Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Vânia Bastos, Túlio Mourão e Rafa Castro em Tons de Minas

Vânia Bastos, Túlio Mourão e Rafa Castro por Vinicius Campos-400x

Por Fabian Chacur

Em seus mais de 30 anos de carreira-solo, Vânia Bastos tem se especializado em reler de forma personalizada e repleta de classe alguns dos mais importantes songbooks da música popular brasileira. Em seu novo projeto, Tons de Minas, a cantora paulista se reúne aos músicos mineiros Túlio Mourão e Rafa Castro para um espetáculo que promete ser inesquecível. O trio se apresenta nesta segunda (30) às 19h30 em São Paulo no Sesc Carmo (rua do Carmo, nº 147- Sé- fone 0xx11-3111-7000), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00.

A sementinha que deu origem ao novo show da cantora oriunda de Ourinhos (SP) é o elogiado disco Vânia Bastos Canta Clube da Esquina (2008). Desta vez, ela resolveu ampliar o leque de escolha, mergulhando de forma mais abrangente no rico cancioneiro da música feita em Minas Gerais.

O repertório traz maravilhas do porte de Cais (Milton Nascimento-Ronaldo Bastos), Nascente (Flávio Venturini- Murilo Antunes), Choveu (Beto Guedes), Resposta (Samuel Rosa), Românticos (Wander Lee) e Fronteira (Rafa Castro).

O time escalado para este projeto não poderia ter sido melhor escalado. Túlio Mourão ficou conhecido inicialmente nos anos 1970 ao integrar os Mutantes em sua fase rock progressivo. Posteriormente, tocou com Milton Nascimento, Maria Bethânia, Chico Buarque, Caetano Veloso e Ney Matogrosso, além de ter feito a incrível trilha do filme Jorge, Um Brasileiro (1988).

Em 2014, Túlio gravou o DVD/CD Teias, em parceria com o jovem músico Rafa Castro. A enorme qualidade artística dessa obra mostrou que estes dois tecladistas e compositores tinham muitas afinidades positivas. Rafa é também cantor dos bons, e se radicou em São Paulo em 2017, tendo lançado recentemente seu terceiro trabalho, o ótimo CD Fronteira.

No show, Rafa também fará alguns duetos vocais com Vânia, que foi revelada ao integrar as bandas de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. Como artista-solo, traz como marca um timbre vocal delicado e delicioso, sempre dedicado a repertórios impecáveis e sem concessões ao comercialismo excessivo ou ao popularesco. Bom gosto é uma expressão que nos vem imediatamente à mente ao pensar na forma como ela desenvolve seus shows e álbuns.

O Trem Azul– Vânia Bastos:

Zuza Homem de Mello mostra a sua visão musical em ótimo filme

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Por Fabian Chacur

O radialista, jornalista, produtor musical e músico paulistano Zuza Homem de Mello é há mais de 50 anos uma das grandes referências no Brasil e no mundo quanto o assunto é música. Especialmente se estiver em questão a música brasileira mais sofisticada e o jazz, incluindo nesse pacote a ala mais consistente da chamada MPB, bossa nova e música instrumental. Mais do que um documentário sobre sua vida e obra, Zuza Homem de Jazz, dirigido por Janaina Dalri, é um rico e delicioso mergulho nesse universo cultural.

Esse filme será exibido no Canal Curta! nesta quarta (25) às 9h, sábado (28) às 22h10, domingo (29) às 12h40 e no dia 23 de dezembro (segunda) às 22h25.

O filme foge do formato mais convencional de se apresentar a trajetória de um personagem, não se detendo excessivamente em torno de datas e fatos ou cronologia. Um elemento permeia diversos momentos da atração, que é a ligação entre o jazz americano e música brasileira, especialmente a bossa nova.

Temos entrevistas com músicos como Bob Doroug, Egberto Gismonti, Wynton Marsalis, André Mehmari e Nelson Ayres e também com produtores de eventos como Roberto Muylaert e Monique Gardenberg.

