Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Category: Resenhas (page 1 of 48)

Adam Levine fuma marijuana no clipe da canção Nobody’s Love

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Por Fabian Chacur

Tem single novo do Maroon 5 no pedaço. E não se trata de qualquer um. Pena que esse destaque não seja em termos musicais, porque Nobody’s Love é bem inferior ao que de melhor a banda americana já nos proporcionou, sendo um eletroreggae pop bem derivativo e sem muito pique. Mas, em seu clipe, o vocalista Adam Levine aparece durante todo o tempo fumando um cigarro daquela famosa e cultuada erva proibida que tanta polêmica traz sempre que entra em pauta.

Com direção a cargo de David Dobkin, que já trabalhou anteriormente com a banda em diversos outros clipes, a filmagem foi feita valendo-se apenas de um iPhone. Nela, Levine é flagrado em uma espécie de sala de estar ao ar livre, com direito a um abajur descolado e um sofá confortável, no qual o cantor permanece mandando bala no seu baseado.

Ao fim da música, que dura pouco mais do que três minutos, aparece um texto na tela com uma mensagem que defende o fim da “guerra contra a marijuana”, que, segundo o texto, “fracassa em reduzir o seu uso e disponibilidade e desvia recursos que poderiam ser melhor investidos em nossas comunidades”.

A banda também promete fazer uma doação à ACLU (American Civil Liberties Union, união americana pelas liberdades civis), que entre outras causas abraça a do fim da guerra contra a marijuana.

Este é o segundo single inédito lançado pelo Maroon 5 nos últimos meses. O primeiro apareceu nas plataformas digitais em setembro de 2019, o também mediano Memories (veja o clipe aqui). Não se sabe se ambos estarão no próximo álbum do grupo americano, que será o sucessor de Red Pill Blues (2017).

Nobody’s Love (clipe)- Maroon 5:

Kylie Minogue promete o álbum Disco para novembro; ouça single

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Por Fabian Chacur

A estrela australiana Kylie Minogue acaba de divulgar a capa do que será o seu 15º álbum de carreira. O título é Disco, e a gravadora Warner Music promete colocá-lo no mercado em novembro. Como forma de colocar um gostinho na boca de seus milhões de fãs mundo afora, já está devidamente disponível nas plataformas digitais o primeiro single a ser extraído deste trabalho inédito, ainda sem um clipe oficial, provavelmente em função da pandemia do novo coronavírus.

Say Something é uma faixa dançante, pra cima, e uma possível definição para ela pode ser “a melhor faixa upbeat de Madonna dos anos 1980 que a cantora americana jamais compôs ou gravou”. A influência da estrela pop ianque se mostra mais forte do que nunca, mas isso não apaga o impacto deste single, que tem tudo para repetir o ótimo desempenho de seu disco anterior, Golden (2018).

Desde que invadiu a cena pop em 1988 com seu single de estréia, a releitura de The Loco-Motion (hit com Little Eva e Grand Funk Railroad), Kylie nunca saiu das paradas de sucesso, com suas canções dançantes e shows sempre elaborados e recheados de surpresas. Um bom exemplo foi o que ela realizou no festival de Glastonbury, na Inglaterra, em 2019, um dos mais elogiados deste evento.

Say Something(áudio)- Kylie Minogue:

Jamie Cullum lança single inédito e bem retrô Don’t Give Up On Me

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Por Fabian Chacur

Aproximadamente um ano depois do lançamento de seu mais recente álbum, Tailer (2019), o excelente cantor, compositor e tecladista britânico Jamie Cullum oferece uma novidade aos fãs espalhados pelos quatro cantos do mundo. Trata-se do single Don’t Give Up On Me, já disponível nas plataformas digitais e divulgado por um clipe no popular formato lyric video, com muita elegância e eficiência.

Com uma levada rítmica no melhor estilo Motown Records, com ecos do clássico You Can’t Hurry Love, das Supremes, mas reaproveitado de forma própria, o astro que completará 41 anos de idade no próximo dia 20 de agosto mostra a desenvoltura de sempre, oferecendo-nos uma canção pop e dançante sem cair no ramerrão e com sua voz deliciosa conduzindo tudo.

Com mais de 20 anos de estrada, Jamie Cullum merecia muito mais sucesso comercial do que tem, mas ainda assim conseguiu cativar um público fiel, inclusive no Brasil, onde fez shows concorridos. Se os seus oito álbuns de estúdio são bem bacanas, é nos palcos que o cara se mostra mais à vontade, sempre esbanjando carisma e talento como cantor, pianista e performer.

No repertório, temos uma seleção de canções próprias mescladas com standards sempre muito bem explorados. A releitura que ele faz de Rocket Man, de Elton John (ouça aqui) é um bom exemplo dessa sua capacidade de incorporar canções alheias com muita personalidade e classe.

