Mondo Pop

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Category: Resenhas (page 1 of 49)

W. Eugene Smith e um incrível registro da história do jazz

the jazz loft according to

Por Fabian Chacur

Quem foi W. Eugene Smith (1918-1978)? Um fotógrafo genial, que marcou época na história dessa atividade, um profissional obsessivo que sabotou sua própria carreira ou um fã incondicional de jazz que criou um dos mais importantes acervos culturais do gênero? Bem, ele era tudo isso e muito mais. Uma boa forma de se saber um pouco mais sobre essa personalidade fascinante é o documentário The Jazz Loft According To W. Eugene Smith (2015), que o Canal Arte 1 tem exibido em sua programação.

A carreira de Smith como fotógrafo ganhou força a partir do final dos anos 1930, quando ele tornou-se um dos mais talentosos e criativos colaboradores de revistas como a Newsweek e a Life e da Agência Magnum. Seu trabalho é considerado um marco dos chamados estudos fotográficos, aquelas sequências de fotografias que contam de forma técnica e emocional uma determinada história. Ele também atuou como correspondente de guerra entre 1943 e 1944.

Graças à sua forma minuciosa de realizar seu trabalho, sempre beirando e frequentemente ultrapassando os limites do que poderíamos chamar de “normal”, Smith começou a ser meio que colocado de lado na cena profissional, acumulando dívidas e não conseguindo gerir sua família. É dessa forma que, em 1957, após vender sua casa para pagar dívidas e também se distanciar de sua esposa e filhos, ele se muda para um loft em Nova York.

Situado em um prédio velho na região do comércio de flores, seu apartamento era vizinho do de Hall Overton (1920-1972), célebre arranjador, compositor e professor de música. O local era um espaço livre não só para aulas, mas também para jam sessions de jovens músicos sem hora para terminar. Ao perceber a qualidade do que rolava por ali, Smith teve uma ideia maluca: não só começou a tirar fotos de tudo o que ocorria, como também comprou vários gravadores e microfonou diversos ambientes- apartamentos, corredores, escadas etc.

Resultado: entre 1957 e 1965, o cidadão gravou mais de quatro mil horas em fitas de rolo e fez mais de 40 mil fotografias. Pode-se dizer que ele, sozinho, foi uma espécie de BBB daqueles músicos, registrando sem censura tudo o que ocorria naquele espaço, como se fosse uma verdadeira “mosca na parede”, figura tão presente que ninguém se preocupava com o que ele estava fazendo.

Entre outros registros, ele flagrou as mais de três semanas de ensaios de um dos trabalhos mais idolatrados do grande mestre do jazz Thelonious Monk (1917-1982), The Thelonious Monk Orchestra At Town Hall (1959), gravado ao vivo no mítico Town Hall nova iorquino em 28 de fevereiro de 1959.

The Jazz Loft According To W. Eugene Smith é um documentário de 87 minutos no qual a diretora e roteirista Sara Fishko nos conta essa história quase inacreditável valendo-se de várias dessas gravações e fotos e também com entrevistas com alguns dos sobreviventes daqueles anos verdadeiramente incríveis, nos quais músicos totalmente descompromissados com os mesquinhos limites impostos pela indústria cultural tinham como objetivos se divertir e, como consequência, criar alguns dos grandes momentos do jazz.

Além de contar de forma resumida a trajetória de Smith enquanto profissional da fotografia e pai de família, com direito a um depoimento tocante e sem rodeios de um de seus filhos, o filme se vale das fotos incríveis e dos históricos registros de áudio feitos por ele, com direito a diálogos deliciosos de Hall e Monk e trechos simplesmente encantadores das jam sessions.

A permanência de W. Eugene Smith no loft durou até 1971, quando foi despejado do local. Seu absurdamente importante acervo, que também envolvia 25 mil discos e 8 mil livros, foi doado ao Centro de Fotografia Criativa da Universidade do Arizona. Bom saber que estes registros fundamentais de uma das eras mais importantes do jazz estão devidamente preservados. O documentário é a primeira utilização desse material em um filme, e tomara que não seja a única. O filme está disponível no exterior em formato físico (DVD).

Veja o trailer de The Jazz Loft According To W. Eugene Smith:

Griswolds apresenta o seu lado desplugado em Punkidz Acústico

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Por Fabian Chacur

Após sua incursão pelos temas cinematográficos de animações no álbum Punkidz (2018), o Griswolds mergulhou em um trabalho no qual faria releituras de canções das trilhas sonoras dos mais descolados filmes da década de 1980. Só que, aí, surgiu a pandemia do novo coronavírus, e o trio jauense se viu com sua agenda interrompida e em isolamento social. E um novo projeto apareceu. Trata-se de Punkidz Acústico, já disponível nas plataformas digitais, que mostra o grupo desplugado pela primeira vez em sua carreira.

