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Dia da Consciência Negra, dia da celebração a guerreiros geniais

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Por Fabian Chacur

“Porque Dia da Consciência Negra, e não Dia da Consciência Humana?” Você certamente já ouviu alguém aparecer com esse argumento, sempre que o dia 20 de novembro está próximo. Como em inúmeras situações análogas, a origem dessa ideia pode até não ser mal intencionada, pode até tentar pregar uma “união de todas as raças” ou coisa do gênero. Mas, no fim das contas, é uma ideia péssima. Lamentável. Se bem que, sejamos sinceros, Dia da Consciência Negra deveria ser não só hoje, mas amanhã, depois de amanhã… Sempre, sempre, sempre!

A dívida que o Brasil tem com os afrodescendentes é do tamanho de uma galáxia, e teve início de forma deprimente. Afinal de contas, tente imaginar algo pior do que ser tirado à força de seu lugar de origem, perder sua liberdade, ser enviado para o outro lado do oceano nas piores condições possíveis e, ao chegar, ter de servir a pessoas de temperamento péssimo, gananciosas e incapazes de ter qualquer noção de dignidade e empatia em relação ao outro.

De passar séculos sendo humilhado, usado como mercadoria de terceira qualidade, fazendo o serviço que ninguém queria fazer, alimentando-se mal e tendo como perspectiva de vida subsistir, se tanto. O que poderia se esperar de pessoas tratadas dessa forma aviltante durante tanto tempo? Rigorosamente nada de bom. No entanto, essas pessoas deram em troca ao país em que foram obrigados a viver um tesouro inestimável.

Dá para imaginar como teria sido o Brasil se os afrodescendentes não tivessem aportado por aqui? Sua presença forte e criativa se espalhou para todos os setores deste país, com ênfase na parte cultural. Nossa identidade cultural e o melhor de nossa produção nessa área tem forte sotaque negro. A miscigenação também ajudou a moldar o brasileiro, que se tornou um povo capaz de driblar as piores condições humanas e culturais, sempre.

No icônico filme Queimada, do diretor italiano Gilo Pontecorvo e lançado há exatos 60 anos, o personagem William Walker (vivido de forma esplêndida por Marlon Brando) se torna uma espécie de conselheiro de um líder popular que comanda uma revolução, tomando o poder. E um de seus conselhos parece muito coerente com o que ocorreu por aqui, no dia 13 de maio de 1888.

“Dê aos escravos a liberdade. Será a melhor alternativa. Como escravo, você é obrigado a sustentá-los, a dar a eles um lar. Como trabalhador, basta pagar um salário, e ele que se vire”. Parece com algo que você já viu por aqui? Ou melhor, vê até hoje, mais de um século após a tal da libertação dos escravos?

Mas, insisto em ressaltar, os afrodescendentes não se transformaram no que poderiam ter sido, de forma até compreensível, vale dizer. Tipo assassinos cruéis, seres violentos dispostos a se vingar de qualquer jeito dos brancos opressores. No geral, o negro no Brasil nos ofereceu os mais comoventes e inspiradores exemplos de superação, de criatividade, de dignidade e superação.

Em um dia como o de hoje, penso mais do que nunca nos incríveis Cartola, Dona Ivone Lara, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Racionais MC’s, Tim Maia, Tony Tornado, Clemente (dos Inocentes), Elza Soares, Pelé, Milton Santos, Jair Rodrigues, Seu Jorge, os fundadores do Olodum, Jairzinho, Luiz Pereira, Nei Lopes, Luis Gama, Milton Gonçalves… Ah, essa lista vai longe, muito longe e muito além da minha tacanha capacidade de reconhecimento.

Sim, hoje é o Dia da Consciência Negra, e se nunca conseguiremos saldar o nosso saldo negativo em relação a essa gente tão maravilhosa, o que nos resta é não só louvar a sua cultura, como, e principalmente, tratá-los com o respeito, admiração e dignidade que tanto merecem. Viva o afrodescendente brasileiro!

