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O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Andy Gibb, astro pop que não aguentou o peso do estrelato

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Por Fabian Chacur

No dia 5 de agosto de 1988, Andy Gibb completou 30 anos de idade. Embora ainda bem jovem, já tinha vivido muito, e intensamente. Sucesso, consagração, badalação, vício, insegurança, problemas de saúde… Tudo foi muito intenso para ele. Tanto isso é verdade que, apenas cinco dias após se tornar trintão, o cantor e compositor britânico nos deixou, em um triste 10 de agosto daquele mesmo ano. Se a história acaba mal, o legado musical que ele nos deixou não poderia ter sido melhor.

A história de Andy Gibb é repleta de curiosidades e momentos bacanas. Ele nasceu na cidade inglesa de Manchester em 5 de agosto de 1958, o filho mais novo do casal Hugh e Barbara Gibb, que também gerou Lesley, Barry e os gêmeos Robin e Maurice. O fraldinha da companhia tinha apenas seis meses quando a família resolveu se mudar para a Austrália em busca de dias mais fartos e vitoriosos naquele lado do mundo.

Quando os Gibb voltaram à Inglaterra, em 1967, Barry, Robin e Maurice eram estrelas do pop-rock australiano, como integrantes dos Bee Gees e a ambição de conquistarem o Reino Unido e, na sequência, o mundo todo. Deu certo. Tanto que em pouco tempo o trio ganhou a idolatria de um contingente enorme de fãs, o que levou Hugh e Barbara a buscarem um lugar mais tranquilo para criarem seu filho caçula, já que Lesley ficou na Austrália e os outros já estavam voando com as próprias asas.

Em 1970, já vivendo em Ibiza, Ilhas Baleares (ao leste da Espanha), Andrew Roy Gibb (seu nome de batismo) começou a dar vasão a sua veia musical, cantando em bares na cidade e se acompanhando com o violão que ganhou de Barry. Ao voltarem ao Reino Unido em 1973, para morar na Ilha de Man, a família Gibb viu seu caçula montando pequenos grupos musicais. Quando ficou claro que o garoto realmente tinha talento, Barry resolve dar um conselho ao maninho.

Na opinião do filho mais velho dos Gibb, Andy poderia desenvolver melhor seu potencial na Austrália, onde não sofreria tanta pressão da mídia. Em 1974, ele foi para lá, e em 1975, após algumas tentativas, assinou com o pequeno selo local ATA Records e lançou o single Words and Music, um belo hit na terra dos cangurus. Aí, entrou na parada Robert Stigwood, empresário dos Bee Gees e dono da gravadora RSO.

Quando sentiu o potencial de Andy, Stigwood resolveu contratá-lo, o que se efetivou em 1976. Na época, os Bee Gees estavam mudando a sua base para Miami, Flórida, e foi para lá que o cantor se mudou. Antes, ficou uns dias nas Ilhas Bermudas, na casa de Stigwood e com o irmão Barry, com o intuito de compor músicas para o seu primeiro álbum.

Cercado por um elenco de músicos do primeiríssimo time sob o comando do genial tecladista, produtor e arranjador Albhy Galuten, um dos nomes fundamentais para a criação da fase rhytmn’ and blues/disco dos Bee Gees, Andy gravou um belíssimo álbum de estreia. Flowing Rivers saiu em 1977, e foi antecedido por um single de sucesso absurdo, I Just Want To Be Your Everything, que chegou ao primeiro lugar na parada americana.

O álbum atingiu o 19º posto na parada ianque e traz dez faixas, sendo nove composições dele (sendo duas parcerias com Galuten e uma com Barry) e uma só de Barry, exatamente o hit funky I Just Want To Be Your Everything. Também lançada em single, (Love Is) Thicker Than Water atingiu o primeiro lugar nos EUA e foi escrita por Andy e Barry. Outro momento incrível do álbum é a canção country Flowing Rivers, essa só do Gibb fraldinha.

Embora com diversas similaridades com o estilo que os Bee Gees desenvolviam na época, Andy não soava como um mero diluidor do trabalho deles. Muito longe disso. Com uma voz doce e capaz de valorizar as melodias bacanas disponíveis, ele se mostrou, aos 19 anos, com uma maturidade artística muito acima do que se poderia imaginar. Uma curiosidade: Joe Walsh, guitarrista dos Eagles, participou de duas faixas de Flowing Rivers.

Em 1978, veio seu segundo álbum. A faixa título, Shadow Dancing, saiu um pouco antes como single, e proporcionou ao jovem astro uma façanha: atingiu o primeiro lugar nos EUA e o tornou o primeiro artista na história da música pop a garantir a posição mais alta da parada americana dos compactos simples com seus três primeiros singles. Shadow Dancing, o álbum, traz oito composições de Andy, sendo seis sozinho, uma em parceria com Barry (Why) e outra escrita pelos quatro irmãos (a faixa-título).

As duas faixas que completam o segundo LP de Andy Gibb são a deliciosamente pop An Everlasting Love (de Barry Gibb e nº 5 na parada de singles) e a deslumbrante balada (Our Love) Don’ Throw It All Away (Barry e Blue Weaver, nº9 entre os singles mais vendidos). O álbum chegou ao nº 7 nos EUA, e sua faixa-título foi o maior hit de 1978 na terra de Barack Obama, acima até mesmo dos inúmeros hits do filme Saturday Night Fever, dos irmãos Gibb.

