostaria de trabalhar junto, em shows ou em gravações?
LUIZINHO LOPES
– Gostaria muito de ter músicas cantadas pelo Ney Matogrosso e Marisa Monte. Como intérprete, gostaria de estar no mesmo palco do Vítor Ramil e do Chico César, cantando com eles suas canções.

MONDO POP- Você é graduado em cinema documentário. Pretende também fazer trabalhos nessa área? O que te levou a fazer esse curso? Pensa em unir as duas coisas- música e cinema, quem sabe em trilhas ou coisa que o valha?
LUIZINHO LOPES
– Meu desejo maior desde criança era ser cineasta. Fiz esse curso, porque morava no Rio de Janeiro na época, e não tinha tempo de fazer uma faculdade de cinema. Eu fui da primeira turma de Pós-Graduação
em Cinema-Documentário da FGV-Rio. Está em meus planos realizar um longa, tenho um roteiro bem desenvolvido e adoraria fazer trilhas para cinema, a oportunidade que ainda não surgiu.

MONDO POP- Para encerrar: você consegue viver de música, em termos financeiros? Se a resposta for não, qual ocupação te proporciona isso?
LUIZINHO LOPES
– Não consigo viver de música. Em 1996, através de aprovação em concurso público, assumi o cargo de Auditor Fiscal da Receita Estadual de Minas Gerais, que, dentre outras coisas, possibilitou que eu residisse na capital do Rio de Janeiro de 1999 a 2009, já que Minas Gerais ali possui um escritório avançado da Receita Estadual, e onde entre várias conquistas musicais, pude cursar Cinema Documentário na FGV. A partir de 2012, quando retornei para Juiz de Fora, pude investir mais em minha carreira musical. Foi uma decisão muito difícil o de entrar no serviço público, pelo fato de sobrar menos tempo para me dedicar à música, mas acabou que tive muita disciplina e persistência, e com o tempo fui aprendendo cada vez mais a administrar a situação, hoje digo com tranquilidade, considero-me um músico profissional e posso realizar trabalhos musicais que eu gosto, antes de tudo, sem me curvar a qualquer obrigação de mídia ou coisas do gênero. Isso proporciona uma imensa tranquilidade e grandes realizações, apesar do sacrifício. Se nada de absurdo ocorrer, dentro de dois anos aposento-me no serviço público, para a partir daí poder dedicar-me totalmente às artes.

Ouça e veja Dossiê40, de Luizinho Lopes, em streaming:

Mahmundi investe em um som de banda em seu álbum Mundo Novo

Por Fabian Chacur

Aos 33 anos de idade, Marcela Vale tem muitas histórias para contar. Filha adotada por uma família de evangélicos, a moça se envolveu com a música desde cedo, tocando bateria e violão e cantando em igrejas. Com o tempo, sentiu que era essa musa que desejava seguir. Mas não foi fácil. Durante anos, conciliou trabalhos fora dessa área com a atuação como técnica de áudio e microfonista de lugares como o Circo Voador e a Fundição Progresso.

Há cerca de 10 anos, resolveu encarar o desafio de uma carreira como cantora, musicista e compositora. Desde então, conhecida pelo nome artístico Mahmundi, vai pavimentando uma trajetória das mais interessantes. Efeito das Cores (2012) e Setembro (2013), dois EPs, foram os seus primeiros lançamentos. Em 2016, veio o primeiro álbum, Mahmundi, pelo selo Stereomono-Skol Music.

Sua parceria com a gravadora Universal Music teve início em 2018 com o álbum Para Dias Ruins. Desde o início, mostrou uma voz doce e muito bem colocada, aliada a canções que, como um todo, dificultam uma rotulação. Seria nova MPB, pop, soft rock, eletropop, r&b, reggae, soul? Ou seria tudo isso junto e misturado? Pouco importa, pois a qualidade é o que importa, e é grande.

Mahmundi nos oferece ecos de Corinne Bailey Rae, Marina Lima, Marisa Monte e Erikah Badu, só para citar algumas possíveis referências, mas do seu jeito. Mundo Novo, seu novo álbum, acaba de ser disponibilizado nas plataformas digitais, e tem tudo para ampliar ainda mais os seus horizontes profissionais em termos de público e crítica especializada.

São sete faixas (incluindo uma espécie de vinheta). Uma, inteligentemente escolhida para iniciar a divulgação do trabalho, é a hipnótica Nova TV, uma das duas parcerias com o artista carioca Castello Branco incluídas neste álbum (a outra é Nós de Fronte). Trata-se de uma gravação absolutamente perfeita, que te prende do primeiro ao último segundo, com letra e melodia envolventes.

Sem Medo, parceria com Felippe Lau, fecha o lado autoral. Convívio (Paulo Nazareth) e Vai (Frederico Heliodoro), de dois talentosos compositores da nova geração, estão aqui. O repertório é fechado com uma bela releitura de No Coração da Escuridão, composição de Dadi e Jorge Mautner gravada pelo primeiro originalmente em seu autointitulado álbum de 2005 com marcante participação de Caetano Veloso nos vocais.

Mundo Novo equivale a um álbum conciso (tem pouco mais de 20 minutos de duração) que deixa aquele adorável gostinho de quero mais, amostra luxuosa de uma artista que tem tudo para pavimentar uma discografia preciosa. Em entrevista por telefone a Mondo Pop, a artista carioca atualmente radicada em São Paulo nos dá algumas pistas de suas intenções musicais.

MONDO POP- Como foi o seu encontro com a música, e o que você ouvia quando criança e adolescente?
MAHMUNDI
– Minha educação musical foi muito restrita à música gospel, pois meus pais são religiosos. Ouvia música gospel americana e brasileira. Comecei, na igreja, a tocar violão e bateria. Só depois fui ouvir outras coisas, como Legião Urbana, Oasis, Keane, Avril Lavigne.

MONDO POP- Qual a diferença básica do conceito deste novo trabalho em relação aos anteriores?
MAHMUNDI
– Tenho uma assinatura estética em cada um deles. A ideia em Mundo Novo era fazer algo que soasse mais como uma banda, saindo da produção sozinha, dos sintetizadores e tudo mais. Então, partimos pra um trabalho com coprodução do músico Frederico Heliodoro, que trouxe suas referências de música instrumental. Eu assino a direção e a produção musical e ele fez a coprodução do álbum.

MONDO POP- Mundo Novo tem uma duração de 22 minutos, não muito comum em álbuns tradicionais. Há quem rotule um trabalho com essa duração como EP. Como você encara essa questão?
MAHMUNDI
– Para mim, esse trabalho é um álbum, pois tem um formato atual, adaptado para os dias atuais. Toda a concepção dele é a de um álbum, desde a seleção de faixas até a concepção final, capa, encarte etc.

MONDO POP- Esse é o seu segundo álbum lançado por uma gravadora grande, a Universal Music. Como está sendo a relação entre vocês?
MAHMUNDI
– Minha relação com a Universal é maravilhosa. Eu cuido de tudo em termos artísticos e criativos, e eles me dão todo o apoio necessário na parte de divulgação. A sugestão de que Nova TV fosse a primeira faixa de trabalho, por exemplo, foi uma sugestão deles que acabei aceitando.

MONDO POP- Aliás, já que tocamos nessa faixa, fale um pouco sobre ela.
MAHMUNDI
– É uma parceria com o Castello Branco, que é um artista carioca maravilhoso. Vi um texto dele em uma rede social, gostei muito e adaptei para a criação desta canção. Adoro TV, ver o que as pessoas fazem nos botecos, sair dessa visão de Sudeste que as pessoas tem do Brasil. Somos muito presos aos celulares, e essa música fala sobre isso.

