Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Category: Notícias (page 1 of 143)

Elza Soares e Flávio Renegado em Negão Negra, vigorosa parceria

elza soares e flavio renegado single

Por Fabian Chacur

Aos 90 anos de idade, completados no último dia 23 de junho, Elza Soares se mostra mais ativa do que nunca. Após a ótima repercussão por parte de público e crítica de seu álbum mais recente, Planeta Fome (2019), essa verdadeira diva da música brasileira vêm lançando novos singles. Este ano, tivemos Juízo Final (Elcio Soares e Nelson Cavaquinho) e Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), belas releituras de clássicos da nossa música. Agora, é a vez de uma canção inédita.

Tratas-se de Negão Negra, composta pelo hitmaker Gabriel Moura em parceria com o incrível rapper mineiro Flávio Renegado. E coube ao segundo a honra de gravar a canção em parceria com Elza:

“Essa música é um presente do início ao fim. Tanto por compor ao lado desse gigante chamado Gabriel Moura quanto pelo prazer indescritível de fazer um dueto com a Voz do Milênio. Elza é a síntese de tudo pelo o que luto e acredito; uma mulher preta que sempre lutou e nunca se deixou calar e conseguiu chegar lá. Essa música é o meu hino, uma prece, uma conexão direta com meus irmãos e os nossos ancestrais”, comentou Renegado.

O clipe, dirigido por Pablo Gomide, mescla registros das gravações da música com cenas que ilustram o tema anti-racista da canção, tornando-a um forte libelo positivo e de quebra de paradigmas negativos.

“Estamos atravessando um momento chato, mas lutamos contra esse horror do preconceito racial. Para isso canto uma música que fala lindo de nossa Mãe África, uma mamãe preta. O Flávio Renegado é bom demais e pedimos atenção à letra da música: uma letra que deixo ‘modernona’ ao meu jeito”, diz Elza.

Veja o clipe de Negão Negra, com Elza Soares e Flávio Renegado:

Pit Passarell grava a sua canção O Mundo, hit com o Capital Inicial

pit passarell-400x

Por Fabian Chacur

Há 35 anos, o grupo Viper surpreendeu a cena do heavy metal paulistano, com quatro adolescentes mostrando um potencial incrível, que nos anos seguintes não só se desenvolveria como também os levaria a ganhar fãs no Brasil e no exterior. Seu baixista e posteriormente também cantor, Pit Passarell, nascido em Buenos Aires e criado no Brasil, mostra pela primeira vez um trabalho solo. É o single O Mundo, uma boa, vigorosa e significativa amostra do álbum que lançará no dia 28 de agosto em formatos físico e digital pelo selo Wikipedia em parceria com a ForMusic.

Para quem não sabe, Pit, além de integrar o Viper, também teve uma série de composições de sua autoria gravadas pelo Capital Inicial. A primeira delas foi precisamente O Mundo, o mair hit extraído do álbum da banda de Brasília intitulado Atrás dos Olhos (1998), que marcou o retorno do vocalista Dinho Ouro Preto ao time após seis anos se dedicando a outros projetos. A releitura de Pit é repleta de energia e estilo e agrada em cheio.

Seus Olhos, Depois da Meia-Noite, Algum Dia e Instinto Selvagem foram outras canções dele gravadas pelo grupo dos irmãos Fê e Flávio Lemos. Vale lembrar que Yves Passarell, irmão de Pit e um dos fundadores do Viper, entrou em 2001 no Capital Inicial na vaga de Lôro Jones, onde se encontra até hoje. Fica a expectativa para esse primeiro trabalho de Pit sem o Viper.

O Mundo– Pit Passarell:

Keith Urban lança Superman e promete álbum para setembro

keith urban 400x

Por Fabian Chacur

O cantor, compositor e músico Keith Urban é um bom exemplo de como a miscigenação sonora pode dar ótimos resultados. Nascido na Nova Zelândia e criado na Austrália, ele vingou no cenário country, mas não seguindo rumos tradicionalistas. Seu mix de influências deu a ele uma sonoridade própria, original e bastante pop. Um bom exemplo é seu mais recente single, Superman, amostra do álbum que a Universal Music lançará em 18 de setembro com o título The Speed Of Now Part 1.

Superman é um daqueles pop-rock dançantes bem solares, que grudam no seu ouvido em questão de segundos e ajudam a dar um astral mais positivo a qualquer ambiente pesado. O clipe que a divulga é delicioso, no qual o cantor radicado desde 1992 em Nashville, Tennessee (EUA) interage com animações bem bacanas. Tem tudo para ser um dos hits mais legais deste maluco 2020.

Urban começou a se destacar na cena country e pop ianque em 2002, quando seu quarto álbum, Golden Road, atingiu o 11º lugar nos EUA. Be Here (2004) o levou pela primeira vez ao topo dos charts de country music, enquanto Defying Gravity (2009) foi ainda além, chegando ao topo da parada pop de álbuns da Billboard. Desde então, ele se mantém em alta, com direito a cinco Grammys.

Além de ter um trabalho consistente, ele também gravou e fez shows com astros do porte de Sheryl Crow, Nelly Furtado, Dolly Parton, Post Malone, Taylor Swift, Nile Rodgers, John Mayer, Keith Richards e Eric Church. Ele se casou em 2006 com ninguém menos do que Nicole Kidman, com quem teve duas filhas.

