Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Lady Antebellum lança single beneficente para Porto Rico

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Por Fabian Chacur

O furacão Maria trouxe violentos transtornos para Porto Rico. Como forma de ajudar o povo de lá a dar a volta por cima nos prejuízos sofridos, o grupo americano Lady Antebellum resolveu doar tudo o que arrecadar com o seu novo single, Heart Break, para este fim. Além disso, eles também vão destinar uma porcentagem da venda dos ingressos de sua nova turnê para o povo porto-riquenho.Uma atitude bem bacana.

O clipe foi gravado em San Juan, cidade mais conhecida de Porto Rico. Heart Break é a faixa título do mais recente álbum lançado por Hillary Scott (vocal), Charles Kelley (vocal e violão) e Dave Haywood (vocal, guitarra, piano e mandolin). O trabalho saiu nos EUA em junho, atingiu o 4º posto na parada pop de lá, e marcou o retorno deles três anos após o lançamento do CD 747, período durante o qual tiveram um hiato na carreira da banda e se dedicaram a outros projetos.

Com 11 anos de estrada e sete troféus Grammy em seu acervo, o Lady Antebellum faz uma excelente mistura de country, pop e rock, com direito a canções melódicas e vocalizações bem bacanas. Eles se tornaram famosos mundialmente com seu segundo álbum, Need You Now (2010), especialmente graças à faixa título. Eles já lançaram sete álbuns, e possuem no currículo gravações em parceria com nomes do porte de Stevie Nicks e Maroon 5. Leia mais sobre eles aqui.

Heart Break (clipe)- Lady Antebellum:

Novo CD de Ringo Starr chega às lojas brasileiras em breve

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Por Fabian Chacur

Para os fãs do formato físico, mais precisamente do CD, e de Ringo Starr, neste caso, uma boa notícia. Está chegando às lojas brasileiras nos próximos dias o novo álbum do ex-Beatle, Give More Love, que também está sendo disponibilizado para download pago e nas diversas plataformas de streaming. A edição será a mesma que já saiu no exterior.

Give More Love é o sucessor de Postcards From Paradise (2015), e não está indo muito bem das pernas em termos comerciais. Nos EUA, atingiu apenas a posição de número 128, ainda pior do que a de seu antecessor, que chegou ao posto de nº 99. Curiosamente, até o momento a melhor performance do álbum foi na República Tcheca, na qual o trabalho do baterista mais famoso do mundo chegou ao nº18 dos charts locais.

O novo álbum do astro britânico traz um elenco repleto de amigos célebres no cenário musical, como tem sido praxe em sua carreira solo. O maior deles, Paul McCartney, marca presença em We’re On The Road Again e Show Me The Way. Aliás, o título da primeira (estamos na estrada novamente) tem tudo a ver, pois McCartney tocará no Brasil em outubro, e Ringo tem oito datas para cumprir em Las Vegas.

Além do velho e bom Macca, Mr. Starkey tem a seu lado em Give More Love os craques Steve Lukather, Peter Frampton, Richard Marx, Dave Stewart, Joe Walsh, Glen Ballard, Timothy B. Schmit e Edgar Winter, entre outros. O álbum traz 10 composições inéditas de Ringo escritas com diversos parceiros. Como bônus, releituras de Back Off Boogaloo, Photograph, You Can’t Fight Lightining e Don’t Pass Me By.

O projeto inicial de Ringo era gravar um álbum totalmente country, mas essa ideia acabou sendo deixada de lado, sendo que a única faixa que se encaixa bem nessa praia é a bela So Wrong For So Long. De resto, temos rock básico, baladas e um pouco de pop, com destaque para We’re On The Road Again, Show Me The Way e Standing Still. Um trabalho despretensioso, básico e divertido de se ouvir.

