Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Ney Matogrosso continua um craque da música brasileira

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Por Fabian Chacur

Se há um artista que personifica com perfeição o pop à brasileira, ele sem sombra de quaisquer dúvidas é Ney Matogrosso. Em seus quase 50 anos de trajetória musical, ele nos oferece uma mistura dos mais diversos elementos sonoros, propondo-nos, dessa forma, um som ao mesmo tempo universal, pelo acréscimo de fortes elementos da música originada no exterior, e essencialmente brasileiro, pela forma como tempera essa obra. Eis o que podemos conferir em Bloco na Rua, seu mais recente trabalho, disponível desde o fim do anos passado no formato digital e agora também em CD duplo e, em breve, em DVD físico.

Bloco na Rua é o registro do show que estreou no Rio de Janeiro em 11 de janeiro de 2019 e que, desde então, passou por diversos palcos brasileiros. A gravação ocorreu em julho do ano passado, no palco do Teatro Bradesco (SP), totalmente ao vivo, mas sem a presença de público. Chega a ser irônico se pensarmos na atual situação do show business mundial, uma atitude quase premonitória do que viria adiante.

O repertório nos oferece 20 músicas, sendo nove já gravadas anteriormente pelo artista na carreira-solo e com os Secos & Molhados, e 11 estreando em seu set list e discografia. Uma única dessas músicas é totalmente inédita, a sensacional Inominável, do compositor paulistano Dan Nakagawa. No entanto, a forma como Ney abordou cada canção dá a elas um molho de ineditismo que só quem é muito do ramo consegue fazer.

Para isso, ele contou com uma banda de apoio incrível que o acompanha há cinco anos, liderada pelo diretor musical, arranjador e tecladista Sacha Amback e que traz também os excelentes Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Maurício Negão (guitarra e violão), Dunga (baixo), Everson Moraes (trombone) e Aquiles Moraes (trompete e flugelhorn). Na faixa Postal de Amor, foi acrescentada a participação da Orquestra de Cordas de São Petesburgo.

O entrosamento entre o cantor e os músicos é impecável, fruto das diversas apresentações anteriores à gravação, e o registro da performance é padrão Ney Matogrosso, com iluminação esplêndida e detalhes cênicos que variam de canção a canção, sempre com o bom gosto e a ousadia habituais. Ney entra no palco usando uma máscara meio assustadora, que acabou sendo registrada na capa do CD duplo e que ele tira durante a primeira música.

Aliás, a apresentação visual do disco é maravilhosa, com direita a capa digipack luxuosa trazendo encarte com todas as letras das canções, fichas técnicas e fotos, além de dez deliciosos depoimentos de fãs referentes às performances do artista selecionados nas redes sociais.

Pode parecer redundante dizer isso, mas nada dessa produção toda valeria alguma coisa se a estrela da companhia não tivesse um desempenho à altura, e o ex-vocalista dos Secos & Molhados brilha com muita, mas muita intensidade mesmo. Aos 78 anos, ele se mostra mais apaixonado do que nunca por seu ofício, e mergulha com paixão e rigor técnico no repertório, tornando-o seu, mesmo que não tenha escrito nenhuma dessas músicas.

O set list de Bloco na Rua traz composições lançadas desde os tempos dos Secos & Molhados até esta década, mas elas soam com uma unidade, repletas de odes à liberdade, à coragem, à irreverência e ao lirismo (aqui e ali). O título, extraído da clássica Eu Quero é Botar Meu Bloco da Rua, de Sérgio Sampaio, reflete mesmo essa atitude de ir à luta, mesmo em tempos tão cinzas como os atuais.

Embora o show seja bom como um todo, vale destacar alguns de seus pontos altos, como a psicodélica Álcool (Bolero Filosófico), lançada em 2003 pelo autor, o DJ Dolores, a já citada Inominável, a sempre contundente Pavão Mysteriozo, hit máximo do cearense Ednardo, os clássicos de Tia Rita Lee Jardins da Babilônia e Corista de Rock, a tocante A Maçã, de Raul Seixas, e a envolvente Já Sei, de Itamar Assumpção. Sangue Latino e Mulher Barriguda, hits dos Secos & Molhados, surgem com novos e vibrantes arranjos roqueiros.