Superman (clipe)- Keith Urban:

Alex Kapranos relê clássico dos anos 1960 com Clara Luciani

alex kapranos summer wine single 400x

Por Fabian Chacur

O cantor, compositor e músico escocês Alex Kapranos, vocalista da banda Franz Ferdinand, aproveitou bem sua quarentena gerada pela pandemia do novo coronavírus. Ele se uniu à cantora francesa Clara Luciani para, juntos, relerem um clássico dos anos 1960. Trata-se de Summer Wine, canção do cantor e compositor country americano Lee Hazelwood gravado por ele em 1967 em um dueto com a cantora Nancy Sinatra, filha de vocês sabem quem.

A primeira vez em que Kapranos e Luciani interpretaram essa música ocorreu durante um show dela no icônico Olympia, em Paris, e o resultado agradou tanto que ficou no ar a possibilidade de um registro em estúdio. Kapranos explica:

“Quando a quarentena começou, nós decidimos gravá-la – mais para nós que para qualquer outra coisa. Queríamos criar uma atmosfera de um mundo imaginário longe do confinamento que estávamos vivendo. Não que estivéssemos infelizes, mas a imaginação é o maior meio de escape e aventura. Foi gravada na minha casa na Escócia e mixada por nossos amigos Antonie e Pierre no estúdio em Paris. Quando tocamos para os nossos selos eles sugeriram um lançamento, então, aí está o single”.

Clara é uma das mais badaladas cantoras da nova geração do pop francês, e, graças à boa repercussão de seu bastante elogiado álbum Sainte-Victoire (2018), ganhou o prêmio Victories de La Musique (uma espécie de Grammy da França) como artista feminina este ano.

Summer Wine voltou às paradas de sucesso em 2017 em sua gravação de 1967 (ouça aqui) ao ser utilizada em um comercial de uma loja de departamentos de cunho mundial. A composição de Lee Hazelwood já foi regravada inúmeras vezes, incluindo versões com Demis Roussos e Nancy Boyd, The Corrs e Bono, Evan Dando e Sabrina Brooke e Lana Del Rey e Barrie-James O’Neill, para citar algumas das releituras mais conhecidas.

Summer Wine (clipe)- Alex Kapranos e Clara Luciani:

Renato Barros, grande guitarrista compositor e autor de versões

renato barros-400x

Por Fabian Chacur

Renato Barros prestou grandes serviços ao rock brasileiro. Guitarrista, compositor, autor de versões, vocalista, esse artista carioca foi um dos nomes mais produtivos e importantes para a consolidação desse estilo musical no Brasil, especialmente nos anos da Jovem Guarda. Ele infelizmente nos deixou nesta terça-feira (28) aos 76 anos de idade. Ele estava internado desde o dia 17 na UTI do Hospital das Clínicas no bairro carioca de Jacarepaguá, onde teve de ser operado do coração, e problemas pulmonares o vitimaram.

Nascido no Rio de Janeiro no dia 27 de setembro de 1943, Renato criou um grupo musical com os irmãos Ed Wilson e Paulo Cesar Barros em 1959, inicialmente com o nome Os Bacaninhas do Rock da Piedade, em homenagem ao bairro no qual moravam. Algum tempo depois, foram batizados como Renato e Seus Blue Caps, inspirados na banda que acompanhava um dos grandes astros da era inicial do rock, Gene Vincent, do hit Be Bop a Lula.

Ed Wilson saiu da banda logo em sua fase inicial para investir em uma carreira-solo. Em 1963, o autointitulado segundo álbum da banda trazia como vocalista e guitarrista-base ninguém menos do que o então ainda desconhecido Erasmo Carlos, que logo saiu fora. As coisas começaram a andar para a banda quando assinaram com a gravadora CBS. Lá, não só participaram de discos de artistas como Roberto Carlos como passaram a lançar seus próprios trabalhos.

Uma das marcas registradas do grupo carioca foi o fato de gravarem inúmeras versões de músicas dos Beatles, então invadindo as paradas de sucesso de todo o mundo. Algumas delas fizeram mais sucesso no Brasil com eles do que com os Fab Four, entre as quais Menina Linda (I Should Have Known Better) e Feche os Olhos (All My Loving), estas com letras em português de autoria de Renato. Lilian Knapp e Rossini Pinto assinaram outras versões gravadas pela banda.

Um dos grandes méritos de Renato e Seus Blue Caps era a qualidade técnica de suas gravações, podendo ser considerados um dos primeiros grupos de rock no Brasil a conseguir um som à altura dos americanos e ingleses, e a guitarra personalizada de Renato era marcante nesse coquetel sonoro.

O talento de Renato Barros como compositor também era dos melhores. Roberto Carlos gravou composições dele como Você Não Serve Pra Mim, O Feio (em parceria com Getúlio Côrtes), Não Há Dinheiro Que Pague, Maior Que o Meu Amor e Você Não Sabe o Que Vai Perder.

Em parceria com a amiga Lilian Knapp, ele escreveu Devolva-me, grande sucesso nos anos 1960 com Leno & Lilian e, décadas depois, na inspirada releitura de Adriana Calcanhoto. Outros artistas que gravaram composições de Renato foram Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Wanderléa e Erasmo Carlos.

Os discos de Renato e Seus Blue Caps marcaram época e anos depois continuaram sendo valorizados entre os apreciadores de rock. Não só os brasileiros, por sinal. O jornalista, crítico e pesquisador musical Ayrton Mugnaini Jr., por exemplo, disse que vários colecionadores internacionais iam atrás desses LPs, sendo que eles definiam a banda, de forma muito feliz, por sinal, como “folk rock from Brazil”, na linha dos americanos Byrds.