MONDO POP- Como surgiu a ideia de reler No Coração da Escuridão?
MAHMUNDI
– Conheci o Dadi quando ele tocava com a Ana Cañas, em um show no Circo Voador. Eu nem sabia quem ele era, e vi que ele tocava muito, fiquei impressionada como ele era bom. Fiquei amiga dele, e depois fui saber de tudo o que ele já tinha feito em sua carreira. É uma pessoa muito profunda. Este álbum é um encontro muito bonito entre eu e outras pessoas, conectei-me com o melhor das pessoas envolvidas neste trabalho.

MONDO POP- O título do seu disco anterior é Para Dias Ruins. Este é Mundo Novo. No caso do que você está lançando agora, isso tem a ver com o que estamos vivendo nesse momento atual?
MAHMUNDI
Mundo Novo é uma relação muito pessoal, muito comigo mesma, comecei a criar o conceito desse trabalho em 2019. Fiz psicanálise e me descobri muito nesse processo. Quanto ao que está acontecendo hoje, não dá pra ficar só batendo panelas, só reclamando. Não podemos nos bloquear, é preciso seguir em frente, pois isso vai passar. O brasileiro consegue de um jeito muito espirituoso resolver as coisas.

Nova TV– Mahmundi:

Alexia Bomtempo mostra em Suspiro sua versão da bossa nova

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Por Fabian Chacur

A cantora Alexia Bomtempo nasceu em Washington D.C. (EUA), filha de pai brasileiro e mãe americana. Foi criada no Brasil, mas com várias passagens por seu país de origem. Isso criou uma espécie de dualidade cultural em sua formação pessoal que se refletiu em uma trajetória musical com mais de 10 anos.

Há quase oito anos radicada em Nova York, Alexia está lançando Suspiro (que saiu no Brasil pela Lab344, ouça aqui), seu quarto álbum, no qual mergulha em uma visão própria da bossa nova, com direito a canções autorais, inéditas de outros compositores e clássicos nada óbvios daquele movimento musical, de autores como Jorge Ben Jor, João Donato e Edu Lobo.

Em entrevista feita por email a MONDO POP, ela conta tudo sobre o novo trabalho e também nos dá uma geral em sua interessante e bastante consistente trajetória como cantora e compositora.

MONDO POP- Suspiro, seu novo álbum, é um trabalho bem diferente do seu álbum anterior, mais voltado para o pop-rock. Este novo tem um espírito bem de bossa moderna. Como surgiu a ideia de fazer um CD com essa sonoridade?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu passei uns meses em Tokyo fazendo uma residência de jazz e tive uma espécie de “reencontro” com a bossa nova. Fiz um mergulho naqueles discos que foram a base da minha formação musical, comecei a compor músicas novas e convivi muito com amigos e fãs japoneses completamente apaixonados por bossa nova. Voltei pra Nova York com a ideia de fazer um album que explorasse esse universo.

MONDO POP – O repertório de Suspiro mescla faixas inéditas e releituras nada óbvias. Que critérios você seguiu para fazer a seleção? Desde o início a ideia era mesclar idiomas (português, francês e inglês)?
ALEXIA BOMTEMPO
– A gente já tinha o conceito do álbum, que era saudar esse movimento samba-bossa-jazz dos anos 60 e 70, mas com um pensamento moderno. Apesar de fazer minhas próprias músicas, sempre gostei de cantar canções de outros compositores. Adoro pesquisar repertório e encontrar pérolas, relembrar músicas que foram lançadas lá atrás com roupagem diferente. Eu, o Jake e o Stéphane fomos trocando ideias e selecionando o repertório de forma colaborativa. Sou naturalmente bilíngue, sempre cantei em inglês e português e com esse álbum não poderia ser diferente. A bossa nova tem ligação forte com a cultura francesa e achamos bacana explorar esse idioma também.

MONDO POP- Como ocorreu a seleção das faixas inéditas? O objetivo era misturar canções de sua autoria com as de outros compositores ou isso acabou ocorrendo naturalmente?
ALEXIA BOMTEMPO
– O objetivo era esse, mas tudo aconteceu naturalmente. Eu já tinha algumas músicas prontas, depois fiz outras com o Jake pensando mais no conceito do álbum. O Stéphane estava passando uns dias no Rio nessa fase de pré-produção do disco e pediu canções inéditas ao Alberto Continentino e ao Domenico Lancellotti – dois compositores que eu adoro.

MONDO POP- A sonoridade do álbum é muito coesa, delicada e elegante, e soa como um trabalho de banda. Essa era a sua ideia inicial? Escolheu os músicos pensando nisso?
ALEXIA BOMTEMPO
– Sim, a ideia era fazer um disco com essa sonoridade de banda. Chamamos o pianista Vitor Gonçalves e o baixista Eduardo Belo (ambos brasileiros radicados em Nova York), que já vinham tocando com o Stéphane num outro projeto de samba-jazz. Foi bacana, porque já existia todo um entrosamento. O Jake, apesar de ter muita experiência com música brasileira, vem de uma formação mais jazz e blues que somou muito pra chegarmos nesse lugar delicado, elegante e internacional.

MONDO POP- Qual a importância dos produtores Jake Owen e Stéphane San Juan na concretização do álbum Suspiro, e como rolou o dueto com Stéphane em Les Chansons D’Amour?
ALEXIA BOMTEMPO
– O Jake e o Stéphane foram fundamentais. Eles são produtores fantásticos, pessoas lindas e profissionais incríveis. Todo o processo de feitura do disco se deu de uma forma muito leve, divertida e colaborativa – desde a escolha do repertório. Achamos que seria interessante ter uma música em francês, pela bossa nova ter um elo tão vivo com a cultura francesa e o Stéphane fez a letra pra música do Alberto Continentino, que resultou em Les Chansons D’Amour. O dueto também é uma referência aos duetos clássicos de bossa nova. A voz grave do Stéphane combinou muito com a minha e acho que a gravação transporta o ouvinte para outra atmosfera. Ah, e o Stéphane é francês!

MONDO POP- Fale um pouco sobre o clima das gravações, se você gravou com os músicos ao mesmo tempo ou naquele esquema de ir criando aos poucos a base instrumental para depois colocar a voz.
ALEXIA BOMTEMPO
– Gravamos no SuperLegal Studio (do Jake e do percussionista Mauro Refosco) que fica no Brooklyn, tudo ao vivo, com os músicos tocando ao mesmo tempo, “como se fazia antigamente” – inclusive a voz. Os arranjos foram feitos na hora, sem muito ensaio. Eu, o Jake e o Stéphane já tínhamos escolhido o repertório e conhecíamos as músicas, mas o Eduardo e o Vitor foram ouvindo as ideias na hora, deixando a criatividade fluir, e contribuíram imensamente na elaboração de cada faixa. Foi muito leve e divertido, gravamos as bases em dois dias e depois convidamos o trompetista Michael Leonhart para participar. Ele é um músico fantástico e apaixonado por bossa nova. Também chamamos o guitarrista Guilherme Monteiro para participar da faixa “Les Chansons D’Amour” e ele fez o arranjo no violão rapidamente, de uma forma muito natural. Eu amei fazer um disco assim, livre (e em pouco tempo).