Nessas entrevistas, os pontos de vida que nortearam e ainda norteiam a vida profissional de Zuza ficam claros: a busca pelo prazer naquilo que faz, o detalhismo, os olhos e ouvidos sempre atentos e em busca de novos conhecimentos e a capacidade de fazer boas amizades e partilhar com as pessoas essas descobertas, especialmente com seus leitores e ouvintes.

Além das deliciosas entrevistas feitas especialmente para esta ocasião, temos também importantes cenas de arquivo de shows no Brasil e no exterior, incluindo algumas dos pioneiros festivais de jazz de São Paulo do final dos anos 1970, nos quais Zuza teve participação destacada. A produção também foi a Nova York, onde o radialista teve aulas de música e frequentou importantes casas de shows, nas quais viu nomes do calibre de Miles Davis, John Coltrane e tantos outros.

Aos 86 anos, Zuza continua na ativa, e temos alguns flagras bem bacanas dele apresentando seu atual programa na rádio USP. Logo no início do filme, ele aparece dando uma caminhada em um parque, e aqueles mais atentos perceberão que ele está usando um moleton com o logo do Free Jazz Festival, um dos eventos históricos nos quais esteve envolvido nesses anos todos.

O momento mais emocionante do filme aparece em sua parte final, quando Zuza reencontra um ilustre amigo, o cantor, compositor e pianista de jazz Bob Dorough, com quem compartilha lembranças proporcionadas por fotos trazidas pelo brasileiro. O triste fica por conta de o americano ter falecido antes da finalização do documentário, sendo este, portanto, um de seus últimos registros, com ele interpretando a música Stairway To The Stars.

Zuza Homem de Jazz proporciona ao espectador belas lições de como se apreciar a música e de quebra a vida, além de valorizar bastante a amizade e a cordialidade entre as pessoas. Em tempos tão ácidos como os que vivemos atualmente, trata-se de uma lição de como construir uma trajetória belíssima de vida e trabalho forma classuda e consistente.

Veja o trailer de Zuza Homem de Jazz:

Rod Stewart lançará CD com a Royal Philharmonic Orchestra

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Por Fabian Chacur

Como forma de celebrar os 50 anos de sua carreira-solo, Rod Stewart irá lançar no dia 22 de novembro um trabalho que tem tudo para agradar os seus milhões de fãs pelo mundo afora. Trata-se de You’re In My Heart- Rod Stewart With The Royal Philharmonic Orchestra, que será disponibilizado no Brasil pela Warner Music no formato CD duplo e também nas plataformas digitais. Acompanhado pela célebre orquestra britânica, ele dá uma geral em seus grandes hits, com duas novidades bacanas.

Uma delas é o dueto em It Takes Two, clássico do repertório de Marvin Gaye que ele regravou anteriormente com Tina Turner, e que agora retorna em versão orquestral na qual temos o astro pop Robbie Williams na vaga da cantora. A outra é uma faixa inédita, Stop Loving Her Today, escolhida para encerrar o álbum.

O repertório traz hits massivos como Maggie May, I Don’t Want To Talk About It, Tonight’s The Night (Gonna Be Alright), Downtown Train e Forever Young, além de Stay With Me, hit dos Faces, banda que integrou ao lado de Ronnie Wood do final dos anos 1960 à metade dos anos 1970. A produção do álbum ficou a cargo do consagrado Trevor Horn, famoso não só como produtor mas também como integrante das bandas Yes e Buggles.

