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O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Aline Calixto conta os detalhes sobre o seu primeiro DVD

aline calixto 400x

Por Fabian Chacur

Aline Calixto é uma cantora e compositora carioca criada em Minas Gerais cuja carreira fonográfica teve início com um álbum autointitulado em 2009. Em 2011, foi a vez do segundo, Flor Morena, cuja faixa-título, de autoria de Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Junior Dom, que fez sucesso nacionalmente ao entrar na trilha sonora da novela global Fina Estampa. Os dois discos foram lançados pela gravadora Warner Music.

Concentrando-se no samba mas sempre aberta a outras influências musicais, Aline lançou Meu Ziriguidum (2015- Independente) e Serpente (2017, em parceria com a gravadora LAB 344) e se firmou como uma das grandes cantoras da cena de BH, com direito a uma belíssima voz e muita presença de palco.

Como forma de celebrar essa carreira que tem tudo para proporcionar ainda mais frutos nos próximos anos, ela está lançando 10 Anos Aline Calixto- Ao Vivo em BH, DVD físico e álbum digital mais uma vez em parceria com a LAB 344 e contanto com diversos apoios. Com produção musical, arranjos e violão a cargo do fiel parceiro musical Thiago Delegado, com ela desde o começo, ela conta com as participações especiais de Beth Carvalho e Monarco e a Velha Guarda da Portela, entre outros.

Em entrevista concedida por e-mail a Mondo Pop, ela nos dá detalhes sobre esse ótimo lançamento, certamente um dos melhores do ano em termos de música popular brasileira, e também sobre sua trajetória artística e mesmo acerca de sua opção de se dividir entre o Brasil e a França em termos de residência.

MONDO POP- Para começar, faça uma avaliação desses dez anos de carreira, que hoje na verdade já são 12(rsrsrsrs).
ALINE CALIXTO
– Muita coisa aconteceu, né? Foram 4 discos solos, 1 DVD, participações em CDs e DVDs (Samba Social Clube, Sambabook, Martinho da Vila Canta Noel, dentre outros). Muitos shows pelos quatro cantos do mundo. Parcerias maravilhosas, muito estudo, enfim, só tenho a agradecer por tudo.

MONDO POP- O show foi gravado em junho de 2018, mas o DVD só está saindo agora. Conte um pouco sobre como foi a trajetória para conseguir viabilizar um projeto tão importante para você como esse, e quais foram os principais obstáculos que você teve se superar para concretiza-lo.
ALINE CALIXTO
– Pude realizar esse projeto porque fui contemplada pela Lei Estadual de Incentivo a Cultura de MG e a CEMIG entrou na parceria. Foi um ano totalmente dedicado a sua produção. Alguns percalços apareceram na caminhada, como, por exemplo, a mudança na data de gravação. A primeira data foi exatamente no dia de uma paralização dos rodoviários em BH. Eu e minha equipe decidimos não realizar a gravação, visto que muita gente (artistas que participaram) e equipamentos viriam de fora do estado. Mas ok, no final deu tudo certo! O lançamento era pra acontecer em meados de junho de 2019, porém em fevereiro daquele ano descobri que estava grávida, logo os planos foram adiados. Quando definimos a nova data de lançamento, que seria após o carnaval de 2020, veio a pandemia. Esperamos alguns meses e então dei a palavra final, bora lançar o trabalho e, quando puder, faremos os shows de lançamento. Agora é aguardar a vacina!!

MONDO POP- O repertório do DVD se divide entre músicas dos seus três CDs, inéditas e releituras de músicas alheias. Fale inicialmente das inéditas, especialmente de Dona do Pedaço, e depois sobre os critérios que seguiu para selecionar as músicas dos CDs anteriores que acabaram entrando no DVD.
ALINE CALIXTO
– Não foi tarefa fácil desenhar esse repertório, mas acredito que o resultado ficou bem dentro do que imaginava. Um “resumão” da minha trajetória musical. Somente uma faixa é inédita, que escolhi a dedo. Dona do Pedaço foi um lindo presente do André da Mata e Felipe Acaf. Há também releituras, mas essas o público já conhecia, pois as cantava em meus shows.

MONDO POP- A participação da Beth Carvalho no seu DVD acabou sendo histórica por ter sido o último registro dela. Relembre como foi essa gravação, do seu relacionamento com a Beth e a tristeza que é lançar o DVD sem que ela esteja mais entre nós.
ALINE CALIXTO
– Foi o último registro audiovisual em show que a Beth participou. Ela estava radiante, super feliz! Tínhamos uma relação de amizade muito linda. A conheci no início da minha carreira, e desde então nunca perdemos o contato. Ela era uma “mãe musical” pra mim. Sempre mostrava a ela os repertórios dos meus discos antes de iniciar as gravações. Fiquei muito abalada na época do seu falecimento. Lembro bem que, um dia depois da morte dela, estava pronto o primeiro corte do DVD e eu não consegui assistir. Estava grávida de 5 meses. Precisei segurar a onda e acalmar o coração. Tenho plena certeza que ela está muito feliz com a realização do meu sonho e por ter feito parte dele.

MONDO POP- A presença de Monarco e a Velha Guarda da Portela é quase que um selo de qualidade em seu DVD, tal a importância e a representatividade deles na história do nosso samba. Como surgiu a ideia dessa parceria, e como foi para você tê-los nesse DVD?
ALINE CALIXTO
– Conheço o pessoal há um tempo, né? São pessoas queridas que me acolheram desde o início da minha carreira. Monarco é sempre generoso, é a segunda vez que ele participa de uma gravação comigo. Já cantei algumas vezes com a Velha Guarda e é óbvio que passava pela minha mente que quando eu fizesse um registro audiovisual seria maravilhoso se eles pudessem participar. Quando o projeto saiu do papel, uma das primeiras coisas que fiz foi conversar com eles. Ficaram super felizes e prontamente aceitaram! Escolhi duas músicas, uma é emblemática e ficou conhecida na voz de uma das maiores cantoras desse país, que sempre foi uma das minhas maiores fontes de inspiração, Clara Nunes. Cantar Portela na Avenida com a Velha Guarda foi arrepiante. A segunda foi um lado B da Velha Guarda, Benjamin. Adoro esse samba!

MONDO POP- Temos outras participações bem bacanas no DVD. Comente um pouco sobre cada uma delas.
ALINE CALIXTO
– Tive a honra de dividir o palco com uma das mais importantes figuras da música mineira que é o Maurício Tizumba, e com ele o seu Tambor Mineiro. Foi lindo trazer também ao palco a novíssima geração do samba representada pelo Tavinho Leoni e Isadora Ferreira. Duas grandes vozes de BH também se juntaram ao projeto, Cinara Ribeiro e Marina Gomes. Acho importante dar espaço a outras mulheres. Aposto muito as minhas fichas nesses duas vozes do samba mineiro. Teve também representantes de vários blocos de carnaval de BH dividindo a faixa Beijo Mesmo, foi uma verdadeira festa nesse momento no palco!

MONDO POP- Explique como foi a escolha da rua Sapucaí em BH como palco para o show deste DVD, sua relação com esse local, e a importância desse espaço para o samba em Minas Gerais.
ALINE CALIXTO
– É uma rua emblemática da cidade. Um endereço central, que tem uma vista linda e nos últimos anos se tornou um espaço de grande efervescência cultural. Foi nessa rua que eu cantei em BH pela primeira vez. Mal imaginava que retornaria ao mesmo local para a gravação do meu DVD.

MONDO POP- Flor Morena foi tema da novela global Fina Estampa e é provavelmente o seu maior sucesso em termos nacionais. Você imaginava que essa música teria toda essa repercussão quando a gravou? Qual a sua relação com ela?
ALINE CALIXTO
– Eu sempre soube que essa música seria um marco na minha história por que foi um presente lindo que recebi do Zeca, Arlindo e Jr. Dom. Quando chegou a notícia de que ela faria parte da trilha de uma novela, fiquei meio paralisada e depois foi caindo a ficha. Ela é de fato o meu cartão de visitas. Tenho muito orgulho desse samba.

MONDO POP- Você começou sua carreira quando a indústria fonográfica brasileira caminhava para um momento muito difícil, que só piorou nesses anos todos. Como foi encarar toda essa dificuldade e conseguir sobreviver em termos profissionais, apesar de tudo?
ALINE CALIXTO
– Foi difícil sim, mas nada é eterno, tudo está em constante movimento. Quando vivemos e encaramos essa realidade, as coisas tendem a fluir melhor. Os formatos mudam, as pessoas mudam, a gente só precisa entender o balanço do mar pra melhor saber conduzir o barco.

MONDO POP- Como você avalia hoje a experiência que teve com a Warner, que lançou seus dois primeiros CDs, e como funciona atualmente a parceria com a gravadora independente LAB 344?
ALINE CALIXTO
– A Warner foi minha primeira casa, me abriu muitas portas e aprendi muito lá dentro. Tenho um carinho e respeito eternos pelo Sérgio Afonso e por todos os profissionais que fizeram parte de sua equipe, sempre atenciosos comigo. A LAB é uma empresa que me recebeu de braços e ouvidos abertos! Outro Sérgio na liderança também rsrsrs. Tenho total liberdade e sintonia com eles. É meu segundo projeto que sai com a assinatura do selo. E que venham mais!

MONDO POP- Fale um pouco sobre sua parceria musical com o Thiago Delegado, que está com você desde o início e foi o diretor musical deste DVD, além de participar como músico.
ALINE CALIXTO
– É meu casamento mais duradouro rsrsrs. Eu e ele crescemos musicalmente juntos. Acompanhamos mutuamente nossas trajetórias musicais. Delegado me compreende bem. A gente dá muito certo juntos, o que acho natural pois são muitos anos de parceria e amizade. Ele é um talento nato. Agradeço ao universo por ter colocado ele no meu caminho.

MONDO POP- O DVD traz nos bônus uma faixa especial focada no Bloco da Calixto, que teve início em 2014. Como foi essa experiência para você, especialmente com releituras de músicas de outros estilos musicais para o universo do carnaval?
ALINE CALIXTO
– Esse é um trabalho paralelo que conduzo desde 2014, quando crio o Bloco da Calixto. A ideia era justamente produzir um trabalho em que eu pudesse cantar outras músicas que não somente samba e dar a elas um toque carnavalesco. Eu adoro desenvolver o repertorio do bloco, que a cada ano traz um tema. Em 2017, o tema foi o Amor, daí compus em parceria com o Juliano Butz a música Beijo Mesmo, que acabou entrando também no DVD, juntamente com um pout pourri de canções que foram temas de outros anos.

MONDO POP- Como está a sua vida profissional e pessoal atualmente, e como a pandemia do novo coronavírus influenciou nesse sentido? Você vai mesmo se dividir entre morar na França e no Brasil?
ALINE CALIXTO
– A pandemia mudou de forma geral a vida de todos, umas mais que as outras. Eu e meu esposo há algum tempo já pensávamos em pôr em prática nosso plano de dupla moradia. Só não esperávamos que seria tão rápido. A área dele sofreu muito no Brasil (ele trabalha com enologia e viticultura), mas na França, nunca parou. Como a minha profissão é mais flexível com relação a localização, resolvemos adiantar os planos e nos dividir entre Brasil e França. Nesse momento, estamos finalizando a “temporada França” e voltamos pro Brasil no finalzinho desse ano ainda.

MONDO POP- Como vai ser a divulgação do DVD? Já tem algum show programado dentro da nova configuração atual, ou com lives, ou com drive thru, ou mesmo show presencial com plateias reduzidas?
ALINE CALIXTO
– Estamos em negociação para a realização de um show por hora somente em versão virtual. Acho que show presencial só mesmo depois da vacina, né?

MONDO POP- Quais são os seus planos para 2021?
ALINE CALIXTO
– Vacinação assim que possível e, após, poder retornar aos palcos pra fazer o show que inspirou o DVD.