Bloco na Rua é a prova contundente de que Ney Matogrosso continua mais relevante do que nunca, mostrando que, como poucos, pode cantar os versos do grande Ednardo “não tenha minha donzela nossa sorte nessa guerra, eles são muitos mas não podem voar” sem medo de ser retrucado. Ele, pode, pelo menos em termos musicais e artísticos em geral.

Álcool (Bolero Filosófico)– Ney Matogrosso:

Alejandro Sanz e Juanes fazem um show conjunto via internet

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Por Fabian Chacur

Em tempos de corona vírus, o mundo dos espetáculos está vivendo tempos de muitas incertezas. Para dar conta de se manterem ativos, alguns artistas começam a apresentar saídas criativas. Os astros internacionais Alejandro Sanz e Juanes, por exemplo, tiveram de cancelar os shows que fariam no último final de semana em suas respectivas turnês. Ao invés de chorarem as pitangas, mostraram um caminho paliativo para atender os fãs.

A tour do espanhol Sanz se intitula La Gira (a turnê), enquanto a do colombiano Juanes leva o nome de Para Todos. Amigos de longa data, eles resolveram se reunir em um estúdio, acompanhados por cinco músicos- entre eles o consagrado pianista cubano Gonzalo Rubalcaba- e fazer um show conjunto. O evento foi transmitido via internet no último domingo (15), e teve participação do público em um chat. Eles denominaram, a performance El Gira Se Queda En Casa Para Todos (a turnê fica sendo em casa para todos).

Artistas como o britânico Yungblud e a dupla brasileira Kleiton & Kledir também prometem ações semelhantes em função dos cancelamentos de seus shows. Locais que abrigam shows fazem algo semelhante. A paulistana Audio Rebel, por exemplo, cancelou todos os shows programados para março, mas manterá (via agendamento) outras atividades do local, como ensaios, gravações e oficina de instrumentos (luthieria).

Veja a gravação do show de Alejandro Sanz e Juanes:

Keith Olsen, o cara que ajudou o Fleetwood Mac a achar seu rumo

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Por Fabian Chacur

Em dezembro de 1974, Mick Fleetwood, líder do Fleetwood Mac, estava perdidinho. Seu guitarrista e cantor, Bob Welch, havia acabado de sair da banda, justo no momento em que o time parecia caminhar para o sucesso comercial. Para sua sorte, surgiu na vida dele um certo Keith Olsen, que lhe abriria as portas para uma nova fase que tornaria o FM uma das bandas de maior sucesso da história do rock. Olsen nos deixou no último dia 9, aos 74 anos, vítima de um ataque cardíaco, mas deixou como herança um currículo dos mais respeitáveis.

Nascido em 12 de maio de 1945, Keith Olsen começou a sua carreira tocando baixo em bandas de folk e rock. Em 1966, entrou na The Music Machine, pioneira formação de garage rock que fez sucesso naquele mesmo ano com o matador single Talk Talk, com uma pegada que influenciaria o punk rock da década seguinte. Após sair do time, em 1967, integrou duas bandas efêmeras, The Millenium e Sagittarius, de pouco sucesso comercial.

As experiências como integrante de bandas o incentivaram a tentar uma outra atividade na área musical, a de engenheiro de som e produtor. Ele já havia trabalhado em um disco da James Gang quando conheceu um jovem e talentoso casal, Lindsey Buckingham e Stevie Nicks, que naquele 1973 atuavam como dupla. Entusiasmado com o talento deles, não só conseguiu atrair as atenções da gravadora Polydor, que os contratou, como de quebra foi o produtor e engenheiro de som de seu álbum de estreia, Buckingham Nicks (1973).

Embora seja excepcional em termos artísticos, o álbum obteve números decepcionantes em termos comerciais, o que deixou o casal roqueiro em uma situação muito difícil. O amigo Olsen, para ajudá-los, chegou a deixá-los morar em sua casa, e também contratou Nicks como empregada doméstica.

É nesse momento que ocorre o encontro entre Keith Olsen e Mick Fleetwood. Este último procurava um estúdio para a gravação de seu próximo álbum, e calhou de Olsen estar por lá. O produtor resolveu mostrar a qualidade do estúdio onde estavam, o hoje lendário Sound City, na Califórnia, tocando uma faixa de Buckingham Nicks. Após a audição, Fleetwood viu a oportunidade de resolver não um, mas três problemas ao mesmo tempo.