Em seu primeiro grande show solo, em 1978, ele contou com convidados especiais: nada menos do que os Bee Gees, a primeira vez em que os quatro irmãos pisaram juntos em um palco profissionalmente. Em 9 de janeiro de 1979, ele participou com destaque do show beneficente Music For Unicef, espetáculo que contou com os Bee Gees, Earth, Wind & Fire, Donna Summer, Abba e outros. Gibb aparece no álbum que documentou esse evento histórico interpretando as músicas I Go For You e Rest Your Love On Me, essa última em dueto com Olivia Newton-John.

É mais ou menos nessa época, quando Andy Gibb disputava os primeiros lugares das paradas de sucesso do mundo todo com seus irmãos, que ele começa a mostrar os primeiros sinais mais claros de que não estava segurando a onda de tanta exposição pública. Várias podem ter sido as razões, sendo a mais clara sua insegurança. O fato de seus maiores hits terem autoria ou coautoria do irmão Barry também podem ter reforçado essa situação de autoestima baixa.

Dessa forma, o cantor mergulhou nas drogas, especialmente cocaína. As consequências disso refletiriam em algumas características de seu terceiro álbum, After Dark, lançado em 1980. Das dez faixas incluídas nele, apenas duas levam a sua assinatura, e ainda assim em parceria com Barry, que assina outras cinco sozinho, uma em parceria com Albhy Galuten e as duas restantes com os irmãos Robin e Maurice.

Ou seja, After Dark é quase um disco solo de Barry Gibb com os vocais do irmão. Vocais, por sinal, gravados a muito custo. Ainda assim, o disco é muito bom, trazendo como destaques a ótima faixa título, a meio latina Desire (número 4 entre os singles mais vendidos) e dois duetos inspiradíssimos com a amiga Olivia Newton-John: I Can’t Help It e Rest Your Love On Me. O álbum chegou ao número 21 nos EUA.

Portanto, se não fosse a atuação decisiva de Barry no intuito de ajudar Andy a concretizar seu 3º álbum, o disco poderia perfeitamente não ter sido nem gravado, nem lançado. Ele praticamente não compunha mais nada, e para ficar em condições decentes para cantar, era preciso uma verdadeira operação de guerra. Isso explica o fato de o LP usar faixas como Desire e Warm Ride, ambas pensadas inicial e respectivamente para os Bee Gees e o grupo soul Rare Earth, não para Andy.

Diante desse quadro, Robert Stigwood não viu outra alternativa a não ser encerrar o contrato de Andy com a RSO Records. Como forma de finalizar essa parceria, foi lançada ainda em 1980 a coletânea Greatest Hits, trazendo como atrativos três gravações inéditas: o ótimo rock Time is Time (parceria dele com Barry que chegou ao nº 15 entre os singles em 1981), a balada Me (Without You) (esta só dele, nº 40 entre os singles) e a releitura de Will You Still Love Me Tomorrow (de Carole King), esta última um dueto com a cantora P.P. Arnold. O álbum atingiu o número 46 nos EUA, e marcou o fim de uma era.

Em 1981, Andy entrou forte nas revistas de fofocas de estrelas ao namorar com a atriz Victoria Principal, que vivia a Pamela Ewing na série televisiva de enorme sucesso Dallas. Ele, inclusive, gravou um single com ela, relendo All I Have To Do Is Dream, hit dos Everly Brothers, que chegou ao número 51 da parada ianque em 1951. Seria a última vez em que um de seus trabalhos entraria nos charts, e seu último lançamento antes de seu fim precoce. O namoro também acabou alguns meses depois, quando a atriz exigiu que Andy escolhesse entre ela ou as drogas. Deu a segunda opção, na cabeça.

A década de 1980 seria mesmo muito tumultuada para Andy Gibb, embora não tivessem faltado oportunidades para ele dar a volta por cima. O astro atuou como ator em dois badalados espetáculos teatrais, The Pirates Of Penzance e Joseph Ad The Amazing Technicollor Dreamcoat, e recebeu elogios por suas atuações neles. No entanto, foi demitido das duas produções americanas, ambas por faltar de forma constante aos ensaios e sessões.

Na TV, o mesmo ocorreu. Chegou a ser apresentador do programa Solid Gold entre 1980 e 1982 (com idas e vindas), atuou como convidado na série Punky Brewster (Punky, a Levada da Breca, no Brasil) e como protagonista da série Something’s Afoot ao lado de Jean Stapleton. Em 1984, retomou por uns tempos a música e fez shows nos EUA, Chile e Brasil, shows estes registrados e lançados posteriormente em DVDs piratas. Apresentações bem profissionais, por sinal, sendo que por aqui ele cantou usando uma camiseta amarela com o nome Brasil estampado. No repertório, hits dele, dos irmãos e um de Lionel Richie (All Night Long).

Em 1985, acabou sendo internado na célebre clínica Betty Ford para tentar se livrar das drogas, e a esperança ficou no ar. Em 1987, teve sua falência decretada, mergulhado em dívidas, mas outro raio de luz parecia surgir no horizonte: ele voltou a gravar, em parceria com os três irmãos e almejando o seu retorno triunfal ao meio musical.

Nesse período, foram gravadas quatro músicas, sendo que duas delas seriam lançadas de forma póstuma: Man On Fire, incluída na coletânea em CD intitulada Andy Gibb (1991) e Arrow Though The Heart, na caixa de quatro CDs Mythology (2010), que traz um disco para cada integrante dos Bee Gees e uma para o irmão mais novo. As gravações geraram boas expectativas.

