Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Titãs fazem show no Rio com músicas do CD Acústico MTV

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Por Fabian Chacur

E então, agora somos três. Parafraseando de certa forma o título do álbum And Them There Were Three (1978), do Genesis, os Titãs, que já tiveram oito integrantes, atualmente são um trio. E é essa trinca remanescente que está celebrando os 22 anos do lançamento de seu álbum comercialmente mais bem-sucedido, Acústico MTV (1997), com uma série de shows que passa pelo Rio de Janeiro nesta sexta (14) no Teatro VillageMall (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160 do Shopping VillageMall- Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100, com ingressos de R$ 50,00 a R$ 200,00.

Sérgio Britto, Toni Bellotto e Branco Mello, a atuação encarnação da banda paulistana que está há quase quatro décadas na estrada, darão uma geral no repertório de seu CD mais famoso, sem o acompanhamento orquestral e sem a montoeira de músicos de apoio daquela época. Desta vez, a coisa será bem mais intimista, em um espaço que comporta no máximo 1.000 pessoas. No repertório, musicas daquele trabalho, como Pra Dizer Adeus, e outras posteriores que se encaixam nesse espírito, como Epitáfio e Isso.

Esse show ocorre enquanto duas outras turnês do trio estão sendo preparadas. Uma comportará a execução, na íntegra, das músicas contidas no mais recente lançamento dos Titãs, o CD-DVD Doze Flores Amarelas, uma ambiciosa ópera-rock, cujo roteiro terá como palco teatros. A outra tour, intitulada Enquanto Houver Sol, mesclará músicas do novo disco com os clássicos desses anos todos. Em ambas, teremos a participação de músicos de apoio.

Pra Dizer Adeus (ao vivo)- Titãs:

Marillion tem relançado o seu álbum Clutching At Straws

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Por Fabian Chacur

Os anos 1980 presenciaram alguns revivals em termos estilísticos, no universo do rock. Um deles foi o neoprogressivo, no qual algumas bandas, especialmente britânicas, reliam com uma pegada um pouco mais concisa e pop o rock progressivo da década de 1970. O Marillion foi quem conseguiu o melhor resultado comercial entre elas. Em seus anos iniciais, sua sonoridade era comparada de forma insistente à fase do Genesis com Peter Gabriel.

Ainda na ativa, embora sem a mesma popularidade, eles celebram 40 anos de estrada com o relançamento pela Warner de seu quarto álbum, Clutching At Straws, em duas versões, uma simples, que chegará ao mercado brasileiras no formato CD, e outra Deluxe, disponível apenas nas plataformas digitais por aqui.

Lançado originalmente em 1987, Clutching At Straws é um marco na discografia deste grupo britânico surgido em 1979 por ter sido o último trabalho de estúdio com a presença do carismático vocalista Fish, que sairia do time no final de 1988 rumo a uma carreira-solo, substituído por Steve Hogart.

Este trabalho atingiu o segundo lugar na parada britânica, impulsionado por três ótimas faixas: o rockão Incommunicado, cujo riff é bem semelhante ao de Fé Cega Faca Amolada (clássico do repertório de Milton Nascimento), a cativante balada rock Sugar Mice e a envolvente Warm Wet Circles.

A edição em CD simples brasileira traz a versão remasterizada e remixada do álbum original, trabalho feito por Andy Bradfield e Avril Mackintosh. A Deluxe Edition inclui CDs adicionais com gravações de um show realizado na Escócia, no Edinburgh Playhouse, em dezembro de 1987 e demos de faixas do álbum. Temos também um Blu-ray contendo um documentário de 60 minutos de duração com entrevistas sobre o álbum e os clipes das três faixas citadas acima.

Eis as faixas de Clutching At Straws: Deluxe Edition:

Disco um: 2018 Andy Bradfield & Avril Mackintosh Re-mix (versões digital e física)

Hotel Hobbies
Warm Wet Circles
That Time of the Night (The Short Straw)
Going Under (Alternate Version)
Just or the Record
White Russian
Incommunicado
Torch Song
Slàinte Mhath
Sugar Mice
The Last Straw
Happy Ending

Disco dois: Live at the Edinburgh Playhouse 1987 (2018 Michael Hunter Mix) (apenas versão digital)

La Gazza Ladra
Slàinte Mhath
“Assassing”
White Russian
Incubus
Sugar Mice
Fugazi
Hotel Hobbies
Warm Wet Circles
That Time of the Night (The Short Straw)

Disco três: Live at the Edinburgh Playhouse 1987 (2018 Michael Hunter Mix) (apenas versão digital)