Nos Combates Dessa Vida (ao vivo)- Aline Calixto e Beth Carvalho:

Kleiton & Kledir se dividem entre um belo resgate e boas novidades

kleiton & kledir espanhol 400x

Por Fabian Chacur

Os projetos de Kleiton & Kledir para 2020 eram muitos. Como forma de celebrar seus 40 anos de carreira como dupla, eles preparavam um show ao lado da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Também estavam no programa o lançamento de uma biografia e de um filme, além de uma exposição. De quebra, continuariam fazendo seus bem-sucedidos shows com o Nenhum de Nós e o projeto Casa Ramil, reunindo eles com os outros representantes musicais do clã. Aí…

Bem, aí veio a pandemia do novo coronavírus, e tudo, como diria uma canção deles, foi por água abaixo. Pelo menos por enquanto. Enquanto as coisas não se normalizam, os irmãos permanecem há sete meses em suas casas no Rio de Janeiro (RJ), tocando, compondo e reservando energias para tirar a diferença dessa paralização em 2021.

Enquanto isso, eles aproveitam para resgatar o álbum En Español, lançado em 1985 apenas na Argentina e agora devidamente disponibilizado nas plataformas digitais. Nele, releituras em castelhano de 11 músicas de seus três primeiros álbuns, com direito às participações especialíssimas dos ícones da musica argentina Mercedes Sosa e Leon Giecco.

De quebra, também lançaram em single a canção inédita Paz e Amor, com participação especial de seus verdadeiros padrinhos musicais, o grupo MPB-4, com clipe feito com celulares e de forma remota (veja aqui).

Para falar desses e de outros temas, incluindo boas e reveladoras recordações do grupo que lançou os gaúchos na cena musical brasileira, os Almôndegas, Mondo Pop levou um delicioso papo com Kledir.

MONDO POP- Como tem sido para você e o Kleiton esse período de pandemia do novo coronavírus?
KLEDIR
– Estamos mais de sete meses sem nos ver e sem fazer shows. Parou tudo! Mas estamos em casa e bem, apesar de tudo, especialmente perto do que está acontecendo no mundo, com gente morrendo, com esse louco no poder… É tanta ignorância, e muita gente se deixa levar, com o grande capital só se preocupando com os lucros.

MONDO POP- Vocês acabaram de lançar em single uma canção inédita, Paz e Amor, na qual contam com a participação do MPB-4, grupo com o qual vocês tem forte relação de amizade e profissional. Fale um pouco sobre essa música e seu significado.
KLEDIR
– Mesmo com todas as limitações impostas pela pandemia e pelo confinamento, ficou um vídeo lindo. Tudo surgiu de forma muito espontânea. É possível um mundo melhor, é um resgate do ideal hippie. Os movimentos solidários que tem ocorrido precisam continuar, a ignorância precisa ser combatida. De verdade, não só nas redes sociais. Apesar das drogas usadas naquela época, a filosofia hippie tinha coisas positivas. Estão acabando com o mundo pelo lucro a qualquer custo, acabando com a natureza. O preço que estamos pagando é muito alto, com a rejeição aos povos que são obrigados a imigrar, e com poucos bilionários se beneficiando disso.

MONDO POP- Como foi concebido o álbum En Español? A ideia era mesmo lançá-lo apenas na Argentina, na época? E porque a capa dele é igual ao do seu 4º álbum, lançado em 1984?
KLEDIR
– A gente tinha acabado de lançar aquele disco com aquela capa, e quando surgiu a ideia do disco em espanhol, resolvemos usá-la de novo, foi feita pelo artista plástico Nelson Felix em cima de uma foto do Frederico Mendes. A nossa gravadora na época não se entusiasmou com o projeto, lançou só pra cumprir contrato. Era pra sair no México, EUA, Espanha e Argentina, mas não cumpriram o contrato, no fim das contas.

MONDO POP- Esse relançamento só irá ocorrer nas plataformas digitais ou haverá versão física?
KLEDIR
– Agora, só digital, mesmo. Depois, pode ter versão física, para vendermos em shows. Eu, para meu uso particular, prefiro as plataformas digitais, tem tudo lá. Ouço no meu computador com duas caixas de som.

MONDO POP- Como foram realizadas as gravações de En Español? Vocês aproveitaram as bases instrumentais utilizadas nos discos lançados anteriormente no Brasil? E como foram feitas as versões?
KLEDIR
– Usamos as bases instrumentais das gravações dos discos brasileiros. Houve remixagens, como em Paixão, por exemplo, com os metais logo de cara, acho que ficou melhor do que a gravação em português. Os vocais foram refeitos. As versões foram feitas pelo Edmundo Font, que atualmente é embaixador do México na Bolívia, e é um poeta maravilhoso. Ele era cônsul do México no Rio de Janeiro quando o conheci. Fizemos o trabalho juntos, foi prazeroso e difícil, porque o espanhol tem muitas variantes, era preciso usar palavras mais universais, que pudessem ser compreendidas em todos os países onde o disco fosse lançado. E tem a métrica, a prosódia que tinha de coincidir com a parte melódica. Mas deu tudo certo.

MONDO POP- O álbum teve as participações especiais dos argentinos Mercedes Sosa e Leon Giecco. Como surgiu a ideia de convidá-los para gravar com vocês?
KLEDIR
– A Mercedes era um ídolo máximo para nós, que a conhecemos em 1981 em Cuba, quando participamos com ela de um festival em Varadero. Ela gravou Vira Virou em 1984 em um de seus discos, Sera Possible El Sur? (1984), com a nossa participação especial. Fizemos vários shows juntos, um deles no estádio do Velez Sarsfield para mais de 100 mil pessoas. Tinha muito carinho conosco, me achava muito magro, dizia que eu deveria comer carne (n.da r.: Kledir é vegetariano), que o cantor tem de ter força física. Ela faz uma falta danada! O Leon Giecco a gente conheceu através de um produtor. Ele é da nossa geração, mistura o pop rock com a música da Argentina, algo que fazemos também, só que com a música brasileira.

MONDO POP- Como foi a repercussão de En Español na Argentina, na época em que foi lançado?
KLEDIR
– O disco não foi bem de vendas, a gravadora não fez nada para divulgá-lo, muita ignorância por parte deles. Burrice, mesmo, pois pouco depois os Paralamas do Sucesso estouraram por lá, e isso poderia ter acontecido conosco. Era para termos feito uma turnê para divulgar esse disco, mas não tivemos apoio, espero que um dia possa ser possível. Acho importante a aproximação com os outros países latinos, acho que vivemos de costas para o resto da América Latina, é uma coisa muito ruim.

MONDO POP- Como foi a série de shows que vocês fizeram com o Nenhum de Nós? Vocês pensam em lançar algum registro dessas apresentações?
KLEDIR
– Adoramos o Nenhum de Nós, nosso encontro foi muito prazeroso. Todos os shows que fizemos tiveram lotação esgotada. Foi gravado em áudio e em vídeo, a ideia é lançar futuramente.

MONDO POP- Embora os Almôndegas tenham se separado há mais de 40 anos, ainda são lembrados por muita gente, incluindo um público bem mais jovem. Olhando com os olhos de hoje, como você encara a carreira da banda, e porque houve a separação?
KLEDIR
– Os Almôndegas foram a nossa grande escola, é um clássico. Foi onde aprendemos tudo, até a fazer sucesso sem subir no salto alto. Quando começamos a dupla, logo após a separação, estávamos prontos para seguir adiante. O grupo acabou porque, na verdade, sempre fomos uma dupla, sempre juntos, sempre colados um no outro, e demoramos para perceber isso, tanto que, no grupo, fizemos poucas músicas em parceria. O grupo começou quando estávamos na faculdade, e aos poucos foi virando profissional. O grupo, na verdade, mal nasceu e já começou a morrer. O Pery Souza, por exemplo, saiu logo no começo. Nosso pianista mudou para Israel. Depois, entrou o João Baptista. Quando viemos para o Rio, o Quico Castro Neves não quis vir. O Zé Flávio, que no início era um grande compositor (é o autor de Canção da Meia Noite e outros hits do grupo), entrou na banda e deixou de compor para se tornar um excelente guitarrista. Aliás, no começo da dupla o Zé Flávio e o João Baptista participavam da nossa banda de apoio, ficaram conosco uns três ou quatro anos, era meio Almôndegas. O grupo não acabou por brigas e continuamos amigos, tanto que hoje temos até um grupo de whatsapp. É o que sobrou! (rsrsrrsrsrs)

Siembra (Semeadura)– Kleiton & Kledir e Mercedes Sosa:

Miguel Vaccaro Netto, um pioneiro do pop brasileiro

miguel vaccaro netto anos 2000-400x

Por Fabian Chacur

A cena musical brasileira perdeu um grande nome nesta terça-feira (22). Trata-se de Miguel Vaccaro Netto. Ele nos deixou aos 87 anos de causa não revelada. Talento versátil, ele foi jornalista, apresentador de programas de rádio e TV e também criador do célebre programa Não Diga Não, espécie de game show que fez sucesso por onde foi exibido. Ele também criou no final dos anos 1950 o primeiro selo dedicado à música jovem no Brasil, o Young.

Fora da esfera musical, foi ele quem negociou a transmissão via TV para o Brasil do jogo de despedida de Pelé do futebol, partida na qual o New York Cosmos, time que o maior craque de todos os tempos defendeu nos EUA, jogou em Nova York contra o Santos em 1º de setembro de 1977. Ele atuou como repórter de campo naquela partida, vencida pela equipe americana pelo placar de 2 a 1 com um gol do Rei do Futebol.

Em 2003, tive a honra de entrevistar o Miguel para o site da extinta revista Audio Plus. Sóbrio, generoso e com uma memória impressionante, ele me contou algumas de suas muitas histórias, envolvendo artistas como Chico Buarque e João Gilberto. Como homenagem a esta figura fantástica, segue abaixo o texto deste importante encontro que tive com o agora saudoso Vaccaro. R.I.P.

Entrevista
Miguel Vaccaro Netto

Ele revelou Chico Buarque, João Gilberto, Celly Campello….

Por Fabian Chacur

O Repórter Esso, espécie de Jornal Nacional dos anos 60, valia-se do bordão “testemunha ocular da história” como marca registrada. O jornalista, radialista e produtor Miguel Vaccaro Netto poderia perfeitamente valer-se de tal frase como mote de sua trajetória profissional. Só que não teríamos uma definição precisa, pois ele não só presenciou, como também atuou diretamente no surgimento de inúmeros artistas e movimentos musicais no Brasil, especialmente durante as décadas de 50, 60 e 70.

Entre outros, revelou e lançou na mídia Chico Buarque de Hollanda, João Gilberto, Celly Campello, Demétrius, Gilbert e dezenas (centenas, na verdade) de outros nomes. Apresentou programas de rádio e televisão campeões de audiência, além de criar o divertido game show Não Diga Não, no qual a pessoa precisa ficar dois minutos sem falar as palavras não ou né, algo muito mais difícil do que parece.

Às vésperas de completar 70 anos de idade (n. da r.: o que ocorreu no dia 7 de setembro de 2003), com ótima saúde e memória invejável, ele continua mais ativo do que nunca, com vários programas na televisão e capitaneando o serviço Discos Impossíveis, que se propõe a localizar aquele disco raro (seja CD, vinil ou DVD) que você tanto deseja, entregando-o em sua casa. Em entrevista exclusiva a Audioplus, Miguel nos conta deliciosas histórias de sua vitoriosa carreira.