No início de 1988, a Island Records tentou contrata-lo. O intuito era lançar dois singles e, em seguida, o esperado álbum de retorno de Andy. Infelizmente, isso não se concretizou, pois ele mais uma vez se incumbiu de faltar nas datas programas para assinar o compromisso com a gravadora. E, em 10 de março de 1988, a notícia que ninguém queria que se concretizasse veio a tona: Andy já não estava mais entre nós.

Muito se especulou sobre a causa da morte precoce do mais novo dos Bee Gees. Overdose parecia uma opção próxima da realidade, mas informações posteriores apontam para uma miocardite causada por uma infecção viral. Essa condição foi proporcionada por anos consecutivos de uso de drogas, o que deixou o artista com uma saúde bastante frágil, agravada por uma incapacidade latente de se alimentar de forma satisfatória. Uma pena.

Andy Gibb deixou uma filha, Peta, fruto de um casamento ainda na Austrália na metade dos anos 1970. Ela tinha apenas dez anos quando o pai morreu, e recentemente foi convidada a integrar o projeto The Gibb Collective, que reúne ela e os filhos de Barry (Stephen), Sam e Adam (Maurice) e Spencer (Robin) para gravar um álbum com faixas do songbook da família. A saga continua…

I Just Want To Be Your Everything (live Brasil 1984)- Andy Gibb:

Karla Bonoff, uma artista que você precisa conhecer agora

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Por Fabian Chacur

Em 1977, uma jovem cantora, compositora e musicista americana chamada Karla Bonoff lançava o seu autointitulado álbum de estreia pela gravadora Columbia. Quatro décadas após, esse álbum continua não só soando maravilhosamente belo, como prossegue aguardando um maior reconhecimento por parte de crítica e, especialmente, de público. Então, como forma de celebrar esses 40 anos, vamos mergulhar de cabeça na carreira desta incrível artista.

A forma como descobri Karla foi típica de quem trabalha como crítico musical e é curioso. Lá pelos idos de 1999, entrevistei um trio country brasileiro dos mais competentes, o West Rocky. No disco de estreia deles, Me Faz Bem (1998), o destaque era a deliciosa Quando o Amor se Vai, versão em português de Tell Me Why, música escrita exatamente por miss Bonoff, que até então eu não tinha nem ideia de quem era.

Algumas semanas depois da entrevista, estava em uma loja de CDs situada no Shopping Eldorado, em São Paulo, e dei de cara com o CD All My Life- The Best Of Karla Bonoff. Como sou curioso, ávido comprador de discos e estava com dinheiro, comprei esse álbum cuja capa trazia aquela bela moça de olhar tímido e cabelos escuros.

Logo ao ouvir a primeira faixa dessa excepcional coletânea, quase caí de costas. Lay Down Beside Me é sem medo de errar uma balada rock avassaladora. Com letra que toca no tema da solidão de forma emotiva, traz uma melodia encantadora, em tom menor, um clima introspectivo e uma interpretação de arrepiar de Karla, com direito a certeiras intervenções de guitarra. Tipo da música perfeita, um clássico óbvio que também abre o álbum de estreia de Karla.

Nesse seu primeiro LP solo, Karla Bonoff contou com a participação de músicos do primeiríssimo escalão do chamado bittersweet rock, ou soft rock, aquele estilo musical surgido no finalzinho dos anos 1960 que somava elementos de rock, country e folk com letras emotivas, introspectivas e confessionais e que teve em James Taylor, Carole King, Crosby, Stills & Nash e Cat Stevens alguns de seus nomes seminais.

Karla Bonoff (o álbum) apresenta ao mundo uma cantora de bela voz, uma instrumentista extremamente competente e uma compositora iluminada. Além da já citada Lay Down Beside Me, o álbum nos traz pérolas sonoras como a envolvente balada country em andamento de valsa Home, o rockão I Can’t Hold On, a balançada Isn’t It Always Love e a tocante Lose Again, só para citar algumas.

Era um álbum que permitia ao ouvinte mais atento notar que sua autora não estava estreando com tanta competência do nada. Fica claro, ao ouvi-lo, que tínhamos ali o fruto de anos anteriores de trabalho, mesmo sendo Karla ainda bastante jovem. E é exatamente este antes, e também o depois da carreira dela que vamos contar daqui pra frente. Com direito à entrada em cena de muitos nomes conhecidos da música, trilhas de filme etc. Vamos lá!

Dupla com a irmã, um grupo, Linda Ronstadt…

Nascida em 27 de dezembro de 1951, Karla Bonoff iniciou de fato sua carreira musical ao formar uma dupla com a irmã, Lisa, intitulada The Daughters Of Chester P.(as filhas de Chester P.), uma homenagem ao pai. Elas tiveram a oportunidade de gravar uma demo para a Elektra Records no final dos anos 1960 com a produção de Bruce Botnick, que trabalhou com os Doors, mas a gravadora não as contratou, e Lisa preferiu seguir carreira como professora.

Karla seguiu adiante, e virou presença constante no Troubador, mitológico barzinho de Los Angeles nos quais nomes como James Taylor, Jackson Browne, Elton John e os músicos que depois formariam os Eagles eram figuras constantes. Por lá, a moça fez amizade com o músico Kenny Edwards, integrante da Stone Poneys, banda da qual também fazia parte a cantora Linda Ronstadt. Com o fim desse grupo, eles começaram uma parceria musical que duraria mais de 40 anos.