Eis as faixas de You’re In My Heart: Rod Stewart With The Royal Philharmonic Orchestra:

CD 1:
1. Maggie May
2. Reason To Believe
3. Handbags & Gladrags
4. Sailing
5. Tonight’s The Night (Gonna Be Alright)
6. The Killing Of Georgie (Part I and II)
7. I Don’t Want To Talk About It
8. The First Cut Is The Deepest
9. You’re In My Heart (The Final Acclaim)
10. I Was Only Joking

CD 2:
1. It Takes Two (with Robbie Williams)
2. Stay With Me (with Faces)
3. Young Turks
4. What Am I Gonna Do (I’m So In Love With You)
5. Every Beat Of My Heart
6. Forever Young
7. Downtown Train
8. Rhythm Of My Heart
9. Have I Told You Lately
10. Tom Traubert’s Blues (Waltzing Matilda)
11. If We Fall In Love Tonight
12. Stop Loving Her Today

Sailing (live)- Rod Stewart And Royal Philharmonic Orchestra:

Curved Air e Renaissance tocam juntos no Brasil em março/2020

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Por Fabian Chacur

Se você é daqueles que perdeu a oportunidade de ver o show do grupo britânico Renaissance no Brasil em 2017 e se arrepende amargamente, uma ótima notícia. Boa mesmo. A banda da cultuada vocalista Annie Haslam não só irá voltar ao nosso pais como de quebra ainda terá como parceira uma banda também britânica que nunca se apresentou por aqui, a Curved Air, capitaneada por outra diva do canto roqueiro progressivo, Sonja Kristina (FOTO). Os shows serão realizados em março de 2020, em São Paulo (Espaço das Américas), Rio de Janeiro (Vivo Rio) e Belo Horizonte (Palácio das Artes). Veja o serviço no fim deste post.

A união dessas duas bandas em uma mesma turnê é bem pertinente, por razões de estilo e mesmo de época. A Renaissance surgiu em 1969 formada por dois ex-integrantes da célebre banda Yardbirds, o cantor Keith Relf e o baterista e compositor Jim McCarthy. A fase inicial teve como marca várias mudanças de formação, mas o time se consolidou a partir da entrada de Annie Haslam em 1971, com McCarthy se restringindo às composições por mais alguns anos.

Os dois primeiros álbuns do grupo com Haslam, Prologue (1972) e Ashes Are Burning (1973), tornaram-se clássicos do rock progressivo de pegada folk britânica, e um de seus pontos altos passou a ser o guitarrista e compositor Michael Dunford, efetivado no time a partir do álbum Turn Of The Cards (1974). Em 1978, emplacaram seu maior hit no formato single, Northern Lights, também faixa de seu oitavo álbum, A Song For All Seasons.

Em 1987, o Renaissance saiu de cena, ensaiando rápidos retornos e só voltando a ativa de vez em 2009, mantendo Haslam e Michael Dumford, que infelizmente nos deixou em novembro de 2012, na parte final das gravações do álbum Grandine Il Vento (Symphony Of Light), lançado em 2013. A cantora resolveu seguir adiante com a banda, em constantes turnês.

Por sua vez, o grupo Curved Air iniciou as suas atividades em 1970, também centrado em bem concatenada fusão de música folk britânica, rock progressivo, jazz fusion e música erudita. Seus três primeiros álbuns, respectivamente Air Conditioning (1970), Second Album (1971) e Phantasmagoria (1972) atingiram os primeiros postos da parada britânica.

Em 1975, entrou no time um jovem baterista que durante 16 anos foi o marido de Sonja Kristina: ninguém menos do que Stewart Copeland, que participou dos álbuns Midnight Wire (1975) e Airbone (1976), este último sua estreia como compositor. Com a separação da banda, em 1976, Copeland iniciou uma efêmera carreira-solo com o pseudônimo Klark Kent e a seguir entrou em uma banda com um certo Sting, uma tal de The Police…

A Curved Air ensaiou um retorno nos anos 1980, mas saiu de cena totalmente entre 1990 e 2008, com Sonja se tornando artista solo. O grupo voltou com nova formação a partir de 2008, e lançou um novo álbum, North Star (2014). Além da voz deliciosa de Sonja, que rendeu hits como Back Street Luv, a banda britânica foi uma das pioneiras no intuito de ter em sua formação o violino elétrico.