Fernando Lazzari (vocal e guitarra), que integra há uma década o Griswolds ao lado do irmão Alexandre (bateria) e do cunhado Naka (baixo e vocais), explica o processo de criação que culminou em seu novo álbum:

“As gravações foram bem experimentais até porque nunca tínhamos trabalhado com violões. As afinações dos instrumentos deram um pouco de trabalho e muita coisa foi gravada e regravada diversas vezes. Achamos que o disco tinha que ser cantado novamente em português, como uma seqüência lógica do Punkidz de 2018. Nunca foi a nossa pretensão lançar um disco acústico. Na verdade, nunca tínhamos tocado nada com violões antes desse álbum”.

Sobre essa mudança momentânea no espírito da banda, Fernando comenta:

“Os Griswolds sempre foram punk rock com guitarras distorcidas, numa linha reta e com poucos arranjos rebuscados. Gostamos de trabalhar a melodia em cima de uma harmonia com a batida marcante da bateria. É isso e sempre foi isso: aquela trilha sonora daqueles filmes que nos marcaram, tocadas com guitarra, baixo e bateria. É o que batizamos de Cine and Roll. Mas esse ano tudo foi diferente. E o estalo veio quando acabei revendo a animação da Disney A Família do Futuro. O filme termina com Pequenas Maravilhas e eu automaticamente peguei o violão e fui arranhando a música. Pronto; minha cabeça já estava totalmente voltada para esse novo trabalho”.

O repertório do álbum, o sexto da discografia da banda de Jaú (SP), traz dez versões em português de músicas de animações da Disney. Aqui No Mar, de A Pequena Sereia, tem para divulgá-la um clipe caprichado e criativo, com direção do cineasta Marcos Atalla.

Em seu primeiro trabalho acústico, o Griswolds se mostra à vontade no novo formato, dando um pouco mais de ênfase às melodias e se valendo ainda mais da excelente dicção de Fernando para transmitir as letras positivas e otimistas das canções incluídas aqui. Fernando justifica a escolha do universo Disney:

“O disco é uma celebração a aquele lema que a Disney tanto nos ensinou, que é continuar seguindo em frente. É isso o que acreditamos e é isso que queremos em nossas vidas. Este disco é inteiramente dedicado a todas as pessoas e famílias que perderam alguém durante a pandemia. Nós só temos a agradecer por estarmos todos aqui! Que venha2021 com muita saúde para todos!”

Aqui no Mar (clipe)- Griswolds:

Luís Martins mescla repertório próprio e clássicos em Sonho Live

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Por Fabian Chacur

O ano de 2020 foi certamente um dos mais difíceis das últimas décadas, especialmente para a classe artística em todas as suas áreas. Mesmo com esse panorama cinzento à sua frente, o cantor, compositor e arranjador baiano Luís Martins não abriu mão de realizar seu novo projeto. Trata-se do álbum audiovisual Sonho Live, lançado pela sua produtora Arroz de Hauçá e disponível nas plataformas digitais.

O trabalho foi gravado ao vivo, sem plateia, no dia 26 de agosto de 2020 no Armazém Hall, situado em Lauro de Freitas, Bahia. No palco, além de Luís Martins, uma banda afiadíssima, composta por Álvaro Pinho (backing vocals), André Almeida (violão), Davi Brito (sopros), Fabrício Cyem (baixo), Fabrício Veloso (percussão), Gel Barbosa (acordeom), Rafael Santana (percussão), Ricardo Sibalde (sopros), Tiago Lourenço (piano) e Wil Wagner (bateria).

Esse timaço, extremamente bem ensaiado, dá um forte embasamento para que o protagonista do evento possa atuar de forma desenvolta. Luís tem aquilo que os críticos musicais das antigas chamavam de “malemolência”, ou seja, aproveita-se com muito swing e jogo de cintura de uma extensão limitada de voz, que ele, no entanto, utiliza com uma maestria digna de um Moraes Moreira, por exemplo, embora com o seu estilo próprio.

O repertório de 20 faixas de Sonho Live traz canções dos dois trabalhos de áudio lançados anteriormente pelo artista baiano, Sou Músico (2018) e Seis Meses (2019), mescladas com novidades autorais e também releituras de clássicos de Chico Buarque e Caetano Veloso, entre outros.

Luís é um excelente compositor, com letras sempre muito bem concatenadas aliadas a uma mistura musical que inclui samba, bossa nova e baião, com um tempero eventual de blues. A produção e direção musical de André Almeida é precisa, no sentido de dar a essas ótimas canções a roupagem adequada.

Em termos visuais, a edição de imagens é sóbria e extremamente eficiente, captando bem a movimentação dos músicos e também aproveitando a utilização de um telão ao fundo do palco que serve como um cenário muito bacana, destacando-se bastante em alguns momentos específicos.

Luís Martins faz algumas belas homenagens em suas composições. A Bahia é o foco em Praia do Forte e Salvador do Agogô, enquanto Luiz Gonzaga (O Rei Pop), Dona Canô (Dona do Amor) e Irmã Dulce (Anjo Bom) são os outros objetos de culto por parte do autor.

