Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Michael Johnson/Bluer Than Blue nos deixa aos 72 anos

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Por Fabian Chacur

Em 1978, a canção Bluer Than Blue estourou no mundo inteiro, Brasil incluso, e tornou conhecido o cantor, compositor e violonista americano Michael Johnson. A bela balada com tempero country tornou-se para sempre o cartão de apresentações dele, que infelizmente nos deixou no dia 26 de julho, aos 72 anos. O artista sofreu uma cirurgia cardíaca em 2007, e também lutava há anos contra um enfisema pulmonar.

Para quem só sabia da existência desse artista por causa de seu maior hit, senta, que lá vem história. Ele nasceu no estado americano do Colorado em 8 de agosto de 1944, e começou a tocar violão com 13 anos de idade. Passou a cursar música na Colorado State University, em 1963, mas em 1965 venceu um concurso de talentos, que lhe valeu seu primeiro contrato com uma gravadora, a Epic. A seguir, lançou o single Hills, de sua autoria, com pequena repercussão.

Sem desanimar, Johnson viajou para uma temporada na Espanha, durante a qual estudou violão clássico com os consagrados Graciano e Renata Tarragó. Ele integrou a banda New Society e integrou um trio ao lado de John Denver. Como forma de expandir seus horizontes, atuou como ator no espetáculo teatral Jacques Brel Is Alive And Well And Living In Paris, com o qual viajou pelo país.

Em 1973, volta à música ao acertar contrato com a Atco Records. O primeiro álbum, There Is a Breeze, saiu a seguir, tendo como coprodutores nomes do calibre de Peter Yarrow (do trio Peter, Paul And Mary) e Phil Ramone. Ele lançaria mais dois trabalhos por este selo, novamente sem grande sucesso. Aí, resolveu ir para Nashville trocar figurinhas com produtores de lá. Não poderia ter sido melhor.

Ele gravou, produzido por Brent Maher e Steve Gibson, uma nova canção, Bluer Than Blue(de Randy Goodrum), e incluiu-a em uma fita demo. A gravadora EMI América se interessou e resolveu contratá-lo. Em 1978, sai The Michael Johnson Album. Incluída nele, Bluer Than Blue atingiu, no formato single, o posto de número 12 na parada americana. Seu arranjo e melodia envolventes, aliados a uma letra tocante e romântica, se mostrariam irresistíveis.

O mesmo álbum traria mais um single de sucesso, Almost Like Being In Love. Em 1979, viria o LP Dialogue, trazendo como destaque outro single bem-sucedido, This Night Won’t Last Forever, balada com pegada mais country que atingiu o nº 19 nos EUA e também tocou bastante nas rádios brasileiras. Em 1985, Johnson sai da EMI América.

Ao ser contratado pela RCA Records (hoje Sony Music), o artista investiria de forma mais direta no country contemporâneo, e entre 1986 e 1989 emplacaria cinco hits no top 10 country, entre as quais Give Me Wings e The Moon Is Still Over Her Shoulders. Entre 1993 e 1998, novamente mostrou versatilidade ao assinar a coluna The Solo Performer para a revista Performing Songwriter.

Michael Johnson fez diversas turnês com outros artistas, e gravou dois duetos de sucesso, um em 1991, It Must Be You, com a cantora Juice Newton (do hit Angel Of The Morning), e outro em 1997, Whenever I Call You Friend, com Alison Krauss, consagrada artista country também conhecida por ter gravado o bem-sucedido álbum Raising Sand (2007) com o ex-Led Zeppelin Robert Plant.

O último álbum de Johnson foi Moonlit Déja Vu (2012), em parceria com sua filha, a cantora Truly Carmichael. Vale lembrar que Bluer Than Blue mereceu uma bela releitura por parte de Barry Manylow em 1996 no seu belíssimo álbum Summer Of ’78, no qual basicamente regravou grandes sucessos do ano de 1978. E podem ter certeza de que essa canção de Michael Johnson certamente foi uma delas.