Com o acréscimo de Andrew Gold e Wendy Waldman, Karla e Edwards criaram a Bryndle. Essa banda gravou um álbum para a A&M Records no início dos anos 1970, mas novamente nossa heroína não deu sorte, pois o disco nunca foi lançado, o que levou os integrantes do grupo a partirem para seus próprios projetos. Eles, no entanto, nunca se distanciariam, sempre participando uns dos discos/shows dos outros, deixando no ar a possibilidade de um dia voltarem.

Kenny Edwards foi convidado a integrar a banda de apoio da ex-colega de Stone Poneys, Linda Ronstadt, que se tornou uma estrela da cena country rock. Um dia, Karla teve a chance de mostrar canções para Ronstadt, e um ano depois disso, mais precisamente em 1976, nada menos do que três músicas da compositora entraram no álbum Hasten Down the Wind: Someone To Lay Down Beside Me, Lose Again e If He’s Never Near, com direito a participação de Karla fazendo backing vocals.

A qualidade das músicas rendeu o contrato com a Columbia. Após o primeiro álbum, que teve repercussão mediana, apesar de sua alta qualidade, ela lançou em 1979 Restless Hearts, outro LP belíssimo com direito a baladas doloridas como Restless Nights, rocks como Baby Don’t Go e dois momentos bacanas para o currículo: When You Walk In The Room, grande sucesso em 1963 de e com Jackie De Shannon (que de quebra participou dessa releitura), e The Water Is Wide, hit do Kingston Trio com participação nos vocais e violão de James Taylor.

Como a repercussão do álbum anterior foi respeitável (nº 31 nos EUA), tivemos em 1982 o terceiro trabalho dela, Wild Heart Of The Young, que traz como destaques a maravilhosa balada que lhe dá o nome e Personally, obscura canção de r&b regravada por ela que acabou se tornando, ironicamente, o maior sucesso de sua carreira solo, atingindo o posto de nº 19 na parada de singles da Billboard.

O quarto álbum de Karla, New World, chegou às lojas em 1988 e tem em seu repertório as encantadoras Tell Me Why, All My Life e Goodbye My Friend. Seria o último trabalho solo de estúdio dela até o momento (2017), que depois lançaria apenas o excelente CD duplo ao vivo Live (2007). Antes, tivemos a coletânea All My Life- The Best Of Karla Bonoff (1999), melhor iniciação para a sua obra.

Compositora regravada por grandes nomes da música

Expressiva representante da ala singer-songwritter (cantautori, em italiano) do universo pop, ou seja, aqueles artistas que gravam com mais frequência as suas próprias canções, Karla Bonoff no entanto também é bastante conhecida por ter seu repertório relido por grandes nomes da música. Linda Ronstadt abriu essa porteira em 1976, como já dissemos anteriormente. E não foi só isso.

Em 1989, no seu álbum Cry Like a Rainstorm, Howl Like the Wind, Linda voltou a recorrer ao songbook da amiga, e gravou de uma só vez All My Life, Trouble Again e Goodbye My Friend. Além de o álbum ter vendido muito, All My Life, que teve a participação do cantor Aaron Neville, rendeu a Linda Ronstadt um troféu Grammy.

Bonnie Raitt, aclamada cantora, compositora e guitarrista americana, fez belíssima gravação de Home no álbum Sweet Forgiveness (1977). Em 1979, foi a vez de a cantora country Lynn Anderson (famosa pelo megahit Rose Garden, que fez sucesso no Brasil na versão Mar de Rosas, com os Fevers) recorrer a uma canção da Karlinha, a sacudida Isn’t It Always Love, do seu álbum Outlaw Is Just a State Of Mind.

E tem também Tell Me Why. Em 1993, a estrela country Wynonna Judd, ex-integrante do duo The Judds e irmã da atriz Ashley Judd, resolveu regravar essa canção, só que seus músicos não conseguiam reproduzir o arranjo da gravação original. Aí, surgiu a ideia de convidar a própria Karla, que tocou o violão e fez backing vocals nessa releitura, um grande hit country naquele ano, integrante do álbum Tell Me Why, de Judd.

Uma curiosidade: foi exatamente essa regravação de Wynonna que levou o grupo brasileiro West Rocky a fazer a sua versão. Eles nem tinham ideia de quem era Karla Bonoff, e, no entanto, por tabela foram os responsáveis por eu ter descoberto essa artista maravilhosa. Vale registrar que, em 2006 e 2013, a dupla sertaneja Guto & Nando também releu Quando o Amor Se Vai (Tell Me Why), respectivamente em um CD de estúdio e em um DVD ao vivo.

A segunda chance do Bryndle enfim chegou

A história do Bryndle aparentemente seria a de uma espécie de grupo que foi sem nunca ter sido, em razão do melancólico fim de seu contrato com a gravadora A&M. Isso, embora seus integrantes sempre tenham se mantido próximos um dos outros. Kenny Edwards, por exemplo, foi o produtor de vários dos discos de Karla, enquanto Andrew Gold e Wendy Waldman participaram deles.

No entanto, o tempo acabou dando uma nova chance aos amigos, que se reuniram novamente com o objetivo de reativar a banda no inicio dos anos 1990. Desta vez, o projeto se mostrou plenamente vitorioso, pois rendeu dois álbuns, Brindle (1995) e House Of Silence (2002), além de inúmeros shows e aparições em programas de TV.