Se consegue se incumbir bem do ofício de interpretar suas obras, Luís também não se sai mal no repertório alheio, swingando com categoria em clássicos do porte de Homenagem ao Malandro (Chico Buarque), Reconvexo (Caetano Veloso) e o pot-pourry Mambembe/Sou Eu (Chico Buarque/ Chico Buarque e Ivan Lins).

Sonho Live também é uma boa amostra do poder de fogo da produtora Arroz de Hauçá, criada em Salvador (BA) em 2018 e agora sediada em São Paulo. A organização tem estrutura acústica e acervo completo de instrumentos musicais para ensaios e shows, além de um núcleo de editoração e de comunicação para produzir e editar conteúdos audiovisuais.

Ouça e veja Sonho Live, de Luis Martins, em streaming:

Tony Babalu apresenta sua visão deste ano estranho em Lockdown

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Por Fabian Chacur

Tony Babalu é presença constante em Mondo Pop, como todos que acompanham este humilde espaço virtual dedicado à boa música sabem (leiam mais sobre ele aqui). Como todos os milhões de seres humanos espalhados por esse mundo imenso, ele também foi impactado pela pandemia do novo coronavírus. Com seu talento exponencial, este grande guitarrista, compositor e produtor nos oferece uma tradução sonora, Lockdown, já disponível em todas as plataformas digitais via Amelis Records-Tratore.

Desta vez, Babalu investe no melhor esquema “banda do eu sozinho”, incumbindo-se dos violões e da programação de baixo, bateria e percussão, com mixagem e masterização feitas no Carbonos Studio a cargo de Marcelo Carezzato, oriundo da célebre família Carezzato que nos proporcionou o célebre grupo Os Carbonos, com tantos bons serviços prestados à nossa música.

Instrumental e com ritmo hipnótico, Lockdown nos envolve com sua melodia precisa e intervenções certeiras em termos de acordes, harmonia e solos sempre concisos e sem firulas desnecessárias. Em menos de 3 minutos de duração, o músico nos mostra sua sensibilidade e criatividade para transformar sensações interiores em música boa de se ouvir.

O excelente clipe que divulga a música teve seleção e edição de imagens a cargo de Karen Holtz, que soube selecionar flagrantes que dialogam com o que passamos nesses momentos tão confusos e inseguros que vivemos atualmente, indo de cenas caseiras típicas da quarentena a outras exteriores que contrastam entre si, como que mostrando a situação de confinamento mesclada ao desejo de ver o por do sol, a orla marítima, as ruas etc.

Lockdown (clipe)- Tony Babalu:

Paralelas reúne dois álbums “ao vivo em estúdio” de Belchior

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Por Fabian Chacur

Na metade dos anos 1980, Belchior vivia um momento de sua importante carreira no qual, embora bastante ativo, não aparecia com muita frequência nas programações de rádios e emissoras de TV. Foi também um período em que ele começou a reciclar a sua obra, iniciando uma série de regravações de suas músicas de maior sucesso. A Warner Music está resgatando dois lançamentos desse período no box Paralelas, disponível em CD duplo e também nas gloriosas plataformas digitais.

O primeiro álbum incluído neste projeto saiu em 1986 e tem como título Um Show- 10 Anos de Sucesso. Ele celebrava uma década do lançamento que elevou o cantor, compositor e músico cearense ao estrelato, o excepcional Alucinação (1976), e traz no repertório sucessos de seu repertório e também uma faixa mais recente, Canção de Gesta de Um Trovador Eletrônico.

Esta nova versão do disco inclui como faixa-bônus Vozes da Seca (Luiz Gonzaga- Zé Dantas), clássico da música nordestina que aqui aparece em uma excelente releitura feita por Belchior em dueto com a cantora e compositora Anastácia e incluída originalmente em um disco da artista pernambucana.

O outro álbum incluído em Paralelas intitula-se Trilhas Sonoras (1990), e saiu após uma curta segunda passagem de Belchior pela Polygram (hoje Universal Music) que rendeu dois bons discos cujo sucesso infelizmente não foi dos maiores, Melodrama (1987) e Elogio da Loucura (1988). Este disco marcou seu retorno à gravadora Continental, cujo acervo hoje pertence à Warner.

Trilhas Sonoras equivale a uma segunda parte de Um Show- 10 Anos de Sucesso, pois segue o mesmo espírito de “ao vivo em estúdio”, ou seja, gravado em estúdio, mas como se fosse em um show, além de não repetir músicas do lançamento anterior.

Outra marca dos dois álbuns é trazer os músicos que tocavam com Belchior em suas turnês pelo Brasil, sendo que dois se repetem nos dois discos, os ótimos João Mourão (baixo) e Sérgio Zurawski (guitarra). Raposo (teclados) e Tico Delisa (bateria) completam o time no primeiro álbum, com Monsieur Parron (bateria), Glauco Sagebin (teclados), Lê Zurawski (sax e flauta) e Marco Bosco (percussão) completam o time no segundo.