Além de definir o Sound City como o lugar onde gravaria seu novo LP, de quebra se interessou e muito pelo guitarrista daquele álbum, e pediu o contato dele para Olsen. Buckingham adorou o convite, mas impôs ao futuro patrão uma condição: sua esposa tinha de ir, também. Pedido aceito, surgia a formação que daria ao Fleetwood Mac fama mundial, com Nicks (vocal) e Buckingham (vocal e guitarra) se juntando a Fleetwood (bateria), John McVie (baixo) e sua então esposa Christine McVie (vocal e teclados).

Keith Olsen produziu Fleetwood Mac (1975), que levou a FM ao primeiro posto da parada ianque pela primeira vez em sua carreira e emplacou clássicos do rock como Rhiannon, Say You Love Me, Landslide, Monday Morning e Over My Head. Se a banda entrou para o primeiro time do rock, o produtor deste álbum também viu as portas da cena rocker se abrirem para ele.

A partir dali, Olsen foi o produtor ou coprodutor de álbuns que ajudaram outros artistas a alcançar o estrelato. O grupo Foreigner, por exemplo, estourou graças ao álbum Double Vision (1978), que traz os hits Hot Blooded e a faixa-título.

A excelente cantora e compositora americana Pat Benatar tornou-se uma estrela do rock graças aos álbuns Crimes Of Passion (1980) e Precious Time (1981), que atingiram respectivamente as posições de nº 2 e nº 1 no mercado americano e emplacaram hits certeiros do porte de Hit Me With Your Best Shot e Hell Is For Children, ambos produzidos por Olsen.

O maior hit da carreira do cantor, compositor e ator americano Rick Springfield, Jessie’s Girl, assim como o álbum no qual a canção está incluída, Working Class Dog (1981), está no currículo de Olsen, assim como Whitesnake (1987), álbum que emplacou de vez a banda de David Coverdale no mercado americano, atingindo o 2º posto na parada da Billboard.

Além desses trabalhos de grande sucesso, Keith Olsen também atuou em discos de artistas e grupos importantes como Scorpions (Crazy World-1980, o que inclui o megahit Winds Of Change), Ozzy Osbourne, Santana, Sammy Hagar, Heart, Kim Carnes, Emerson Lake & Palmer e Kingdom Come. A partir de 1996, Keith Olsen passou a trabalhar no desenvolvimento do surround sound na música para o selo Kore Group e outras empresas

Talk Talk– The Music Machine:

Curved Air e Renaissance tem shows adiados para agosto

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Por Fabian Chacur

Seguindo uma série de adiamentos de shows internacionais no Brasil, incluindo o Lollapalooza (previsto agora para dezembro, seria em abril) e Sammy Hagar (seria este mês, ainda sem nova data), desta vez é a turnê que reuniria os grupos britânicos Curved Air e Renaissance que teve de ser reescalonada. Segundo comunicado oficial da produtora Top Cat, os shows, que ocorreriam nos dias 19, 21 e 22 deste mês, não poderão ser realizados por causa da crise gerada pela pandemia mundial do corona vírus.

Felizmente, já temos novas datas confirmadas para as apresentações das históricas bandas de progressive folk. São elas 20 de agosto (São Paulo, no Espaço das Américas), 21 de agosto (Rio de Janeiro, Vivo Rio) e 22 de Agosto (Belo Horizonte, no Palácio das Artes).

O adiamento ocorreu por recomendação de órgãos superiores e em função da nota divulgada esta semana pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Será a segunda visita do Renaissance ao Brasil, e a primeira do Curved Air.

Leia mais sobre os shows e as bandas aqui.

Ashes Are Burning– Renaissance:

Elis Regina, 75 anos, uma utopia: o sonho mais lindo iremos sonhar

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Por Fabian Chacur

Nesta terça-feira (17), Elis Regina completará 75 anos. Três quartos de século, quem diria! Afinal de contas, ninguém se esquece do susto que o Brasil tomou naquele 19 de janeiro de 1982, quando a grande cantora foi internada às pressas, ficando em estado de coma durante diversas dolorosas semanas. Parecia o ponto final para alguém que, então, tinha apenas 36 anos. Mas não foi isso o que aconteceu. Tivemos um verdadeiro renascimento.

Tudo bem que a recuperação total da mãe de João Marcello, Maria Rita e Pedro demorou um período significativo, gerando insegurança por parte dos fãs, especialmente por ter se criado um mistério em torno das razões que levaram a artista gaúcha a quase nos deixar de forma tão prematura. Uns bons anos depois, foi revelado o fato de ela ter sido vítima de uma overdose, da qual escapou por um verdadeiro milagre, e pelo empenho dos médicos que a trataram.

