Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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George Michael tem novo single, tema do filme Last Christmas

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Por Fabian Chacur

O imenso talento de George Michael faz uma falta danada no cenário pop atual. Uma forma de aplacar um pouco a saudade deste grande cantor e compositor chegou às plataformas digitais nesta quarta-feira (6). Trata-se de This Is How (We Want You To Get High), single inédito e primeiro lançamento póstumo do astro pop. A canção integra um projeto cinematográfico que pode se tornar um grande sucesso de público.

Trata-se do filme Last Christmas (Uma Segunda Chance Para Amar, no Brasil), coescrito pela consagrada atriz britânica Emma Thompson e estrelado pelos atores Emilia Clarke e Henry Golding, com direção a cargo de Paul Feig (o mesmo da versão feminina de Os Caça-Fantasmas, de 2016).

O legal é que a trama, uma comédia romântica, é baseada em hits da carreira de George Michael. O álbum com a trilha sonora, que será disponibilizado nas plataformas digitais nesta sexta (8) e em breve também sairá no Brasil em CD, traz mais 14 faixas além da inédita, sendo três do Wham!, duo que levou o astro ao topo das paradas mundiais, e 11 hits de sua carreira-solo.

This Is How (We Want You To Get High), uma canção balançada e muito bacana com fortes elementos eletrônicos, começou a ser trabalhada em 2012, teve seu desenvolvimento em sessões no Air Studios (criado pelo saudoso e genial George Martin, produtor dos Beatles) e finalizada em 2015, durante as últimas gravações do autor de Father Figure. James Jackman é creditado como coautor e coprodutor desse single ao lado de George.

Eis as músicas da trilha de Last Christmas:

1. Last Christmas – Wham!
2. Too Funky
3. Fantasy
4. Praying for Time
5. Faith
6. Waiting for That Day
7. Heal the Pain
8. One More Try
9. Fastlove, Pt. 1
10. Everything She Wants – Wham!
11. Wake Me up Before You Go-Go – Wham!
12. Move On
13. Freedom! ’90
14. Praying for Time
15. This Is How (We Want You to Get High)

This Is How (We Want You To Get High)– George Michael:

Ayrton Mugnaini Jr. e seu jogo de cintura em Sujeito Determinado

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Por Fabian Chacur

Um certo Ayrton Mugnaini Jr. investe em sua carreira-solo há 35 anos, desde que nos proporcionou o seu primeiro lançamento, a fita-cassete Brega’s Banquet. Em seu currículo, integrou os célebres grupos Língua de Trapo e Magazine, além de ter músicas gravadas por muita gente boa (leia mais sobre ele e seu álbum anterior aqui). Agora, o cantor, compositor, jornalista e uma lista telefônica de outras coisas mais nos oferece um novo lançamento, Sujeito Determinado. E bota determinado nisso!

Certa vez, Mugnaini se definiu como um “pasteleiro de canções”. A comparação, típica de seu humor ácido, faz todo o sentido do mundo para quem acompanha sua trajetória há 37 anos. Sua capacidade de compor é similar ao de um pasteleiro em seu ofício, e até a questão dos sabores se encaixa feito luva. Não temos pastéis com os mais diferentes recheios? Pois esse cara também é capaz de escrever sobre qualquer tema, e valendo-se dos mais distintos ritmos musicais. E em quantidades industriais!

Querem um bom exemplo? A divertida Sou Lixeiro saiu da crítica publicada em um jornal mineiro sobre o ótimo álbum Na Honestidade (2002), do Magazine. O autor do texto ironizou a faixa Sou Flanelinha como se fosse uma medíocre (que não é, creiam) sucessora de Sou Boy, o maior hit da banda liderada pelo saudoso Kid Vinil. E aí, lá pelas tantas, o escriba soltou a pérola: “O Magazine agora vai falar de todos os subempregos. Qual vai ser o próximo? Sou Lixeiro?”.

Não deu outra. O Mug anotou a sugestão e agora nos oferece uma canção com o tema sugerido de forma irônica pelo cri-crítico mineiro. Provavelmente esse cara não irá saber, mas a música ficou sensacional, um retrato irônico e ácido sobre a relação entre nós e os lixeiros, importantes profissionais que deveriam ganhar muito mais e serem muito mais respeitados do que na verdade são.

