Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Zeca Pagodinho e a entrevista que rendeu admiração eterna

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Por Fabian Chacur

Essa história rolou em 1988. Vivia os meus primeiros tempos no hoje extinto jornal Diario Popular (SP), e fui designado pelo meu editor Oswaldo Faustino para entrevistar Zeca Pagodinho, então estreando na gravadora BMG com o LP Jeito Moleque, após dois discos de muito sucesso pela RGE. A assessora de imprensa, Miriam Martinez, avisou-me antes do meu bate-papo com o sambista carioca começar: “tome cuidado que ele está bravo, andaram fazendo perguntas de que ele não gostou…” Ou seja, entrei em cena com o placar desfavorável, e não por minha culpa. Mas cabia a mim virar o jogo.

A ideia do meu editor era que eu fizesse uma entrevista solta, coloquial, na qual o leitor pudesse ter uma ideia de como era aquele artista apadrinhado por Beth Carvalho que veio do subúrbio carioca e se tornou um fenômeno de vendas. Embora ainda inexperiente, eu percebi que precisava ser cauteloso ao menos no início do papo, e foi assim que comecei a conversa. Na minha, respeitoso, prestando atenção no que ele me falava. E, para minha felicidade, a troca de ideias se mostrou ótima e bem fluente.

Aos poucos, Zeca demostrou confiar em mim, e os assuntos se ampliaram, indo da música até mesmo ao jogo do bicho. As declarações eram sempre deliciosas, do tipo “sei falar com bacana e sei falar com malandro”, ou “o jogo do bicho é uma das coisas mais confiáveis desse país, pois você ganha hoje e os caras te pagam na hora, sem conversa mole”. Quando essa nossa primeira conversa profissional se encerrou, recebi um elogio que guardo para a vida: “gostei de você, você é malandro”. Imagina ouvir uma dessas vindo de um cara que é malandragem pura, obviamente do lado positivo desse termo.

A entrevista fez sucesso, e a partir dali tive várias oportunidades de conversar com esse cara, que tornou-se ainda mais simpático, franco e sem frescuras. Sua generosidade se mostra em respostas aparentemente banais, como quando lhe perguntei o porque de, com o passar dos anos, ele gravar cada vez menos músicas de sua autoria, ele que ficou conhecido inicialmente como autor de sambas, e só posteriormente como intérprete: “Cara, tem muita gente boa compondo, e gente que precisa mais do que eu dos direitos autorais”.

Em uma entrevista coletiva realizada em 1999, a pergunta que ele levou mais a sério veio de mim, sobre a fusão entre a Brahma e a Antarctica que gerou a AmBev. Ele sempre se declarou um entusiasta da Brahma. “Olha, quando surgiu essa notícia, eu fiquei preocupado e até liguei para saber se eles iriam manter a Brahma do mesmo jeito, e eles me garantiram que sim”, respondeu, para delírio dos repórteres presentes. Com o tempo, ele acabou fazendo propaganda dessa marca, não sem uma polêmica no meio que não cabe ser analisada aqui.

Grande compositor, sambista de estilo inconfundível e craque em escolher músicas alheias para gravar, Zeca sempre foi um seguidor da tradição do samba, como me confessou logo naquela primeira entrevista: “desde moleque eu sempre ficava colado na Velha Guarda. Eu ia buscar as cervejas, abria para eles e ficava ouvindo ele cantarem e tocarem, aprendendo”. E como aprendeu, heim?

Nesta segunda (4), Jessé Gomes da Silva Filho, o nosso querido Zeca Pagodinho, completa 60 anos de idade. Um cara que mesmo em situação financeira excelente nunca abandonou suas origens, sendo famoso pela generosidade. Xerém, que adotou como ponto de encontro com amigos de todas as idades e faixas sociais, deve estar em festa. Que essa data se repita por muitos e muitos anos, e que eu possa entrevistar novamente no futuro esse representante do Brasil que importa, o Brasil do swing, do jogo de cintura, do talento, da simpatia e da integração entre as pessoas.

Camarão que Dorme a Onda Leva (ao vivo)- Zeca Pagodinho e amigos:

Bruno Mog lança seu primeiro álbum com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Com 33 anos de idade, Bruno Mog lança o seu primeiro álbum. Uma fase da vida em que outros artistas já teriam lançado diversos outros trabalhos. Este cantor, compositor e músico nascido em Lins (SP), criado na região do Portal do Paranapanema (PR) e radicado em São Paulo desde 2005, preferiu, no entanto, não precipitar as coisas. “Procurei me preparar bem e fazer isso apenas quando me senti preparado”, explica. Ele mostra o repertório do álbum e músicas de outros artistas em show neste sábado (2) às 15h na Casa Pompeia (avenida Pompéia, nª 681- Vila Pompeia- fone 0xx11- 2597-0681), com ingressos a R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira), sendo que ambos os valores incluem de brinde a versão física do trabalho.

