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Biografia relata com detalhes a incrível trajetória do Abba

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Por Fabian Chacur

Durante um período de dez anos, entre 1972 e 1982, o Abba desafiou fronteiras e se tornou uma das bandas mais bem-sucedidas da história da música pop. Após a sua separação, nem mesmo uma incrível proposta de meio bilhão de dólares os animou a voltarem à cena. Sua incrível trajetória é contada de forma exemplar no livro Abba A Biografia, de Carl Magnus Palm, lançado no exterior em 2008 e no Brasil em 2014 pela Best Seller.

Fã exacerbado do Abba, Carl Magnus Palm já havia lançado anteriormente livros envolvendo a banda, e desta vez resolveu mergulhar fundo no tema, valendo-se de entrevistas feitas por ele próprio e em vasto material de pesquisa nas mais diversas e ricas fontes. Ele não abriu mão dos menores detalhes, mas sem deixar a fluência do texto perder em nada.

Dessa forma, é possível conhecer a história de como Bjorn Ulvaeus, Benny Andersson, Anni-Frid (Frida) Lyngstad e Agnetha Faltskog acabaram por formar o Abba. Veremos que o quarteto foi uma espécie de “supergrupo” do pop sueco, pois reuniu quatro indivíduos que já tinham carreiras anteriores de sucesso em várias escalas, todos experientes e talentosos.

Bjorn, por exemplo, integrou o mais bem-sucedido grupo folk daquele país, os Hootenanny Singers, com o qual conheceu em 1963 Stikkan Anderson, dono da gravadora Polar Music e futuro empresário do Abba. Em 1966, foi a vez de Bjorn fazer amizade com Benny, líder da banda de pop rock The Hep Stars, campeã de popularidade na região nesse setor.

Enquanto isso, Frida e Agnetha desenvolviam carreiras solo. Eles basicamente gravavam na língua local. Bjorn e Benny começaram a compor juntos, e pouco depois começaram a namorar, respectivamente, Agnetha e Frida. Seus primeiros shows conjuntos ocorreram em 1970, evoluindo até que virassem um quarteto de fato em 1972.

Carl Magnus Palm nos apresenta a história com todos os contornos. No caso do lado artístico, detalhando as gravações de cada disco, desde o primeiro single People Need Love, partindo para a música que os levou à fama internacional em 1974, Waterloo, passando por todas as fases de sua trajetória, música a música, com fatos saborosos.

Quem procura revelações do lado pessoal dos músicos também encontrará farto material, tendo a oportunidade de ver como aqueles dois aparentemente felizes casais acabaram vendo suas relações indo para o espaço, e na sequência a própria banda. Os filhos, o relacionamento com pais e parentes, as brigas, está tudo aqui.

Os vocais impecáveis, o instrumental sempre afiado e as composições diversificadas e repletas de criatividade são destrinchadas de um jeito que torna um pouco mais simples entender o porque esse grupo teve tanto sucesso. E tem também a complicada relação entre eles e seu empresário Stikkan Anderson, figura chave para o estouro do quarteto.

Abba a Biografia é daqueles livros consistentes que você não consegue parar de ler. O único senão fica por conta da revisão um pouco descuidada da versão brasileira, que deixou passar um volume de erros um pouco além do desejável. Mas, mesmo assim, é leitura essencial para os fãs dessa fantástica e inesquecível banda pop.

Knowing Me Knowing You– Abba:

S.O.S.– Abba:

Summer Night City– Abba:

Honey Honey– Abba:

The Name Of The Game– Abba:

Stevie Nicks resgata canções de seu baú em 24 Karat Gold

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Por Fabian Chacur

24 Karat Gold- Songs From The Vaults, oitavo e mais recente CD de Stevie Nicks, equivale a um trabalho de resgate. A cantora e compositora americana retirou de seus arquivos canções compostas entre 1969 e 1987 (mais uma de 1994 e outra de 1995) que se mantinham no formato demo, tendo ficado dessa forma de fora de trabalhos anteriores. O resultado não poderia ter sido melhor.

O álbum saiu nos EUA em setembro de 2014 e até agora se mantém inédito por aqui, sabe Deus porque. Logo na primeira semana de lançamento, vendeu mais de 33 mil cópias e atingiu a sétima posição entre os álbuns mais vendidos no disputado mercado americano. Prova de forte popularidade de uma artista que completará 67 anos no próximo dia 26 de maio e que está há quatro décadas na estrada, sendo uma das melhores cantoras de rock de todos os tempos.