Leia mais sobre esse craque do pop-jazz-funk aqui.

Don’t Give Up On Me– Jamie Cullum:

Tuia aposta em eletrofolk em seu novo single e clipe, De Repente

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Por Fabian Chacur

Tuia não está se deixando influenciar pelo clima pesado gerado pela pandemia do novo coronavírus. Após lançar um novo e ótimo álbum pela gravadora Kuarup, Versões de Vitrola Vol. 1 (leia a resenha aqui), o cantor, compositor e músico paulista não perde tempo e lança um novo single, De Repente, que está disponível em áudio e também em um elegante clipe.

A nova faixa é bastante diferente do material lançado por ele até aqui. Desta vez, Tuia nos oferece uma mistura do seu som folk-rock rural com uma batida dançante e um apelo pop escancarado, com direito a refrão hipnótico, timbres instrumentais deliciosos e uma prevalência do som de teclados.

O resultado agrada em cheio, e conta com produção do multi-instrumentista Victor Jadowski e masterização a cargo de João Milliet. Ele define a nova levada apresentada neste lançamento como eletrofolk ou folkbeat. A letra investe em positividade e astral positivo, sem cair na mediocridade ou obviedade. Para dar uma arejada em tempos tão incertos.

De Repente (clipe)- Tuia:

Documentário no Canal Brasil mostra luta de músicos no Mali

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Por Fabian Chacur

Que tal viver em um país no qual, da noite para o dia, fazer e ouvir música passa a ser um crime passível de mutilação e até mesmo morte? Parece uma distopia inventada por algum roteirista criativo demais e pervertido demais, não é mesmo? Pois foi exatamente isso o que ocorreu no continente africano, mais precisamente no Mali, em 2012. Como resistir e se rebelar contra tamanho horror? Eis o mote de They Will Have To Kill Us First (2015), emocionante documentário que o Canal Brasil exibe nesta terça (14) às 11h e nesta quinta (16) às 15h30.

A história tem origem em um golpe de estado promovido por uma aliança que se mostraria desastrosa entre membros da etnia tuareg e jihadistas islâmicos no intuito de derrubar o governo do Mali. Quando conseguem seu intento, as alas mais radicais da parceria, ligadas a organizações funestas como Al Qaeda e Estado Islâmico, assumem a ponta da ação e tomam conta do norte do país, incluindo cidades importantes como Timbuktu e Gao.

Como sempre costuma ocorrer quando milícias armadas e religiosos fanáticos se unem, o novo “regime” impõe uma legislação retrógrada, repressiva e violenta intitulada Sharia. Entre outras coisas, é proibida a execução em rádios e TVs de música de quaisquer tipos, além de shows e de músicos. E é neste ponto do golpe ocorrido em 2012 que a diretora americana Johanna Schwartz centra o seu foco.

A forma encontrada por ela para abordar esse verdadeiro cenário de horrores foi dar voz a personagens da cena musical de Mali. Temos aqui a cantora Khaira Arby, apelidada por seus inúmeros fãs de Rouxinol do Norte, a cantora Disco e seu marido Jimmy (envolvido no golpe e claramente arrependido de sua ação), o emergente grupo Songhoy Blues e o músico Moussa Sidi.

Longe de suas cidades natais, eles se abrigam no sul do Mali, na cidade de Bamako, ou mesmo no país vizinho Burkina Faso, em campos de refugiados. Em comoventes depoimentos, falam sobre seu passado, suas angústias e seus sonhos de um futuro melhor durante um período de três anos.

Como rebeldes que não aceitavam a “nova ordem” imposta pelos jihadistas eram punidos com mutilações (uma delas mostrada no filme de forma chocante, provavelmente extraída de vídeo postado na internet) ou morte, a luta deles pela liberdade de expressar seus talentos se mostra difícil, porém vencedora.

Khaira e Disco conseguem organizar o primeiro show público em Timbuktu após três anos, evento realizado na raça, contra todas as dificuldades. Por sua vez, Moussa consegue retornar à cidade natal, para ver seu lar totalmente destruído pelos “revolucionários”, mas encontrando a esposa ainda viva.

O grupo Songhoy Blues, que realiza uma excitante, criativa e vibrante mistura de blues, rock e música africana, tem um destino melhor. Com o apoio dos astros Damon Albarn (Blur e Gorillaz), Brian Eno e Nick Zinner (do grupo Yeah Yeah Yeahs), conseguem gravar, na Inglaterra, seu primeiro álbum, apropriadamente intitulado Music In Exile (2015)(veja um clipe deles aqui).

O título do documentário (eles terão de nos matar primeiro) sai de um dos depoimentos dos personagens, que mostram sua devoção e comprometimento com a música. Este documentário serve não só como o registro de uma verdadeira tragédia humanitária ocorrida na sofrida África como também um potente alerta para quem se sente seguro, mesmo vendo a união de forças retrógradas, fanatizadas e violentas ampliando seus tentáculos e tomando o poder nos quatro cantos do mundo. Aconteceu (e ainda acontece!) no Mali, pode se materializar em qualquer parte do mundo, especialmente no BRASIL!