A estrada de Bruno até chegar ao primeiro CD foi longa. Ele se interessou por música desde moleque, e contou com o apoio incondicional do pai. “Meu pai sempre me incentivou a estudar, me cobrou muito isso”. Em 2005, ele se mudou para São Paulo com o intuito de cursar a faculdade de artes cênicas, e não demorou a se envolver com o teatro, trabalhando em diversos espetáculos. Paralelamente, atuava com uma banda na qual incluía músicas de sua autoria.

Há três anos, sentiu que havia chegado a hora de arregaçar as mangas para criar seu primeiro álbum solo, e passou a se concentrar nisso. Como inspiração, ouviu Tim Maia, Skank, Paralamas do Sucesso, Cazuza, Los Hermanos e Elis Regina, entre outros. Desse mix, saíram características de suas composições, que trazem elementos de blues, MPB, folk e rock. “No Brasil, a gente tem o costume de ouvir de tudo, os gêneros se misturam, isso é muito bom”.

O resultado é um trabalho disponível nas plataformas digitais e também em formato físico com sete músicas, escolhidas a partir de um universo de 14. “Não sou um Guilherme Arantes, que diz compor uma música por dia. Escrevo conforme vêm a inspiração. Crio em cima de coisas do mundo, misturo experiências próprias com aquilo que observo e transformo em canções”, define.

O álbum, extremamente consistente e que se divide em climas blueseiros e momentos mais próximos do folk, foi finalizado no Canadá com o engenheiro de som João Thiré, conhecido por seu trabalho com a cantora Mart’nália.

O som de Bruno Mog conta com generosas intervenções de metais como trombone, trumpete e sax. “Uso muito os metais como se fossem a extensão da minha voz, uma segunda ou terceira voz, e tem a ver com os artistas de que mais gosto, que também se valem desse recurso musical de forma criativa”.

No show deste sábado (2), Bruno cantará e tocará guitarra, acompanhado por uma banda com direito a naipe de metais, backing vocals, guitarra, baixo e bateria. Além das músicas autorais do disco, entre as quais as ótimas Flores de Outono, Avoa, Hey Man e Só Quero Ser Feliz, também teremos releituras de canções alheias, entre as quais Todo Amor Que Houver Nessa Vida, de Cazuza, e outras de Tim Maia, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho. “Mas não faço versões iguaizinhas, procuro colocar o meu toque pessoal nelas”, adverte.

Ouça Flores de Outono, de Bruno Mog:

James Ingram, craque do R&B, compositor fera e rei dos duetos

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Por Fabian Chacur

A concorrência para o prêmio de Melhor Artista Novo na 24ª edição do Grammy cujos troféus foram entregues no início de 1982 era grande. A cantora escocesa Sheena Easton acabou levando a melhor, superando na disputa os grupos de pop-rock Adam And The Antes e The Go-Go’s e os cantores de r&b Luther Vandross (1951-2005) e James Ingram. Este último teve como consolo a vitória na categoria Melhor Performance Masculina de R&B com a musica One Hundred Years. E se deu melhor do que ela, em termos profissionais. Ingram nos deixou nesta terça (29) aos 66 anos, vítima de câncer cerebral. Seu legado é dos mais respeitáveis.

James Ingram nasceu em Akron, Ohio (EUA) em 16 de fevereiro de 1952. Seu envolvimento com a música se deu desde a infância. Nos anos 1970, enquanto participava de grupos com pequena repercussão, teve sua primeira prova de fogo ao integrar uma banda de apoio de Ray Charles. As coisas engrenaram para ele ao ser convidado pelo célebre produtor Quincy Jones para participar do álbum The Dude (1981). E ele se mostrou pé-quente, pois as duas músicas nas quais assumiu o vocal principal, Just Once e One Hundred Ways, foram os maiores hits, ambas atingindo o top 20 nos EUA na parada de singles.

Além de músico e cantor, Ingram logo se tornou conhecido como compositor. Uma de suas canções mais famosas é P.Y.T. (Pretty Young Thing), que faz parte do mitológico álbum Thriller, de Michael Jackson. O sucesso foi tão grande que deu a abertura que ele precisava para iniciar sua carreira solo. Isso ocorreu em 1983 com o lançamento de seu excelente primeiro álbum individual, It’s Your Night, com produção do padrinho Quincy Jones e direito a grandes músicos.

A faixa de destaque do CD foi Ya Mo Be There, dueto com Michael McDonald, que atingiu o nª 19 entre os singles e rendeu a Ingram o seu segundo troféu Grammy, na categoria Melhor Performance R&B Com Duo Ou Grupo Com Vocais.