Seu primeiro álbum, Buckingham Nicks, saiu em 1973, em parceria com o então namorado Lindsey Buckingham. Em 1975, os dois viraram integrantes do Fleetwood Mac, banda que ajudaram a elevar ao primeiríssimo time do rock mundial. Em 1981, a cantora iniciou uma carreira solo paralela à da banda com o ábum Bella Donna. E o sucesso continuou o mesmo.

A fórmula usada por essa grande estrela do rock and roll não tem segredos. Trata-se de uma sempre bem azeitada mistura de rock básico, folk rock, country rock, folk, country e pop, pontuada por boas composições próprias e aquela voz meio rouca e sempre apaixonada que torna tudo sempre muito bom de se ouvir. Uma diva do primeiro escalão.

A primeira impressão ao se ouvir o novo álbum, produzido por Dave Stewart (ex-Eurythmics), é de não ser fácil acreditar que canções como Starshine, The Dealer, Cathouse Blues, I Don’t Care e She Loves Him Still (esta última escrita em parceria com Mark Knopfler, ex-Dire Straits) estivessem pegando poeira em um arquivo da vida, de tão boas que são.

Blue Water, com seu lirismo e apurado senso melódico, conta com a participação do ótimo trio Lady Antebellum, e o entrosamento entre eles se mostra matador. A única faixa que não é de autoria de Stevie é a bela Carousel, de Vanessa Carlton, amiga dela e uma das canções favoritas da mãe de Stevie, que infelizmente se foi há não muito tempo.

24 Karat Gold- Songs From The Vaults mostra uma Stevie Nicks em plena forma, não se rendendo a modismos para tentar ganhar novos fãs. Aqui, só o velho e bom rock and roll mesclado de folk e country, no qual Miss Nicks dá um banho de garra, personalidade e estilo. Como um disco desses não sai no Brasil? Com a palavra, a Warner Music Brasil.

Blue Water– Stevie Nicks e Lady Antebellum:

Starshine – Stevie Nicks:

Coletânea é uma boa amostra da fase recente do Simply Red

simply red novelas e baladas-400xPor Fabian Chacur

Novelas & Baladas, CD lançado recentemente pelo selo brasileiro Lab344, pode parecer para o desavisado mais uma das várias compilações existentes no mercado com hits do Simply Red, um dos grupos de maior sucesso dos últimos 30 anos. Uma análise mais apurada, no entanto, mostra que a coletânea acaba sendo um bom resumo da fase mais recente da banda britânica. Bem legal mesmo.

Depois de muitos anos ligada às gravadoras Warner e Eastwest, a banda liderada com mão de ferro pelo genial cantor e compositor britânico Mick Hucknall entrou em nova fase a partir de 2003, quando inaugurou seu próprio selo, que desde então tem lançado os novos trabalhos do grupo com acordos de distribuição com gravadoras de diversos países.

Nesse período, o Simply Red lançou os discos de inéditas Stay (2003) e Home (2007) e também os álbuns com releituras de seus sucessos dos anos 1980 e 1990 e uma ou outra canção inédita Simplyfied (2005) e Songs Of Love (2010). E é essa a origem das 13 faixas desta coletânea, com gravações registradas entre 2003 e 2010.

Três são releituras bacanas dos hits For Your Babies, Holding Back The Years e Ev’ry Time We Say Goodbye. As outras equivalem a uma espécie de melhores momentos dessa fase mais recente do trabalho do Simply Red. A empolgante e sacudida Stay, por exemplo. A maravilhosa balada r&b So Not Over You. A certeira Home. A caliente e latina Perfect Love. E por aí vai. E vai muito bem.

É bom verificar que várias dessas músicas mais recentes do Simply Red podem ser comparadas sem susto aos clássicos gravados por eles nos anos 1980 e 1990. Todas as músicas aqui reunidas foram incluídas em trilhas de novelas televisivas como Amor À Vida, Celebridade, Belíssima, Roda de Fogo e Corpo e Alma, entre outras.

Novelas & Baladas pode servir como um bom complemento para quem já tem compilações com os hits da fase clássica do Simply Red, além de um aquecimento para aguardar os futuros shows da banda. Após aproximadamente cinco anos longe de cena, o grupo volta à ativa a partir de outubro para comemorar seus 30 anos de estrada.

Até o momento, só foram divulgadas as datas de shows na Europa, que irão rolar entre outubro e dezembro. No entanto, tudo leva a crer que a tour Big Love Tour 2015- The Return Of Simply Red irá atingir em 2016 outros mercados como Ásia, América do Norte, Central e (cruzemos os dedos) América do Sul, Brasil incluso.

