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Polysom relança LP marcante do saudoso Sérgio Sampaio

sergio sampaio lp 400x

Por Fabian Chacur

A Polysom está relançando no formato LP de vinil remasterizado e com 180 gramas um dos mais importantes discos da MPB lançados na década de 1970. Trata-se de Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua (1973), do saudoso cantor e compositor capixaba Sérgio Sampaio (1947-1994), com certeza o seu trabalho mais famoso e mais cultuado pelos fãs.

Sérgio Sampaio foi descoberto por Raul Seixas, com quem gravou em 1971 o álbum Sociedade da Grã-Ordem Cavernista Apresenta Sessão das 10, que também inclui Edy Star e Miriam Batucada. Em 1972, os dois participaram do Festival Internacional da Canção (FIC) da Globo, Sampaio com Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua e Raul com Let Me Sing, Let Me Sing (e como autor com Eu Sou Eu, Nicuri É O Diabo, interpretada pelo grupo Os Lobos).

Quando foi convidado para gravar seu primeiro LP solo pela gravadora Philips (hoje Universal Music), o artista chamou Raulzito para ser seu produtor. Além da música que o tornou conhecido no festival, sua obra mais conhecida, ele também incluiu outras autorais bacanas como Filme de Terror, Odete, Viagem de Trem e Eu Sou Aquele Que Disse.

O disco traz pelo menos mais duas curiosidades: é fechado por uma faixa explicitamente dedicada ao amigo e intitulada Raulzito Seixas, e uma assinada por seu pai, o maestro Raul Sampaio e intitulada Cala a Boca, Zé Bedeu. É um trabalho no qual os limites entre o rock e a MPB são devidamente eliminados, com direito a música inventiva e interessante.

Eu quero é botar meu bloco na rua- Sérgio Sampaio (Philips, 1973)

01Leros e Leros e Boleros
02Filme de Terror
03Cala a Boca Zé Bedeu (composição: Raul Gonçalves Sampaio)
04Pobre Meu Pai
05Labirintos Negros
06Eu Sou Aquele que Disse
07
Viajei de Trem
08Não tenha medo, não! (Rua Moreira, 65)
09Dona Maria de Lourdes
10Odete
11Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua
12Raulzito Seixas

Eu Quero é Botar Meu Bloco Na Rua– Sérgio Sampaio:

Ouça o álbum Eu Quero é Botar Meu Bloco Na Rua em streaming:

Coletânea celebra 40 anos da Virgin Records

Por Fabian Chacur

Em 1973, um sujeito chamado Richard Branson resolveu criar uma gravadora, e a batizou como Virgin Records. Logo no primeiro lançamento, Tubular Bells, do artista de rock progressivo Mike Oldfield, se deu incrivelmente bem. Graças à inclusão de um de seus temas com destaque no filme O Exorcista, o álbum vendeu milhões de cópias, e deu início a uma grife de muito sucesso no cenário da música pop mundial.

Como forma de celebrar os 40 anos deste selo, a Universal Music (atual detentora da marca) está lançando o álbum triplo Virgin Records: 40 Years Od Disruptions, que traz 42 faixas e cujo objetivo é mostrar um pouco da amplitude dessa marca em termos musicais. A apresentação é no formato digipack, com direito a um encarte estilo pôster que traz fotos, pequenos textos e informações, além de reproduções de capas de álbuns lançados por eles.

Creio que o ponto fraco do pacote é exatamente a inexistência de um texto um pouco mais extenso contando a história da Virgin Records e de seu ousado criador, que depois deixaria a música em segundo plano para investir em diversos outros ramos comerciais, incluindo até mesmo uma companhia aérea. Seria bacana o comprador da coletânea ter acesso a uma análise dessa trajetória, que tem momentos muito peculiares e curiosos.

Outro ponto negativo fica por conta do terceiro CD, com apenas seis músicas e qualificado como disco bônus. Nele, temos releituras de hits antigos da Virgin feitos pela nova geração de artistas que gravam atualmente por ela. As regravações são até interessantes, mas porque não incluir mais do que apenas seis faixas? Com a palavra, os organizadores da compilação.

Pontos negativos à parte, a compilação inclui um elenco bem diversificado, que vai desde o pioneiro Mike Oldfield (com Tubular Bells-Opening Theme) até a recente revelação Emeli Sandé (Next To Me), passando por Sex Pistols (God Save The Queen), The Human League (Don’t You Want Me), XTC (Senses Working Overtime), Malcolm McLaren (Buffalo Gals), Simple Minds (Don’t You Forget About Me), Shaggy (Boombastic), Culture Club (Do You Really Want To Hurt Me) e Lenny Kravitz (Fly Away), além da parceria entre Phillip Oakey, do The Human League, com o genial Giorgio Moroder (Together In Electric Dreams).