O repertório de 18 músicas traz outros bons exemplos desses temas inesperados e improváveis que Mr. Mug, com sua alma pasteleira, transforma em biscoitos, digo, pasteis finos para quem curte música boa e inventiva. Eu Sei Que Vou Estar Lá, por exemplo, com uma levada no melhor estilo jovem guarda, tem como inspiração os discos ao vivo, mais especificamente o público que participa como plateia e as maracutaias feitas durante suas gravações.

O rock-balada Amor no Metrô flagra seu personagem em meio ao encontro com sua namorada. Aliás, já que falamos em parceira, Eu Fui Pego Pela Loira do Banheiro, outro rock-balada matador, usa como mote a lenda urbana da loira do banheiro para homenagear de forma delicada a atual companheira de Ayrton, Martha Maria Zimbarg, que é a autora de encantadora capa do CD e de quebra ainda é coautora e intérprete de A Mila, adorável homenagem a uma cachorrinha.

Se há uma canção neste álbum que tem cara de hit instantâneo, ela atende pelo título Você é o Zé Mané. Trata-se de um rock básico de tempero sessentista que gruda no seu ouvido e te leva a repetir o refrão ad infinitum. Se o saudoso Kid Vinil ainda estivesse entre nós, entraria como luva em seu repertório.

O cordel musical Peleja da Feminista Mal-humorada com o Galanteador é um registro sensacional de uma situação recorrente em redes sociais: o cara tentando ser gentil e a moça pé na porta encarando aquilo como assédio. Nem todo homem é assediador e nem toda mulher é gentil, sabemos todos nós.

E temos também a sensacional Palhaça, na qual Mug aparece acompanhado por seus parceiros Carlinhos Machado (bateria) e Marcos Mamuth (guitarra) no trio Los Interesantes Hombres Sin Nombre (que merecem seu próprio álbum, por sinal) e mais Chico Mar na flauta, gerando uma espécie de híbrido de Stray Cats com Jethro Tull que ficou uma delícia sonora.

Mas o momento mais surpreendente fica por conta de uma mistura mais do que improvável: Queen com Demônios da Garoa. Acha possível? Pois o Mugão, com ajuda do seu filho Ivo, conseguiu ao versionar Another One Bites The Dust (John Deacon) com um arranjo no qual o riff de baixo chupado de Good Times pela banda britânica virou um quás-quás-quás nas mãos dessa figura aqui.

Sujeito Determinado é divertido, inventivo e repleto de surpresas, e altamente recomendável para quem gosta de música feita com conhecimento de causa. Para conferir letras e texto do Ayrton sobre o álbum entre aqui. Saiba como conseguir sua cópia em CD via e-mail: mugayr@hotmail.com .

Namoro no Metrô (ao vivo)- Ayrton Mugnaini Jr.:

O Filho de José e Maria, de Odair José, enfim é reeditado em vinil

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Por Fabian Chacur

Durante 42 longos anos, o álbum O Filho de José e Maria (1977), de Odair José, manteve-se longe do catálogo das gravadoras, tornando-se uma raridade disputada a tapa nos sebos da vida. Isso não impediu esse incrível trabalho de se tornar um dos mais cultuados da carreira deste grande cantor, compositor e músico goiano. Pois agora, finalmente, teremos uma reedição, no formato LP de vinil de 180 gramas, bancada pela Polysom em parceria com a Sony Music, atual detentora dos direitos dos títulos da extinta gravadora RCA Victor.

Em pleno auge de seu sucesso comercial, Odair saiu da gravadora Polydor (atual Universal Music) e foi para a RCA, aceitando uma proposta das mais atrativas em termos financeiros. No entanto, surpreendeu a direção artística de lá ao gravar um álbum totalmente fora do que se poderia esperar. Ele compôs uma ópera-rock inspirada na vida de Jesus Cristo e nos livros de Gibran Kalil Gibram, mas adaptada para os dias atuais, tocando em temas polêmicos como a homofobia, o preconceito e o conservadorismo.