Além das músicas dos Beatles, Renato e Seus Blue Caps também investiram em versões em português para hits de outros artistas, como The Mamas And The Papas (California Dreamin’Não Te Esquecerei) e Gerry And The Pacemakers (It’s Gonna Be All RightVocê Não Soube Amar). Eles também gravaram composições de um certo Raulzito, antes de ele estourar como Raul Seixas.

A partir dos anos 1970, o sucesso comercial da banda teve uma queda, embora vez por outra emplacassem hits como Será Mentira ou Será Verdade? (versão de Será Mentira O Será Verdad, de Salvador Bellone), de 1972. Renato também atuou como produtor de artistas populares do cast de sua gravadora.

Em 1981, Renato e Seus Blue Caps lançam seu último álbum de carreira pela CBS. A partir desse momento, passaram a lançar discos de forma muito mais esparsa, mas nunca saíram da estrada, fazendo shows pelos quatro cantos do país, com variáveis formações, mas sempre com o líder Renato em cena. Curiosidade: ele lançou em 1972 um disco como Richard Brown And His Orquestra, cantando hits alheios em inglês.

Até o Fim (You Won’t See Me)– Renato e Seus Blue Caps:

Robert Plant lançará coletânea com três gravações inéditas

robert plant capa 400x

Por Fabian Chacur

Uma das ocupações que Robert Plant vem tendo nos últimos tempos é apresentar Diggin Deep With Robert Plant, podcast com novos episódios disponibilizados a cada duas semanas nas quais ele toca músicas de várias fases de sua carreira-solo e conta histórias sobre suas gravações. Como forma de ter um produto ligado ao projeto, a Warner Music programa para o dia 2 de outubro nas plataformas digitais o lançamento da coletânea Diggin Deep: Subterranea, cujo formato CD duplo ainda não está confirmado para o mercado brasileiro.

Trata-se de uma viagem pelos 11 álbuns-solo do ex-cantor do Led Zeppelin. São 30 faixas, sendo três delas gravações inéditas. Charlie Patton Highway (Turn It Up- Part 1) é a primeiras a ser divulgada de Band Of Joy Volume 2, álbum que Plant promete lançar em um futuro não muito distante.

Nothing Takes The Place Of You, do artista de Nova Orleans Toussaint McCall, é um clássico do soul já gravado por ele e por artistas do calibre de Al Green, Brook Benton, Isaac Hayes, Joss Stone e Tab Benoit. Fecha o trio de novidades a releitura de Too Much Alike, de Charley Feathers, que ele interpreta em dueto com a cantora folk americana Patty Griffin.

Entre o repertório selecionado, lamente-se a ausência da sensacional Tall Cool One, lançada em 1988 no álbum Now And Zen e na qual ele contava com a participação do ex-colega de Led Zeppelin Jimmy. De resto, temos ótimas faixas na compilação, como Hurting Kind, Ship Of Fools e Heaven Knows.

Eis as faixas de Digging Deep:

1. Rainbow

2. Hurting Kind

3. Shine It All Around

4. Ship of Fools

5. Nothing Takes the Place of You *

6. Darkness, Darkness

7. Heaven Knows

8. In the Mood

9. Charlie Patton Highway (Turn It Up – Part 1) *

10. New World

11. Like I’ve Never Been Gone

12. I Believe

13. Dance with You Tonight

14. Satan Your Kingdom Must Come Down

15. Great Spirit (Acoustic)

16. Angel Dance

17. Takamba

18. Anniversary

19. Wreckless Love

20. White Clean & Neat

21. Silver Rider

22. Fat Lip

23. 29 Palms

24. Last Time I Saw Her

25. Embrace Another Fall

26. Too Much Alike (Feat. Patty Griffin) *

27. Big Log

28. Falling in Love Again

29. Memory Song (Hello Hello)

30. Promised Land

* Inéditas

Hurting Kind (clipe)- Robert Plant:

Luizinho Lopes, um cantor e compositor mineiro de primeira

Luizinho Lopes-400x

Por Fabian Chacur

Muitos músicos de grande talento são obrigados a dividir sua vocação com o trabalho em outras áreas para conseguir sobreviver. Este é o caso do cantor, compositor e músico mineiro Luizinho Lopes, que além das artes é graduado em engenharia e atua como funcionário público desde 1996. No entanto, ele soube conciliar as duas atividades e, dessa forma, criar uma obra rica, consistente e admirável, em seus mais de 40 anos na música.

Como forma de celebrar essas quatro décadas como músico, Luizinho lançou o álbum-vídeo Dossiê40, já disponível nas plataformas digitais e ainda sem previsão de lançamento em formatos físicos (uma pena!). Nessa longa e deliciosa entrevista concedida a Mondo Pop, ele viaja pela sua belíssima trajetória como músico e criador de um songbook que merece ser mais conhecido Brasil e mundo afora, por sua qualidade incontestável.