Audioplus- Você iniciou sua carreira ainda muito jovem, como jornalista. Conte como acabou se envolvendo com a música.
Miguel Vaccaro Netto
– Comecei meu trabalho como jornalista aos 17 anos, e aprendi na melhor escola da época, que era a redação do jornal Última Hora, comandado por Samuel Wainer. Dali, passei para o rádio, embora continuasse fazendo colunas para jornal. Na segunda metade dos anos 50, tinha três programas em emissoras de rádio, um na Record, outro na Panamericana (hoje, Jovem Pan) e o terceiro na Rádio América. O da Record era o Disc Disco, apresentado ao vivo da meia noite às duas, que, de repente, tornou-se uma coisa louca, de tanta repercussão. O crédito desse programa entre os jovens tornou-se muito forte, a ponto de muitos irem ao estúdio, no bairro do Aeroporto, para ver sua transmissão. Muitos dos jovens que iam lá me levavam acetatos ou fitas, perguntando se eu não queria ouvi-los. Isso me incentivou a selecionar o que havia de melhor entre aqueles novos valores, e a colocá-los no ar, especialmente no programa da Jovem Pan, que era apresentado à tarde.

Audioplus- No final dos anos 1950, você criou um selo próprio, o Young. A motivação ocorreu por causa dessa efervescência toda?
Miguel Vaccaro Netto
– Na época, eu já fazia um trabalho com o Henrique Lebendiger, presidente da Fermata, editora musical, indicando novidades da Europa que poderiam ser lançadas por aqui. Naquela época, havia iniciado a transmissão do Festival de San Remo, da Itália, para o Brasil. Aí, sugeri a ele que criasse uma gravadora, e fizemos uma sociedade na palavra, no “fio da barba”, como se dizia na época, sem contrato assinado. Foi criada, então, a gravadora Fermata, e no início eu indicava artistas da Europa e dos EUA, lançamos por aqui gente como Chubby Checker, o rei do Twist, por exemplo. Sabendo que existia muita gente nova de valor, também sugeri a criação de um selo voltado especialmente para eles. O Lebendiger só concordava se eu assumisse a coisa como um todo, da seleção dos artistas às gravações e à divulgação, e eu aceitei. Passei a ser praticamente o “factótum” (faz tudo) de lá. O novo selo foi batizado de Young, e ganhou o slogan “O Disco da Juventude”. Além do pessoal que me mandava material, eu também ia a colégios em busca de revelações.

Audioplus- Muita gente boa foi revelada dessa forma, não é?
Miguel Vaccaro Neto
– Sem dúvida. Lembro que, uma vez, fui em um festival realizado no Colégio Santa Cruz, e conheci um garoto muito tímido, que tinha 17, 18 anos, mas muito bom, com potencial enorme. Ele cantava e se acompanhava ao violão. Como na Young eu só gravava músicas em inglês, vi que o tal garoto não se encaixaria lá, mas, mesmo assim, tinha um outro destino para ele em mente. Esse garoto começou a frequentar a casa da então minha noiva, com a qual posteriormente me casei e de quem depois me separei. Começamos a nos reunir lá, que era bem grande, e eu não o ensinei, pois essas coisas você já tem por si próprio, mas fiz uma lapidação do talento natural dele, investindo em postura de palco, entrada em cena, posição de violão, postura física e até mesmo na maneira de se expressar, de pôr a voz para fora da maneira correta. O trabalho durou seis meses. Quando vi que ele estava preparado, e não serviria mesmo para a Young, eu o levei para a Fermata. Esse tal jovem gravou a música A Banda, e se tornou Chico Buarque de Hollanda. Você não tem idéia de como ele era tímido, era terrivelmente tímido.

Audioplus- E na Young, quem surgiu por lá, e como era o espírito do selo, em termos de repertório?
Miguel Vaccaro Netto
– A Young lançava canções em inglês, interpretadas por brasileiros. Lancei na Young muita gente, como Demétrius, que descobri em um colégio, Marcos Roberto, Dori Edson, Hamilton Di Giorgio, Regiane, Nick Savoia, Gato (que depois foi músico do Roberto Carlos) e também grupos vocais e/ou instrumentais como Teenagers, Avalons (o primeiro grupo instrumental brasileiro de rock a gravar discos), The Rebels etc. A Young existiu sob o meu comando entre 1959 e 1963, mais ou menos. Quando o Lebendiger vendeu a Fermata e a RGE para a Som Livre, pensei que a Young tivesse ido junto, fiquei até chateado com ele. Nos anos 70, usavam o selo Young para lançamentos nacionais e internacionais voltados para o público jovem, mas eu não tinha mais nada a ver com ele.

Audioplus- Existe uma procura, por parte dos colecionadores, pelas gravações da Young da sua época. Você tem planos de relançá-las? Legalmente, existe algum tipo de impedimento em relação a isso?
Miguel Vaccaro Netto
– Com o passar dos anos, o material lançado pela Young se tornou cult, os colecionadores de fato procuram muito esses discos. No final de 2003, conversando com o Hélio Costa Manso, diretor da Som Livre e líder do grupo Sunday, que fez sucesso nos anos 70, perguntei sobre os direitos referentes à Young. Ele falou com o João Araújo, presidente da gravadora global, e me informou posteriormente que a Young continua sendo minha, que posso fazer o que quiser com o seu acervo. Então, penso em fazer no futuro um CD duplo com as principais músicas do selo.

Audioplus- Como radialista, você faz parte de uma linhagem de DJs que de fato entendiam de música, que tinham prazer em descobrir novos talentos, e que eram ouvidos pelas gravadoras. É verdade que foi você quem tocou músicas do João Gilberto em rádio pela primeira vez? Como é o seu relacionamento com esse artista tão importante e ao mesmo tempo tão folclórico?
Miguel Vaccaro Netto
– Sem falsa modéstia, eu, nos anos 50 e 60, era o DJ de mais prestígio por aqui, além de ter as minhas colunas em jornais lidas com interesse pelo pessoal das gravadoras. O João Gilberto foi de fato lançado por mim, em meu programa. A Odeon na época me chamou para ouvir o primeiro disco dele, o 78 rotações com Chega de Saudade. Ouvi, e afirmei para o Oswaldo Gurzoni, diretor da gravadora na época, que seria um grande sucesso, e que eu queria lançá-lo em primeira mão. O Gurzoni gostava mesmo de música, vibrava com cada novo lançamento, e me autorizou a fazer o lançamento. Criei toda uma expectativa em torno disso, durante quase um mês, no meu programa. Aí, Chega de Saudade foi pro ar, e o resultado é o que todos sabem, um clássico da MPB. Eu e o João nos tornamos muito amigos. A última vez que eu o vi foi em 1970, quando ele morava no México e fui ser o presidente de honra do júri de um festival de música por lá. Após o final do evento, ele nos convidou (fui com os cantores Claudya e Marcos Roberto) para jantar, e também para nos mostrar a Cidade do México. Sei que eram três da madrugada, e ele ainda estava mostrando a cidade para nós, a pé! (risos). Ele é uma pessoa muito culta, e fala muito. Às cinco da madrugada, estávamos despencando de sono, e ele nos levou para a sua casa. A Claudya se acomodou e dormiu de qualquer maneira. Eu e o Marcos Roberto não tivemos a mesma sorte, pois o João queria jogar pingue-pongue, o que, mesmo com todo aquele sono, tivemos de fazer, sendo que ele ainda estava com uma disposição incrível. (risos).

Audioplus- Nos últimos anos, você tem apresentado o Programa Miguel Vaccaro Netto na TVCom (exibida pela Net, Sky e outras emissoras pelo Brasil), no qual o mote é a participação de artistas dos anos 50, 60 e 70. Como tem sido essa experiência?
Miguel Vaccaro Neto
– Muito boa. No formato atual, estamos no ar há três anos, e já fomos até imitados, e mal, diga-se de passagem, pelo Ratinho. Tive a oportunidade de entrevistar os grandes nomes desse período. Inclusive, um momento que me marcou foi a última entrevista feita com Celly Campello, que, ao lado do irmão Tony, tive a oportunidade de lançar em meu programa de rádio, nos anos 50. Gravamos essa entrevista meses antes de sua morte, e a Rede Bandeirantes chegou a exibi-la na íntegra, como homenagem. Ela morreu em março de 2003. Passaram pelo programa artistas como Benito Di Paula, Os Vips, Os Incríveis, Eduardo Araújo, Tony Campello, Marcos Roberto, Silvinha Araújo e inúmeros outros daquela época áurea da música jovem no Brasil. Nele, também faço o game show Não Diga Não, que em breve deve também ir para a tevê aberta. E estrearei na Alltv, de Alberto Lucchetti Neto, o programa Discos Impossíveis, no qual entrevistarei pessoas que possuem discos raríssimos, mostrando-os, contando como os obtiveram e tocando trechos dos mesmos.

Audioplus- Aliás, aproveitando o gancho, fale-nos sobre esse serviço criado por você, o Discos Impossíveis. Como surgiu a idéia, e do que se trata?
Miguel Vaccaro Netto
– Bem, tudo começou quando muita gente me ligava, pedindo para informar onde poderiam encontrar discos dos artistas que participavam do meu programa. No início, não pensava em mexer com isso, apenas fazia a ligação entre as pessoas e os artistas, para que elas pudessem ser atendidas. Até que percebi existir um grande filão aí, e me propus a encontrar esses discos para as pessoas. O nome Discos Impossíveis, cuja marca inclusive registrei, dá bem a medida. Não importa o que for, se vinil, CD ou mesmo DVD, é só ligar e encomendar que a minha equipe sai à caça. Após uma matéria publicada na revista Veja São Paulo, a procura tornou-se ainda maior, cheguei a receber entre 800 a 900 pedidos em apenas 15 dias. Até agora, não houve item que a gente não tivesse encontrado, sendo que a demora vai de alguns dias a um mês e meio, dependendo da raridade do que se procura.

Audioplus- Você ajudou na consolidação do chamado mercado de música jovem no Brasil. Como encara isso?
Miguel Vaccaro Netto
– Tenho uma convicção bem consolidada de que nada acontece fora de hora. Na ocasião (final dos anos 50), havia uma demanda muito grande pela música americana por aqui, era o auge do Dick Clark (American Bandstand) nos EUA, e meu, por aqui. Senti que havia um vácuo, gente muito boa que não tinha espaço, e criei a Young, era o momento. Isso desencadeou muita coisa, propiciando o clima para a pré-Jovem Guarda, a própria Jovem Guarda, quando se criou esse rótulo (música para a jovem guarda, para o jovem) e a pós-jovem guarda. Hoje, não sinto mais esse clima propício. Existe um mix tão grande de hits de qualidade duvidosa que não há um perfil definido de música brasileira ou americana. Outro dia conversava com um amigo, o cantor e ator Gilbert, e comentávamos que nada mais dura na área musical. Hoje, as coisas surgem e vão embora como um cometa, não deixam marca. Na época, o comunicador tinha por obrigação direcionar o público para o que houvesse de qualidade, e era mais fácil, pois qualidade artística era o que não faltava. Atualmente, um fenômeno como os Tribalistas de Marisa Monte, que conciliaram apelo comercial e qualidade artística, é muito raro. Há um excesso de informação via internet, rádio e televisão, as pessoas não tem tempo de assimilar tudo isso, e passam a ter um gosto descartável. A oferta maior do que a procura tornou o mercado sem sabor, tanto os radialistas quanto as pessoas das gravadoras infelizmente caem lá de para-quedas, não entendem nada.

Veja especial do programa do Miguel sobre a gravadora Young:

Luizinho Lopes, um cantor e compositor mineiro de primeira

Luizinho Lopes-400x

Por Fabian Chacur

Muitos músicos de grande talento são obrigados a dividir sua vocação com o trabalho em outras áreas para conseguir sobreviver. Este é o caso do cantor, compositor e músico mineiro Luizinho Lopes, que além das artes é graduado em engenharia e atua como funcionário público desde 1996. No entanto, ele soube conciliar as duas atividades e, dessa forma, criar uma obra rica, consistente e admirável, em seus mais de 40 anos na música.