E já que o assunto é duetos, James Ingram atingiu pela primeira vez o primeiro lugar na parada americana de singles com sua parceria com a cantora Patti Austin em 1983 com a música Baby Come To Me, que foi usada na trilha da série televisiva de sucesso General Hospital. O cara estava tão badalado que acabou participando do elenco estelar do single We Are The World, ao lado de astros como Ray Charles, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Ray Charles e tantos outros. Em 1987, outra dobradinha bacana, a balada Somewhere Out There, com a cantora Linda Ronstadt. E seu único nª 1 realmente solo foi conquistado em 1990 com a bela balada romântica I Don’t Have The Heart.

O artista concorreu ao Oscar de melhor canção em duas ocasiões: The Day I Fall In Love, dueto com Dolly Parton incluído na trilha de Beethoven’s 2nd em 1994 e no ano seguinte com Look What Love Was Done, do filme Junior. Mais alguns duetos: What About Me (1984- com Kenny Rogers e Kim Carnes), The Brightest Star (1991- com Melissa Manchester), When You Love Someone (1995- com Anita Baker) e Our Time Has Come (1997- com Carnie Wilson).

Quando Quincy Jones lançou seu álbum mais badalado, Black On The Block (1989), James Ingram estava lá, e justo na canção de maior sucesso, The Secret Garden, ao lado de Barry White, El Debarge e Al B.Sure! De quebra, ele ainda marcou presença em uma faixa dos, pasmem!, Scorpions! Sim, a banda alemã de heavy metal. Mais precisamente na faixa What U Give U Get Back, incluída no álbum Eye II Eye (1999). Dá para encara esse currículo, Sheena Easton?

Ya Mo Be There (remix version)- James Ingram e Michael McDonald:

Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper: 60 anos de saudade

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Por Fabian Chacur

Neste domingo (3), um trágico acidente de avião completará 60 anos. Naquele doloroso 3 de fevereiro de 1959, perderam precocemente suas vidas três astros ascendentes do rock and roll, Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper. Uma data tão trágica que foi rotulada como “O Dia Em Que a Música Morreu” em um trecho da música American Pie, do cantor e compositor americano Don McLean e grande hit em 1972. E esses três artistas nos deixaram uma bela e eterna herança musical.

Em 1959, o rock and roll vivia a sua primeira era de sucesso. Como forma de divulgar seus trabalhos, os artistas do gênero eram unidos em verdadeiras caravanas que saíam pelos EUA. Os shows equivaliam a uma coletânea dos grandes sucessos radiofônicos de então, com os músicos geralmente interpretando apenas algumas músicas cada um. E era exatamente o que o nosso trio fazia, em uma série de shows iniciada em 23 de janeiro daquele ano e intitulada The Winter Dance Tour. Estavam programadas 24 datas em pleno inverno de lá, com a última apresentação agendada para o dia 15 de fevereiro.

O transporte dos músicos era feito através de ônibus, e as condições de tempo adversas provocaram cancelamento de shows e também exigiram muito da saúde de seus integrantes. Após a 11ª apresentação, realizada na cidade de Salt Lake, no estado de Iowa, Buddy Holly demonstrava fortes sinais de gripe. Como era o músico de maior sucesso da trupe, resolveu fazer uma extravagância, como forma de chegar mais cedo à próxima cidade da programação e poder descansar um pouco mais: alugar um pequeno avião para levar ele e dois de seus músicos, livrando-os de mais uma viagem com o desconfortável ônibus.

O voo foi contratado na noite do dia 2 de fevereiro, e um piloto, Roger Peterson, foi arregimentado às pressas. Estavam escalados para a viagem no avião de quatro lugares (contando o piloto) Holly, o guitarrista Tommy Allsup (1931-2017) e o baixista Waylon Jennings (1937-2002). No entanto, quando soube da iniciativa do colega de turnê, o cantor, DJ e músico The Big Bopper negociou com Jennings a sua vaga, e foi bem-sucedido. O mesmo ocorreu com Ritchie Valens em relação a Allsup. Que trocas…

O avião saiu no início da madrugada do dia 3 de fevereiro de 1959, mas uma inesperada tempestade de neve os surpreendeu. Infelizmente, a aeronave caiu quatro minutos após levantar voo. Demoraram horas até que todos se dessem conta do ocorrido. Os colegas de turnê, ao chegarem à cidade de Moorhead, no estado de Minnesota, surpreenderam-se ao não encontrar os amigos. E, posteriormente, o acidente e suas vítimas virou notícia em termos mundiais. Uma das primeiras tragédias envolvendo o rock and roll, o acidente comoveu o mundo e marcou a história da música.