We’re On The Road Again– Ringo Starr:

Uganga lança videoclipe com sua releitura de Motorhead

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Por Fabian Chacur

Às vésperas do início das gravações de seu novo álbum, a banda Uganga lança um videoclipe para ilustrar sua ótima releitura de Damage Case, clássico lançado pelo Motorhead em 1979 em seu segundo álbum, Overkill. A gravação faz parte do tributo Going To Brazil- The Brazilian Tribute To Motorhead, álbum duplo lançado pela gravadora britânica Secret Service Records que também traz bandas como Ratos de Porão, Distraught, Claustrofobia e Torture Squade, entre outras.

Gravado em Goiânia (GO) no estúdio Rocklab, a gravação mostra a banda integrada por Manu Joker (vocal), Rafael “Ras” Franco (baixo), Christian Franco (guitarra), Maurício “Murcego” Pergentino (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra) e Marco Henrique (bateria) mais entrosada do que nunca. A edição do clipe ficou a cargo de Ras, que fez a montagem com cenas registradas durante as sessões.

Na estrada desde 1993 e oriunda de Uberlândia (MG), a Uganga se consolidou no Brasil e no cenário mundial do heavy metal. Boa prova disso é o fato de que seu próximo álbum terá como patrocinadora a Wacken Foundation, organização alemã sem fins lucrativos criada em 2008 pelos organizadores do Waken Open Air, um dos maiores e mais tradicionais festivais de heavy e hard rock do mundo, cujo objetivo é incentivar bandas de rock pesado do mundo todo.

Com um trabalho consistente e vigoroso, o grupo traz como destaque o vocalista Manu Joker, que foi baterista da histórica banda Sarcófago, pioneira do heavy rock mineiro ao lado do Sepultura. Sua discografia traz itens bacanas como Eurocaos Ao Vivo (2013), gravado ao vivo na Europa, e Opressor (2015, leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Damage Case (clipe)- Uganga:

Piano, Voz e Jobim será tema de um show nesta quinta (28)

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Por Fabian Chacur

O tema é Tom Jobim. Sim, a obra deste inesquecível cantor, compositor, músico, arranjador e um dos grandes mestres da música brasileira. Piano, Voz e Jobim, CD lançado pelo cantor Augusto Martins em parceria com o pianista Paulo Malaguti Pauleira, será lançado no Rio de Janeiro com um show nesta quinta (28) às 20h na Sala Cecilia Meireles (rua da Lapa, nº 47- fone 0xx21-2332-9223), com ingressos a R$ 20,00 e R$ 40,00.

Se estivesse entre nós, o incrível e eterno Maestro Soberano teria completado 90 anos de idade neste 2017. E este CD certamente é uma das grandes homenagens a ele. Com mais de 20 anos de estrada, o cantor Augusto Martins já mergulhou nos songbooks de Djavan, Zé Kéti e Ismael Silva, com uma discografia refinada na qual se revela um estilista, concentrando-se nas interpretações como os cantores de outras eras e mostrando-se craque nessa seara.

Para dividir com ele este mergulho na obra do Tom, um nome mais do que especial. Paulo Malaguti Pauleira integrou os grupos Céu da Boca e Arranco de Varsóvia, e em 2013 recebeu a difícil tarefa de substituir o saudoso Magro Waghabi no MPB-4. Arranjador vocal e pianista, ele se mostrou o parceiro ideal para Augusto nesta empreitada, que funciona no esquema voz-piano, sem outros instrumentos, mostrando dessa forma as canções em sua essência.

Os arranjos intimistas fazem jus à beleza do repertório de 15 canções de Jobim e parceiros, com direito a Estrada do Sol, Chovendo na Roseira, Insensatez, Luiza, O Morro Não Tem Vez e Retrato Em Preto e Branco. Amor em Paz conta com a participação especial de Ivan Lins no vocal e piano, funcionando como uma espécie de cereja do bolo. O diálogo entre a voz de Augusto e as teclas de Malaguti é uma das coisas mais belas lançadas em 2017 no setor MPB. Baita tributo!