MONDO POP- Para começar, fale um pouco de como teve início a sua relação com a música, se sua família tem músicos, o que você ouvia quando era criança, quando começou a tocar e cantar etc.
LUIZINHO LOPES
– Comecei a cantar, em casa, desde muito cedo. Na década de 60 havia os grandes festivais de MPB. Meu pai adorava. Sempre um LP era lançado com as finalistas. Meu pai comprava e me dava de presente. Com seis, sete anos, eu já curtia Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano, Gil, Milton, Geraldo Vandré, Elis Regina, Agostinho dos Santos e muitos outros. Considero essa a minha primeira formação musical. Meu pai teve dois irmãos que eram músicos, um tocava flauta e saxofone e o outro chegou a ser maestro de banda de cidade do interior. Meu pai nasceu em São Pedro dos Ferros, zona da mata mineira, próximo a Ponte Nova. Comecei a tocar violão bem mais tarde aos 18 anos! Antes,fiz algumas músicas de ouvido. Escrever, comecei desde cedo. E lia muito.

MONDO POP- Você nasceu em Pirapora (MG), mas está em Juiz de Fora há muito tempo. Qual a influência dessas duas cidades em sua vida e, por tabela, na sua criação musical?
LUIZINHO LOPES
– Meu pai era bancário. Somos seis filhos. Eu sou o caçula. Meu pai foi transferido de Governador Valadares para Pirapora, onde chegou promovido a gerente do banco. Morou lá por uns sete anos. Nasci lá, mas quando a família mudou-se da cidade, eu tinha somente dois anos. Então, Pirapora nem chegou a exercer uma influência considerável em minha formação, não tenho lembranças de lá. Só mais tarde que retornei para conhecer. Posteriormente, meu pai foi transferido para Bom Jesus do Itabapoana, fronteira do estado do Rio com Espírito Santo, onde moramos por apenas três anos. De novo, meu pai foi transferido para Leopoldina, Minas, onde morei dos cinco aos treze anos. De Leopoldina meu pai foi para Juiz de Fora, onde se aposentou. Foi em Juiz de Fora que tudo começou para mim em relação à arte.

MONDO POP- Você é graduado em engenharia civil. Trabalha na área? Muitos músicos aceleraram seus contatos ao participar do meio universitário, isso também ocorreu com você?
LUIZINHO LOPES
– Foi Na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) que iniciei de forma a princípio amadora a minha carreira musical. Ganhei um violão de meu pai logo quando passei do primeiro para o segundo período(semestre) na Engenharia. Tinha acabado de completar dezoito anos. Uma tarde, após o almoço, estava de férias, fui para o meu quarto escutar um pouco de música, e logo depois, meu pai entrou e me disse que havia visto um violão “bonitinho” na vitrine de uma loja e pensou em me dar de presente, já que eu adorava música. Nessa época, meu pai já havia se aposentado, a diferença de idade dele para mim era de quarenta e dois anos, ele tinha sessenta anos, isso foi em 1977. Acabei convencido, e fui com ele até a tal loja. Quando cheguei com o violão em casa, por volta das duas e meia da tarde, tranquei-me em meu quarto e comecei a tocar. Lá pelas oito da noite, meu pai bateu na porta, e assim que entrou, foi logo comentando: “Meu filho, você está aqui trancado sem sair desde quando chegamos da rua, se soubesse que seria assim, nem teria tido a ideia de dar um violão pra você. Você não saiu nem pra ir ao banheiro ou tomar água. Não é possível, dê um tempo. Vá comer alguma coisa. O que você fez esse tempo todo? Que eu saiba, você nunca havia tocado violão antes”. E eu respondi: “Fiz uma música. Quer ouvir?”… Daí em diante, na atmosfera da UFJF, sem dúvida, adquiri muitos contatos. Estávamos em plena ditadura militar, sentíamos necessidade de estar juntos, cantar juntos, como se isso nos protegesse contra o
medo e a censura. E hoje afirmo com certeza, foi o grande aprendizado que carreguei para a minha vida, não só artística.

MONDO POP- Fale um pouco de como foi a experiência como integrante do grupo Vértice, como surgiu, quanto durou, se gravou algo, e porque acabou. Ainda tem contato com seus ex-integrantes?
LUIZINHO LOPES
– O Vértice surgiu em 1979. Inicialmente eram sete integrantes, quatro estudantes de engenharia, um de economia, um de farmácia e outro que cursava medicina. O nome Vértice foi dado, obviamente, por um estudante de engenharia, na época, o que era o melhor músico do grupo, o Thadeu Grizendi. Todos homens na primeira formação. Com o tempo, chegaram duas cantoras: Andréa Gomes (hoje, Monfardini) e Lúcia Neves. O auge do Vértice foi a participação no programa Som Brasil da TV Globo, em dezembro de 1981. Na época o programa era comandado por Rolando Boldrin. Gravamos três músicas, uma instrumental, “Sete Lenços”, composta pelo Thadeu Grizendi e por Edson Zaghetto, que fora o último a entrar no grupo, “Vice-Versa” e “Chaminés”, ambas de minha autoria, letra e música. O programa foi ao ar em janeiro de 1982, mas a instrumental foi cortada, somente as minhas duas músicas foram apresentadas no programa. Meses mais tarde, descobrimos que “Sete Lenços” estava sendo usada como fundo de uma propaganda da Secretaria de Agricultura do estado de São Paulo. Nós éramos muito ingênuos, pedimos só para que a música fosse extraída da propaganda. A nossa apresentação repercutiu bastante. Fomos convidados a fazer diversos shows. O Grupo Vértice realizou dois shows oficiais em teatro, o “Sem Fronteiras”, em 1981 e o “Via Luz”, em 1982, ambos em Juiz de Fora. O grupo acabou no final de 1982. A maioria dos integrantes formou-se na Universidade e partiu para a vida profissional. Também me formei no fim de 1982, mas resolvi partir para a música. Em 1983, fiz o primeiro show, já fora do Vértice, com a cantora Andréa Gomes, chamado “Hóstia da Noite”.