Infelizmente, tudo acabou com as mortes de Kenny Edwards em 2010 e Andrew Gold em 2011. Desde então, Karla continuou na estrada fazendo shows solo, dando uma geral em seu repertório de hits. Alguns deles são em parceria com Livingston Taylor, irmão de James Taylor.

Duetos e participações em trilhas de filmes

Acho que a história de Karla Bonoff tinha acabado por aqui? Doce ilusão! Chegou a hora de dar uma geral nos duetos e participações em trilhas de filmes. E tem muita coisa boa. Em 1983, por exemplo, ela participou do segundo CD de Christopher Cross, Another Page, fazendo um dueto com ele em What Am I Supposed To Believe.

Em 1996, ela gravou junto com a consagrada banda country Dirt Band a música You Believed In Me, que entrou no álbum feito em homenagem aos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. J.D. Souther, seu contemporâneo dos tempos de Troubadour e grande nome do soft rock dos anos 1970, gravou em dueto com ela Step By Step, incluída em 1986 na trilha do filme About Last Night.

E já que entramos no tópico trilhas sonoras, temos outro dueto bacana feito com o astro country Vince Gill, When Will I Be Loved, incluída na trilha do filme 8 Seconds, que por sinal também traz outra canção interpretada por Karla, Standing Right Next To Me.

A gravação feita especialmente para filmes que provavelmente mais lhe rendeu deve ter sido a da canção Somebody’s Eyes, integrante da trilha de Footloose, álbum que permaneceu 10 semanas no topo da parada americana e vendeu milhões de cópias mundo afora, impulsionado pela faixa-título, interpretada por Kenny Loggins.

Para os fãs de músicos, vai aí uma pequena relação dos craques da música que participaram dos álbuns de estúdio de Karla Bonoff: Waddy Watchel, Leland Sklar, Dan Dugmore, Russel Kunkel, Rick Marotta, Danny Kortchmar, Don Henley, Victor Feldman, Bill Payne, Timothy B. Schmidt, Garth Hudson, Peter Frampton e Glenn Frey.

Bem, se você chegou até aqui, não deixe de ouvir o trabalho de Karla Bonoff, que está disponível nas melhores plataformas digitais disponíveis na rede, e em selecionadíssimas lojas de CDs e LPs. Duvido que quem tiver um ouvido apurado e curtir música pop de qualidade não acabe se apaixonando pela obra desta brilhante artista. Comece como eu, por essa música que eu postei abaixo. Boa viagem sonora:

Someone To Lay Down Beside Me– Karla Bonoff:

João Bosco divulga uma faixa inédita: novo CD vem por aí

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Por Fabian Chacur

Boa notícia para os fãs da melhor música brasileira. Nesta sexta-feira (11), está disponível em todas as plataformas digitais uma canção inédita de João Bosco. Trata-se de Onde Estiver, que equivale à primeira amostra do repertório de um novo álbum de inéditas do cantor, compositor e violonista amineiro, previsto para sair em setembro via MP,B Discos/Som Livre. Será o primeiro CD deste tipo desde Não Vou Pro Céu, Mas Já Não Vivo No Chão (2009).

Onde Estiver é uma parceria do autor de O Bêbado e a Equilibrista com o filho Francisco, seu parceiro mais constante há quase 20 anos. Com uma levada rítmica com influências de valsa e arranjo impecável, a música teve como inspiração a forma como Bob Dylan conta suas histórias em canção, conforme os autores. Não por acaso, saiu na antevéspera do Dia dos Pais. Participam da gravação, além do Bosco pai na voz e violão, Ricardo Silveira (guitarra), Guto Wirtti (baixo) e Kiko Freitas (bateria).

Vale lembrar que, nesses últimos oito anos, João Bosco lançou o DVD/CD 40 Anos Depois (2012), e se manteve firme e forte na estrada, fazendo shows e mais shows. Aos 71 anos de idade, o artista mineiro permanece mais ativo do que nunca. O novo disco terá outras quatro parcerias de pai e filho, entre outras faixas. Pela excelente qualidade da amostra, os ouvidos coçam para ouvir o disco completo…

Onde Estiver– João Bosco:

Lindo Sonho Delirante é livro com um padrão internacional

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Por Fabian Chacur

Conheci o Bento Araújo quando ele trabalhava na mitológica e saudosa Nuvem Nove Discos, ponto de encontro para se conseguir os melhores CDs, DVDs, LPs e outros itens relativos a música e também para se conviver com grandes figuras ligadas a esta cena. Lá se vão uns 20 anos, mais ou menos. E quanta coisa se passou desde então… Até chegarmos a esse seu primeiro livro, o incrível Lindo Sonho Delirante- 100 Discos Psicodélicos do Brasil. Que bela trajetória!

Durante esses anos incríveis, ele se formou em jornalismo, comprou inúmeros livros, discos e quetais, criou o histórico Poeira Zine em 2003 e esteve envolvido em diversos projetos bacanas ligados à música. Seu trabalho sempre teve como marcas a busca pelas informações corretas, a troca de figurinhas com pessoas importantes para a música no Brasil e principalmente uma paixão sem limites por seu objeto de estudo. Além, é claro, de um texto impecável.

