Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Johnny Nash, o americano que ajudou a popularizar o reggae

johnny nash

Por Fabian Chacur

Chega a ser irônico o fato de que, em um ano tão duro e cinza como este sofrido 2020, o autor de um dos hinos mais solares referentes à esperança de se ver um tempo melhor enfim chegar nos deixe. Trata-se do cantor, compositor, produtor e ator americano Johnny Nash, que se foi nesta terça (6) aos 80 anos de idade. Sua canção mais conhecida, I Can See Clearly Now, é uma dessas injeções de ânimo musicais que nunca sairão de moda.

John Lester Nash Jr. nasceu em Houston, Texas, no dia 19 de agosto de 1940, e deu início ao seu envolvimento com a música cantando em igrejas. Ainda adolescente, aos 17 anos, lançou o seu primeiro single, A Teenager Sings The Blues (1957). Sua gravação de A Very Special Love, em 1958, valeu um respeitável 23º lugar na parada americana. Em 1959, gravou ao lado de Paul Anka e George Hamilton IV The Teen Commandments, que proporcionou ao trio um 29º lugar entre os singles mais vendidos na época.

Nash estrelou como ator o filme Take a Giant Step (1959), que lhe valeu muitos elogios e até mesmo uma premiação. Embora tenha atuado outras vezes nos anos seguintes, ele preferiu se dedicar com mais afinco à música. Em 1965, criou com o manager Danny Sims o selo Joda. Pouco depois, foi à Jamaica e ficou apaixonado pela música local, especialmente pelo rocksteady, ritmo pop que resolveu tentar divulgar nos EUA.

Lá pelos idos de 1967, montou uma nova gravadora, a JAD, e nessa época começou uma parceria artística com o então iniciante grupo The Wailers, que gravou alguns discos com ele. O líder dessa banda, um certo Bob Marley, de quebra comporia várias músicas que Nash registraria ele próprio.

Em 1972, Johnny Nash assinou com a gravadora Epic, e se deu bem ao lançar o single I Can See Clearly Now (ouça aqui). Acompanhado pela banda jamaicana The Fabulous Five Inc, ele captou o espírito do então emergente reggae e o misturou com elementos de soul e pop. Acertou na mosca, chegando ao topo da parada americana de singles e vendendo mais de um milhão de cópias desse compacto.

O álbum que lançou a seguir, intitulado I Can See Clearly Now, trouxe quatro composições de Bob Marley: Guava Jelly, Comma Comma, You Poured Sugar On Me e Stir It Up. Esta última também saiu em single e foi o seu segundo maior sucesso, chegando ao 12º posto nos EUA e se tornando o primeiro hit internacional escrito pelo mestre do reggae, que a regravaria e a incluiria em seu primeiro álbum pela Island Records, Catch a Fire (1973).

A partir daí, Nash teria dificuldades em replicar hits tão significativos, e passou a gravar de forma muito mais esparsa, praticamente sumindo de cena depois de lançar o álbum Here Again (1986). I Can See Clearly Now, no entanto, continuou lhe rendendo frutos. Jimmy Cliff a regravou em 1993 para a trilha do filme Jamaica Abaixo de Zero (Cool Runnings, 1993) e chegou ao 18º posto nos EUA.

Outras releituras de I Can See Clearly Now foram feitas por Ray Charles, The Hothouse Flowers, Lee Towers e até mesmo a nossa Marisa Monte. Essa música volta e meia é usada em comerciais de TV, incluindo uma campanha televisiva recente no Brasil. Que sua mensagem positiva se torne realidade em breve.

Stir It Up– Johnny Nash:

Eddie Van Hallen, 65, o mago da guitarra e do sorriso contagiante

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Por Fabian Chacur

50 anos após a sua morte, ocorrida em 18 de setembro de 1970, a obra de Jimi Hendrix continua sendo celebrada e se mantém relevante. Boa parte de nós não estará por aqui para confirmar esta minha previsão (eu, certamente, não), mas posso garantir que em 2070 o trabalho de um certo Edward Van Halen merecerá o mesmo tratamento, e se manterá tão influente e necessária como agora. Portanto, nada mais triste do que dar adeus a esse grande músico e compositor, que nos deixou nesta terça-feira (6), vítima de um câncer contra o qual lutou durante muito tempo.

A despedida do guitarrista e líder do Van Halen, um dos mais importantes e bem-sucedidos grupos de rock de todos os tempos, foi confirmada em uma rede social de alcance mundial por seu filho, Wolfgang, que há algum tempo ocupava a vaga de baixista ao lado do pai.

Nascido em 26 de janeiro de 1955 na Holanda, ele e o irmão mais velho, Alex, vieram com os pais para os EUA quando ainda eram crianças, para a cidade de Pasadena, California. E foi por lá que eles criaram sua própria banda de rock, nomeada com o seu sobrenome, e cuja primeira formação clássica incluía Eddie na guitarra, o sólido Alex na bateria, o eficiente Michael Anthony no baixo e o carismático vocalista David Lee Roth no vocal.