Serviço dos shows:

19 de Marco de 2020 (quinta feira)– 21h30

Local: Espaço das Américas (Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda – São Paulo –fone 0xx11- 3868-5860

Site www.espacodasamericas.com.br

Realização Top Cat Produções Artísticas & Espaço Das Americas

PREÇOS:

Setor Platinum R$ 360,00 e R$ 180,00

Setor Azul Premium R$ 240,00 e R$ 120,00

Setor Azul R$ 200,00 e R$ 100,00

Setores A,B,C & D R$ 180,00 e R$ 90,00

Setores E,F,G & H R$ 140,00 e R$ 70,00

Setores PCD R$ 70,00

21 de Marco de 2020 (sábado)– 21h

Local Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ fone 0xx21-2272-2901

Site www.vivorio.com.br

Realização Top Cat Produções Artísticas & Vivo Rio

Atenção: para setores com mesa, a compra de um ingresso garante um assento na mesa selecionada, mas não em uma cadeira específica. Os assentos são ocupados por ordem de chegada.

Camarote A R$ 400,00

Camarote B R$ 380,00

Camarote C R$ 300,00

Frisa R$ 360,00

Setor 1 R$ 400,00

Setor 2 R$ 380,00

Setor 3 R$ 360,00

Setor 4 R$ 300,00

Setor 5 R$ 280,00

22 de Marco de 2020 (domingo)- 21h

Teatro Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 – Centro, Belo Horizonte 0xx31- 3236.7400

Site fcs.mg.gov.br

Realização Top Cat Produções Artísticas & Malab Produções

Plateia 1 R$ 380,00

Plateia 2 R$ 340,00

Plateia 3 R$ 300,00

Back Street Luv– Curved Air:

Sunrunner estreia um vocalista brasileiro com heavy elaborado

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Por Fabian Chacur

Oriundo da cidade de Portland, situada no estado americano do Maine, a banda Sunrunner resolveu partir para uma nova experiência. Eles decidiram incorporar ao time um vocalista oriundo do Brasil. Ex-integrante das bandas brasileiras Noerya e Kromun e da Desant, da Romênia, ele conheceu os caras há uns três anos, e foi incorporado ao novo time em 2018. O álbum Ancient Arts Of Survival marca o início discográfico dessa parceria, e merece aprovação plena.

Criada em 2008, a Sunrunner traz em suas fileiras Joe Martignetti (guitarra), David Joy (baixo) e Ted MacInnes (bateria). Em sua discografia, figuram os álbuns Eyes Of The Master (2011), Time In Stone (2013) e Heliodromus (2015), tendo este último sido lançado pelo selo italiano Minotauro Records.

O som da banda americana equivale a um hard rock com influências progressivas, próximo do que se convencionou chamar de prog metal, mas sem cair no tecnicismo excessivo de algumas bandas do gênero. Eles trazem influências de folk, heavy, hard e progressivo, com direito a belas passagens instrumentais com solos de guitarra fluentes e não exibicionistas, daqueles nos quais as notas ficam espaçadas e bem encaixadas nas melodias bacanas.

A voz de Bruno Neves coube muito bem na proposta sonora do grupo, com potência suficiente para encarar os riffs pesados e as mudanças de andamento existentes. Ecos de Iron Maiden, Jethro Tull, Metallica e Uriah Heep podem ser percebidos aqui e ali, mas apenas como referências, sem soar como mera cópia ou coisa do gênero. O entrosamento entre eles se mostra impecável, assim como os timbres que escolheram para os instrumentos.

São nove faixas bem trabalhadas, entre as quais se destacam Stalking Wolf, Arrive Survive Awaken Thrive , The Scount e Distorted Reflection. Destaque para a bela capa, que ilustra muito bem o título desse álbum tão interessante (ancestrais artes da sobrevivência, em tradução livre).