Bluer Than Blue– Michael Johnson:

Luiz Melodia: o adeus a esse mestre inclassificável da MPB

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Por Fabian Chacur

Que tipo de música fazia Luiz Melodia? MPB? Samba? Blues? Jazz? Soul? Rock? Ou na verdade uma mistura inclassificável desses e de outros gêneros musicais? Boa pergunta. Mas em um ponto todos concordamos: o cara era dono de um swing genial. Esse grande talento infelizmente nos deixou na madrugada desta sexta(4), aos 66 anos, após lutar contra um câncer na medula óssea. E eu tive a honra de presenciar seu último show, realizado na cidade de Jaú (SP). Leia a resenha aqui .

Nascido no Rio de Janeiro em 7 de janeiro de 1951, Luiz Carlos dos Santos (seu nome de batismo) é cria do Morro do Estácio. Desde o começo, seu samba se mostrava diferente, embora sempre baseado nos grandes nomes da história desse gênero musical. Ele se tornou conhecido inicialmente como compositor, ao ter sua Pérola Negra gravada por Gal Costa. Em 1973, gravou o primeiro álbum, intitulado também Pérola Negra e muito elogiado pela crítica especializada

O sucesso de fato veio em 1975, quando sua música Ébano foi finalista e teve destaque no Festival Abertura, promovido pela Rede Globo. Logo a seguir, Juventude Transviada, faixa de seu segundo álbum, o genial Maravilhas Contemporâneas (1976), foi incluída com destaque na trilha da novela global Pecado Capital, e a repercussão lhe valeu um estouro de proporções nacionais.

Sem se deixar contaminar pelo vírus negativo que às vezes o sucesso incute nos artistas, Melodia desenvolveu uma obra consistente e sólida, na qual unia ótimas composições próprias a releituras personalizadas de músicas alheias, entre as quais Negro Gato (Getúlio Cortes), hit de Roberto Carlos nos tempos da Jovem Guarda que o swingado carioca tomou para si com uma personalidade tal que muitos pensam que essa canção é de autoria dele.

Após uma década de 1980 na qual ficou mais distante da mídia, embora lançando bons trabalhos, ele voltou às paradas de sucesso em 1991 ao regravar com personalidade Codinome Beija-Flor, de Cazuza, outra canção que entrou em trilha de novela global,O Dono do Mundo. A partir daí, atraiu as atenções das novas gerações e gravou até CD/DVD em parceria com a MTV. E seus shows continuaram irresistíveis.

Após fazer o show em Jaú (SP) em julho, que ele encarou mesmo já demonstrando não estar tão bem, Luiz Melodia passou por exames e descobriu o câncer de medula óssea que o afastou de cena. Em março, ele fez um transplante de medula, que infelizmente não atingiu o objetivo esperado. Se ele sai de cena em termos físicos, a herança musical que nos deixa é de valor incalculável e será cultuada enquanto houver gente com bom gosto musical na face da terra.

Juventude Transviada– Luiz Melodia:

Sidney Magal celebra 50 anos de carreira gravando um DVD

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Por Fabian Chacur

Sidney Magal celebra 50 anos de carreira. Como forma de festejar essa data marcante, o cantor carioca irá gravar um novo DVD, o terceiro de sua trajetória artística. O novo trabalho será registrado em São Paulo no dia 17/8 (quinta-feira) a partir das 22h no Espaço das Américas (rua Itagipuru, nº 795- Barra Funda- informações: 0xx11-2027-0777), com ingressos custando de R$ 60,00 (meia-entrada, pista) a R$ 220,00.

Com o título Bailamos, o show trará convidados especialíssimos. Já estão confirmados os nomes de Ney Matogrosso, Rogério Flausino (vocalista do Jota Quest), Ana Carolina, Rincon Sapiência, Alexandre Pires e Milton Guedes, sendo que outros poderão ser anunciados nos próximos dias. Ele será acompanhado por uma grande banda liderada pelo maestro Caique Vandera.

O repertório será dividido entre hits do calibre de O Meu Sangue Ferve Por Você, Tenho, Sandra Rosa Madalena (A Cigana) e Me Chama Que Eu Vou, canções que ele curte de autores como Rita Lee, Roberto Carlos e Ivan Lins e também algumas composições inéditas. O DVD tem previsão de lançamento para ainda este ano.