Estrada do Sol– Augusto Martins e Paulo Malaguti Pauleira:

Tears For Fears mostra como fazer show para encantar fãs

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Por Fabian Chacur

No mundo da música pop, mais especialmente no das grandes estrelas do gênero, uma das fórmulas mais garantidas para conseguir conquistar uma plateia é oferecer a ela um repertório de sucessos com arranjos bem próximos daqueles presentes nas gravações de estúdio. E foi exatamente isso que o Tears For Fears mostrou na noite desta quinta (22) no Rock in Rio, em um show quase impecável com pouco mais de uma hora de duração.

Acompanhados por ótimos músicos de apoio, Roland Orzabal (guitarra e vocal) e Curt Smith (baixo e vocal) entraram em cena com um de seus megahits, Everybody Wants To Rule The World, mostrando a estratégia que durante toda a apresentação os levariam a conquistar os fãs. Os arranjos, as programações, os vocais e até os solos foram sempre iguais aos das gravações originais, sendo que o bom estado da vozes dos integrantes da dupla ajudou e muito nesse plano.

O repertório foi bem escolhido, embora possa ser contestado por alguns fãs. Eles trouxeram quatro faixas de seu álbum de estreia, mas curiosamente não a sua excepcional faixa-título, The Hurting. Do CD que os tornou conhecidos mundialmente, Songs From The Big Chair (1985), tivemos os três maiores hits, mas Broken, I Believe e Mother’s Talk seriam outras candidatas bem recebidas, se fossem tocadas.

A ausência de Woman In Chains certamente foi a mais lamentada pelo público presente à Cidade do Rock, mas a explicação por sua não inclusão é simples: o grupo não tinha uma cantora que pudesse fazer as vezes de Oleta Adams, e ficaria esquisito ouvir um homem se incumbir daquelas passagens vocais marcantes. Eles poderiam eventualmente convidar alguma cantora brasileira para dar conta do recado, mas acho que ninguém teve essa ideia.

Para quem achar uma viagem tal possibilidade, vale lembrar que, nos anos 1990, Peter Gabriel fez shows no Brasil e quem se incumbiu da parte de Kate Bush na música Don’t Give Up e da de Sinead O’Connor em Blood Of Eden foi a nossa Jane Duboc. Muito bem, por sinal.

Também se mostrou inferior ao resto do repertório a releitura de Creep, primeiro sucesso do grupo britânico Radiohead, que poderia perfeitamente ter dado lugar a outra música própria deles, ou, se fosse o caso de um cover, a interessante releitura que o próprio Tears For Fears fez de Ashes To Ashes, do saudoso mestre David Bowie, incluída na coletânea da banda Saturnine Martial & Lunatic (1996).

Mas chega de “se, se, se”. Vale analisar o show exatamente como foi, e nesse caso a nota é muito alta. O desfile de hits foi matador, e a inclusão de duas ótimas faixas de seu álbum de retorno de 2004, a faixa título Everybody Loves a Happy Ending e Secret World, mostra como esse excelente trabalho não merecia ter sido praticamente ignorado pela mídia e pelo grande público. Discaço!

A curiosidade ficou por conta da inclusão de Break It Down Again, a única música do show extraída de um dos discos que Orzabal gravou com o nome Tears For Fears sem a presença de Curt Smith, o interessante Elemental (1993). Simples, sem invenções e com alma, o show da clássica banda oitentista ganhou o público e mereceu ser considerado um dos melhores do festival. E nada de “mero apelo nostálgico” ou colocações tolas do gênero. Música boa é para sempre!

