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Placebo lança Beautiful James, primeiro single após cinco anos

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Por Fabian Chacur

Foram cinco anos sem material inédito do Placebo. Esse período se encerrou nesta sexta (17) com a divulgação nas plataformas digitais de Beautiful James, um rock melódico com tempero eletrônico no qual Brian Molko (vocal e guitarra) e Stefan Olsdal (baixo e guitarra) se mostram mais afiados do que nunca. Ainda não se sabe se teremos um novo álbum em breve ou coisa que o valha, mas o duo britânico nos deixa animados.

Inspirado nos tempos atuais sem cair na tentação de comentar temas mais específicos, o novo single do duo britânico é explicado por Molko em declaração divulgada em press release endereçado à imprensa: “Se a música serve para irritar os quadrados e os tensos, que seja alegre. Mas continua sendo imperativo para mim que cada ouvinte descubra sua própria história pessoal dentro dela – eu realmente não quero dizer a você como se sentir. ”

Com mais de 25 anos de estrada, o Placebo se firmou como um dos mais consistentes grupos do rock britânico dito alternativo, emplacando cinco de seus álbuns no Top 10 da parada britânica e fazendo shows nos quatro cantos do mundo, Brasil incluso. Isso, além de colaborações bacanas com nomes do porte de David Bowie, Robert Smith (The Cure), Alison Mosshart e Michael Stipe (R.E.M.), sempre com uma sonoridade vigorosa, soturna e com elementos pop.

Beautiful James– Placebo:

Fickle Friends mergulha no som de Prince em seu novo single

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Por Fabian Chacur

Dá para seguir o som de um determinado artista como inspiração e fugir de uma cópia diluída ou meramente caricata? Pois o grupo britânico Fickle Friends se meteu a encarar esse desafio, valendo-se de elementos sonoros imediatamente ligados ao trabalho do grande e saudoso Prince nos anos 1980. E não é que eles se deram bem? Love You To Death, o single criado pelo quarteto sob esses parâmetros, é uma delícia. Ele fará parte do 2º álbum deles, Are We Gonna Be Alright?, que será lançado no dia 14 de janeiro de 2022.

Na estrada desde 2013, o Fickle Friends é integrado por Natassja Shiner (vocal, teclados), Jack Wilson (teclados, guitarra, vocais, samples e programações), Jack Harry Herring (baixo e vocais) e Sam Morris (bateria). Eles fizeram inúmeros shows no Reino Unido e Europa antes de lançar seu álbum de estreia, You Are Someone Else (2018), que atingiu o 9º lugar na parada britânica. Sobre o novo single, Natassja nos dá alguns detalhes:

Love You To Death é pura diversão. Foi tão maneiro explorar esse novo lado Prince dos Fickle Friends! A música é tão simples e nos deu muito espaço para enlouquecer um pouco com a guitarra e os vocais de apoio. Acho que todo membro da família e seu vizinho canta isso! É uma música sobre amar tanto alguém que você pode até matá-lo. Estou muito impressionada com o quanto posso sentir às vezes, como se fosse demais na maior parte do tempo. É daí que vem essa música.”

Love Yo To Death– Fickle Friends:

Dion, lenda viva, lançará álbum com convidados do 1º escalão

Dion Stomping Ground

Dion Stomping Ground

Por Fabian Chacur

Em meio a tantas notícias ruins e a tantos artistas maravilhosos nos deixando, é fantástico poder divulgar novidades positivas de um dos grandes nomes do rock and roll. Trata-se do grande Dion, que aos 82 anos continua ativo e produtivo. Ele acaba de divulgar o clipe de Take It Back, e anuncia o lançamento de um novo álbum, Stomping Ground, que será lançado em 5 de novembro em CD simples, LP duplo de vinil e nas plataformas digitais. Outra faixa já havia sido divulgada com clipe, I’ve Got To Get To You (veja aqui).