Pseudo Silk Kimono (Intro)
Kayleigh
Lavender
Bitter Suite
Heart of Lothian
The Last Straw
Incommunicado
Garden Party
Market Square Heroes (incompleta, com trechos de My Generation, Margaret e Let’s Twist Again)

Disco quatro: 1999 Remaster Demos (apenas versão digital)

Beaujolais Day (Demo)
Story From A Thin Wall (Demo)
Shadows On The Barley (Demo)
Exile On Princes Street (Demo)
Sunset Hill (Demo)
Tic-Tac-Toe (Demo)
Voice In The Crowd (Demo)
White Russians (Demo)
Sugar Mice In The Rain (Demo)
Hotel Hobbies/ Warm Wet Circles (The Mosaic Demos)*
“Just for the Record” (Demo)*
“Torch Song” (Demo)*
“Slàinte Mhath” (Demo)*
*= nunca lançadas anteriormente

Ouça a nova versão de Clutching At Straws:

Maria Alcina mostra sua marca musical em dois lançamentos

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Por Fabian Chacur

Maria Alcina tornou-se conhecida do grande público em 1972, ao interpretar de forma única e energética a música Fio Maravilha (de Jorge Ben Jor) no Festival Internacional da Canção. O Maracanãzinho ficou pequeno para aquele verdadeiro tsunami interpretativo. Desde então, a artista viveu altos e baixos em sua carreira. Ao completar 70 anos, ela se vê em um momento efervescente, como provam dois lançamentos de CDs promovidos pela Kuarup. São eles os elogiáveis Maria Alcina In Concert e Canta Inezita.

Esta cantora nascida em Cataguases (MG) impressionou desde o começo por uma voz de timbre grave e potente. Vivíamos a descoberta do glam rock, e um período no qual termos como unissex e andrógino passaram a integrar o dia-a-dia de todos. Com sua incrível capacidade expressiva e presença de palco, Alcina enveredou por alguns rumos interessantes, em termos musicais.

Além da musicalidade de Jorge Ben Jor, ela mergulhou de cabeça no resgate de clássicos antigos da música brasileira, como Alô Alô e Chica Chica Boom Chic, como se fosse uma Carmen Miranda dos novos tempos. Também levou às paradas de sucesso a endiabrada Kid Cavaquinho, de João Bosco e Aldyr Blanc.

Um lado irreverente e debochado surgiu especialmente durante os anos 1980, com canções de duplo sentido como Prenda o Tadeu e Bacurinha. Por ser uma figura difícil de ser rotulada, ela ficou durante uns bons períodos distante dos holofotes da mídia, aparecendo apenas eventualmente em programas popularescos de TV e sem ter o seu talento musical como tema.

Na década passada, foi resgatada no cenário independente e mostrou um lado pop dançante ao lado do grupo Bojo. Agora, chega a vez de dar uma geral em sua carreira, e o álbum Maria Alcina In Concert não poderia ser mais adequado. Especialmente pelo fato de unir a artista à orquestra Pops Symphonic Band, comandada pelo maestro Ederlei Lirussi e cujo objetivo é ultrapassar as barreiras entre a música erudita e a popular. A combinação não podia ter dado mais certo.

Gravado ao vivo em São Paulo no dia 25 de janeiro deste ano, o trabalho equivale a uma viagem pelo universo musical de Maria Alcina, com canções bastante representativas de sua capacidade interpretativa, como A Voz da Noite, Eu Sou Alcina (de Zeca Baleiro), Kid Cavaquinho, Tome Polca, Alô Alô, Bacurinha e o final apoteótico com dois petardos do Ben Jor, Camisa 10 da Gávea e Fio Maravilha.

Canta Inezita é uma bela homenagem à saudosa cantora, compositora, atriz, violonista, apresentadora de TV, professora e folclorista Inezita Barroso (1925-2015), uma das figuras mais importantes da história da cultura popular brasileira. Alcina, cujo timbre vocal é muito semelhante ao da homenageada, participa do álbum ao lado de Consuelo de Paula, Claudio Lacerda e As Galvão, em show gravado ao vivo em Santo André em agosto de 2018.

O repertório traz 15 músicas do universo musical de Inezita, como as icônicas Marvada Pinga, Lampião de Gás, Cuitelinho, Ronda (clássico de Paulo Vanzolini cuja primeira gravação foi da apresentadora do extinto programa televisivo Viola Minha Viola) e De Papo Pro Ar. Com ótimos músicos dirigidos por Paulo Serau, o destaque fica com a atuação impecável das Galvão, marcos da música rural brasileira. Alcina brilha, especialmente na impagável Marvada Pinga.