Set list Tears For Fears Rock in Rio- 22.9.2017

início: 22h43

Everybody Wants To Rule The World (Songs From The Big Chair– 1985)

Secret World (Everybody Loves a Happy Ending-2004)

Sowing The Seeds Of Love (The Seeds Of Love-1989)

Advice For The Young At Heart (The Seeds Of Love– 1989)

Everybody Loves a Happy Ending (Everybody Loves a Happy Ending-2004)

Change (The Hurting– 1983)

Mad World (The Hurting– 1983)

Memories Fade (The Hurting– 1983)

Creep (cover do Radiohead)

Pale Shelter (The Hurting-1983)

Break It Down Again (Elemental– 1993)

Head Over Heels (Songs From The Big Chair-1985)

bis: Shout (Songs From The Big Chair– 1985) final 23h42

Shout (ao vivo Rock in Rio)- Tears For Fears:

The Who não morreu e chega à maturidade com categoria

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Por Fabian Chacur

Ah, a juventude. Nela, dizemos coisas que nem sempre são realmente sinceras. Em 1965, Pete Townshend afirmou, na letra de seu hit My Generation: “hope I die before I get old” (espero morrer antes de ficar velho). Que bom esse “desejo” não ter se concretizado. Dessa forma, enfim os brasileiros puderam ver o seu grupo, o The Who, mais de 50 anos após o seu surgimento. E valeu a pena aguardar tanto. Que maturidade e que categoria!

Em São Paulo, na noite desta quinta-feira (21), o público presente ao Allianz Parque estava lá para ver o The Who. Antes, tivemos a eficiência insossa do hard rock grungeado do Alter Bridge e a vibração e pegada do hard gótico do The Cult. Este segundo agradou bastante, com hits como She Sells Sanctuary, Love Removal Machine, Phoenix, Sweet Soul Sister e Wild Flower. Fizeram um show compacto e ótimo. Mas eles já nos visitaram algumas vezes. A novidade era outra.

E pontualmente às 21h30, com I Can’t Explain (exatamente o primeiro single da carreira da banda, de 1965), enfim Roger Daltrey e Pete Townshend pisaram em um palco brasileiro. Infelizmente, Keith Moon e John Entwistle já não se encontram mais entre nós, mas seus ex-colegas sabem como carregar um legado tão poderoso como o desta banda britânica, acompanhados por um timaço que traz Simon Townshend (irmão de Pete) e Zack Starkey.

Zack, filho de Ringo Starr, é uma das explicações pela qual a atual encarnação do The Who está tão empolgante. Ele conseguiu pegar a essência do estilo do inimitável dínamo Keith Moon, e com a energia de quem tem 20 anos a menos do que seus dois patrões, equivale ao motorzinho do time, energizando os colegas e não deixando a peteca ir ao chão em momento algum.

O show deu um mergulho na história da banda de 1965 a 1982. A amostra dessa obra tão consistente é um ode ao talento de Townshend como compositor. Versátil, o cara começou com rocks ágeis e simples, precursores do que depois recebeu o rótulo de power pop.

Depois, mergulhou na psicodelia, ajudou a formatar as óperas-rock, flertou com o rock progressivo e o hard rock, inspirou o punk rock, escreveu baladas maravilhosas, e investiu em versos que vão do amor à filosofia, com direito ao atualíssimo protesto de Won’t Get Fooled again, por exemplo. Rock eletrônico, new wave, essa mistura é original e única.

Townshend é um compositor que usa a guitarra a favor das canções. Seu estilo de tocar é sem frescuras nem exibicionismos fúteis, embora capaz de empolgar com seus power chords ou solos envolventes. De quebra, ainda canta, e muito bem, por sinal, embora a concorrência na banda seja bastante desleal

Por outro lado, reafirmo pela milésima vez: Roger Daltrey é um dos vocalistas mais subestimados da história do rock. Dificilmente é citado entre os melhores. Uma baita injustiça. A capacidade que esse cara tem de emocionar os fãs com sua bela voz é algo de impressionar. E também sem exibicionismos ou tecnicismos bestas. A voz também a favor das canções. Coisa linda!

Em Sampa City, foram aproximadamente duas horas de rock and roll que simplesmente deixaram o público presente ao Allianz Parque de queixo caído. Sim, com seus celulares o tempo todo filmando e tirando fotos, costume às vezes irritante. Mas gostando e urrando, em especial durante as músicas mais conhecidas da maioria, como Who Are You, Baba O’Riley, Won’t Get Fooled Again, Pinball Wizard e See Me Feel Me.