Texto dedicado a Oswaldo Faustino, meu mestre e uma das pessoas mais sábias e generosas com quem tive a honra de conviver nesses meus 58 anos de vida!

Sorriso Negro– Dona Ivone Lara:

Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro lança um álbum autoral

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Por Fabian Chacur

A sanfona é um dos instrumentos musicais que melhor se inseriu na cultura popular brasileira, não só marcando presença com destaque em vários estilos da nossa rica musicalidade como também ampliando com frequência essa participação. Um bom exemplo é o fato de termos uma orquestra de sanfonas em pleno Rio de Janeiro, reduto máximo do samba. É a Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro, que lança um novo CD com show neste sábado (23) às 19h30 no Teatro Rival (rua Álvaro Ramos, nº 33-37- Centro- fone 0xx21-2240-4469), com ingressos a R$ 35,00 (meia) e R$ 70,00 (inteira).

A Orquestra Sanfônica do Rio Janeiro foi criada e tem como maestro Marcelo Caldi, um dos músicos de maior prestígio neste instrumento cuja trajetória traz diversos trabalhos individuais e também parcerias com músicos do gabarito de Hamilton de Holanda, Maurício Carrilho e Silvério Pontes. Ele também é conhecido como educador, e criou um método próprio de ensinar a tocar sanfona que envolve um esforço coletivo.

Criada em 2015, a orquestra liderada por Caldi conta com 15 sanfoneiros, 3 cantores, 2 percussionistas, um baixista e um rabequeiro, oriundos do Rio e também do Maranhão, Rio Grande do Sul, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Vários dos sanfoneiros entraram no cenário musical como discípulos do maestro, e desde o início uma das práticas é a realização de aulas semanais.

Nesses quatro anos, a Sanfônica já realizou homenagens a Jackson do Pandeiro, Pixinguinha e Luiz Gonzaga, e se apresentou em teatros e ao ar livre em diversas ocasiões, sempre com boa repercussão por parte do público.

O novo CD traz 15 composições autorais e inéditas, algumas de Caldi em parceria com integrantes da orquestra como Yeda Maranhão, Rodrigo Bis, Roberto Kauffmann e Alberto Magalhães e outras com os consagrados Silvério Pontes e Chico Salles. A sonoridade se divide entre baião, xote, maxixe, choro, valsa e quadrilha, só para citar algumas vertentes da música brasileira seguidas por Caldi e seus afiados discípulos.

Lembrei do Ceará (ao vivo)- Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro:

José Neto, guitarrista, é tema de documentário sobre sua carreira

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Por Fabian Chacur

O guitarrista paulistano José Pires de Almeida Neto saiu do Brasil em 1978, quando tinha 24 anos, com o objetivo de investir em uma carreira na cena musical dos EUA. Antes, tinha se formado em violão clássico, dado aulas na escola CLAM, de Amilton Godoy, e tocado com vários músicos. No ano seguinte, foi recrutado pelo cantor e ator americano Harry Belafonte para integrar sua banda de apoio. Era o início de uma trajetória brilhante, que inspirou o documentário The Man Behind The White Guitar, dirigido pelo inglês Richard Michael e produzido pela americana Barbara McVeigh, que será lançado para o grande público em 2020.

Filmado na Califórnia, Nova York, Reino Unido e Brasil, este filme traz cenas de shows, entrevistas com o artista em foco e também com alguns dos grandes nomes com os quais trabalhou, entre os quais Belafonte, Airto Moreira e Steve Winwood, que ressaltam não só o seu talento musical, mas também sua capacidade de encantar e cativar as pessoas com uma filosofia de vida positiva e repleta de tiradas inteligentes e inspiradoras.

José Neto (como é mais conhecido na cena musical) tocou durante 30 anos com Harry Belafonte, do qual chegou a ser diretor musical. Ele atuou ao lado de outros dois brasileiros que fizeram fama no exterior, a cantora Flora Purim e o percussionista Airto Moreira. Os três criaram o grupo Fourth World, que lançou cinco álbuns na década de 1990 e cativou o público internacional com sua mistura de jazz, música brasileira e latina.