Se hoje artistas são esquecidos poucos meses após suas mortes, porque estamos lembrando de Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper seis décadas após suas partidas? A resposta é óbvia: independente do choque devido a mortes em idades tão precoces, o legado musical que esses três artistas nos deixaram são grandes demais para serem esquecidos ou igorados. Vamos dar uma pequena mergulhada na trajetória deles, e justificar essa importância toda.

Buddy Holly: genial, criativo e muito influente

Em toda a lista dos artistas mais importantes e influentes da história do rock, Buddy Holly merece um lugar cativo. E não é por acaso. Este cantor, compositor e guitarrista nascido em 7 de setembro de 1936 em Lubbock, Texas, equivale a uma espécie de elo perdido entre o rock and roll inicial de Chuck Berry, Little Richard e Jerry Lee Lewis e o som dos Beatles. Ele soube como poucos mesclar elementos da música country e do hillbilly com o rhythm and blues, investindo em elementos melódicos mais intensos e flertes com o jazz, música erudita e os standards da música americana.

Pode-se dizer que o formato clássico das bandas de rock and roll, o célebre duas-guitarras-baixo-e-bateria, teve em Holly um de seus criadores. Ele partiu do rockabilly e do rhythm and blues para criar canções ora agitadas, ora puramente românticas, sempre ressaltando seu som cristalino de guitarra, sua belíssima voz e um carisma nerd no qual os óculos de aro preto eram uma assinatura própria que inspiraria artistas como Elvis Costello, só para citar um deles.

E ele fez tudo isso em um curtíssimo espaço de tempo. Holly começou a tocar aos 13 anos, e se embrenhou em estúdios de gravação entre 1954 e 1959. Sempre inquieto, buscava evoluir a cada nova experiência, e teve a ajuda em um período clássico de sua trajetória do produtor e parceiro em algumas canções Norman Petty, que em seu estúdio situado em Clóvis, Novo México, expandia sonoridades e ressaltava os sons das guitarras, vocais e percussão.

O songbook de Buddy Holly é simplesmente matador, incluindo entre outras maravilhas as fulminantes That’l Be The Day, Oh Boy, Not Fade Away, Everyday, We’ll All Right, True Love Ways, Peggy Sue, Think It Over, Rave On, Maybe Baby e Heartbeat, só para citar algumas. O cara também sabia reler composições alheias com maestria, entre as quais It Doesn’t Matter Anymore, Brown Eyed Handsome Man e Raining In My Heart. E isso tudo em apenas 22 anos de vida.

Ritchie Valens, o pioneiro do rock latino

Lógico que o tamanho de Buddy Holly em termos artístico se sobrepõe a boa parte de seus colegas de profissão, e isso não é diferente em relação aos parceiros da Winter Dance Party. O que, obviamente, não significa que esses caras não sejam muito importantes. Ritchie Valens, nascido em 13 de maio de 1941, pode ser considerado um dos pioneiros, se não for O pioneiro, da mistura da música latina com o rock and roll. Uma mistura que nos traria Triny Lopez, Carlos Santana e tantos outros.

O ainda adolescente emplacou hits como Come On, Let’s Go e Donna, esta última uma belíssima badalada em homenagem à sua namorada. Mas seu maior mérito foi aproveitar um tema da música folclórica mexicana, La Bamba, e tê-lo adaptado para o universo do rock and roll. Ele precisou superar restrições até de sua gravadora para registrá-la, mas provou estar certo, no fim das contas.

O arranjo roqueiro de La Bamba acabou fazendo ainda mais sucesso posteriormente nas gravações de artistas de origem latina como Trini Lopes e o grupo Los Lobos, este último relendo os hits de Ritchie em 1987 para a trilha sonora do filme de incrível sucesso sobre sua trajetória, o cativante La Bamba. Que adolescente do barulho esse aí!

The Big Bopper, o DJ que virou cantor de sucesso

Jiles Perry Richardson, nascido em 24 de outubro de 1930, foi provavelmente o primeiro DJ de rádio a também fazer sucesso como cantor e compositor. Carismático, ele conseguiu quebrar um recorde de permanência consecutiva no ar, durante incríveis cinco dias, duas horas e oito minutos. Em 1958, chegou ao sexto lugar na parada americana com a divertida Chantilly Lace, que tinha como bordão o inconfundível “hello, babe!!!”, sua marca registrada.

Difícil não se lembrar do inesquecível Kid Vinil, tal qual o Big Bopper um DJ de rádio que também estourou nas paradas de sucesso como cantor do grupo Magazine. JP Richard teria outro grande hit, mas como compositor. Trata-se da música Running Bear, que na voz de Johnny Preston chegou ao primeiro lugar na parada de singles americana em janeiro de 1960. Infelizmente, The Big Bopper (que participou da gravação) já havia partido quando isso ocorreu.