MONDO POP- Gostaria de que você me lembrasse um pouco de suas origens, sendo filha de um brasileiro e de uma americana e tendo nascido em Washington. Foi criada lá ou aqui? E como foi essa criação em termos musicais, o que seus pais ouviam, o que você ouvia na infância e adolescência?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu fui criada nos Estados Unidos e no Brasil. Minha vida foi meio partida entre os dois países, foram muitas idas e vindas ao longo dos anos. Sempre me senti dividida, e as influências das duas culturas se misturam muito dentro de mim. A minha formação musical também foi assim, misturada. Em casa a gente ouvia os clássicos do Brasil (Caetano, Gil, Djavan, Tom Jobim, Gal, Rita Lee, João Gilberto) e da América do Norte (Bob Dylan, Billie Holiday, Joni Mitchell, Janis Joplin, Leonard Cohen). Meu pai era produtor cultural em Petrópolis, então tive a sorte de crescer na coxia, assistindo de perto os shows dos grandes nomes da música brasileira. Foi uma infância muito estimulante e eu sempre soube que queria fazer parte daquele mundo algum dia.

MONDO POP- Relembre um pouco suas primeiras experiências musicais, e em que momento você decidiu que esse seria o seu projeto profissional, ser uma cantora e compositora.
ALEXIA BOMTEMPO
– Durante a minha infância e pré-adolescência no Brasil, estudei teatro no Tablado. Já gostava de cantar, mas comecei no teatro. Já com 17 anos e morando nos Estados Unidos, entrei para o coral da escola e comecei a me destacar. E então resolvi abraçar a música de vez. Voltei pro Brasil, montei uma banda e toquei na noite durante um tempo. Depois, resolvi estudar canto lírico nos Estados Unidos e fiquei na faculdade por dois anos antes de voltar novamente ao Brasil. Conheci o produtor Sérgio Carvalho, que produziu minha primeira demo e depois me apresentou seu irmão Dadi – que se tornou um grande amigo, um padrinho musical e produziu meu primeiro disco, Astrolábio.

MONDO POP- O que te levou a se mudar para Nova York há quase oito anos?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu estava lançando o meu segundo disco I Just Happen to Be Here com canções em inglês do Caetano Veloso que me abriu algumas portas fora do Brasil. Já vinha passando umas temporadas em Nova York, sempre fui fascinada pela energia da cidade, pelo aspecto internacional da arte feita aqui e estava cultivando colaborações musicais – queria fazer parte disso. Fui convidada para tocar no Brasil Summerfest e resolvi vir com uma passagem só de ida – se a coisa fluísse, eu ficava. E assim fiquei de vez.

MONDO POP- Astrolábio foi o seu álbum de estreia, como você o encara com os olhos e ouvidos de hoje?
ALEXIA BOMTEMPO
– Acho que o Astrolábio (n.da r.: lançado em 2008 pela EMI) é um disco de descobrimento, que representa o meu encontro musical com o Dadi, um retrato da minha vida naquela época. É um disco carioca, “feito à mão”, sem pressa, com amizade e doçura.

MONDO POP- I Just Happen To Be Here foi uma bela ideia, um recorte provavelmente inédito da produção do Caetano Veloso de 1969 a 1972 em inglês em um período conturbado e criativo da vida dele. Fale um pouco sobre esse projeto e como encara a sua repercussão.
ALEXIA BOMTEMPO
– A ideia foi do Felipe Abreu, um dos produtores do disco, junto com o Dé Palmeira. O Felipe foi meu preparador vocal e se tornou um grande amigo e conselheiro. Um dia, durante uma aula, cantei London, London e ele teve a ideia de fazermos um disco com o repertório em inglês do Caetano. O conceito era buscar “despir” as canções da carga política e emocional da época em que foram feitas e trazê-las pra perto de mim, da minha história partida entre dois países, duas culturas, duas línguas. Foi um desafio muito interessante, tenho muito orgulho desse disco. E Caetano gostou da homenagem.

MONDO POP- Suspiro saiu primeiro no Japão, país que tem um público muito grande para a bossa nova. Você já tocou lá, tem bons contatos lá? E como foi a reação do público japonês para este álbum?
ALEXIA BOMTEMPO
– Tenho muito amor pelo Japão. O público me acompanha desde o início, já fiz várias turnês e residências e tenho muitos amigos queridos por lá. A ideia do Suspiro surgiu justamente quando eu estava passando uma temporada no Japão e achei muito significativo o fato de o disco ter sido lançado lá primeiro. Eles adoraram.

MONDO POP- O lançamento de Suspiro será só no formato digital ou teremos versões físicas (CD, vinil etc)?
ALEXIA BOMTEMPO
– Temos o CD nos Estados Unidos e no Japão. A ideia é fazer vinil também, mas agora as fábricas estão paradas por causa da pandemia. Então futuramente, espero que sim.

MONDO POP- Como tem sido para você esse período da quarentena? Muitos artistas tem feito lives, você pensa em fazer algo assim (se é que já não fez…)?
ALEXIA BOMTEMPO
– Tem dias que são melhores do que outros. Eu gosto de ficar em casa e tenho aproveitado o tempo pra descansar, compor, ouvir discos, cozinhar, ler… Mas a sensação de não saber como serão os próximos meses é desconcertante e causa muita ansiedade. Estar lançando um álbum novo nesse período tem sido interessante. Muita gente tem me falado que o disco acalma e traz paz de espírito, que é a trilha sonora ideal para esses tempos difíceis – isso é muito gratificante. Tenho feito lives, sim, mas aos poucos e com cuidado, pois também acho que a internet está ficando saturada de conteúdo superficial. É uma maneira bacana de se manter conectado com o público, mas sinto muita saudade da troca que acontece ao vivo, no palco.

Eles Querem Amar (clipe)- Alexia Bomtempo:

Bryan Behr, de Brusque para o Brasil com seu som ensolarado

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Por Fabian Chacur

Há quase três anos, Bryan Behr era funcionário da loja Mohr Musik Haus, na cidade de Brusque (SC). Em meio a inúmeros violões, entre um atendimento e outro, compunha canções e sonhava com o estrelato. Pois bem. Seu objetivo começa a se concretizar agora, no início de 2020, com o lançamento de A Vida é Boa, seu álbum de estreia pela gravadora Universal Music, já disponível nas plataformas digitais e em breve também em CD.

Com 23 anos de idade, o cantor, compositor e músico catarinense chega forte à cena do pop nacional, com uma mistura ensolarada e solta de folk, r&b, rock e MPB pontuada por sua voz extremamente agradável e doce.

A temática romântica prevalece nas letras, mas com o claro objetivo de fugir dos lugares comuns. Ele explica sobre suas influências, e também sobre a comparação que fazem da sua voz com a de Cassia Eller, em alguns momentos:

“Acho que essa comparação com a Cassia é mais por causa da música Tua Canção Preferida, as pessoas sentem uma semelhança. Tenho muita influência do Nando Reis, às vezes me sinto amigo pessoal do Nando ao ouvir as suas músicas,mesmo não o conhecendo. Ouço muito rock and roll e música internacional também, além de curtir Anavitória, Tiago Iorc e Outroeu”.

Antes de decidir mergulhar de vez no mundo da música, Behr estudou (finalizou o segundo grau), trabalhou em uma fábrica e depois na loja de instrumentos musicais, onde ficou por quase três anos. “Aos poucos, fui criando coragem, gravando algumas das minhas músicas e jogando na internet. Sentia insegurança de sair da loja, mas há dois anos decidi me dedicar de vez à carreira musical, um desejo que, na verdade, sempre tive”, relembra.