Nascido em 19 de junho de 1953, Sidney Magal foi durante anos um cantor da noite, participando de espetáculos diversos e sendo crooner de hits alheios. A partir de 1977, apoiado pelo produtor e compositor argentino radicado no Brasil Roberto Livi, ele assumiu um visual cigano e um repertório explosivo mesclando música latina, pop e até rock. Nascia um dos maiores superstars da história da nossa música pop.

O Meu Sangue Ferve Por Você, Tenho, Sandra Rosa Madalena (A Cigana), foram inúmeros sucessos até o início dos anos 80, quando ele passou por uma fase de entressafra. O retorno triunfal às paradas de sucesso ocorreu em 1990, com a música Me Chama Que Eu Vou, tema da novela global A Rainha da Sucata. A partir daí, ele não saiu mais de cena, como cantor e também ator e participando de diversos programas televisivos.

O Meu Sangue Ferve Por Você– Sidney Magal:

Primavera nos Dentes lançará seu primeiro álbum em breve

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Por Fabian Chacur

Charles Gavin, ex-baterista dos Titãs e apresentador do programa do Canal Brasil O Som do Vinil, voltará em breve ao mundo do disco com um novo projeto. Trata-se do Primavera Nos Dentes, cujo objetivo é a releitura de músicas dos Secos & Molhados. O trabalho sairá via gravadora Deck a partir do fim deste mês, nos formatos vinil e digital.

Além de Gavin, o time conta com o lendário guitarrista Paulo Rafael (Alceu Valença e Ave Sangria), Duda Brack (vocal), Pedro Coelho (baixo, de Cassia Eller- O Musical e Dona Joana) e Felipe Ventura (violino e guitarra, de Xôo e Cícero). Foram aproximadamente um ano e meio de ensaios e gravações de demos. A ideia era começar pelos shows, mas o produtor Rafael Ramos (Pitty, Titãs, Vanguart) ouviu uma das demos, gostou e os convidou para gravar.

“A sonoridade e os arranjos se distanciaram bastante dos originais, diria que cada versão que fizemos tem a assinatura de cada um de nós. Também foi surpreendente constatar o fato de que a poesia das letras permanece extremamente atual e assertiva após décadas, deliciosamente doce e ácida, ingênua e politizada ao mesmo tempo, conectando-se com pessoas de qualquer geração e qualquer lugar”, comenta Charles Gavin. Primavera nos Dentes é uma das faixas do álbum de estreia dos Secos & Molhados, lançado em 1973.

Primavera nos Dentes– Secos e Molhados:

Banda Neuttra lança primeiro álbum com um show no Rio

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Por Fabian Chacur

A banda Neuttra mostra o repertório de seu álbum de estreia, autointitulado, com um show único no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (3) a partir das 20h30 no Bar do Elias (rua Olegário Maciel, nº 162- Barra da Tijuca- RJ- fone 0xx21-3435-4977), com ingressos a R$ 15,00 (R$ 7,00 na lista amiga, e-mail cenna3assessoria@gmail.com).

Oriunda da Baixada Fluminense, a Neuttra traz em sua formação Gabriel Martins (vocal e guitarra), Rodrigo Correia (baixo) e Anderson Oliveira (bateria). No início, eles faziam covers de diversas bandas, mas logo perceberam que investir em repertório próprio seria o melhor caminho, e assim o fizeram. Como influências, citam Twenty One Pilots, Scalene, NX Zero, Foo Fighters e Stone Sour.

Após a divulgação do clipe de Me Leva, Amor, a banda nos trouxe seu primeiro álbum, com direito a uma mistura de rock e pop com letras falando sobre amores, desamores, as madrugadas e tudo o que se associe a esse universo. Um dos lemas da banda é “uma guitarra na mão e uma ideia na cabeça”. Entre outras, temos no álbum Lembranças, Então Vai, Terra do Nunca, Te Encontrar e Segredos.