O show deste sábado (23), no Rock in Rio, teve de ser reduzido em mais de 20 minutos devido ao fato de, horror dos horrores, esse time histórico e clássico ter sido escalado para ficar encaixotado entre o roquinho insosso do Sucubus e a milésima apresentação do Guns N’ Roses no Brasil. Mesmo assim, e diante de uma plateia que estava lá para ver Axl, Slash e sua turma, deram conta do recado com a categoria de quem soube envelhecer com honra. Baita show! Mas Medina e sua turma não deram a chance de nem um bis para o grupo. Vergonha!

Quem por ventura perdeu, que dê uma de Kleiton & Kledir: vá para Porto Alegre e tchau. Pete Townshend e sua trupe do bem tocam na cidade nesta terça (26). E quem perder, provavelmente vai ficar chupando o dedo, pois pelo teor do papo do guitarrista em entrevista ao Multishow logo após a sua excelente performance, a ideia dele é tirar um período sabático e cuidar de carreira solo. Mas mesmo que seja o fim, que fim para uma incrível jornada!

Setlist do show de São Paulo:
Início: 21h30

I Can’t Explain
The Seeker
Who Are You
The Kids Are Alright
I Can See For Miles
My Generation (com trechos de Cry If You Want)
Bargain
Behind Blue Eyes
Join Together
You Better You Bet
I’m One
The Rock
Love Reign O’er Me
Eminence Front
Amazing Journey
Sparks
Pinball Wizard
See Me, Feel Me
Baba O’Riley
Won’t Get Fooled Again

bis

5:15
Substitute final: 23h30 (aproximado)

Set List Rock In Rio

Início: 22h41

I Can’t Explain
Substitute
The Kids Are Alright
I Can See For Miles
My Generation (com trechos de Cry If You Want)
Bargain
Behind Blue Eyes
Join Together
You Better You Bet
I’m One
5:15
Love Reign O’er Me
Amazing Journey
Sparks
Pinball Wizard
See Me Feel Me
Baba O’Riley
Won’t Get Fooled Again
final: 00h17

Baba O’Riley (ao vivo-SP)- The Who:

Cantora americana Anastacia volta com o álbum Evolution

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Por Fabian Chacur

Caught In The Middle é o novo single da cantora e compositora americana Anastácia, que viveu o auge de sua popularidade no início dos anos 2000. A música, que traz forte tempero de reggaeton, é a primeira a ser divulgada do álbum Evolution, o primeiro que lança desde Resurrection, que saiu em 2014. O clipe traz a intérprete investindo em coreografias e em um clima dançante próximo do pop atual.

Evolution tenta misturar apostas em uma sonoridade mais próxima das cantoras pop atuais, como o primeiro single denota muito bem, com faixas nas quais a fusão soul-disco-funk que tornou mundialmente conhecida a artista nascida em 17 de setembro de 1968 se mantém presentes, entre as quais Stamina, Reckless, Not Coming Down e Pain.

Anastácia Lyn Newkirk batalhou bastante até conseguir maior visibilidade para o seu trabalho. Ela trabalhou como dançarina em vídeos de grupos como o trio de hip hop Salt-N-Pepa, fez vocais de apoio em discos de artistas como a cantora pop Tiffany e atuação em grupos de pouco destaque. Ela se tornou conhecida do grande público ao participar em 1998 do programa The Cut, da MTV americana, no qual apresentou sua composição Not That Kind pela primera vez.

Sua interpretação poderosa impressionou astros do porte de Elton John e Michael Jackson, além dos jurados do programa, o produtor David Foster e a cantora Faith Evans. Não foi a vencedora, mas conseguiu um contrato para gravar um álbum-solo, Not That Kind, que saiu em 2000 e lhe valeu fãs na Europa, América do Sul e Oceania, vendendo mais de 7 milhões de cópias. Curiosamente, fracassou em sua terra natal.