Esses dois belos projetos tem outra pessoa em comum, o produtor Thiago Marques Luiz (leia entrevista com ele aqui), que com sua sensibilidade e competência ajuda a resgatar grandes nomes da nossa música, vários deles esquecidos injustamente. Seu trabalho, só para variar, se mostra impecável.

Só faço uma única ressalva aos dois CDs, que possuem capas e encartes belíssimos, em embalagens digipack: a ausência de textos informativos sobre Alcina e Inezita, algo que o próprio Thiago poderia ter feito com grande propriedade. De resto, só elogios. Dois álbuns que merecem lugar nobre nas coleções dos fãs do melhor da nossa música popular.

Ouça Canta Inezita na íntegra:

Andre Matos, o garoto que realizou um sonho impossível

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Por Fabian Chacur

Andre Matos era uma garoto que tinha um sonho impossível: tornar-se um astro do heavy metal. Isso, cantando em inglês e sendo brasileiro, em plenos anos 1980. Não tinha como dar certo. Mas deu! O cantor, compositor e músico paulistano viu seu trabalho ultrapassar fronteiras, conquistar fãs no mundo todo e virar uma referência no gênero musical ao qual se dedicou. Ele infelizmente nos deixou de forma precoce neste sábado (6), aos 47 anos de idade, mas teve uma vida incrível. E tornou real o tal do sonho impossível.

Andre nasceu em São Paulo em 14 de setembro de 1971, nativo de Virgem. E suas características tinham tudo a ver com este signo do zodíaco. Era um cara perfeccionista, articulado, que lutava intensamente pela realização de seus objetivos. Ainda moleque, juntou-se aos irmãos Yves e Pit Passarel para criar um grupo de heavy metal. O Viper surgiu em 1985, incentivado pela primeira edição do Rock in Rio e também pelo crescimento de uma cena headbanger paulistana.

Naquela São Paulo de 1985, projetos como o SP Metal e a revista Rock Brigade ajudavam a incentivar o surgimento de bandas de rock pesado na cidade. A publicação criada por Toninho Pirani resolveu criar um selo para lançar algumas daquelas bandas. E os literalmente moleques do Viper foram agraciados com um contrato com a Rock Brigade Records, pela qual lançaram em 1987 seu álbum de estreia, Soldiers Of Sunrise (1987), seguido por Theatre Of Fate (1989).

Com esses dois discos, o Viper mostrou competência ao digerir influências de Iron Maiden, Helloween e outras bandas importantes daquele período. Com uma voz potente, Andre aos poucos ganhou protagonismo no heavy metal brasileiro. Ao iniciar os estudos musicais, sentiu que era hora de partir para novos rumos, e deixou a sua primeira banda. Em 1991, criou um novo time, o Angra, com exímios músicos, especialmente os guitarristas Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro.

Angels Cry (1993), o álbum de estreia do quinteto, mostrou um som ainda mais elaborado e consistente, com direito até mesmo a um ousado cover de Wuthering Heights, primeiro sucesso da cantora britânica Kate Bush. Mas o melhor, mesmo, viria com Holy Land (1996), ambicioso álbum que misturou de forma criativa e elaborada heavy rock, música erudita e elementos oriundos da música brasileira, com resultado que os levou ainda mais longe.

Se com o Viper Andre já havia iniciado uma boa repercussão fora do Brasil, especialmnente na Ásia, com o Angra essa peregrinação roqueira foi ainda além, com o disco conquistando elogios também na Europa e EUA. Nesse período, ele quase chega a um posto inacreditável: ser vocalista do Iron Maiden. Com a saída de Bruce Dickinson, a vaga ficou em aberto, e ele esteve na boca de conquistá-la. O “cargo” ficou, no fim das contas, com o britânico Blaze Bayley, mas nosso cantor saiu vitorioso, pois dessa forma teve a chance de dar prosseguimento em uma carreira autoral que vinha muito bem.

Problemas de relacionamento tiraram Andre e também Ricardo Confessori e Luis Mariutti do Angra em 2000. No ano seguinte, eles, aliados ao irmão de Luis, Hugo, criaram um novo time. Surgia o Shaman, que em 2002 lançou seu álbum de estreia, Ritual, pela Universal Music. A música Fairy Tale os levou à trilha sonora da novela global O Beijo do Vampiro, algo impensável para uma banda de heavy brazuca. Outra façanha na conta de Matos.