Pequenas curiosidades envolvendo esses três ícones do rock

***** O grupo americano Weezer fez sucesso nos anos 1990 com uma canção em homenagem ao autor de Peggy Sue intitulada Buddy Holly. Seu vocalista Rivers Cuomo, não por acaso tem visual nerd e usa os indefectíveis óculos de aro preto sempre ligados ao saudoso astro do rock dos anos 1950.

***** Jay P. Richard Jr. nasceu no dia 28 de abril de 1959, ou seja, menos de três meses após a morte do pai, The Big Booper. Se não teve a bênção de conhece-lo, ao menos ajudou a manter sua obra reconhecida ao se apresentar em shows e convenções temáticas sobre o rock and roll dos anos 1950. Jr. infelizmente nos deixou em agosto de 2013, aos 54 anos de idade.

***** Logo após a morte de Buddy Holly, foi lançado um primeiro single póstumo, com a musica It Doesn’t Matter Anymore. A ironia involuntária do título (cuja tradução aproximada é “não importa mais”) levou o seu autor, Paul Anka, então começando a se tornar uma lenda da música pop, a doar os direitos autorais da canção à viúva de Holly.

***** A interpretação do ator Lou Diamond Phillips para o papel de Ritchie Valens em La Bamba (1987) foi tão icônica que eclipsou tudo o que ele fez posteriormente. Difícil alguém não se referir a ele como “o ator de La Bamba“.

***** Se no rock The Big Bopper pode ser considerado pioneiro nessa de ser DJ e cantor de sucesso, no mundo do blues existe alguém muito mais famoso que também fez essa transição. Trata-se de ninguém menos do que o genial B.B. King, que inclusive ganhou o apelido nos tempos em que trabalhava em rádio.

****** Paul McCartney era tão fã de Buddy Holly que acabou unindo o útil ao agradável nos anos 1970, adquirindo os direitos autorais da maior parte das músicas do autor de Peggy Sue. Ele participou de eventos em homenagens ao artista e também gravou com remanescentes dos Crickets, o grupo que acompanhou o artista. Os Beatles gravaram um dos grandes hits de Buddy Holly, Words Of Love, em releitura que reproduz quase nota a nota a versão original.

***** Os Rolling Stones também eram fãs de Buddy Holly, e regravaram nos anos 1960 Not Fade Away com bastante sucesso. Eles chegaram a abrir shows deles no Brasil com essa música, nos anos 1990.

Veja uma reportam da revista Mojo sobre “o dia em que a música morreu” aqui

We’ll All Right– Buddy Holly:

Altemar Dutra Jr. dá uma prévia de novo CD com show em Sampa

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Por Fabian Chacur

Filho de peixe, peixinho é, não é mesmo? Bem, nem sempre. Tem alguns rebentos de grandes músicos e cantores que, infelizmente, não chegam nem mesmo aos pés do talento de seus genitores. Para felicidade geral de todos, Altemar Dutra Jr. não só possui muito talento, como conseguiu honrar o nome de seu pai, Altemar Dutra (1940-1983), um dos grandes cantores românticos do Brasil em todos os tempos. O intérprete está na fase final da preparação de seu novo álbum, O Melhor de Mim, e se apresenta em São Paulo nesta quarta-feira (30) às 21h no Teatro Itália (Avenida Ipiranga, nª 344- subsolo do Edifício Itália- fone 0xx11-3255-1979), com ingressos custando R$ 40,00 (meia) e R$ 80,00 (inteira).

Neste show, que terá a participação especial do cantor Alexandre Arez, Dutra Jr. mostrará em primeira mão algumas faixas que estarão em O Melhor de Mim. As músicas levam assinaturas nobres: Michael Sullivan, Paulo Massadas, Lincoln Olivetti, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Benito di Paula, Isolda, Peninha, José Augusto e Antonio Marcos. Também será incluída no CD uma composições inédita do próprio intérprete, intitulada Pequenas Coisas da Vida.

O repertório ainda trará músicas dos trabalhos anteriores do cantor e compositor paulistano nascido em 16 de abril de 1969, entre as quais temos releituras preciosas dos hits de seu saudoso pai. Sentimental Demais, Risque, Contigo Aprendi, Que Queres Tu de Mim e Somos Iguais devem ser algumas delas. Ele estreou em disco em 1997 com Transparente, e desde então lançou outros quatro e um DVD, sem incluir o novo CD, em fase final de mixagem.