Com 14 faixas, sendo apenas uma não inédita, o clássico Red House (de Jimi Hendrix), e na sua maioria composições do próprio Dion DiMucci em parceria com Mike Aquilina, Stomping Ground flagra o artista ao lado de grandes nomes de várias gerações do rock e do blues, entre os quais Bruce Springsteen, Patti Scialfa, Boz Scaggs, Rickie Lee Jones, G.E. Smith, Joe Bonamassa e Keb’ Mo, com o texto incluído no encarte (liner notes) escrito por ninguém menos do que Pete Townshend, um dos inúmeros fãs célebres do artista americano.

As duas faixas já disponibilizadas, ambas excelentes, são blues elétricos e sacudidos, e não é surpresa o fato de o lançamento ser feito pela KTBA Records, selo ligado à fundação Keep The Blues Alive, criada por Joe Bonamassa para manter o blues mais firme e forte do que nunca. Por sinal, esta gravadora teve como primeiro lançamento o disco anterior de Dion, Blues With My Friends (2020), com participações de Paul Simon, Jeff Beck e Bruce Springsteen.

Na ativa desde 1957, Dion fez sua fama inicialmente com o grupo vocal Dion And The Belmonts, embarcando posteriormente em uma brilhante carreira-solo. Sua mistura do rock inicial com o doo-wop mostrou-se original e impactante, gerando hits como A Teenager In Love, I Wonder Why, Runaround Sue, The Wanderer e Abraham Martin And John, só para citar alguns, até o fim dos anos 1960.

Desde então, se não visitou mais as paradas de sucesso, manteve-se ativo e gravando ótimos álbuns (alguns de música cristã), entre os quais o excelente Yo Frankie (1989), com participações de Bryan Adams, Lou Reed, Paul Simon, k.d. Lang e Patty Smith. Em 24 de março de 2022, estreará em Millburn, New Jersey (EUA) o musical The Wanderer, inspirado em sua bela trajetória musical.

Eis as faixas de Stomping Ground:

Take It Back– with Joe Bonamassa
Hey Diddle Diddle– with G.E. Smith
Dancing Girl– with Mark Knopfler
If You Wanna Rock ‘n’ Roll– with Eric Clapton
There Was A Time– with Peter Frampton
Cryin’ Shame– with Sonny Landreth
The Night Is Young– with Joe Menza and Wayne Hood
That’s What The Doctor Said– with Steve Conn
My Stomping Ground– with Billy F Gibbons
Angel In the Alleyways– with Patti Scialfa and Bruce Springsteen
I’ve Got To Get To You– with Boz Scaggs, Joe Menza and Mike Menza
Red House– with Keb’ Mo’
I Got My Eyes On You Baby– with Marcia Ball and Jimmy Vivino
I’ve Been Watching– with Rickie Lee Jones and Wayne Hood

Take It Back (clipe)- Dion e Joe Bonamassa:

Lana Del Rey divulga clipe e lançará mais um álbum em 2021

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Por Fabian Chacur

Lana Del Rey é uma das artistas mais produtivas da sua geração. Desde o lançamento de seu autointitulado álbum de estreia em 2010, a cantora e compositora americana não tem deixado seus inúmeros fãs sem material novo por um prazo muito grande. Desta vez, então, ela caprichou na encomenda. Em 19 de março, a moça de cabelos longos lançou com sucesso o álbum Chemtrails Over The Country Club. Agora, surpreendendo a muitos, anuncia outro, Blue Banisters, para o dia 22 de outubro, em vários formatos físico e nas plataformas digitais. O clipe de mais uma de suas faixas, a bela e melancólica Arcadia, acaba de ser disponibilizado.

Além de Arcadia, cujo clipe introspectivo tem tudo a ver com o momento atual vivido por todos nós, já tivemos três outras faixas do que será o 8º álbum de estúdio de Lana devidamente disponibilizadas nas plataformas digitais: Wildflower Wildfire, Blue Banisters e Text Book.

Com visual fortemente inspirado nos anos 1950 e 1960 e explorando sonoridades mais sofisticadas e densas daquele período, a cantora americana surpreende pelo fato de conseguir um resultado comercial excelente com seus álbuns, sendo que cinco deles atingiram o topo da parada britânica e dois nos EUA, sendo que todos (com a exceção do 1º, lançado de forma independente) atingiram ao menos o nº3 nas paradas de sucesso citadas.