They Will Have To Kill Us First (trailler):

Veja mais um trailler do filme aqui.

Luiz Millan cria verdadeiro sarau musical em Achados & Perdidos

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Por Fabian Chacur

Embora toque, cante e componha desde os anos 1970, o médico com especialização em psiquiatria Luiz Millan passou a se dedicar com mais força à carreira musical a partir de 2011, quando lançou seu primeiro CD, Entre Nuvens. Desde então, tivemos mais três CDs e um DVD (Dois Por Dois Ao Vivo, leia resenha aqui). Agora, chega a vez de Achados & Perdidos, lançado nas plataformas digitais e também em uma luxuosa edição em CD.

Como tem sido praxe em seus trabalhos, Millan escalou gente do primeiro escalão da música. Temos aqui o consagrado tecladista Michel Freidenson, fiel escudeiro e também coprodutor deste álbum, Sylvinho Mazzucca (baixo), Edu Ribeiro (bateria), Léa Freire (flauta) e Adriana Holtz (celo), entre outros.

Em termos vocais, Millan assume a função de cantor solo em três faixas, e faz duetos em outras quatro canções com uma das grandes revelações das últimas décadas, a cantora e compositora Giana Viscardi. Ela também se incumbe de duas músicas sozinha, e uma em dueto com Mauricio Detoni. As quatro faixas restantes são instrumentais, interpretadas por Michel Freidenson e Grupo.

Pela primeira vez, ele relê canções de outros autores. São quatro: Samba da Pergunta (Pingarilho e Marcos Vasconcellos), Brasil Com S (Rita Lee e Roberto de Carvalho), Não Pode Ser (Marcos e Paulo Sérgio Valle) e Outro Cais (Eduardo Gudin e José Costa Neto). As outras dez são de sua autoria, sendo três (incluindo a faixa-título) escritas com o saudoso Moacyr Zwarg (1945-2017), uma sozinho (em homenagem a Zwarg), duas com Plinio Cutait, uma com Michel Freidenson, outra com Mauricio Detoni, uma com Ivan Miziara e uma com a esposa Marília.

Munido deste repertório de primeiríssima linha, Luiz Millan montou um álbum que equivale a um refinado e delicioso sarau musical, viajando com categoria por diversas vertentes da nossa música popular, com ênfase em bossa nova. Com uma voz muito bem colocada e com timbre equivalente a um intermediário entre Toquinho e João Donato, ele se mostra desenvolto tanto sozinho como nos deliciosos duetos com Giana, cuja performance é sublime, para dizer o mínimo.

Em um momento no qual a cultura brasileira sofre com o criminoso descaso por parte do governo federal e também com as consequências da pandemia do novo coronavírus, é uma verdadeira bênção poder ouvir um trabalho do altíssimo calibre deste Achados & Perdidos. A edição física é simplesmente sublime, com encarte com letras, ficha técnica e fotos dos músicos e de várias fases da vida deste admirável doutor da canção, Luiz Millan.

Ouça o álbum Achados & Perdidos em streaming:

Elton John lança uma parceria com o duo americano Surfaces

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Por Fabian Chacur

Em 2017, os amigos Forrest Frank (vocal e guitarra) e Colin Padalecki (teclados, composições e arranjos) resolveram iniciar uma parceria musical. Nascia o Surfaces, duo que aos poucos vai conquistando bons espaços na cena pop atual. A prova de que a brincadeira começou a ficar séria ocorre agora, quando eles lançam o single Learn To Fly, que conta com a participação mais do que especial de ninguém menos do que Elton John. Eles explicam como surgiu a oportunidade para essa parceria tão especial:

“Depois que gravamos a demo, ela ficou meio que flutuando por aí, até que chegou às mãos de Elton John, que quis fazer parte da faixa. Depois de uma série de sessões em estúdio via Zoom, nós conseguimos gravar juntos em quarentena. Trabalhar com Elton John nos promoveu uma sensação comparável a da ideia de ganhar um Grammy. Ele é tão apaixonado e motivado, nós não poderíamos ter desejado uma colaboração mais fácil do que essa. Nós esperamos que essa canção possa espalhar amor nesse momento em que o mundo tanto precisa, e que possa inspirar as pessoas a abrirem seus corações”.

Sempre atento ao surgimento de novos talentos e disposto a colaborar com essas revelações da música, Elton também comentou sobre a parceria, no mesmo press release enviado à imprensa pela gravadora Universal Music:

“Eu ouvi Sunday Best pela primeira vez na Austrália e eu amei a música, portanto, eu fiquei surpreso quando esses caras vieram até mim e pediram que eu cantasse e tocasse um pouco de piano em Learn To Fly. Eu amei a canção e a produção da faixa que eles me enviaram. Nós gravamos via Zoom em Los Angeles e fui super legal trabalhar em uma gravação não-autoral. Esses meninos são incríveis e nos divertimos muito trabalhando em colaboração”.

