Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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DVD registra Bryan Adams no auge da sua carreira, em 1996

bryan adams live wembley 1996

Por Fabian Chacur

Em 1996, Bryan Adams era um dos artistas mais populares do mundo. Seu mais recente álbum, 18 Til I Die, ocupava o primeiro posto na parada britânica, e vendia muito em diversos outros países. Foi nesse clima, no dia 27 de julho daquele ano, que o roqueiro canadense se apresentou para aproximadamente 70 mil pessoas no lendário estádio de Wembley, em Londres. Agora, enfim o show chega ao formato DVD no Brasil, com o título Wembley 1996 Live. Um registro histórico e incrível.

Para começo de conversa, são 143 minutos de show durante os quais o cantor, compositor e músico se vale apenas de ótima aparelhagem de som, iluminação discreta e cinco músicos. Entreter uma multidão em um estádio valendo-se apenas e tão somente de música não é coisa para qualquer artista. Hoje em dia, torna-se cada vez mais raro. Pois o nosso personagem dá conta da tarefa com carisma, talento e habilidade, sem apelar ou cair no vulgar.

Sua banda de apoio é absurdamente boa, a começar do guitarrista-solo Keith Scott, que o acompanha desde meados de 1982 e está com ele até hoje, com suas intervenções sempre precisas e sem jogar notas foras. Mickey Curry (bateria), Tommy Mandel (teclados e piano), Dave Taylor (baixo) e Danny Cummings (percussão) são os outros craques que se mostram prontos para quaisquer desafios, ajudando Adams a segurar a plateia o tempo todo.

Esse show é uma prova mais do que concreta de como são desinformados aqueles que classificam o autor de Heaven como “apenas um cantor romântico”. Em seus shows pelo mundo afora, o rock and roll básico e melódico sempre come solto, com direito a muita energia. Para que vocês possam ter uma ideia, a primeira balada, Have You Ever Really Loved a Woman?, aparece como sétima música do show, quando o espetáculo já conta com meia hora de duração.

Bryan Adams não é um daqueles artistas inovadores, ou criadores de novos rumos para o rock ou coisa assim. Ele soube estudar os grandes nomes do rock dos anos 50, 60 e 70 e tirar boas lições de suas obras. A partir dali, criou o seu jeito próprio de compor, tocar e cantar, que se não revolucionou nada, certamente ajudou a injetar energia positiva e muita emoção em fãs dos quatro cantos do planeta. E, porque não, influenciar muitos artistas que vieram depois dele.

Com uma voz potente e belíssima, ele encara tanto rockões como The Only Thing That Looks Good On Me Is You, Kids Wanna Rock e She’s Only Happy When She’s Dancin’ como power balllads matadoras como Heaven, It’s Only Love, Somebody e All For Love. Sua empatia com o público é tão grande que praticamente não precisa chama-los para cantar juntos, o que às vezes até o surpreende, algo captado pelas câmeras.

O repertório generoso traz 24 músicas, com direito a várias de 18 Til I Die e de seus trabalhos anteriores, além de alguns covers bacanas, entre os quais Wild Thing (The Troggs). Os arranjos seguem as gravações originais de estúdio, com direito a algumas brincadeiras legais, como Keith Scott brincando com os amplificadores e gerando microfonia e solos incríveis durante a música Touch The Hand, por exemplo.

O show é repleto de momentos legais, entre os quais temos a participação da estrela americana Melissa Etheridge fazendo as vezes de Tina Turner na impactante It’s Only Love. Outra parte marcante é quando o grupo sai do palco principal e toca cinco músicas em um palquinho colocado no meio do povão. Na hora em que apresentam a última música naquele espaço (She’s Only Happy When She’s Dancin’), um montão de gente sobe para dançar com o ídolo.

No palco principal, em sua parte de trás, foi instalada uma arquibancada na qual dezenas de sortudos puderam ver o show de pertinho. Wembley 1996 Live é uma dessas provas de poder de fogo que poucos artistas no mundo podem se gabar de ter. E Bryan Adams, que se mantém ativo de forma admirável, tem em seu currículo um acontecimento como esse. Podem até ser apenas “tolas canções de amor” as que ele canta/compõe. Mas o que há de errado nisso, como diria Paul McCartney?