Eis as faixas de Blue Banisters:

1. Textbook

2. Blue Banisters

3. Arcadia

4. Interlude – The Trio

5. Black Bathing Suit

6. If You Lie Down With Me

7. Beautiful

8. Violets for Roses

9. Dealer

10. Thunder

11. Wildflower Wildfire

12. Nectar of the Gods

13. Living Legend

14. Cherry Blossom

15. Sweet Carolina

Arcadia (clipe)- Lana Del Rey:

James Blunt lançará coletânea com hits e inéditas em novembro

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Por Fabian Chacur

Desde o estouro de You’re Beautiful, em 2004, o cantor, compositor e músico britânico James Blunt construiu uma trajetória repleta daquilo que é essencial para um artista digno de nota: boas canções. Sem apelar nem inventar muita coisa, ele sempre se mostrou capaz de nos proporcionar melodias e letras simples, mas inventivas o suficiente para envolver-nos de forma positiva. No dia 19 de novembro, Blunt lançará Stars Beneath My Feet (2004-2021), coletânea com 30 faixas incluindo hits e algumas novidades para os fãs.

Temos aqui quatro gravações inéditas. Love Under Pressure, ótima canção melódica e dançante composta por ele em parceria com o astro pop britânico Jack Savoretti, é a primeira delas a ser divulgada, e traz uma boa expectativa em relação às outras três, intituladas Unstoppable, Adrenaline e I Came For Love.

Outras quatro faixas são gravações ao vivo, entre elas Coz I Love You, registrada em uma performance de Blunt no mitológico festival de Glastonbury, no Reino Unido, um dos maiores do mundo.

Para quem, por ventura, ainda acredita ser James Blunt um one hit wonder (maravilha de um sucesso só), vale registrar que ele emplacou todos os seus seis álbuns no Top 10 britânico (sendo dois na 1ª posição) e quatro no Top 20 americano, além de ter vendido mais de 23 milhões de álbuns em todo mundo e vencido duas vezes os badalados Brit Awards e Ivor Novello Awards.

Eis as faixas de The Stars Beneath My Feet (2004-2021):

1. Love Under Pressure
2. 1973
3. Wisemen
4. Same Mistake
5. You’re Beautiful
6. Monsters
7. Tears And Rain
8. Bonfire Heart
9. I Really Want You (live in New York)
10. The Truth
11. Heart To Heart
12. Champions
13. Postcards
14. No Bravery (live in London)
15. Adrenaline
16. Smoke Signals
17. Unstoppable
18. Goodbye My Lover
19. Coz I Love You (live at Glastonbury)
20. So Long, Jimmy
21. Carry You Home
22. The Greatest
23. High
24. Don’t Give Me Those Eyes
25. OK
26. Stay The Night
27. Bartender
28. Cold
29. Where Is My Mind? (live in Paris)
30. I Came For Love

Love Under Pressure (lyric video)- James Blunt:

Baccara perde Maria Mendiola, 69 anos, integrante original

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Por Fabian Chacur

Um dos destaques da trilha sonora da novela global Espelho Mágico (1977) foi a faixa disco Yes Sir I Can Boogie. Esse hit, que atingiu o 1º posto em 14 paradas europeias na época, incluindo a do Reino Unido, marcou a efusiva estreia do duo Baccara. Neste domingo (12), foi divulgado em um perfil do Instagram que a cantora e dançarina espanhola Maria Mendiola, única integrante da dupla original na formação atual, infelizmente nos deixou aos 69 anos em Madrid, de causa não revelada.

Nascida em 4 de abril de 1952, Maria Mendiola trabalhava como dançarina em uma emissora de TV espanhola ao lado de Mayte Mateos (nascida em 7 de fevereiro de 1951) quando sugeriu à amiga que elas poderiam se dar bem cantando em dupla músicas dançantes. Seus caminhos se cruzaram com o do produtor Leon Dane, que trabalhava para a filial alemã da gravadora RCA e viu potencial nas duas. Não demorou para que elas fossem contratadas.