Em seu currículo extenso, Neto trabalhou com o consagrado produtor, compositor e artista Narada Michael Walden, George Benson e a pianista, cantora e compositora brasileira Tânia Maria, e também lidera há mais de 25 anos a Netoband, que integra ao lado de Gary Brown, Frank Martin, Celso Alberti e Café e cujos shows já percorreram os EUA e o Reino Unido, atraindo as atenções do público e também dos músicos.

Aliás, foi em um show da Netoband em Londres lá pelos idos de 1995 que José Neto conheceu Jim Capaldi, ex-integrante da banda britânica Traffic, que ficou apaixonado por seu trabalho. Não demorou para que Capaldi apresentasse o brasileiro a outro ex-Traffic, o cantor, compositor e músico Steve Winwood. Logo a seguir, Neto participaria tocando violão na faixa Plenty Lovin’, do álbum Junction Seven (1997), de Winwood.

Quando resolveu criar um projeto musical que teria como base um trio composto por órgão, bateria e guitarra, Winwood pensou na hora em José Neto e o convidou. Os dois e mais o baterista cubano radicado nos EUA Walfredo Reyes Jr., aliados a alguns acréscimos de sopros e percussão, gravaram About Time (2003), espetacular álbum solo de Steve Winwood.

Neste CD, Neto não só tocou guitarra e violão como também inaugurou sua parceria com Winwood, assinando com ele as músicas Cigano (For The Gypsies), Domingo Morning e Silvia (Who Is She?).

Em 2003, um show de Winwood com Neto na guitarra foi gravado, exibido na TV pública americana PBS e depois lançado em DVD com o título Sound Stage- Steve Winwood- Live in Concert (saiu aqui pela extinta Indie Records). Além de músicas de About Time, também temos releituras de clássicos da carreira do artista como Can’t Find My Way Home, Dear Mr. Fantasy e Back In The High Life Again. A performance é matadora.

Essa parceria renderia novos e belos frutos no álbum de estúdio seguinte de Winwood, Nine Lives (2008), com as músicas escritas por eles Fly, Raging Sea, Hungry Man, Secrets, At Times We Do Forget e Other Shore.

The Man Behind The White Guitar foi exibido em 2019 em festivais e eventos privados, e será disponibilizado para o público em algum momento de 2020. No Brasil, possivelmente em um festival do tipo In-Edit, aquele dedicado aos documentários musicais. Um dos apoiadores foi o Banco Fator, de São Paulo.

Veja o trailer de The Man With The White Guitar:

Bliss tem o seu álbum de estreia, do hit I Hear You Call, relançado

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Por Fabian Chacur

O mundo da música frequentemente prega peças em seus participantes. Em 1989, por exemplo, o grupo britânico Bliss lançou seu álbum de estreia, Loveprayer, e esperava conquistar o mundo com aquele trabalho vibrante e consistente. No entanto, passou batido nos principais mercados, os EUA e o Reino Unido. Mas no distante e remoto Brasil… Esse trabalho está sendo relançado por aqui pela Warner sem previsão de versão física, mas disponível nas plataformas digitais.

Liderada pela cantora Rachel Morrison e pelo baixista Paul Ralphes, os principais compositores do time, na época ainda contava com Paul Sirett (guitarra), Roger Askew (teclados) e Chris Baker (bateria). A ideia era fazer uma mistura de soul, pop e rock de clima sessentista, que a bela capa meio hippie do álbum dava a entender logo de cara. Influências bem digeridas como as de Janis Joplin e Aretha Franklin logo vem à mente ao ouvir seu trabalho.

O single I Hear You Call, impulsionado por sua inclusão como tema de comerciais dos cigarros Hollywood, tornou-se um hit instantâneo no Brasil, e inclusive acabou trazendo a banda para apresentações ao vivo e divulgação em programas de TV e rádio por aqui. Tive a oportunidade de participar de uma coletiva de imprensa com o grupo, que se mostrou bastante simpático e acessível.