Heaven (live Wembley 1996)- Bryan Adams:

Fernanda Takai dá um banho de sutileza em seu novo DVD

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Por Fabian Chacur

Em 2007, Fernanda Takai iniciou uma carreira-solo paralela à do grupo que a consagrou nacionalmente, o Pato Fu. Essa trajetória chega agora ao seu quinto lançamento, o DVD/CD (vendidos juntos, em embalagem digipack) Na Medida do Impossível- Ao Vivo No Inhotim (Deck). Trata-se de um trabalho no qual a sutileza, o bom gosto e o talento da cantora radicada há décadas em Minas Gerais se apresentam de forma superlativa.

O trabalho foi gravado ao vivo no Inhotim, um misto mágico e cativante de parque e galeria de arte ao ar livre situado em Brumadinho (MG) no dia 3 de setembro de 2016. Além da dona da festa no vocal principal e violão (e usando um belo vestido), temos Larissa Horta (baixo e vocais), Lenis Rino (bateria, MPC e vocais), Lulu Camargo (teclados e gaita) e Tiago Borba (guitarra, violão e vocais), um time afiado que se presta às várias sonoridades empregadas durante o espetáculo.

O repertório do DVD traz 18 faixas, sendo 11 das 13 canções incluídas em Na Medida do Impossível (CD de estúdio lançado em 2014), três de trabalhos anteriores e três novidades em seu repertório,

São elas De Onde Vens (que ela gravou em 2014 para o álbum-tributo a Nelson Motta, Nelson 70), Nada Para Mim (do marido e parceiro de Pato Fu John Ulhôa e gravada originalmente por Ana Carolina em 1999) e I Don’t Want To Talk About It (do saudoso Danny Whitten, do grupo Crazy Horse, sucesso em gravações de Rod Stewart e Everything But The Girl) e Fui Eu (hit de José Augusto nos anos 1980).

O CD, por sua vez, conta com 14 faixas, sendo 12 iguais às do DVD e duas gravações de estúdio de Nada Pra Mim e I Don’t Want To Talk About It. Ainda no DVD, surgem duas versões de Partida, uma ao vivo que aparece nos extras junto com um making of de 6m37 de duração, e outra ilustrada por um clipe gravado nos domínios do Inhotim.

O curioso é que o show foi gravado à noite, com uma iluminação que dá uma ambientação de “festa à luz de velas”. Desta forma, o cenário natural fica em segundo plano, podendo ser confundido com um registro em teatro ou local fechado. A atmosfera de encantamento não é prejudicada por essa opção, que, ao contrário, não banaliza a natureza presente. E para quem deseja ver melhor o local, basta conferir o clipe da envolvente Partida, que cumpre essa função com eficiência.

O show flui com muita felicidade, com um repertório que se divide entre canções folk, pop, rock, eletrônica e um pouco de samba/bossa nova aqui e ali. Tudo isso pontuado pela voz doce de Fernanda, que com sua presença de palco delicada e simpática cativa o público e cria um clima de empatia sem grandes dificuldades.

Sem prejudicar a trajetória do Pato Fu, a carreira solo de sua talentosa cantora segue como uma boa forma de Takai externar sonoridades e canções que não caberiam tão bem na banda, podendo assim ampliar seus horizontes musicais. Boa sacada.

Partida (clipe)- Fernanda Takai:

Canábicos mostram hard rock potente no ótimo CD Intenso

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Por Fabian Chacur

Dizem que a melhor forma de se aprimorar aquilo que se faz é fazendo, cada vez mais e sempre atento ao que se pode realizar para melhorar a qualidade do resultado final. O grupo Canábicos, na estrada desde 2013, aparentemente segue esse lema à risca, pois em quatro anos de estrada chega agora ao seu quarto álbum. E pela excelência de Intenso (Monstro Discos), o seu mais novo trabalho, o caminho é esse mesmo.

Cria de Araguari (MG), o grupo traz Clandestino (vocal), Murcego González (guitarra, também integra o ótimo Uganga), MM (baixo) e Mestre Mustafá. No currículos, os álbuns La Bomba (2013), Reféns da Pátria (2014), Alienígenas (2015) e o recém-lançado Intenso (2017). A vitória em 2015 no Fun Music, o maior festival universitário de música do Brasil, os ajudou muito na divulgação de seu trabalho.

A concepção musical do quarteto mineiro é centrada no hard rock de tempero setentista, com direito a influências bacanas como Led Zeppelin, Grand Funk Railroad, Deep Purple, Black Sabbath, Golpe de Estado e até Made In Brazil em seus momentos mais pesados. Temos enfurecidos riffs de guitarra, tocados de maneira tecnicamente admirável, acompanhados por uma cozinha sólida e um vocalista simplesmente demencial no seu carisma e poder de fogo.