O passado encontrou o presente na semana passada, quando o artista fez uma audição do álbum na mesma loja, momento no qual aproveitou para rever amigos. Aliás, a seleção de músicas de A Vida é Boa foi um belo desafio encontrado por ele e os produtores Juliano Cortuah e Fernando Lobo.

“Tenho mais de 150 composições, e escolhemos apenas 11. Procurei selecionar músicas que refletissem a diversidade daquilo que eu faço, todas entregam quem eu sou em termos musicais. Não é só dançante, só reflexivo, tem um pouco de tudo, falando de amizade, amor etc. Falo sobre histórias de verdade, de coisas que vi dos outros ou de mim”.

A faixa A Vida é Boa Com Você é a primeira a ser divulgada com um videoclipe, já disponível e um dos pontos altos do álbum ao lado de Santa Vaidade, O Quadro, Bem Que Te Avisei, Tua Canção Preferida e Girassol.

Ao contrário de alguns colegas de geração, Bryan Behr acha importante lançar seus trabalhos em versões físicas, embora admita que as coisas mudaram bastante na forma de se ouvir e comercializar música hoje em dia:

“Antes, a gente lançava música pelos discos físicos. Hoje, acho que há uma mudança total nisso, as músicas são distribuídas na internet. Vamos lançar o disco físico como uma lembrança que as pessoas levam para casa, com elementos que você só encontrará lá, no encarte, por exemplo. O disco físico sempre terá algo a mais e exclusivo. Os formatos físicos na música ocuparão outro lugar, não é para ouvir, necessariamente”, teoriza.

A Vida é Boa Com Você (clipe)- Bryan Behr:

DJ Victor Lou mostra vertente eletrônica da música goiana

DJ victor lou 400x

Por Fabian Chacur

É inevitável associar imediatamente Goiânia à música sertaneja. E não é para menos, pois a capital do estado de Goiás revelou dezenas, provavelmente centenas de nomes de sucesso desse gênero musical. Mas, obviamente, não é o único com bons representantes naquela cidade do centro-oeste brasileiro. A música eletrônica, por exemplo, anda se destacando. O bem-sucedido DJ Illusionize é de lá, e outro nome de destaque é o DJ Victor Lou. Este último, com cinco anos de estrada, será uma das atrações do Lollapalooza 2020, escalado para se apresentar no palco Perry By Doritos no dia 4 de abril em São Paulo.

Paulo Cardoso (seu nome de batismo), que também é conhecido pelo apelido Shark, teve em Back seu primeiro sucesso, em 2014. A partir daí, mergulhou de cabeça na carreira de DJ, produtor e compositor, e teve diversos outros hits, entre os quais o remake de Suavemente e a envolvente Untitled.

Ele está se destacando no cenário internacional, também, com direito a ter tocado na Rússia durante a Copa do Mundo de Futebol em 2018 e agora nos EUA, com apresentações em Orlando, Washington e Arizona. De quebra, ainda lançou a música Walking In Chicago pela gravadora do badalado produtor, DJ e remixer holandês Martin Garrix, a STMPD Records. Ele fala sobre esses e outros temas em entrevista concedida via e-mail.

MONDO POP- Como você descobriu a música eletrônica, especialmente morando na capital nacional da música sertaneja?
DJ VICTOR LOU
– Eu sempre gostei muito de música em geral, e como sabemos, Goiânia é uma cidade que respira sertanejo. Decidi conhecer raves e no início de tudo frequentei a Playground por exemplo. Ali foi tipo um ‘start’.

MONDO POP- Quais são os artistas que mais te influenciaram e dos quais você gosta mais, no universo da música eletrônica?
DJ VICTOR LOU
– Com certeza a maior referência no inicio da minha carreira é o Illusionize, porque além de amigo, é um exemplo de pessoa. Eu vi de perto a evolução de sua carreira. Outros que posso citar são Vintage Culture, Breaking Beattz, KVSH e Visage. Tem uma galera muito boa vindo aí, como Mochakk, Sterium, KZN, Cour T, Dual Channels e Fluxzone são alguns desses nomes.

MONDO POP- Como foi que você compôs a música “Back”? Você esperava que a repercussão fosse tão grande?
DJ VICTOR LOU
– Eu fiz do mesmo jeito que eu faço todas as minhas músicas até hoje. Me tranco dentro do estúdio e a ideia flui a partir dali. O resultado foi a consequência desse trabalho.

MONDO POP- Como foi a experiência de tocar durante a Copa do Mundo da Rússia em 2018? Para que tipo de público você tocou por lá?
DJ VICTOR LOU
– Foi minha primeira turnê internacional como DJ, e chegando lá todos sabiam quem eu era pelos meus lançamentos na Bunny Tiger, inclusive sabiam quase todas as minhas músicas. Eu toquei para torcedores do mundo inteiro, foi uma grande experiência pra mim.

MONDO POP- Como você seleciona o set list das suas apresentações ao vivo, e como faz para encaixar suas músicas próprias com a de outros artistas?
DJ VICTOR LOU
– Tento ao máximo sentir o feeling da pista a cada show, isso contribui muito para a seleção das músicas ao vivo.

MONDO POP- Qual a sua expectativa de tocar no Lollapalooza em São Paulo, evento no qual a música eletrônica tem crescido a cada ano? Como será o seu set list?
DJ VICTOR LOU
– Certamente a música eletrônica vem tendo cada vez mais espaço em festivais pelo país e pelo mundo. Isso é muito bom para nossa cena. Tocar no Lolla é o ápice da carreira de qualquer artista. Estou feliz em poder fazer parte desse line up, com DJs e artistas do mundo inteiro. Sobre o set list, estou preparando uma surpresa para o público.

MONDO POP- Os shows de música eletrônica hoje encaram locais abertos e com grandes públicos. Como você se prepara para encarar plateias tão grandes, e que tipo de estratégias usa para cativar esse público?
DJ VICTOR LOU
– Eu sou um cara que não crio muita expectativa. Gosto de ser surpreendido. É claro que um show para 200 pessoas é diferente de um show para 20 mil pessoas. Mas a vontade de entregar o meu melhor é igual nas duas situações. Não existe muita estratégia. Eu chego lá e dou o meu melhor.

MONDO POP- Fale um pouco sobre sua amizade e parceria com o DJ Illusionize, o primeiro DJ goiano a tocar no Lollapalooza.
DJ VICTOR LOU
– Conheço o Pedro há muito tempo, somos amigos antes de tudo. Ele sempre me incentivou e puxou meus limites musicais. O Illusionize “meio que abriu o caminho” para que outros artistas goianos pudessem aparecer para o Brasil.

MONDO POP- Quantas músicas próprias você já tem, e quais classifica como as melhores?
DJ VICTOR LOU
– Incontáveis. Toda semana produzo algo novo, mas as que mais marcaram época foram Untitled, This Is House, Suavemente e Work.

MONDO POP- Existe uma cena forte de música eletrônica em Goiânia?
DJ VICTOR LOU
– Com certeza. Goiânia é uma cidade que tem muitos talentos e vem se tornando um expoente forte do cenário atual de música eletrônica.

MONDO POP- Diga a importância da internet e das redes sociais na divulgação do seu trabalho.
DJ VICTOR LOU
– No meu Instagram, eu costumo compartilhar vídeos das minhas apresentações, fotos, datas de turnês, momentos da minha rotina e também divulgo meu trabalho e os de outros artistas. Além disso, utilizo o Twitter, que é uma boa ferramenta de aproximação com os meus fãs. Acho importante ter essa proximidade.