Portanto, seu retorno aos palcos, ocorrido em 1985, poucos meses após ter completado 40 anos de idade, tornou-se rapidamente um dos grandes momentos daquele conturbado ano, no qual Tancredo Neves nos deixou antes mesmo de assumir a presidência da República. E surpreendeu a todos, pois foi um espetáculo totalmente intimista, no qual ela foi acompanhada apenas pelo piano de Ivan Lins e pelo violão de João Bosco, dois dos compositores que ajudou a lançar e de quem gravou canções antológicas.

Muito elogiados, aqueles shows geraram um álbum ao vivo, Os Sonhos Mais Lindos- Ao Vivo (1986), e deram início a uma nova fase na trajetória artística da nossa amada Pimentinha. Com a voz intacta e controlada de forma primorosa, Elis se mostrou mais disposta do que nunca a dar a volta por cima, e a partir daquele momento, a música voltou a predominar em sua agenda.

Desde então, a intérprete nos proporcionou momentos muito bacanas em termos artísticos. A ansiedade de lançamentos constantes a deixou, e cada nova turnê e disco de inéditas (ou projetos especiais) de Elis Regina tornava-se um evento, atraindo as atenções da mídia e do grande público.

Citada como influência pela maioria das novas cantoras, ela no entanto não se importou mais em ser uma campeã de vendas ou de ocupar os holofotes da fama o tempo todo, mantendo-se reservada e com entrevistas eventuais e sempre concedidas a jornalistas e apresentadores em que confiava bastante.

Desde sempre, Milton Nascimento diz que compõe suas canções pensando na voz de Elis Regina. Logo, pode-se dizer que até demorou o lançamento de Nada Será Como Antes (1995), álbum que reuniu composições inéditas do Bituca interpretadas pelos dois. Tipo do álbum que já saiu clássico, e que gerou uma série de shows pelo Brasil e também com inúmeras datas no exterior.

Embora tenha continuado fiel a compositores que gravou desde os anos 1960 e 1970, como o próprio Milton, Ivan Lins, João Bosco, Belchior e Tomas Roth, a estrela gaúcha também soube escolher canções oriundas de autores de gerações posteriores à sua, entre eles Lenine, possivelmente seu favorito. Afinal, em 1999 ela dedicou um álbum inteiro a suas composições, o brilhante Normal Só Tem Você e Eu, cujo título foi extraído de versos de sua melhor faixa, Acredite Ou Não, que contou com a participação do autor em dobradinha fantástica.

Elis também se mostrou muito feliz ao ver o envolvimento dos filhos com a música, todos bem-sucedidos e com sucesso comercial e de crítica. Lógico que também se criou a expectativa de algum trabalho que os reunisse, mas isso só ocorreu em 2015, quando a intérprete fez o show Como Nossos Pais e Filhos, depois registrado em CD e DVD no qual o clima entre ela, Maria Rita, João Marcello (que também se incumbiu da produção) e Pedro no palco foi simplesmente delicioso, com direito a uma surpreendente releitura de Pais e Filhos, da Legião Urbana como momento mais emocionante.

Desde o fim daquela consagradora turnê, que durou quase dois anos e se encerrou em 2017, Elis deu sua habitual saída de cena. Não há informações sobre algum evento (show, álbum ou coisa que o valha) para celebrar seus 75 anos, e quem sabe ela, desta vez, prefira soprar as velinhas ao lado dos filhos e dos netos, além dos amigos, discos e livros, e nada mais.

Casa no Campo (ao vivo)- Pedro Mariano e Elis Regina:

Arnaldo Brandão relembra seus tempos de Londres em videoclipe

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Por Fabian Chacur

Um clipe e uma canção podem nos levar para recantos distantes de nossas capacidades sensoriais habituais. Esse é o dom evidente de Luciana In The Sky, nova gravação solo do lendário Arnaldo Brandão, canção escrita em parceria com o feríssima Tavinho Paes na qual eles recriam de maneira divertida e evocativa tempos vividos na Londres de 1973, mesclando cenas atuais do roqueiro em estúdio com registros da época em super 8 nos quais ele aparece com Claudia O’Reilly e outros amigos.