O repertório mostra que, mesmo com bastante diversidade, a Virgin Records sempre apontou rumo ao pop, apostando tanto em nomes que se firmaram como outros que passaram rapidinho pela cena do sucesso, como os perecíveis (embora bacanas) T’Pau (China In Your Hands), Inner City (Good Life) e o pioneiro projeto de rap de Malcolm McLaren, seu maior legado depois do punk rock dos Pistols, que gerou o histórico álbum Duck Rock.

Ouvir os CDs contidos nesta compilação na sequência é um exercício divertido para quem deseja ter uma ideia do legado da Virgin Records, além de ser uma verdadeira sucessão de hits. Não estranhe a inclusão aqui de artistas como Phil Collins, cuja obra foi sempre distribuída no Brasil e em outros países pela Warner, ou de Brian Ferry, cujo selo EG era distribuído pela Virgin. Coisas e peculiaridades da indústria fonográfica.

Together In Electric Dreams, com Phillip Oakey e Giorgio Moroder:

Minha porta de entrada para os Beatles

Por Fabian Chacur

Em dezembro de 1973, eu era um moleque de 12 anos que começava a descobrir o maravilhoso mundo da música.

Naquele mês, comprei o primeiro álbum duplo da minha vida. Tratava-se de The Beatles 1962-1966.

A aquisição poderia parecer estranha, para um moleque com aquela idade.

Afinal de contas, o álbum em questão era de uma banda que havia acabado há três anos, quando eu tinha apenas 9 aninhos. Ou seja, “não era do meu tempo”.

Mas a explicação é simples. Meu irmão, sete anos mais velho do que eu, curtia os caras.

Embora não tivesse nenhum LP deles, era dono de dois compactos que eu quase furei de tanto ouvir: Hey Jude/ Revolution e Something/Come Together.

Durante 1973, em função do lançamento das coletâneas 1962-1966 (de capa vermelha) e 1967-1970 (de capa azul), as rádios brasileiras, especialmente a Difusora e a Excelsior, voltaram a tocar regularmente músicas do quarteto de Liverpool em suas programações.

Era como se o grupo ainda existisse, pois entre um novo sucesso dos Doobie Brothers, Bread, The Sweet e Elton John, sempre havia espaço para um From Me To You, um And I Love Her, um You’ve Got To Hide Your Love Away.

Era como se aquelas canções fossem recém-lançadas. E sua qualidade se impôs nos meus ouvidos.

Nem é preciso dizer que em pouco tempo The Beatles 1962-1966 se tornou um favorito no meu toca-discos. E virei um beatlemaníaco.

O relançamento das duas coletâneas duplas foi um dos grandes momentos no setor em 2010. Só agora tive acesso ao 1962-1966 nessa nova embalagem, e literalmente pirei.

O álbum já havia conhecido o formato CD nos anos 90, mas agora temos uma belíssima capa digipack plastificada.

Mais: o novo encarte contém 32 páginas com todas as letras das canções, novas fotos e um belo texto do jornalista Bill Flanaghan contextualizando a importância dessas coletâneas.

Na verdade, The Beatles 1962-1966 e The Beatles 1967-1970 foram as portas de entrada da minha geração para a obra dos Fab Four. E continua cumprindo muito bem essa missão, 37 anos depois.

O repertório dos álbuns não se prende apenas aos singles, trazendo também canções representativas que não saíram nesse formato, tipo You’ve Got To Hide Your Love Away, Norwegian Wood (This Bird Has Flown) e In My Life.

A qualidade da remasterização das faixas é extremamente bacana, também.

Ou seja, comprar as novas versões desses álbuns não é apenas um mero fetiche por parte dos quarentões e cinquentões que mergulharam inicialmente na obra dos Beatles através deles.

E para quem quer ter uma visão abrangente da obra do grupo mais importante da história da música, também vale.

E vamos combinar: ouvirmúsica dos Beatles com os próprios é um convite irrecusável.

Dica: paguei R$ 40 pelo álbum vermelho nas Lojas Americanas. O azul está pelo mesmo preço. Uma pechincha, mais barato do que o novo CD da Grande Irmã, digo, Ivete Sangalo.

Toque final: as capas, variações da do álbum de estreia do grupo, Please Please Me, são maravilhosas. A segunda, feita em 1969, era a ideia inicial para a embalagem do que viria a ser Let It Be.

Ouça e leia a tradução da letra de In My Life, uma das músicas mais belas e profundas da história dos Beatles e da música:

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