MONDO POP- Você está celebrando 40 anos de carreira. Qual é o marco inicial, a partir do qual você conta essas quatro décadas?
LUIZINHO LOPES
– O marco inicial é 1978, ano em que comecei a me apresentar cantando tão somente canções de minha autoria, no palco do Anfiteatro do ICBG (Instituto de Ciências Biológicas) na UFJF, em um projeto que se chamava Som Aberto, com edições que aconteciam todos os sábados, a partir das dez da manhã. O show “DOSSIÊ40” foi gravado em dezembro de 2018, completando justamente estes quarenta anos. DOSSIÊ40 foi lançado somente em 2020. Em 2019, gravei e lancei um outro álbum, “Pé de Letras”, o que acabou atrasando o lançamento de “DOSSIÊ40”.

MONDO POP- Seu primeiro álbum, Nem Tudo Que Nasce é Novo, saiu em 1990, quando você já tinha por volta de uma década de estrada. Quais as dificuldades para conseguir, enfim, concretizar esse disco, e na sua opinião porque demorou tanto tempo para realizar esse sonho?
LUIZINHO LOPES
– Na época, era muito mais difícil gravar um disco do que hoje. Os custos eram bem mais elevados e eu vivia, na ocasião, somente da música, tinha poucos recursos e o “Nem Tudo Que Nasce É Novo” foi um disco feito de forma independente. Tive uma ideia que pus em prática e que possibilitou a gravação do meu primeiro disco: um vale-disco, em que a pessoa comprava o LP de forma antecipada. Deu certo, vendi cerca de trezentos vales assim.

MONDO POP- Qual a importância na sua trajetória de participar de festivais? Lembre-se de algumas experiências nessa área que você considere as mais significativas em termos de repercussão.
LUIZINHO LOPES
– Participei de diversos festivais, como integrante do Vértice e de forma individual. Os mais marcantes foram os festivais do TUCA, em São Paulo (SP), em 1982, em Porto Alegre(RS) e Ouro Preto(MG), ambos em 1983, no Festival Nacional do Carrefour, semifinal em Uberlândia(MG), em 1992, e no Musicanto, em Santa Rosa (RS), festival de música latino-americana, em que faturei o segundo lugar com a música “Lume” numa interpretação antológica do grande cantor paulistano Renato Braz, acompanhado pelo maestro Roberto Lazzarini ao piano, e por mim no violão. O prêmio neste festival trouxe uma grande visibilidade, que contribuiu muito para a expansão de meu trabalho.

MONDO POP- A sua carreira ganhou força a partir de 2014, com mais lançamentos de CDs e DVDs do que em todos os anos anteriores. Qual a razão?
LUIZINHO LOPES
– Creio que tenha sido pelo fato de que em 2012 consegui retornar para Juiz de Fora, e com isso pude ter mais condições de investir em meu trabalho musical. Gravar um disco foi se tornando mais fácil, a
tecnologia contribuiu para o barateamento das gravações. Este fato, inclusive, já tinha sido observado por mim quando da gravação de “Noiteceu”, meu terceiro álbum, que foi gravado com recursos próprios além de recursos da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura de Juiz de Fora.

MONDO POP- O Ricardo Itaborahy tem uma participação importante na fase mais recente de sua carreira. Como você o conheceu, e como funciona o entrosamento musical entre vocês?
LUIZINHO LOPES
– A resposta a esta pergunta tem a ver com a questão anterior. Em 2015, quando Ricardo Itaborahy assumiu a direção musical de “Falas Perdidas”, CD produzido com recursos da Lei Murilo Mendes e recursos próprios, percebi que meu trabalho tomaria outro rumo. Ricardo já havia feito a mixagem de meu álbum anterior, “Luizinho Lopes Ao Vivo”, álbum duplo por sinal, e ali já pude observar a maneira dele trabalhar. Quando iniciamos a produção de “Falas Perdidas”, parecia que já havíamos trabalhado juntos nessa atividade anteriormente. Tudo se encaixava, o modo como ele desenvolveu os arranjos, e até hoje ele discorre sobre isso, respeitando as sequências harmônicas que eu criara quando da composição das músicas, para em cima disso poder partir para suas ideias, além de facilitar o seu trabalho, fazia com que a música não perdesse a sua essência de origem. Em minha opinião, um grande erro de um arranjador é praticamente desvestir a música de um compositor para sobrecarregar com suas ilações, o que na quase totalidade dos casos, desfigura a obra original, transportando o que restar para o patamar da mesmice. O entrosamento entre mim e Ricardo é muito grande. O fato de Ricardo morar em outra cidade faz com que eu envie para ele uma nova composição ou uma ideia de arranjo, através dos meios digitais. Muitas vezes, quando nos encontramos para realizar uma apresentação, um show, não dispomos de muito tempo para ensaiar, o que não chega a ser problema para nós, um tanto também pelo entrosamento que há.