Sunday Best (ouça aqui), a canção a que Elton se refere, é faixa do 2º álbum do Surfaces, Where The Light Is (2019), e tornou-se um grande sucesso mundial este ano, invadindo as paradas de sucesso com sua levada leve e pra cima.

Colin e Forrest lançaram três álbuns até o momento: Surf (2017), Where The Light Is (2019) e Horizons (que saiu em fevereiro deste ano). Em tempos tão pesados e inseguros como os atuais, a música do Surface soa como uma espécie de refresco sonoro, com seus vocais delicados, melodias bem concatenadas e variações rítmicas de quem sabe prender o seu ouvinte com categoria.

Entre as várias faixas que lançaram nesses três anos de atividade, bons exemplos desse verdadeiro pop ensolarado são a new bossa eletrônica Good Day (ouça aqui), o reggae Lazy (ouça aqui), a deliciosa r&b Keep It Gold (ouça aqui).

Valendo-se dos mais modernos recursos eletrônicos, mas também explorando sonoridades vintages de instrumentos típicos do pop dos anos 1980, os amigos americanos oriundos do estado do Texas provam que tem potencial para ir longe. Sunday Best atingiu até agora a 19ª posição na parada pop americana, e Learn To Fly pode levá-los a um patamar superior nos charts.

Curiosidade: esta última traz um pequeno trecho melódico que lembra Sukiyaki, hit que chegou ao primeiro lugar nos EUA em 1963 com o cantor japonês Kyu Sakamoto e ao 3º lugar, em versão em inglês, com o A Taste Of Honey em 1980. O trecho é o mesmo que inspirou, consciente ou inconscientemente, Tudo Bem, hit em 1985 com Lulu Santos, aquela do “nem sempre é so easy se viver”.

Learn To Fly (lyric video)- Surfaces + Elton John:

Gabi Doti esbanja sutilezas e talento no álbum Outra Razão

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Por Fabian Chacur

Gabi Doti é uma cantora e compositora uruguaia que está radicada há muito tempo em Brasília (DF). Há aproximadamente dez anos, esta graduada em administração começou a se dedicar à música de forma mais intensa. Em 2014, lançou dois álbuns simultaneamente, Aguas del Tiempo e La Niña en La Pantalla. Em 2018, foi a vez de Mundo Nada Particular, gravado ao vivo. Agora, temos Outra Razão, disponível nas plataformas digitais e também em caprichada versão em CD. E daí, diria o outro?

Basta uma primeira audição deste álbum para se chegar à conclusão de que não se trata de pouca coisa. Não mesmo. Em seus trabalhos iniciais, Gabriela (seu nome de batismo) já dava mostras de que não tinha entrado na cena musical para perder tempo. Com canções de sua autoria consistentes e performances convincentes em shows, a moça conquistou aos poucos o respeito do público de sua cidade. Mas ela percebia que podia ir ainda além.

A sementinha que gerou Outra Razão foi o encontro de Gabi com o consagrado produtor brasileiro radicado há quatro décadas nos EUA Moogie Canazio, que trabalhou com artistas do porte de Caetano Veloso, Rita Lee, Sergio Mendes, Ivan Lins, Simone, Nathan East e Luis Miguel, entre muitos outros. Ao lado de seu verdadeiro braço direito, o tecladista Daniel Baker, ela deu início a um produtivo processo criativo que gerou este novo trabalho.

Gravado no estúdio EastWest Recording, em Los Angeles (EUA), o álbum contou com um time afiadíssimo de músicos, tendo Baker como tecladista. Na guitarra, Tim Pierce, que marcou presença em mais de mil discos de astros do porte de Michael Jackson, Elton John, Bruce Springsteen, Celine Dion e Christina Aguilera. O baixista Sean Hurley, por sua vez, atuou com Annie Lennox, Ringo Starr, Alanis Morissette, John Mayer e Colbie Caillat, só para citar alguns dos craques com quem já trabalhou.

O baterista Jamie Wollam toca há dez anos com o Tears For Fears e completa o time básico que atua no disco, sendo que outro destaque fica por conta do percussionista Rafael Padilla, cujos serviços já foram utilizados por Diana Ross, Shakira, Gloria Estefan e Thomas Dolby, entre outros.

E daí, diria algum cético? Vários discos contaram com Moogie e com esses craques citados e não conseguiram grandes resultados em termos artísticos e comerciais, da mesma forma que muitos times de futebol já reuniram elencos invejáveis que, na prática, deram poucas alegrias a seus torcedores, sendo a fase dos “galácticos” do Real Madrid da década passada um bom exemplo.

