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Tag: 1946-2017

Malcolm e George Young são desfalques de família rocker

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Por Fabian Chacur

As últimas semanas não foram nada favoráveis à família Young. No último dia 22 de outubro, morreu o músico, produtor e compositor George Young. Neste sábado (18), foi a vez de seu irmão guitarrista e compositor Malcolm Young, que em 1973 fundou ao lado de outro irmão, Angus, o AC/DC, banda na qual se manteve até 2014, quando teve de se retirar por sofrer de demência. O passamento do músico foi comunicado pelo site oficial da banda de origem australiana.

George nasceu em 6 de novembro de 1946 na Escócia, e se mudou com os pais para a Austrália em 1963, sendo que foram com ele Malcolm (nascido em 6 de janeiro de 1953), Angus (13 de março de 1955) e o resto da família. No final de 1964, ele montaria ao lado do holandês radicado na Austrália Harry Vanda a banda The Easybeats, que ficaria conhecida mundialmente graças ao hit de 1966 Friday on My Mind, música posteriormente regravada por David Bowie e Peter Frampton.

Com o fim dos Easybeats, em 1969, surgiu a Vanda & Young, dupla formada pelos ex-colegas de banda dedicada à produção e composições. Em 1973, eles, que haviam se mudado para Londres em 1967, voltaram à Austrália, e firmaram parceria com a Albert Productions. E foi com essa produtora que a banda criada por George e Malcolm naquele mesmo ano começou a trabalhar, uma tal de AC/DC.

Vanda & Young produziram todos os discos lançados pelo grupo entre 1974 e 1978, período durante o qual eles estabeleceriam as bases do que os levaria, a partir de 1979, a atingir o primeiro escalão do rock mundial. Rotulada como banda de hard rock, o AC/DC na verdade gerou uma versão muito peculiar de rock and roll a la anos 1950, blues e rock pesado, na qual a guitarra base de Malcolm funcionava como alicerce da banda, abrindo caminho, com seus riffs poderosos, para os solos do desinibido Angus. Ele sempre se mantinha sério, na dele.

Além do AC/DC, George Young produziu outros artistas, entre eles o cantor e compositor escocês também radicado na Austrália (mas sem parentesco com ele) John Paul Young, que estourou com as canções Yesterday’s Hero (1975) e Love Is In The Air (1978), esta última um clássico perene da disco music. Ele e Vanda também criaram uma banda de estúdio, Flash And The Pan, que fez muito sucesso em 1982 com o hit tecnopop Waiting For a Train.

Malcolm e George Young se reencontrariam em 1988, quando a dupla Vanda-Young produziu o álbum Blow Up Your Video, do AC/DC, e novamente em 2000, quando apenas George se incumbiu da produção do CD Stiff Upper Lip. A partir daí, o irmão mais velho saiu de cena, só voltando às manchetes com o seu recente falecimento, aos 70 anos.

Por sua vez, Malcolm Young deixou o AC/DC em 2014, quando foi anunciado que ele sofria de demência e não conseguia mais se dedicar ao seu instrumento. Em setembro daquele mesmo ano, foi anunciado o seu substituto: ninguém menos do que um irmão mais novo, Stevie (nascido em 1956), que por sinal tinha ficado em seu lugar durante uma turnê pelos EUA em 1988 devido a problemas de Malcolm com as bebidas que o tiraram de cena por uns tempos.

Back in Black– AC/DC:

Almir Guineto, belo craque do samba, nos deixa aos 70 anos

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Por Fabian Chacur

Lá pelos idos de 1998, eu era colaborador da extinta revista Cavaco, especializada em samba, e tive a oportunidade de entrevista Almir Guineto no apartamento onde ele morava na época, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. De forma hospitaleira, o cara me ofereceu um suco. Como estava um calor daqueles, tomei rapidinho, e ele me ofereceu outra dose logo a seguir, com a frase clássica: “toma mais, porque por esse preço…”. Essa figuraça infelizmente nos deixou nesta sexta-feira (5), aos 70 anos.

Almir Guineto nasceu no Rio de Janeiro em 12 de julho de 1946, e é cria do Salgueiro. Nos anos 1970, no entanto, também passou a frequentar a sede do Bloco Cacique de Ramos, onde se enturmou e fez amizade com figuras emergentes do porte de Zeca Pagodinho, Ubirany, Bira Presidente e outros do mesmo porte. No fim daquela década, ele integrou por um curto período de tempo dois grupos. O primeiro foi os Originais do Samba, de Mussum e Cia, fundado pelo seu irmão Chiquinho e que gravou algumas de suas composições.