Incumbindo-se com a classe habitual de vocal, violão, guitarra e piano, Arnaldo é acompanhado nesta gravação por Lourenço Monteiro (bateria), Flavia Couri (baixo), Alberto Mattos (piano e acordeon) e Robson Riva (percussões). O clima é de psicodelia pura, com bem digeridos ecos da criação dos Beatles na fase 1966/1967. As cenas trazem até uma rápida passagem da capa do icônico Aladdin Sane, clássico LP de David Bowie lançado naquele 1973.

Com 68 anos de idade e nascido no Rio de Janeiro em 2 de dezembro de 1951, Arnaldo Brandão começou a se tornar conhecido na cena musical integrando o grupo The Bubbles, que depois virou A Bolha. Após alguns anos morando em Londres, ele tocou (só para citar dois nomes básicos) com Raul Seixas e Caetano Veloso em momentos seminais de suas trajetórias nos anos 1970 e 1980.

Depois, alçou voos autorais em projetos como o Brylho (do megahit Noite do Prazer, da qual é um dos autores) e o Hanói-Hanói, de sucessos como Totalmente Demais e tantos outros. Cantor, compositor, multiinstrumentista, é além disso tudo uma figura de uma simpatia adorável. Que essa faixa seja a amostra de muitas coisas boas a surgirem com a sua assinatura nos próximos tempos.

Luciana In The Sky (clipe)- Arnaldo Brandão:

Duo Aduar lança seu sublime álbum com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Sublime. Essa palavra resume minha opinião acerca de Riachinho das Pedras, álbum de estreia do Duo Aduar e também de um novo selo discográfico, o Lobo Kuarup, fruto de parceria entre o consagrado violeiro mineiro Chico Lobo e a gravadora Kuarup. O álbum será lançado em luxuoso formato CD em São Paulo com pocket show nesta sexta (13) às 19h na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (avenida Paulista, nº 2.073- Cerqueira César- fone 0xx11-3170-4062), com entrada gratuita.

Gabriel Guedez (violão e voz) e Thobias Jacó (viola e voz) deram início ao Duo Aduar em 2017, pouco depois de se conhecerem nas escadarias da escola de música da Universidade Federal de São João Del Rei, histórica cidade mineira. Não demorou para que se tornassem figurinhas carimbadas nos principais festivais de música realizados pelo Brasil afora, tendo conquistado o primeiro lugar em sete edições dos mesmos. Merecidamente.

Seu trabalho de estreia traz oito músicas, sendo seis autorais e duas releituras, a lírica Matança, de Augusto Jatobá, e a icônica A Vida do Viajante (Hervê Cordovil e Luiz Gonzaga), que se encaixa feito luva no espírito estradeiro da dupla.

Valendo-se apenas de suas vozes e de violão e viola, o Duo Aduar construiu tapeçarias sonoras envolventes e de uma doçura mágica. Nas letras, trazem belíssimas e cada vez mais necessárias mensagens ecológicas, protestando de forma incisiva contra a devastação da natureza em nosso país sem, no entanto, jamais perder a ternura. As vocalizações merecem um capítulo à parte, de tão perfeitas, tocantes e bem concatenadas.

A audição do álbum é prazerosa demais, ganhando o ouvinte logo de primeira e tornando-se viciante a partir da segunda. O Silêncio do Rio, Terra Nossa, Sentinela, Riachinho das Pedras, Índia Tuíra e De Que Depende o Perdão? formam, ao lado dos dois covers, um conjunto conciso e tocante de melodias inspiradas na música rural brasileira com muita inspiração e originalidade.

Em tempos tão áridos como os que vivemos atualmente, a audição deste álbum equivale a uma forma encantadora de instigar a consciência das pessoas em torno da importância que a natureza tem para que possamos permanecer vivos de forma saudável e encantadora. Que seja apenas o marcante início de uma bela trajetória desse incrível Duo Aduar.

Veja o clipe de Riachinho das Pedras, do Duo Aduar:

Alexandre Arez interpreta canções românticas em SP

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Por Fabian Chacur

Há cerca de duas décadas na estrada, o cantor e compositor Alexandre Arez tem como marca registrada a categoria ao interpretar canções românticas. Nesse universo sonoro, uma de suas vertentes favoritas é o bolero. E é exatamente este passional gênero musical o tema básico do show que ele proporcionará ao público paulistano nesta sexta-feira (13) às 21h no Paris 6 Burlesque Music Hall (rua Augusta, nº 2.809- Jardins- fone 0xx11-3086-0009), com ingressos ao preço único de R$ 90,00.