Intenso é um título perfeito para o álbum, pois são oito faixas repletas de energia, elaboração e diversidade. Consegue conciliar a fúria com o bom gosto, algo nem sempre muito simples de se fazer. E o bacana é que as letras são todas em português, e muito boas em sua simplicidade e ataque direto e sem rodeios, prova concreta de que dá para se fazer hard rock ótimo sem ter de escolher o inglês como idioma.

O repertório do álbum é excelente, com direito à swingada Planeta Estranho, a incrível Lei do Cão (que merece entrar na programação de qualquer rádio rock que se preze) e a psicodélica Eu Não Sei o Que Vai Ser de Mim, que envolve o ouvinte e é encerrada pela repetição em looping de um sinistro som de saco de risos. Final surpreendente para um CD que contou com a ótima produção de Gustavo Vazquez, que deu ao álbum qualidade técnica internacional.

Planeta Estranho (clipe)- Canábicos:

Antonio Adolfo relê o Wayne Shorter no ótimo CD Hybrido

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Por Fabian Chacur

Uma das vantagens de você ser o seu próprio patrão é criar pautas próprias sem depender de aprovação dos outros. Por isso, nesses 11 anos de Mondo Pop, pude me divertir escrevendo sobre artistas de que gosto muito. Mais: dando espaço a alguns deles, que nem sempre tem a atenção que merecem. Antônio Adolfo é um dos campeões de posts aqui. Se tiver alguma dúvida, confira neste link aqui e leia algumas das matérias publicadas no blog sobre ele.

Além de sua importância e currículo invejável no cenário da nossa música, Antonio Adolfo possui outra grande virtude: a vitalidade. Ele, que completou 70 anos no último dia 10 de fevereiro, continua mais ativo do que nunca, com constantes shows e lançamentos de novos álbuns. E cada novo disco vem com aquele rigor estilístico e com temáticas diferentes entre si e ao mesmo tempo pertinentes, tendo como regra o prazer e a paixão pela boa música popular.

Nem é preciso dizer que Hybrido- From Rio To Wayne Shorter, seu novo CD, não foge a esse alto parâmetro artístico. O músico carioca, desta vez, mergulhou na obra do genial saxofonista e compositor americano Wayne Shorter e trouxe de seu rico repertório oito composições, que receberam novos arranjos e foram tocados com swing, categoria e sentimento pelo músico e uma banda afiadíssima.

Além do próprio Antonio no piano e arranjos, temos em cena Lula Galvão (guitarra), Jorge Helder (contrabaixo), Rafael Barata (bateria e percussão), André Siqueira (percussão), Jessé Sadoc (trompete), Marcelo Martins (sax tenor e soprano e flauta) e Serginho Trombone (trombone). Zé Renato (vocais) e Claudio Spiewak (violão) fazem participação especial. Um timaço, conduzido com a competência habitual pelo dono da festa, que dá espaço para que todos brilhem.

Além das oito composições, escolhidas principalmente da produção de Shorter da década de 1960, temos também uma obra própria, Afosamba. A ideia foi mesclar as belas melodias e o teor jazzístico de maravilhas como Deluge, Footprints, Speak No Evil, Beauty And The Beast e E.S.P. com elementos da nossa música, e o resultado não poderia ser melhor, renovando clássicos sem os violentar.

Vale lembrar que Wayne Shorter, conhecido por seu trabalho com Miles Davis e por ter criado o influente e bem-sucedido grupo Weather Report, sempre foi um fã confesso da música popular brasileira, vide o álbum que gravou em 1974 em parceria com Milton Nascimento, Native Dancer, só para citar uma dessas colaborações. Aos 83 anos, ele dificilmente não se encantará ao ouvir novas versões tão quentes de suas composições. Mais um golaço de Antonio Adolfo, e mais um post sobre ele em Mondo Pop. Que venham muitos outros!

Viralata- Antonio Adolfo (álbum em streaming):

Filme Eight Days a Week nos promete mais do que cumpre

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Por Fabian Chacur

Depois do lançamento do maxi-documentário Anthology (1995), com mais de onze horas de duração e apresentando de forma profunda e repleta de material essencial a história dos Beatles, ficou difícil para alguém pensar em um projeto audiovisual que possa superá-lo ou ao menos chegar perto de tal excelência. O filme-documentário Eight Days a Week- The Touring Years, lançado em setembro de 2016 nos cinemas e agora saindo no formato DVD, chegou com essa pretensão, vide seu lema: “The Band You Know, The Story You Don’t” (a banda que você conhece, a história que não conhece).