Me Leva, Amor– Neuttra (clipe):

Sandra de Sá e seus amigos é a atração do Bar Brahma em SP

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Por Fabian Chacur

Sandra de Sá inicia nesta terça (1º) a partir das 22h em São Paulo uma temporada que totalizará cinco datas durante este mês no salão principal do clássico Bar Brahma (avenida São João, nº 677- Centro- fone 0xx11-2039-1250), com ingressos custando R$ 60,00 (pista) e R$ 170,00 (camarote com direito a consumação). A série de shows, intitulada O Baile da De Sá, terá convidados especialíssimos, sendo que para a performance de estreia estão escalados Claudio Zoli, Lady Zu e Walmir Borges.

O título do espetáculo entrega sua intenção. Trata-se de um verdadeiro baile repleto de hits da cantora e compositora carioca e também de outros artistas. A ideia é apostar em um repertório eclético, com direito a MPB, samba, soul, pop, pagode e funk. Tudo com um clima dançante e para cima, marcas registradas da artista carioca, que, coincidência ou não, completará 62 anos exatamente neste mês, no dia 27.

A ex-estudante de Psicologia da Universidade Gama Filho largou os estudos ao conseguir se classificar entre as 10 finalistas do festival global MPB 80 com Demônio Colorido. Em 1983, estourou nacionalmente com Vale Tudo, dueto com Tim Maia. Em 1986, lançou o álbum Sandra Sá, que emplacou os hits Retratos e Canções, Joga Fora, Solidão, Usa e Abusa e Não Vá e a consolidou de vez no cenário da música popular brasileira, com sua mistura de soul, pop, samba etc.

Já com o nome artístico alterado para Sandra de Sá, ela gravou um belo dueto com o cantor soul americano Billy Paul (Amanhã) e esbanjou versatilidade, apostando em vários projetos bacanas.

Entre os quais um álbum dedicado aos sucessos de Tim Maia (Eu Sempre Fui Sincero, Você Sabe Muito Bem, de 1998) e outro com versões para o português de hits da gravadora Motown (Pare, Olhe, Escute! Os Sucessos da Motown-2002, com participação de Smokey Robinson, um dos maiores astros revelados pelo selo fonográfico americano).

Datas dos shows (sempre às terças-outros convidados podem surgir):
1/8- Sandra de Sá convida Lady Zu e Cláudio Zoli e Walmir Borges;
8/8- Sandra de Sá convida Toni Garrido e Ivo Meirelles;
15/8- Sandra de Sá convida Simoninha e Serjão Loroza;
22/8- Sandra de Sá convida Tiago Abravanel e Péricles;
29/8- Sandra de Sá convida Elba Ramalho e Thiaguinho;

Joga Fora– Sandra de Sá:

Lulu Santos celebrará Rita Lee em álbum via Universal Music

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Por Fabian Chacur

Após ler Rita Lee- Uma Autobiografia, Lulu Santos sentiu-se disposto a gravar um álbum só com releituras de clássicos do repertório da cantora e compositora paulistana. Arregaçou as mangas, começou a preparar o material e, agora, anuncia a parceria com a Universal Music, que lançará ainda este ano esta obra, provavelmente em CD e digital.

O repertório ainda não foi divulgado, mas uma música certamente estará no trabalho. Trata-se de Desculpe o Auê, pois segundo o informativo da gravadora foi exatamente a releitura desta música apresentado por Lulu que entusiasmou a Universal a querer participar do projeto. Como a influência de Rita aparece desde sempre no trabalho do cantor, compositor e guitarrista carioca, a expectativa é de que esse seja um álbum bem interessante e popular.

Vale lembrar que Lulu teve uma passagem anterior pela Universal, nos tempos em que esse selo ainda atendia pelo nome Polygram. Nesse curto período (entre 1992 e 1993), ele lançou o ótimo álbum Mondo Cane (1992), que trazia a belíssima Apenas Mais Uma de Amor, e o single Autoestima (1993), com a faixa-título então inédita e três faixas do álbum anterior. Os discos passaram batidos, e Lulu em 1994 iria para a BMG, na qual veria o ressurgimento de sua carreira em formato dance.