No repertório de Trilhas Sonoras, temos hits e também músicas dos injustiçados álbuns da Polygram, entre as quais as excelentes Lira dos Vinte Anos e Balada de Madame Frigidaire. Embora não superem as versões originais das músicas incluídas, esta caixa serve como uma espécie de registro de como Belchior apresentava seu repertório nos shows nos anos 1980, e pode ser considerado um item interessante para colecionadores da obra do saudoso astro cearense.

CD 1- Um Show- 10 Anos de Sucesso:

Paralelas (Belchior)

Canção de Gesta de Um Trovador Eletrônico (Belchior/Jorge Mello)

Divina Comédia Humana (Belchior)

Comentário À Respeito de John (Belchior/José Luis Penna)

Velha Roupa Colorida (Belchior)

Como Nossos Pais (Belchior)

A Palo Seco (Belchior)

Galos, Noites E Quintais (Belchior)

Medo de Avião (Belchior)

Vozes da Seca (Luiz Gonzaga- Zé Dantas)

CD 2- Trilhas Sonoras:

Lira dos Vinte Anos (Belchior/Francisco Casaverde)

Fotografia 3 x 4 (Belchior)

Coração Selvagem (Belchior)

Alucinação (Belchior)

Tudo Outra Vez (Belchior)

Apenas Um Rapaz Latino-Americano (Belchior)

Balada de Madame Frigidaire (Belchior)

Beijo Molhado (Belchior-música incidental: Al di lá (G. Rapetti-C. Donida)

Sujeito de Sorte (Belchior)

Recitanda (Belchior/Gracco)

Ouça Vozes da Seca– Belchior e Amelinha:

Caçulinha celebra 60 anos de carreira com muita elegância

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Por Fabian Chacur

No dia 15 de março deste ano, um certo Rubens Antonio da Silva celebrou 80 anos de uma vida muito bem desfrutada. Esse cidadão, conhecido no meio musical e televisivo por um apelido tão simpático quanto ele, Caçulinha, também está comemorando 60 anos de carreira musical. Como forma de marcar essa efeméride poderosa, o produtor e diretor artístico Thiago Marques concebeu Caçulinha 60 Anos de Música, lançado nos formatos CD e digital pela Kuarup. Uma homenagem à altura desse gentleman da música brasileira.

A gravação foi realizada ao vivo em um show realizado no Teatro Itália (SP) em 9 de novembro de 2019. Além do próprio homenageado se incumbindo de piano e acordeon, temos em ação os músicos Renato Loyola (baixo), Jorginho Saavedra (bateria) e o lendário Caixote (teclados), com direito à participação especial de outro músico de currículo generoso, o violonista Edmilson Capelupi.

Nessas seis décadas de estrada musical, Caçulinha sempre teve como marca ser aquilo que no futebol a gente designa como “garçom”, o jogador cuja função é colocar os colegas na cara do gol. E se há algo que ele sempre fez nesse tempo todo de atividade, foi proporcionar o acompanhamento musical preciso para craques como Elis Regina, Roberto Carlos, Clara Nunes, Elizeth Cardoso, Caetano Veloso, Gonzagão e um Maracanã lotado de outros darem vasão a seus imensos talentos. Sempre com elegância, qualidade musical e simplicidade.

O show se desenvolve precisamente como se fosse um dos programas televisivos dos quais o Caçula participou, com a presença de 11 convidados especialíssimos. O repertório ressalta a versatilidade do músico, indo da música sertaneja ao jazz, passando por bolero, bossa nova, samba e até música francesa. Os “canários” em cena são Mônica Salmaso, Ayrton Montarroyos, Daniel, Sérgio Reis, Wanderléa, Agnaldo Rayol, Claudette Soares, Simoninha, Zé Luiz Mazziotti, Wanda Cavalheiro e Thobias da Vai Vai, que vestiram a camisa do projeto com categoria.

Em um repertório que comporta 14 faixas (incluindo dois pot-pourrys), alguns momentos se destacam. Agnaldo Rayol, por exemplo, outro estilista da canção, dá um banho de classe na maravilhosa Começaria Tudo Outra Vez (Gonzaguinha). Zé Luiz Mazziotti, muito menos conhecido do que merece neste Brasil, nos delicia com uma interpretação da clássica La Vie En Rose (Pierre Louiguy e Edith Piaf) cujo arranjo instrumental traz, como sutileza, um pequeno trecho do hino francês em sua parte final.

Thobias da Vai Vai, um sambista excepcional, dá um banho em um pot-pourry com canções do saudoso Ataulpho Alves, enquanto a Ternurinha Wanderléa injeta seu estilo próprio em A Saudade Mata a Gente (João de Barro e Antonio Almeida)-Felicidade (Lupicínio Rodrigues).