Para completar a expectativa, o mentor de tal projeto era ninguém menos do que Ron Howard, conhecido por filmes como Apollo 13 (1995), Cocoon (1985) e Uma Mente Brilhante (2001), tendo ganho o Oscar de melhor diretor com este último. Diante de tanta expectativa, a pergunta é óbvia: o produto final atinge seu objetivo? A resposta é não, mas merece uma explicação minuciosa, para não soar como uma daquelas análises gratuitas só para atrair cliques ou irritar os fãs.

O documentário tem como objetivo mostrar a fase em que os Beatles se tornaram um fenômeno mundial em termos de popularidade, entre 1963 e 1966, e no qual as turnês pelo mundo afora foram uma ferramenta fundamental. Os anos da Beatlemania, para ser mais preciso. Como forma de nos apresentar esse incrível fenômeno comportamental e cultural, Howard se valeu de vasto material de arquivo já utilizado anteriormente, com apenas uma ou outra cena menos conhecida.

As entrevistas recentes feitas com Paul McCartney e Ringo Starr também são bastante redundantes, inferiores às feitas para o Anthology. Dessa forma, essa coisa de “a história que você não conhece” soa arrogante demais. Novidades ou possíveis revelações passam bem longe dos 106 minutos de duração do filme. Nem precisa ser um especialista daqueles realmente viciados em Beatles para ter tido conhecimento de tudo o que é contado aqui.

Lógico que um profissional do calibre de Ron Howard não faria um produto ruim em termos de apresentação, e nesse aspecto, Eight Days a Week é muito bem realizado, fluindo bem e encaixando os registros de forma bem ordenada. Os depoimentos do jornalista americano Larry Kane, o único que acompanhou todos os shows das turnês dos Fab Four pelos EUA em 1964 e 1965 também são pontos importantes.

Merecem um belo destaque os deliciosos testemunhos da atriz Whoopi Goldberg sobre sua idolatria em relação ao grupo britânico e da emoção de ter visto o mitológico show no Shea Stadium em 1965, e também o relato do show realizado em Jacksonville, Florida, em 1964, no qual eles se recusam a tocar para uma plateia segregada, resultando em um raro momento em que brancos e negros conviveram em um show dessas proporções naqueles lados dos EUA.

A qualidade das imagens é impecável, assim como o áudio. A narrativa vai até o último show oficial da banda, em agosto de 1966 no Candlestick Park, San Francisco (EUA), e o documentário acaba com cenas da última apresentação de fato do quarteto de Liverpool, realizado em janeiro de 1969 no teto do prédio onde estava os escritórios da gravadora deles, a Apple.

Muitas cenas de histeria do público ao redor do mundo foram usadas, e de forma bem eficiente para ressaltar o quanto o som do grupo inglês atiçava a libido do público, especialmente o adolescente, e também de como os adultos e boa parte da imprensa ficavam abismados com aquilo tudo, sem entender absolutamente nada.

Como os Beatles são um daqueles fenômenos de popularidade que desafiam o tempo, existem fãs que os conheceram há pouco, e para os quais até mesmo as carreiras solo de John Lennon e George Harrison podem parecer algo totalmente fora de seus radares. Para eles, Eight Days a Week funciona como uma boa introdução em termos audiovisuais. Mas para quem os curte há mais tempo, é um filme com cheiro de “já conheço bem essa história, e melhor contada”.

obs.: e o DVD não traz nenhum extra. Nada, nadinha. Eita muquiranice!!!

Eight Days a Week-trailer do filme:

Nico Rezende viaja com classe pelo repertório de Chet Baker

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Por Fabian Chacur

Nico Rezende tem várias afinidades com o saudoso cantor e trompetista americano Chet Baker (1929-1988). Ambos começaram como músicos, inserindo o canto em suas trajetórias logo a seguir, com sucesso. Outra característica: a pinta de galã. Sorte que Nico não seguiu outra marca do jazzista, o forte envolvimento com as drogas e bebidas e uma vida desregrada que o destruiu durante as duas últimas décadas de sua breve vida. Firme, forte e em plena forma, o músico brasileiro lança Nico Rezende Canta Chet Baker, belíssimo DVD com repertório de Baker.

Chet Baker viveu o auge de sua trajetória musical durante a década de 1950 e parte da de 1960. Seu trabalho seguia a linha do cool jazz, também chamado de West Coast pelo fato de ter sido predominante no oeste americano nos anos 1950. Músico refinado, elogiado até por feras como Charlie Parker, que o ajudou no início de sua carreira, ele começou a brilhar como cantor com o álbum Chet Baker Sings (1954).