Ouça o CD Sentimental Nós Somos (2014), de Altemar Dutra Jr.:

Paulo Miklos celebra seus 60 anos com dois shows em SP

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Por Fabian Chacur

Nesta segunda-feira (21), Paulo Miklos completou 60 anos de idade. Como forma de celebrar essa bela efeméride com seus fãs paulistanos, o cantor, compositor e músico fará shows nesta sexta (25) às 18h e sábado (26) às 21h no Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, nª 1.000- Belenzinho- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos custando de R$ 6,00 a R$ 20,00.

A base para o repertório será o seu mais recente trabalho solo, A Gente Mora no Agora (2017), que inclui pelo menos um grande sucesso, Vou Te Encontrar, composição do ex-colega de Titãs Nando Reis que integrou com destaque a trilha sonora da novela global O Outro Lado do Paraíso. Também teremos composições escritas por ele em parceria com Emicida (A Lei Desse Troço), Guilherme Arantes (Estou Pronto) e Céu (Risco Azul).

Lógico que farão parte do set list canções de seus tempos de Titãs, e entre elas estão escaladas É Preciso Saber Viver (clássico de Roberto e Erasmo Carlos que a banda trouxe de volta às paradas nos anos 1990), Pra Dizer Adeus, Sonífera Ilha e Vossa Excelência, esta última lançada há mais de dez anos e mais atual do que nunca. Paulo, que cantará e tocará violão e guitarra, terá a seu lado Michelle Abu (bateria), Michelle Cordeiro (guitarra) e Otávio Carvalho (baixo).

Vou Te Encontrar (clipe)- Paulo Miklos:

The Struts toca ao vivo com o guitarrista Tom Morello-veja

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Por Fabian Chacur

As coisas não andam lá essa maravilha para o rock em termos de mídia e de paradas de sucesso, atualmente dominadas no exterior por r&b, música eletrônica, rap e, no Brasil, por sertanejo, fúnc carioca e outros estilos. No entanto, existem esperanças de que a situação possa mudar um pouco. E uma das bandas que parece ter fôlego para equilibrar as coisas para os roqueiros é a britânica The Struts. Eles postaram no Youtube uma bela gravação ao vivo de Dancing In The Dark, megahit de Bruce Springsteen, na qual contaram com a participação de Tom Morello (Rage Against The Machine, Audioslave etc).

Morello não é daqueles caras que toca com qualquer um, o que dá uma ideia de como essa parceria é bacana para o quarteto inglês. A dobradinha rolou em um show recente realizado no The Basement East, em Nashville, durante turnê dos caras pela terra de Barack Obama. Uma bela performance, com direito a solos inspirados do excelente guitarrista e ativista americano.

Criado na Inglaterra em 2009, o The Struts mantém a mesma formação desde 2012, que é Luke Spiller (vocal), Adam Slack (guitarra), Jed Elliot (baixo) e Gethin Davies (bateria), todos beirando os 30 anos de idade. Seu primeiro álbum, Everybody Wants (2014), traz o hit Put Your Money On Me (ouça aqui).

Antes de lançar um novo álbum, os roqueiros ingleses tiveram a oportunidade de abrir shows para bandas do primeiríssimo time do rock mundial, como Rolling Stones (2014, em Paris), Guns N’ Roses (2016, em San Francisco), The Who (2017) e Foo Fighters (2017). Com a banda de Dave Grohl, Spiller ainda teve a oportunidade de participar em um show dos FF de uma releitura de Under Pressure, do Queen, que ficou muito simpática.

Em outubro de 2018, enfim saiu o segundo álbum dos Struts, Young & Dangerous, que aos poucos vai conquistando novos fãs. Faixas incendiárias como Primadonna Like Me (ouça aqui), In Love With a Camera (ouça aqui) e especialmente Body Talks, esta última com participação especial da cantora Kesha (ouça aqui), tem pinta de que podem impulsionar o quarteto rumo a um patamar mais alto no cenário musical atual.

E qual o mérito dos Struts para merecer a sua atenção, roqueiro amigo? Eles não estão reinventando a roda ou coisa semelhante. Apenas e tão somente investem, com muita energia e personalidade, em em um estilo roqueiro que traz influências de Queen, The Darkness, The Sweet (de quem eles regravaram Ballroom Blitz para a trilha do filme Edge Of Seventeen, de 2006- ouça aqui).

É um som pra cima, divertido, ardido e despretensioso, com ótimos backing vocals. E Luke Spiller canta muito bem e esbanja carisma, com um quê de Freddie Mercury, obviamente guardadas as devidas proporções. Pura diversão!

obs.: na sessão covers, também temos uma releitura bem bacana de Royals, o maior sucesso da jovem cantora Lorde (ouça aqui).