MONDO POP- Hoje, vários DJs, como o Alok, fazem parcerias com artistas de outros segmentos, o chamado crossover. Você pretende investir em alguma parceria desse tipo? O que acha dessa estratégia?
DJ VICTOR LOU
– No momento, não posso comentar sobre parcerias.

MONDO POP- Você pensa em lançar suas músicas em algum formato físico, do tipo CD ou vinil?
DJ VICTOR LOU
– Quem sabe no futuro em vinil, seria um sonho.

MONDO POP- Quais são seus outros projetos para 2020 além da turnê americana e da participação no Lollapalooza?
DJ VICTOR LOU
– Existem muitas ideias e projetos a serem executados este ano, mas prefiro não comentar sobre isso no momento. Minha assessoria e agência estão trabalhando nisso.

Untitled– DJ Victor Lou:

Xamã usa filmes clássicos como mote para álbum O Iluminado

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Por Fabian Chacur

Para quem pensa que a cena musical do Rio de Janeiro só se dedica ao funk carioca no momento, vale conferir o trabalho de Xamã. O rapper carioca vê sua popularidade crescer de forma constante graças à ótima repercussão de seu álbum de estreia, Pecado Capital (2017) e também ao lançamento de vários singles e colaborações com outros artistas. Inquieto, ele lança nesta quinta (12) nas plataformas digitais um novo álbum, O Iluminado, lançamento da gravadora independente Baguá Records.

O novo trabalho do artista carioca de 30 anos que foi vendedor ambulante antes de mergulhar no mundo da musica tem como inspiração alguns de seus filmes favoritos, entre eles o que dá nome ao álbum, clássico de 1980 estrelado por Jack Nicholson. Como forma de anteceder o lançamento, a música Um Drink No Inferno foi divulgada com clipe gravado em Paris e dirigido por Dauto Galli.

“Gravamos esse clipe em Paris em apenas uma noite. Eu não conhecia a cidade, e foi uma experiência muito boa. Esse filme Um Drink no Inferno (de Robert Rodriguez e com roteiro de Quentin Tarantino) marcou a minha vida, assim como todos os outros que inspiraram as canções do meu novo álbum”, explica o artista.

O álbum conta com a participação do rapper Rio Santanna, dos cantores Luccas Carlos e Filipe Ret, de Major RD e da cantora Agnes Nunes. “Criei um ambiente próprio para cada música, e encaixei os convidados em função disso, em função do que cada uma dessas música pedia”, explica.

Além desse clipe para ilustrar uma música do disco (virão outros em breve), temos também um curta-metragem de quase 11 minutos no qual Xamã dá vasão ao seu lado ator, recriando cenas de filmes como Pulp Fiction- Tempo de Violência e Taxi Driver (veja aqui).

Aliás, se há algo que impulsiona esse artista carioca é a possibilidade de expandir seus horizontes musicais e culturais. “Você precisa criar conteúdos criativos, criar uma demanda, mostrar coisas novas para as pessoas, instigar a curiosidade do público; acho isso da hora, pois quem fica é quem cria algo novo, como Black Allien, o Cazuza, o Mano Brown”, reflete.

Se a qualidade é um item fundamental para Xamã, a quantidade também tem sua importância. “Hoje, você precisa injetar conteúdos novos o tempo todo, é uma engrenagem que nunca para; além de álbuns, já lancei diversos singles, fiz colaborações, investi em estilos diferentes como rap, trap, rock, r&b”.

Aliás, ele continua acreditando no formato álbum, tanto que O Iluminado terá, além da versão digital, uma tiragem limitada em vinil, prevista para sair daqui a dois meses. “Nesse álbum, por exemplo, reuni canções com potencial de single que seguem um tema, que é o cinema, elas se encaixam, fazem uma sequência legal; você distrai o público com o seu flow e informa através das letras”.

Na hora de mostrar ao vivo as músicas que cria, Xamã também não se restringe a uma única possibilidade. “No Rock in Rio, por exemplo, eu me apresentei no Espaço Favela rock com banda, e também faço shows com DJs, com DJs e MCs e também em formato acústico, são vários formatos diferentes”.

Para ele, o conturbado momento político e social que o Brasil passa atualmente tem um lado positivo. “O Brasil vive um momento complicado, as pessoas vivem uma crise de personalidade, não sabem no que acreditar, é um caos de informações desencontradas e em grande quantidade; mas sempre que o Brasil passa por fases assim, as artes ajudam a nos encaminhar para um rumo melhor, o importante é cada um trabalhar, fazer a sua parte”, finaliza.

Um Drink no Inferno (clipe)- Xamã:

Os Caras e Carol mostram a força do novo pop-rock feito no Brasil

os caras e carol foto guto costa-400x

Por Fabian Chacur

Para aqueles que insistem em dizer que o rock morreu, e que o rock brasileiro morreu ainda mais, vale conferir o trabalho de várias bandas da nova geração. Entre elas, certamente deve ser incluída Os Caras e Carol, quarteto carioca com quatro anos de estrada e cujo primeiro álbum, Coisas da Vida, já está disponível nas plataformas digitais pela Universal Music. Formatos físicos devem vir na sequência, para felicidade de quem prefere ouvir música assim.

Formada por Carolina Coutinho (vocal), Leonardo Maciel (baixo), João Loroza (guitarra) e Ruvício Santos (bateria), o grupo investe em um pop-rock vigoroso, com direito a letras incisivas e poéticas e uma sonoridade que remete a influências das décadas de 1970 e 1980. Além de consistente repertório próprio, também releem canções alheias em seus shows. Uma delas, You Don’t Know Me, de Caetano Veloso, integra o álbum Coisas da Vida.

Em entrevista feita por telefone no esquema viva-voz, Mondo Pop buscou saber um pouco mais sobre essa promissora formação do pop-rock brazuca do século XXI, mais uma prova de que, sim habemus rock do bom de novas safras. O grupo se prepara para tocar em um novo espaço, a Highway Stage, no Rock in Rio, nos dias 27, 28 e 29 deste mês e 3,4 e 5 de outubro.

MONDO POP- Como surgiu o grupo, e como se deu o seu direcionamento em termos musicais?
CAROLINA COUTINHO
– A gente se conheceu na Escola de Atores Wolf Maya, no Rio, em 2015. No início, queríamos montar um musical, mas logo percebemos que seria mais lógico montar uma banda. Cada um de nós tem influências próprias, mas quando começamos a tocar juntos, o pop-rock surgiu como um idioma comum a ser explorado.
LEONARDO MACIEL– Nossas referências musicais tem a ver com os anos 1970 e 1980, e até um pouco dos anos 1960, de bandas como Fleetwood Mac, Beatles, Paralamas do Sucesso, Frejat, Queen e o rock clássico. O rock surgiu para nós durante os ensaios, e vimos que o pop-rock é a nossa cara enquanto banda.

MONDO POP- Porque vocês assinaram com uma grande gravadora, em um momento no qual muitos artistas tem optado pela via independente, e o que acham dessa coisa de “o rock morreu” que alguns tentam impor ao público?
CAROLINA COUTINHO
– Nossa história com a Universal Music começou há um ano e meio, quando começamos a nos estruturar, após um início independente com a música Cabelo (veja o clipe aqui). É uma experiência diferente, a Universal Music está nos dando um apoio muito bom. Dizem que o rock morreu, mas tem muita gente boa fazendo pop-rock no Brasil, é um segmento que está crescendo. A música é cíclica, a cena musical é cíclica, as coisas vão e voltam.