Além do marcante hit, Loveprayer é um disco com boas canções, nas quais a voz potente e personalizada de Rachel Morrison se mostra de forma muito atraente. O sucesso ocorreu no Brasil, na Austrália e em alguns países europeus, passando batido nos principais mercados discográficos, os EUA e o Reino Unido.

A Bliss ainda lançaria um segundo álbum, A Change In The Weather (1991), que embora muito interessante não teve a mesma repercussão. Logo a seguir, Rachel saiu para cuidar de seu filho recém-nascido, e a banda saiu de cena.

Paul Ralphes teve uma ligação muito forte com o Brasil, e isso o levou a se mudar para aqui em 1996, tentando a sorte no mercado discográfico nacional. Deu super certo, pois produziu discos de sucesso para bandas como Kid Abelha e também foi diretor artístico da Universal Music entre 2010 e 2017.

Por sua vez, Rachel Morrison lançou posteriormente alguns discos-solo (um de covers) sem grande repercussão, com o apoio do guitarrista Tom E. Morrison, seu marido. Em 2007, o selo alemão Zounds lançou o álbum Spirit Of Man, com canções dos dois discos da Bliss e algumas inéditas.

A nova edição de Loveprayer foi remasterizada por Andy Jackson, conhecido por seus trabalhos com Pink Floyd e David Gilmour. Além do conteúdo original, temos também quatro faixas-bônus, incluindo duas inéditas, todas gravadas na época. Uma versão acústica de I Hear You Call também será lançada em breve.

Eis as faixas da nova versão de Loveprayer:

I Hear You Call (PLG)
How Does It Feel The Morning After?
Good Love
Your Love Meant Everything
Won’t Let Go
Lovin’ Come My Way
Light and Shade
May It Be On This Earth
All Across The World
I Walk Alone
Better Take Care
Further From The Truth
Sweet Lovin’ Child
Waited Too Long
Gonna Be Good 4 U *
How Does It Feel The Morning After (7 inch Single Remix) *

* Inédita

Ouça Loveprayer em streaming:

Denitia mostra sua sonoridade etérea em Touch Of The Sky

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Por Fabian Chacur

Após cerca de cinco anos integrando o duo Denitia and Sene, a cantora, compositora, produtora e musicista americana Denitia resolveu investir em uma carreira-solo. A partir de 2017, lançou alguns EPs e singles e aos poucos foi criando uma expectativa bastante positiva por parte de crítica e público. Agora, chega a vez de nos mostrar seu primeiro álbum desta nova fase, Touch Of The Sky, que está sendo lançado nas plataformas digitais do Brasil, América Latina em geral e México pela gravadora brasileiro Lab 344.

O duo, em seu tempo de existência, lançou os álbuns His And Hers (2013) e Love And Noir (2016), e investia em uma versão mais suave e eletrônica de r&b e hip-hop. Em sua trajetória individual, Denitia partiu dessa base e a ampliou para uma sonoridade que traz ecos da feita por grupos como Cocteau Twins e Siouxsie And The Banshees (na fase do álbum Hyaena, de 1984).

O resultado soa etéreo, reflexivo e envolvente, com a voz suave e delicada da artista nascida no Texas, criada no Brooklin e hoje radicada em Rockaway Beach dando o norte. A musicalidade também abre espaços para o eletropop e o eletrorock, sem deixar de lado o r&b e até mesmo o reggae e o dub.

A faixa Waves envolve o ouvinte com seu andamento lento e uma psicodelia delicada. Where You Go (ouça aqui) apresenta uma vertente mais dançante, enquanto Place To Be (ouça aqui ) é uma balada mais próxima do r&b anos 2000. Uma pegada mais rocker marca Sweat (ouça aqui ), com tempero eletrorock.

A artista, que tem na guitarra seu instrumento musical mais constante, define esse seu álbum inicial na carreira individual como “uma viagem através da natureza transformadora do amor”.

Denitia tem duas conexões com o Brasil. O diretor, produtor e editor brasileiro radicado em Nova York Hugo Faraco fez um curta-metragem sobre Touch Of The Sky (veja aqui), incluindo cenas registradas no estúdio onde o álbum foi gravado e também em Rockaway Beach.

