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B.B. King: o rei e embaixador que deixa um legado dourado

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Por Fabian Chacur

O blues perdeu na noite desta quinta-feira (14) seu rei e seu embaixador maior. Deixou-nos aos 89 anos, vítima de causas geradas por uma diabetes 2 que o afligia há mais de 20 anos, o cantor, compositor e guitarrista americano B.B. King. Se há alguém no meio artístico que merecia o adjetivo “lenda”, era ele. Uma perda incalculável. A saudade dói demais. Um mestre!

A essa altura dos acontecimentos, todos já leram sobre a importância desse gênio, nascido em 16 de setembro de 1925. Ele entrou no meio musical tocando e também como radialista. Na década de 1950, iniciou uma trajetória profissional no meio da música que o manteve na ativa durante mais de 60 anos. Só parou há pouquíssimo tempo, quando a saúde o abandonou.

Considerado o rei do blues, ele também foi denominado por muitos como o embaixador desse seminal gênero musical, pois muita gente o conheceu através dos inúmeros shows e discos lançados por Riley Ben King durante sua mais do que produtiva trajetória. Mas ele nunca foi daqueles artistas restritos a um único jeito de tocar ou cantar.

Em uma entrevista, o Blues Boy afirmou que o grande lance para um artista é incorporar novas influências e experiências ao seu trabalho. “Você não pode ficar no mesmo groove o tempo todo”, dizia. E foi a sua receita para uma vida toda. Em sua carreira, fez parcerias com artistas dos mais distintos estilos e gerações, como poucos na história da música.

Entre outros, fez shows e gravações com astros do naipe de U2, Eric Clapton, The Rolling Stones. Willie Nelson, David Gilmour, Joe Cocker, Heavy D., Mick Hucknall, Ringo Starr, Mick Fleetwood, Stevie Nicks, Stevie Wonder, Grover Washington Jr., Bobby “Blue” Bland, Branford Marsalis, The Crusaders e Albert Collins, só para citar alguns.

King era um talento completo. Compunha bem, embora não tivesse problemas em gravar composições alheias, sempre muito bem escolhidas. Tocava guitarra com um estilo próprio, marcante e influente. E tinha uma voz poderosa, quem sabe sua maior qualidade. Curiosidade: ele não conseguia cantar e tocar ao mesmo tempo. Mas precisava?

Tenho boas histórias para contar dessa lenda da música. A primeira rolou em 1986, quando ele esteve por aqui para fazer alguns shows. Eu e meu amigo José Carlos Dopazo fomos ao hotel Transamérica (SP), onde seria realizada uma entrevista coletiva com o mestre. O taxista que nos levou errou o caminho e chegamos muito atrasados ao local.

A coletiva já havia se encerrado. Como já estávamos ali, ficamos na porta, esperando que ao menos pudéssemos ver o mestre de perto. Os assessores de imprensa do evento nos desestimularam, mas ficamos ali. E não é que King apareceu? Mais: simpático, não só nos deu autógrafos em vários LPs, como também conversou conosco, com rara simpatia.

Em 1989, vi um dos shows que ele realizou no extinto Olympia, em São Paulo. Excepcional. O momento mais divertido ficou por conta de quando ele fez uma tremenda onda e, depois, jogou uma palheta para a plateia, que a disputou avidamente. Ai, pouco depois, começou a arremessar uma atrás da outra, para felicidade dos fãs, que se divertiram com seu bom humor.

Vi o mestre novamente em 2006, em entrevista coletiva em um hotel na região da avenida Paulista. Simpático e carismático, flertou com as jornalistas presentes. Ao final, distribuiu autógrafos. Aproveitei para pegar mais um, o cumprimentei e afirmei que nunca mais lavaria as mãos, após ter tocado as mãos do rei do blues. Ele deu boas risadas. O show novamente foi maravilhoso, desta vez na Via Funchal, também extinta casa de shows paulistana.

B.B. King é um exemplo para muitos artistas metidos a besta por aí, que não tem um centésimo de seu talento e que, no entanto, esbanjam arrogância e antipatia. Com todo o seu currículo, era acessível e camarada com todos que o abordavam. Dessa forma, elevou o blues a um patamar dos mais altos. Um mestre que nos deixa como herança grandes gravações e bela lição de vida.

The Thrill Is Gone– B.B. King:

When Love Comes To Town– B.B. King & U2:

Rock Me Baby -B.B.King/Eric Clapton/Buddy Guy/Jimmy Vaughan:

Riding With The King– B.B. King & Eric Clapton:

Into The Night – B.B. King:

BB King & Bobby “Blue” Bland – Let The Good Times Roll:

Inezita Barroso foi a Hebe da música rural e fará muita falta

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Por Fabian Chacur

A TV brasileira perdeu muito de sua cordialidade e informalidade com a morte de Hebe Camargo. Agora, fica sem mais uma dose cavalar desses elementos com a lamentável perda de Inezita Barroso, que nos deixou neste domingo (8), ironicamente o Dia Internacional da Mulher. Seu corpo está sendo velado na sala principal da Assembleia Legislativa de São Paulo e será enterrado às 17h desta segunda-feira em São Paulo no cemitério Gethsemani.

Durante os quase 35 anos em que comandou o delicioso programa da TV Cultura Viola Minha Viola, Inezita, que havia completado 90 anos de idade no último dia 4 de março, esbanjou simpatia, carisma e gentileza, tal qual uma Hebe dedicada exclusivamente aos melhores artistas da nossa amada música de raiz. Não tinha sofá, mas o clima era o mesmo.

A diferença básica entre as duas apresentadoras era que, enquanto Hebe era mais desencanada e digna representante do nosso povão, Inezita possuía profunda formação cultural, sendo uma mais do que respeitável e incansável estudiosa do nosso folclore. Ela também dava aulas de violão, instrumento que tocava com categoria, além de cantar muito bem e dar palestras no Brasil todo sobre a cultura sul-americana.

O início de sua carreira fonográfica ocorreu na primeira metade dos anos 1950, e em seu currículo consta a honra de ter sido a primeira a gravar a mitológica Ronda, de Paulo Vanzolini. Moda da Pinga e Lampião de Gás foram alguns dos hits mais significativos registrados em seus mais de 80 discos, alguns deles antológicos.

Não era qualquer zé mané ou maria mané que participava de Viola Minha Viola. Naquele palco, só entravam artistas que honrassem a música regional, viessem de onde viessem. Grandes nomes como Chitãozinho & Xororó tiveram suas primeiras oportunidades de aparecer na TV em seu programa, onde jovens valores e artistas consagrados conviviam pacificamente.

Inezita Barroso representava um tempo em que as pessoas conseguiam se tornar famosas e admiradas não por estratégias de marketing ou participações em reality shows de qualidade duvidosa, mas sim por apresentar uma preparação que a levava a obter sucesso. Vai deixar muita saudade em todos, assim como nossa querida Hebe deixou.

Marvada Pinga– Inezita Barroso-1982-ao vivo:

Ronda– Inezita Barrozo (1953):

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