Até 2005, Anastácia se manteve com bastante popularidade. Posteriormente, continuou lançando novos trabalhos, mas com repercussão um pouco inferior. E nunca conseguiu emplacar nos EUA. De quebra, ela teve (e ainda tem) de lutar contra constantes problemas de saúde, entre eles a doença de Crohn (que não tem cura) e câncer em duas ocasiões diferentes. Felizmente, esta verdadeira guerreira conseguiu seguir em frente, como prova com este novo trabalho.

Caught In The Middle (clipe)- Anastacia:

Músico Laudir de Oliveira, ex-Chicago, morre durante show

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Por Fabian Chacur

Dizem que nada mais glorioso para um artista do que morrer durante uma exibição de seu talento. Pois foi exatamente isso o que ocorre na tarde deste domingo (17) com o genial percussionista brasileiro Laudir de Oliveira. Ele nos deixou aos 77 anos durante um show em homenagem ao saudoso Paulo Moura do qual participava em Olaria, no Rio de Janeiro. Laudir foi vítima de um infarto, e deixa um belo legado, construído em rica trajetória musical.

Nascido no Rio de janeiro em 6 de janeiro de 1940, Laudir começou a se tornar conhecido como músico nos anos 1960, tocando com nomes como Marcos Valle e Sergio Mendes. Em 1969, mudou-se para os EUA, e se tornou um músico bastante acionado para gravações e shows. Ele participou da versão de Feelin’ Alright gravada por Joe Cocker, por exemplo, e fez parcerias com os compatriotas Airto Moreira e Flora Purim, também radicados na terra de Louis Armstrong.

Em 1973, foi convidado a tocar com o Chicago, um dos primeiros grupos de rock de sucesso a mesclar guitarra, baixo, bateria e teclados a uma sessão de metais, influenciado por jazz e soul. Após gravar dois discos com eles como músico de apoio, foi confirmado como integrante oficial em 1975 e ficou por lá até 1980, um período de grande sucesso da banda. Ele está presente em hits como Happy Man, If You Leave Me Now, Baby What a Big Surprise, No Tell Lover e inúmeros outros.

Além de sua atuação tocando diversos instrumentos de percussão e tendo ótimo entrosamento com o baterista da banda, Danny Seraphine, ele participou como vocalista da faixa You Get It Up (de 1976) e é o coautor (em parceria com Marcos Valle) da música Life Is What It Is, gravada pela banda em 1979. Em 1978, participou tocando congas do álbum Destiny, dos Jacksons, que inclui os hits Shake Your Body (Down To The Ground) e Blame It On The Boogie.

Além do Chicago, Laudir gravou com inúmeros outros artistas, entre os quais Milton Nascimento, Nina Simone, Chick Corea, Gal Costa, Maria Bethânia, Jennifer Warnes, Gerry Mulligan e inúmeros outros. Ele também trabalhou como produtor, dançarino, ator e artista plástico. Ele acompanhou Carlos Santana na edição de 1991 do Rock in Rio, e voltou ao Brasil no fim dos anos 1980, após 20 anos na terra do Tio Sam.

Life Is What It Is– Chicago:

Efeito Borboleta, bela viagem rocker de Rodrigo e Fernando

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Por Fabian Chacur

Quando entrou no Barão Vermelho, em 1992, Rodrigo Santos não só tornou-se membro do primeiro time do rock brasileiro como também ganhou um novo parceiro musical, o guitarrista Fernando Magalhães. Depois de 25 anos, essa amizade não só se consolidou como agora rende um primeiro trabalho em dupla. E que trabalho! Efeito Borboleta (lançado pela Coqueiro Verde) equivale a uma bela viagem rocker.

A ideia dos dois amigos é que este CD seja o primeiro de uma trilogia. Neste volume inicial, temos 15 músicas assinadas por eles. Rodrigo se incumbe de vocais (todos), baixo e violões, enquanto Fernando é o cara das guitarras e violões. Completam o time o tecladista Humberto Barros, que tocou com Rodrigo no Kid Abelha, e o baterista Lucas Frainer, do grupo Rodrigo Santos & Os Lenhadores.