Logo em seu disco de estreia, autointitulado, lançado em 1978, o quarteto mostrou que não estava para brincadeiras. A faixa de abertura, Running With The Devil, um rockão ardido e poderoso, já mostrava a força de seu som, com direito a um refrão matador, vocais vibrantes e a intervenções de guitarra de Eddie absurdamente personalizadas e com uma técnica absurda. A instrumental Eruption rapidamente se tornou clássica para os aprendizes de guitarra rock.

Embora com muito peso e rebeldia, o Van Halen trazia também em seu DNA um apelo pop, traduzido em refrãos fortes, boas melodias e releituras bem selecionadas de clássicos de outras eras do rock. O resultado: cada novo disco vendia mais do que os anteriores, e cada nova turnê levava mais público. O Van Halen conseguia atrair as atenções não só dos headbangers, mas também dos roqueiros mais tradicionalistas e de fãs de pop.

De quebra, a presença de palco do quarteto os ajudou a cativar o público, especialmente a irreverência do vocalista David Lee Roth e o eterno sorriso de Eddie, que tocava os solos mais difíceis e intrincados como se estivesse tocando as passagens mais banais de guitarra.

A aproximação do grupo com o público pop se intensificou por tabela quando Eddie participou do álbum Thriller (1982), fazendo o espetacular solo de guitarra do rockão Beat It. No início de 1983, a banda tocou no Brasil, durante a turnê de seu quinto álbum, Diver Down. Os sortudos que puderam conferir esse show, entre os quais infelizmente não me incluo, não se esquecerão jamais.

O álbum 1984, que saiu em janeiro de 1984, marcou o primeiro auge do grupo, com o estouro dos singles Jump (atingiu o topo da parada americana nesse formato) e Panama e atingindo o segundo posto da parada pop ianque. Aí, pouco depois, David Lee Roth resolveu sair fora.

Sem baixar a cabeça, a banda apostou no já veterano Sammy Hagar para assumir a vaga de Roth, e logo na estreia da nova formação em disco, 5150 (1986), chegou ao topo da parada americana de álbuns, a primeira das cinco vezes em que conseguiu atingir essa cobiçada posição.

Sempre sob o comando de Eddie, o grupo soube como poucos mesclar o poder do rock pesado com o apelo pop de boas melodias e canções mais comerciais. Há quem prefira a banda com Hagar nos vocais. Outros curtem mais David Lee Roth. No entanto, ninguém discute o fato de o guitarrista-solo ser o cara que ajudou a banda a ganhar uma cara própria e a desafiar os limites da criatividade.

Durante seus 65 anos de vida, Eddie teve de lutar contra o alcoolismo e o excessivo consumo de drogas, mas ainda assim conseguiu viver mais do que o dobro do que Hendrix, um de seus ídolos e evidente influência no seu som. Eles nos deixa uma discografia repleta de grandes momentos, e hits como Jump, Panama, You Really Got Me, Dance The Night Away, Why Can’t This Be Love, When It’s Love e Finish What Ya Started, só para citar alguns.

Running With The Devil– Van Halen:

Janis Joplin, 27 anos, a bela voz que não era mesmo desse mundo

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Por Fabian Chacur

Pearl foi um dos grandes álbuns lançados no ano de 1971. Manteve-se por longas nove semanas no topo da parada americana, e conquistou o público do mundo todo. Era o atestado pleno da maturidade de uma grande intérprete, que havia conseguido dosar toda a sua garra sem no entanto perder a emoção, jamais. Pena que a protagonista desse trabalho exemplar já não estivesse mais entre nós. Janis Joplin nos deixou em 4 de outubro de 1970, mas seu legado, 50 anos depois, permanece aí, firme e forte. A mais preciosa das pérolas.

A incrível cantora e compositora nascida em Port Arthur, Texas, no dia 19 de janeiro de 1943, saiu de cena no exato dia em que iria colocar a voz na última faixa do álbum que estava gravando na época. O título dessa canção não poderia ser mais sinistro, levando-se em conta o que acabou acontecendo: Buried Alive In The Blues (enterrada no blues, em tradução livre). A gravação instrumental feita por sua banda acabou sendo escolhida para encerrar o lado 1 de Pearl.

Uma overdose de heroína a levou com apenas 27 anos. Só nos cabe especular sobre o que aconteceu naquele dia fatídico, mas tudo leva a crer que se tratou de uma triste fatalidade, e não de um suicídio. Parafraseando a maravilhosa letra de Bernie Taupin para a melodia de Elton John, Candle In The Wind, “parece para mim que ela viveu a sua vida como uma vela ao vento”. E, para tristeza de seus inúmeros fãs, o vento venceu a vela cedo demais.

Uma evidente razão pela qual Janis teve muita dificuldade para encontrar um equilíbrio que no fim das contas não conseguiu descobrir era uma contradição inerente a seu modo de ser. Uma espécie de bipolaridade, digamos assim. De um lado, tínhamos uma tímida e recatada garota caipira, cujo sonho era ter um marido que a amasse e que lhe proporcionasse filhos, um lar, felizes almoços e jantares…. Uma família nos moldes mais tradicionais.

Do outro, tínhamos uma garota irreverente, rebelde, carismática, fã de rock, blues e soul e com o nítido desejo de conquistar o mundo com uma voz incandescente e uma presença de palco cativante, disposta a superar e a vencer as rejeições e o machismo para ser “mais um dos rapazes”. Uma estrela incandescente, para iluminar a tudo e a todos com seu imenso talento.