Ouça Ancient Arts Of Survival em streaming:

The Doobie Brothers releem dois grandes álbuns com muita classe

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Por Fabian Chacur

Em junho deste ano, celebrei por aqui o anúncio do lançamento de Live From The Beacon Theater, álbum duplo lançado pela Warner Music no Brasil nos formatos digitais e físico (CD duplo). Você pode ler todos os detalhes em termos de informação aqui. Agora, após ter tido a oportunidade de ouvir esse trabalho de forma muito atenta, chegou a hora de uma análise geral sobre esse lançamento histórico de uma das grandes bandas do rock americano.

Comecemos pela formação que se incumbiu da gravação deste trabalho, registro de shows realizados nos dias 15 e 16 de novembro de 2018 no Beacon Theater, em Nova York. Hoje, os Doobie Brothers são um trio, composto pelos fundadores Tom Johnston (guitarra e vocal) e Patrick Simmons (guitarra e vocal, o único que nunca saiu da banda) e mais John McFee (guitarra, pedal steel, dobro, violino, cello, harmônica, banjo e vocais, ufa!), que esteve no time entre 1979 e 1982 e retornou em 1993 para não sair mais.

Para darem suporte a eles, temos um timaço liderado pelo tecladista Bill Payne, considerado um dos grandes músicos no setor. Ele integrou nos anos 1970 e 1980 a badalada banda Little Feat, e também gravou com Bryan Adams, Stevie Nicks, Bob Seger, Pink Floyd, Toto, James Taylor e Bonnie Raitt. Aliás, Payne pilotou os teclados dos Doobies nos dois álbuns de estúdio reproduzidos ao vivo aqui, ou seja, ninguém mais qualificado para essa missão do que ele.

O elenco de músicos também traz Marc Russo (saxofone), Ed Toth (bateria), John Cowan (baixo e vocais) e Marc Quinones (percussão e vocais). Foram adicionados especialmente para os shows do Beacon Theater os músicos Roger Rosenberg (saxofone) e Michael Leonhart (trompete), que aliados a Marc Russo geraram um naipe de metais afiadíssimo.

Com dez músicos em cena, o grupo americano seguiu uma diretriz das mais interessantes: manteve a estrutura básica dos arranjos originais das canções, acrescentando algumas passagens de metais inéditas e abrindo espaços para solos e improvisos. Como a qualidade dos profissionais envolvidos é imensa, o resultado se mostra delicioso, tendo tudo para satisfazer tanto os fãs mais fieis como aqueles que ainda não conheciam essas canções.

Ao contrário de algumas bandas contemporâneas deles, os Doobie Brothers sempre tiveram a capacidade de criar não só singles matadores, como Listen To The Music, Rockin’ Down The Highway, China Grove e Long Train Runnin’, mas também de gravar álbuns consistentes e nos quais você não consegue encontrar uma única faixa fraca daquelas feitas apenas para “encher linguiça”.

Dessa forma, a missão de tocar Toulouse Street (1972) e The Captain And Me (1973) mostra-se das mais deliciosas, pois além de muito boas, as músicas também formam uma amostra preciosa da amplitude da sonoridade desta banda seminal.Se os singles citados trazem como marca a energia roqueira e os riffs de guitarra (com um toque latino em Long Train Runnin’), outras facetas surgem nas faixas que fazem companhia a elas.

O blues, por exemplo, marca presença em Don’t Start Me To Talkin’ e Dark Eyed Cajun Woman. O folk com tons saudosistas e emocionais surge em Toulouse Street e Clear As The Driven Snow. O hard rock pesadão surge em Disciple, Evil Woman e Without You, a levada shuffle marca a deliciosa Ukiah, a leveza mais pop em Natural Thing e o folk progressivo na intensa The Captain And Me.