Com a separação da formação original do Shaman em 2006, Andre investiu em uma carreira solo que rendeu os álbuns Time To Be Free (2007), Mentalize (2009) e The Turn Of The Light (2012). E foi na época em que ele lançou este último que tivemos o reencontro entre ele e os antigos amigos do Viper. A nova parceria teve como ápice a participação deles no Rock in Rio em 2013, justo o festival que, naquele agora longínquo 1985, os incentivou a ir à luta.

Além dessas três bandas icônicas, Andre Matos marcou presença em diversos outros projetos, entre os quais o Virgo, com o produtor alemão Sascha Paeth, o Avantasia do também alemão Tobias Sammet. E foi em uma participação em um show deste último no domingo (2) no Espaço das Américas que ele subiu em um palco pela última vez. Ele vinha se dedicando a uma turnê de reunião do Shaman cujo início havia ocorrido em 2018. Ainda tinha muita coisa para rolar na vida dele. Uma pena. Mas quantos sonhos o cara concretizou, heim?

Nesses anos todos, tive a oportunidade de entrevistar Andre Matos em diversas ocasiões. Em todas elas, presenciei um cara extremamente educado, simpático e articulado, que demonstrava segurança em relação a seus objetivos. O último contato ocorreu em 2013, em entrevista ao lado dos amigos do Viper, um delicioso encontro entre garotos que sonharam juntos e viram esses objetivos se tornarem realidade, um a um. Sentirei muita falta dele, podem ter certeza. E me sinto honrado de ter meu nome nos agradecimentos incluídos no encarte do álbum Holy Land. Ainda mais em um álbum com aquele porte. Gratidão eterna!

Ouça Holy Land, do Angra, na íntegra:

Serguei foi acima de tudo um belo personagem do rock brasileiro

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Por Fabian Chacur

Se pedirem para mim um nome que equivalha a um verdadeiro sinônimo de rock no Brasil, o primeiro que me vem à mente é o de Serguei. Não necessariamente pela qualidade de sua obra, ou pela potência de sua voz, ou mesmo por suas performances ao vivo. Mas pela personificação do espírito libertário desse gênero musical que muitos dão como morto, mas que muitos outros continuam e continuarão cultuando para sempre e sempre. Essa figura fascinante infelizmente nos deixou nesta sexta-feira (7), aos incríveis 85 anos, mas seu legado é precioso. E o melhor de tudo: ele teve a chance de saber o tamanho do amor que tínhamos por ele. Menos mal.

Já escrevi bastante e recentemente por aqui sobre Sergio Augusto Bustamante, esse carioca nascido no dia 8 de novembro de 1933. Em dezembro de 2018, por exemplo, resenhei o excelente documentário Serguei, O Último Psicodélico (2017), um belo registro exibido pelo Canal Brasil sobre a sua inusitada e incrível carreira no mundo do rock and roll (leia aqui ).

Também resenhei, em 2010, o que acabou se tornando o seu último CD, o divertido e muito competente Bom Selvagem (leia a resenha aqui). A entrega desse cara era uma coisa impressionante, mesmo que não fosse o mais afinado cantor do mundo. Mas melhor ele do que muitos afinadinhos que soam como robôs insossos e efêmeros, concordam?

Serguei foi surpreendente até pelo fato de ter vivido tanto. Roqueiros com o seu perfil frequentemente nos deixaram muito cedo, vide a sua amada Janis Joplin, com apenas 27, ou mesmo o influenciado por ele Cazuza, com apenas 32 anos. Pode-se dizer que ele nasceu antes mesmo do gênero que tão bem ajudou a cultuar e divulgar. Uma grande perda, que todo roqueiro de alma lamentará!

Eu Sou Psicodélico– Serguei:

Dr. John, o cara que eu descobri com o hit Right Place Wrong Time

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Por Fabian Chacur

Conheci esse tal de Dr. John quando tinha meus 12 anos de idade, mais precisamente ao ouvir o compacto simples de vinil Right Place Wrong Time, um funk de verdade irresistível que me ganhou logo de cara. Cansei de tocar aquele disco! No entanto, fiquei durante muitos anos sem pensar nele novamente, até que, em 1989, a rádio Eldorado passou a tocar de forma constante um delicioso dueto feito por ele com a cantora Rickie Lee Jones, Makin’ Whoopee (ouça aqui ). Estas são as referências para mim desse gênio da música, que nos deixou nesta quinta (6) aos 77 anos. Uma perda lastimável!