A artista americana também produziu o remix da faixa Sua Sugestão, do consagrado produtor brasileiro Kassin, que entrará em um álbum resultante do projeto Co-Lab, no qual artistas ligados à Lab 344 colaboram entre si. Estão no elenco, além de Denitia e Kassin, nomes como Boogarins, DJ Memê, Marcelinho da Lua e Diogo Strauz, entre outros.

Waves (clipe)- Denitia:

San-São Trio mostra Novos Caminhos com show em SP

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Por Fabian Chacur

Quem vê a sigla San-São e acompanha futebol logo pensa no apelido dado ao clássico disputado entre Santos e São Paulo. No entanto, aqui o mote é música, e da boa. San-São Trio reúne três músicos de primeiríssimo escalão da seara instrumental, cuja amizade remonta há uns bons anos e inclui alguns shows e colaborações bacanas.

Agora, eles apresentam nos formatos CD e digital o álbum Novos Caminhos, lançado pelo selo Maritaca. O repertório desse trabalho é o gancho do show que farão em São Paulo nesta segunda-feira (11) às 19h no Sesc Consolação (rua Dr. Vila Nova, nº 245- Vila Buarque- fone 0xx11-3234-3000), com entrada gratuita.

A célula mater do trio é o consagrado pianista Amilton Godoy, que ganhou fama na primeira metade da década de 1960 como integrante do lendário Zimbo Trio, que além de acompanhar artistas do porte de Elis Regina e Jair Rodrigues se firmou como um dos melhores e mais populares da música instrumental no Brasil. De quebra, ainda criou o CLAM, uma das escolas de música que mais frutos proporcionou em termos de revelar e educar novos nomes.

Um deles foi o de Léa Freire, flautista, pianista e compositora que não só desenvolve uma carreira repleta de momentos importantes como também criou em 1997 o selo Maritaca, que tem em seu currículo mais de 50 lançamentos de gente do mais alto gabarito da música brasileira. Sua ligação com Amilton gerou inicialmente trabalhos deles em dupla, até que em determinado momento surgiu a ideia de colocar mais um amigo nessa história. E um amigo internacional.

Oriundo do estado americano da Califórnia, Harvey Wainapel é saxofonista e clarinetista, e participou de turnês internacionais ao lado de Ray Charles, Joe Lovano, Airto Moreira, Flora Purim e Jovino Santos Neto, além de investir em carreira solo. A partir de 2000, costuma passar, anualmente, de um a dois meses no Brasil, trabalhando com artistas do naipe de Guinga, Filó Machado e Nelson Ayres, só para citar alguns. Sua amizade e afinidade musical com Léa gerou o convite para um trabalho conjunto.

Se não veio do futebol, o batismo desta formação musical envolve a junção de iniciais de nomes. Aqui, são eles São Paulo (sede do trabalho de Léa e Amilton) e San Francisco, Califórnia (onde vive Harvey).

Novos Caminhos traz sete composições de Léa e quatro de Amilton, investindo em uma inventiva e delicada mistura camerística de diversas vertentes da música brasileira com elementos de jazz e música erudita no meio. Suas afinidades musicais e pessoas geraram uma sonoridade deliciosa, sofisticada e digna do currículo dos três. Que venham mais álbuns desse trio de craques da música.

Ouça e veja o San-São Trio ao vivo:

Evinha Canta Guilherme Arantes em álbum e shows em Sampa e RJ

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Por Fabian Chacur

Há quase 20 anos (segundo ela), Evinha recebeu de Guilherme Arantes uma composição inédita do consagrado artista paulistano, Sou o Que Ele Quer. Desde então, havia a vontade de gravá-la. Pois enfim chegou a hora, e não poderia ter sido de forma melhor. Além desta, a cantora carioca registrou outras 11 desse mesmo autor no álbum Evinha Canta Guilherme Arantes (Kuarup), disponível em CD físico e nas plataformas digitais. Ela, há 40 anos radicada na França, mostra o repertório deste trabalho com shows nesta terça (12) em São Paulo e no dia 16 (sábado) no Rio de Janeiro.