Das 23 músicas apresentadas, 11 são de Tom Johnston, 6 de Patrick Simmons, uma é assinada por cinco integrantes da banda na época (Without You) e cinco são covers, como o rock gospel Jesus Is Just Alright (de Arthur Reynolds e gravada em 1969 pelos Byrds), Don’t Start Me To Talkin’ (do bluesman Sonny Boy Williamson) e Cotton Mouth (composição da dupla Seals & Crofts, conhecida pelos hits Summer Breese e Diamond Girl)

Se o entrosamento da banda conta muito para esse resultado brilhante, os pontos altos ficam por conta de seus protagonistas. Com 70 anos de idade completados em 2018, Tom Johnston impressiona por sua vitalidade. Seu vozeirão continua intacto, assim como seus riffs e solos de guitarra e uma presença de palco confiante e cativante. A delicadeza do dedilhado na guitarra e violão de Patrick Simmons, assim como sua voz mais suave, também estão intactos, assim como a versatilidade de John McFee.

Após tocar os dois álbuns na íntegra, os Doobies nos oferecem um bis com três músicas: Take Me In Your Arms (Rock Me), cover da Motown que eles emplacaram nas paradas de sucesso em 1975, e a envolvente canção folk-country Black Water, que atingiu o primeiro lugar na parada de singles americana naquele mesmo 1975. Para finalizar a festa, tocaram novamente Listen To The Music, para levar a plateia à loucura.

Os Doobie Brothers nunca tocaram no Brasil, em seus quase 50 anos de estrada. Com o vigor e a qualidade que permanecem firmes em sua fase atual, certamente atrairiam um público bacana se enfim nos visitassem. Fica a dica.

Rockin’ Down The Highway (live)- The Doobie Brothers:

Pseudo Banda lança EP É Agora com show gratuito em São Paulo

Pseudo Banda por Henrique Puppi 1-400x

Por Fabian Chacur

Três atores se encontraram em 2015 em uma montagem teatral da qual participavam. Em um intervalo, de forma descontraída, compuseram uma canção. Eles até podiam não saber, mas naquele momento havia sido plantada a sementinha que germinou a Pseudo Banda, grupo musical que está lançando no formato digital o seu primeiro EP, o excelente É Agora. O lançamento em São Paulo será nesta sexta (20) às 23h com um show gratuito no Imburanas Bar (rua Cardeal Arcoverde, nº 2.929- Pinheiros- fone 0xx11-98693-7055).

A Pseudo Banda traz em sua formação Bea Pereira (oriunda de Santos-SP), Julia Rosa (paulistana) e Vinícius Árabe (natural de Uberaba-MG). No EP, foram acompanhados pelos excelentes músicos Thales Sala (guitarra), André Gabbay (baixo e percussão), Derek Kindermann (bateria) e Paulo Gianini (teclados e ukulele), com o violão ficando a cargo de Vinícius Árabe.

O som autoral concebido pelo trio mergulha de cabeça em referências como Tropicalismo, Secos & Molhados, Novos Baianos, Mutantes, pop-rock em geral e até uma pitadinha da verve teatral da Blitz. Suas vocalizações são incisivas, e suas canções investem com inteligência e jogo de cintura em temas como o amor, a positividade, as dificuldades do cotidiano e mesmo a política.

Na faixa É Agora, conseguem a façanha de nos oferecer uma letra altamente militante sem cair no panfletarismo barato, com direito a uma frase no mínimo impactante: “quanto tempo vai perder odiando aquele que é igual a você?”.

Não Me Importo vai nessa mesma linha, com direito a citação do poema Intertexto, do dramaturgo alemão Bertold Brecht e uma bela abordagem da indiferença das pessoas ao horror do dia-a-dia, até que esse horror as atinge em cheio.

Sobre Fracassos, Fiascos e Fossas encara com bom-humor os problemas que nos afligem a cada minuto. Sussurros fala sobre relações amorosas não necessariamente delineadas de forma convencional. Ouvidos Ao Mistério (veja o clipe aqui) aborda de forma irônica e até sarcástica o uso que se faz do ocultimos e quetais, enquanto Todo Mundo Chora é aquela balada certeira que nos cativa.

As vocalizações de Bea, Julia e Vinícius são muito bem concatenadas, ora em harmonizações afiadas, ora em cortantes participações individuais, com um senso teatral que valoriza e muito o texto que expressam.