Malcolm John Rebennack, nome de batismo deste cantor, compositor e músico (principalmente pianista) americano, nasceu em 20 de novembro de 1941. Foi desses talentos precoces, pois logo aos 16 anos já era profissional, atuando como músico de estúdio. Gravou seu primeiro disco solo, o elogiado Gris-Gris, em 1968, e desde esse início mostrava que não era um cara comum.

Sua mistura de soul, funk, psicodelia, jazz, blues e o que mais pintasse não demorou a se tornar influente, com um balanço típico do som feito na cidade de New Orleans, uma das mais musicais dos EUA e por consequência, do mundo.

Em 1972, o cara resolveu homenagear a música daquela capital da música com o álbum Dr. John’s Gumbo, composto basicamente por clássicos da música de New Orleans. Um discaço, do qual despontou Iko Iko, uma das coisas mais contagiantes jamais gravadas por alguém (ouça aqui). Aqui, sua voz rouca de timbre envolvente dá as cartas.

Seu momento de maior visibilidade em termos comerciais se deu em 1973, quando chegou às lojas o álbum In The Right Place. Com produção a cargo de outro mestre da música de New Orleans, o saudoso e genial Allen Toussaint, e acompanhamento instrumental da matadora banda The Meters, não tinha como dar errado. É exatamente daqui que saiu o hit Right Place Wrong Time, que no formato single atingiu o posto de nº 9 nos EUA. O álbum chegou ao 24º lugar.

O álbum In a Sentimental Mood (1989) traz sua intenção logo no título, e teve em Makin’ Whoopee sua faixa de maior destaque. A presença da incrível cantora, compositora e musicista Rickie Lee Jones por aqui não foi por acaso: Dr. John teve participação destacada no álbum de estreia da moça em 1979, um dos melhores do rock americano daquele período.

Momentos importantes na carreira desse gênio poderiam ser relembrados aos borbotões. Vou me resumir a alguns deles: ganhou seis Grammys, o Oscar da música, integra o Rock and Roll Hall Of Fame desde 2011 e participou da primeira formação da All Starr Band, de Ringo Starr, liderada pelo ex-beatle e na qual esteve ao lado de Levon Helm e Rick Danko (ambos do The Band), Nills Loefgren, Jim Keltner, Joe Walsh (dos Eagles), Billy Preston e Clarence Clemmons. Ah, e ele também tocou na releitura do hit pop Mockinbird (ouça aqui) feita por James Taylor e Carly Simon nos anos 1970.

Que tal essa ligeira amostra? Descanse em paz, The Night Trippers!

Right Place Wrong Time– Dr. John:

História Secreta do Pop Brasileiro estreia em 17 de junho em Sampa

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Por Fabian Chacur

O mundo musical brasileiro possui inúmeros personagens que, mesmo tendo obtido enorme sucesso comercial, foram relegados ao esquecimento. Pior: são praticamente ignorados pela mídia, exceto por alguns abnegados jornalistas, radialista e pesquisadores musicais. Pois a ideia de História Secreta do Pop Brasileiro, série produzida e dirigida pelo jornalista André Barcinski, é precisamente dar a inúmeras dessas figuraças do pop feito no Brasil nos anos 1970 e 1980 o devido destaque. A estreia dessa incrível produção será no dia 17 (segunda-feira) às 21 no Cinesesc, em São Paulo (saiba mais detalhes no serviço desta matéria).

Obs.: a série também será exibida no canal a cabo Music Box Brazil, ainda em data a ser devidamente divulgada, segundo informação da assessoria de imprensa da Kuarup.

São oito episódios temáticos, durante os quais figuras impagáveis e repletas de histórias incríveis como Mister Sam, Gilliard, Dudu França, Paulo Massadas e inúmeros outros nos mostrarão um panorama desses anos todos. Brasileiros se fingindo de gringos e gravando em inglês, astros sendo produzidos de forma pitoresca, apresentadoras de TV virando cantoras na marra, o que não falta é fato pitoresco nessa parada. A pesquisa ficou por conta do saudoso jornalista Paulo Cavalcanti (saiba mais sobre ele aqui), um craque nessa área.

O projeto marca a entrada da conceituada gravadora e editora Kuarup nos projetos audiovisuais, e também inclui uma trilha sonora gravada especialmente para este projeto. O produtor escalado foi o competente e experiente Helio Costa Manso, integrante da banda Sunday, uma das melhores do pop brasileiro em inglês, e que trabalhou nas gravadoras RGE e Som Livre. A relação completa das gravações você também encontra a seguir, e reúne feras como Dudu França, Marcos Ficarelli, os Pholhas e o próprio Sunday.

EPISÓDIOS:

1 – Os Clones
Conheça a história dos clones brasileiros de Trini Lopez, Dee D. Jackson e Genghis Khan.