MONDO POP- Fale sobre a concepção de Dossiê40 – escolha de repertório, montagem da banda de apoio, local etc. Quantas músicas incluídas neste trabalho nunca haviam entrado antes em um de seus discos?
LUIZINHO LOPES
– Para o repertório, primeiramente, recolhi cinquenta músicas para escolher dezesseis para o show. Com ajuda do Ricardo Itaborahy peneiramos para vinte e cinco, e finalmente para dezenove. Seis músicas não haviam entrado anteriormente em nenhum de meus discos: Charada, A Dança das Palavras, Coração Kamikaze, Que Loucura!, Vice-Versa e Vi a Luz.

MONDO POP- As cantoras Andréa Monfardini e Elisa Bara Zaghetto participam do álbum. Como surgiu a ideia de convidá-las, e como você avalia o resultado da participação delas?
LUIZINHO LOPES
– As duas cantoras tiveram participações marcantes no show. Andréa Monfardini já participa de trabalhos comigo desde a época do Vértice. A Elisa estuda canto desde cedo e atua em teatro também, tem uma voz
diferenciada, muito afinada. Não é para menos, sempre recebeu orientação artística de seu pai, meu grande parceiro Edson Zaghetto.

MONDO POP- Como você define o seu universo musical, enquanto cantor e compositor? Quais são as influências que você sente como mais decisivas para a consolidação de seu estilo musical próprio?
LUIZINHO LOPES
– De uns tempos pra cá, comecei a vasculhar as origens da arte em minha vida. Na infância, em Leopoldina, estudei em colégio de freiras.Lá, havia uma bandinha com instrumentos de percussão e vozes. Eu era
sempre a primeira voz do grupo, por ser afinado, principalmente, lembro-me da professora que coordenava a bandinha comentar isso. Depois na adolescência, quando já morava em Juiz de Fora, andei fugindo do papel de cantor por uma timidez adquirida não sei como. Mesmo depois de ter lançado dois álbuns, ainda não sentia muito prazer em cantar, na verdade tinha medo de soltar a voz. Enfim, em 2002, encontrei um professor de canto que me fez perder o medo. Estudei com ele por dois anos e foi o maior aprendizado que tive em relação à música, mais do que qualquer aprendizado de teoria musical, harmonia ou técnicas de violão, porque ganhei confiança e a certeza de que o que eu precisava era me soltar no palco, interpretar o que cada canção suplica. Como compositor, creio que as minhas maiores referências são musicais, literárias e cinematográficas. Não sei separá-las. O cinema é cheio de música, palavra e silêncio. É o que mais me fascina. E isso interfere diretamente nas minhas composições. No geral, nomes imprescindíveis para mim: Chico Buarque, Gilberto Gil, Egberto Gismonti, Vítor Ramil, Beatles, Keith Jarret, Chico César, Elomar Figueira de Mello, João Cabral de Melo Neto, Octavio Paz, Luiz Ruffato, Gabriel García Márquez, Kafka, Jorge Luiz Borges, Luis Buñuel, Bergman, Scorcese e Stanley Kubrick. A influência mais decisiva para mim talvez venha de uma expressão literária, talvez seja Jorge Luiz Borges; quando o li pela primeira vez engatei uma leitura de umas 6 horas sem parar, sem levantar da cadeira, foi um soco e eu disse para mim mesmo: dessa forma que eu quero trazer as palavras para a minha música…

MONDO POP- Boa parte das suas composições são solo, mas você também tem algumas parcerias. Comente um pouco como é escrever canções sozinho e também com parceiros.
LUIZINHO LOPES
– Adoro escrever e adoro fazer música. Quando estou compondo sozinho, tenho um prazer especial de ao estar tecendo a melodia, ao mesmo tempo estar selecionando palavras. As palavras chegam antes do tema muitas vezes. Compor com parceiros é sensacional, mas tem que haver muita afinidade com a forma que o parceiro escreve, por exemplo. Por isso tenho poucos parceiros, e esses poucos, deixam comigo os textos que vou conformando à métrica e à necessidade da canção. Entre os parceiros que me municiam com palavras, tenho dois ilustres que eu me orgulho muito, que são o Luiz Ruffato e o Iacyr Anderson Freitas. Já em relação aos parceiros que fazem as melodias, são muito poucos. Sinto muita falta de receber melodias para que eu possa criar as letras.

MONDO POP- Você iniciou sua carreira no final dos anos 1970, em um momento no qual a música brasileira vivia uma de suas fases áureas. Que recordações tem daquela época, e como avalia a cena atual?
LUIZINHO LOPES
– Aquela foi uma época em que ficávamos esperando um disco chegar com tremenda ansiedade. Lembro-me muito do LP A Ópera do Malandro, do Chico Buarque. Cheguei na loja de discos, ainda fechada, e aguardei. Na véspera, fiquei sabendo que chegariam poucas unidades do disco, fui o primeiro a comprar. A MPB estava no auge, vários trabalhos magistrais sendo lançados, praticamente um disco por ano dos grandes compositores. Sem entrar no mérito dos diversos benefícios que a era digital trouxe para a arte em geral, pelo menos o glamour do lançamento da bolacha, do LP, foi perdido, e não sinto como substituí-lo. A cena atual ainda é indecifrável. Como não há espaço suficiente na mídia tradicional para a música de qualidade como havia
no final dos anos 1970, a descoberta das pérolas fica restrita e sujeita à qualidade de farejo do pescador digital.