O elenco de músicos que o acompanha é de primeiríssima linha, incluindo o trio Azymuth (que também marcou presença nos seus discos clássicos da Polydor), Hyldon (guitarra), Robson Jorge (piano e Fender Rhodes) e Jaime Além. O resultado é simplesmente brilhante. No entanto, o público dele não estava preparado para um trabalho daquele porte, assim como a gravadora também não soube como divulgá-lo, e o resultado foi um retumbante fracasso.

Com o passar dos anos, O Filho de José e Maria tornou-se cultuado por um público roqueiro e mais sofisticado, e ganhou tanto respeito que levou o artista a fazer alguns shows tocando o seu repertório na íntegra, um deles tendo sido lançado em DVD em parceria com o Canal Brasil.

Lamente-se apenas o fato de esse relançamento ser apenas em vinil. Você só encontra músicas de O Filho de José e Maria em formato CD na hoje raríssima coletânea Grandes Sucessos (2000-BMG Brasil), que inclui 8 das 10 faixas do mais polêmico disco de Odair José.

Meu exemplar deste álbum histórico, autografado posteriormente pelo artista, tem uma história curiosa. Eu o adquiri em uma loja de discos no bairro paulistano da Liberdade no finalzinho dos anos 1980, a preço acessível e estado de novo. A explicação: os LPs naquele local ficavam em um mostruário com apenas a capa, com um papelão dentro da mesma. Eles guardavam os discos separadamente, e você só os tinha na hora que os comprava. Dessa forma, adquiri diversas raridades ultra bem conservadas e a preços ótimos.

Leia mais textos sobre Odair José aqui.

Fora da Realidade– Odair José:

O fim do Skank e a ditadura dos eternos fiscais de carreira alheia

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Por Fabian Chacur

A notícia mais bombástica do último fim de semana não teve relação com a política, como na maior parte do tempo no Brasil e no mundo atual. Trata-se da divulgação da futura separação de uma banda. Em comunicado oficial publicado em seu site (leia aqui), o Skank anunciou que sairá de cena, após a realização, em 2020, de uma turnê de despedida, intitulada 30 Anos. Será, portanto, o ponto final em uma das mais bem-sucedidas trajetórias do pop-rock brasileiro.

O anúncio, seguido por extensa entrevista publicada neste fim de semana do vocalista e guitarrista do grupo mineiro, Samuel Rosa, à coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, causou rebuliço nos “tribunais de feicebuque” da vida. Claro que cada um tem o direito de opinar da forma que achar melhor. Mas fica difícil encarar aqueles que exprimem frases como “já deveriam ter acabado há muito tempo” ou mesmo “já deram o que tinham que dar”.

Cada dia fica mais claro para mim que o tempo de duração de uma carreira, seja lá qual for, deve ser definido única e exclusivamente por quem está envolvido com ela. Se é relevante, se tem público, se tem boa repercussão, se é decadente, cada um que pague o preço por suas decisões. Não há um único caminho para te levar à felicidade. Por que esse desejo de impor uma regra rígida para todos os casos? Que cada um trabalhe naquilo que quiser pelo tempo que quiser. Quem somos nós para definir isso?

E esse pito vale até para o próprio Samuel Rosa, que durante a entrevista à Folha sugeriu que diria aos cantores Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, e Rogério Flausino, do Jota Quest, para fazerem o mesmo, deixando suas bandas para se dedicar a outros projetos. Se esse é o desejo dele, que vá em frente, mas sem querer dar uma de fiscal de carreira alheia.

O anúncio logicamente tem um ar oportunista, pois não se concretizará de imediato. Antes, teremos uma turnê celebrando os 30 anos de carreira do quarteto. Normalmente, esse tipo de tour costuma render uma baita de uma grana, atraindo fãs de todos os cantos devidamente atraídos pelo teor de “um dia, um adeus” criado nessas situações. Ainda mais se levarmos em conta que o repertório terá 30 hits e uma canção inédita, reunidas em um álbum que servirá como uma espécie de souvenir.