Curiosamente, Apenas Mais Uma de Amor e Autoestima se tornariam grandes sucessos ao serem regravadas em versões acústicas em 2000 no álbum Acústico MTV, que vendeu mais de 600 mil cópias na época. Em 2013, Lulu lançou outro trabalho de releituras de obras alheias, Lulu Canta & Toca Roberto e Erasmo, dedicado ao repertório de Roberto e Erasmo Carlos e um grande êxito de vendas.

Autoestima– Lulu Santos (clipe 1993):

Luiz Eça é celebrado em show com grandes nomes da MPB

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Por Fabian Chacur

Luiz Eça (1936-1992) foi um dos grandes nomes da Bossa Nova. Seu trabalho como pianista, arranjador e compositor é louvado pelos maiores especialistas do gênero e pelos colegas mais antenados. O seu filho Igor fez uma bela homenagem ao pai com o CD Em Casa Com Luiz Eça, que em breve também sairá em versão DVD. O show, que traz ele e os brilhantes Dori Caymmi, Toninho Horta e Zé Renato, passa por São Paulo nesta terça (1º/8) às 21h no Theatro Net São Paulo (rua Olimpíadas, nº 360- Shopping Vila Olímpia- fone 4003-1212), com ingressos a R$50,00.

O trabalho de Luiz Eça e também o de seu grupo mais famoso, o Tamba Trio, mesclou brasilidade com jazz e música erudita. Ele também curtia muito tocar com os colegas, e é esse clima descontraído e produtivo que Igor procurou reproduzir neste show, que reúne os convidados em diversas formações diferentes, interpretando clássicos do repertório de Eça e também músicas dos repertórios dos participantes.

A música Tamba é uma das que reunirá todo o elenco no palco. Búzios marcará a performance em duo de Dori Caymmi e Zé Renato, enquanto Toninho Horta mergulhará em The Dolphin, tema de autoria do saudoso jazzista americano Bill Evans. Alegria de Viver, com Zé Renato e Toninho Horta, e Menino da Noite, compositor de Igor que homenageia o pai, são outras músicas previstas o repertório deste show, um grande tributo à nossa rica música popular.

Brazil 1970- Luiz Eça (ouça em streaming):

Lindsey Buckingham faz dupla perfeita com Christine McVie

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Por Fabian Chacur

Em 1975, o grupo britânico Fleetwood Mac ganharia um fôlego redobrado com a entrada de dois americanos no time. A partir dali, o quinteto conquistou as paradas de sucesso de todo o mundo, vivenciou histórias incríveis e encarou separações e retornos surpreendentes. Agora, chega a vez de dois de seus integrantes lançarem um álbum em dupla pela primeira vez. Lindsey Buckingham Christine McVie é, desde já, um dos grandes lançamentos de 2017.

A semente deste álbum teve início em 2014, quando a cantora, compositora e tecladista britânica Christine McVie voltou ao Fleetwood Mac após mais de uma década longe do grupo que a consagrou. Naquela época, ela, o cantor, compositor e guitarrista americano Lindsey Buckingham, o baixista britânico John McVie (ex-marido de Christine) e o baterista Mick Fleetwood resolveram fazer gravações de material inédito para um possível álbum de retorno.

O problema foi que a quinta integrante do time, a cantora e compositora americana Stevie Nicks (ex-mulher de Lindsey) resolveu fazer uma turnê solo, o que adiou por meses a continuidade dos trabalhos. Quando ficou claro que Stevie participaria dos shows, mas não de um disco novo (pelo menos, não no prazo que os colegas desejavam), Christine e Buckingham resolveram realizar um sonho antigo e lançar um disco em dupla, algo que ele e Nicks fizeram em 1973, quando ainda eram ilustres desconhecidos, um LP raríssimo e inédito no formato CD.

Vale lembrar que, no FM, eles já haviam feito quatro músicas em parceria, além de dividido os vocais na célebre Don’t Stop, de autoria de McVie. Para seu primeiro trabalho em dupla, selecionaram três composições em parceria, duas só de Christine e cinco só de Lindsey. Também participam do CD como músicos John McVie (baixo), Mick Fleetwood (bateria) e Mitchell Froom (teclados, ex-marido de Suzanne Vega, aquela do hit Luka).