Dancing In The Dark (live)- The Struts e Tom Morello:

Carole King conta sua bela história em Natural Woman

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Por Fabian Chacur

Em uma época na qual a participação feminina no mundo da música parece aumentar e ser mais valorizado, nada melhor do que relembrar a trajetória de uma pioneira no setor. Carole King é o tema do excelente documentário Natural Woman (2016), integrante da série American Masters, já lançado em DVD no exterior. O filme, com aproximadamente 60 minutos de duração, será exibido pelo Canal Bis nesta terça (22) às 13h30 e nesta quarta (23) às 10h na faixa Arquivo Musical, além de já estar disponível na plataforma de streaming pago do canal, a Bis Play.

Nascida em Nova York em 9 de fevereiro de 1942, Carole King começou a tocar piano ainda criança, e não demorou a dominar o instrumento. Ainda adolescente, já compunha, e em 1959 não só arrumou um parceiro para composições, o letrista Gerry Goffin, como ganhou de quebra um marido, pois eles se casaram naquele ano. O documentário registra bem esse período, no qual ela e Goffin escreviam músicas para outros artistas, emplacando hits clássicos como Up On The Roof, The Loco-Motion, One Fine Day, Chains, Will You Love Me Tomorrow, Take a Giant Step, Going Back e (You Make Me Feel Like a) Natural Woman, só para citar alguns dos mais bem-sucedidos.

Com uma mescla de entrevistas feitas em épocas diferentes (incluindo uma realizada especialmente para Natural Woman), a cantora, compositora e pianista relembra com franqueza a dolorosa separação de Goffin, o início de sua carreira como cantora, a parceria musical com James Taylor e o estouro do álbum Tapestry (1971), que vendeu milhões de cópias e a consagrou de uma vez por todas. Os problemas com os outros maridos, a dificuldade de fazer shows e ter de ficar semanas longe das filhas são outros temas muito bem abordados.

Foram aproveitadas imagens de vários momentos da vida de Carole, incluindo fofíssimas cenas de quando ela era criança e começava a tocar piano. Temos também deliciosos depoimentos de amigos e cúmplices do mundo da música como James Taylor, o guitarrista fantástico Danny Kortchmar, o produtor Peter Asher, o casal de compositores Barry Mann e Cynthia Weil, a letrista Toni Stern (parceria dela em hits como It’s Too Late), o produtor Lou Adler e outros.

Natural Woman aproveita muito bem o curto espaço de tempo para abranger uma brilhante carreira que beira 60 anos e equivale a um belíssimo cartão de apresentações para quem não tem muita ideia de quem seja essa tal de Carole King. Duvido que, após ver esse documentário, você não se disponha a ouvir mais, ver mais e saber mais sobre a obra dessa incrível artista, que além de ter uma obra incrível no pop-rock ainda arruma tempo para um ativismo civil muito importante. Temos até ela recebendo o importante prêmio Guershwin das mãos do então presidente americano Barack Obama em 2013.

Veja o trailer do documentário Natural Woman:

Michel Freidenson e Teco Cardoso releem Luiz Millan e Moacyr Zwarg em DVD e CD

Michel Freidenson, Anna Setton, Luiz Millan e Teco Cardoso - Foto Priscila Prade-400x

Por Fabian Chacur

Formado em medicina com especialização em psiquiatria, Luiz Millan também desenvolveu sua veia musical, estudando piano e violão. Após ver um show do pianista Moacyr Zwarg, não só procurou o músico para elogiá-lo como também quis ter aulas com ele. O aprendizado formal não foi lá essas maravilhas, mas rendeu coisa melhor: uma parceria musical. Nascia ali uma semente que rendeu quase 40 músicas, um CD de estúdio e, agora, um DVD-CD, Dois Por Dois Ao Vivo. Trata-se de um trabalho inusitado, e cuja história é deliciosa, envolvendo fortes amizades e muito talento e emoção. O resultado merece bons elogios.

Pois vamos acrescentar mais informações sobre os eventos que geraram este trabalho. Millan viu que o número de obras compostas por ele e Zwarg era bastante significativo. Aí, surgiu a ideia de registrar uma parte delas, 14, para ser mais preciso, em um CD. Mas o conceito em torno desse trabalho seria diferente. Ao invés de os autores as gravarem, eles convidariam dois outros músicos para interpretá-las. E Millan resolveu convidar um amigo que já havia trabalhado com ele, o pianista, compositor e arranjador Michel Freidenson.

Na estrada desde os anos 1980 com muito destaque, integrante de bandas como a ZonaZul e acompanhando nomes do porte de Hermeto Pascoal, Djavan, Milton Nascimento e outros, além de trabalhos próprios, Freidenson aceitou de imediato o convite do velho amigo, e logo em seguida outro parceiro dele de muitos anos, o flautista e saxofonista Teco Cardoso, entrou no time. Teco integrou o ZonaZul junto com Freidenson, e tocou com Edu Lobo, Hermeto Pascoal, Dori Caymmi, Ivan Lins e Toots Thielemans. Mesmo sem tocar junto há algum tempo, o duo logo viu que continuava entrosado.