Caçulinha destila a categoria que sempre demonstrou ao acompanhar outros artistas, e também investe em dois temas instrumentais, Waltz For Debby (Bill Evans, Lee Gene e Beppe Wolgers) e Sufixo (de sua autoria), este último conhecido por encerrar os episódios do programa global Sai de Baixo.

Esbanjando energia e a classe habituais, Caçulinha não poderia festejar esses 60 anos de carreira de uma forma mais próxima daquilo que sempre foi, e que o tornou um dos músicos mais respeitados e queridos dos meios musical e televisivo. Nada melhor do que ver alguém com a sua envergadura receber as flores em vida, como sempre deveria ser.

Ouça as músicas de Caçulinha 60 Anos de Música:

Chico Lobo esbanja talento e gentileza em Alma e Coração

chico lobo alma e coracao

Por Fabian Chacur

Neste árido e complicado 2020, há quem considere o Brasil um caso perdido, entre lutas políticas insanas, falta de uma luz no fim do túnel e a consolidação de problemas sérios que oprimem e judiam violentamente a população menos bem aventurada em termos financeiros. É em meio a essa desesperança que o álbum Alma e Coração (Kuarup), do cantor, compositor e violeiro mineiro Chico Lobo, nos traz uma mais do que necessária dose de lirismo, arte e esperança, espalhadas por suas 13 canções. Um verdadeiro bálsamo eficaz e gentil.

Com 56 anos de idade muito bem vividos, Lobo começou a tocar seu instrumento musical de preferência aos 14 anos. O primeiro CD, No Braço Dessa Viola, veio em 1996. Este é o de Nº26, entre trabalhos solo e com outros artistas, e marca uma trajetória repleta de parcerias bacanas, shows no Brasil e no exterior, dois DVDs, um livro, o apoio a vários projetos bacanas e uma inquietude eterna.

Alma e Coração está disponível nas plataformas digitais e também em uma belíssima edição em CD no formato digipack com direito a encarte luxuoso, prova de que nada supera as versões físicas enquanto prova concreta de um trabalho consistente e cujo teor artístico transborda de cada nota tocada e cantada por este grande artista.

Sabe aquele espírito poético e cordial que a gente imagina ter sumido de cena do brasileiro em geral? Pois o nosso amigo mineiro, oriundo de São João Del Rei, prova que isso ainda existe. Aquele clima do ser convidado a ir à casa de um amigo, tomar um cafezinho, comer um pão de queijo e jogar conversa qualificada fora. Este álbum nos remete precisamente a esse lado bacana do nosso povo que precisa ser resgatado em meio a tanta sandice.

Com a pandemia comendo solta, Chico soube rapidamente se adaptar ao novo momento, tanto que conseguiu gravar este álbum valendo-se de um esquema de cooperativa com seus músicos, que realizaram suas partes no trabalho a partir de estúdios caseiros. E isso também valeu para os convidados especiais, algo constante em sua carreira.

Acima de tudo, Alma e Coração é um trabalho centrado em canções, e o nosso querido amigo mineiro usa sua afiada viola para ressaltar cada parte delas, sem cair em virtuosismos desnecessários que por ventura pudessem tirar o foco desejado. Ele e os músicos que o acompanharam souberam criar uma moldura sonora ideal para cada uma das composições incluídas no álbum, com um resultado impecável.

Pela primeira vez em sua carreira, Chico Lobo optou por lançar previamente cinco das canções de um de seus álbuns pela via digital, o que permitiu ao público ir descobrindo aos poucos o seu conteúdo. Uma dessas músicas foi a encantadora Nós, que conta com a delicada e deliciosa voz de Roberta Campos. Luiz Carlos Sá, um dos inventores e mestres do rock rural, marca presença em outra pérola preciosa deste CD, Sonhos.

Criativo e sem se limitar a um único caminho musical, Chico mistura folk, rock rural, o chamado “som caipira” e elementos da música nordestina e latino-americana, entre outros ingredientes, para nos proporcionar um som doce, amistoso e com letras líricas e repletas de uma esperança tão necessária para todos os de alma sensível.

Sagrado em Meu Olhar, com participação do talentoso paulista de Jundiaí Drigo Ribeiro, a definidora faixa que dá nome ao álbum, a inspirada Povos da América e a encantadora Própria História, na qual se destaca outro parceiro constante, Tatá Sympa, são outros momentos de destaque de um álbum acima de tudo necessário para os fãs de boa música. O título não mente, tem mesmo muita alma e coração neste novo disco do Chico Lobo.

Alma e Coração (clipe)- Chico Lobo:

Novo Tempo (1980): Ivan Lins consolida e cria outros caminhos

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Por Fabian Chacur

Em 1980, Ivan Lins encerrou a sua passagem pela EMI-Odeon, período iniciado em 1977. De todas as fases de sua brilhante carreira como cantor, compositor e músico, esta pode ser considerada a de maior brilhantismo e criatividade. O astro carioca lançou por aquela gravadora quatro excelentes álbuns. O que pôs ponto final a esse período, Novo Tempo, traz peculiaridades muito interessantes que dão a este trabalho uma grande importância em sua discografia.