O álbum traz Evinha acompanhada apenas por seu marido, o experiente pianista francês Gérard Gambus, que também se incumbiu da produção artística, com a executiva ficando a cargo do brilhante Thiago Marques Luiz. As gravações, mixagem e masterização do álbum foram feitos na França.

O repertório traz canções lançadas entre 1976 e 1989, sendo seis na década de 1970 e cinco na de 1980. Curiosidade: quatro delas- Antes da Chuva Chegar, A Cidade e a Neblina, Águas Passadas e Cuide-se Bem integram o álbum de estreia da carreira-solo de Guilherme, autointitulado e considerado por muita gente como o mais inspirado em seus mais de 40 anos de ótima trajetória musical.

Celebrando 50 anos do início de sua carreira como solista, após ter saído do Trio Esperança, Evinha se mostra em plena forma vocal aos 68 anos de idade. Ela está à vontade trabalhando com o repertório de Guilherme Arantes, e o bacana fica por conta de não ter se concentrado apenas no lado mais baladeiro e romântico do artista, aventurando-se também em faixas mais balançadas ou roqueiras como Deixa Chover e A Cidade e a Neblina.

Afora algumas vocalizações adicionais feitas provavelmente por ela própria em momentos pontuais de algumas das faixas, o que temos aqui é o melhor voz e piano. E a coisa só poderia dar certo com um músico de primeira, o que Gérard Gambus se mostra, dialogando de forma elegante e fluente com a voz de Evinha.

Como já tive a honra de ver alguns shows de Guilherme Arantes no formato voz e piano, foi muito divertido comparar suas performances com as de Evinha, notando as características próprias de cada um. E não é de se estranhar que o compositor tenha feito no encarte do CD um texto tão reverente e de gratidão à cantora por ter gravado este álbum. Ela merece.

Sou o Que Ele Quer, canção inédita que acabou gerando o álbum, é um belo acréscimo ao songbook do autor de Meu Mundo e Nada Mais, gravada com uma levada mezzo latina, mezzo jazzy que envolve o ouvinte sem muita dificuldade.

Outro ponto bacana do repertório foi equilibrar clássicos mais conhecidos do astro paulistano, como Êxtase, Brincar de Viver, Pedacinhos (Bye Bye So Long) e Amanhã, com resgates elogiáveis de outras menos conhecidas do grande público, entre as quais Antes da Chuva Chegar e Águas Passadas, esta última interpretada de forma tão vigorosa e feliz que se tornou totalmente dela. Merecia virar hit!

Evinha Canta Guilherme Arantes é aquela parceria perfeita, pois ajuda a divulgar a ótima e essencial obra de Guilherme Arantes, além de nos oferecer um pouco mais de uma cantora simplesmente brilhante, e que não tem tantos itens em sua discografia. Se vier um volume 2, garanto que ninguém irá reclamar.

Serviço dos shows:

São Paulo
Dia 12 de novembro (terça-feira) às 21h
Teatro Itália (avenida Ipiranga, nº 344- Edifício Itália- República- fone 0xx11-3255-1979)
Ingressos a R$ 50,00 (meia) e R$ 100,00 (inteira)

Rio de Janeiro
Dia 16 de novembro (sábado) às 19h30
Teatro Rival Petrobrás (Rua Álvaro Alvim, nº 33-37- Centro- fone 0xx21-2240-4469)
Ingressos a R$ 70,00

Ouça Evinha Canta Guilherme Arantes em streaming:

George Michael tem novo single, tema do filme Last Christmas

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Por Fabian Chacur

O imenso talento de George Michael faz uma falta danada no cenário pop atual. Uma forma de aplacar um pouco a saudade deste grande cantor e compositor chegou às plataformas digitais nesta quarta-feira (6). Trata-se de This Is How (We Want You To Get High), single inédito e primeiro lançamento póstumo do astro pop. A canção integra um projeto cinematográfico que pode se tornar um grande sucesso de público.