Pois aqui reside o grande mérito de Gabi Doti. Sabendo que iria ter a seu serviço gente desse altíssimo gabarito, ela fez a sua lição de casa. Partiu de um universo inicial de 31 composições, reduziu-o com o tempo para 15 (que foram devidamente arranjadas) e, dessas, foram selecionadas as 10 incluídas no álbum.

Dessa forma, a moça soube extrair de seus colaboradores aquilo que sua voz e suas composições necessitava. O resultado certamente agradará quem busca música pop sofisticada e boa de se ouvir, uma mistura de rock melódico, funk de verdade, folk, r&b e um elenco de sutilezas capazes de agradar a ouvidos exigentes, sem cair naquele perigoso território do “ah, como meu umbigo é lindo”.

O trabalho de Gabi nos exibe elementos do pop oitentista, e demonstra influências de gente como Marina Lima, Tanita Tikaram, Joni Mitchell, Carole King, Soraya e Zélia Duncan, só para citar algumas possíveis referências. Mas tudo do seu jeito, com sua própria delicadeza, e com letras falando sobre as idas e vindas do amor e da vida.

O álbum tem início com Verdade Ou Mentira, com sua levada meio hipnótica a la Fullgás, de Marina Lima. Silêncio Capital propõe um clima funk-samba-jazz, como ela própria autodenomina na letra. Eco é um rockão swingado com direito a refrão irresistível e belos vocais, enquanto Nonsense envolve com seu jeitão de pop-rock melódico brasileiro oitentista.

Otra Razón, escrita em castelhano, possui uma levada de balada folk que tem grandes afinidades com uma parte da produção pop dos países portenhos, e cativa com sua sentida melancolia (o clipe que a divulga é belíssimo). Nosso Jeito tem um formato delicioso de rock balada, e arranca arrepios graças a um refrão preciso e um arranjo de cordas simplesmente maravilhoso, do tipo obra prima, bem desempenhado pela Orquestra St. Petesburg.

Spotlight segue com categoria a linha de rock swingado, enquanto Sublimação vai na mesma veia de Verdade Ou Mentira, só que ainda melhor e mais bem resolvida. Iguais é uma balada sweet soul com arranjos de cordas nitidamente lembrando os do genial Barry White, com direito até a aqueles sutis diálogos entre cordas e vocais, outra participação classuda da Orquestra St. Petesburg.

O álbum se encerra com o que é definido pela artista como uma faixa-bônus, que é Good Times, com letra em inglês e uma levada r&b que remete a Lisa Stansfield, Swing Out Sister e um pouco o já citado Barry White.

Outra Razão é um disco para ser ouvido muitas vezes, pois foi concebido com tamanha delicadeza e inspiração que não merece passar batido. Não se encaixa na média do que se faz atualmente no mainstream pop, e isso pode ser um empecilho para que faça muito sucesso, mas possui qualidade suficiente para cativar quem busca aquela consistência e categoria que o pop oitentista, em seus melhores momentos, nos oferecia. E é radiofônico no melhor sentido do termo, ou seja, aquele tipo de som acessível que não brinca com a nossa inteligência.

Ouça o álbum Outra Razão em streaming aqui

Otra Razón (clipe)- Gabi Doti:

Mahmundi investe em um som de banda em seu álbum Mundo Novo

Por Fabian Chacur

Aos 33 anos de idade, Marcela Vale tem muitas histórias para contar. Filha adotada por uma família de evangélicos, a moça se envolveu com a música desde cedo, tocando bateria e violão e cantando em igrejas. Com o tempo, sentiu que era essa musa que desejava seguir. Mas não foi fácil. Durante anos, conciliou trabalhos fora dessa área com a atuação como técnica de áudio e microfonista de lugares como o Circo Voador e a Fundição Progresso.

Há cerca de 10 anos, resolveu encarar o desafio de uma carreira como cantora, musicista e compositora. Desde então, conhecida pelo nome artístico Mahmundi, vai pavimentando uma trajetória das mais interessantes. Efeito das Cores (2012) e Setembro (2013), dois EPs, foram os seus primeiros lançamentos. Em 2016, veio o primeiro álbum, Mahmundi, pelo selo Stereomono-Skol Music.

Sua parceria com a gravadora Universal Music teve início em 2018 com o álbum Para Dias Ruins. Desde o início, mostrou uma voz doce e muito bem colocada, aliada a canções que, como um todo, dificultam uma rotulação. Seria nova MPB, pop, soft rock, eletropop, r&b, reggae, soul? Ou seria tudo isso junto e misturado? Pouco importa, pois a qualidade é o que importa, e é grande.

Mahmundi nos oferece ecos de Corinne Bailey Rae, Marina Lima, Marisa Monte e Erikah Badu, só para citar algumas possíveis referências, mas do seu jeito. Mundo Novo, seu novo álbum, acaba de ser disponibilizado nas plataformas digitais, e tem tudo para ampliar ainda mais os seus horizontes profissionais em termos de público e crítica especializada.