Acompanhado por Erick Pontes (violão e guitarra), Marcelo Góis (baixo), Lucas Serra (teclados) e Lukas Felli (bateria), Arez nos apresentará clássicos eternos como Solamente Una Vez, Besame Mucho, Negue, El Dia Que Me Quieras, Sabor a Mi, Jurame e Perfidia, além das autorais Mi Bolero Favorito e Sem Juízo.

Leia mais sobre Alexandre Arez aqui.

Jurame / Sabor a Mi / Perfidia – Alexandre Arez:

Vanguart mostra novas músicas e seus hits com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Lá pelos idos de 2003, surgiu em Cuiabá, Mato Grosso, o embrião do que viria a ser o Vanguart. Desde então, muita água passou por debaixo das pontes do Brasil e do mundo, mas o grupo de folk-rock permanece firme e forte. Lógico que com muitas idas e vindas, nesses anos todos. Com duas músicas novas, eles farão um show em São Paulo no dia 15 (domingo) às 19h na Casa Natura Musical (rua Artur de Azevedo, nº 2.134- Pinheiros- fone 0xx11-3031-4143), com ingressos de R$ 30,00 a R$ 120,00.

O Vanguart atualmente é um trio, que traz o seu fundador, Helio Flanders (voz, piano e trompete), seu fiel escudeiro desde o início Reginaldo Lincoln (baixo e vocal) e Fernanda Kostchak (violino), que se incorporou ao time feito uma luva a partir de 2011. No show deste domingo, complementarão a escalação Kezo Nogueira (bateria), Pedro Pelotas (teclados) e Fabricio Ganbogi (guitarra).

O repertório traz como principais atrativos duas canções inéditas em álbuns da banda. Uma é a deliciosa e singela Sente, disponibilizada na internet em dezembro de 2019 e com um clipe muito legal gravado na rua 25 de Março, em São Paulo, agitado centro do comércio popular na cidade. A outra, O Amor é Assim, só entrará nas plataformas digitais no próximo dia 20, sendo assim apresentada ao público deste show em primeira mão.

Lógico que músicas do mais recente álbum de estúdio de inéditas da banda, Beijo Estranho (2017), e de seu projeto especial Vanguart Sings Bob Dylan (2019), dedicado aos clássicos do astro americano que tanto os influenciou, também estarão no repertório do espetáculo, assim como outros hits bacanas.

Sente (videoclipe)- Vanguart:

Feito Gente reúne remasters de dois álbuns de Walter Franco

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Por Fabian Chacur

O genial Walter Franco infelizmente nos deixou em outubro de 2019 (leia mais sobre ele aqui). Como forma de resgatar momentos importante de sua carreira, a Warner Music Brasil lança nesta sexta (6) o álbum duplo Feito Gente, curiosamente disponibilizado apenas no formato físico, mais precisamente CD, algo atípico nos tempos do streaming.

Em versões remasterizadas, Tudo Bem traz o conteúdo na íntegra de dois dos mais importantes e influentes álbuns do cantor, compositor e músico paulistano que teria completado 75 anos de idade no último dia 6 de janeiro. São eles Ou Não (1973, o famoso disco da capa branca com uma mosca) e Revolver (1975).

São dois trabalhos envolventes, mesclando com total desenvoltura rock de vários teores, música experimental e ritmos brasileiros, com direito a letras concisas e profundas. Tudo isso amarrado pela voz inconfundível do artista. Cabeça, Revolver, Feito Gente e Me Deixe Mudo são alguns dos pontos altos desses discos cujo termo seminais é o mais adequado para defini-los.

Eis o conteúdo de Feito Gente:

CD 1

Feito Gente
Eternamente
Mamãe D’agua
Partir Do Alto/Animal Sentimental
Pensamento
Toque Frágil
Nothing
Arte E Manha
Apesar De Tudo É Leve
Cachorro Babucho
Bumbo Do Mundo
Pirâmides
Cena Maravilhosa
Revolver

CD 2

Mixturação
Água E Sal
No Fundo Do Poço
Pátio Dos Loucos
Flexa
Me Deixe Mudo
Xaxados E Perdidos
Doido De Fazê-Lo
Vão De Boca
Cabeça

Ouça o álbum Revolver em streaming:

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