Mas não existiram e ainda existem vários artistas que conseguiram conciliar esses dois extremos? Sim, mas não podemos nos esquecer de que estamos falando dos anos 1960, quando as mulheres ainda lutavam contra um posicionamento conservador que só admitia a elas um lugar secundário na sociedade. E algumas, entre elas Janis, lutavam contra uma espécie de “sentimento de culpa” por buscar fugir dos padrões tradicionalistas.

Seja como for, Janis, em seu curto tempo de vida, soube criar uma obra que se mantém relevante e deliciosa de se ouvir. E que, certamente, continuará atraindo novos fãs. Eu, por exemplo, a descobri no finalzinho da minha adolescência. Inicialmente, pensava se tratar de uma cantora “gritona” e folclórica no mau sentido, e não me animava a ir atrás de seus trabalhos.

Após ler sobre ela em várias revistas, especialmente a seminal Rock a História e a Glória, resolvi, entre 1980 e 1981, arriscar-me. Na extinta loja Sears do bairro paulistano do Paraíso (onde hoje temos um shopping), fiquei fascinado pela capa de Pearl e o comprei no escuro. Ao chegar em casa, pus a bolacha para tocar. E logo em sua primeira faixa, Move Over, já estava devidamente conquistado por ela. Ao chegar ao final do LP, queria mais, e mais, e mais doses daquela voz.

Em seu curto período de vida, a cantora texana passou por três fases distintas. A primeira ao lado do Big Brother And The Holding Company, grupo cujo vigor superava possíveis deficiências técnicas. Com eles, gravou o promissor Big Brother And The Holding Company (1967) e o empolgante Cheap Thrils (1968), este último com as avassaladoras Summertime, Ball And Chain e Piece Of My Heart.

Suas apresentações ao vivo deram a ela a chance de ampliar e muito o seu público, e ganhar fãs também entre seus colegas de profissão. Um dos momentos mais marcantes nesse sentido, flagrado no documentário sobre o Festival Monterey Pop em 1967, mostra Mama Cass, integtrante dos The Mamas & The Papas, boquiaberta na plateia e soltando um “uau!” ao vê-la interpretar de forma visceral Ball And Chain.

Influenciada pelo empresário Albert Grossman, resolveu sair do Big Brother junto com o guitarrista da banda, Sam Andrew, para montar uma banda com músicos mais tarimbados e com direito a sessão de metais. Nascia a Kozmic Blues Band, que a acompanhou no álbum I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama! (1969), um bom trabalho, mas possivelmente um pouco contido demais, trazendo os hits Try (Just a Little Bit Harder), Maybe e One Good Man.

O segredo do que viria a ser Pearl foi exatamente o poder de síntese, mesclando a energia contagiante dos discos iniciais com a técnica mais apurada de Kozmic Blues. Um álbum nota 10 que parece coletânea, com direito a Me And Bobby McGee (que chegou ao número 1 nos EUA no formato single), Cry Baby, A Woman Left Lonely e My Baby, por exemplo.

A rigor, nenhum disco de Janis Joplin, incluindo aí os gravados ao vivo e os póstumos, pode ser descartado ou considerado inferior. Farewell Song (1982), por exemplo, com nove faixas registradas entre 1965 e 1970, encanta com maravilhas como Tell Mama e a fantástica One Night Stand, esta última uma balada daquelas de cortar os pulsos.

O fato é que Janis não deu conta de encarar o preço que o sucesso cobra de grandes talentos como ela. Em comum com a Pérola do Texas, Amy Winehouse também nos deixou aos 27 anos e também esteve no Brasil no início do ano em que nos deixou, 2011. Joplin nos visitou no início de 1970, causando furor no Rio de Janeiro e dando uma canja ao lado do hoje também saudoso Serguei.

Janis Joplin é audição essencial para qualquer fã de rock, e foi uma das responsáveis pela introdução do blues e da soul music para o público branco jovem daqueles anos 1960. Continua sendo referência e matéria obrigatória para quem deseja conhecer o melhor da música popular do século XX. Que tal ouvir Pearl agora mesmo?

Ouça Pearl, de Janis Joplin, em streaming:

Roxette lança clipe para divulgar o primeiro single de Bag Of Trix

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Por Fabian Chacur

Marie Fredriksson nos deixou no dia 9 de dezembro de 2019 com apenas 61 anos. Como forma de homenagear a cantora e compositora do Roxette, sairá até o final deste ano via Warner Music Bag Of Trix, uma reunião de material inédito do duo sueco que ela integrava ao lado do cantor, compositor e guitarrista Per Gessle. Trata-se de Let Your Heart Dance With Me, faixa inicialmente cogitada para o último álbum de estúdio deles, Good Karma (2016), mas que no fim das contas ficou de fora daquele trabalho.

“Eu queria escrever uma música clássica e simples do tipo ‘bata palmas e bata os pés’, e Let Your Heart Dance With Me saiu dessa vontade. Já gostei dela no estúdio, mas como de costume já tínhamos tantos concorrentes fortes que tive que esperar por uma segunda chance. E quando surgiu a ideia para este projeto foi um presente”, disse Gessie acerca da faixa.