Como forma de celebrar essas quatro décadas como músico, Luizinho lançou o álbum-vídeo Dossiê40, já disponível nas plataformas digitais e ainda sem previsão de lançamento em formatos físicos (uma pena!). Nessa longa e deliciosa entrevista concedida a Mondo Pop, ele viaja pela sua belíssima trajetória como músico e criador de um songbook que merece ser mais conhecido Brasil e mundo afora, por sua qualidade incontestável.

MONDO POP- Para começar, fale um pouco de como teve início a sua relação com a música, se sua família tem músicos, o que você ouvia quando era criança, quando começou a tocar e cantar etc.
LUIZINHO LOPES
– Comecei a cantar, em casa, desde muito cedo. Na década de 60 havia os grandes festivais de MPB. Meu pai adorava. Sempre um LP era lançado com as finalistas. Meu pai comprava e me dava de presente. Com seis, sete anos, eu já curtia Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano, Gil, Milton, Geraldo Vandré, Elis Regina, Agostinho dos Santos e muitos outros. Considero essa a minha primeira formação musical. Meu pai teve dois irmãos que eram músicos, um tocava flauta e saxofone e o outro chegou a ser maestro de banda de cidade do interior. Meu pai nasceu em São Pedro dos Ferros, zona da mata mineira, próximo a Ponte Nova. Comecei a tocar violão bem mais tarde aos 18 anos! Antes,fiz algumas músicas de ouvido. Escrever, comecei desde cedo. E lia muito.

MONDO POP- Você nasceu em Pirapora (MG), mas está em Juiz de Fora há muito tempo. Qual a influência dessas duas cidades em sua vida e, por tabela, na sua criação musical?
LUIZINHO LOPES
– Meu pai era bancário. Somos seis filhos. Eu sou o caçula. Meu pai foi transferido de Governador Valadares para Pirapora, onde chegou promovido a gerente do banco. Morou lá por uns sete anos. Nasci lá, mas quando a família mudou-se da cidade, eu tinha somente dois anos. Então, Pirapora nem chegou a exercer uma influência considerável em minha formação, não tenho lembranças de lá. Só mais tarde que retornei para conhecer. Posteriormente, meu pai foi transferido para Bom Jesus do Itabapoana, fronteira do estado do Rio com Espírito Santo, onde moramos por apenas três anos. De novo, meu pai foi transferido para Leopoldina, Minas, onde morei dos cinco aos treze anos. De Leopoldina meu pai foi para Juiz de Fora, onde se aposentou. Foi em Juiz de Fora que tudo começou para mim em relação à arte.

MONDO POP- Você é graduado em engenharia civil. Trabalha na área? Muitos músicos aceleraram seus contatos ao participar do meio universitário, isso também ocorreu com você?
LUIZINHO LOPES
– Foi Na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) que iniciei de forma a princípio amadora a minha carreira musical. Ganhei um violão de meu pai logo quando passei do primeiro para o segundo período(semestre) na Engenharia. Tinha acabado de completar dezoito anos. Uma tarde, após o almoço, estava de férias, fui para o meu quarto escutar um pouco de música, e logo depois, meu pai entrou e me disse que havia visto um violão “bonitinho” na vitrine de uma loja e pensou em me dar de presente, já que eu adorava música. Nessa época, meu pai já havia se aposentado, a diferença de idade dele para mim era de quarenta e dois anos, ele tinha sessenta anos, isso foi em 1977. Acabei convencido, e fui com ele até a tal loja. Quando cheguei com o violão em casa, por volta das duas e meia da tarde, tranquei-me em meu quarto e comecei a tocar. Lá pelas oito da noite, meu pai bateu na porta, e assim que entrou, foi logo comentando: “Meu filho, você está aqui trancado sem sair desde quando chegamos da rua, se soubesse que seria assim, nem teria tido a ideia de dar um violão pra você. Você não saiu nem pra ir ao banheiro ou tomar água. Não é possível, dê um tempo. Vá comer alguma coisa. O que você fez esse tempo todo? Que eu saiba, você nunca havia tocado violão antes”. E eu respondi: “Fiz uma música. Quer ouvir?”… Daí em diante, na atmosfera da UFJF, sem dúvida, adquiri muitos contatos. Estávamos em plena ditadura militar, sentíamos necessidade de estar juntos, cantar juntos, como se isso nos protegesse contra o
medo e a censura. E hoje afirmo com certeza, foi o grande aprendizado que carreguei para a minha vida, não só artística.

MONDO POP- Fale um pouco de como foi a experiência como integrante do grupo Vértice, como surgiu, quanto durou, se gravou algo, e porque acabou. Ainda tem contato com seus ex-integrantes?
LUIZINHO LOPES
– O Vértice surgiu em 1979. Inicialmente eram sete integrantes, quatro estudantes de engenharia, um de economia, um de farmácia e outro que cursava medicina. O nome Vértice foi dado, obviamente, por um estudante de engenharia, na época, o que era o melhor músico do grupo, o Thadeu Grizendi. Todos homens na primeira formação. Com o tempo, chegaram duas cantoras: Andréa Gomes (hoje, Monfardini) e Lúcia Neves. O auge do Vértice foi a participação no programa Som Brasil da TV Globo, em dezembro de 1981. Na época o programa era comandado por Rolando Boldrin. Gravamos três músicas, uma instrumental, “Sete Lenços”, composta pelo Thadeu Grizendi e por Edson Zaghetto, que fora o último a entrar no grupo, “Vice-Versa” e “Chaminés”, ambas de minha autoria, letra e música. O programa foi ao ar em janeiro de 1982, mas a instrumental foi cortada, somente as minhas duas músicas foram apresentadas no programa. Meses mais tarde, descobrimos que “Sete Lenços” estava sendo usada como fundo de uma propaganda da Secretaria de Agricultura do estado de São Paulo. Nós éramos muito ingênuos, pedimos só para que a música fosse extraída da propaganda. A nossa apresentação repercutiu bastante. Fomos convidados a fazer diversos shows. O Grupo Vértice realizou dois shows oficiais em teatro, o “Sem Fronteiras”, em 1981 e o “Via Luz”, em 1982, ambos em Juiz de Fora. O grupo acabou no final de 1982. A maioria dos integrantes formou-se na Universidade e partiu para a vida profissional. Também me formei no fim de 1982, mas resolvi partir para a música. Em 1983, fiz o primeiro show, já fora do Vértice, com a cantora Andréa Gomes, chamado “Hóstia da Noite”.

MONDO POP- Você está celebrando 40 anos de carreira. Qual é o marco inicial, a partir do qual você conta essas quatro décadas?
LUIZINHO LOPES
– O marco inicial é 1978, ano em que comecei a me apresentar cantando tão somente canções de minha autoria, no palco do Anfiteatro do ICBG (Instituto de Ciências Biológicas) na UFJF, em um projeto que se chamava Som Aberto, com edições que aconteciam todos os sábados, a partir das dez da manhã. O show “DOSSIÊ40” foi gravado em dezembro de 2018, completando justamente estes quarenta anos. DOSSIÊ40 foi lançado somente em 2020. Em 2019, gravei e lancei um outro álbum, “Pé de Letras”, o que acabou atrasando o lançamento de “DOSSIÊ40”.

MONDO POP- Seu primeiro álbum, Nem Tudo Que Nasce é Novo, saiu em 1990, quando você já tinha por volta de uma década de estrada. Quais as dificuldades para conseguir, enfim, concretizar esse disco, e na sua opinião porque demorou tanto tempo para realizar esse sonho?
LUIZINHO LOPES
– Na época, era muito mais difícil gravar um disco do que hoje. Os custos eram bem mais elevados e eu vivia, na ocasião, somente da música, tinha poucos recursos e o “Nem Tudo Que Nasce É Novo” foi um disco feito de forma independente. Tive uma ideia que pus em prática e que possibilitou a gravação do meu primeiro disco: um vale-disco, em que a pessoa comprava o LP de forma antecipada. Deu certo, vendi cerca de trezentos vales assim.

MONDO POP- Qual a importância na sua trajetória de participar de festivais? Lembre-se de algumas experiências nessa área que você considere as mais significativas em termos de repercussão.
LUIZINHO LOPES
– Participei de diversos festivais, como integrante do Vértice e de forma individual. Os mais marcantes foram os festivais do TUCA, em São Paulo (SP), em 1982, em Porto Alegre(RS) e Ouro Preto(MG), ambos em 1983, no Festival Nacional do Carrefour, semifinal em Uberlândia(MG), em 1992, e no Musicanto, em Santa Rosa (RS), festival de música latino-americana, em que faturei o segundo lugar com a música “Lume” numa interpretação antológica do grande cantor paulistano Renato Braz, acompanhado pelo maestro Roberto Lazzarini ao piano, e por mim no violão. O prêmio neste festival trouxe uma grande visibilidade, que contribuiu muito para a expansão de meu trabalho.

MONDO POP- A sua carreira ganhou força a partir de 2014, com mais lançamentos de CDs e DVDs do que em todos os anos anteriores. Qual a razão?
LUIZINHO LOPES
– Creio que tenha sido pelo fato de que em 2012 consegui retornar para Juiz de Fora, e com isso pude ter mais condições de investir em meu trabalho musical. Gravar um disco foi se tornando mais fácil, a
tecnologia contribuiu para o barateamento das gravações. Este fato, inclusive, já tinha sido observado por mim quando da gravação de “Noiteceu”, meu terceiro álbum, que foi gravado com recursos próprios além de recursos da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura de Juiz de Fora.

MONDO POP- O Ricardo Itaborahy tem uma participação importante na fase mais recente de sua carreira. Como você o conheceu, e como funciona o entrosamento musical entre vocês?
LUIZINHO LOPES
– A resposta a esta pergunta tem a ver com a questão anterior. Em 2015, quando Ricardo Itaborahy assumiu a direção musical de “Falas Perdidas”, CD produzido com recursos da Lei Murilo Mendes e recursos próprios, percebi que meu trabalho tomaria outro rumo. Ricardo já havia feito a mixagem de meu álbum anterior, “Luizinho Lopes Ao Vivo”, álbum duplo por sinal, e ali já pude observar a maneira dele trabalhar. Quando iniciamos a produção de “Falas Perdidas”, parecia que já havíamos trabalhado juntos nessa atividade anteriormente. Tudo se encaixava, o modo como ele desenvolveu os arranjos, e até hoje ele discorre sobre isso, respeitando as sequências harmônicas que eu criara quando da composição das músicas, para em cima disso poder partir para suas ideias, além de facilitar o seu trabalho, fazia com que a música não perdesse a sua essência de origem. Em minha opinião, um grande erro de um arranjador é praticamente desvestir a música de um compositor para sobrecarregar com suas ilações, o que na quase totalidade dos casos, desfigura a obra original, transportando o que restar para o patamar da mesmice. O entrosamento entre mim e Ricardo é muito grande. O fato de Ricardo morar em outra cidade faz com que eu envie para ele uma nova composição ou uma ideia de arranjo, através dos meios digitais. Muitas vezes, quando nos encontramos para realizar uma apresentação, um show, não dispomos de muito tempo para ensaiar, o que não chega a ser problema para nós, um tanto também pelo entrosamento que há.

MONDO POP- Fale sobre a concepção de Dossiê40 – escolha de repertório, montagem da banda de apoio, local etc. Quantas músicas incluídas neste trabalho nunca haviam entrado antes em um de seus discos?
LUIZINHO LOPES
– Para o repertório, primeiramente, recolhi cinquenta músicas para escolher dezesseis para o show. Com ajuda do Ricardo Itaborahy peneiramos para vinte e cinco, e finalmente para dezenove. Seis músicas não haviam entrado anteriormente em nenhum de meus discos: Charada, A Dança das Palavras, Coração Kamikaze, Que Loucura!, Vice-Versa e Vi a Luz.