O Grupo Fundo de Quintal completa a dobradinha. Guineto marcou presença no primeiro álbum desse verdadeiro Butantã do samba (só tinha e só tem cobras), Samba é No Fundo de Quintal (1980). Vale lembrar que ele foi a rigor o músico que introduziu o banjo no samba, uma das várias inovações geradas pelo Fundo de Quintal. Ou seja, fica difícil qualificar o trabalho dele como “samba de raiz”, pois, embora tivesse forte ligação com as tradições deste gênero musical, ele no entanto apostou nas inovações e ajudou-o a progredir ainda mais.

Em 1981, fez muito sucesso com a música Mordomia, que defendeu no Festival MPB-Shel de 1981, da Globo, faixa de destaque de seu primeiro álbum solo, O Suburbano, lançado naquele mesmo ano pela efêmera divisão brasileira da gravadora K-Tel. Em 1985, estourou com Jiboia, e depois com Caxambu e diversas outras, em seus trabalhos individuais, sempre com sua voz grave e repleta de swing e personalidade, ora apostando no bom humor, ora no romantismo.

Grande amigo de Zeca Pagodinho, ele inclusive gravou em 1999 um autointitulado álbum pela Universal Music graças à indicação do parceiro. Ótimo interprete, ele no entanto teve mais sucesso como compositor, tendo sido parceiro na autoria de maravilhas do porte de Coisinha do Pai, Corda no Pescoço, Pediu ao Céu e inúmeras outras, gravadas por Beth Carvalho, Alcione, Zeca e outras feras do samba. Almir foi vítima de problemas renais crônicos, agravados por diabetes. Uma dessas perdas mais do que lamentáveis. Que descanse em paz!

Mordomia– Almir Guineto:

Belchior nos deixa fina poesia, brilho e belíssimas canções

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Por Fabian Chacur

Há mais de dez anos, Belchior estranhamente sumiu do cenário artístico, deixando seus fãs órfãos e só aparecendo nas manchetes devido a notícias sensacionalistas e bizarras. Pois ele infelizmente ocupa de novo os holofotes por uma razão triste. Aliás, a mais triste de todas. Ele foi encontrado morto na noite deste sábado (29) na casa onde morava há um ano, na cidade de Santa Cruz do Sul (RS). Ele tinha 70 anos, e seu corpo deve encontrar sua moradia final em Sobral (CE), onde nasceu em 26 de outubro de 1946.

Muito triste essa saída de cena. Cenas de um próximo capítulo nada desejado por seus inúmeros fãs. Minha ligação com Belchior é muito forte desde sempre. Vi dois shows dele ao vivo, um em 1980, em um colégio na região da Avenida Paulista, e outro em 1984, no Tuca, ambos muito legais. Fui conhece-lo pessoalmente lá pelos idos de 1985, por uma razão corriqueira: trabalhava na agência da Receita Federal da Vila Mariana, em São Paulo, e entreguei a ele uma restituição de imposto de renda que ele não havia recebido na sua devida época.

Não muito tempo depois, iria reencontrá-lo, só que desta vez como jornalista e crítico musical, por volta de 1987. Entre esse ano e o final dos anos 1990, foram vários papos, sempre deliciosos, nos quais criei um vínculo de amizade não só com ele, mas também com um de seus produtores, o Paulo Roberto Magrão, uma das figuras mais atenciosas e gente fina que já tive a chance de conhecer em minha trajetória como jornalista especializado em música.

Bel (como o chamávamos) vai fazer muita falta, independente de estar há muito tempo sem lançar novos trabalhos. Com uma obra consistente, ele nos deixa como legado canções maravilhosas, repletas de idealismo, poesia, inteligência e ironia, com aquela inspiração contida apenas em gênios. E ele era um deles. Não consigo escrever mais nada, perdoem-me. Leiam a homenagem que fiz quando ele completou 70 anos em outubro de 2016 aqui , e a resenha da caixa Três Tons de Belchior, seu mais recente lançamento, aqui . Descanse em paz, amigo. Apenas um rapaz latino americano? O cacete!

Alucinação– Belchior (ouça o álbum em streaming):

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