Como forma de divulgar a canção inédita, foi criado um clipe a partir de uma montagem de gravações feitas durante as turnês da banda pelo mundo nos anos 1980 e 1990, com flagrantes em estúdios, bastidores, entrevistas e shows, com um resultado que certamente irá emocionar os milhões de fãs da banda.

Let Your Heart Dance With Me (clipe)- Roxette:

Mac Davis, 78 anos, um craque que acreditava muito na música

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Por Fabian Chacur

Um dos primeiros compactos simples de vinil que comprei na vida foi I Believe In Music, do grupo americano Gallery, música que me encanta até hoje. Essa foi a minha porta de entrada para o trabalho de Mac Davis, autor dessa e de inúmeras outras canções maravilhosas, dos anos 1960 até há pouco. Ele nos deixou nesta terça-feira (29) aos 78 anos, e nos deixou um legado de alguém que acreditava na música e sabia fazê-la com talento, sensibilidade e senso pop.

Nascido em 21 de janeiro de 1942 na cidade de Lubbock, Texas, a mesma do lendário Buddy Holly, Mac curiosamente deu o pontapé inicial em sua carreira musical quando saiu de lá para morar em Atlanta. Ele gravou dois singles com o grupo The Zots e trabalhou como manager regional da Liberty Records.

As coisas começaram a tomar rumo para ele ao ser contratado pela Boots Enterprises Inc, da cantora Nancy Sinatra. Além de participar dos discos da filha do velho e genial Frank, Mac também começou a mostrar as suas composições para outros intérpretes, e não poderia ter se dado melhor.

Afinal de contas, Mac conseguiu atrair a atenção de ninguém menos do que Elvis Presley. Entre outras canções de autoria do nosso herói, o Rei do Rock imortalizou maravilhas como In The Ghetto (ouça aqui), A Little Less Conversation (que ganharia ainda mais sucesso em um remix, no início deste século, ouça aqui), Memories, Don’t Cry Daddy e Clean Up Your Own Backyard .

Um dos primeiros hits de Kenny Rogers, quando ele integrava o grupo The First Edition, a incrível Something’s Burning (ouça aqui), também leva a assinatura de Mac Davis. Isso abriu as portas para sua própria carreira como intérprete, que teve início em 1970 com o álbum Song Painter (1970).

Em 1971, sai seu segundo disco solo, I Believe In Music. A faixa-título atraiu as atenções de diversos outros intérpretes. Além do Gallery, que chegou ao Top 30 com a sua releitura, a definitiva na minha opinião, temos outras boas gravações desta música com B.J. Thomas, Louis Jordan, Perry Como e Helen Reddy.

A fama como compositor abriu-lhe as portas para também ser bem-sucedido como intérprete, e isso ocorreu com força total graças à canção Baby Don’t Get Hooked On Me (ouça aqui), que em 1972 atingiu o topo da parada americana. Outros hits em sua voz foram One Hell Of as Woman e Stop And Smell The Roses.

Com o tempo, Mac Davis passou a fazer muito mais sucesso na cena country, na qual emplacou diversos outros álbuns e canções de sucesso. A ponto de, em 2000, ter sido nomeado para o Nashville Songwriters Hall Of Fame. De quebra, ainda ganhou uma estrela na cultuada Calçada da Fama, em Hollywood.

Essa segunda condecoração veio pelo fato de, a partir da metade dos anos 1970, Mac ter iniciado uma carreira como ator. Em 1979, por exemplo, a performance dele ao lado de Nick Nolte no filme North Dallas Forty (1979) lhe valeu muito elogios, e a participações constantes em filmes e séries de TV.De 1974 a 1976, por sinal, ele apresentou seu próprio programa de TV, o The Mac Davis Show.

Nada melhor para um artista veterano do que ser reverenciado pelas novas gerações, e isso ocorreu com Mac Davis na sua última década de vida. Ele compôs com Rivers Cuomo a música Time Flies, incluída no álbum Hurley (2010), do grupo de rock alternativo Weezer, e Addicted To You e Black & Blue, com o saudoso Avicci, além de Young Girls, com o astro pop Bruno Mars. Ele acreditou na música, e a música retribuiu-lhe com generosidade!

I Believe In Music– Gallery:

Breno Miranda faz versão EDM de um clássico de Phil Collins

Breno Miranda - Another Day In Paradise (single)

Por Fabian Chacur

Em 1989, Phil Collins lançou um de seus melhores álbuns, o maravilhoso …But Seriously. Entre outras faixas bacanas, destaca-se a belíssima Another Day In Paradise, vencedora de um Grammy e com participação especial do lendário David Crosby. Pois 31 anos após seu lançamento, o brasileiro Breno Miranda nos oferece uma interessante releitura deste hit, já disponível nas plataformas digitais via Deck e também com um lyric video pontuado por animações das mais simpáticas.

O cantor, compositor e DJ é adepto da EDM (electronic dance music), uma das mais populares vertentes da música dançante atual, e buscou uma roupagem sonora que ao mesmo tempo renovasse a canção e não lhe tirasse a essência original. Essa intenção se mostra presente na mistura de violão com batidas dignas das mais descoladas pistas de dança, com o artista assoviando a parte melódica que marca a música do ex-integrante do Genesis.