Em um mundo perfeito, você já teria visto os clipes e estaria ouvindo o EP a mil por hora. Mas, mesmo nesse planeta maluco que habitamos, dá para fazer isso por sua própria conta. Faça uma opção que vai te acrescentar muito: veja os clipes e ouça É Agora….agora! E que venham o CD e o LP!

Sobre Fracassos, Fiascos e Fossas (clipe)- Pseudo Banda:

Chicago Transit Authority é relançado em versão remix

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Por Fabian Chacur

Na segunda metade dos anos 1960, o rock ganhou várias ramificações, graças a uma intensa dose de criatividade presente em diversos grupos, duplas e artistas-solo nos quatro cantos do mundo. Uma dessas tendências foi trazer para o universo roqueiro naipes de metal, permitindo às bandas que fizessem tal opção investirem em fusões com jazz, soul music e pop. Um dos pioneiros e mais criativos grupos nessa praia, ao lado do também americano Blood, Sweat And Tears, foi o Chicago.

Seu álbum de estreia, Chicago Transit Authority (1969), é considerado um dos marcos dessa ramificação “rock com metais”. Como forma de celebrar os 50 anos de seu lançamento, a Warner Music está lançando no Brasil em CD simples e nas plataformas digitais uma versão comemorativa, Chicago Transit Authority (50th Anniversary Remix), que traz uma nova mixagem para este trabalho clássico, pilotada pelo consagrado engenheiro de som Tim Jessup.

Criada em Chicago em 1967, esta banda americana tinha na época como seus integrantes principais Robert Lamm (teclados e vocais), Peter Cetera (baixo e vocais), Terry Kath (guitarra e vocais) e a sessão versátil de metais composta pelos multi-instrumentistas James Pankow, Lee Louhghlane e Walter Parazaider.

O nome do grupo na época em que lançaram o álbum de estreia era Chicago Transit Authority, mas para evitar problemas legais com a empresa de mesmo nome, reduziram para Chicago a partir do segundo LP.

A fama do CTA tornou-se enorme a partir do momento em que eles abriram shows para duas das grandes estrelas do rock daquele momento, Janis Joplin e Jimi Hendrix. Este último se declarou fã deles, elogiando tanto o naipe de metais como especialmente o guitarrista Terry Kath, que “toca melhor do que eu”.

O álbum teve um excelente desempenho comercial, ainda mais se levarmos em conta que, no formato LP de vinil, era duplo, algo raro para um trabalho de estreia. Mesmo assim, vendeu mais de 2 milhões de cópias nos EUA, atingiu o 17º na parada da Billboard e rendeu singles marcantes como Beginnings, Does Anybody Really Know What Time It Is e Questions 67 And 68 e a releitura de I’m a Man, dos britânicos do Spencer Davies Group.

O disco permaneceu por aproximadamente três anos, ou mais precisamente 171 semanas consecutivas na parada americana, e rendeu a eles uma indicação para o Grammy de Banda Revelação, vencida por Crosby, Stills & Nash e que tinha como outros concorrentes Led Zeppelin, Oliver e The Neon Philharmonic.

Embora já mostre os elementos pop que nos anos 1970 e 1980 tornaram a banda uma das campeãs de vendagens em todo o mundo, Chicago Transit Authority oferece uma sonoridade bem mais experimental e jazzística, com direito a faixas com longas passagens instrumentais nas quais o saudoso guitarrista Terry Kath (1946-1978) dá mostras de seu incrível talento, como Free Form Guitar. Um álbum que faz parte do elenco de várias listas dos melhores de todos os tempos, e que entrou no Hall da Fama do Grammy em 2014.