Pra começo de conversa, a fase EMI-Odeon de Ivan serviu para consolidar a parceria entre ele, Vitor Martins e Gilson Peranzzetta. Com o poeta, cujo marco inicial é a maravilhosa Abre Alas (de 1974), firmou-se uma dobradinha de entendimento impecável, com versos inspirados sobre relacionamentos, a condição humana e a situação política daquele momento de trevas no Brasil sempre musicados com melodias deliciosas e originais.

Em termos musicais, Gilson Peranzzetta, que iniciou seu trabalho com Ivan Lins no LP Chama Acesa (1975, lançado pela gravadora RCA), mostrou-se o lugar-tenente perfeito, em uma combinação de dois tecladistas que se completam de forma precisa, cirúrgica mesmo. De quebra, seus arranjos e orquestrações ajudaram a dar a cada canção a moldura adequada, sem amarras ou limitações estilísticas. Valia tudo, desde que fosse bem feito e coerente.

Essa trinca incrível deu seus passos iniciais rumo à perfeição em Somos Todos Iguais Nessa Noite (1977), estreia na EMI, e atingiria seu auge criativo nos sublimes Nos Dias de Hoje (1978, leia a resenha aqui) e A Noite (1979, leia a resenha aqui). Como igualar tanta qualidade e sucesso logo a seguir?

Esse foi provavelmente o principal desafio de Novo Tempo. E Ivan o encarou com garra, e incorporando as características daquele momento. No Brasil, vivíamos o início de uma abertura política, que tinha como marco principal a Lei da Anistia, que permitiu o retorno ao país de diversos exilados políticos. Havia esperança no ar, mesmo que a ditadura militar continuasse, com o General Figueiredo na presidência. Eis a inspiração que gerou a maravilhosa canção que deu nome a este álbum. Esperança permeada por temores.

Novo Tempo, a canção, é quase que um contraponto a Aos Nossos Filhos (1978), uma torcida intensa para que dias melhores estivessem mais perto do que se imaginava há apenas dois anos. “No novo tempo, apesar dos perigos, a gente se encontra, cantando na praça, fazendo pirraça, pra sobreviver”. Bem, seriam mais cinco longos anos de ditadura, mas é melhor seguir no tema música.

Nesse mesmo espírito, surgiu Coragem, Mulher, inspirada no triste Caso Marli, ocorrido em 1979, quando PMs invadiram um barraco em Belford Roxo (RJ) e sequestraram e mataram um rapaz, Paulo Pereira Soares, de 18 anos, que acabou sendo morto com 12 tiros por três policiais militares.

Sua irmã, Marli Pereira Soares, uma empregada doméstica, encarou o desafio de reconhecer os assassinos de Paulo, oriundos do 20º Batalhão de Polícia Militar de Belford Roxo. A moça tinha 25 anos, e virou um símbolo da resistência contra a violência policial afligindo os pobres.

“Como te atreves a mostrar tanta decência, de onde vem tanta ternura e paciência, qual teu segredo, seu mistério, seu bruxedo, pra te manter em pé até o fim”. Uma bela homenagem a uma personagem de nossa história recente que, infelizmente, ainda sofreria muito nos anos seguintes, com direito a ter sua casa saqueada e incendiada, além de perder um filho e um afilhado também vítimas da violência, já nos anos 1990.

Duas das canções do disco poderiam ter feito parte do trabalho anterior em termos temáticos, A Noite, pois são centradas em complicadas relações afetivas. Curiosamente, elas mostram dois caminhos possíveis para um casal em fase complicada. Uma, Bilhete, encerra a partida de vez, com direito a mala na porta, pedido de chave de volta e um adeus sem muita vontade de um novo contato.

Enquanto isso, Virá reflete o ponto de vista de quem não se conformou com o final, e aguarda, paciente, o retorno do parceiro-parceira: “virá, de qualquer jeito virá, virá a contragosto, virá por amizade, virá por desespero, virá por cama e comida, por boa bebida, por dinheiro”.

Também retomando caminhos anteriores, a rural Sertaneja nos traz ecos de Ituverava (1977), bela homenagem de Vitor Martins a sua cidade natal, enquanto Barco Fantasma vem da mesma lavra inspirada na música portuguesa que gerou a inspirada Um Fado (1977).

A única canção de fora do núcleo Ivan-Vitor-Gilson é a inspirada releitura de Coração Vagabundo (1967), de Caetano Veloso, que de certa forma dialoga em termos poéticos com Novo Tempo, com versos como “meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer”.