A dobradinha Santos/Magalhães gerou uma fornada de canções roqueiras com várias nuances, sem cair na mesmice. O início não poderia ser melhor, com a virulenta faixa-título, cuja letra detona a situação caótica do mundo e os riscos que corremos de um fim apocalíptico.

A faixa-final, o impactante hard rock A Magnitude da Nossa Insignificância, é uma espécie de complemento da de abertura, trazendo versos ácidos sobre o quanto o ser humano é insignificante perante tudo o que o cerca, embora sempre se ache a última bolacha do pacote.

Entre uma e outra, o ouvinte poderá se divertir com um repertório que investe em rocks certeiros com vocação pop como Navegar, Juntos de Novo e A Vida Bela, a balada com slide guitar inspiradíssima Sem Deixar Pegadas, a ótima stoneana Uma Pequena Lágrima (espécie de Beast Of Burden da dupla), e a belíssima balada folk acústica O Meu Juízo.

Mano é uma bela blues ballad homenageando o saudoso percussionista Peninha, parceiro dos dois no Barãm Vermelho. Sorte é um rock melódico com cara de hit, assim como a incrível Coragem. As duas mereciam entrar imediatamente nas programações das rádios roqueiras deste país, se é que ainda existe alguma. Na pior das hipóteses, nos podcasts dedicados ao rock nacional.

Em outro momento político do repertório (sem cair no panfletário, por sinal), O Fóssil Brasileiro mistura punk e hard rock com versos incisivos como “e se o chão é duro, traiçoeiro, é mais heroico pra partir, do que o espinhoso travesseiro dos assassinos do país”. Por sinal, as letras são sempre muito bem concatenadas, independente do tema desenvolvido- amor, relacionamentos, filosofia de vida, política…

Versátil e com um currículo do tamanho de uma lista telefônica, Rodrigo Santos mostra que aprendeu e muito com todas essas experiências. Ele canta cada vez melhor, com personalidade e estilo, mostrando que sabe tanto ser sideman como frontman, sempre com a mesma categoria. Por sua vez, Fernando Magalhães joga para o time o tempo todo, sem querer ser mais do que as canções, que mandam neste álbum.

O que não significa que, em momentos como 12 Anos de Espera, Sem Deixar Pegadas e A Magnitude da Nossa Insignificância Magalhães não assuma o protagonismo com fúria, técnica e emoção. Como já sabíamos nesses seus tantos anos de Barão Vermelho, é um baita músico. E nas composições, a dupla esbanja inspiração, concisão e talento, manuseando as regras e elementos do rock and roll com uma desenvoltura destinada apenas aos craques.

Se esse é apenas o início de uma trilogia, fica a torcida para que os outros volumes venham logo, pois esta dupla dá provas inequívocas de que estão bem errados aqueles que afirmam ser o rock um gênero morto e com farofa na boca. Provavelmente, são os caras que afirmam uma asneira dessas que se encontram em tal situação. O saudoso mestre Zeca Neves amaria este álbum!

Efeito Borboleta- Rodrigo Santos e Fernando Magalhães (ouça em streaming):

Grant Hart, ex-Husker Du, faz a sua última e triste viagem

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Por Fabian Chacur

Grant Hart, baterista, vocalista e compositor da seminal banda americana Husker Du, nos deixou nesta quinta-feira (14), aos 56 anos. Ele lutava nos últimos meses contra um câncer no rim, que infelizmente não teve como ser curado. Diversos músicos lamentaram essa inestimável perda, entre eles Bob Mould, seu ex-colega de banda, que divulgou sua tristeza nas redes sociais, conforme ótima matéria da edição online do jornal Star Tribune, da cidade americana de Minneapolis (leia aqui).