Trata-se do filme Last Christmas (Uma Segunda Chance Para Amar, no Brasil), coescrito pela consagrada atriz britânica Emma Thompson e estrelado pelos atores Emilia Clarke e Henry Golding, com direção a cargo de Paul Feig (o mesmo da versão feminina de Os Caça-Fantasmas, de 2016).

O legal é que a trama, uma comédia romântica, é baseada em hits da carreira de George Michael. O álbum com a trilha sonora, que será disponibilizado nas plataformas digitais nesta sexta (8) e em breve também sairá no Brasil em CD, traz mais 14 faixas além da inédita, sendo três do Wham!, duo que levou o astro ao topo das paradas mundiais, e 11 hits de sua carreira-solo.

This Is How (We Want You To Get High), uma canção balançada e muito bacana com fortes elementos eletrônicos, começou a ser trabalhada em 2012, teve seu desenvolvimento em sessões no Air Studios (criado pelo saudoso e genial George Martin, produtor dos Beatles) e finalizada em 2015, durante as últimas gravações do autor de Father Figure. James Jackman é creditado como coautor e coprodutor desse single ao lado de George.

Eis as músicas da trilha de Last Christmas:

1. Last Christmas – Wham!
2. Too Funky
3. Fantasy
4. Praying for Time
5. Faith
6. Waiting for That Day
7. Heal the Pain
8. One More Try
9. Fastlove, Pt. 1
10. Everything She Wants – Wham!
11. Wake Me up Before You Go-Go – Wham!
12. Move On
13. Freedom! ’90
14. Praying for Time
15. This Is How (We Want You to Get High)

This Is How (We Want You To Get High)– George Michael:

O Filho de José e Maria, de Odair José, enfim é reeditado em vinil

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Por Fabian Chacur

Durante 42 longos anos, o álbum O Filho de José e Maria (1977), de Odair José, manteve-se longe do catálogo das gravadoras, tornando-se uma raridade disputada a tapa nos sebos da vida. Isso não impediu esse incrível trabalho de se tornar um dos mais cultuados da carreira deste grande cantor, compositor e músico goiano. Pois agora, finalmente, teremos uma reedição, no formato LP de vinil de 180 gramas, bancada pela Polysom em parceria com a Sony Music, atual detentora dos direitos dos títulos da extinta gravadora RCA Victor.

Em pleno auge de seu sucesso comercial, Odair saiu da gravadora Polydor (atual Universal Music) e foi para a RCA, aceitando uma proposta das mais atrativas em termos financeiros. No entanto, surpreendeu a direção artística de lá ao gravar um álbum totalmente fora do que se poderia esperar. Ele compôs uma ópera-rock inspirada na vida de Jesus Cristo e nos livros de Gibran Kalil Gibram, mas adaptada para os dias atuais, tocando em temas polêmicos como a homofobia, o preconceito e o conservadorismo.

O elenco de músicos que o acompanha é de primeiríssima linha, incluindo o trio Azymuth (que também marcou presença nos seus discos clássicos da Polydor), Hyldon (guitarra), Robson Jorge (piano e Fender Rhodes) e Jaime Além. O resultado é simplesmente brilhante. No entanto, o público dele não estava preparado para um trabalho daquele porte, assim como a gravadora também não soube como divulgá-lo, e o resultado foi um retumbante fracasso.

Com o passar dos anos, O Filho de José e Maria tornou-se cultuado por um público roqueiro e mais sofisticado, e ganhou tanto respeito que levou o artista a fazer alguns shows tocando o seu repertório na íntegra, um deles tendo sido lançado em DVD em parceria com o Canal Brasil.

Lamente-se apenas o fato de esse relançamento ser apenas em vinil. Você só encontra músicas de O Filho de José e Maria em formato CD na hoje raríssima coletânea Grandes Sucessos (2000-BMG Brasil), que inclui 8 das 10 faixas do mais polêmico disco de Odair José.

