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Morre o genial jazzista Dave Brubeck

Por Fabian Chacur

Nesta quinta-feira (6), Dave Brubeck deveria ter completado 92 anos de idade. Infelizmente, o genial pianista e compositor americano se foi um dia antes, deixando a quarta-feira (5) com a triste carga de ter se tornado a data em que ele e também o celebrado arquiteto Oscar Niemeyer saíram de cena.

Brubeck foi vítima de um ataque cardíaco no caminho de uma consulta que faria com um cardiologista, na qual estava acompanhado pelo filho Darius. Ele deixou seis filhos, sendo quatro deles músicos: o próprio Darius (teclados), Chris (trombone e baixo), Ben (bateria) e Matthew (cello). Todos eles tocaram com o pai.

Nascido em 6 de dezembro de 1920 na cidade de Concord, na California, Dave Brubeck começou na música tocando na considerada primeira banda de jazz militar, a Wolfpack, integrada por músicos brancos e negros, na década de 40. Atitude ousada, se levarmos em conta o pesado clima racista vigente nos EUA na época.

Começou tocando com um octeto, mas após alguns anos, essa formação se condensaria em um quarteto, cujo primeiro álbum, Jazz At Oberlin, saiu em 1953, gravado ao vivo em um concorrido concerto realizado em Ohio.

Integrado por Brubeck no piano, Paul Desmond no sax, Eugene Wright (negro) no baixo e Joe Morello na bateria, o Dave Brubeck Quartet tinha como marcas a disposição em investir em sonoridades inovadoras no universo do jazz, rompendo barreiras mas não abdicando de uma sonoridade fluente e boa de se ouvir. Isso lhes proporcionou cada vez mais fãs.

Em 1959, sai Time Out, ousando com o uso de ritmos compostos, apenas composições originais (nenhum cover, algo que a gravadora Columbia até então não admitia em seus lançamentos) e uma bela pintura na capa, obra do designer gráfico americano Neil Fujita.

Superada a rejeição inicial dos executivos da Columbia, Time Out chegou às lojas do jeito que Brubeck queria e se tornou o primeiro LP de jazz a bater a marca de um milhão de cópias vendidas. A experimentação valeu a pena em termos artísticos e comerciais, uma bela façanha.

O álbum, excelente como um todo, traz dois grandes destaques. Blue Rondo A La Turk, faixa de abertura com toques de latinidade, tornou-se um dos temas mais populares do jazz e até batizou um grupo pop britânico envolvido com a new bossa dos anos 80 (do qual fazia parte o baterista brasileiro Geraldo D’Arbilly).

De autoria de Paul Desmond, Take Five também ultrapassou um milhão de cópias vendidas no formato single, algo até então considerado impossível para um tema instrumental de jazz, além de integrar a trilha da fantástica animação American Pop (1981), de Ralph Bakshi.

O andamento desta música influenciou inúmeras outras, entre as quais o tema de Missão Impossível, Living In The Past (do Jethro Tull) e River Man (de Nick Drake).

Kathy’s Waltz, do mesmo trabalho (homenagem à filha Kathy), inclui um trecho melódico que apareceria quatro anos depois na parte inicial de All My Loving, dos Beatles. Plágio inconsciente? Coincidência? Pouco importa. Ambas são ótimas músicas, ponto.

Depois do estouro deste álbum, Brubeck gravou inúmeros outros, investindo no jazz e também em música para óperas, balé e até mesmo uma missa contemporânea. Em 1988, ele tocou em Moscou para Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev.

Em 2009, Time Out voltou às lojas em uma luxuosa edição comemorativa de seus 50 anos de lançamento, com direito a embalagem digipack, versão remasterizada do CD original, um CD com oito gravações ao vivo do Dave Brubeck Quartet entre 1961 e 1964 e um DVD contendo entrevista com o músico e performances ao vivo do seu grupo, além de encarte luxuosíssimo repleto de fotos e informações preciosas. Absolutamente imperdível!

Take Five – Dave Brubeck Quartet:

Blue Rondo A La Turk – Dave Brubeck Quartet:

Kathy’s Waltz – Dave Brubeck Quartet:

Morre Roberto Silva, um estilista do samba

Por Fabian Chacur

Em 1976, eu era um assíduo ouvinte de um programa de rádio comandado por Alfredo Borba, radialista e produtor musical. Ele adorava tirar sarro de artistas que achava ruins, e seu lema era “o programa que não tem jabaculê!”, ou seja, que não aceitava suborno para tocar determinadas músicas.

Lógico que todo artista a merecer elogios por parte dele acabava me atraindo a atenção. E um deles era um certo sambista chamado Roberto Silva, cuja interpretação da música Escurinho, de Geraldo Pereira, regravada naquele ano no disco Roberto Silva Interpreta Haroldo Lobo, Geraldo Pereira e Seus Parceiros (Copacabana, 1976), sempre tocava lá.

Desde então, quando tinha apenas 15 anos, aprendi a respeitar esse sambista, nascido no dia 9 de abril de 1920 no Rio. Pois ele infelizmente nos deixou neste domingo (9) no Rio, aos 92 anos, deixando quatro filhos e inúmeros fãs nos quatro cantos do país.

Denominado O Príncipe do Samba por seu estilo classudo de interpretar esse seminal gênero musical, Roberto Silva começou a gravar nos anos 40, e emplacou sucessos como Descendo o Morro, Maria Tereza, O Baile Começa Às Nove, Falsa Baiana e Escurinho, entre outros.

Seo Roberto influenciou muita gente boa, entre eles Paulinho da Viola, que por sinal esteve presente no velório e no enterro do cantor, ocorrido ontem mesmo no cemitério de Inhaúma, subúrbio do Rio onde ele morava há muitos anos. Descanse em paz, mestre!

Ouça Falsa Baiana, com Roberto Silva:

Ouça Escurinho (ao vivo), com Roberto Silva:

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