MONDO POP- A música O Que Será de Nós? tem uma letra muito afinada com o que vivemos atualmente no Brasil e no mundo, um tempo de dúvidas e de muita insegurança. Falem um pouco de como surgiu essa canção tão forte.
CAROLINA COUTINHO
– O que me assusta em relação a O Que Será de Nós? é que naquele instante de 2016, quando a compusemos, eu sentia aquilo, mas era o registro de um momento particular. Desde então, parece que toda hora acontece algo novo que nos leva a reforçar essa questão de como será o nosso futuro, de como será o futuro de todas as pessoas.
JOÃO LOROZA– Tem a ver com falar de angústias de um país recente, tipo Que País É Esse, da Legião Urbana.

MONDO POP- Existe uma diferença de aproximadamente sete anos entre Carolina, Leonardo e Ruvício e João, diferença bastante grande se levarmos em conta a faixa etária de vocês, entre 19 e 25 anos. Como rolou essa parceria?
CAROLINA COUTINHO
– Idade é apenas um rótulo, nossa amizade vai além disso. O João entrou na banda quando tinha apenas 15 anos, e isso nunca atrapalhou nada, pelo contrário. Essas diferenças de idade nos completam, pois cada um tem as suas referências.

MONDO POP- Como surgiu a ideia de regravar You Don’t Know Me, do Caetano Veloso (faixa do álbum Transa, de 1972)? Vocês cantam outras composições alheias em shows?
CAROLINA COUTINHO
– Essa música entrou em nosso repertório logo em nossos primeiros shows. Cada um de nós se identificou com uma parte específica da música. O legal é que o Caetano aprovou essa nossa releitura. Em nossos shows normais, também tocamos Kiwi, do Harry Stiles (do grupo One Direction) e Old Town Road, do rapper Lil Nas X.

MONDO POP- Como surgiu o convite para tocar no Rock In Rio, e como serão essas suas apresentações?
CAROLINA COUTINHO
– A confirmação da nossa entrada no festival foi quando eu já tinha até comprado ingresso para o festival! Será em um espaço novo no evento, que ficará logo na entrada. Tocaremos músicas dos anos 1960,1970 e 1980, além das nossas. Será um set list criado especialmente para esse evento, que estamos ensaiando há meses, com músicas de Pink Floyd, Creedence Clearwater Revival, Rita Lee, Paralamas do Sucesso e outros, em quatro sets de 30 a 40 minutos cada, por dia.

MONDO POP- João, qual o seu parentesco com o consagrado ator,cantor, compositor e humorista Serjão Loroza? Perdoe a minha ignorância, mas não encontrei a resposta para essa dúvida nas pesquisas que fiz.
JOÃO LOROZA
– Eu sou filho do cara! (risos)

MONDO POP- Coisas da Vida está sendo lançado inicialmente apenas no formato digital. Como vocês encaram essa questão dos formatos físicos e digitais? Acham importante lançar também em CD e LP de vinil esse álbum?
LEONARDO MACIEL
– Achamos importante ter o formato físico também, pois nem todos tem acesso ao digital. Tocar nossas músicas em rádio também é importante, é legal ter esse diálogo entre os diversos formatos, pois dessa forma você consegue atingir públicos diferentes. Pretendemos lançar em CD promocional e possivelmente em vinil.

MONDO POP- Como foi a concepção do álbum, que traz sete faixas próprias, a releitura do Caetano e um remix (de Cabelo)?
LEONARDO MACIEL
– Gravamos essas músicas em etapas. Inicialmente, nossa ideia era fazer um EP, mas o projeto se expandiu até chegar ao formato definitivo, com essas nove faixas.

MONDO POP- Em shows, vocês tem músicos adicionais?
CAROLINA COUTINHO
– Sim. Tocam conosco o Mauricio Pacheco (guitarra) e o Rodrigo Braga (teclados).

MONDO POP- Quais seus próximos projetos?
LEONARDO MACIEL
– Estamos lançando um novo clipe de outra faixa do álbum, a música Até Amanhã (veja aqui). Depois do Rock in Rio, continuaremos a divulgar o álbum, com shows próprios.

O Que Será de Nós? (clipe)- Os Caras e Carol:

Banda Power Blues lança single com show no Madame Satã (SP)

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Por Fabian Chacur

Em 2014, o guitarrista e compositor paulistano Daniel Gerber voltou ao Brasil após 20 anos morando nos EUA e deu início a uma nova banda. Ex-integrante do Made In Brazil e da Santa Gang, ele buscava uma imersão no universo do blues rock, com fortes influências do rock paulistano dos anos 1970. Nascia a Power Blues, quarteto que acaba de lançar o poderoso single Mentes Criminosas e promete um álbum de estreia com músicas autorais para breve.

Eles se apresentam neste sábado (17) a partir das 19h no lendário Madame Satã (rua Conselheiro Ramalho, nº 873- Boa Vista- fone 0xx11-2592-4474), com ingressos a R$ 20,00. A abertura ficará por conta da Santa Gang, que volta à ativa após 31 anos. Teremos as participações de Kim Kehl, Oswaldo Rock Vecchione e Celso Kim Vecchione. Gerber também fará tocará no show da Santa Gang, em evento com cara de celebração do rock paulistano.

Além de Daniel Gerber na guitarra e composições, a Power Blues conta em sua escalação com Paula Mota (vocal, ex-Lado C e Made In Brazil), Daniel Kid Ribeiro (baixo, tocou com Walter Franco, Ronaldo e os Impedidos e Tony Tornado) e Roby Pontes (bateria, tocou com o Golpe de Estado). Um time experiente e entrosado. Veja vídeos da banda aqui.

Em entrevista ao Mondo Pop, Daniel fala sobre a carreira, o longo período em que viveu nos EUA, a Power Blues e muito mais.

MONDO POP- Antes de entrarmos no tema Power Blues, fale um pouco sobre as suas experiências com a Santa Gang e o Made In Brazil, e também sobre o início da sua carreira como músico.
DANIEL GERBER
– Comecei a tocar com apenas 11 anos, e aos 12, ganhei do meu avô a minha primeira guitarra. Toquei em várias bandas, entre elas a Santa Gang, até que fui convidado a tocar no Made, onde fiquei de 1983 a 1986 e depois de 1989 a 1991. Fiz inúmeros shows, participei de discos como Deus Salva…O Rock Alivia (1985) e compus diversas músicas em parceria com o Oswaldo Rock Vecchione. Perdia de dois a três quilos por show, eram apresentações muito intensas.

MONDO POP- Como foi o seu período nos EUA, e o que você fez por lá?
DANIEL GERBER
– Vivi nos EUA entre 1993 a 2013. Tive a oportunidade de ver muitos shows de artistas como Jeff Beck, e também participei de bandas como a The Mangrols e a Charlie Doc Band, esta última uma banda completa, com teclados, metais, foi uma experiência incrível. Também trabalhei com equipamentos de luz e som, área de que gosto muito. Fiz mais de 200 projetos de luz e som pelos EUA. Foi uma experiência maravilhosa em um país organizado e estabilizado. Voltei para o Brasil por causa da minha família e dos amigos, sentia muita falta da minha terra.

