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Tag: 1946-2015

Fernando Brant faz travessia e nos deixa com pura saudade

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Por Fabian Chacur

Perdemos um dos grandes poetas da história da MPB na noite desta sexta-feira (12). Fernando Brant fez sua travessia final e se foi aos 68 anos, deixando como legado canções maravilhosas das quais nunca nos cansaremos de ouvir. Seu corpo está sendo velando no Palácio das Artes e será enterrado neste sábado (13) no cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte.

Formado em Direito, Fernando Brant entrou no mundo da música pelas mãos de um amigo, ninguém menos do que Milton Nascimento, que quis ser seu parceiro musical. A primeira obra dos dois tornou-se um clássico da MPB, Travessia, música que em 1967 abriu as portas da fama nacional para o Bituca de Três Pontas. Era o início de uma parceria brilhante.

Milton e Fernando escreveram juntos maravilhas do naipe de Aqui é o País do Futebol, San Vicente, Caxangá, Saudades dos Aviões da Panair (Conversando No Bar), Maria Maria, Encontros e Despedidas, Sentinela, Bola de Meia Bola de Gude, Raça, Maria Solidária, Canção da América e Nos Bailes da Vida, só para citar algumas. É uma obra-prima atrás da outra!

De quebra, Brant também compôs com outros amigos mineiros sucessos maravilhosos do calibre de Para Lennon e McCartney (Brant, Lô e Márcio Borges), Paisagem da Janela (Brant, Lô Borges), Paixão e Fé (Brant e Tavinho Moura), Feira Moderna (Brant, Beto Guedes e Lô Borges) e O Medo de Amar é o Medo de Ser Livre (Brant e Beto Guedes). Que acervo! Foram mais de 200 composições em sua trajetória.

As letras de Fernando Brant falavam sobre amor, liberdade, sonhos, amizade, saudade e as dúvidas que frequentam nossas mentes. Encontros e Despedidas, Sentinela e Canção da América tocam fundo nas idas e vindas da vida, e do momento no qual fazemos a passagem para o outro lado. Agora, chegou a vez de ele nos deixar. Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar, eis a única certeza da vida!

Bola de Meia Bola de Gude– 14 Bis:

Aqui é o País do Futebol– Milton Nascimento:

Ponta de Areia– Milton Nascimento:

Raça– Milton Nascimento:

Caxangá– Milton Nascimento e Elis Regina:

Lesley Gore, de It’s My Party, morre aos 68 anos nos EUA

Part Time Pop Star

Por Fabian Chacur

Morreu nesta segunda-feira (16) nos EUA vítima de câncer a cantora Lesley Gore, segundo informações do site americano da revista Billboard. A intérprete tinha 68 anos, e ficou conhecida graças ao estouro do inesquecível sucesso pop It’s My Party, em 1963, que vendeu mais de um milhão de cópias e ficou conhecida no mundo todo.

Nascida em 2 de maio de 1946, Lesley Gore foi descoberta pelo lendário produtor Quincy Jones, e mostrou poder de fogo logo de cara ao gravar It’s My Party. Com forte apelo pop, a canção atingiu o primeiro lugar na parada americana entre os singles. O hit foi seguido por You Don’t Own Me (nº2), Judy’s Turn To Cry (nº5) e She’s a Fool (nº5), entre outros.

A fase positiva se encerrou em 1967, quando California Nights atingiu a posição de nº16 nos charts americanos, última vez que subiu tão alto. A canção foi interpretada por ela em um dos dois episódios dos quais participou da série clássica de TV Batman, nas quais atuou como Pussycat, uma das companheiras da gloriosa Mulher Gato.

Em 1980, assinou em parceria com o irmão Michael Gore (ele não é parente do Martin L. Gore do Depeche Mode) duas músicas da trilha sonora do filme Fama (Fame, 1980), respectivamente Hot Lunch Jam e Out Here On My Own. Esta última concorreu ao Oscar, e esteve nas paradas de sucessos nas gravações de Irene Cara (faz parte do álbum com a trilha do filme) e Nikka Costa.

Lesley voltou a gravar um álbum em 2005, quando Ever Since quebrou um hiato iniciado em 1976 sem trabalhos com músicas inéditas em sua voz. Ela também ficou conhecida ao apresentar programas de TV, e chamou a atenção ao admitir em 2006 que era lésbica, sendo que ela manteve uma união do gênero durante mais de 20 anos.

It’s My Party– Lesley Gore:

You Don’t Own Me– Lesley Gore:

California Nights – Lesley Gore:

Morre aos 68 anos na Grécia o cantor egípcio Demis Roussos

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Por Fabian Chacur

Morreu na madrugada deste domingo (25) em um hospital em Atenas, na Grécia, o cantor e compositor egípcio Demis Roussos, que estava radicado naquele país desde a adolescência. A notícia foi divulgada pelo site da BBC londrina e teve confirmação por parte de parentes do astro, que tinha 68 anos de idade. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Nascido em 15 de junho de 1946, Artemios Ventouris Roussos iniciou sua ligação com a música em corais de igreja, e mergulhou na carreira artística ao se mudar com a família da cidade de Alexandria, no Egito, onde nasceu, rumo à Grécia. Lá, após atuar em alguns grupos obscuros, conheceu em 1966 o tecladista e compositor grego Vangelis Papathanassiou, e eles resolveram criar algo próprio.

Com o acréscimo do baterista Lukas Sideras, que entrou no time em 1968, nascia a banda Aphrodite’s Child, que tinha como objetivo inicial se radicar na Inglaterra, mas por problemas burocráticos acabou escolhendo Paris como rumo. O primeiro single, Rain And Tears, invadiu as paradas de sucesso, seguido por Marie Joulie e outras.

No fim de 1970, o grupo começou a gravar o ambicioso álbum duplo 666, que só chegaria às lojas em junho de 1972. Nele, temos um trabalho calcado no rock progressivo e no qual Vangelis se destacava, compondo o álbum conceitual com letras de Costa Ferris. Roussos se destacou em músicas como o rockão Babylon. E a banda logo foi vencida pelas desavenças. Mas 666 é um belo legado, com ousadia e temas fortes.

Naquele mesmo 1972, Demis Roussos já se dedicava à carreira solo, lançando singles de sucesso como Forever And Ever, My Friend The Wind, We Shall Dance e Someday Somewhere, nos quais continuava na linha de baladas que tornou sua ex-banda famosa. Em 1975, tornou-se um fenômeno de vendas no Reino Unido, emplacando vários hits por lá.

No Brasil, Roussos se destacou com ótima participação na edição de 1972 do FIC (Festival Internacional da Canção), no qual obteve o terceiro posto com a música Velvet Morning, que por aqui ganhou o apelido de “Tric Tric Tric” por causa do refrão. Ele também gravou em nosso país em 2005 um DVD/CD duplo ao vivo em Curitiba, lançado com o título Live In Brazil em 2006 por um selo daqui.

Com visual extravagante no qual se destacavam largas batas, Roussos chegou a pesar mais de 150 quilos, que depois perderia em famoso regime que gerou até um célebre “método Demis Roussos de emagrecimento” que fazia anúncios em diversas revistas brasileiras. E vale a lembrança pessoal: o compacto com a sensacional When I’m a Kid foi um dos primeiros que comprei na vida, lá pelos idos de 1972/1973.

When I’m a Kid– Demis Roussos:

Velvet Mornings – Demis Roussos:

Babylon – Aphrodite’s Child:

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