Another Day In Paradise é mais um lançamento de Breno Miranda neste ano confuso. Anteriormente, ele nos disponibilizou os singles Mais Um Dia (com Ona Beat) e Mad (com Monkeyz e Eternal Soul), além do EP Origens, no qual investe em elementos de folk e reggae.

Another Day In Paradise (lyric video)- Breno Miranda:

Miguel Vaccaro Netto, um pioneiro do pop brasileiro

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Por Fabian Chacur

A cena musical brasileira perdeu um grande nome nesta terça-feira (22). Trata-se de Miguel Vaccaro Netto. Ele nos deixou aos 87 anos de causa não revelada. Talento versátil, ele foi jornalista, apresentador de programas de rádio e TV e também criador do célebre programa Não Diga Não, espécie de game show que fez sucesso por onde foi exibido. Ele também criou no final dos anos 1950 o primeiro selo dedicado à música jovem no Brasil, o Young.

Fora da esfera musical, foi ele quem negociou a transmissão via TV para o Brasil do jogo de despedida de Pelé do futebol, partida na qual o New York Cosmos, time que o maior craque de todos os tempos defendeu nos EUA, jogou em Nova York contra o Santos em 1º de setembro de 1977. Ele atuou como repórter de campo naquela partida, vencida pela equipe americana pelo placar de 2 a 1 com um gol do Rei do Futebol.

Em 2003, tive a honra de entrevistar o Miguel para o site da extinta revista Audio Plus. Sóbrio, generoso e com uma memória impressionante, ele me contou algumas de suas muitas histórias, envolvendo artistas como Chico Buarque e João Gilberto. Como homenagem a esta figura fantástica, segue abaixo o texto deste importante encontro que tive com o agora saudoso Vaccaro. R.I.P.

Entrevista
Miguel Vaccaro Netto

Ele revelou Chico Buarque, João Gilberto, Celly Campello….

Por Fabian Chacur

O Repórter Esso, espécie de Jornal Nacional dos anos 60, valia-se do bordão “testemunha ocular da história” como marca registrada. O jornalista, radialista e produtor Miguel Vaccaro Netto poderia perfeitamente valer-se de tal frase como mote de sua trajetória profissional. Só que não teríamos uma definição precisa, pois ele não só presenciou, como também atuou diretamente no surgimento de inúmeros artistas e movimentos musicais no Brasil, especialmente durante as décadas de 50, 60 e 70.

Entre outros, revelou e lançou na mídia Chico Buarque de Hollanda, João Gilberto, Celly Campello, Demétrius, Gilbert e dezenas (centenas, na verdade) de outros nomes. Apresentou programas de rádio e televisão campeões de audiência, além de criar o divertido game show Não Diga Não, no qual a pessoa precisa ficar dois minutos sem falar as palavras não ou né, algo muito mais difícil do que parece.

Às vésperas de completar 70 anos de idade (n. da r.: o que ocorreu no dia 7 de setembro de 2003), com ótima saúde e memória invejável, ele continua mais ativo do que nunca, com vários programas na televisão e capitaneando o serviço Discos Impossíveis, que se propõe a localizar aquele disco raro (seja CD, vinil ou DVD) que você tanto deseja, entregando-o em sua casa. Em entrevista exclusiva a Audioplus, Miguel nos conta deliciosas histórias de sua vitoriosa carreira.

Audioplus- Você iniciou sua carreira ainda muito jovem, como jornalista. Conte como acabou se envolvendo com a música.
Miguel Vaccaro Netto
– Comecei meu trabalho como jornalista aos 17 anos, e aprendi na melhor escola da época, que era a redação do jornal Última Hora, comandado por Samuel Wainer. Dali, passei para o rádio, embora continuasse fazendo colunas para jornal. Na segunda metade dos anos 50, tinha três programas em emissoras de rádio, um na Record, outro na Panamericana (hoje, Jovem Pan) e o terceiro na Rádio América. O da Record era o Disc Disco, apresentado ao vivo da meia noite às duas, que, de repente, tornou-se uma coisa louca, de tanta repercussão. O crédito desse programa entre os jovens tornou-se muito forte, a ponto de muitos irem ao estúdio, no bairro do Aeroporto, para ver sua transmissão. Muitos dos jovens que iam lá me levavam acetatos ou fitas, perguntando se eu não queria ouvi-los. Isso me incentivou a selecionar o que havia de melhor entre aqueles novos valores, e a colocá-los no ar, especialmente no programa da Jovem Pan, que era apresentado à tarde.

Audioplus- No final dos anos 1950, você criou um selo próprio, o Young. A motivação ocorreu por causa dessa efervescência toda?
Miguel Vaccaro Netto
– Na época, eu já fazia um trabalho com o Henrique Lebendiger, presidente da Fermata, editora musical, indicando novidades da Europa que poderiam ser lançadas por aqui. Naquela época, havia iniciado a transmissão do Festival de San Remo, da Itália, para o Brasil. Aí, sugeri a ele que criasse uma gravadora, e fizemos uma sociedade na palavra, no “fio da barba”, como se dizia na época, sem contrato assinado. Foi criada, então, a gravadora Fermata, e no início eu indicava artistas da Europa e dos EUA, lançamos por aqui gente como Chubby Checker, o rei do Twist, por exemplo. Sabendo que existia muita gente nova de valor, também sugeri a criação de um selo voltado especialmente para eles. O Lebendiger só concordava se eu assumisse a coisa como um todo, da seleção dos artistas às gravações e à divulgação, e eu aceitei. Passei a ser praticamente o “factótum” (faz tudo) de lá. O novo selo foi batizado de Young, e ganhou o slogan “O Disco da Juventude”. Além do pessoal que me mandava material, eu também ia a colégios em busca de revelações.