Seu primeiro livro chega em momento de maturidade pessoal, e isso reflete no conteúdo. Viabilizado com financiamento coletivo a partir do site Catarse, Bento não mediu esforços para que o seu trabalho tivesse o mesmo altíssimo padrão daqueles lançamentos americanos e ingleses que possui em seu rico acervo. Nivelou por cima, o que certamente deve ter dificultado um bocado a realização desse verdadeiro “sonho maluco do seo Bento”. Mas valeu a pena!

Lindo Sonho Delirante- 100 Discos Psicodélicos do Brasil é uma publicação deslumbrante a partir de sua apresentação visual, simplesmente perfeita em termos de edição, diagramação, capa etc. Uma de suas grandes sacadas é o fato de ser uma edição bilíngue português-inglês, o que certamente a torna bem atraente para os fãs de música dos quatro cantos do planeta.

A concepção do conteúdo é simples. Bento compilou 100 lançamentos, entre compactos simples, compactos duplos e LPs de vinil lançados por artistas brasileiros entre 1968 e 1975 e que se encaixam dentro do conceito de uma psicodelia musical à moda brasileira. Cada verbete traz textos concisos, informativos e opinativos sobre os lançamentos, com direito a reprodução de suas respectivas capas e relação de músicas.

Os títulos escolhidos trazem desde figurinhas carimbadas da nossa música como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes e Secos & Molhados até obras raríssimas de nomes obscuros como Marconi Notaro, Loyce & Os Gnomos e Liverpool, além de alguns inesperados para a maioria das pessoas, como João Donato e Ronnie Von. O livro mostra como o estilo psicodélico foi adaptado pelos músicos no Brasil e ganhou uma cara própria, original e marcante.

Lógico que algumas escolhas podem ser contestadas, enquanto outros ausentes certamente mereceriam estar aqui (tipo um Tim Maia Racional Volume 1, por exemplo), mas isso é totalmente secundário, pois não há como agradar a todos em uma seleção desse tipo. Uma dica é que você vez por outra encontra pequenas, mas importantes, diferenças entre os textos em português e em inglês, com direito a informações adicionais. Leia os dois, portanto.

O texto de introdução faz uma bela contextualização do universo musical abrangido por Bento Araújo, além de justificar seus critérios de escolha. Lindo Sonho Delirante (título de uma música gravada por Fábio, aquele do hit Stella e amigo do Tim Maia) é publicação essencial para quem curte ler sobre música brasileira, e coloca uma baita responsabilidade nas costas do autor: como lançar um próximo livro com este mesmo altíssimo nível? Mas não se assustem se esse cara atingir esse objetivo…

Mais informações sobre o livro aqui .

Lindo Sonho Delirante (LSD)- Fábio:

Paulo Ho mostra seu rock tipo teatral em show único no Rio

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Por Fabian Chacur

Paulo Ho é um cantor e compositor cujo teor teatral faz parte intensa e integral de seu trabalho. Ele está lançando o CD Ex-Companheiro, e cantará no Rio de Janeiro nesta terça (1º/12), às 21h no Solar de Botafogo (rua General Polidoro, 180 -Botafogo), com ingressos a R$ 20 (meia) e R$ 40 (inteira), acompanhado por Guila (baixo), Thiago Vivas (guitarra), Ricardo Rito (teclados) e Marcelo Vig (bateria e programações).

A direção musical do espetáculo ficou por conta de Lucas Vasconcellos, mesmo produtor do CD e que também fará uma participação especial na apresentação. O trabalho de Paulo equivale a uma espécie de ópera rock com influências de pop, rock experimental, música erudita e intervenções eletrônicas, buscando um caminho próprio. “O show acompanha a mesma ideia e estética do disco e de futuros vídeos. A ideia de ciclos, trajetórias de histórias que formam a vida”, afirma.

O repertório do show trará canções do CD, como Ex-Companheiro, Paraíso Ocasional e A Vida Comum, e releituras de origens bem distintas, como Tenha Calma (Djavan), Tabu (Gustavo Cerati), Repetition (Information Society) e De Tanto Amor (Roberto Carlos). “Só a partir da quebra desses padrões de relacionamentos, não só amorosos, mas também sociais, é que pude tomar as rédeas da minha vida. O trabalho é muito mais resultado de um processo de evolução/crescimento pessoal do que apenas inquietação artística”, diz.

Paraíso Ocasional– Paulo Ho:

Ex-Companheiro– Paulo Ho:

A Vida Comum– Paulo Ho:

Paulinho da Viola encanta em seu lindo show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Paulinho da Viola é o mestre zen do samba. Sempre tranquilo, sábio e simpático, o cantor, compositor e músico carioca chega nesta quinta-feira (12) aos 73 anos em excelente forma. Se ele é o aniversariante, na noite de ontem (11) quem ganhou o presente foi o púbico que lotou o Teatro Bradesco (SP) durante seu mais do que excelente show. Uma aula de boa música.

Foram quase duas horas de apresentação, iniciadas no estilo voz e violão com 14 Anos, uma de suas primeiras composições. Depois, o artista teve o apoio de uma banda composta por oito músicos, que se alternavam conforme a necessidade de cada música. Na parte final, tivemos a participação da ótima cantora Beatriz Rabello, que é parte integrante do clã do desencanado astro carioca.

O show teve um clima bem intimista, embora em vários momentos o ritmo convidasse à dança. Simples e informal, Paulinho contou vários e deliciosos “causos” sobre sua carreira e seus colegas de música. Cantou algumas músicas não tão conhecidas do público (embora ótimas), entremeadas com hits como Pecado Capital, Dança da Solidão e Argumento, algumas inseridas em pot-pourrys matadores.