Meu exemplar deste álbum histórico, autografado posteriormente pelo artista, tem uma história curiosa. Eu o adquiri em uma loja de discos no bairro paulistano da Liberdade no finalzinho dos anos 1980, a preço acessível e estado de novo. A explicação: os LPs naquele local ficavam em um mostruário com apenas a capa, com um papelão dentro da mesma. Eles guardavam os discos separadamente, e você só os tinha na hora que os comprava. Dessa forma, adquiri diversas raridades ultra bem conservadas e a preços ótimos.

Leia mais textos sobre Odair José aqui.

Fora da Realidade– Odair José:

O fim do Skank e a ditadura dos eternos fiscais de carreira alheia

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Por Fabian Chacur

A notícia mais bombástica do último fim de semana não teve relação com a política, como na maior parte do tempo no Brasil e no mundo atual. Trata-se da divulgação da futura separação de uma banda. Em comunicado oficial publicado em seu site (leia aqui), o Skank anunciou que sairá de cena, após a realização, em 2020, de uma turnê de despedida, intitulada 30 Anos. Será, portanto, o ponto final em uma das mais bem-sucedidas trajetórias do pop-rock brasileiro.

O anúncio, seguido por extensa entrevista publicada neste fim de semana do vocalista e guitarrista do grupo mineiro, Samuel Rosa, à coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, causou rebuliço nos “tribunais de feicebuque” da vida. Claro que cada um tem o direito de opinar da forma que achar melhor. Mas fica difícil encarar aqueles que exprimem frases como “já deveriam ter acabado há muito tempo” ou mesmo “já deram o que tinham que dar”.

Cada dia fica mais claro para mim que o tempo de duração de uma carreira, seja lá qual for, deve ser definido única e exclusivamente por quem está envolvido com ela. Se é relevante, se tem público, se tem boa repercussão, se é decadente, cada um que pague o preço por suas decisões. Não há um único caminho para te levar à felicidade. Por que esse desejo de impor uma regra rígida para todos os casos? Que cada um trabalhe naquilo que quiser pelo tempo que quiser. Quem somos nós para definir isso?

E esse pito vale até para o próprio Samuel Rosa, que durante a entrevista à Folha sugeriu que diria aos cantores Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, e Rogério Flausino, do Jota Quest, para fazerem o mesmo, deixando suas bandas para se dedicar a outros projetos. Se esse é o desejo dele, que vá em frente, mas sem querer dar uma de fiscal de carreira alheia.

O anúncio logicamente tem um ar oportunista, pois não se concretizará de imediato. Antes, teremos uma turnê celebrando os 30 anos de carreira do quarteto. Normalmente, esse tipo de tour costuma render uma baita de uma grana, atraindo fãs de todos os cantos devidamente atraídos pelo teor de “um dia, um adeus” criado nessas situações. Ainda mais se levarmos em conta que o repertório terá 30 hits e uma canção inédita, reunidas em um álbum que servirá como uma espécie de souvenir.

Pelas declarações dadas pelos outros integrantes do time a ser desfeito- Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria), a coisa está sendo feita de comum acordo, e ninguém pensa em dar continuidade ao Skank sem seu vocalista e guitarrista, obviamente o detonador desse processo de separação.

Eles decidiram o que era melhor para eles. Nada mais legítimo. Isso não precisa ser modelo para outros grupos ou artistas. Uns duram pouco, outros tem carreiras longas. Uns estouram e ficam trilionários, outras catam moedinhas nas ruas. Uns concebem obras inesquecíveis e indispensáveis, outros vomitam porcarias inomináveis. É assim que a vida é.

E tem também aqueles que se despedem com toda a pompa e que, depois de alguns anos, acabam voltando à ativa. Como será, no caso específico do Skank, só saberemos com o tempo. Mas que também ninguém os avacalhe se por ventura tivermos futuramente uma turnê com o título Te Ver de Novo ou coisa que o valha. Afinal, nada como ter algum trabalho que te permita pagar as contas. Quem me dera que eu tivesse um desse mesmo tipo…

Te Ver (clipe original)- Skank:

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