Desde o início de sua carreira, Ivan Lins sempre se mostrou aberto à mistura da música brasileira com elementos do jazz, soul e r&b. Na fase EMI, pode-se dizer que um novo formato dessa vertente surge em Dinorah Dinorah (1977), com uma levada mais moderna e próxima da sonoridade internacional. Não por acaso, essa música foi regravada por George Benson no álbum Give Me The Night, lançado naquele mesmo 1980 e que também inclui Love Dance (Ivan Lins, Gilson Peranzzetta e Paul Williams).

Há pelo menos duas representantes dessa sonoridade híbrida e genial neste álbum: a faixa-título, que alguns afirmam ter sido cogitada para entrar em um álbum de Michael Jackson (Thriller, para ser mais preciso), e a fantástica Arlequim Desconhecido, que abre o álbum. Ambas seriam regravadas por artistas internacionais posteriormente, e não por acaso, pois se encaixam feito luva na sonoridade jazz-pop então prevalente nas rádios americanas.

Uma faixa é totalmente à parte do resto do material. Trata-se de Setembro, assinada por Ivan e Gilson e dividida em duas partes, Antonio e Fernanda e Caminho de Ituverava. Sem letra, ela traz vocalizações arranjadas pelo genial Tavito, cordas e um clima que em alguns trechos pode nos levar surpreendentemente à fase mais experimental dos Beach Boys.

Outro momento muito significativo é a encantadora Feiticeira, canção leve, romântica e delicada com direito a um arranjo ousado que incorpora elementos de baião. Pode-se considerá-la uma espécie de pioneira de uma veia da obra de Ivan que posteriormente nos renderia sucessos maravilhosos do porte de Vitoriosa (1986) e Iluminados (1987).

Entre os músicos participantes do álbum, todos ótimos, um merece destaque especial. Trata-se de Alex Malheiros, baixista do grupo Azymuth que marca presença em 9 das 10 faixas. Sua forma moderna e swingada de tocar ajudou a dar uma roupagem mais próxima do jazz-funk americano ao som do disco, com direito a alguns momentos absurdamente inspirados. Ouça suas linhas de baixo em Arlequim Desconhecido, Setembro e Novo Tempo e tente não concordar comigo.

Curiosamente, nos créditos do álbum, Malheiros é identificado apenas como “Alexandre”, o que me levou a fazer uma extensa pesquisa para descobrir quem era esse cara, até que consegui a resposta ao ouvir uma entrevista feita por Nelson Faria com o saudoso baixista Arthur Maia, no qual ele relembra que entrou na banda de Ivan Lins para substituir precisamente Alex Malheiros, que gravou Novo Tempo mas não participou da turnê.

A embalagem de Novo Tempo também merece ser elogiada. Na capa, Ivan aparece com a camisa aberta, com jeitão de quem está pronto pra qualquer parada. Na parte interna e na contracapa (a capa é dupla), Ivan está ao lado dos parceiros Martins e Peranzzetta, sendo que em uma foto eles compartilham um jornal com manchetes típicas de um país pressionado por momentos difíceis.

Se não fez tanto sucesso como os trabalhos anteriores pela EMI, Novo Tempo conseguiu manter Ivan Lins nas paradas de sucesso e lotando os seus shows. Típico disco de transição, encerrou com classe uma fase brilhante de sua carreira e, por tabela, deu o pontapé inicial em outra, também das mais ricas. Mas essa é uma outra história, que a gente conta futuramente.

Ouça músicas de Novo Tempo em streaming:

Antonio Adolfo mergulha no universo sonoro do Bituca

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Por Fabian Chacur

Com mais de 50 anos de estrada, Antonio Adolfo é uma espécie de músico-vinho, pois parece ficar melhor a cada ano. Pianista, compositor e arranjador com um extenso currículo (leia mais sobre ele aqui), nos últimos anos se tornou ainda mais produtivo, lançando novos álbuns em intervalos cada vez menores. E um melhor do que o outro. O mais recente é o sublime BruMa Celebrating Milton Nascimento, lançado em CD e nas plataformas digitais.

Desta vez, o músico carioca de 73 anos optou por mergulhar no universo musical de Milton Nascimento, que ele conheceu ainda em 1967, quando o Bituca de Três Pontas tornou-se conhecido nacionalmente ao participar com destaque do 2º Festival Internacional da Canção (FIC). Do songbook generoso e repleto de momentos geniais do astro nascido no Rio e criado em Minas Gerais, selecionou nove pérolas lançadas originalmente entre 1967 e 2002.

A obra de Milton traz como marca registrada uma fusão originalíssima das várias vertentes da música popular brasileira com rock, jazz, soul e ainda mais, com uma originalidade ímpar. Nos anos 1980, por exemplo, o curador de um festival de música precisava dar um rótulo para cada artista que participaria do evento. Quando chegou a vez do nosso astro, não teve dúvida ao denominar o estilo daquele artista brasileiro como “Milton”. Bem isso.