São sete faixas (incluindo uma espécie de vinheta). Uma, inteligentemente escolhida para iniciar a divulgação do trabalho, é a hipnótica Nova TV, uma das duas parcerias com o artista carioca Castello Branco incluídas neste álbum (a outra é Nós de Fronte). Trata-se de uma gravação absolutamente perfeita, que te prende do primeiro ao último segundo, com letra e melodia envolventes.

Sem Medo, parceria com Felippe Lau, fecha o lado autoral. Convívio (Paulo Nazareth) e Vai (Frederico Heliodoro), de dois talentosos compositores da nova geração, estão aqui. O repertório é fechado com uma bela releitura de No Coração da Escuridão, composição de Dadi e Jorge Mautner gravada pelo primeiro originalmente em seu autointitulado álbum de 2005 com marcante participação de Caetano Veloso nos vocais.

Mundo Novo equivale a um álbum conciso (tem pouco mais de 20 minutos de duração) que deixa aquele adorável gostinho de quero mais, amostra luxuosa de uma artista que tem tudo para pavimentar uma discografia preciosa. Em entrevista por telefone a Mondo Pop, a artista carioca atualmente radicada em São Paulo nos dá algumas pistas de suas intenções musicais.

MONDO POP- Como foi o seu encontro com a música, e o que você ouvia quando criança e adolescente?
MAHMUNDI
– Minha educação musical foi muito restrita à música gospel, pois meus pais são religiosos. Ouvia música gospel americana e brasileira. Comecei, na igreja, a tocar violão e bateria. Só depois fui ouvir outras coisas, como Legião Urbana, Oasis, Keane, Avril Lavigne.

MONDO POP- Qual a diferença básica do conceito deste novo trabalho em relação aos anteriores?
MAHMUNDI
– Tenho uma assinatura estética em cada um deles. A ideia em Mundo Novo era fazer algo que soasse mais como uma banda, saindo da produção sozinha, dos sintetizadores e tudo mais. Então, partimos pra um trabalho com coprodução do músico Frederico Heliodoro, que trouxe suas referências de música instrumental. Eu assino a direção e a produção musical e ele fez a coprodução do álbum.

MONDO POP- Mundo Novo tem uma duração de 22 minutos, não muito comum em álbuns tradicionais. Há quem rotule um trabalho com essa duração como EP. Como você encara essa questão?
MAHMUNDI
– Para mim, esse trabalho é um álbum, pois tem um formato atual, adaptado para os dias atuais. Toda a concepção dele é a de um álbum, desde a seleção de faixas até a concepção final, capa, encarte etc.

MONDO POP- Esse é o seu segundo álbum lançado por uma gravadora grande, a Universal Music. Como está sendo a relação entre vocês?
MAHMUNDI
– Minha relação com a Universal é maravilhosa. Eu cuido de tudo em termos artísticos e criativos, e eles me dão todo o apoio necessário na parte de divulgação. A sugestão de que Nova TV fosse a primeira faixa de trabalho, por exemplo, foi uma sugestão deles que acabei aceitando.

MONDO POP- Aliás, já que tocamos nessa faixa, fale um pouco sobre ela.
MAHMUNDI
– É uma parceria com o Castello Branco, que é um artista carioca maravilhoso. Vi um texto dele em uma rede social, gostei muito e adaptei para a criação desta canção. Adoro TV, ver o que as pessoas fazem nos botecos, sair dessa visão de Sudeste que as pessoas tem do Brasil. Somos muito presos aos celulares, e essa música fala sobre isso.

MONDO POP- Como surgiu a ideia de reler No Coração da Escuridão?
MAHMUNDI
– Conheci o Dadi quando ele tocava com a Ana Cañas, em um show no Circo Voador. Eu nem sabia quem ele era, e vi que ele tocava muito, fiquei impressionada como ele era bom. Fiquei amiga dele, e depois fui saber de tudo o que ele já tinha feito em sua carreira. É uma pessoa muito profunda. Este álbum é um encontro muito bonito entre eu e outras pessoas, conectei-me com o melhor das pessoas envolvidas neste trabalho.

MONDO POP- O título do seu disco anterior é Para Dias Ruins. Este é Mundo Novo. No caso do que você está lançando agora, isso tem a ver com o que estamos vivendo nesse momento atual?
MAHMUNDI
Mundo Novo é uma relação muito pessoal, muito comigo mesma, comecei a criar o conceito desse trabalho em 2019. Fiz psicanálise e me descobri muito nesse processo. Quanto ao que está acontecendo hoje, não dá pra ficar só batendo panelas, só reclamando. Não podemos nos bloquear, é preciso seguir em frente, pois isso vai passar. O brasileiro consegue de um jeito muito espirituoso resolver as coisas.