Pelas declarações dadas pelos outros integrantes do time a ser desfeito- Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria), a coisa está sendo feita de comum acordo, e ninguém pensa em dar continuidade ao Skank sem seu vocalista e guitarrista, obviamente o detonador desse processo de separação.

Eles decidiram o que era melhor para eles. Nada mais legítimo. Isso não precisa ser modelo para outros grupos ou artistas. Uns duram pouco, outros tem carreiras longas. Uns estouram e ficam trilionários, outras catam moedinhas nas ruas. Uns concebem obras inesquecíveis e indispensáveis, outros vomitam porcarias inomináveis. É assim que a vida é.

E tem também aqueles que se despedem com toda a pompa e que, depois de alguns anos, acabam voltando à ativa. Como será, no caso específico do Skank, só saberemos com o tempo. Mas que também ninguém os avacalhe se por ventura tivermos futuramente uma turnê com o título Te Ver de Novo ou coisa que o valha. Afinal, nada como ter algum trabalho que te permita pagar as contas. Quem me dera que eu tivesse um desse mesmo tipo…

Te Ver (clipe original)- Skank:

Sylvia Patricia mescla Brasil e latinidade no seu belo EP Piel

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Por Fabian Chacur

Há exatos 30 anos, Sylvia Patricia lançou um disco autointitulado pela gravadora Sony Music. A partir dali, esta cantora, compositora e instrumentista baiana desenvolveu uma carreira impecável, com direito a discos de estúdio deliciosos, um DVD ao vivo retrospectivo de primeira linha e shows sempre encantadores. Como forma de celebrar essas três décadas de muita qualidade e coerência artística, ela nos oferece o EP Piel (Speciarias Musicais), outra delícia auditiva.

Quem acompanha Mondo Pop há mais tempo sabe que tenho um carinho todo especial pela obra de Sylvia Patricia (leia mais matérias sobre a artista aqui). E não é para menos. Ouvir sua voz calorosa e doce vicia, aquele tipo de vício que não tem contra-indicação. Afinal, nada melhor do que prazer auditivo intenso.

Piel (pele, em castelhano) é uma espécie de cartão de visitas do lado mais latino da sonoridade de Sylvia. Temos aqui seis faixas. Besame Mucho, grande clássico da música latina escrito pela compositora mexicana Consuelo Velásquez nos anos 1940 e regravada até, pasmem, pelos Beatles, aparece em duas releituras no melhor estilo bossa nova, uma com letra em português e outra com alguns versos em catalão escritos pelo músico dessa origem Daniel Cros.

Un Beso, de Sylvia em parceria com Paulo Rafael, também é oferecida em duas gravações diferentes, ambas em castelhano. Uma é a versão original, lançada originalmente no álbum No Rádio da Minha Cabeça (2006), e a outra se trata de um remix feito pelo baiano DJ Titoxossi. Ambas são calientes e com uma levada bem espanhola, bem flamenca.

Lançada originalmente em 2014 em outro EP, De Vuelta (Sylvia Patricia-Cecelo Froni) reaparece agora em uma versão denominada Rio-Barcelona Mix.

A faixa mais interessante é Resistiré (Carlos Toro e Manuel de La Calva), da trilha sonora do filme Ata-me (1989), de Pedro Almodóvar. Sylvia já a havia regravado em seu álbum Andante (2010), mas nesta nova versão ele teve uma bela sacada: acrescentou trechos do clássico disco I Will Survive (Dino Fekaris-Freddie Perren), estouro mundial em 1979 na voz da americana Gloria Gaynor. Como as músicas tem boas semelhanças entre si, ficou um mix dos mais encantadores.

Este novo EP funciona como um delicioso aperitivo para quem estava sedento por novas gravações de Sylvia Patricia, e também pode ser um bom cartão de apresentação ou porta de entrada para novos fãs.

Resistiré– Sylvia Patricia:

Mumford & Sons lança canção nova e celebra dez anos na ativa

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Por Fabian Chacur

Uma das melhores bandas britânicas da atualidade comemora 10 anos do lançamento de Sigh No More, seu álbum de estreia que atingiu o 2º lugar nas paradas dos EUA e Reino Unido. O Mumford & Sons mostrou desde o seu início que não estava entrando no cenário musical para brincadeira. Como forma de marcar essa década de hits e shows lotados pelo mundo afora, eles acabam de disponibilizar um single inédito impactante, Blind Leading The Blind.