Stay – Simply Red:

So Not Over You– Simply Red:

Home– Simply Red:

Andrea dos Guimarães lança CD solo em um show gratuito

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Por Fabian Chacur

Andrea dos Guimarães está lançando seu primeiro CD solo, Desvelo. A cantora e pianista mineira mostra o repertório deste trabalho na cidade de São Paulo em show gratuito que será realizado nesta quinta-feira (26) às 20h no Itaú Cultural (avenida Paulista, 149- Jardins) dentro do projeto Quintas Musicais.

Embora esteja estreando como artista solo, Andrea é bastante experiente no meio musical, sendo há 13 anos integrante do grupo Conversa Ribeira, com o qual já lançou dois CDs, e ex-integrante do Garimpo Quarteto, com o qual gravou um CD. Formada em piano clássico, ela é professora de música em várias instituições importantes, nasceu em Tupaciguara (MG) e está radicada em São Paulo desde 1997.

Desvelo, que foi viabilizado graças ao esquema de crowd funding de arrecadação de recursos, traz Andrea de Guimarães relendo de forma inusitada e no esquema piano e voz obras de compositores como Chico Buarque, Milton Nascimento, Tião Carreiro, Bjork, Edu Lobo e Luiz Gonzaga, entre outros. Retrato Em Branco e Preto, Meu Tempo de Criança, Cocoon/Casulo e Seis Horas da Tarde são algumas das faixas.

Ela Desatinou – Andrea dos Guimarães:

Retrato Em Branco e Preto – Andrea dos Guimarães:

Seis Horas da Tarde/Asa Branca/Borandá– Andréa dos Guimarães:

Tom Petty dá show de rock e agrada com CD Hypnotic Eye

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Por Fabian Chacur

Tom Petty é integrante do primeiro time do rock americano desde o lançamento do primeiro álbum de sua banda, The Heartbreakers, em 1976 (leia a resenha aqui). E ele não perdeu a fome de música, vide seu mais recente álbum, o excelente Hypnotic Eye, ainda inédito no Brasil. Coisa finíssima!

Hypnotic Eye traz de cara o atrativo de ter sido o primeiro álbum de Petty a atingir o primeiro lugar na parada americana (leia sobre esse tema aqui). Em plena era dos downloads e Ipods, esse veterano roqueiro continua sendo relevante e atraindo a atenção do publico.

Nada mais justo. Poucos artistas conseguem manter a chama do rock americano tão acesa como este cantor, compositor e guitarrista, legítimo herdeiro de Byrds, Del Shannon, Chuck Berry, Roy Orbison e mesmo Rolling Stones (ingleses que cultuaram como poucos o rock ianque) que soube tocar adiante esse legado sem cair na repetição ou na mesmice. Um sujeito de personalidade, talento e assinatura própria.

O novo álbum marca o retorno da banda quatro anos após o ótimo Mojo (leia a resenha aqui), no qual exploraram de forma ampla e inspirada o blues e suas vertentes. Desta vez, a aposta foi no rock básico, com um ou outro momento mais reflexivo. Um show de riffs, energia e categoria.

Um dos segredos da banda é a sua longevidade em termos de formação. O excepcional guitarrista Mike Campbell é o braço direito de Petty e está com ele desde o inicio, assim como o ótimo tecladista Benmont Tench. O baixista Ron Blair também é da escalação inicial, embora tenha ficado longe do time entre 1982 e 2002, quando voltou para substituir seu substituto, o saudoso Howie Epstein (morto em 2003). Completam o time há 20 anos o veterano baterista Steve Ferrone e o guitarrista Scott Thurston. Todos jogam para as canções, sem virtuosismos tolos.

A festa rock and roller começa a mil com American Dream Plan B. Fault Lines mantém a coisa no alto, enquanto a compassada e ardida Red River coloca a combustão a mil. Full Grown Boy é a primeira pausa, quase jazzística e deliciosamente delicada. All You Can Carry vem com seus riffs potentes, seguida pela bluesy Power Drunk.

Forgotten Man vem com seu pique verdadeiramente alucinado. Sins Of My Youth é outro momento de reflexão, com uma levada quase bossa nova e melodia delicada. abre caminho para a sensacional e stoniana U Get Me High, enquanto Burnt Out Town e Shadown People fecham a tampa com sutileza e inspiração. Um disco daqueles para se ouvir de novo, e de novo, e de novo. Quem disse que o rock morreu? Trouxa!