Além do samba, o repertório investiu bastante em chorinho, ritmo pelo qual o artista admitiu ser seu preferido e o qual ouve desde criança, e também em alguns momentos experimentais, como a instrumental Inesquecível (tocada por dois músicos da sua ótima banda) e a icônica Sinal Fechado. Esta última integrou o bis, ao lado de Eu Canto Samba. Teve também as espetaculares Bebadosamba e Rosa de Ouro. Uau!

Com a voz ótima e se dividindo entre violão e cavaquinho com destreza, Paulinho domina o palco com classe, sem apelações e com um carisma simplesmente irresistível. Lógico que faltaram inúmeros de seus sucessos no repertório, mas diante da excelência do material que nos foi apresentado, como reclamar? E, no final, o público cantou um entusiástico parabéns a você antecipado para esse artista genial.

Bebadosamba– Paulinho da Viola:

Eu Canto Samba (ao vivo)- Paulinho da Viola:

Pecado Capital– Paulinho da Viola:

Duo campineiro S.E.T.I. lança um ótimo EP de synth pop

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Por Fabian Chacur

Se as grandes gravadoras de origem internacional andam limitando e muito seus lançamentos em termos de novos artistas de pop-rock brasileiros, isso não significa que esses artistas não existam e não tenham talento. Melhor: não significa que eles não saiam por aí, batalhando e mostrando seus trabalhos. O duo S.E.T.I. é um bom exemplo dessa nova safra brazuca.

Oriundos de Campinas (SP), eles (cuja sigla significa Search For Extraterrestrial Intelligence- busca por inteligência extraterrestre) são Roberta Artiolli (vocal e synths) e Bruno Romani (baixo, guitarra, synths e programações). Na estrada desde 2012, lançaram anteriormente o EP Inviolável Fim, divulgado por uma turnê com 35 datas, incluindo participações nos festivais Grito Rock e Ponta Urbana e divisão de palco com Guilherme Arantes e Ultraje a Rigor.

A dupla acaba de lançar seu segundo EP, Êxtase, que está disponível nos formatos físico e digital pelo selo Motim Records (ouça em streaming e/ou compre sua cópia aqui ). Gravado, mixado e masterizado no estúdio Minster (Campinas) durante aproximadamente dois meses, o trabalho traz seis faixas, com produção dividida por eles com Ric Palma.

O som do S.E.T.I. é definido por eles próprios como synth pop, e se trata de um rótulo abrangente e compatível com o que eles fazem. As melodias são agradáveis e acessíveis, enquanto o clima instrumental é viajante e de ambiência espacial, ora mais balançada e roqueira, ora quase progressiva, mas sempre com um apelo pop evidente.

A voz suave e insinuante de Roberta conduz o processo, capitaneando um som com pegada roqueira em alguns momentos e influências bacanas de Yazoo, Depeche Mode, A-ha, Portishead e Massive Attack, só para citar alguns nomes internacionais, e também de alguns brasileiros, entre os quais Rita Lee fase anos 80 e o grupo Metrô.

Arte da Guerra e Gravidade Zero tem uma quase sutil pegada rock. Benjamim é uma bela homenagem ao saudoso guitarrista Benjamin Curtis, da banda americana School Of Seven Bells e morto de forma precoce em 2013 aos 35 anos vítima de câncer. Dias Mudos possui tempero oriental. Extra Estelar tem cara de hit pop estiloso, enquanto Sinta-se/Perca-se é o momento mais balada romântica do trabalho.

Se ainda investissem em pop brasileiro de qualidade, as majors sediadas no Brasil deveriam estar disputando a tapa a S.E.T.I., pois seu apelo sonoro e visual é dos melhores. Como isso não ocorre atualmente, sorte de quem pode adquirir esse delicioso e divertido Êxtase, sem nenhuma injunção de ninguém além dos próprios envolvidos. Que bom!

Eu e Você (ao vivo na Fnac de Ribeirão Preto 21.11.14):

Luiza Meiodavila interpreta o repertório do 1º CD em SP

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Por Fabian Chacur

Luiza Meiodavila está lançando Florescer, seu primeiro álbum, que estará disponível nos formatos digital, CD e futuramente em LP de vinil. A jovem cantora e compositora paulistana mostra o repertório desse trabalho nesta quinta-feira (20) às 21h30 no bar Ao Vivo Music (rua Inhambu, 229- Moema- fone 0xx11-5052-0072), com couvert artístico a R$ 30,00. Mais informações em www.aovivomusic.com.br e www.luizameiodavila.com.br .

Embora ainda bem jovem, Luiza já possui um currículo elogiável, especialmente no que tange a preparação. Ela estudou e estuda canto, técnica vocal, teoria musical, flauta, guitarra e violão, além de ter feito diversas apresentações ao vivo em bares e casas noturnas, o que a ajudou a aprimorar sua técnica vocal e presença de palco.

No show no Ao Vivo Music, a intérprete irá prestar homenagem a alguns de seus ídolos, mostrando canções nas quais predominam groove, jazz e MPB. Lógico que o repertório que predominará é o de Florescer, que traz cinco faixas inéditas como Mar de Devaneios (Luiza e Zé Victor Torelli) e uma inusitada releitura com arranjo de ska para o clássico Doce de Coco, de Jacob Do Bandolim e Herminio Bello de Carvalho.