Audioplus- Muita gente boa foi revelada dessa forma, não é?
Miguel Vaccaro Neto
– Sem dúvida. Lembro que, uma vez, fui em um festival realizado no Colégio Santa Cruz, e conheci um garoto muito tímido, que tinha 17, 18 anos, mas muito bom, com potencial enorme. Ele cantava e se acompanhava ao violão. Como na Young eu só gravava músicas em inglês, vi que o tal garoto não se encaixaria lá, mas, mesmo assim, tinha um outro destino para ele em mente. Esse garoto começou a frequentar a casa da então minha noiva, com a qual posteriormente me casei e de quem depois me separei. Começamos a nos reunir lá, que era bem grande, e eu não o ensinei, pois essas coisas você já tem por si próprio, mas fiz uma lapidação do talento natural dele, investindo em postura de palco, entrada em cena, posição de violão, postura física e até mesmo na maneira de se expressar, de pôr a voz para fora da maneira correta. O trabalho durou seis meses. Quando vi que ele estava preparado, e não serviria mesmo para a Young, eu o levei para a Fermata. Esse tal jovem gravou a música A Banda, e se tornou Chico Buarque de Hollanda. Você não tem idéia de como ele era tímido, era terrivelmente tímido.

Audioplus- E na Young, quem surgiu por lá, e como era o espírito do selo, em termos de repertório?
Miguel Vaccaro Netto
– A Young lançava canções em inglês, interpretadas por brasileiros. Lancei na Young muita gente, como Demétrius, que descobri em um colégio, Marcos Roberto, Dori Edson, Hamilton Di Giorgio, Regiane, Nick Savoia, Gato (que depois foi músico do Roberto Carlos) e também grupos vocais e/ou instrumentais como Teenagers, Avalons (o primeiro grupo instrumental brasileiro de rock a gravar discos), The Rebels etc. A Young existiu sob o meu comando entre 1959 e 1963, mais ou menos. Quando o Lebendiger vendeu a Fermata e a RGE para a Som Livre, pensei que a Young tivesse ido junto, fiquei até chateado com ele. Nos anos 70, usavam o selo Young para lançamentos nacionais e internacionais voltados para o público jovem, mas eu não tinha mais nada a ver com ele.

Audioplus- Existe uma procura, por parte dos colecionadores, pelas gravações da Young da sua época. Você tem planos de relançá-las? Legalmente, existe algum tipo de impedimento em relação a isso?
Miguel Vaccaro Netto
– Com o passar dos anos, o material lançado pela Young se tornou cult, os colecionadores de fato procuram muito esses discos. No final de 2003, conversando com o Hélio Costa Manso, diretor da Som Livre e líder do grupo Sunday, que fez sucesso nos anos 70, perguntei sobre os direitos referentes à Young. Ele falou com o João Araújo, presidente da gravadora global, e me informou posteriormente que a Young continua sendo minha, que posso fazer o que quiser com o seu acervo. Então, penso em fazer no futuro um CD duplo com as principais músicas do selo.

Audioplus- Como radialista, você faz parte de uma linhagem de DJs que de fato entendiam de música, que tinham prazer em descobrir novos talentos, e que eram ouvidos pelas gravadoras. É verdade que foi você quem tocou músicas do João Gilberto em rádio pela primeira vez? Como é o seu relacionamento com esse artista tão importante e ao mesmo tempo tão folclórico?
Miguel Vaccaro Netto
– Sem falsa modéstia, eu, nos anos 50 e 60, era o DJ de mais prestígio por aqui, além de ter as minhas colunas em jornais lidas com interesse pelo pessoal das gravadoras. O João Gilberto foi de fato lançado por mim, em meu programa. A Odeon na época me chamou para ouvir o primeiro disco dele, o 78 rotações com Chega de Saudade. Ouvi, e afirmei para o Oswaldo Gurzoni, diretor da gravadora na época, que seria um grande sucesso, e que eu queria lançá-lo em primeira mão. O Gurzoni gostava mesmo de música, vibrava com cada novo lançamento, e me autorizou a fazer o lançamento. Criei toda uma expectativa em torno disso, durante quase um mês, no meu programa. Aí, Chega de Saudade foi pro ar, e o resultado é o que todos sabem, um clássico da MPB. Eu e o João nos tornamos muito amigos. A última vez que eu o vi foi em 1970, quando ele morava no México e fui ser o presidente de honra do júri de um festival de música por lá. Após o final do evento, ele nos convidou (fui com os cantores Claudya e Marcos Roberto) para jantar, e também para nos mostrar a Cidade do México. Sei que eram três da madrugada, e ele ainda estava mostrando a cidade para nós, a pé! (risos). Ele é uma pessoa muito culta, e fala muito. Às cinco da madrugada, estávamos despencando de sono, e ele nos levou para a sua casa. A Claudya se acomodou e dormiu de qualquer maneira. Eu e o Marcos Roberto não tivemos a mesma sorte, pois o João queria jogar pingue-pongue, o que, mesmo com todo aquele sono, tivemos de fazer, sendo que ele ainda estava com uma disposição incrível. (risos).