Compositor não muito frequente, ele se valia bastante do repertório de standards da música americana, aquela coleção maravilhosa de composições assinadas por nomes como Cole Porter, George & Ira Gershwin, Sammy Cahn, Richard Rodgers & Lorenz Hart, Johnny Mercer e outros do mesmo altíssimo gabarito. A seleção de repertório feita por Nico enveredou por esse caminho, sendo que 8 das 17 faixas marcam presença no clássico Chet Baker Sings.

Para acompanha-lo nesta bela viagem musical, Nico, que se incumbiu dos vocais e do piano, convidou os excelentes Guilherme Dias Gomes (trompete), Fernando Clark (guitarra), Alex Rocha (contrabaixo acústico) e André Tandeta. A gravação foi feita durante o show que o quinteto realizou em Niterói (RJ), como parte do Tudo Blues Festival, no dia 5 de junho de 2016, no Teatro do Centro Artes UFF.

O timbre e o estilo de cantar de Nico se encaixaram feito luva neste repertório, e o entrosamento entre ele e os músicos de sua banda rendeu performances impecáveis, sempre abrindo espaços na hora certa para os improvisos e tratando com todo o carinho cada canção.

O registro visual, em tons mais escuros, cria um clima de casa noturna americana, como se estivéssemos nos EUA durante a década de 1950, ouvindo os reis do cool jazz. E o comandante da festa se mostra um ótimo mestre de cerimônias, com direito a uma bela interação com a plateia na parte inicial da música You’d Be So Nice To Come Home To.

Quando às 17 músicas incluídas no DVD, louvemos maravilhas como But Not For Me, Time After Time, Let’s Get Lost, You Don’t Know What Love is, There Will Never Be Another You, My Funny Valentine, As Time Goes By e That Old Feeling, canções que provam com veemência que o que é bom, é para sempre, não tem data nem época. Atemporais até a medula!

Nico Rezende Canta Chet Baker é uma bela forma que o cantor, compositor e músico nascido em São Paulo em 13 de outubro de 1961 e radicado há anos no Rio escolheu para comemorar os 30 anos do lançamento de seu primeiro álbum solo, autointitulado, do qual o hit Esquece e Vem saiu rumo às paradas de sucesso de todo o mundo. Ele também atuou como músico e arranjador para artistas do porte de Ritchie, Lulu Santos, Marina Lima, Roberto Carlos e Gal Costa.

There Will Never Be Another You– Nico Rezende:

Livros MPBambas trazem um elenco de ótimas entrevistas

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Por Fabian Chacur

Tempo em TV vale ouro. Por isso, frequentemente entrevistas gravadas para esse veículo de comunicação costumam trazer apenas uma parte do conteúdo obtido nos papos com os alvos de suas matérias. Os dois volumes de MPBambas- Histórias e Memórias da Canção Brasileira, de autoria de Tarik de Souza e editados pela Kuarup, tem como nobre objetivo preencher uma dessas lacunas inevitáveis, e o faz de forma brilhante.

Um profissional como Tarik de Souza deveria dispensar apresentações prévias, mas como estamos no Brasil, vale falar um pouco dele. Trata-se de um jornalista especializado em música brasileira na ativa há quase 50 anos, com currículo recheado de passagens por órgãos de imprensa bacanas e autor de inúmeros livros que fazem parte das bibliotecas de quem se interessa por informações musicais consistentes e oferecidas com texto sempre impecável ao leitor.

De 2009 a 2014, Tarik apresentou no Canal Brasil o programa televisivo MPBambas, no qual trazia um grande nome da música brasileira por edição para entrevistas deliciosas. Como cada episódio comportava apenas 27 minutos de conteúdo, sobrou muita coisa boa, que ficaria apenas na memória de quem teve a honra de participar dos bate-papos. Mas Paulo Mendonça, um dos comandantes do Canal Brasil, sugeriu ao jornalista a edição em livro desse material, e graças à sua batalha, e à parceria com a Kuarup, gravadora que também enveredou pelo lançamento de livros, a ideia se tornou realidade.

Organizadas em dois volumes vendidos separadamente, as entrevistas foram divididas em 14 por exemplar, curiosamente como se fossem um disco de vinil. A abrangência dos entrevistados impressiona, pois focaliza desde monstros sagrados bem conhecidos do grande público, como Milton Nascimento, Gal Costa e Beth Carvalho, até craques musicais menos divulgados do que mereceriam, tipo Getúlio Côrtes, Billy Blanco, Sueli Costa e Doris Monteiro.