MONDO POP- As cantoras Andréa Monfardini e Elisa Bara Zaghetto participam do álbum. Como surgiu a ideia de convidá-las, e como você avalia o resultado da participação delas?
LUIZINHO LOPES
– As duas cantoras tiveram participações marcantes no show. Andréa Monfardini já participa de trabalhos comigo desde a época do Vértice. A Elisa estuda canto desde cedo e atua em teatro também, tem uma voz
diferenciada, muito afinada. Não é para menos, sempre recebeu orientação artística de seu pai, meu grande parceiro Edson Zaghetto.

MONDO POP- Como você define o seu universo musical, enquanto cantor e compositor? Quais são as influências que você sente como mais decisivas para a consolidação de seu estilo musical próprio?
LUIZINHO LOPES
– De uns tempos pra cá, comecei a vasculhar as origens da arte em minha vida. Na infância, em Leopoldina, estudei em colégio de freiras.Lá, havia uma bandinha com instrumentos de percussão e vozes. Eu era
sempre a primeira voz do grupo, por ser afinado, principalmente, lembro-me da professora que coordenava a bandinha comentar isso. Depois na adolescência, quando já morava em Juiz de Fora, andei fugindo do papel de cantor por uma timidez adquirida não sei como. Mesmo depois de ter lançado dois álbuns, ainda não sentia muito prazer em cantar, na verdade tinha medo de soltar a voz. Enfim, em 2002, encontrei um professor de canto que me fez perder o medo. Estudei com ele por dois anos e foi o maior aprendizado que tive em relação à música, mais do que qualquer aprendizado de teoria musical, harmonia ou técnicas de violão, porque ganhei confiança e a certeza de que o que eu precisava era me soltar no palco, interpretar o que cada canção suplica. Como compositor, creio que as minhas maiores referências são musicais, literárias e cinematográficas. Não sei separá-las. O cinema é cheio de música, palavra e silêncio. É o que mais me fascina. E isso interfere diretamente nas minhas composições. No geral, nomes imprescindíveis para mim: Chico Buarque, Gilberto Gil, Egberto Gismonti, Vítor Ramil, Beatles, Keith Jarret, Chico César, Elomar Figueira de Mello, João Cabral de Melo Neto, Octavio Paz, Luiz Ruffato, Gabriel García Márquez, Kafka, Jorge Luiz Borges, Luis Buñuel, Bergman, Scorcese e Stanley Kubrick. A influência mais decisiva para mim talvez venha de uma expressão literária, talvez seja Jorge Luiz Borges; quando o li pela primeira vez engatei uma leitura de umas 6 horas sem parar, sem levantar da cadeira, foi um soco e eu disse para mim mesmo: dessa forma que eu quero trazer as palavras para a minha música…

MONDO POP- Boa parte das suas composições são solo, mas você também tem algumas parcerias. Comente um pouco como é escrever canções sozinho e também com parceiros.
LUIZINHO LOPES
– Adoro escrever e adoro fazer música. Quando estou compondo sozinho, tenho um prazer especial de ao estar tecendo a melodia, ao mesmo tempo estar selecionando palavras. As palavras chegam antes do tema muitas vezes. Compor com parceiros é sensacional, mas tem que haver muita afinidade com a forma que o parceiro escreve, por exemplo. Por isso tenho poucos parceiros, e esses poucos, deixam comigo os textos que vou conformando à métrica e à necessidade da canção. Entre os parceiros que me municiam com palavras, tenho dois ilustres que eu me orgulho muito, que são o Luiz Ruffato e o Iacyr Anderson Freitas. Já em relação aos parceiros que fazem as melodias, são muito poucos. Sinto muita falta de receber melodias para que eu possa criar as letras.

MONDO POP- Você iniciou sua carreira no final dos anos 1970, em um momento no qual a música brasileira vivia uma de suas fases áureas. Que recordações tem daquela época, e como avalia a cena atual?
LUIZINHO LOPES
– Aquela foi uma época em que ficávamos esperando um disco chegar com tremenda ansiedade. Lembro-me muito do LP A Ópera do Malandro, do Chico Buarque. Cheguei na loja de discos, ainda fechada, e aguardei. Na véspera, fiquei sabendo que chegariam poucas unidades do disco, fui o primeiro a comprar. A MPB estava no auge, vários trabalhos magistrais sendo lançados, praticamente um disco por ano dos grandes compositores. Sem entrar no mérito dos diversos benefícios que a era digital trouxe para a arte em geral, pelo menos o glamour do lançamento da bolacha, do LP, foi perdido, e não sinto como substituí-lo. A cena atual ainda é indecifrável. Como não há espaço suficiente na mídia tradicional para a música de qualidade como havia
no final dos anos 1970, a descoberta das pérolas fica restrita e sujeita à qualidade de farejo do pescador digital.

MONDO POP- Como você encara os formatos através dos quais se lançam músicas atualmente? Pretende lançar Dossiê40 também em formato físico (CD,DVD)? O formato digital tem trazido bons frutos para você em termos de
repercussão e ganhos financeiros?
MONDO POP
– Sem dúvida, a partir desses formatos digitais surgiu uma chance de democratização maior da divulgação do artista, de sua obra de arte. Na prática isso não está ocorrendo ainda para determinados setores da
música. Em termos de repercussão aumentou bastante o alcance de minha música, de minha obra. Em termos de ganho financeiro, ainda não. Mas está aumentando, isso varia proporcionalmente com a quantidade de seguidores nas redes sociais. Por ora, não pretendo lançar o DOSSIÊ40 em formato físico.

MONDO POP- Dossiê40 pode ser considerado uma espécie de viagem por esses 40 anos de carreira?
LUIZINHO LOPES
– Com certeza. A forma como escolhemos o repertório levou em consideração as variáveis “idade” da música, aceitação, contemporaneidade, impacto, poesia e outras. Obviamente se adicionadas mais umas quatro músicas, essa viagem seria mais abrangente, ficaria ainda mais representativa.

MONDO POP- Como compositor, quem você gostaria de ouvir interpretando canções de sua autoria? E como intérprete, com quem você gostaria de trabalhar junto, em shows ou em gravações?
LUIZINHO LOPES
– Gostaria muito de ter músicas cantadas pelo Ney Matogrosso e Marisa Monte. Como intérprete, gostaria de estar no mesmo palco do Vítor Ramil e do Chico César, cantando com eles suas canções.

MONDO POP- Você é graduado em cinema documentário. Pretende também fazer trabalhos nessa área? O que te levou a fazer esse curso? Pensa em unir as duas coisas- música e cinema, quem sabe em trilhas ou coisa que o valha?
LUIZINHO LOPES
– Meu desejo maior desde criança era ser cineasta. Fiz esse curso, porque morava no Rio de Janeiro na época, e não tinha tempo de fazer uma faculdade de cinema. Eu fui da primeira turma de Pós-Graduação
em Cinema-Documentário da FGV-Rio. Está em meus planos realizar um longa, tenho um roteiro bem desenvolvido e adoraria fazer trilhas para cinema, a oportunidade que ainda não surgiu.

MONDO POP- Para encerrar: você consegue viver de música, em termos financeiros? Se a resposta for não, qual ocupação te proporciona isso?
LUIZINHO LOPES
– Não consigo viver de música. Em 1996, através de aprovação em concurso público, assumi o cargo de Auditor Fiscal da Receita Estadual de Minas Gerais, que, dentre outras coisas, possibilitou que eu residisse na capital do Rio de Janeiro de 1999 a 2009, já que Minas Gerais ali possui um escritório avançado da Receita Estadual, e onde entre várias conquistas musicais, pude cursar Cinema Documentário na FGV. A partir de 2012, quando retornei para Juiz de Fora, pude investir mais em minha carreira musical. Foi uma decisão muito difícil o de entrar no serviço público, pelo fato de sobrar menos tempo para me dedicar à música, mas acabou que tive muita disciplina e persistência, e com o tempo fui aprendendo cada vez mais a administrar a situação, hoje digo com tranquilidade, considero-me um músico profissional e posso realizar trabalhos musicais que eu gosto, antes de tudo, sem me curvar a qualquer obrigação de mídia ou coisas do gênero. Isso proporciona uma imensa tranquilidade e grandes realizações, apesar do sacrifício. Se nada de absurdo ocorrer, dentro de dois anos aposento-me no serviço público, para a partir daí poder dedicar-me totalmente às artes.

Ouça e veja Dossiê40, de Luizinho Lopes, em streaming:

Mahmundi investe em um som de banda em seu álbum Mundo Novo

Por Fabian Chacur

Aos 33 anos de idade, Marcela Vale tem muitas histórias para contar. Filha adotada por uma família de evangélicos, a moça se envolveu com a música desde cedo, tocando bateria e violão e cantando em igrejas. Com o tempo, sentiu que era essa musa que desejava seguir. Mas não foi fácil. Durante anos, conciliou trabalhos fora dessa área com a atuação como técnica de áudio e microfonista de lugares como o Circo Voador e a Fundição Progresso.

Há cerca de 10 anos, resolveu encarar o desafio de uma carreira como cantora, musicista e compositora. Desde então, conhecida pelo nome artístico Mahmundi, vai pavimentando uma trajetória das mais interessantes. Efeito das Cores (2012) e Setembro (2013), dois EPs, foram os seus primeiros lançamentos. Em 2016, veio o primeiro álbum, Mahmundi, pelo selo Stereomono-Skol Music.

Sua parceria com a gravadora Universal Music teve início em 2018 com o álbum Para Dias Ruins. Desde o início, mostrou uma voz doce e muito bem colocada, aliada a canções que, como um todo, dificultam uma rotulação. Seria nova MPB, pop, soft rock, eletropop, r&b, reggae, soul? Ou seria tudo isso junto e misturado? Pouco importa, pois a qualidade é o que importa, e é grande.

Mahmundi nos oferece ecos de Corinne Bailey Rae, Marina Lima, Marisa Monte e Erikah Badu, só para citar algumas possíveis referências, mas do seu jeito. Mundo Novo, seu novo álbum, acaba de ser disponibilizado nas plataformas digitais, e tem tudo para ampliar ainda mais os seus horizontes profissionais em termos de público e crítica especializada.

São sete faixas (incluindo uma espécie de vinheta). Uma, inteligentemente escolhida para iniciar a divulgação do trabalho, é a hipnótica Nova TV, uma das duas parcerias com o artista carioca Castello Branco incluídas neste álbum (a outra é Nós de Fronte). Trata-se de uma gravação absolutamente perfeita, que te prende do primeiro ao último segundo, com letra e melodia envolventes.

Sem Medo, parceria com Felippe Lau, fecha o lado autoral. Convívio (Paulo Nazareth) e Vai (Frederico Heliodoro), de dois talentosos compositores da nova geração, estão aqui. O repertório é fechado com uma bela releitura de No Coração da Escuridão, composição de Dadi e Jorge Mautner gravada pelo primeiro originalmente em seu autointitulado álbum de 2005 com marcante participação de Caetano Veloso nos vocais.

Mundo Novo equivale a um álbum conciso (tem pouco mais de 20 minutos de duração) que deixa aquele adorável gostinho de quero mais, amostra luxuosa de uma artista que tem tudo para pavimentar uma discografia preciosa. Em entrevista por telefone a Mondo Pop, a artista carioca atualmente radicada em São Paulo nos dá algumas pistas de suas intenções musicais.

MONDO POP- Como foi o seu encontro com a música, e o que você ouvia quando criança e adolescente?
MAHMUNDI
– Minha educação musical foi muito restrita à música gospel, pois meus pais são religiosos. Ouvia música gospel americana e brasileira. Comecei, na igreja, a tocar violão e bateria. Só depois fui ouvir outras coisas, como Legião Urbana, Oasis, Keane, Avril Lavigne.