Em uma dessas tristes coincidências, o único show de Hart em São Paulo completará quatro anos de sua realização nesta sexta-feira (15). Foi um evento incrível, no qual o artista americano mostrou seu enorme talento e encantou os inúmeros fãs presentes à Galeria Olido (leia a resenha deste show histórico aqui). E o ingresso foi gratuito!

Grantzberg Vernon Hart nasceu em 18 de março de 1961. Ele montou o Husker Du na cidade de Minneapolis, a mesma que deu ao mundo o genial Prince, em 1979. Junto com Bob Mould (guitarra e vocal) e Greg Norton (baixo), o baterista, cantor e compositor resolveu investir em um punk rock bastante agressivo, que ganhou o rótulo de hardcore. O primeiro single do grupo, com as faixas Statues e Amusement, saiu em 1981. O primeiro álbum, o ao vivo Land Speed Record (1982), é um registro básico, cru e hardcore até a medula.

Com o tempo, o Husker Du ampliou os seus horizontes e criou uma sonoridade que pode ser definida de forma geral como se fosse uma mistura do Black Flag com os Byrds. Álbuns como Zen Arcade (1984) e Flip Your Wig (1985) os tornaram bastante conhecidos no meio underground do rock americano, a ponto de atrair a atenção da gravadora Warner, que resolveu apostar nos rockers feiosos e gordinhos, mas muito talentosos.

Candy Apple Grey (1986), a estreia deles na Warner, é uma obra-prima, na qual essa fusão de folk-rock clássico com hardcore soa simplesmente perfeita. Hart e Mould eram os compositores do grupo e também se alternavam como vocalistas principais. Dois craques. Mas as canções de Hart, maravilhas como I Don’t Want To Know If You’re Lonely e Sorry Somehow, são as melhores, poderosos diamantes sônicos bem lapidados, sem perder a energia, nem a ternura, jamais.

Infelizmente, nem esse clássico, nem o seu ótimo sucessor, Warehouse: Songs And Stories (1987), conseguiram bons números de venda. Em 1987, ou seja, há exatos trinta anos, eles acabaram se separando, especialmente devido a brigas entre Hart e Mould, rivalidade que se manteve por muitos e muitos anos e impediu qualquer chance do retorno da banda. E aquela praga que frequentemente atinge pioneiros na música os pegou em cheio.

Logo após o seu fim, bandas como Pixies e, especialmente, Nirvana, beberam com categoria em sua fonte e conseguiram colher os frutos em termos comerciais e de popularidade que foram negados ao Husker Du. Após o fim da banda, Grant Hart iniciou uma carreira-solo com o excelente Intolerance (1989), que este que vos escreve tem autografado pelo autor.

Hart ainda criou a banda Nova Mob, que se manteve por algum tempo na ativa e lançou alguns discos, mas sem sucesso. Depois, retornou à carreira-solo. Seu último trabalho individual foi The Argument (2013). Naquele mesmo ano, foi feito o documentário Every Everyting- The Music, Life & Times Of Grant Hart, de Gorman Bechard (o mesmo de Color Me Obsessed-2011, sobre os Replacements, outra banda seminal de Minneapolis), dando uma geral em sua vida.

Bob Mould voltou a se aproximar do ex-colega de banda nessa fase final. Inclusive, anunciaram há uma semana o lançamento, previsto para novembro deste ano, de Savage Young Du, caixa com três CDs trazendo gravações inéditas da fase inicial do Husker Du. Em julho deste ano, em um de seus últimos shows (ou quem sabe o último), em Minneapolis, Hart teve a participação de integrantes do Soul Asylum, Babes In Toyland e Run Westy Run. Leia mais sobre ele aqui.

Em entrevista concedida em 2009 ao Star Tribune, o músico, que foi amigo de Patty Smith e Willian S. Burroughs, deu uma declaração que pode servir como um belo epitáfio: “Acho que o trabalho que eu produzi durante a minha vida irá mais do que reparar o mundo por alguma inconveniência que eu tenha causado”. Descanse em paz.

Candy Apple Grey- Husker Du (ouça em streaming):

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