2 – Falsos Gringos
Nos anos 70, o pop brasileiro foi invadido por cantores estrangeiros de fachada, como Morris Albert, Mark Davis, Terry Winter (inglês radicado no Brasil), Dave Maclean, Paul Denver, Chrystian e muitos outros.

3 – Os Carbonos
A curiosa história de um grupo paulistano que gravou como banda de apoio, segundo cálculos, cerca de 50 mil músicas em 30 anos de carreira, incluindo hits como Fuscão Preto, É o Amor, Feelings e Domingo Feliz.

4 – Discos-Fantasmas
Nos anos 70, as lojas de discos passaram a vender milhares de LPs de covers, a maioria sem créditos de músicos. A série vai revelar as histórias envolvendo alguns desses LPs.

5 – Cantores de Estúdio
A história fantástica dos vocalistas de apoio que formaram o coral mais atuante da música brasileira, participando de discos de Gilberto Gil, Raul Seixas, Rita Lee, Zé Rodrix, Gretchen, Sidney Magal, Tim Maia e centenas de outros.

6 – A Explosão da Música Infantil
Quem foram os produtores e compositores responsáveis pela explosão da música infantil de Xuxa, Bozo, Trem da Alegria, A Turma do Balão Mágico e outros ícones da criançada? A resposta está neste episódio.

7 – Os Bailes
A maior escola do pop brasileiro. A série vai contar a história das bandas de baile no Brasil, de pioneiros como Tony Campello, nos anos 50, às domingueiras de clubes paulistanos no fim dos anos 60, que revelaram Sunday, Memphis, Kompha e Watt 69, entre outros.

8 – Mister Sam
Um perfil do genial Santiago Malnati, o argentino que revolucionou o pop brasileiro ao lançar Gretchen, Nahim, Lady Lu e Black Juniors, e também se tornou um dos grandes DJs da noite paulistana.

Lançamento História Secreta do Pop Brasileiro no 11º. In-Edit Brasil
Evento inicial – 17 de junho (segunda-feira), às 21h.
Local – Cinesesc (Rua Augusta, 2075, em São Paulo-SP)
Exibição seguida por debate com o diretor André Barcinski e o produtor musical Hélio Costa Manso

2º. Evento – Exibição da Série História Secreta do Pop no Cine Olido
Data – 22 de junho (sábado), às 15h e às 17h
Local – Cine Olido – Av. São João, 473 – Centro Histórico de São Paulo.
Às 19h haverá um show com a banda Sunday, chamado “Hits Again e A História Secreta do Pop Brasileiro”, com hits do repertório da série.

Evento Extra – Exibição da Série História Secreta do Pop na Cinemateca
Data – 23 de junho (domingo), às 18h e às 20h
Local – Cinemateca -Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino – 04021-070. Os episódios de 1 a 4 serão exibidos na sessão das 18H e às 20H serão exibidos os episódios de 5 a 8.

Conheça as músicas da trilha:

FEELINGS
Intérprete: Dudu França e Sunday

TELL ME ONCE AGAIN
Intérprete: Pholhas

SUMMER HOLIDAY
Intérprete: Paul Denver e Sunday

HANG ON SLOOPY
Intérprete: Ficarelli (Loupha) Sunday

I’M GONNA GET MARRIED
Intérprete: Sunday

LISTEN TO THE MUSIC
Intérprete: Dave Maclean e Sunday

MY MISTAKE
Intérprete: Pholhas

RAIN AND MEMORIES
Intérprete: Paul Denver e Sunday

SHE MADE ME CRY
Intérprete: Pholhas

VENUS
Intérprete: Sunday

WE SAID GOODBYE
Intérprete: Dave Maclean e Sunday

YOU REALLY GOT ME
Intérprete: Ficarelli (Loupha) e Sunday

MY PLEDGE OF LOVE
Intérprete: Dudu França e Sunday

O MENINO DA PORTEIRA
Intérprete: Diego Jimenez e Coro

LA BARCA
Intérprete: Diego Jimenez e Coro

NÃO SE VÁ (TU T’EN VAS)
Intérprete: Diego Jimenez e Coro

Veja o trailer de História Secreta do Pop Brasileiro:

Odair José solta o verbo em mais um belo álbum roqueiro e rebelde

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Por Fabian Chacur

Em 2015, com o álbum Dia 16 (leia a resenha de Mondo Pop aqui), Odair José iniciou uma trilogia roqueira que prosseguiu em 2016 com Gatos e Ratos (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Agora, chega a vez de Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio, outro trabalho vigoroso, criativo e com uma assinatura forte e própria. Coisa fina! Uma profissão de fé no nosso velho e bom rock and roll feita no capricho e com letras rebeldes e incisivas.

Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio impressiona bem a partir da embalagem digipack do CD, com direito a encarte caprichado e visual com arte a cargo de Roger Marx que traz desenhos ilustrando a temática das letras. A produção incrível em termos visuais e sonoros conseguiu ser viabilizada graças ao apoio do Proac (programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo), com distribuição a cargo do ótimo selo goiano Monstro Discos, um dos mais ativos do indie rock brasileiro. Aliás, muito legal essa parceria entre eles e um dos mais importantes artistas goianos de todos os tempos.

Com 11 músicas, o álbum teve seu nome criado a partir da união dos títulos das três faixas que o abrem. A sonoridade lembra o rock com tempero blues e hard da década de 1970, pontuado por riffs de guitarra bem bacanas, teclados e a inclusão de gaita e metais aqui e ali. A voz de Odair nunca esteve melhor, algo incrível para quem completou 70 anos em agosto do ano passado. Sinal de que o cara está se cuidando muito bem, especialmente se levarmos em conta a intensidade de cada uma dessas canções.

As letras trazem temas bem atuais unidos a outros bastante presentes na obra do cantor, compositor e músico goiano, mas que também permanecem inseridos no contexto das pessoas. A paixão por descobrir as coisas pelas ondas do rádio (Ouvindo Rádio), a necessidade de dar uma respirada em meio ao caos que vivemos (Hibernar) e a busca do prazer com as “damas da noite” ou com quem quer que seja (Na Casa das Moças, Gang Bang, Liberado, Fetiche) estão em cena.

A obsessão pelas redes sociais é detonada em Fora da Tela, enquanto o lamentável e absurdo apoio do governo atual à liberação geral da posse de armas sofre forte questionamento na virulenta Chumbo Grosso.

O espírito daquele cara que vem do interior para encarar a vida nos grandes centros surge em Rapaz Caipira e Imigrante Mochileiro, e o dia-a-dia nessas cidades inspirou Pirata Urbano. Além de uma excelente banda, o disco também traz participações de Toca Ogan e Jorge du Peixe (da Nação Zumbi) e das cantoras do grupo As Bahias e a Cozinha Mineira. Timaço que dá show de rock.

Após viver longos períodos fora da mídia e sem poder fazer aquilo que realmente desejava, hoje Odair José usufrui com categoria da liberdade artística que conquistou a duras penas, como prova esse muito bacana Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio. Quem sai no lucro somos nós. Que venham mais coisas boas pela frente, quem sabe um DVD gravado ao vivo com esse repertório roqueiro ou coisa do gênero. Pois agora, quem dá as cartas é ele. Melhor assim!

Ouça Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio na íntegra:

Hanna lança CD em homenagem a João Gilberto com show no RJ

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Por Fabian Chacur

Há quatro anos, a cantora Hanna, uma alagoana radicada no Rio, lançou um álbum em homenagem a João Gilberto. A repercussão do trabalho foi tão boa que ela resolveu mergulhar mais uma vez no universo musical do consagrado cantor, compositor e violonista baiano, e assim surgiu O Amor É Bossa-Nova- Homenagem a João Gilberto Volume 2, cujo show de lançamento no Rio de Janeiro será nesta sexta (7) às 21h na Casa Julieta de Serpa (praia do Flamengo, nº 340- Flamengo- fone 0xx21-2551-1278), com ingressos a R$ 30,00 (meia) e R$ 60,00 (inteira).

Com 23 faixas, o disco duplo traz como trunfos duas composições de João Gilberto, Bim Bom e Hó-Ba-La-Lá, cujas regravações foram devidamente autorizadas pelo autor, algo não muito frequente. Ela também escolheu composições de outros autores que o Papa da Bossa Nova consagrou em seu repertório, entre elas Eu Vim da Bahia, Fotografia, O Samba da Minha Terra, Pra Que Discutir Com Madame, Águas de Março, Insensatez e Retrato Em Preto e Branco.

No show, Hanna será acompanhada por Lulu Martin (piano), Jorge Pescara (contrabaixo), Tinho Martins (sax e flauta) e Fabio Cezanne (bateria). Com mais de 30 anos de carreira, a cantora teve músicas em trilhas de filmes e novelas, além de shows pelo Brasil e em países como Itália, Suíça, Grécia e França. Sentimentos foi gravada por ela e entrou na trilha da novela global Partido Alto (1984), tendo sido tema da personagem vivida pela atriz Cristiane Torloni.