Cada entrevista é uma verdadeira viagem dentro do universo musical do personagem escolhido. Como as transcrições são integrais, elas nos possibilitam a oportunidade de conhecer características particulares de cada um deles. Tarik vem sempre com a lição de casa prontinha, e faz perguntas pertinentes e buscando esclarecer dúvidas sobre o trabalho de cada um deles, nada mais adequado para um formato do tipo enciclopédia musical brasileira audiovisual.

Quem não curte detalhes e minúcias deve ficar longe de MPBambas, os livros. Quem, no entanto, deseja descobrir muito sobre cada entrevistado, terá seu desejo saciado de forma generosa, além de deparar com fatos importantes e inusitados de cada um deles. Fofocas, boatos tolos e idiotices do gênero não entraram em cena, felizmente. Ao fim de cada leitura, você percebe que tomou contato com gente profunda, importante e que fez da arte suas vidas.

Os livros ganharam ainda mais importância pelo triste fato de que diversos dos entrevistados infelizmente partiram para o outro lado do mistério, tempos após terem concedido suas entrevistas ao programa de TV. Desta forma, viraram registros ainda mais fundamentais. Duvido que você encontre papos mais densos e registrados em livros com os hoje saudosos Dominguinhos, Paulo Vanzolini, Inezita Barroso, Billy Blanco e Ademilde Fonseca do que estes aqui.

Uma das grandes sacadas de Tarik foi uma entrevista com Chico Anysio sobre a sua rica faceta de compositor musical, que muita gente boa infelizmente desconhece. Ou de mostrar a cara de Getúlio Côrtes, autor de hits eternos como Negro Gato, O Gênio, Uma Palavra Amiga e tantos outros. MPBambas-Histórias e Memórias da Canção Brasileira Volumes 1 e 2 é para ler, reler e consultar, além de obrigatórios para estudantes e profissionais de jornalismo.

O Gênio/Pega Ladrão/ Negro Gato (ao vivo)- Getulio Côrtes:

Putos Brothers Band estreiam com um álbum visceral e cru

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Por Fabian Chacur

Aqui não há lugar para frescuras. Nada de elaboração excessiva, ou harmonizações bonitinhas, ou mesmo poesia lírica e impoluta. A opção da Putos Brothers Band foi cair de cabeça em um blues rock ardido, cru e repleto de papo reto, sem curvas nem nada do gênero, com direito a alguns palavrões aqui e ali. O resultado de sua estreia em CD, Tá Todo Mundo Puto Brother!, não poderia ser melhor, e transborda energia, personalidade e talento. Esse quarteto sabe das coisas!

Na estrada desde 2010, a Putos Brothers Band possui pedigree dos melhores, na figura de seu gaitista, Sylvio Passos. Sim, ele mesmo, fundador do Raul Rock Club e amigo pessoal do saudoso Maluco Beleza. O cara demorou a entrar no mundo das músicas autorais, pois há alguns anos integra a Raul Rock Club Band, especializada no repertório de Raulzito. Valeu a espera. E, não por acaso, os outros integrantes do time são dessa mesma banda.

Além de Sylvio, que de forma escrachada se classifica como o “Sid Vicious da gaita” (referindo-se ao péssimo baixista da fase final dos Sex Pistols), temos em campo (ou nos palcos) Agnaldo Araújo (vocal e guitarra), seu irmão Adriano Araújo (baixo) e André Lopes (bateria). Os quatro formam um grupo afiado, com os elementos fundamentais para uma banda de blues-rock dar certo: muita garra, talento e nenhum medo de errar, se o acerto geral for a meta.

O primeiro disco dos Putos Brothers Band ganha o ouvinte mesmo antes de começar a ser tocado. A apresentação visual do CD é simplesmente demais, com direito a capa desde já clássica, encarte com letras, informações e fotos bacanas e tudo o mais. Coisa de gente inteligente, consciente de que precisa oferecer algo mais ao público para justificar a aquisição do trabalho físico. Vá por mim: é melhor ter a versão em CD ou a em vinil, que sairá em breve.

Mas não adianta roupa bonita se o cara é feio, e aqui o som é na veia. Lógico que tem influências do autor de Ouro de Tolo, mas traz muito mais, como toques de Nasi & Os Irmãos do Blues, Barão Vermelho, Stevie Ray Vaughan, Jimi Hendrix e vários outros, muitas e boas influências. As letras são sempre simples, mas muito bem sacadas, apostando na inteligência do público e mergulhando em ironia, poesia direta e protesto sem panfletarismo.