American Dream Plan B– Tom Petty & The Heartbreakers:

Hypnotic Eye- Tom Petty & The Heartbreakers (álbum em streaming):

Edu Lobo celebra aniversário com DVD histórico e classudo

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Por Fabian Chacur

Se há uma palavra que define Edu Lobo é discreto. Ao contrário de colegas de geração como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Milton Nascimento, este genial cantor, compositor e músico carioca sempre se manteve o mais distante possível do burburinho da mídia. Mantendo essa postura, ele comemorou 70 anos de vida com um ótimo DVD, Edu 70 Anos (Biscoito Fino). Coisa de craque, de quem põe a música sempre em primeiro lugar.

Desde o início de sua carreira, na década de 1960, Edu Lobo sempre se pautou por uma abordagem bastante particular e criativa da música brasileira, misturando com muita classe bossa nova, samba e especialmente ritmos nordestinos, valendo-se de elementos de jazz e música erudita oriundos de seu aprendizado formal como músico. Popular e sofisticado ao mesmo tempo.

Nessa trajetória, proporcionou ao público discos de alto gabarito e trilhas para teatro, balé e cinema. Compondo sozinho ou em parcerias com gente do naipe de Chico Buarque, Capinan, Aldyr Blanc, Paulo Cesar Pinheiro e Torquato Neto, entre outros, concretizou uma obra repleta de clássicos, canções que entraram para o cancioneiro nacional e de lá não sairão jamais.

Em Edu 70 Anos, o mestre relê 26 músicas acompanhado por uma orquestra de cordas e um grupo liderado pelo sempre inspirado tecladista e diretor musical Cristóvão Bastos. Os arranjos são classudos, e as interpretações de Edu, que se concentra nos vocais por não tocar mais violão ao vivo, são doces, precisas e bem melódicas.

Algumas participações especiais marcam o show, que foi gravado ao vivo em 29 de agosto de 2013 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Maria Bethânia marca presença em Ciradeiro e Pra Dizer Adeus. O parceiro fiel Chico Buarque é a atração em A História de Lily Braun, Lábia e Choro Bandido. A cantora Monica Salmaso está em A Mulher de Cada Porto, Coração Cigano e Valsa Brasileira.

Completa o time o filho de Edu, Bena Lobo, que mostra muito talento em No Cordão da Saideira e Ponteio. Os convidados também marcam presença na última faixa do show, Na Carreira. O repertório também inclui maravilhas como Chegança, Vento Bravo, Zanzibar, Frevo Diabo e Ave Rara. Lógico que faltam alguns clássicos, entre os quais Lero-lero e Viola Fora de Moda, mas Edu 70 Anos celebra com categoria uma carreira repleta de brilho.

Veja cenas do DVD Edu Lobo 70 Anos:

Jamie Cullum grava a parceria com Nostalgia 77 em novo CD

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Por Fabian Chacur

Jamie Cullum não se cansa de lançar novos e bons trabalhos. Com 35 anos de vida e uns 20 de estrada, este excelente cantor, compositor e tecladista britânico lançou em 2013 o excelente Momentum (leia a crítica aqui). Pois ele já está com CD novo. Trata-se de Interlude, parceria com o grupo britânico Nostalgia 77. Outro golaço.

O contato entre Cullum e Benedic Lamdin, produtor, músico e líder do Nostalgia 77, ocorreu quando o primeiro entrevistou o segundo em seu programa de rádio. Ficou clara a empatia entre eles, e a ideia de um trabalho em conjunto logo se concretizou, gravado em janeiro. Com dez anos de carreira fonográfica, o grupo de Lamdim é do tipo conceitual, reunindo músicos e também incluindo samplers e outros recursos eletrônicos, e já lançou vários CDs elogiados.

Interlude é basicamente um disco de jazz tradicional, com tempero de blues e pop aqui e ali. O bate-bola entre Jamie Cullum e os músicos do Nostalgia 77 é delicioso, com destaque para o pianista Ross Stanley. O repertório se divide entre standards de jazz e releituras com esse espírito de músicas de autores como Richard Carpenter, Randy Newman e Surfjan Stevens.