Nova TV– Mahmundi:

Cosmo’s Factory (1970), o auge do Creedence Clearwater Revival

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Por Fabian Chacur

Nesta quinta (28), John Fogerty completa 75 anos de idade. Em abril, Doug Cosmo Clifford (no dia 24) e Stu Cook (no dia 25) atingiram a mesma idade. Como forma de homenagear esses três grandes músicos, resolvi mergulhar de cabeça no mais bem-sucedido álbum da carreira da banda que os consagrou, o Creedence Clearwater Revival. Trata-se de Cosmo’s Factory, que no dia 25 de julho celebrará 50 anos de seu lançamento. A homenagem também se estende ao quarto integrante do time, o saudoso Tom Fogerty (9-11-1941/6-9.1990).

Em 1970, poucas bandas de rock se aproximavam do Creedence Clearwater Revival em termos de popularidade. Em um período de dois anos, haviam lançado quatro álbuns que atingiram os primeiros postos das paradas de sucesso do planeta, todos recheados de singles certeiros, entre os quais Proud Mary, Suzy Q, Down On The Corner, Green River e Fortunate Son, só para citar alguns. Como explicar tanto sucesso e produtividade artística em tão curto período de tempo?

Não, o CCR não surgiu do nada. Na verdade, os colegas de ginásio John, Doug e Cook tocavam juntos desde o finalzinho dos anos 1950, quando ainda eram adolescentes imberbes. Pouco depois, Tom, o irmão mais velho de John, entrou no time, na época intitulado The Blue Velvets. Durante anos, o quarteto tocou em bares, e gravou singles a partir de 1961, inicialmente como Tommy Fogerty & The Blue Velvets e também Tommy Fogerty & The Blue Violets.

Em 1964, foram contratados pela Fantasy Records, agora batizados de The Golliwogs. Eles lançaram diversos singles, mas sem o desejado sucesso comercial. Pode-se dizer que, dessa forma, os garotos fizeram o seu caminho das pedras, aprendendo a tocar e gravar e conquistando dessa forma um entrosamento impressionante. Em 1966, John e Clifford tiveram de servir o exército, mas nem isso baixou a guarda do grupo.

Mudança de nome e o sucesso enfim se concretiza

O ponto de mudança ocorreu em 1967, quando a Fantasy Records foi adquirida pelo ambicioso Saul Zaentz. Ele viu o enorme potencial daquele quarteto endiabrado e resolveu apostar de vez nele, mas com uma condição: deixar o tolo nome Golliwogs e adotar outro mais palatável. A sugestão foi aceita.

No início de 1968, o agora rebatizado Creedence Clearwater Revival vinha à tona. Naquele mesmo ano, no mês de maio, lançou seu autointitulado álbum de estreia, de sucesso moderado, mas com um single matador, Suzie Q (releitura do clássico rockabilly de Dale Hawkins), que chegou ao 11º lugar nos EUA.

O ano de 1969 marcou um verdadeiro tsunami roqueiro por parte de John Fogerty e seus asseclas. Em apenas 12 meses, lançaram três álbuns de muito sucesso, Bayou Country, Green River e Willy And The Poor Boys, que atingiram, respectivamente, as posições de nº 7, 1 e 3 nas paradas americanas. De quebra, ainda tocaram com destaque no festival de Woodstock.

Uma proposta sonora atípica ganha o público

O mais impressionante é situar o CCR em meio ao que ocorria na época. O rock vivia um momento de mudanças, com gêneros como o hard rock, o heavy metal e o psicodelismo dando as cartas. E o que o quarteto californiano oferecia ao público? Uma sólida releitura do rock and roll original, com direito a rockabilly, country, blues e soul na mistura. “É onde o country e o rhythm and blues se encontram que fica o meu lugar favorito”, disse John Fogerty em entrevista a Craig Rosen para o livro The Billboard Book Of Number One Albums.

Lógico que esse coquetel molotov sonoro só atingiu esse sucesso todo devido ao imenso talento dos músicos envolvidos. É a chamada simplicidade sofisticada, algo muito difícil de se concretizar. De cara, o vozeirão inconfundível de John, somado ao seu talento como compositor e guitarrista-solo.

A seu lado, um certeiro guitarrista-base (seu irmão Tom) e uma das melhores cozinhas rítmicas da história do rock. O extremamente eficiente Cook encaixava seu baixo com perfeição na sólida batida de Clifford, um dos melhores bateristas de rock de todos os tempos, verdadeira usina rítmica que merecia ser mais reverenciada pelos críticos e público em geral.

O disco-síntese de uma banda seminal

É nesse momento de puro êxtase artístico e comercial que Cosmo’s Factory vem à tona. O nome do álbum tem a ver com o lugar onde o quarteto realizava os seus ensaios, localizada em um espaço situado na casa do baterista da banda, cujo apelido Cosmo vem desde seus tempos de moleque. O jeitão de fábrica valeu o apelido ao local, que é exatamente onde a foto da capa do álbum foi registrada.