MONDO POP- Como surgir a Power Blues, e como você define o seu direcionamento musical?
DANIEL GERBER
– Quando voltei ao Brasil, em 2013, participei de shows do Made In Brazil e conheci a Pàulinha Mota. Resolvemos criar uma banda, que no início era de blues raiz, mas que fui eletrificando aos poucos. Hoje, fazemos um blues rock, som que começou com o Buddy Guy, seguido pelo Jimi Hendrix e que atualmente tem como grandes seguidores o Kenny Wayne Shepherd e o Joe Bonamassa, com distorções mais refinadas, pois atualmente você pode controlar melhor as frequências.

MONDO POP- Você teve importante participação no cenário do rock paulistano. Isso também influenciou o som da Power Blues?
DANIEL GERBER
– Com certeza. Quando começamos a investir em material autoral, as influências do Made In Brazil, Rita Lee & Tutti Frutti, Mutantes e Joelho de Porco, do rock paulistano dos anos 1970, veio a tona. É um som que costuma ter certas características marcantes e peculiares, como determinados riffs de guitarra, a métrica das letras etc.

MONDO POP- Mentes Criminosas, o single que vocês estão lançados, serve como um bom cartão de apresentações da banda. Como foi a escolha dessa faixa, e como você define o álbum que está sendo finalizado pela banda?
DANIEL GERBER
– Essa faixa é bem representativa do som da Power Blues, porque mistura um riff de surf rock, bateria tribal, hard rock, solo de baixo e uma letra de crítica sócio-política, mostra várias das nossas influências. O álbum, que sairá em breve, é muito eclético, pois penso que não precisamos ser lineares, é uma coisa misturada, livre.

MONDO POP- Como será o show no Madame Satã?
DANIEL GERBER
– Tocaremos as músicas que entrarão em nosso primeiro álbum e também algumas músicas de Mutantes, Rita Lee & Tutti Frutti (Corista de Rock será uma delas) e Made In Brazil (Deus Salva…o Rock Alivia, que é uma das minhas parcerias com o Oswaldo Rock Vecchione). Vou fazer uma participação especial no show da Santa Gang, também, e vão participar do nosso show o Oswaldo, o Celso e o Kim Kehl. Iremos filmar e gravar o show, para um possível lançamento em DVD, e teremos ótimas condições de som e de luz, algo que acho essencial para a nossa proposta musical.

MONDO POP- O seu álbum sairá em quais formatos? E como você vê as mudanças na forma de se lançar música geradas pela internet?
DANIEL GERBER
– O álbum sairá em CD e vinil, e também estará nas plataformas digitais. A internet abriu caminhos para todos os estágios, mudou tudo para a música em geral. Hoje, você anda com a música no bolso, em um celular. As pessoas se perdem em meio a tanto conteúdo. Você gasta bem menos para gravar, mas ninguém quer comprar, mostra o som para o mundo, mas precisa de suporte para poder sobreviver.

MONDO POP- Como superar essas dificuldades? Ainda há público para o rock no Brasil?
DANIEL GERBER
– Tem muito roqueiro no Brasil, é só conferir o número de downloads de músicas desse gênero musical em plataformas digitais como o Spotify feitos por aqui. A concorrência aumentou muito, é preciso uma dose maior de perseverança. Você precisa oferecer músicas boas e um show bom para o público. Sem um bom trabalho, você não cativa um público. As mudanças tecnológicas impulsionam as mudanças na música, sempre foi assim. O importante é emocionar as pessoas, tem de tocar o coração delas.

Mentes Criminosas– Power Blues:

Suricato se torna banda de um cara só em Na Mão As Flores

rodrigo suricato 400x

Por Fabian Chacur

Rodrigo Suricato construiu nos últimos dez anos uma carreira repleta de acontecimentos bacanas. Entre eles, figura o projeto Suricato, que ganhou fama nacional em 2014 ao participar do reality show musical global Superstars. O cantor, compositor e multi-instrumentista carioca está lançando o terceiro álbum de sua carreira, Na Mão As Flores, que estará disponível nas plataformas digitais nesta sexta (26) e posteriormente em CD e (possivelmente) vinil.

Desta vez, Suricato se virou sozinho, tocando todos os instrumentos e produzindo o álbum, cujo lançamento está sendo feito pela Universal Music. Além de se preparar para os shows que divulgarão o álbum, ele também está em vias de lançar seu primeiro álbum como vocalista e guitarrista do Barão Vermelho (leia entrevista com a banda aqui), grupo que integra desde 2017.

Em entrevista a Mondo Pop, Suricato fala sobre seu novo álbum, o Barão Vermelho, as experiências ao lado de nomes como Zélia Duncan, Ana Carolina e Fito Páes e outros detalhes interessantes de uma carreira intensa.

MONDO POP- Na Mão as Flores, seu novo álbum, está creditado a Suricato, embora desta vez tenha sido gravado de forma totalmente individual. Por que você não assinou como Rodrigo Suricato, ressaltando esse lado solo?
RODRIGO SURICATO
– Suricato é o nome de um projeto com fases distintas, sendo que 12 músicos já participaram dele, até o momento. E agora eu vi que precisava me resguardar, quis experimentar fazer sozinho, misturar o folk com música eletrônica. É o melhor disco que já fiz, é um disco para todos, para cantar no Maracanã, busco atingir o outro, agradar as pessoas.

MONDO POP- A faixa título, Na Mão As Flores, fala sobre as contradições do ser humano, com versos como ” O pior de mim está na mesma mão que trago flores pra você”. Fale um pouco sobre essa canção.
RODRIGO SURICATO
– Essa é uma das frases mais sinceras, é reconhecer você como um todo, amar a si mesmo e não negar o seu pior lado. Deus e o diabo tomam chopp no mesmo bar. Todos erram. Fiz um disco para me curar, sobre mim, mas para todas as pessoas, que podem se identificar com as músicas.

MONDO POP- Você investe na carreira-solo ao mesmo tempo em que gravou recentemente com Zélia Duncan e Ana Carolina e está gravando um álbum como vocalista e guitarrista do Barão Vermelho. Como é conciliar todos esses trabalhos, e o que te leva a fazer isso?
RODRIGO SURICATO
– Sou muito apaixonado por música, no lado mais amplo disso. Sou um músico e me tornei compositor. Trabalhei com muitos artistas, aprendi muito com eles. Meu trabalho não começa e não termina no palco, sou muito abrangente, e sinto prazer igual em tudo o que faço.

MONDO POP- O seu álbum tem uma releitura de Como Nossos Pais, do Belchior. Como surgiu a ideia de dar uma nova roupagem a uma música que já teve inúmeras gravações nesses anos todos?
RODRIGO SURICATO
– Essa música já fazia parte do repertório dos meus shows. O Belchior era fã de blues, eu também sou. Tive a coragem de cometer essa versão, de colocar a minha assinatura nela. Gosto também de ser intérprete, mas não fazendo apenas um cover. Gosto de interpretar de uma forma pessoal e própria, da mesma forma que Cássia Eller e Maria Bethânia, por exemplo, “suricateando”, como gosto de dizer.

MONDO POP- Como está sendo ser integrante do Barão Vermelho, e o que você pode nos adiantar sobre esse novo álbum da banda?
RODRIGO SURICATO
– Quando entrei no Barão, nunca pensei em tentar imitar o Cazuza ou o Frejat. Sou o Rodrigo Suricato no Barão, pensando no futuro. Lançaremos um disco de inéditas em agosto, com nove canções, sendo cinco minhas. Quanto entrei no grupo, já tinha ganho um Grammy Latino, havia participado do Lollapalooza. Não deixou de ser um desafio, mas sei que o jogo se ganha no campo, e é o que estou fazendo.