Com produção musical e composições a cargo dos alemães Frank Dostal e Rolf Soja, as espanholitas, agora se valendo do nome Baccara, gravaram um primeiro single em 1977. E logo de cara, a canção em foco, Yes Sir I Can Boogie, as levou a invadir as paradas europeias com sua levada disco com tempero latino e um jeitão de pop sensual e ingênuo. Deu tão certo que estourou também no Brasil, na gravação original delas e na divertida versão em português interpretada pela paraguaia Perla com o peculiar título Eu Sei Tudo Professor.

Essa faixa foi o carro-chefe do autointitulado álbum de estreia do Baccara, lançado no final de 1977. Outra canção desse álbum conseguiu boa repercussão nas paradas de sucesso, a também dançante e muito caliente Sorry I’m a Lady. Nas apresentações ao vivo, a marca registrada das moças era Mendiola de vestido branco e Mayte de preto, além das coreografias.

O 2º álbum do duo, Light My Fire (1978), trouxe como destaque um longo pot-pourry com quase 12 minutos reunindo mais uma composição de Dostal/Soja, Baby Why Don’t You Reach Out?, com a célebre Light My Fire, canção mais popular da carreira do The Doors. Releituras de La Bamba (Ritchie Valens) e Yummy Yummy Yummy (Ohio Express) também marcaram presença, mas o álbum vendeu pouco em relação ao anterior.

Outra tentativa, no mesmo ano, foi participar do festival Eurovision defendendo Luxemburgo com a canção Parlez-Vous Français?, que atingiu o 7º lugar na competição e também marcou presença no LP Light My Fire.

Após mais dois álbuns sem grande repercussão (Colours– 1979 e Bad Boys-1981), as duas integrantes do Baccara resolveram seguir caminhos distintos, ambas tentando se valer do nome Baccara e competindo intensamente pelos antigos fãs. No fim das contas, foi Maria Mendiola quem se deu melhor, e conseguiu sucesso (embora muito menor do que os antes) com faixas como Call Me Up, Fantasy Boy e Touch Me.

Após a saída de Mayte Mateos, Maria Mendiola teve a seu lado Marisa Perez (de 1985 a 2008), sua sobrinha Laura Mendiola (de 2008 a 2011) e Cristina Sevilla, outra amiga dos tempos de TV espanhola e que chegou a integrar a versão Baccara de Mayte nos anos 1980. E foi precisamente Sevilla quem anunciou, no Instagram, a morte da colega de dupla, ocorrida neste sábado (11) em Madrid.

Yes Sir I Can Boogie ganhou sobrevida desde os tempos da disco music graças a releituras de Sophie Ellis-Bextor, The Fratellis e Goldfrap, além de ter sido usada de forma informal como uma espécie de hino da seleção de futebol da Escócia durante a Euro 2020.

Yes Sir I Can Boogie (clipe)- Baccara:

Kika Malk e Renan Rodrix gravam bela canção com Bruno Gouveia

kika renan bruno- CREDITO Faab Santos

Por Fabian Chacur

O romantismo é o tema básico do trabalho da dupla Kika Malk e Renan Rodrix. Mas não qualquer romantismo. Eles mostram atitude e intenções realmente artísticas naquilo que fazem. E possuem um aval mais do que poderoso, o de Ney Matogrosso, espécie de mentor do casal que opina até na escolha de seu repertório. Após lançar o belo single-clipe Raro (veja aqui), eles nos oferecem outra faixa bem bacana, Pra Chamar de Amor.

A nova e envolvente canção conta com a participação especial de Bruno Gouveia, cantor do Biquini Cavadão, e o resultado da parceria não poderia ter sido melhor. A produção ficou a cargo do experiente músico Nani Dias, e o clipe registra as gravações em um estúdio carioca.

A dupla lançará ainda este ano o álbum Capítulo de 2, com faixas produzidas por Nani e também Felipe Cambraia, Jorge Valladão André Valle e Aurélio Kauffmann. Renan, que foi apresentado ao cenário musical pelo grande e saudoso Ezequiel Neves, jornalista mitológico e produtor do Barão Vermelho e de Cazuza, também promete para outubro o livro DisparArte, contendo caras e poemas e com prefácio de George Israel (ex-integrante do Kid Abelha).