MONDO POP- Qual a diferença básica do conceito deste novo trabalho em relação aos anteriores?
MAHMUNDI
– Tenho uma assinatura estética em cada um deles. A ideia em Mundo Novo era fazer algo que soasse mais como uma banda, saindo da produção sozinha, dos sintetizadores e tudo mais. Então, partimos pra um trabalho com coprodução do músico Frederico Heliodoro, que trouxe suas referências de música instrumental. Eu assino a direção e a produção musical e ele fez a coprodução do álbum.

MONDO POP- Mundo Novo tem uma duração de 22 minutos, não muito comum em álbuns tradicionais. Há quem rotule um trabalho com essa duração como EP. Como você encara essa questão?
MAHMUNDI
– Para mim, esse trabalho é um álbum, pois tem um formato atual, adaptado para os dias atuais. Toda a concepção dele é a de um álbum, desde a seleção de faixas até a concepção final, capa, encarte etc.

MONDO POP- Esse é o seu segundo álbum lançado por uma gravadora grande, a Universal Music. Como está sendo a relação entre vocês?
MAHMUNDI
– Minha relação com a Universal é maravilhosa. Eu cuido de tudo em termos artísticos e criativos, e eles me dão todo o apoio necessário na parte de divulgação. A sugestão de que Nova TV fosse a primeira faixa de trabalho, por exemplo, foi uma sugestão deles que acabei aceitando.

MONDO POP- Aliás, já que tocamos nessa faixa, fale um pouco sobre ela.
MAHMUNDI
– É uma parceria com o Castello Branco, que é um artista carioca maravilhoso. Vi um texto dele em uma rede social, gostei muito e adaptei para a criação desta canção. Adoro TV, ver o que as pessoas fazem nos botecos, sair dessa visão de Sudeste que as pessoas tem do Brasil. Somos muito presos aos celulares, e essa música fala sobre isso.

MONDO POP- Como surgiu a ideia de reler No Coração da Escuridão?
MAHMUNDI
– Conheci o Dadi quando ele tocava com a Ana Cañas, em um show no Circo Voador. Eu nem sabia quem ele era, e vi que ele tocava muito, fiquei impressionada como ele era bom. Fiquei amiga dele, e depois fui saber de tudo o que ele já tinha feito em sua carreira. É uma pessoa muito profunda. Este álbum é um encontro muito bonito entre eu e outras pessoas, conectei-me com o melhor das pessoas envolvidas neste trabalho.

MONDO POP- O título do seu disco anterior é Para Dias Ruins. Este é Mundo Novo. No caso do que você está lançando agora, isso tem a ver com o que estamos vivendo nesse momento atual?
MAHMUNDI
Mundo Novo é uma relação muito pessoal, muito comigo mesma, comecei a criar o conceito desse trabalho em 2019. Fiz psicanálise e me descobri muito nesse processo. Quanto ao que está acontecendo hoje, não dá pra ficar só batendo panelas, só reclamando. Não podemos nos bloquear, é preciso seguir em frente, pois isso vai passar. O brasileiro consegue de um jeito muito espirituoso resolver as coisas.

Nova TV– Mahmundi:

Alexia Bomtempo mostra em Suspiro sua versão da bossa nova

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Por Fabian Chacur

A cantora Alexia Bomtempo nasceu em Washington D.C. (EUA), filha de pai brasileiro e mãe americana. Foi criada no Brasil, mas com várias passagens por seu país de origem. Isso criou uma espécie de dualidade cultural em sua formação pessoal que se refletiu em uma trajetória musical com mais de 10 anos.

Há quase oito anos radicada em Nova York, Alexia está lançando Suspiro (que saiu no Brasil pela Lab344, ouça aqui), seu quarto álbum, no qual mergulha em uma visão própria da bossa nova, com direito a canções autorais, inéditas de outros compositores e clássicos nada óbvios daquele movimento musical, de autores como Jorge Ben Jor, João Donato e Edu Lobo.

Em entrevista feita por email a MONDO POP, ela conta tudo sobre o novo trabalho e também nos dá uma geral em sua interessante e bastante consistente trajetória como cantora e compositora.

MONDO POP- Suspiro, seu novo álbum, é um trabalho bem diferente do seu álbum anterior, mais voltado para o pop-rock. Este novo tem um espírito bem de bossa moderna. Como surgiu a ideia de fazer um CD com essa sonoridade?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu passei uns meses em Tokyo fazendo uma residência de jazz e tive uma espécie de “reencontro” com a bossa nova. Fiz um mergulho naqueles discos que foram a base da minha formação musical, comecei a compor músicas novas e convivi muito com amigos e fãs japoneses completamente apaixonados por bossa nova. Voltei pra Nova York com a ideia de fazer um album que explorasse esse universo.

MONDO POP – O repertório de Suspiro mescla faixas inéditas e releituras nada óbvias. Que critérios você seguiu para fazer a seleção? Desde o início a ideia era mesclar idiomas (português, francês e inglês)?
ALEXIA BOMTEMPO
– A gente já tinha o conceito do álbum, que era saudar esse movimento samba-bossa-jazz dos anos 60 e 70, mas com um pensamento moderno. Apesar de fazer minhas próprias músicas, sempre gostei de cantar canções de outros compositores. Adoro pesquisar repertório e encontrar pérolas, relembrar músicas que foram lançadas lá atrás com roupagem diferente. Eu, o Jake e o Stéphane fomos trocando ideias e selecionando o repertório de forma colaborativa. Sou naturalmente bilíngue, sempre cantei em inglês e português e com esse álbum não poderia ser diferente. A bossa nova tem ligação forte com a cultura francesa e achamos bacana explorar esse idioma também.

MONDO POP- Como ocorreu a seleção das faixas inéditas? O objetivo era misturar canções de sua autoria com as de outros compositores ou isso acabou ocorrendo naturalmente?
ALEXIA BOMTEMPO
– O objetivo era esse, mas tudo aconteceu naturalmente. Eu já tinha algumas músicas prontas, depois fiz outras com o Jake pensando mais no conceito do álbum. O Stéphane estava passando uns dias no Rio nessa fase de pré-produção do disco e pediu canções inéditas ao Alberto Continentino e ao Domenico Lancellotti – dois compositores que eu adoro.

MONDO POP- A sonoridade do álbum é muito coesa, delicada e elegante, e soa como um trabalho de banda. Essa era a sua ideia inicial? Escolheu os músicos pensando nisso?
ALEXIA BOMTEMPO
– Sim, a ideia era fazer um disco com essa sonoridade de banda. Chamamos o pianista Vitor Gonçalves e o baixista Eduardo Belo (ambos brasileiros radicados em Nova York), que já vinham tocando com o Stéphane num outro projeto de samba-jazz. Foi bacana, porque já existia todo um entrosamento. O Jake, apesar de ter muita experiência com música brasileira, vem de uma formação mais jazz e blues que somou muito pra chegarmos nesse lugar delicado, elegante e internacional.

MONDO POP- Qual a importância dos produtores Jake Owen e Stéphane San Juan na concretização do álbum Suspiro, e como rolou o dueto com Stéphane em Les Chansons D’Amour?
ALEXIA BOMTEMPO
– O Jake e o Stéphane foram fundamentais. Eles são produtores fantásticos, pessoas lindas e profissionais incríveis. Todo o processo de feitura do disco se deu de uma forma muito leve, divertida e colaborativa – desde a escolha do repertório. Achamos que seria interessante ter uma música em francês, pela bossa nova ter um elo tão vivo com a cultura francesa e o Stéphane fez a letra pra música do Alberto Continentino, que resultou em Les Chansons D’Amour. O dueto também é uma referência aos duetos clássicos de bossa nova. A voz grave do Stéphane combinou muito com a minha e acho que a gravação transporta o ouvinte para outra atmosfera. Ah, e o Stéphane é francês!

MONDO POP- Fale um pouco sobre o clima das gravações, se você gravou com os músicos ao mesmo tempo ou naquele esquema de ir criando aos poucos a base instrumental para depois colocar a voz.
ALEXIA BOMTEMPO
– Gravamos no SuperLegal Studio (do Jake e do percussionista Mauro Refosco) que fica no Brooklyn, tudo ao vivo, com os músicos tocando ao mesmo tempo, “como se fazia antigamente” – inclusive a voz. Os arranjos foram feitos na hora, sem muito ensaio. Eu, o Jake e o Stéphane já tínhamos escolhido o repertório e conhecíamos as músicas, mas o Eduardo e o Vitor foram ouvindo as ideias na hora, deixando a criatividade fluir, e contribuíram imensamente na elaboração de cada faixa. Foi muito leve e divertido, gravamos as bases em dois dias e depois convidamos o trompetista Michael Leonhart para participar. Ele é um músico fantástico e apaixonado por bossa nova. Também chamamos o guitarrista Guilherme Monteiro para participar da faixa “Les Chansons D’Amour” e ele fez o arranjo no violão rapidamente, de uma forma muito natural. Eu amei fazer um disco assim, livre (e em pouco tempo).

MONDO POP- Gostaria de que você me lembrasse um pouco de suas origens, sendo filha de um brasileiro e de uma americana e tendo nascido em Washington. Foi criada lá ou aqui? E como foi essa criação em termos musicais, o que seus pais ouviam, o que você ouvia na infância e adolescência?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu fui criada nos Estados Unidos e no Brasil. Minha vida foi meio partida entre os dois países, foram muitas idas e vindas ao longo dos anos. Sempre me senti dividida, e as influências das duas culturas se misturam muito dentro de mim. A minha formação musical também foi assim, misturada. Em casa a gente ouvia os clássicos do Brasil (Caetano, Gil, Djavan, Tom Jobim, Gal, Rita Lee, João Gilberto) e da América do Norte (Bob Dylan, Billie Holiday, Joni Mitchell, Janis Joplin, Leonard Cohen). Meu pai era produtor cultural em Petrópolis, então tive a sorte de crescer na coxia, assistindo de perto os shows dos grandes nomes da música brasileira. Foi uma infância muito estimulante e eu sempre soube que queria fazer parte daquele mundo algum dia.

MONDO POP- Relembre um pouco suas primeiras experiências musicais, e em que momento você decidiu que esse seria o seu projeto profissional, ser uma cantora e compositora.
ALEXIA BOMTEMPO
– Durante a minha infância e pré-adolescência no Brasil, estudei teatro no Tablado. Já gostava de cantar, mas comecei no teatro. Já com 17 anos e morando nos Estados Unidos, entrei para o coral da escola e comecei a me destacar. E então resolvi abraçar a música de vez. Voltei pro Brasil, montei uma banda e toquei na noite durante um tempo. Depois, resolvi estudar canto lírico nos Estados Unidos e fiquei na faculdade por dois anos antes de voltar novamente ao Brasil. Conheci o produtor Sérgio Carvalho, que produziu minha primeira demo e depois me apresentou seu irmão Dadi – que se tornou um grande amigo, um padrinho musical e produziu meu primeiro disco, Astrolábio.

MONDO POP- O que te levou a se mudar para Nova York há quase oito anos?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu estava lançando o meu segundo disco I Just Happen to Be Here com canções em inglês do Caetano Veloso que me abriu algumas portas fora do Brasil. Já vinha passando umas temporadas em Nova York, sempre fui fascinada pela energia da cidade, pelo aspecto internacional da arte feita aqui e estava cultivando colaborações musicais – queria fazer parte disso. Fui convidada para tocar no Brasil Summerfest e resolvi vir com uma passagem só de ida – se a coisa fluísse, eu ficava. E assim fiquei de vez.

MONDO POP- Astrolábio foi o seu álbum de estreia, como você o encara com os olhos e ouvidos de hoje?
ALEXIA BOMTEMPO
– Acho que o Astrolábio (n.da r.: lançado em 2008 pela EMI) é um disco de descobrimento, que representa o meu encontro musical com o Dadi, um retrato da minha vida naquela época. É um disco carioca, “feito à mão”, sem pressa, com amizade e doçura.