As dez faixas incluídas neste CD são bem legais, mas algumas merecem destaque adicional, como a contagiante Tá Todo Mundo Puto Brother, a deliciosa A Busca (com brilhante participação especial do guitarrista Israel Che Hendrix, da banda Gangster), a incisiva Ela Vem de Trem e a homenagem Um Blues Para Raul. Tá Todo Mundo Puto Brother é para se ouvir a toda altura, aumentando o alto astral geral. Mister Seixas teria orgulho do seu pupilo!

Tá Todo Mundo Puto Brother!(streaming, CD completo):

Duran Duran foi brilhante em seu show no Lollapalooza-BR

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Por Fabian Chacur

O problema de grandes festivais é que, por razões de tempo, nem sempre as melhores atrações recebem o tempo que mereceriam ter para desfilar sua categoria. Eis o que ocorreu no Lollapalooza 2017 na tarde deste domingo (26) em relação à incrível apresentação do Duran Duran, no Autódromo de Interlagos. Foram apenas 63 minutos. O bom é que ficou aquele enorme gosto de quero mais, presente em todos os grandes espetáculos.

Devidamente acomodado em minha cama, vi, exatamente às 16h38 deste domingo, o grupo britânico que caminha para 40 anos de estrada em plena forma entrar em cena. Pela TV, no canal Multishow. A abertura veio com Wild Boys, e serviu como uma boa prévia do que teríamos durante toda a apresentação. Hungry Like The Wolf e A View To a Kill pintaram logo a seguir, conquistando o público que estava lá tomando um sol daqueles, mas feliz da vida.

A atual encarnação do grupo britânico traz quatro de seus integrantes originais. Roger Taylor continua aquele baterista discreto, enquanto o tecladista Nick Rhodes, com suas roupas sempre coloridas e extravagantes, se incumbe dos teclados e das programações eletrônicas usadas pela banda com categoria. O baixista John Taylor permanece com sua ótima performance de palco, da qual nosso Paulo RPM Ricardo tirou várias lições.

E temos Simon Le Bon, que aos 58 anos continua em ótima forma e com um desempenho vocal extremamente competente, na qual uma ou outra nota na trave tem como compensação muito pique, carisma e energia. Além do quarteto original, quatro outros músicos estavam em cena, entre eles as ótimas backing vocalistas Ana Ross e Erin Stevenson e o vibrante guitarrista Dominic Brown.

Com esse time extremamente entrosado, o Duran Duran mostrou o porque, em pleno 2017, ainda continua sendo uma banda relevante e capaz de atrair não só os fãs dos anos 1980, mas também a molecada da era dos smartphones. Eles souberam se renovar com o decorrer dos anos, e mesmo as músicas mais antigas são tocadas com novos elementos e sem soarem como um mero ode ao passado.

O repertório de 13 músicas é uma prova disso, pois trouxe desde músicas de seu primeiro álbum, como Girls On Film (Duran Duran, de 1981), até duas de seu excelente álbum mais recente, Last Night In The City e Pressure Off (ambas de Paper Gods, lançado em 2015). No meio, faixas dos anos 1980, 1990 e 2000, como Notorious, Come Undone e (Reach Up For The) Sunrise.

Tivemos duas surpresas bacanas. Uma, o pot-pourry que reuniu as canções (Reach Up For The) Sunrise e New Moon On Monday (interpolada nesta primeira). A segunda ficou por conta da ótima participação especial da brasileira Céu, que, belíssima em um modelito preto, esbanjou talento e categoria em dueto com Le Bon na balada Ordinary World. O show acabou com Rio, que teve a coroá-la uma chuva de papel picado digna de fim de ano nos escritórios.

O momento “vergonha alheia” teve como protagonista a “repórter” Didi Wagner, do Multishow. Logo após do show, ela abordou o baixista John Taylor, chamando-o de Roger (o baterista). Como estava ainda na adrenalina pós-show, o músico a atendeu de forma simpática, embora ele confundisse a primeira vez que tocou em São Paulo (foi em 1988, e não em 1986). Após se despedir do músico, Wagner insistiu em dizer que havia falado com Roger…

Sei que errar é humano, mas fica difícil admitir uma falha deste tamanho de uma profissional que trabalhou durante “500 anos” na MTV, onde o Duran Duran aparecia toda a hora. Isso, além de seus comentários sempre superficiais e sem o menor conteúdo. Sei que serei grosseiro, mas irrita saber que esse tipo de “profissional” parece sempre ter emprego garantido nos melhores locais de trabalho, enquanto outros, muito mais talentosos…. De chorar!