A ideia de John Fogerty era que o álbum se tornasse uma espécie de auge desses anos iniciais do CCR, e seu desejo não poderia ter se concretizado de forma mais cristalina e potente. O álbum atingiu o topo da parada americana, permanecendo por lá durante nove longas semanas e ultrapassando a marca de quatro milhões de cópias nos EUA desde então.

Trata-se de uma espécie de disco-síntese da banda, ao trazer em suas 11 faixas bons exemplos das variações sonoras que se propôs a fazer durante sua carreira, além da bela mistura de composições próprias de John com releituras de clássicos alheios. Vale uma análise faixa a faixa, para explicitar isso.

As faixas de Cosmo’s Factory

Ramble Tamble (J.C. Fogerty)- Nada melhor para abrir um álbum de puro rock como esta aqui. Com mais de 7 minutos de duração, começa e termina com levada rockabilly, e possui várias mudanças de andamento no meio, ficando mais rápida e mais lenta e com direito a belos solos.

Before You Accuse Me (Bo Diddley)- Um clássico do repertório do célebre bluesman roqueiro merece uma releitura vigorosa mostrando o jeito próprio de abordar o blues do CCR.

Travelin’ Band (J.C. Fogerty)- Rock and roll cinquentista típico, clara homenagem a Little Richard, de quem o CCR regravou Good Molly Miss Molly no álbum Bayou Country (1969). Fogerty chegou a ser incomodado pela editora de vários hits de Richard sob acusação de plágio, mas acabou dando em nada. O famoso “parece mas não é”.

Ooby Dooby (Moore-Penner)- O primeiro hit de Roy Orbison, em seus tempos de Sun Records, é relido de forma ao mesmo tempo reverente e energética, com muito balanço e categoria.

Lookin’ Out My Back Door (J.C. Fogerty)- O momento mais country do álbum, com pique dançante e um delicioso sotaque caipira.

Run Through The Jungle (J.C. Fogerty)- O rótulo swamp rock criado por um crítico para definir o som da banda tem neste rock balançado com elementos do som de Nova Orleans um bom exemplo. Matadora!

Up Around The Bend (J.C. Fogerty)- Um rockão sacudido com riff de guitarra ardido e inconfundível. Aqui, o estilo próprio do CCR se mostra de forma mais explícita.

My Baby Left Me (Arthur “Big Boy” Crudup)- Regravação vigorosa de clássico do mesmo autor de That’s All Right, o primeiro sucesso de Elvis Presley. Aliás, Elvis também regravou essa música. Fica difícil dizer quem a releu melhor, mas creio que o Creedence ganhe por pequena diferença.

Who’ll Stop The Rain (J.C. Fogerty)- Delicioso rock balada no qual Fogerty aproveita para falar sobre a Guerra do Vietnã, algo que poucos esperariam em uma canção tão delicada e melódica.

I Heard It Through The Grapevine (Norman Whitfield-Barrett Strong)- Este clássico do songbook da Motown Records possui três versões espetaculares, todas com muito sucesso: a de Marvin Gaye, a de Gladys Knight And The Pips e esta aqui. A do CCR cativa pela longa duração, mais de 11 minutos, uma batida sólida, dançante e constante e uma performance absurda dos músicos, improvisando com foco e sem perder o prumo.

Long As I Can See The Light (J.C. Fogerty)- Para encerrar o álbum, nada melhor do que uma fantástica balada soul, na qual John tem uma performance certeira nos vocais e ainda toca sax, de quebra.

A reedição de Cosmo’s Factory lançada em 2008 traz, além de um belo encarte com fotos, ficha técnica e texto informativo e opinativo do consagrado crítico Robert Cristgau, três faixas-bônus: uma versão alternativa de Travellin’ Band, uma gravação ao vivo de Up Around The Bend e uma gravação (infelizmente com baixa qualidade técnica) de Born On The Bayou reunindo o CCR com o mitológico grupo Booker T & The MGs.

obs.: a primeira edição de Cosmo’s Factory lançada no Brasil em vinil veio com duas faixas diferentes. Ninety Nine And a Half (Steve Cropper, Eddie Floyd, Wilson Pickett), lançada originalmente no álbum de estreia do CCR, entrou no lugar de Travellin’ Band, enquanto The Working Man (J.C. Fogerty), também do primeiro álbum do grupo, veio na vaga de Who’ll Stop The Rain. Os relançamentos posteriores em vinil e depois em CD em nosso país trouxeram a seleção original de faixas. Obrigado aos amigos Emilio Pacheco e Valdir Angeli por essa informação, que adicionei após ter publicado este post.

Ouça Cosmo’s Factory em streaming:

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