MONDO POP- Como você encara os formatos através dos quais se lançam músicas atualmente? Pretende lançar Dossiê40 também em formato físico (CD,DVD)? O formato digital tem trazido bons frutos para você em termos de
repercussão e ganhos financeiros?
MONDO POP
– Sem dúvida, a partir desses formatos digitais surgiu uma chance de democratização maior da divulgação do artista, de sua obra de arte. Na prática isso não está ocorrendo ainda para determinados setores da
música. Em termos de repercussão aumentou bastante o alcance de minha música, de minha obra. Em termos de ganho financeiro, ainda não. Mas está aumentando, isso varia proporcionalmente com a quantidade de seguidores nas redes sociais. Por ora, não pretendo lançar o DOSSIÊ40 em formato físico.

MONDO POP- Dossiê40 pode ser considerado uma espécie de viagem por esses 40 anos de carreira?
LUIZINHO LOPES
– Com certeza. A forma como escolhemos o repertório levou em consideração as variáveis “idade” da música, aceitação, contemporaneidade, impacto, poesia e outras. Obviamente se adicionadas mais umas quatro músicas, essa viagem seria mais abrangente, ficaria ainda mais representativa.

MONDO POP- Como compositor, quem você gostaria de ouvir interpretando canções de sua autoria? E como intérprete, com quem você gostaria de trabalhar junto, em shows ou em gravações?
LUIZINHO LOPES
– Gostaria muito de ter músicas cantadas pelo Ney Matogrosso e Marisa Monte. Como intérprete, gostaria de estar no mesmo palco do Vítor Ramil e do Chico César, cantando com eles suas canções.

MONDO POP- Você é graduado em cinema documentário. Pretende também fazer trabalhos nessa área? O que te levou a fazer esse curso? Pensa em unir as duas coisas- música e cinema, quem sabe em trilhas ou coisa que o valha?
LUIZINHO LOPES
– Meu desejo maior desde criança era ser cineasta. Fiz esse curso, porque morava no Rio de Janeiro na época, e não tinha tempo de fazer uma faculdade de cinema. Eu fui da primeira turma de Pós-Graduação
em Cinema-Documentário da FGV-Rio. Está em meus planos realizar um longa, tenho um roteiro bem desenvolvido e adoraria fazer trilhas para cinema, a oportunidade que ainda não surgiu.

MONDO POP- Para encerrar: você consegue viver de música, em termos financeiros? Se a resposta for não, qual ocupação te proporciona isso?
LUIZINHO LOPES
– Não consigo viver de música. Em 1996, através de aprovação em concurso público, assumi o cargo de Auditor Fiscal da Receita Estadual de Minas Gerais, que, dentre outras coisas, possibilitou que eu residisse na capital do Rio de Janeiro de 1999 a 2009, já que Minas Gerais ali possui um escritório avançado da Receita Estadual, e onde entre várias conquistas musicais, pude cursar Cinema Documentário na FGV. A partir de 2012, quando retornei para Juiz de Fora, pude investir mais em minha carreira musical. Foi uma decisão muito difícil o de entrar no serviço público, pelo fato de sobrar menos tempo para me dedicar à música, mas acabou que tive muita disciplina e persistência, e com o tempo fui aprendendo cada vez mais a administrar a situação, hoje digo com tranquilidade, considero-me um músico profissional e posso realizar trabalhos musicais que eu gosto, antes de tudo, sem me curvar a qualquer obrigação de mídia ou coisas do gênero. Isso proporciona uma imensa tranquilidade e grandes realizações, apesar do sacrifício. Se nada de absurdo ocorrer, dentro de dois anos aposento-me no serviço público, para a partir daí poder dedicar-me totalmente às artes.

Ouça e veja Dossiê40, de Luizinho Lopes, em streaming:

Peter Green, um inglês que ajudou na renovação do blues

peter green-400x

Por Fabian Chacur

Se o blues foi criado nos EUA por geniais músicos locais, também é fato que este seminal gênero musical só foi resgatado e tomou proporções mundiais graças a uma série de músicos britânicos nos anos 1960, período em que o americano pouco ou nada o valorizava. Entre os principais nomes deste revival temos o cantor, compositor e guitarrista britânico Peter Green, cofundador do Fleetwood Mac, que nos deixou neste sábado (25) aos 73 anos de causas naturais, segundo informação de seus advogados.

Filho de judeus radicados na Inglaterra, Peter Allen Greenbaum nasceu em 29 de outubro de 1946 em Bethnal Green, Londres. Ele tocou em pequenas bandas e aos poucos aprimorou sua performance na guitarra e vocais a ponto de ser convidado para substituir Eric Clapton em 1966 no grupo John Mayall & The Bluesbreakers, um dos mais importantes da cena britânica de blues. Lá, conheceu o baixista John McVie e o baterista Mick Fleetwood.

Após gravar com a banda o álbum A Hard Road (fevereiro de 1967), no qual incluiu duas composições de sua autoria (The Same Way e The Supernatural) e participar de mais algumas gravações com eles, resolveu que havia chegado a hora de montar a sua própria banda, e convidou, além de Mick Fleetwood, o guitarrista Jeremy Spencer e o baixista Bob Brunning.

Com o amigo John McVie (que também saiu dos Bluesbreakers) na vaga de Brunning, este novo grupo, o Fleetwood Mac, rapidamente se mostrou com muito poder de fogo. O álbum de estreia, autointitulado (que alguns apelidaram de “o LP da lata de lixo”, por causa da capa) e lançado em 1968, mesclava releituras de clássicos do blues como Shake Your Money Maker (Elmore James) a composições de Peter Green como Looking For Somebody.