Pra Chamar de Amor (clipe)- Kika Malk e Renan Rodrix:

Otis Redding: há 80 anos, nascia uma lenda da música mundial

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Por Fabian Chacur

Monterey Pop (1968), fantástico documentário sobre o festival de Monterey realizado em 1967, é um dos registros máximos da música popular em todos os tempos. Dirigido pelo genial D.A. Pennebaker, traz inúmeros momentos marcantes. E um dos exponenciais fica por conta da participação de um sujeito que, se estivesse vivo, completaria nesta quinta-feira (9) 80 anos de idade. Otis Redding não viveu isso tudo, mas a música dele, sim, e permanecerá viva enquanto houver mundo e pessoas com sensibilidade capazes de captar toda a sua energia positiva.

Nascido em Dawson, Georgia (EUA) em 9 de setembro de 1941, Otis é mais um desses frutos maravilhosos cultivados nas igrejas americanas frequentadas pelos negros. Nelas, aquela fé intensa, fruto de tanto sofrimento e injustiças impetradas a eles no decorrer de décadas e mais décadas, tomou o formato de uma música feita para desabafar, para armazenar energias e para ajudá-los a enfrentar a dura realidade. Durante décadas, permaneceu naquele ambiente.

A partir principalmente da década de 1950, elementos do que se convencionou chamar de música gospel começaram a pular a cerca dos campos religiosos e se endereçar ao meio secular, gerando caras amarradas por parte dos pastores e fiéis radicais e muita excitação por parte de quem começou a ouvir esse filho bastardo, que logo ganhou o nome de soul music. Os pais são diversos, mas o máximo é provavelmente o imenso Ray Charles. E alguns nomes foram fundamentais na consolidação desse estilo musical.

Nem é preciso dizer que Otis Redding foi um deles. Seu período de gravações foi bem curto, entre 1960 e 1967, quando morreu em um acidente de avião, mais precisamente no dia 10 de dezembro de 1967. No entanto, seu legado é absolutamente fundamental, pois ele conseguiu como poucos unir a intensidade e a devoção da música gospel original com uma categoria absoluta no trato de melodias e letras dignos da melhor música pop.

Meu momento favorito da espetacular performance dele em Monterey, que gerou um documentário próprio do próprio Pennebaker, é quando ele afirma que vai dar uma acalmada no clima do show e cantar uma música mais lenta. No caso, a impressionante I’ve Been Loving You Too Long (To Stop Now), uma das mais intensas declarações de amor jamais transformadas em música e letra.

O desempenho de Redding é de deixar todo mundo resfolegante, tamanho o tsunami de energia oferecido pelo cantor. Ele domina completamente o palco, os músicos e o público, com direito a uma repetição em quatro tempos da paradinha clássica da música que simplesmente nos deixa incrédulos. “Não, esse cara não conseguiu fazer isso!”. Mas fez. E como fez! Quando acaba, a platéia se rende, vibrando, gritando, aplaudindo, ciente de que presenciou um momento histórico.

Shake, Try a Little Tenderness, Respect,Mr. Pitiful, a deliciosa (Sittin On) The Dock Of The Bay (esta lançada de forma póstuma), enfim, o legado deixado por ele em seus 26 anos de vida nos mostra que em determinados momentos a música pode ir além de mero entretenimento e se transformar em verdadeiro alimentador de almas, dando-nos força para seguir adiante. A música de Otis tem esse poder. Desfrute disso, sem contra-indicações.

I’ve Been Loving You Too Long (live in Monterey)- Otis Redding:

Chrissie Hynde, 70 anos e um ícone feminino do rock mundial

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Por Fabian Chacur

Estádio do Morumbi (SP), janeiro de 1988. Este repórter e crítico musical que vos tecla se preparava para entrar em um elevador rumo à sala de imprensa da 1ª edição do Hollywood Rock, um dos mais importantes e badalados festivais de música da história desse país. Quando a porta abriu, o susto: saíram dela ninguém menos do que os integrantes de uma das principais bandas escaladas para o evento, The Pretenders. Quem me chamou a atenção foi a moça que, nesta terça (7) completou 70 bem-vividos anos de existência, uma certa Chrissie Hynde.