MONDO POP- I Just Happen To Be Here foi uma bela ideia, um recorte provavelmente inédito da produção do Caetano Veloso de 1969 a 1972 em inglês em um período conturbado e criativo da vida dele. Fale um pouco sobre esse projeto e como encara a sua repercussão.
ALEXIA BOMTEMPO
– A ideia foi do Felipe Abreu, um dos produtores do disco, junto com o Dé Palmeira. O Felipe foi meu preparador vocal e se tornou um grande amigo e conselheiro. Um dia, durante uma aula, cantei London, London e ele teve a ideia de fazermos um disco com o repertório em inglês do Caetano. O conceito era buscar “despir” as canções da carga política e emocional da época em que foram feitas e trazê-las pra perto de mim, da minha história partida entre dois países, duas culturas, duas línguas. Foi um desafio muito interessante, tenho muito orgulho desse disco. E Caetano gostou da homenagem.

MONDO POP- Suspiro saiu primeiro no Japão, país que tem um público muito grande para a bossa nova. Você já tocou lá, tem bons contatos lá? E como foi a reação do público japonês para este álbum?
ALEXIA BOMTEMPO
– Tenho muito amor pelo Japão. O público me acompanha desde o início, já fiz várias turnês e residências e tenho muitos amigos queridos por lá. A ideia do Suspiro surgiu justamente quando eu estava passando uma temporada no Japão e achei muito significativo o fato de o disco ter sido lançado lá primeiro. Eles adoraram.

MONDO POP- O lançamento de Suspiro será só no formato digital ou teremos versões físicas (CD, vinil etc)?
ALEXIA BOMTEMPO
– Temos o CD nos Estados Unidos e no Japão. A ideia é fazer vinil também, mas agora as fábricas estão paradas por causa da pandemia. Então futuramente, espero que sim.

MONDO POP- Como tem sido para você esse período da quarentena? Muitos artistas tem feito lives, você pensa em fazer algo assim (se é que já não fez…)?
ALEXIA BOMTEMPO
– Tem dias que são melhores do que outros. Eu gosto de ficar em casa e tenho aproveitado o tempo pra descansar, compor, ouvir discos, cozinhar, ler… Mas a sensação de não saber como serão os próximos meses é desconcertante e causa muita ansiedade. Estar lançando um álbum novo nesse período tem sido interessante. Muita gente tem me falado que o disco acalma e traz paz de espírito, que é a trilha sonora ideal para esses tempos difíceis – isso é muito gratificante. Tenho feito lives, sim, mas aos poucos e com cuidado, pois também acho que a internet está ficando saturada de conteúdo superficial. É uma maneira bacana de se manter conectado com o público, mas sinto muita saudade da troca que acontece ao vivo, no palco.

Eles Querem Amar (clipe)- Alexia Bomtempo:

Bryan Behr, de Brusque para o Brasil com seu som ensolarado

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Por Fabian Chacur

Há quase três anos, Bryan Behr era funcionário da loja Mohr Musik Haus, na cidade de Brusque (SC). Em meio a inúmeros violões, entre um atendimento e outro, compunha canções e sonhava com o estrelato. Pois bem. Seu objetivo começa a se concretizar agora, no início de 2020, com o lançamento de A Vida é Boa, seu álbum de estreia pela gravadora Universal Music, já disponível nas plataformas digitais e em breve também em CD.

Com 23 anos de idade, o cantor, compositor e músico catarinense chega forte à cena do pop nacional, com uma mistura ensolarada e solta de folk, r&b, rock e MPB pontuada por sua voz extremamente agradável e doce.

A temática romântica prevalece nas letras, mas com o claro objetivo de fugir dos lugares comuns. Ele explica sobre suas influências, e também sobre a comparação que fazem da sua voz com a de Cassia Eller, em alguns momentos:

“Acho que essa comparação com a Cassia é mais por causa da música Tua Canção Preferida, as pessoas sentem uma semelhança. Tenho muita influência do Nando Reis, às vezes me sinto amigo pessoal do Nando ao ouvir as suas músicas,mesmo não o conhecendo. Ouço muito rock and roll e música internacional também, além de curtir Anavitória, Tiago Iorc e Outroeu”.

Antes de decidir mergulhar de vez no mundo da música, Behr estudou (finalizou o segundo grau), trabalhou em uma fábrica e depois na loja de instrumentos musicais, onde ficou por quase três anos. “Aos poucos, fui criando coragem, gravando algumas das minhas músicas e jogando na internet. Sentia insegurança de sair da loja, mas há dois anos decidi me dedicar de vez à carreira musical, um desejo que, na verdade, sempre tive”, relembra.

O passado encontrou o presente na semana passada, quando o artista fez uma audição do álbum na mesma loja, momento no qual aproveitou para rever amigos. Aliás, a seleção de músicas de A Vida é Boa foi um belo desafio encontrado por ele e os produtores Juliano Cortuah e Fernando Lobo.

“Tenho mais de 150 composições, e escolhemos apenas 11. Procurei selecionar músicas que refletissem a diversidade daquilo que eu faço, todas entregam quem eu sou em termos musicais. Não é só dançante, só reflexivo, tem um pouco de tudo, falando de amizade, amor etc. Falo sobre histórias de verdade, de coisas que vi dos outros ou de mim”.

A faixa A Vida é Boa Com Você é a primeira a ser divulgada com um videoclipe, já disponível e um dos pontos altos do álbum ao lado de Santa Vaidade, O Quadro, Bem Que Te Avisei, Tua Canção Preferida e Girassol.

Ao contrário de alguns colegas de geração, Bryan Behr acha importante lançar seus trabalhos em versões físicas, embora admita que as coisas mudaram bastante na forma de se ouvir e comercializar música hoje em dia:

“Antes, a gente lançava música pelos discos físicos. Hoje, acho que há uma mudança total nisso, as músicas são distribuídas na internet. Vamos lançar o disco físico como uma lembrança que as pessoas levam para casa, com elementos que você só encontrará lá, no encarte, por exemplo. O disco físico sempre terá algo a mais e exclusivo. Os formatos físicos na música ocuparão outro lugar, não é para ouvir, necessariamente”, teoriza.

A Vida é Boa Com Você (clipe)- Bryan Behr:

DJ Victor Lou mostra vertente eletrônica da música goiana

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Por Fabian Chacur

É inevitável associar imediatamente Goiânia à música sertaneja. E não é para menos, pois a capital do estado de Goiás revelou dezenas, provavelmente centenas de nomes de sucesso desse gênero musical. Mas, obviamente, não é o único com bons representantes naquela cidade do centro-oeste brasileiro. A música eletrônica, por exemplo, anda se destacando. O bem-sucedido DJ Illusionize é de lá, e outro nome de destaque é o DJ Victor Lou. Este último, com cinco anos de estrada, será uma das atrações do Lollapalooza 2020, escalado para se apresentar no palco Perry By Doritos no dia 4 de abril em São Paulo.

Paulo Cardoso (seu nome de batismo), que também é conhecido pelo apelido Shark, teve em Back seu primeiro sucesso, em 2014. A partir daí, mergulhou de cabeça na carreira de DJ, produtor e compositor, e teve diversos outros hits, entre os quais o remake de Suavemente e a envolvente Untitled.

Ele está se destacando no cenário internacional, também, com direito a ter tocado na Rússia durante a Copa do Mundo de Futebol em 2018 e agora nos EUA, com apresentações em Orlando, Washington e Arizona. De quebra, ainda lançou a música Walking In Chicago pela gravadora do badalado produtor, DJ e remixer holandês Martin Garrix, a STMPD Records. Ele fala sobre esses e outros temas em entrevista concedida via e-mail.

MONDO POP- Como você descobriu a música eletrônica, especialmente morando na capital nacional da música sertaneja?
DJ VICTOR LOU
– Eu sempre gostei muito de música em geral, e como sabemos, Goiânia é uma cidade que respira sertanejo. Decidi conhecer raves e no início de tudo frequentei a Playground por exemplo. Ali foi tipo um ‘start’.

MONDO POP- Quais são os artistas que mais te influenciaram e dos quais você gosta mais, no universo da música eletrônica?
DJ VICTOR LOU
– Com certeza a maior referência no inicio da minha carreira é o Illusionize, porque além de amigo, é um exemplo de pessoa. Eu vi de perto a evolução de sua carreira. Outros que posso citar são Vintage Culture, Breaking Beattz, KVSH e Visage. Tem uma galera muito boa vindo aí, como Mochakk, Sterium, KZN, Cour T, Dual Channels e Fluxzone são alguns desses nomes.

MONDO POP- Como foi que você compôs a música “Back”? Você esperava que a repercussão fosse tão grande?
DJ VICTOR LOU
– Eu fiz do mesmo jeito que eu faço todas as minhas músicas até hoje. Me tranco dentro do estúdio e a ideia flui a partir dali. O resultado foi a consequência desse trabalho.

MONDO POP- Como foi a experiência de tocar durante a Copa do Mundo da Rússia em 2018? Para que tipo de público você tocou por lá?
DJ VICTOR LOU
– Foi minha primeira turnê internacional como DJ, e chegando lá todos sabiam quem eu era pelos meus lançamentos na Bunny Tiger, inclusive sabiam quase todas as minhas músicas. Eu toquei para torcedores do mundo inteiro, foi uma grande experiência pra mim.

MONDO POP- Como você seleciona o set list das suas apresentações ao vivo, e como faz para encaixar suas músicas próprias com a de outros artistas?
DJ VICTOR LOU
– Tento ao máximo sentir o feeling da pista a cada show, isso contribui muito para a seleção das músicas ao vivo.

MONDO POP- Qual a sua expectativa de tocar no Lollapalooza em São Paulo, evento no qual a música eletrônica tem crescido a cada ano? Como será o seu set list?
DJ VICTOR LOU
– Certamente a música eletrônica vem tendo cada vez mais espaço em festivais pelo país e pelo mundo. Isso é muito bom para nossa cena. Tocar no Lolla é o ápice da carreira de qualquer artista. Estou feliz em poder fazer parte desse line up, com DJs e artistas do mundo inteiro. Sobre o set list, estou preparando uma surpresa para o público.

MONDO POP- Os shows de música eletrônica hoje encaram locais abertos e com grandes públicos. Como você se prepara para encarar plateias tão grandes, e que tipo de estratégias usa para cativar esse público?
DJ VICTOR LOU
– Eu sou um cara que não crio muita expectativa. Gosto de ser surpreendido. É claro que um show para 200 pessoas é diferente de um show para 20 mil pessoas. Mas a vontade de entregar o meu melhor é igual nas duas situações. Não existe muita estratégia. Eu chego lá e dou o meu melhor.

MONDO POP- Fale um pouco sobre sua amizade e parceria com o DJ Illusionize, o primeiro DJ goiano a tocar no Lollapalooza.
DJ VICTOR LOU
– Conheço o Pedro há muito tempo, somos amigos antes de tudo. Ele sempre me incentivou e puxou meus limites musicais. O Illusionize “meio que abriu o caminho” para que outros artistas goianos pudessem aparecer para o Brasil.

MONDO POP- Quantas músicas próprias você já tem, e quais classifica como as melhores?
DJ VICTOR LOU
– Incontáveis. Toda semana produzo algo novo, mas as que mais marcaram época foram Untitled, This Is House, Suavemente e Work.

MONDO POP- Existe uma cena forte de música eletrônica em Goiânia?
DJ VICTOR LOU
– Com certeza. Goiânia é uma cidade que tem muitos talentos e vem se tornando um expoente forte do cenário atual de música eletrônica.