Com uma energia bem roqueira e boa melodia, Blind Leading The Blind traz em seu conteúdo lírico uma mensagem de união e companheirismo em meio a um universo atual repleto de insensatez, intransigência e intolerância, época em que, como eles bem retratam, “cegos lideram os cegos”. Um dos grandes singles deste conturbado e assustador ano de 2019.

Além da versão de estúdio (ouça aqui), o grupo também gravou um clipe estilosíssimo interpretando esta canção ao vivo durante o badalado Austin City Limits Festival, nos EUA. O registro é em preto e branco e registra com precisão o pique da banda e sua interação com a plateia. Também já está disponível nas plataformas digitais o EP Sigh No More Sessions, com cinco releituras de faixas de seu álbum de estreia feitas ao vivo.

Em seus dez anos de trajetória discográfica, o grupo de folk-pop-rock formado por Ben Lovett, Marcus Mumford, Ted Dwane e Winton Marshall lançou quatro álbuns de estúdio (o mais recente, Delta, saiu em 2018), liderando a parada americana em três ocasiões e a britânica em duas, tendo o 2º posto como posição mais baixa nesses dois mercados para tais discos.

Blind Leading The Blind (live) clipe – Mumford & Sons:

Zeca Baleiro e Cynthia Luz divulgam single com clipe

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Por Fabian Chacur

Há não muito tempo, Zeca Baleiro e Cynthia Luz lançaram Era Uma Vez, parceria deles incluída no álbum da cantora intitulado Efeito Borboleta. Agora, é a vez de a dupla nos oferecer Mais Leve, composta e interpretada em dueto por eles. Faixa do volume 1 do álbum O Amor No Caos, do cantor, compositor e músico maranhense, esta canção está sendo divulgada com um recém-lançado clipe.

Com uma levada r&b/charm bastante envolvente, a canção poderia ser um hit em outros tempos mais generosos com este tipo de canção um pouco mais elaborada, embora extremamente acessível.

O roteiro do clipe foi assinado pelo próprio cantor em parceria com Marcos Faria (do Estúdio Bong), que por sua vez se incumbiu da direção e da criação da animação que marca de forma positiva este vídeo. Uma animação de muito bom gosto e que ilustra de forma delicada a canção, com direito a representações de marcas registradas dos dois artistas.

O Amor No Caos, lançado pelo selo do próprio Zeca, a Saravá Discos, disponível em CD, vinil e distribuído nas plataformas digitais pela ONErpm, saiu em dois volumes. O primeiro, de pegada mais pop, traz participações de Cynthia e também de Frejat e Paulinho Moska. O segundo, que o artista define como mais acústico e menos pop, apresenta colaborações com Diana Pequeno, Tatiana Parra, Jade Baraldo e a portuguesa Susana Travassos.

Mais Leve (clipe)- Zeca Baleiro e Cynthia Luz:

Banda Zil resgata seu trabalho em classudo DVD em preto e branco

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Por Fabian Chacur

Em 1986, sete músicos com um currículo invejável resolveram se unir com o intuito de criar um grupo para desenvolver uma sonoridade própria, baseada em uma mistura de jazz rock (ou fusion, rótulo muito usado naquele tempo para denominar tal sonoridade), bossa nova, Clube da Esquina, folk e muito mais. Surgia a Banda Zil, que lançou o álbum Zil (1987- Continental) e fez alguns shows concorridos, incluindo participação no Free Jazz Festival de 1988. Em 1991, saíram de cena, mas um possível retorno sempre ficou no ar.

E isso enfim ocorreu em 2016. Para felicidade dos fãs da melhor música brasileira, foi devidamente registrado no DVD Zil Ao Vivo (MP,B-Som Livre-Canal Brasil), também disponível em áudio nas plataformas digitais.