O sucesso no Reino Unido lhes valeu o 4º lugar na parada de sucessos local. O público ficou fissurado na ótima voz e nas vigorosas frases de guitarra de Green, muito bem assessorado por seus colegas. Os álbuns Mr. Wonderful (1968) e Then Play On (1969) ajudaram a solidificar esse prestígio.

Green se mostrou um compositor de mão cheia, mesclando blues, rock e até elementos de jazz e música latina, proporcionando à banda canções que se tornariam clássicas do blues britânico, como Black Magic Woman (regravada por Santana no álbum Abraxas, de 1970), Oh Well (regravada por Joe Jackson em 1991 no CD Laughter And Lust), The Green Manalish (relida pelo Judas Priest em 1978 no LP Killing Machine), a instrumental Albatross e Rattlesnake Shake, só para citar algumas das mais marcantes de um belo repertório.

Aí, em 1970, quando o grupo se preparava para ampliar seus horizontes e tentar conquistar o mercado americano, o consumo excessivo de drogas, em especial o LSD, levou Green a deixar a banda, após ter ficado um tempo em uma comunidade alternativa na Alemanha. Era o início de anos bem difíceis.

Os primeiros tempos fora da banda que o consagrou até pareciam promissores, com direito a gravações com B.B. King e o lançamento de seu primeiro álbum solo, The End Of The Game (1970). A coisa se complicou quando ele foi diagnosticado com esquizofrenia. Ele ainda participou de forma pequena e não creditada em dois álbuns do Fleetwood Mac, Penguin (1973) e Tusk (1979).

A partir do fim dos anos 1970, foi aos poucos retornando, lançando sete álbuns solo. Sua melhor fase foi quando montou o Peter Green Splinter Group, que se manteve ativo entre 1997 e 2004, com oito álbuns no currículo e inúmeros shows. Ele também participou do disco The Visitor (1981), de Mick Fleetwood, e de trabalhos de Peter Gabriel, Richard Kerr e Country Joe McDonald, e entrou para o Rock And Roll Hall Of Fame com o Fleetwood Mac em 1998.

Oh! Well(ao vivo em 1969)- Fleetwood Mac:

Adam Levine fuma marijuana no clipe da canção Nobody’s Love

maroon 5 single julho 2020-400x

Por Fabian Chacur

Tem single novo do Maroon 5 no pedaço. E não se trata de qualquer um. Pena que esse destaque não seja em termos musicais, porque Nobody’s Love é bem inferior ao que de melhor a banda americana já nos proporcionou, sendo um eletroreggae pop bem derivativo e sem muito pique. Mas, em seu clipe, o vocalista Adam Levine aparece durante todo o tempo fumando um cigarro daquela famosa e cultuada erva proibida que tanta polêmica traz sempre que entra em pauta.

Com direção a cargo de David Dobkin, que já trabalhou anteriormente com a banda em diversos outros clipes, a filmagem foi feita valendo-se apenas de um iPhone. Nela, Levine é flagrado em uma espécie de sala de estar ao ar livre, com direito a um abajur descolado e um sofá confortável, no qual o cantor permanece mandando bala no seu baseado.

Ao fim da música, que dura pouco mais do que três minutos, aparece um texto na tela com uma mensagem que defende o fim da “guerra contra a marijuana”, que, segundo o texto, “fracassa em reduzir o seu uso e disponibilidade e desvia recursos que poderiam ser melhor investidos em nossas comunidades”.

A banda também promete fazer uma doação à ACLU (American Civil Liberties Union, união americana pelas liberdades civis), que entre outras causas abraça a do fim da guerra contra a marijuana.

Este é o segundo single inédito lançado pelo Maroon 5 nos últimos meses. O primeiro apareceu nas plataformas digitais em setembro de 2019, o também mediano Memories (veja o clipe aqui). Não se sabe se ambos estarão no próximo álbum do grupo americano, que será o sucessor de Red Pill Blues (2017).

Nobody’s Love (clipe)- Maroon 5:

Kylie Minogue promete o álbum Disco para novembro; ouça single

kylie minogue disco 400x

Por Fabian Chacur

A estrela australiana Kylie Minogue acaba de divulgar a capa do que será o seu 15º álbum de carreira. O título é Disco, e a gravadora Warner Music promete colocá-lo no mercado em novembro. Como forma de colocar um gostinho na boca de seus milhões de fãs mundo afora, já está devidamente disponível nas plataformas digitais o primeiro single a ser extraído deste trabalho inédito, ainda sem um clipe oficial, provavelmente em função da pandemia do novo coronavírus.

Say Something é uma faixa dançante, pra cima, e uma possível definição para ela pode ser “a melhor faixa upbeat de Madonna dos anos 1980 que a cantora americana jamais compôs ou gravou”. A influência da estrela pop ianque se mostra mais forte do que nunca, mas isso não apaga o impacto deste single, que tem tudo para repetir o ótimo desempenho de seu disco anterior, Golden (2018).

Desde que invadiu a cena pop em 1988 com seu single de estréia, a releitura de The Loco-Motion (hit com Little Eva e Grand Funk Railroad), Kylie nunca saiu das paradas de sucesso, com suas canções dançantes e shows sempre elaborados e recheados de surpresas. Um bom exemplo foi o que ela realizou no festival de Glastonbury, na Inglaterra, em 2019, um dos mais elogiados deste evento.

Say Something(áudio)- Kylie Minogue:

Older posts

© 2020 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