Eu Vim da Bahia (clipe)- Hanna:

Boca Livre celebra 40 anos de estreia com Viola de Bem Querer

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Por Fabian Chacur

Em 1979, saía pela via independente o álbum de estreia do Boca Livre. Não demorou para que se tornasse um verdadeiro fenômeno, pois mesmo sem a ajuda das grandes gravadoras, atingiu em cheio o grande público e ultrapassou a marca das 100 mil cópias vendidas. E aquilo era só o começo de uma trajetória belíssima. Quatro décadas depois, o quarteto carioca celebra a efeméride com Viola de Bem Querer, um trabalho que os mantém em seu alto patamar de qualidade artística.

Quando fiquei sabendo do novo título do álbum do Boca Livre, imaginei que se trataria de um trabalho retrospectivo de seus maiores sucessos, pois a frase remetia a dois grandes hits da banda, Quem Tem a Viola e Toada (Na Direção do Dia). Errei feio! Na verdade, Viola de Bem Querer é uma composição do jovem cantor, compositor e músico paulista Breno Ruiz, lançada por ele em seu álbum Cantilenas Brasileiras, lançado em 2016 pela via independente.

Com letra a cargo do consagrado Paulo Cesar Pinheiro, esta belíssima canção, curiosamente, foi gravada por Breno em versão na qual temos ele cantando e tocando piano (seu instrumento habitual) e acompanhado por Igor Pimenta (baixo acústico). Ou seja, não tem viola! Na releitura feita pelo Boca, o instrumento se faz presente, reforçando sua mensagem simples e encantadora.

A formação atual do Boca Livre é a sua mais estável nesses 41 anos de estrada, com Zé Renato (voz e violão), Mauricio Maestro (voz, baixo e violão), David Tygel (voz e viola) e Lourenço Baeta (voz, violão e flauta). Desde o início, investem em uma sonoridade que traz como influências mais visíveis o Clube da Esquina, a ala mais melódica do rock rural, bossa nova e outras vertentes bacanas da nossa música popular. Isso, dando continuidade à tradição de grandes grupos vocais brasileiros, como MPB-4 e Os Cariocas.

Viola de Bem Querer, como um todo, os mostra no geral com uma ênfase no som mais rural, o que transparece logo na capa e nas fotos incluídas no belo encarte da versão em CD deste trabalho. São nove faixas no total. O padrão habitual se mantém, com algumas composições de integrantes do time, como as belas Santa Marina (parceria de Lourenço Baeta com o poeta Cacaso), Noite (escrita por Zé Renato com a genial Joyce Moreno, autora de um dos pontos altos do álbum de estreia, Mistérios, feita com Mauricio Maestro), Eternidade (Mauricio Maestro) e a instrumental O Paciente (David Tygel).

Somadas às autorais, temos composições alheias escolhidas a dedo, como a deliciosa Um Paraíso Sem Lugar (Geraldo Azevedo e Fausto Nilo), e clássicos perenes da música brasileira em encantadoras adaptações personalizadas. Amor de Índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos) vem do Clube da Esquina, enquanto Um Violeiro Toca (Almir Sater e Renato Teixeira) sai do berço da canção rural brasileira. A surpresa fica por conta de Vida da Minha Vida (Moacyr Luz e Sereno), hit na voz de Zeca Pagodinho que aqui ganhou contornos latinos e percussivos.

Além dos quatro se desdobrando em vocais e instrumentos musicais, o disco conta com participações de músicos do porte de Pantico Rocha (bateria, conhecido por seu trabalho com Lenine), João Carlos Coutinho (piano elétrico), Bernardo Aguiar (pandeiro), Thiago da Serrinha (percussão) e Marcelo Costa (percussão). A sonoridade delicada e envolvente do grupo se mostra muito bem preservada, enfatizando os belos arranjos vocais, dividindo-se entre uníssomos, solos e vocalizações elaboradas e encantadoras.

Muito legal ver um grupo celebrar 40 anos de seu disco de estreia com um trabalho que não soa saudosista ou redundante. Aqui, o que temos é a fidelidade intensa e entusiástica a um estilo próprio de se fazer música, sem se render a modismos ou tendências do cenário musical, e oferecendo apenas o melhor a quem os acompanha nesses anos todos. Da mesma forma que ouvimos até hoje Boca Livre (o álbum) com o mesmo prazer de 1979, certamente este Vida da Minha Vida continuará encantando daqui a muitos e muitos anos.

Viola de Bem Querer– Boca Livre:

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