Fortes laços unem os integrantes da banda Zil. Zé Renato (vocal e violão) e Claudio Nucci (vocal e violão) integraram a formação do Boca Livre que lançou em 1979 seu icônico e autointitulado trabalho de estreia, além de terem gravado em 1985 pela gravadora CBS um bem-sucedido álbum em dupla.

Marcos Ariel (teclados) integrou nos anos 1970 o grupo Cantares ao lado de Zé Renato, além de ter sólida carreira solo. João Baptista (baixo e vocais) foi baixista da célebre e cultuada banda gaúcha Almôndegas (que revelou os irmãos Kleiton e Kledir Ramil), e depois tocou com João Bosco e Milton Nascimento.

Jurim Moreira (bateria) foi parceiro de Baptista na gravação e na turnê de divulgação de O Rock Errou (1986), excelente LP de vinil (nunca lançado em CD) e subestimado até pelo próprio autor, o polêmico Lobão, e integrou as bandas de apoio de Alceu Valença, Gilberto Gil, Edu Lobo, Gal Costa e Chico Buarque.

Ricardo Silveira (guitarra e vocais) estudou nos EUA, tocou na banda do consagrado jazzista americano Herbie Mann e tem no currículo trabalhos com gente do porte de Elis Regina, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Ivan Lins e Ney Matogrosso, além de manter elogiada carreira solo. Em seu tempo na banda de João Bosco, foi colega de João Baptista, por sinal.

Vale também registrar que em 2007 Marcos Ariel, João Baptista, Ricardo Silveira e Jurim Moreira lançaram o CD 4 Friends. Completa o time o virtuoso Zé Nogueira (sax, flauta, duduk e vocais), que emprestou seu talento a Edu Lobo, Djavan e Chico Buarque, só para ficar em alguns dos mais conhecidos.

Entrosamento, bom repertório, inspiração…

Com currículos como esses, e vale ressaltar que estão mega-resumidos nesta resenha, não é de se estranhar que tenha demorado tanto para que esses músicos conseguissem se reunir novamente. A agenda deles é mais do que cheia, e com toda justiça. Mas isso finalmente ocorreu no dia 19 de maio de 2016, no palco do Cultural Bar, em Juiz de Fora (MG).

Lógico que só a belíssima trajetória de seus integrantes não seria garantia de qualidade superior para a Banda Zil. Não são poucos os exemplos de formações deste gênero que sucumbiram, no melhor estilo “óleo e água”, sem dar liga. Aqui, no entanto, a combinação se mostrou das melhores, e quem sabe a amizade e as grandes afinidades sonoras tenham feito a diferença para tal resultado.

O repertório de Zil Ao Vivo traz as oito faixas do álbum original (sete no vinil e uma a mais nas versões em CD lançadas nos EUA, Europa e Japão) e mais seis adicionais. Oito delas são instrumentais, e seis seguem o formato canção. Das 14 faixas, só três não levam a assinatura de algum dos integrantes. Duas tem como coautor Milton Nascimento: Anima (parceria com Zé Renato) e Portal da Cor (escrita com Ricardo Silveira).

O som do grupo soube incorporar com sabedoria e bom gosto o background dos músicos, como as vocalizações a la Boca Livre, as improvisações típicas da fusion, as sofisticadas harmonias musicais da bossa nova etc.

O bacana é que eles encaixam seus talentos de forma generosa, sem cair em duelo de egos para ver quem sola de forma mais criativa ou tecnicamente mais difícil. Todos jogam a favor da música, e o resultado é muito bom de se ouvir, embora sofisticado e criativo ao extremo.

Preto e branco dá um tom vintage à festa

Se a enorme qualidade da performance dos músicos já não fosse suficiente, o DVD se torna ainda mais clássico pela opção de registrá-lo em preto em branco, com uma iluminação ressaltando o clima de barzinho de filme noir dos anos 1940/1950. Durante a música Lua Branca, o registro é feito em cima do palco, enfocando individualmente cada músico, com um efeito esteticamente delicioso.

Em Suite Gaúcha, Nucci e Zé Renato ficam de fora, eles que dividem o palco sem a banda na releitura de Blackbird, dos Beatles. E Calma traz apenas Ariel, Nogueira e Silveira. Os dois cantores se valem de suas vozes em encantadores vocalizes nos momentos de enfoque instrumental, em alguns trechos tendo o acréscimo de Baptista, Nogueira e Silveira.