O CD Dois Por Dois saiu em 2016, e no dia 25 de agosto daquele mesmo ano foi realizado em São Paulo, no Teatro Espaço Promon, um show de lançamento. O espetáculo traria no palco Freidenson, Cardoso e também a cantora Anna Setton, que participou do álbum na única faixa com vocais do mesmo, a delicada balada Janeiro de 76. Millan apresentou as músicas e tocou piano em um único momento, para acompanhar no piano a leitura do poema Depois de Ouvir o Millan (de autoria de Márcia Salomão) por Marília Pereira Bueno Millan.

Felizmente, surgiu a ideia de gravar, com quatro câmeras e direção do jovem Thales Menezes, a apresentação, mas com o intuito apenas de registrar o evento. O resultado, no fim das contas, ficou tão bom que o lançamento se mostrou inevitável, e é exatamente o que acaba de acontecer, em luxuosa embalagem digipack com direito a encarte caprichado e englobando DVD e CD em um único produto, distribuído pela Tratore e com preço médio de R$ 30,00.

O repertório traz as 14 faixas do CD de estúdio mais o já citado poema e também três canções de Millan compostas com outros parceiros: E O Palhaço Chorou (com Mozar Terra), Entre Nuvens (com Plinio Cutait) e Montparnasse (também com Plinio Cutait). As três, e também Janeiro de 76, são interpretadas em um único bloco no show por Anna Setton, que se mostra à vontade na função, ressaltando as boas melodias e letras de cada faixa.

As músicas da dupla Millan & Zwarg possuem uma delicadeza muito grande, valendo-se de elementos de várias vertentes da música brasileira e com um tempero erudito. A seleção, segundo conta Millan no ótimo making of de 16 minutos contido no DVD, procurou optar por uma diversidade de estilos, com direito a canções, bossa nova e até frevo. O Passar das Horas, Frevo Para Léa (bela homenagem a Lea Freire), Dois Por Dois e Primeiro Amor são destaques de um repertório que flui sem dificuldade.

A parte triste ficou para o fim. No dia 22 de junho de 2017, durante a fase de produção do DVD, Moacyr Zwarg nos deixou, aos 72 anos de idade. Ele aparece tanto no making of (gravado em 2016, após o lançamento do CD de estúdio) como na plateia do show, e este lançamento equivale a uma bela e merecida homenagem a ele, oriundo de uma família de vários músicos (incluindo o pai, Antonio Bruno Zwarg) e com trabalhos ao lado de nomes como Hermeto Pascoal, Fagner, Ednardo, Leny Andrade e Peri Ribeiro, entre outros.

Janeiro de 76 (ao vivo)- Michel Freidenson e Teco Cardoso, com Anna Setton:

Leela lança nova parceria com o genial multimídia Fausto Fawcett

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Por Fabian Chacur

O grupo Leela e o multimídia Fausto Fawcett são produtivos parceiros há uns bons anos, com ótimos resultados. O novo fruto dessa colaboração já está disponível. Trata-se de Fanáticos Online, composição assinada pelo autor de Kátia Flávia e pelo núcleo da banda carioca radicada há alguns anos em São Paulo- Bianca Jhordão e Rodrigo o’Reilly Brandão. O clipe equivale à estreia de Bianca como diretora neste setor, e traz um clima bem próximo dos hipnóticos games modernos.

A cantora explica o que inspirou a nova música: “É uma viagem inspirada nas redes, no universo dos videogames, na alucinação numa realidade paralela e excitante. Para muitos, essa realidade torna-se viciante, transformando-os em fundamentalistas do mundo virtual, são os fanáticos online”.

Com guitarras ardidas, elementos eletrônicos e um ritmo contagiante, Fanáticos Online segue em qualidade a linha do single anterior, Youtube Mine (veja o clipe e leia mais sobre o Leela aqui). Além de Bianca (vocal) e Rodrigo (guitarra, synths, programação e produção musical), participaram da gravação Tchago Kochenborger (baixo) e Alexandre Papel (bateria).

O grupo promete outros singles até o lançamento do seu quarto álbum, previsto para este semestre. Em 2018, o Leela também lançou um clipe com interessante releitura de 2000 Light Years From Home, clássico de 1967 dos Rolling Stones (veja o clipe aqui), em homenagem à atriz e modelo Anita Pallenberg (1942-2017), que namorou com Brian Jones e foi casada com Keith Richards.

Fanáticos Online (clipe)- Leela:

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