Audioplus- Nos últimos anos, você tem apresentado o Programa Miguel Vaccaro Netto na TVCom (exibida pela Net, Sky e outras emissoras pelo Brasil), no qual o mote é a participação de artistas dos anos 50, 60 e 70. Como tem sido essa experiência?
Miguel Vaccaro Neto
– Muito boa. No formato atual, estamos no ar há três anos, e já fomos até imitados, e mal, diga-se de passagem, pelo Ratinho. Tive a oportunidade de entrevistar os grandes nomes desse período. Inclusive, um momento que me marcou foi a última entrevista feita com Celly Campello, que, ao lado do irmão Tony, tive a oportunidade de lançar em meu programa de rádio, nos anos 50. Gravamos essa entrevista meses antes de sua morte, e a Rede Bandeirantes chegou a exibi-la na íntegra, como homenagem. Ela morreu em março de 2003. Passaram pelo programa artistas como Benito Di Paula, Os Vips, Os Incríveis, Eduardo Araújo, Tony Campello, Marcos Roberto, Silvinha Araújo e inúmeros outros daquela época áurea da música jovem no Brasil. Nele, também faço o game show Não Diga Não, que em breve deve também ir para a tevê aberta. E estrearei na Alltv, de Alberto Lucchetti Neto, o programa Discos Impossíveis, no qual entrevistarei pessoas que possuem discos raríssimos, mostrando-os, contando como os obtiveram e tocando trechos dos mesmos.

Audioplus- Aliás, aproveitando o gancho, fale-nos sobre esse serviço criado por você, o Discos Impossíveis. Como surgiu a idéia, e do que se trata?
Miguel Vaccaro Netto
– Bem, tudo começou quando muita gente me ligava, pedindo para informar onde poderiam encontrar discos dos artistas que participavam do meu programa. No início, não pensava em mexer com isso, apenas fazia a ligação entre as pessoas e os artistas, para que elas pudessem ser atendidas. Até que percebi existir um grande filão aí, e me propus a encontrar esses discos para as pessoas. O nome Discos Impossíveis, cuja marca inclusive registrei, dá bem a medida. Não importa o que for, se vinil, CD ou mesmo DVD, é só ligar e encomendar que a minha equipe sai à caça. Após uma matéria publicada na revista Veja São Paulo, a procura tornou-se ainda maior, cheguei a receber entre 800 a 900 pedidos em apenas 15 dias. Até agora, não houve item que a gente não tivesse encontrado, sendo que a demora vai de alguns dias a um mês e meio, dependendo da raridade do que se procura.

Audioplus- Você ajudou na consolidação do chamado mercado de música jovem no Brasil. Como encara isso?
Miguel Vaccaro Netto
– Tenho uma convicção bem consolidada de que nada acontece fora de hora. Na ocasião (final dos anos 50), havia uma demanda muito grande pela música americana por aqui, era o auge do Dick Clark (American Bandstand) nos EUA, e meu, por aqui. Senti que havia um vácuo, gente muito boa que não tinha espaço, e criei a Young, era o momento. Isso desencadeou muita coisa, propiciando o clima para a pré-Jovem Guarda, a própria Jovem Guarda, quando se criou esse rótulo (música para a jovem guarda, para o jovem) e a pós-jovem guarda. Hoje, não sinto mais esse clima propício. Existe um mix tão grande de hits de qualidade duvidosa que não há um perfil definido de música brasileira ou americana. Outro dia conversava com um amigo, o cantor e ator Gilbert, e comentávamos que nada mais dura na área musical. Hoje, as coisas surgem e vão embora como um cometa, não deixam marca. Na época, o comunicador tinha por obrigação direcionar o público para o que houvesse de qualidade, e era mais fácil, pois qualidade artística era o que não faltava. Atualmente, um fenômeno como os Tribalistas de Marisa Monte, que conciliaram apelo comercial e qualidade artística, é muito raro. Há um excesso de informação via internet, rádio e televisão, as pessoas não tem tempo de assimilar tudo isso, e passam a ter um gosto descartável. A oferta maior do que a procura tornou o mercado sem sabor, tanto os radialistas quanto as pessoas das gravadoras infelizmente caem lá de para-quedas, não entendem nada.

Veja especial do programa do Miguel sobre a gravadora Young:

Conexão Latina, um podcast para se deliciar com os ritmos latinos

conexao latina belinha almendra

Por Fabian Chacur

Um lado positivo da quarentena imposta pelo combate ao novo coronavírus é o fato de que inúmeras pessoas aproveitaram a situação para investir seu tempo em projetos bacanas há muito deixados em segundo plano por razões distintas. É o caso da jornalista Belinha Almendra, que resolveu reviver seu belo Conexão Latina, um programa de rádio iniciado nos anos 1990 que passou pela programação de duas emissoras de FM cariocas. Agora no formato podcast, a salerosa atração está de volta, e com força total (ouça aqui).