Set list do show do Duran Duran:

Wild Boys
Hungry Like The Wolf
A View To a Kill
Last Night In The City
Come Undone
Notorious
Pressure Off
Ordinary World
(Reach Up For The)Sunrise + New Moon On Monday
White Lines
Girls On Film
Rio

A View To a Kill (live 2017)- Duran Duran:

Hyldon apresenta inspiração e boas canções em novo CD

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Por Fabian Chacur

Hyldon integra a santíssima trindade da soul music brasileira ao lado de Tim Maia e Cassiano, com quem, por sinal, trabalhou antes de assumir sua carreira-solo em tempo integral, lá pelos idos de 1975. Naquele ano, lançou o fantástico Na Rua Na Chuva Na Fazenda, um dos melhores álbuns de qualquer gênero musical já lançados por aqui. Mais de 40 anos depois, ei-lo esbanjando inspiração em seu 12º trabalho, o delicioso As Coisas Simples da Vida (Deck), comparável com aquela estreia incrível.

Nascido em 17 de abril de 1951 na Bahia e radicado no Rio desde os 7 anos de idade, Hyldon sabe como poucos compor aquele tipo de canção ao mesmo tempo swingada, intensa e envolvente, com letras bacanas falando de amor, natureza, família e outros temas com os quais todos podem se identificar. Com uma voz deliciosa e mais do que adequada ao estilo soul-funk-pop, ele sabe como fazer música acessível e com alto grau de sofisticação. Coisa de mestre.

Bastante ativo nos últimos anos e sem se mostrar disposto a descansar em cima dos preciosos louros do passado, Hyldon volta ao universo das canções inéditas após o elogiado Romances Urbanos (2013), no qual trouxe parcerias com Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, Jorge Vercillo, Mano Brown e Dexter, entre outros. Neste, ele é o autor de todas as dez canções, sendo cinco sozinho e as outras cinco com parceiros como Alex Malheiros e Luiz Otávio.

A principal virtude de As Coisas Simples da Vida é a sua fluência e concisão. Não há aqui um único acorde, um único verso, uma única canção sobrando. Dá para se ouvir de ponta a ponta com o mesmo prazer. Além disso, não se mantém em um único andamento, indo do soul swingado ao mais romântico, com direito a bossa, funk de verdade e até rock. Os arranjos de metais são simplesmente impecáveis, e os vocais andam pela mesma estrada.

A faixa que dá nome ao álbum é tão boa como seus hits clássicos, aquelas maravilhosas As Dores do Mundo, Na Rua Na Chuva Na Fazenda (Casinha de Sapê) e Na Sombra de Uma Árvore. Tem uma levada soul swingada com cara de anos 70 e meio jazzística. Depois do Inverno traz a veia soul mais tradicional, enquanto Música Bonita, com direito a quatro vocalistas solo (Hyldon, Guinho Tavares, Arthur de Palla e Márcio Pombo), envolve com sua melodia, seu violão no centro e um refrão daqueles que nascem clássicos.

A ala mais agitada do repertório traz o funkão Um Trem Pra Bangu, a bossa-soul Sábado Passado, o funk a la Tim Maia Papai e Mamãe e o rock no melhor estilo Erasmo Carlos Todo Mundo é Dono da Rua. As baladas O Raio do Amor, Nosso Lar é Onde o Amor Morar e Não Molhe os Olhos completam o repertório de forma consistente e inspirada.

Em outros tempos, As Coisas Simples da Vida teria pelo menos umas três músicas estourando nas programações das rádios e venderia muito. Como isso não parece ser muito fácil de se concretizar atualmente, ao menos este álbum serve como prova de que Hyldon continua em plena forma aos 65 anos de idade, com a voz intacta e inspirado para nos oferecer novidades quentes. Ignore a indiferença da mídia e mergulhe neste trabalho de cabeça!

Obs.: o único ponto a ser lamentado neste CD é o fato de o encarte não trazer as ótimas letras das canções, o que ajudaria a tornar perfeita a ótima embalagem digipack e as fotos bacanas das gravações. O formato físico não pode prescindir desse tipo de informação, ainda mais se levarmos em conta a poesia e as belas mensagens das letras de Hyldon.

As Coisas Mais Simples da Vida– Hyldon:

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