O DVD é bom como um todo, mas alguns momentos podem ser ressaltados, como a encantadora Anima, as deliciosas Zarabatana e Song For a Rainforest (Tupete) , a ácida Pegadas Frescas (cuja letra permanece mais atual do que nunca) e a quase progressiva Portal da Cor, com seus mais de 10 minutos de duração.

Se fica difícil imaginar muitas reuniões futuras desse time tão requisitado e ocupado, ao menos agora temos um registro de alta qualidade para matarmos a vontade de vê-los juntos. Menos mal. O DVD foi dedicado ao saudoso produtor Paulinho Albuquerque (1942-2006), que teve participação importante na idealização e criação da banda nos anos 1980.

Portal da Cor (ao vivo)- Banda Zil:

Van Morrison: produtividade e inspiração em seu novo álbum

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Por Fabian Chacur

Em seus mais de 50 anos de carreira, o genial cantor e compositor irlandês Van Morrison sempre primou pela produtividade, com novos trabalhos surgindo com elogiável frequência. Desde que completou 70 anos de idade, no dia 31 de agosto de 2015, o cara parece que engatou uma velocidade ainda maior do que se poderia imaginar. Nesse período, o icônico artista caminha para o seu sexto álbum com o lançamento pelo selo Exile/Caroline International de Three Chords & The Truth, que no Brasil infelizmente só estará disponível nas plataformas digitais.

O trabalho conta com produção a cargo do próprio artista, que também assina todas as 14 canções incluídas nele, sendo 13 só dele e uma única em parceria com Don Black. O disco conta com as participações do badalado guitarrista Jay Berliner e do consagrado cantor Bill Medley (ex-integrante do duo The Righteous Brothers), este último em dueto na faixa Fame Will Eat The Soul.

A primeira canção divulgada do álbum, Dark Night Of The Soul, é daquelas que já nascem clássicas, tal a qualidade artística e acessibilidade que possui. O mais legal é que a voz de Van The Man, uma das mais expressivas do rock-soul-jazz, aparece em excelente forma, o que torna este álbum mais um item bacana para ser apreciados pelos fãs desse mestre da canção pop.

Eis as faixas de Three Chords And The Truth:

1. March Winds In February
2. Fame Will Eat The Soul
3. Dark Night Of The Soul
4. In Search Of Grace
5. Nobody In Charge
6. You Don’t Understand
7. Read Between The Lines
8. Does Love Conquer All?
9. Early Days
10. If We Wait For Mountains
11. Up On Broadway
12. Three Chords And The Truth
13. Bags Under My Eyes
14. Days Gone By

Dark Night Of The Soul– Van Morrison:

Pedro Mariano faz show de sua turnê DNA no Rio de Janeiro

photo by Dani Gurgel | Da Pa Virada

Por Fabian Chacur

Em 2018, Pedro Mariano lançou o DVD/CD DNA (Nau/Lab 344), gravado ao vivo com orquestra no Teatro Alfa, em São Paulo. Desde então, o cantor divulga este trabalho com uma turnê que já passou por diversas capitais brasileiras, com ou sem o acompanhamento orquestral. Desta vez, ele retorna ao Rio de Janeiro para uma apresentação com sua banda neste sábado (2/11) às 21h no Teatro VillageMall (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160 do Shopping VillageMall- Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100), com ingressos custando de R$ 100,00 a R$ 180,00.

DNA traz quatro músicas inéditas, releituras de canções alheias e também hits dos mais de 20 anos de carreira do filho de Elis Regina e Cesar Camargo Mariano. No show, ele também acrescenta outros sucessos que ficaram de fora deste lançamento. Ele será acompanhado por seus fiéis escudeiros musicais: Conrado Goys (violões e guitarras), Thiago Gomes (bateria), Leandro Matsumoto (baixo) e Marcelo Elias (teclados e direção musical).

Leia entrevista com Pedro Mariano falando sobre DNA e outros temas aqui .

DNA (clipe ao vivo)- Pedro Mariano:

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