MONDO POP- Na Mão As Flores está saindo inicialmente só no formato digital. Como você encara os formatos físicos musicais?
RODRIGO SURICATO
– Acho natural o fim dos formatos físicos, com a facilidade que o digital chega às pessoas, às lojas virtuais, às plataformas. Por teimosia eu vou fazer um formato físico, o CD, pois acho importante para ter nos shows. Possivelmente, faremos também vinil. O digital é como se fosse um shot de tequila, você toma de uma vez. Ouvir vinil é mais comparável a degustar um vinho. Adoraria que o meu álbum desse a chance de cada um ouvi-lo no formato que achar o mais conveniente para ele.

MONDO POP- Fale um pouco como foi o processo de gravação do álbum, e de como a faixa Tatua acabou tendo duas versões diferentes.
RODRIGO SURICATO
– Cada música teve até seis ou sete versões diferentes, experimentei bastante. Tatua surgiu da minha busca por uma frase para tatuar, e virou canção. Música é um pouco ocasião, e essa música serve como exemplo de como se valer de duas leituras diferentes para uma mesma composição.

MONDO POP- Você disse que fará a turnê de divulgação de Na Mão As Flores totalmente sozinho no palco. Como será? Terá um pouco a ver com o estilo do Ed Sheeran?
RODRIGO SURICATO
– Estou desenvolvendo essa sonoridade há quatro anos, totalmente autossuficiente. Sou um multi-instrumentista ao meu dispor. Tudo o que o meu show não será é “violão e voz”, terá um formato inovador que, garanto, ninguém faz no Brasil. Vou viajar com quatro pessoas encarregadas da parte técnica para entregar um espetáculo totalmente profissional.

MONDO POP- A turnê já tem datas marcadas? Como será o repertório?
RODRIGO SURICATO
– Vou incluir as minhas principais canções e também vou suricatear algumas canções de outros artistas. O show estreia em 20 de agosto no Theatro Net Rio, chega a Sâo Paulo no dia 29 de agosto, no Theatro Net São Paulo, e depois vai para a Autêntica, em Belo Horizonte. Outras datas serão divulgadas futuramente, e a turnê será paralela à do Barão Vermelho.

MONDO POP- Você tem uma fama das mais significativas como guitarrista, sempre convidado para acompanhar outros artistas. Em algum momento você pensou em se dedicar “apenas” a isso?
RODRIGO SURICATO
– Ainda estou entendendo a minha história. Cada passo na minha carreira foi como se fosse um mirante, com uma visão maravilhosa em cada estágio. Já estava muito feliz como guitarrista, mas quando você é picado pelo mosquito da composição, deixa o guitarrista em segundo plano. Ficar à frente do palco nunca esteve em meus objetivos, não queria ser o Mick Jagger, até por ser tímido, mas agora é irreversível dar vasão a esse meu lado. Quero ter a liberdade de aproveitar o melhor dos dois mundos, o solo e o coletivo.

Na Mão As Flores (clipe)- Suricato:

Luiza Casé investe na diversidade sonora em seu álbum Mergulho

LUIZA CASÉ Mergulho 1 crédito Peter Wrede-400x

Por Fabian Chacur

A carreira artística de Luiza Casé teve seu primeiro momento de destaque em 2010, quando ela venceu o reality show musical
Geleia do Rock, promovido pelo canal a cabo Multishow. No ano seguinte, estrelou a novela global adolescente Malhação, vivendo o papel de Lorelai. Desde então, essa atriz, cantora e compositora carioca trabalhou bastante em várias frentes, e agora apresenta o seu primeiro álbum, Mergulho, que a Universal Music disponibilizou nas principais plataformas digitais.

O álbum traz como produtores os experientes Arto Lindsay e Thiago Nassif, que deram à artista um apoio que ela avalia como decisivo. “No começo, fiquei ansiosa por trabalhar com eles, principalmente por meu lado compositora, mas eles foram muito generosos comigo, me deram o apoio de que eu precisava”.

Luiza encara o álbum como um trabalho com dois aspectos bem distintos. “Tem a ver com o meu momento atual, pois a sonoridade é bem múltipla, vai do orgânico ao eletrônico, e ao mesmo tempo reflete a minha personalidade musical como um todo”. Essa observação faz sentido pelo fato de ela ser frequentemente associada com o blues, ritmo que ela abraçou durante alguns anos. “O blues se encaixou em mim quando saí do Geleia do Rock; chorei bastante cantando blues nos primeiros shows, pois sentia muito aquelas canções”, relembra.

Atualmente, ela procura ser mais abrangente. “Com o tempo, ampliei os meus horizontes, pois uma só sonoridade não daria conta, o pop tem a flexibilidade de me abrir vários caminhos, como, por exemplo, eu fazer algo hip-hop no futuro, por exemplo; o título do álbum exemplifica bem essa minha intenção, é um mergulho em diversas possibilidades musicais”.

Canções autorais e letras elaboradas

Mergulho traz 10 faixas, sendo 8 escritas só por ela, uma em parceria com Lindsay e outra com Nassif. Além da sonoridade diversificada e pop, o repertório tem como característica o apuro das letras, bem acima da produção média atual no setor. “Sempre gostei de ler, de ver filmes, sempre me envolvi com a literatura e várias expressões de arte, tenho uma intimidade com essas linguagens, e procuro buscar um caminho próprio e original”.

Um bom exemplo dessa sensibilidade criativa é a faixa Jornais, que traz versos como “Não vou ter medo, Eu quero ver mudar, Não vou ter medo, Vou ter que enfrentar os jornais”. Ela explica o que a inspirou:

“Escrevi com a perspectiva de quem lê um jornal; as notícias atuais me chocam muito, eu tinha a tendência de fugir do noticiário, e a letra mostra como tenho me relacionado com isso, como lidar com um projeto de fuga; hoje me sinto apta para olhar para essa realidade e descobrir o que há de importante”.

A faixa título está sendo divulgada com um clipe gravado no parque aquático paulista Thermas Water Park. “Foi um dia bem intenso de gravações, umas cinco horas de trabalho; desci umas 50 vezes aquela toboágua”, relembra.

Minimalismo sustentável

Mergulho sai apenas no formato digital, e Luiza tem uma posição curiosa sobre esse tema. “Sou minimalista sustentável. Por mim, só lançaria digital, mesmo, embora ache legal se houvesse uma tiragem mais reduzida em vinil, acho legal ouvir vinil; Tenho problema com lixo, não coleciono mais nada”.

A ideia da artista carioca é manter a sua versatilidade, ela que é formada em Direito e já atuou como atriz em filmes, teatro e TV e gravou músicas para trilhas de filmes e minisséries televisivas. ” Pretendo continuar fazendo TV. Minha época adolescente não foi muito boa, eu ainda estudava quando fiz Malhação, hoje desfrutaria muito mais”, reflete. “Quando você entende a sua identidade e não foge, vê que um tipo de trabalho se encaixa com outro. É preciso foco em cada trabalho, mas não há limites”.

Luiza Casé já está com dois shows agendados para divulgar o seu álbum de estreia, nos quais será acompanhada por Mikhaila Copello (baixo), Pedro Garcia (bateria) e Felipe Fernandes (guitarra): dia 30 deste mês no Clube Manouche, no Rio, e dia 24 de agosto no Beco 203, em São Paulo, sendo que um terceiro em Belo Horizonte será divulgado em breve. Além das canções de Mergulho, ela também promete uma faixa autoral inédita, Coração na Mão. Ela tem perfis no Instagram, Twitter e Facebook.

Mergulho (clipe)- Luiza Casé:

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