Dois duetos marcam presença no álbum. Em Good Morning Heartache, a cantora Laura Mvula faz um belo dueto com Cullum, enquanto em Don’t Let Me Be Misunderstood é a vez de Gregory Porter dar um tom soul ao clássico do folk. Sack O’Woe, My One And Only Love, Lovesick Blues, Walkin’ (de Richard Carpenter, dos Carpenters) e Make Someone Happy são outros pontos bacanas de um álbum delicioso. Acertou de novo, heim, Mr. Cullum?

Good Morning Heartache – com Laura Mvula:

Barry Manilow surpreende ao lançar CD inusitado de duetos

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Por Fabian Chacur

Após assinar contrato com o selo Verve Music, Barry Manilow ouviu dos diretores da gravadora a sugestão de lançar um álbum de duetos. Ele imediatamente se questionou de como poderia fazer um álbum desse tipo diferente dos milhares já feitos. Sua escolha de elenco para as gravações era ótimo, mas tinha um “pequeno” problema: todos os intérpretes já não se encontram entre nós. Um sonho impossível, pensou ele.

Quando ele expôs esse conceito à gravadora, ficou surpreso ao ver que a ideia não só não foi rejeitada como não pareceu absurda aos produtores e executivos. “Eles me falaram dos recursos tecnológicos atuais, que permitem coisas com as quais a gente nem imaginaria que fossem possíveis. Aí, resolvemos arriscar”, relembra o cantor americano em entrevista para promover seu novo trabalho.

O resultado é My Dream Duets, CD que estreou recentemente na parada americana direto no quarto lugar, uma performance simplesmente fantástica para um cantor de música romântica na estrada há mais de quatro décadas. Mais surpreendente: gravando músicas com Marilyn Monroe, Andy Williams, Whitney Houston, John Denver, Louis Armstrong, Mama Cass e outros saudosos ícones da música.

Valendo-se dos mais atualizados procedimentos técnicos atuais, as vozes dos onze “convidados” foram extraídas de gravações anteriores feitas por eles. Aí, foram acrescentados novos arranjos e os vocais de Manilow. O resultado é impressionante, pois a impressão é que o astro pop gravou as canções ao lado de seus convidados, tal a qualidade técnica e o calor das interpretações. Como diria o glorioso apresentador de TV Ratinho, “coisa de louco”.

What a Wonderful World/ What a Wonderful Life (com Louis Armstrong), I Believe In You And Me (com Whitney Houston), Moon River (com Andy Williams), The Look Of Love (com Dusty Springfield), I Wanna Be Loved By You (com Marilyn Monroe) e Dream a Little Dream Of Me (com Mama Cass) são algumas das faixas deste álbum inusitado e capaz de obter as mais diversas reações, desde admiração até horror por um possível teor oportunista. A escolha é sua.

What a Wonderful World/ What a Wonderful Life- Barry Manilow & Louis Armstrong:

I Believe In You And Me- Barry Manilow & Whitney Houston:

Barry Manilow fala sobre como surgiu My Dream Duets:

Du Masset nos dá preparação, talento e boas canções em EP

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Por Fabian Chacur

Os reality shows musicais em suas versões brasileiras às vezes parecem uma espécie de “porta da esperança assistencial”, premiando frequentemente mais pelas histórias de sofrimento de seus participantes do que propriamente por talentos lapidados e levados a sério. Como qualquer outra profissão, um músico precisa se preparar para merecer o sucesso. É assim que deveria ser.

Por isso, é muito bacana quando temos a oportunidade de conhecer um trabalho como este Moral, primeiro EP (extended play, espécie de single com mais faixas do que um compacto e menos do que um CD “cheio”) do cantor e compositor carioca Du Masset. Logo nos primeiros acordes do repertório de sete faixas, fica claro que não estamos diante de um iniciante qualquer.

Antes de se aventurar como artista solo, Du teve mais de nove anos de atuação no teatro e em preparação vocal. Seus estudos na área de teatro tiveram início logo aos 12 anos de idade, e as aulas de canto pintaram como consequência natural. Trabalhou como professor de canto, atuou em teatro e se dedicou com afinco aos estudos da voz. Enquanto isso, compunha sem pressa e com capricho e detalhismo.

Moral, portanto, é fruto de anos de dedicação, e seu repertório saiu de um universo de mais de 50 canções escritas por Du. Com direção musical e arranjos a cargo de Diogo Gomes, a roupagem musical é rica, com direito a metais, teclados, guitarras, baixos e violões pilotados por músicos talentosos e que jogaram para o time o tempo todo.

Lógico que nada disso adiantaria se não tivéssemos aqui dois elementos fundamentais: boas canções e um intérprete competente. E Du nos oferece essas duas coisas com categoria. Ele sabe aproveitar com categoria os nuances e meandros de sua voz, interpretando cada canção sem exageros e sempre buscando tirar delas o máximo possível.