Achei-a com uma certa semelhança à nossa amada Rita Lee, em termos de presença física. Ao seu lado, o então guitarrista do grupo, outro grande ícone do rock, Johnny Marr, que havia há pouco saído dos Smiths e iniciava uma trajetória muito significativa longe da banda que o consagrou. Emocionante esse rápido contato, só superado pelo ótimo show que os Pretenders proporcionaram ao público presente ao estádio paulistano.

Quem se debruçar na história da presença feminina no nosso amado rock and roll certamente chegará à conclusão de que essa cantora, compositora e guitarrista nascida em Akron, Ohio (EUA) em 7 de setembro de 1951 possui um papel dos mais importantes. Afinal de contas, ela, após passagens por Londres e Paris em tentativas frustradas de integrar uma banda de rock, conseguiu enfim em 1978 criar a sua própria. Detalhe: liderando três rapazes.

Os caras em questão eram os ótimos músicos britânicos Pete Farndon (baixo- 1952-1983), James Honeyman-Scott (guitarra- 1956-1982) e Martin Chambers (bateria- 1951). A química entre os quatro se mostrou certeira, com Chrissie (vocal e guitarra) se destacando como a principal figura do time, com sua voz potente e suas canções certeiras. Resultado: dois álbuns clássicos, Pretenders (1980) e Pretenders II (1981).

Quando estava no auge, o grupo teve lidar com uma crise que culminou em 1982 com a demissão de Farndon e com a morte, dois dias após essa traumática decisão, de Honeyman-Scott (Farndon nos deixaria em 1983). Nesse momento, Hynde deu uma bela volta por cima. Em 1984, com Robbie McIntosh na guitarra e Malcolm Foster no baixo, o quarteto voltou e nos proporcionou outro álbum matador, Learning To Crawl.

Get Closer (1986), outra pérola pretenderiana, veio para manter a banda em alta, mas marcou o início do que viria a ser a sua marca: trocas nas formações, as idas e voltas de Martin Chambers e o comando com mão de ferro de Chrissie. Sua visão feminista, seu veganismo e associação com causas humanitárias bacanas, além de relacionamentos afetivos com ícones do rock como Ray Davies (The Kinks, com quem teve a filha Natalie) e Jim Kerr (Simple Minds, com quem teve a filha Yazmin) a tornaram uma personagem marcante no cenário musical, sempre com boas entrevistas.

A carreira dos Pretenders, assim como incursões solo de Hynde e participações em trabalhos alheios, ajudaram a firmá-la como uma artista extremamente efetiva, que soube desenvolver seu imenso talento como cantora, compositora e também relendo músicas alheias, como fez este ano com Standing in the Doorway: Chrissie Hynde Sings Bob Dylan, dedicado a canções do autor de Like a Rolling Stone. E que venha mais coisa boa por aí!

Brass In Pocket (clipe)- The Pretenders:

Sting volta a investir em canções inéditas em seu próximo álbum

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Por Fabian Chacur

Quem aguardava por um novo disco solo de inéditas de Sting pode se preparar. Está programado para o dia 19 de novembro o lançamento de The Bridge, 1º disco nesse formato desde 57th & 9th (2016). Nesses últimos cinco anos, ele lançou um álbum em parceria com o jamaicano Shaggy (44/876-2018), um de releituras de seus hits (My Songs– 2019) e uma coletânea com duetos (Duets– 2021).

O 1º single de The Bridge acaba de ser disponibilizado nas plataformas digitais. Trata-se de If It’s Love, canção que tem na descoberta do amor e suas contra-indicações a sua inspiração e com um perfil pop daqueles grudentos. O assovio, a marca registrada dessa faixa, entra no cérebro do ouvinte e não sai mais. Muito boa! Ele falou um pouco sobre a motivação para escrever mais esse possível hit em entrevista ao jornal Los Angeles Times:

“Certamente não sou o primeiro compositor a comparar o amor ou o desapaixonar-se a uma doença incurável, nem serei o último. A canção If It’s Love é minha adição a esse cânone onde os metafóricos sintomas, diagnóstico e incapacidade absoluta são familiares o suficiente para fazer cada um de nós sorrir com tristeza”.

If It’s Love– Sting:

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