Apaixonada pela música de origem latina, Belinha se incumbe da apresentação e da seleção do repertório. Sua concepção é bem aberta, indo desde os ritmos mais tradicionais, como mambo, rumba, merengue, cha cha cha e salsa, até as novidades da cena pop e do jazz latino, sem se restringir a uma determinada tendência ou país. Entre uma música e outra, ela nos oferece informações precisas de forma impecável, fluente e extremamente simpática.

Lógico que alguém fazendo um trabalho com essa consistência não demoraria a receber apoio de público e dos próprios artistas. Dessa forma, Belinha já conseguiu que vários nomes importantes ligados à música latina gravassem rápidos depoimentos para o programa, entre os quais as cubanas Aymé Nubiola e Haydée Milanés, o espanhol El Kanka, as cantoras Leila Maria, Fabiana Cozza e o percussionista Marcelo Costa.

Conexão Latina tem novos episódios postados sempre às sextas-feiras. O próximo, que será o de número 20, estará disponível nesta sexta (25). A abertura será com a dobradinha da chilena Mon Laferte com o português António Zambujo em Madera de Deriva,milonga composta pelo uruguaio Jorge Drexler. Daymé Arocena, premiada cantora de jazz afro-cubano da nova geração, mostra El 456. O pianista e maestro Chucho Valdés e o grupo Irakere, patrimônios da música cubana, fecham a edição com Pare Cochero.

Madeira de Deriva (clipe)- Antonio Zambujo e Mon Laferte:

Ricardo Bacelar e Delia Fischer releem Nada Será Como Antes

ricardo bacelar delia fischer

Por Fabian Chacur

Graças à qualidade de seu trabalho, Ricardo Bacelar é presença constante em Mondo Pop (leia mais sobre ele aqui). Desta vez, a motivação é o lançamento do clipe de Nada Será Como Antes, clássico de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos que o tecladista, arranjador, compositor e eventual cantor releu ao lado da consagrada cantora, compositora e musicista Delia Fischer.

A belíssima canção lançada por Milton em 1972 no seu antológico álbum Clube da Esquina traz uma letra que se mantém mais atual do que nunca. O dueto de Bacelar e Delia é delicioso, com eles se alternando nos vocais e, em um determinado momento, tocando o piano a quatro mãos. A releitura traz um tempero jazzístico à música, sem no entanto tirar dela a sua essência pop.

A faixa traz, além da dupla, os músicos João Castilho (guitarra), Danilo Sina (sax e flauta), Renato Endrigo (bateria), Alexandre Katatau (baixo) e André Siqueira (percussão). A gravação foi feita durante show que Ricardo realizou em maio de 2018 no Blue Note Rio, no Rio de Janeiro.

Nada Será Como Antes integra o álbum Ricardo Bacelar- Ao Vivo No Rio, já disponível nas plataformas digitais e com boa repercussão nos EUA, Europa e Japão, onde o público fã de jazz e fusion está ouvindo de forma intensa essa geral que o artista brasileiro deu em seu repertório.

Nada Será Como Antes (ao vivo)– Ricardo Bacelar e Delia Fischer:

Tom Zé reúne gravações pouco conhecidas no álbum Raridades

tom ze raridades 400x

Por Fabian Chacur

Boa notícia para os colecionadores do trabalho de Tom Zé. Já está disponível nas plataformas digitais a coletânea Raridades, que a gravadora Warner promete lançar também em formato físico no dia 16 de outubro. Trata-se da reunião de 14 gravações do grande cantor, compositor e músico baiano anteriormente disponíveis apenas em raros e disputados compactos e trilhas, lançadas originalmente entre 1969 e 1976 pelas gravadoras RGE e Continental.

Temos aqui gravações alternativas de canções conhecidas do repertório do mais célebre nativo da cidade de Irará, como Senhor Cidadão e Augusta, Angélica e Consolação, e a gravação ao vivo de Jeitinho Dela incluída no álbum oficial do V Festival da Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record, e na qual temos a participação especial dos então estreantes Novos Baianos.

Outra canção legal é A Dama de Vermelho, que Tom Zé gravou para a trilha sonora da novela Xeque-Mate (1976), exibida pela TV Tupi e estrelada por Ênio Gonçalves, Maria Isabel de Lizandra, Raul Cortez e Edney Giovenazzi. Curiosamente, a outra faixa gravada por ele para a mesma trilha, Nancy (Olhos Azuis), ficou de fora de Raridades, por alguma razão não revelada.

Eis as faixas de Raridades:

Você Gosta 2m23
Feitiço 2m45
Jeitinho Dela (Participação Especial De Novos Baianos (Ao Vivo) 4m03
Bola Pra Frente (Ao Vivo) 2m50
Irene 2m53
Silêncio De Nós Dois 3m10
Senhor Cidadão 3m26
A Babá 3m20
Augusta, Angélica E Consolação 4m06
Quem Não Pode Se Tchaikowsky 3m56
Contos De Fraldas 3m59
A Dama De Vermelho 2m30
Dói 3m29
O Anfitrião 3m46

Jeitinho Dela (ao vivo)- Tom Zé e Os Novos Baianos:

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