Faixas de Chicago Transit Authority (50th Anniversary Remix):

Introduction
Does Anybody Really Know What Time It Is?
Beginnings
Questions 67 And 68
Listen
Poem 58
Free Form Guitar
South California Purples
I’m A Man
Prologue, August 29, 1968
Someday (August 29, 1968)
Liberation

Ouça Chicago Transit Authority em streaming:

Humberto Gessinger lança álbum de canções inéditas em outubro

Humberto Gessinger - Não Vejo a Hora (capa)-400x

Por Fabian Chacur

No dia 11 de outubro, a gravadora Deck lançará, nos formatos CD, vinil, fita-cassete e digital, o álbum Não Vejo a Hora. Trata-se do primeiro trabalho de inéditas do ex-líder dos Engenheiros do Hawaii, o cantor, compositor e músico gaúcho Humberto Gessinger desde Insular (2013). Nesse meio-tempo, ele fez shows para divulgar aquele lançamento e também investiu em reler ao vivo o álbum mais famoso de sua ex-banda, A Revolta dos Dândis (1987).

Não Vejo a Hora conta com 11 faixas, compostas por Gessinger em parceria com Bebeto Alves, Duca Leindecker, Felipe Rotta, Nando Peters e Esteban Tavares, sendo que todas as letras são de sua autoria. A capa e contracapa traz desenhos do artista gaúcho Felipe Constant.

As gravações se dividem entre duas formações. Oito canções foram registradas com pegada power-elétrica, e trazem HG (vocal e baixo de seis cordas), Felipe Rotta (guitarra) e Rafa Bisogna (bateria). As três restantes tem HG (voz e viola caipira), Nando Peters (baixo acústico) e Paulinho Goulart (acordeon).

Em declaração incluída no press-release que anuncia o novo lançamento, Humberto explica a abordagem que escolheu para as novas canções: “Desde o início, saquei que o material pedia uma produção ágil, rápida, pra que a força das composições não se perdesse em firulas no estúdio… foi o que a gente fez. É um disco mais linear, mais focado na simplicidade dos trios”.

Infinita /Até o Fim (ao vivo)-Humberto Gessinger:

Abacaxepa lança Caroço com um show no Auditório Ibirapuera (SP)

Abacaxepa_FotoFloraNegri_02-400x

Por Fabian Chacur

Com uma estética sonora e visual bastante influenciada pela música brasileira dos anos 1970 e muito bem adaptada para os tempos atuais, a banda Abacaxepa vai aos poucos cativando um público fiel graças à consistência e energia de seu trabalho. Seu primeiro álbum, Caroço, lançado pelo selo YBmusic e disponível nas plataformas musicais, será lançado com um show em São Paulo nesta sexta (13) às 21h no Auditório Ibirapuera (avenida Pedro Álvares Cabral- Portão 2 do Parque Ibirapuera- fone 0xx11-3629-1075), com ingressos a R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira).

Carol Cavesso (voz), Bruna Alimonda (voz), Rodrigo Mancusi (voz), Juliano Verissimo (bateria e percussão), Ivan Santarém (guitarra e violão), Fernando Sheila (baixo), Vinícius Furquim (Rhodes, órgão Hammond e sintetizadores), integrantes do grupo radicado em São Paulo, criaram o Abacaxepa em 2016, durante as aulas de música que tiveram na Escola Superior de Artes Célia Helena. Portanto, a abordagem teatral de seu trabalho tem uma origem nobre.

Os ótimos singles Pimenta e O Dia Que Maria Levantou e o lançamento de um EP em 2018 ajudaram a impulsionar o Abacaxepa, além de shows costumeiramente lotados nos quais suas vocalizações bacanas e uma mistura afiada de rock, reggae, ritmos nordestinos, MPB, psicodelia, experimentalismos mil e muito mais encontram o local mais adequado.

Duas das músicas de Caroço (ouça o álbum em streaming aqui) já possuem videoclipes. São elas o reggae-xote Piracema e a roqueira Remédio Pra Gente Grande (veja o clipe aqui), duas belas amostras de um trabalho caudaloso e dos mais expressivos da novíssima geração da música brasileira.

Piracema (clipe)- Abacaxepa:

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