Entre as inéditas, Romance de Novela já tem um belo videoclipe disponível. A cantora terá a seu lado no show desta quarta-feira Cuca Teixeira (bateria), Felipe Galeano (baixo), Gabriel Gaiardo (piano), Renan Cacossi (sax e flauta transversal), Lipe Torre e Zé Victor Torelli (guitarras e violões). Lipe, Torelli e Luiza produziram o CD.

Romance de Novela– clipe- Luiza Meiodavila:

Pélico lança novo clipe de seu terceiro álbum, Euforia; veja

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Por Fabian Chacur

O cantor e compositor paulistano Pélico disponibiliza para downloads nesta terça-feira (7) seu novo álbum, Euforia. Como forma de divulgar o trabalho, o terceiro de sua discografia, ele gravou um videoclipe para ilustrar a canção Você Pensa Que Me Engana, com direção e concepção a cargo de Filipe Franco e Caio Mazzilli. Uma espécie de volta às raízes para o cantor.

Você Pensa Que Me Engana, um samba, tem como locação em seu clipe o bairro de Engenheiro Goulart, situado na Zona Leste de São Paulo e onde Robson Pélico viveu por quase três décadas. Eram célebres para ele as reuniões aos sábados na quadra do Landinho, onde ele e os amigos jogavam futebol, curtiam música e levavam papos animados, clima resgatado neste delicioso vídeo.

Euforia é o terceiro item na discografia do badalado artista paulistano, unindo-se aos anteriores O Último Dia De Um Homem Sem Juízo (2008) e Que Isso Fique Entre Nós (2011). Pélico tem se apresentado bastante pelo circuito indie de São Paulo, onde possui um público fiel bastante significativo.

Você Pensa Que Me Engana– Pélico (Clipe):

Blu-ray gravado ao vivo flagra Marisa Monte em boa fase

Por Fabian Chacur

Marisa Monte surgiu feito um tsunami no fim dos anos 80 no cenário musical brasileiro. Em 1996, já havia lançado quatro ótimos álbuns e garantido um espaço próprio e grande em termos de público. Desde então, no entanto, caiu em uma mesmice no quesito álbuns de carreira, o que só é salvo pelas performances ao vivo. O blu-ray Verdade Uma Ilusão Tour 2012/2013 (Phonomotor/Universal Music), também disponível nos formatos CD e DVD, é a mais nova prova dessa curiosa situação.

A partir do álbum Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (2000), que contém a constrangedora Amor I Love You, Marisa passou a nos oferecer, mais ou menos de quatro em quatro anos, álbuns de estúdio irregulares geralmente contendo canções no melhor (ou pior) estilo “mais do mesmo” pouco inspiradas, com uma ou outra pérola perdida no meio. A exceção é o ótimo Os Tribalistas (2002), gravado em parceria com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes.

Se os discos de inéditas ganharam essa conotação negativa, os shows da cantora, compositora e instrumentista carioca se mantiveram quentes. De forma inteligente, Marisa se vale da técnica de mesclar clássicos de seu repertório anterior com apenas algumas faixas do trabalho que está lançando. O resultado fica encorpado e disfarça bem essa inconsistência dos CDs recentes.

Verdade Uma Ilusão é a turnê que divulgou durante 2012 e 2013 outro álbum fraco, O Que Você Quer Saber de Verdade (2011), cuja faixa de trabalho, Ainda Bem, faz a já raquítica Amor I Love You soar como se fosse Yesterday, dos Beatles, na comparação. Das 18 faixas incluídas no roteiro, 7 são desse trabalho, sendo umas três à altura da qualidade anterior do trabalho da Patroinha (como ela era chamada pelo saudoso baterista Gigante Brasil).

Para felicidade geral de quem gosta de seu trabalho e não aceita qualquer coisa autoindulgente, Marisa nos oferece outras 11 músicas bem melhores, entre clássicos de seu repertório como Diariamente, Gentileza e Não Vá Embora, sua composição ECT (sucesso na voz de Cássia Eller) e novidades como Dizem (Quem Me Dera) e Sono Come Tu Mi Vuoui.

O show traz outros elementos matadores, como a soma de uma banda excelente composta por Dadi (verdadeiro Forrest Gump da nossa música popular), Carlos Trilha (que tocou e gravou com a Legião Urbana) e três integrantes da Nação Zumbi (Dengue no baixo, Lucio Maia na guitarra e violão e Pupillo na bateria e percussão) com um quarteto de cordas, mistura finíssima que deu super certo.

Um belo telão de alta definição cria o cenário para cada música, dando um resultado visual sofisticado e cativante que chega ao auge em Verdade Uma Ilusão, na qual, graças a recursos de iluminação, Marisa fica como se fosse uma holografia viva enquanto interpreta essa canção nostálgica e um dos poucos momentos bacanas de seu mais recente álbum de estúdio.

A se lamentar, apenas o fato de o blu-ray (e o DVD) não incluírem um making of do show, pois seria bem interessante saber detalhes dos elaborados efeitos especiais utilizados durante o espetáculo. Ah, e vale ressaltar a ótima forma da voz de Marisa, melhor do que nunca, e de sua performance ao vivo, ora tocando violão e guitarra, ora se concentrando no canto, sempre de forma centrada, charmosa e segura.

Verdade, Uma Ilusão (ao vivo), faixa do novo DVD de Marisa Monte:

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