MONDO POP- Diga a importância da internet e das redes sociais na divulgação do seu trabalho.
DJ VICTOR LOU
– No meu Instagram, eu costumo compartilhar vídeos das minhas apresentações, fotos, datas de turnês, momentos da minha rotina e também divulgo meu trabalho e os de outros artistas. Além disso, utilizo o Twitter, que é uma boa ferramenta de aproximação com os meus fãs. Acho importante ter essa proximidade.

MONDO POP- Hoje, vários DJs, como o Alok, fazem parcerias com artistas de outros segmentos, o chamado crossover. Você pretende investir em alguma parceria desse tipo? O que acha dessa estratégia?
DJ VICTOR LOU
– No momento, não posso comentar sobre parcerias.

MONDO POP- Você pensa em lançar suas músicas em algum formato físico, do tipo CD ou vinil?
DJ VICTOR LOU
– Quem sabe no futuro em vinil, seria um sonho.

MONDO POP- Quais são seus outros projetos para 2020 além da turnê americana e da participação no Lollapalooza?
DJ VICTOR LOU
– Existem muitas ideias e projetos a serem executados este ano, mas prefiro não comentar sobre isso no momento. Minha assessoria e agência estão trabalhando nisso.

Untitled– DJ Victor Lou:

Xamã usa filmes clássicos como mote para álbum O Iluminado

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Por Fabian Chacur

Para quem pensa que a cena musical do Rio de Janeiro só se dedica ao funk carioca no momento, vale conferir o trabalho de Xamã. O rapper carioca vê sua popularidade crescer de forma constante graças à ótima repercussão de seu álbum de estreia, Pecado Capital (2017) e também ao lançamento de vários singles e colaborações com outros artistas. Inquieto, ele lança nesta quinta (12) nas plataformas digitais um novo álbum, O Iluminado, lançamento da gravadora independente Baguá Records.

O novo trabalho do artista carioca de 30 anos que foi vendedor ambulante antes de mergulhar no mundo da musica tem como inspiração alguns de seus filmes favoritos, entre eles o que dá nome ao álbum, clássico de 1980 estrelado por Jack Nicholson. Como forma de anteceder o lançamento, a música Um Drink No Inferno foi divulgada com clipe gravado em Paris e dirigido por Dauto Galli.

“Gravamos esse clipe em Paris em apenas uma noite. Eu não conhecia a cidade, e foi uma experiência muito boa. Esse filme Um Drink no Inferno (de Robert Rodriguez e com roteiro de Quentin Tarantino) marcou a minha vida, assim como todos os outros que inspiraram as canções do meu novo álbum”, explica o artista.

O álbum conta com a participação do rapper Rio Santanna, dos cantores Luccas Carlos e Filipe Ret, de Major RD e da cantora Agnes Nunes. “Criei um ambiente próprio para cada música, e encaixei os convidados em função disso, em função do que cada uma dessas música pedia”, explica.

Além desse clipe para ilustrar uma música do disco (virão outros em breve), temos também um curta-metragem de quase 11 minutos no qual Xamã dá vasão ao seu lado ator, recriando cenas de filmes como Pulp Fiction- Tempo de Violência e Taxi Driver (veja aqui).

Aliás, se há algo que impulsiona esse artista carioca é a possibilidade de expandir seus horizontes musicais e culturais. “Você precisa criar conteúdos criativos, criar uma demanda, mostrar coisas novas para as pessoas, instigar a curiosidade do público; acho isso da hora, pois quem fica é quem cria algo novo, como Black Allien, o Cazuza, o Mano Brown”, reflete.

Se a qualidade é um item fundamental para Xamã, a quantidade também tem sua importância. “Hoje, você precisa injetar conteúdos novos o tempo todo, é uma engrenagem que nunca para; além de álbuns, já lancei diversos singles, fiz colaborações, investi em estilos diferentes como rap, trap, rock, r&b”.

Aliás, ele continua acreditando no formato álbum, tanto que O Iluminado terá, além da versão digital, uma tiragem limitada em vinil, prevista para sair daqui a dois meses. “Nesse álbum, por exemplo, reuni canções com potencial de single que seguem um tema, que é o cinema, elas se encaixam, fazem uma sequência legal; você distrai o público com o seu flow e informa através das letras”.

Na hora de mostrar ao vivo as músicas que cria, Xamã também não se restringe a uma única possibilidade. “No Rock in Rio, por exemplo, eu me apresentei no Espaço Favela rock com banda, e também faço shows com DJs, com DJs e MCs e também em formato acústico, são vários formatos diferentes”.

Para ele, o conturbado momento político e social que o Brasil passa atualmente tem um lado positivo. “O Brasil vive um momento complicado, as pessoas vivem uma crise de personalidade, não sabem no que acreditar, é um caos de informações desencontradas e em grande quantidade; mas sempre que o Brasil passa por fases assim, as artes ajudam a nos encaminhar para um rumo melhor, o importante é cada um trabalhar, fazer a sua parte”, finaliza.

Um Drink no Inferno (clipe)- Xamã:

Os Caras e Carol mostram a força do novo pop-rock feito no Brasil

os caras e carol foto guto costa-400x

Por Fabian Chacur

Para aqueles que insistem em dizer que o rock morreu, e que o rock brasileiro morreu ainda mais, vale conferir o trabalho de várias bandas da nova geração. Entre elas, certamente deve ser incluída Os Caras e Carol, quarteto carioca com quatro anos de estrada e cujo primeiro álbum, Coisas da Vida, já está disponível nas plataformas digitais pela Universal Music. Formatos físicos devem vir na sequência, para felicidade de quem prefere ouvir música assim.

Formada por Carolina Coutinho (vocal), Leonardo Maciel (baixo), João Loroza (guitarra) e Ruvício Santos (bateria), o grupo investe em um pop-rock vigoroso, com direito a letras incisivas e poéticas e uma sonoridade que remete a influências das décadas de 1970 e 1980. Além de consistente repertório próprio, também releem canções alheias em seus shows. Uma delas, You Don’t Know Me, de Caetano Veloso, integra o álbum Coisas da Vida.

Em entrevista feita por telefone no esquema viva-voz, Mondo Pop buscou saber um pouco mais sobre essa promissora formação do pop-rock brazuca do século XXI, mais uma prova de que, sim habemus rock do bom de novas safras. O grupo se prepara para tocar em um novo espaço, a Highway Stage, no Rock in Rio, nos dias 27, 28 e 29 deste mês e 3,4 e 5 de outubro.

MONDO POP- Como surgiu o grupo, e como se deu o seu direcionamento em termos musicais?
CAROLINA COUTINHO
– A gente se conheceu na Escola de Atores Wolf Maya, no Rio, em 2015. No início, queríamos montar um musical, mas logo percebemos que seria mais lógico montar uma banda. Cada um de nós tem influências próprias, mas quando começamos a tocar juntos, o pop-rock surgiu como um idioma comum a ser explorado.
LEONARDO MACIEL– Nossas referências musicais tem a ver com os anos 1970 e 1980, e até um pouco dos anos 1960, de bandas como Fleetwood Mac, Beatles, Paralamas do Sucesso, Frejat, Queen e o rock clássico. O rock surgiu para nós durante os ensaios, e vimos que o pop-rock é a nossa cara enquanto banda.

MONDO POP- Porque vocês assinaram com uma grande gravadora, em um momento no qual muitos artistas tem optado pela via independente, e o que acham dessa coisa de “o rock morreu” que alguns tentam impor ao público?
CAROLINA COUTINHO
– Nossa história com a Universal Music começou há um ano e meio, quando começamos a nos estruturar, após um início independente com a música Cabelo (veja o clipe aqui). É uma experiência diferente, a Universal Music está nos dando um apoio muito bom. Dizem que o rock morreu, mas tem muita gente boa fazendo pop-rock no Brasil, é um segmento que está crescendo. A música é cíclica, a cena musical é cíclica, as coisas vão e voltam.

MONDO POP- A música O Que Será de Nós? tem uma letra muito afinada com o que vivemos atualmente no Brasil e no mundo, um tempo de dúvidas e de muita insegurança. Falem um pouco de como surgiu essa canção tão forte.
CAROLINA COUTINHO
– O que me assusta em relação a O Que Será de Nós? é que naquele instante de 2016, quando a compusemos, eu sentia aquilo, mas era o registro de um momento particular. Desde então, parece que toda hora acontece algo novo que nos leva a reforçar essa questão de como será o nosso futuro, de como será o futuro de todas as pessoas.
JOÃO LOROZA– Tem a ver com falar de angústias de um país recente, tipo Que País É Esse, da Legião Urbana.

MONDO POP- Existe uma diferença de aproximadamente sete anos entre Carolina, Leonardo e Ruvício e João, diferença bastante grande se levarmos em conta a faixa etária de vocês, entre 19 e 25 anos. Como rolou essa parceria?
CAROLINA COUTINHO
– Idade é apenas um rótulo, nossa amizade vai além disso. O João entrou na banda quando tinha apenas 15 anos, e isso nunca atrapalhou nada, pelo contrário. Essas diferenças de idade nos completam, pois cada um tem as suas referências.

MONDO POP- Como surgiu a ideia de regravar You Don’t Know Me, do Caetano Veloso (faixa do álbum Transa, de 1972)? Vocês cantam outras composições alheias em shows?
CAROLINA COUTINHO
– Essa música entrou em nosso repertório logo em nossos primeiros shows. Cada um de nós se identificou com uma parte específica da música. O legal é que o Caetano aprovou essa nossa releitura. Em nossos shows normais, também tocamos Kiwi, do Harry Stiles (do grupo One Direction) e Old Town Road, do rapper Lil Nas X.

MONDO POP- Como surgiu o convite para tocar no Rock In Rio, e como serão essas suas apresentações?
CAROLINA COUTINHO
– A confirmação da nossa entrada no festival foi quando eu já tinha até comprado ingresso para o festival! Será em um espaço novo no evento, que ficará logo na entrada. Tocaremos músicas dos anos 1960,1970 e 1980, além das nossas. Será um set list criado especialmente para esse evento, que estamos ensaiando há meses, com músicas de Pink Floyd, Creedence Clearwater Revival, Rita Lee, Paralamas do Sucesso e outros, em quatro sets de 30 a 40 minutos cada, por dia.

MONDO POP- João, qual o seu parentesco com o consagrado ator,cantor, compositor e humorista Serjão Loroza? Perdoe a minha ignorância, mas não encontrei a resposta para essa dúvida nas pesquisas que fiz.
JOÃO LOROZA
– Eu sou filho do cara! (risos)

MONDO POP- Coisas da Vida está sendo lançado inicialmente apenas no formato digital. Como vocês encaram essa questão dos formatos físicos e digitais? Acham importante lançar também em CD e LP de vinil esse álbum?
LEONARDO MACIEL
– Achamos importante ter o formato físico também, pois nem todos tem acesso ao digital. Tocar nossas músicas em rádio também é importante, é legal ter esse diálogo entre os diversos formatos, pois dessa forma você consegue atingir públicos diferentes. Pretendemos lançar em CD promocional e possivelmente em vinil.

MONDO POP- Como foi a concepção do álbum, que traz sete faixas próprias, a releitura do Caetano e um remix (de Cabelo)?
LEONARDO MACIEL
– Gravamos essas músicas em etapas. Inicialmente, nossa ideia era fazer um EP, mas o projeto se expandiu até chegar ao formato definitivo, com essas nove faixas.

MONDO POP- Em shows, vocês tem músicos adicionais?
CAROLINA COUTINHO
– Sim. Tocam conosco o Mauricio Pacheco (guitarra) e o Rodrigo Braga (teclados).

MONDO POP- Quais seus próximos projetos?
LEONARDO MACIEL
– Estamos lançando um novo clipe de outra faixa do álbum, a música Até Amanhã (veja aqui). Depois do Rock in Rio, continuaremos a divulgar o álbum, com shows próprios.

O Que Será de Nós? (clipe)- Os Caras e Carol:

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