O repertório fala de amor, relações humanas e das dúvidas que nos afligem o tempo todo, ou seja, não será difícil você se identificar com as letras. Em termos musicais, uma mistura de pop-rock, soul, rhythm and blues moderno e pitadas de MPB bem dosada, na qual Du se solta sem pudores ou autolimitações, mas sempre com o bom-senso de não jogar notas fora ou de cair em estrelismos banais.

A pegada jazz/soul/pop de Descabelar, a vocação pop de Só Você (Nã Nã Nã Nã) e o swing romântico de Desapego são muito bacanas, mas a estrela máxima do EP é a sensacional Pra Alguns (Você é Quem Você É), profissão de fé na individualidade de cada ser humano, independente do que os outros possam pensar, exigir ou impor aos “pobres mortais”.

Moral é um belo início de carreira como artista solo de Du Masset, e a prova de que vale a pena se preparar antes de dar um pontapé inicial tão importante. Se o sucesso bater à porta desse artista multifacetado, ninguém poderá se atrever a dizer que isso ocorreu por acaso. Muito promissor e já com fruto doces a serem apreciados.

Pra Alguns (Você é quem você é)– Du Masset:

Smokey Robinson relê hits ao lado de amigos bem famosos

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Por Fabian Chacur

Smokey Robinson é o tipo do artista que merece a alcunha de lenda viva. E não é para menos. Um dos fundadores da Motown Records ao lado de Berry Gordy, ele é um cantor excepcional, compositor repleto de clássicos no currículo e uma das figuras mais simpáticas do meio musical. É o seu legado que é celebrado neste excelente Smokey & Friends (Universal Music), no qual relê 11 de suas canções mais famosas ao lado de amigos bastante conhecidos. Uma aula de música pop.

Com produção a cargo do experiente Randy Jackson, que muitos conhecem como um dos jurados do reality show musical American Idol, Smokey & Friends apresenta cada canção com classe, sendo que os convidados não escondem a emoção de gravar com um cara que foi considerado o grande poeta da música pop por ninguém menos do que Bob Dylan, e que foi homenageado por George Harrison (um beatle!) na bela música Pure Smokey, de 1976.

O CD abre com tudo, em dueto com Elton John na sublime The Track Of My Tears. Steven Tyler, do Aerosmith, é o convidado em You Really Got a Hold On Me, que muita gente conheceu na bela regravação dos Beatles e cuja versão original é do grupo que consagrou o astro da Motown, Smokey Robinson & The Miracles. Os garotões Miguel, Aloe Blacc e JC Chasez fizeram bonito em My Girl, aquela maravilhosa canção imortalizada pelos Temptations.

Cruisin’, um dos momentos mais bem-sucedidos da carreira solo de Smokey Robinson, aparece aqui em dueto com Jessie J. John Legend incorporou bem a ótima Quiet Storm, canção tão importante e influente que deu nome a um tipo de programação de rádio nos EUA dedicado a canções de black music ao mesmo tempo suaves e intensas.

O habitualmente exagerado CeeLo Green aparece mais contido e estiloso ao lado de Smokey na releitura de The Way You Do The Things You Do, lançada pelos Temptations nos anos 60 e com uma belíssima gravação do grupo britânico UB 40 nos anos 1980. A diva Mary J. Blige dá um banho em Being With You, enquanto James Taylor se entrosa às mil maravilhas com o dono da festa na ótima Ain’t That Peculiar.

Sheryl Crow é a parceira do homenageado na maravilhosa The Tears Of a Clown, enquanto a ótima Ledisi mostra muita personalidade na intensa Ooh Baby Baby. O álbum é encerrado com uma releitura bem pra cima de Get Ready, sucesso com os Temptations e o Rare Earth, desta vez na voz de Gary Barlow, conhecido como integrante da boy band Take That.

Smokey & Friends atingiu o 12º lugar na parada americana logo na semana de seu lançamento por lá, o melhor desempenho de um álbum do artista. Nada mais merecido, pois aos 74 anos seu falsete continua único, e o entrosamento que demonstrou com os amigos convidados para esse projeto é coisa de quem sabe unir arte e profissionalismo em doses perfeitas. Uma delícia de CD!

The Track Of My Tears – Smokey Robinson e Elton John:

You Really Got a Hold On Me- Smokey Robinson e Steven Tyler:

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