Consciente de tal fato, Adolfo soube explorar o rico universo melódico e harmônico do artista abordado, ampliando de forma criativa e bem concatenada caminhos sugeridos por algumas daquelas canções, tornando-as peças instrumentais únicas que, no entanto, mantém de forma elogiável o DNA original concebido pelos autores. Você as ouve, curte e muito a nova roupagem, mas reconhece cada uma delas, algo nada fácil de se realizar.

Antonio Adolfo é um pianista sublime, com aquele toque delicado e swingado nas teclas que sempre explora timbres personalizados e envolventes. Como arranjador, o cara é um mestre de primeira grandeza, sabendo como poucos organizar os instrumentos participantes e dando a eles funções principais e acessórias com um cuidado digno de um ourives musical. As partes de metais, por exemplo, são sempre encantadoras.

Generoso, ele sabe abrir espaços para seus acompanhantes, enquanto dá um show no seu instrumento. O time escalado para seus álbuns é invariavelmente estrelado, e este aqui tem como destaques os fantásticos Jessé Sadoc (flugelhorn e trumpete), Jorge Helder (contrabaixo), Marcelo Martins (sax tenor e flauta), Cláudio Spiewak (guitarra e violão) e Rafael Barata (bateria), esbanjando técnica e sensibilidade como poucos.

A roupagem estilo jazz brasileiro dada a Fé Cega, Faca Amolada, a pegada percussiva de Caxangá e o clima intimista imprimido a Cais e Encontros e Despedidas são bons exemplo do bom gosto de Antonio Adolfo na exploração da musicalidade da obra do nosso querido Bituca. BruMa, cujo título é uma homenagem a Brumadinho e Mariana, tem tudo para agradar desde os fãs de música mais sofisticada até aqueles que curtem uma trilha sonora agradável como pano de fundo sonoro. Easy Listening? Lovely Listening, isso, sim!

Ouça BruMa Celebrating Milton Nascimento em streaming:

Warshipper mostra precisão e fúria em seu álbum Barren…

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Por Fabian Chacur

Fugir dos clichês de um estilo musical ao qual uma banda está atrelada é um dos grandes desafios da carreira das bandas de rock, e aquelas que conseguem superá-lo certamente entram para o primeiro escalão. Isso vale para qualquer praia musical. E é essa batalha que a banda Warshipper pode se orgulhar de ter vencido. O quarteto oriundo de Sorocaba (SP) nos oferece uma prova concreta de tal façanha em Barren…, seu terceiro álbum, já disponível em CD e nas plataformas digitais através da gravadora Heavy Metal Rock, de Americana (SP).

Na estrada desde 2011, o quarteto sorocabano é integrado por Renan Roveran (guitarra-solo e vocal), Rodolfo Nekathor (baixo e vocal), Rafael Oliveira (guitarra-solo) e Roger Costa (bateria). Nesse período, eles lançaram os álbuns Worshipper Of Doom (2015) e Black Sun (2018) e o single Atheist (2019), esta última incluída como faixa-bônus em seu novo álbum.

Embora tenham em sua estrutura musical os parâmetros básicos do chamado metal extremo, o Warshipper se recusa a se pautar por limitações de estilo, enveredando por uma mistura consistente e original que traz as influências as mais distintas possíveis. Em mãos menos habilidosas, tal fusão poderia ter saído desastrosa, mas o Warshipper esbanja competência técnica e criatividade, aliadas a um vigor e uma garra essenciais ao estilo.

A primeira faixa de Barren… a se destacar é a visceral Respect!, que traz nos vocais a participação especial de uma das revelações do heavy rock brasileiro atual, a carismática Fernanda Lira, ex-integrante da banda Nervosa. A parceria deu liga e serve como um belo cartão de apresentações deste álbum.

Com letras muito bem concatenadas que tocam na opressão vivida por quem não se submete aos padrões pré-estabelecidos de forma nada democrática pela sociedade atual, onde a tolerância ao que sai fora dos parâmetros “normais” inexiste e é imediatamente combatido como ameaça, o grupo se divide entre variação de andamentos, solos ora melódicos ora rapidíssimos e vocais que beiram o grito primal em sua visceralidade.

Com excelente qualidade de áudio, que contou com a coprodução, mixagem e masterização de Rafael Augusto Lopes (que também se incumbiu dos teclados), Barren… conta com uma versão em CD simplesmente sublime em termos de apresentação, com direito a capa, encarte, fotos e ilustrações dignas de um lançamento internacional do primeiro escalão. Um banho nas gravadoras majors.

O álbum é bom como um todo, mas vale destacar a instrumental Embryo, a incrível Anagrams Of Sorrow, Convulsive Trips (com elementos de música eletrônica) e a intensa Rabbit Hole. Cada estilo musical possui aquelas bandas que se sobressaem e vão além de seu público alvo, e a Warshipper mostra boas pistas de que pode entrar nesse restrito clube.

Respect! (clipe)- Warshipper e Fernanda Lira:

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