São dez faixas muito boas. O início é com o rockão Sleeping Around The Corner, com refrão matador e tempero percussivo. Feel About You é um pop rock típico de Christine, embora assinado pelos dois, e possui um refrão envolvente, o que explica ter sido escolhida como o primeiro single a ser divulgado pela gravadora.

In My World é um daqueles ótimos rocks em tom menor de Lindsey, e agrada. Red Sun tem uma levada pop-rock bem balançada, e é assinada pela dupla. Os fãs do lado violonista de Lindsey irão vibrar com Love Is Here To Stay, que tem andamento de valsa e na qual ele faz um acompanhamento envolvente com o instrumento, com direito a belo refrão no qual as vozes dos dois se encaixam feito luva.

Too Far Gone, outra parceria, é um rockão potente com tempero percussivo típico de Mick Fleetwood. Lay Down For Free é um pop rock bem bacana do guitarrista, enquanto Game Of Pretend traz o DNA das baladas da cantora, com piano proeminente. On With The Show é outro momento rocker do músico, enquanto Carnival Begin é uma inspirada balada rock de Christine com um solo arrasador de Buckingham.

Como Lindsey Buckingham é creditado como tocando guitarra, teclados, baixo, bateria, percussão e vocal, dá para deduzir que algumas das faixas tenham ele como um quase “one man band”, com os acréscimos fornecidos por Christine e Mitchell Froom.

Não há créditos individualizados para quem toca o quê em cada faixa, mas parece evidente que John McVie e Mick Fleetwood não participaram de todas as sessões, sendo que algumas delas foram feitas no estúdio caseiro de Buckingham, o que reforça essa suspeita.

Uma das coisas mais difíceis no rock é fazer canções que ao mesmo tempo sejam peças artísticas e tenham forte apelo comercial, e essa sempre foi uma marca do Fleetwood Mac em sua formação clássica pós-1975. Lindsey Buckingham-Christine McVie mantém esse alto padrão de qualidade, e equivale a outro grande momento da carreira deles.

Os dois, por sinal, farão shows como dupla paralelos aos do FM, com músicos de apoio. O álbum atingiu o 17º posto na parada ianque. Eles bem que poderiam tocar por aqui, heim? Fica o sonho no ar…

Too Far Gone– Lindsey Buckingham- Christine McVie:

Lencker lança o CD Forasteiro com um show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

O cantor, compositor e músico paulistano Lencker está lançando o seu primeiro álbum, Forasteiro, disponível em CD e em versão digital pela gravadora Kuarup. Ele mostra o repertório desse trabalho com um show em São Paulo nesta sexta-feira (28) às 21h no Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, nº 135- Centro- fone 0xx11-2122-4070), com ingressos custando de R$ 20,00 a R$40,00 e participações especiais de Bruna Moraes e Natan Oliveira.

Ítalo Lencker começou a compor e a tocar aos 14 anos, e tem como uma de suas inspirações o tio-avô Zé Menezes, que criou trilhas sonoras e vinhetas para programas da TV Globo como Os Trapalhões, Viva o Gordo e Chico City. Desde o início, mostrou uma tendência a não se concentrar em apenas uma sonoridade, viajando pelas várias possibilidades da MPB e incluindo nessa mistura elementos de jazz, música erudita e latinidades diversas.

Forasteiro equivale a uma bela estreia, com arranjos sofisticados, vocalizações impecáveis e dez canções autorais muito bem escolhidas, trazendo letras poéticas, românticas e irônicas em doses precisas. A música nordestina é o eixo, com direito a forró, baião e outras variações da cultura musical de lá. Mas também estão presentes bossa nova, samba, soul e jazz, só para citar algumas outras influências presentes.

Se o repertório é bem consistente, vale destacar algumas das faixas, como a belíssima Amuleto, dueto com Bruna Moraes que provavelmente será repetido no show, já que ela é convidada do mesmo, ao lado de Natan Oliveira. A sacudida Baião Digital, que conta com a presença de Ricardo Herz nos violinos, é uma boa amostra desse baião renovado e apontando para o futuro. Um CD repleto de belas e inspiradas sutilezas que merece ser apreciado de ponta a ponta.

Amuleto– Lencker e Bruna Moraes:

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