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O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Annie Lennox relê clássicos e dá aula em seu CD Nostalgia

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Por Fabian Chacur

Poucas cantoras no universo da música pop poderiam se dar ao luxo de intitular um de seus discos com a palavra Diva sem cair no ridículo ou na extrema arrogância. Annie Lennox se encontra nesse seleto elenco, e fez isso em sua estreia como artista solo em 1992, após uma década como vocalista do duo Eurythmics. E a moça continua mais afiada do que nunca, vide seu novo álbum, o excelente Nostalgia, que a Universal Music acaba de lançar.

Desde o início de sua carreira, como vocalista do grupo The Tourists no fim dos anos 70, a cantora, compositora e pianista escocesa sempre se pautou pela excelência naquilo que faz. Com formação teórica em música (estudou na Royal Academy Of Music, em Londres), ela soube usar esses conhecimentos a seu favor no competitivo cenário da música.

Com um vozeirão poderoso e com cara de soul music, Miss Lennox na verdade cantou de tudo em sua carreira, sempre com muita categoria. Uma explicação para esse mergulho bem-sucedido é o fato de que ela nunca se mete a interpretar aquilo de que não gosta. Ou seja, a sua alma sempre tem de estar 100% envolvida naquilo que faz, pois senão, ela não faz. Simples assim.

Nostalgia é o seu segundo álbum dedicado exclusivamente a repertório alheio. Medusa (1995), o primeiro nessa linha, trazia como mote canções de várias épocas cujas versões originais haviam sido interpretadas por homens. Desta vez, o tema é afetivo: clássicos da soul music e standards de jazz que a encantaram em sua adolescência e vida adulta.

Com arranjos delicados, indo desde o básico piano e voz até acompanhamentos com banda e cordas, o álbum prima pela classe, sempre com a moldura certa para a voz especial da ex-cantora dos Eurythmics. Sem forçar a barra, ela procura trazer cada uma das 12 músicas para o seu universo, sem perder a essência desses clássicos perenes. E é preciso ressaltar: ela, de quebra, continua tão linda como sempre. O pacote completo.

Georgia On My Mind, I Put a Spell On You, Strange Fruit, God Bless The Child, Mood Indigo, You Belong To Me,, Summertime, é uma maravilha atrás da outra. Nelas, Annie, que completará 60 anos no próximo dia 25 de dezembro, mostra que atingiu a maturidade enquanto artista, mantendo o frescor e a qualidade de sua voz em doses altas de prazer para o felizardo do seu ouvinte.

Summertime– Annie Lennox:

I Put a Spell On Me– Annie Lennox:

Pitty lança clipe para a música Serpente, do novo CD; confira

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Por Fabian Chacur

Pitty acaba de disponibilizar o segundo clipe para divulgar seu mais recente álbum, Setevidas, lançado pela gravadora Deck e que marca o seu retorno ao rock após um bom período dedicado ao trabalho paralelo Agridoce, de canções folk e acústicas e feito em duo ao lado do guitarrista Martin Mendonça, o mesmo da sua banda habitual.

A faixa que está sendo divulgada é Serpente, a décima e última do CD, e teve o clipe dirigido por Charly Coombes, tecladista da extinta banda Supergrass, aquela que estourou nos anos 1990 com o single Alright. Ele atualmente lidera o próprio grupo, o Charly Coombes And The New Breed, do qual tem sido o diretor dos clipes que divulgam suas músicas.

Serpente é um rock percussivo com influências de Bo Diddley e direito a refrão intenso e quase messiânico em sua parte final. As filmagens rolaram em duas locações diferentes, no estado de São Paulo, e representam os membros de uma seita durante um ritual. Participam do mesmo Pitty e os integrantes de sua banda: Duda Machado (bateria e percussão), Guilherme Almeida (baixo), Martin Mendonça (guitarra) e Paulo Kishimoto (teclados).

Veja o clipe de Serpente, com Pitty:

Começam preparativos para o show de Paul McCartney-SP

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Por Fabian Chacur

Estamos nos aproximando dos históricos shows que Paul McCartney realizará na Allianz Parque, a nova Arena da Sociedade Esportiva Palmeiras, previstos para os dias 25 e 26 de novembro. E os detalhes referentes aos preparativos para essas performances começam a ser divulgados à imprensa brasileira pela Midiorama Entertainment Media, que está por trás dos espetáculos.

De cara, impressiona e muito o fato de que 42 carretas serão utilizadas para transportar o material necessário para a montagem do show. Se levarmos em conta apenas a estrutura metálica, o peso gira em torno de 150 toneladas. Teremos aproximadamente 280 profissionais brasileiros trabalhando na montagem e na produção, sendo que na semana do show, mais 40 técnicos estrangeiros da equipe do ex-Beatle reforçaram o time para os ajustes finais.

Serão necessários em torno de 10 dias para que a montagem da parafernália referente ao show seja concretizada. O palco tem 70 metros de largura, sendo que seu ponto mais alto chega a 26 metros de altura. Em um momento específico do show, Macca e dois de seus músicos serão elevados a uma altura de 8 metros, podendo ser visualizados de qualquer parte da arena.

Serão montadas 150 caixas de som, com uma potência em torno de 200 mil watts, além de dois telões de alta definição em cada um dos lados do palco. O fim do show terá como atração oito canhões que jogarão no palco e na plateia uma infinidade de confetes, dando um clima provavelmente semelhante ao do fim do ano nas empresas paulistanas.

No quesito “exigências pessoais”, o autor de Yesterday solicitou para os camarins 6 vasos de plantas altas e com bastante folhagem, e outras seis mais baixas. Também teremos 80 gérberas de cores sortidas, distribuídas em 8 arranjos com 10 flores cada. De quebra, 240 toalhas precisarão estar por lá. São esperadas aproximadamente 48 mil pessoas em cada um dos shows, sendo que os ingressos para o primeiro deles se esgotaram em questão de horas.

Em termos de repertório, Paul McCartney e sua banda devem apresentar em torno de 39 músicas por noite, com ênfase em clássicos dos Beatles, dos Wings e da carreira solo deste grande gênio da música. Sua turnê americana tem sido aberta invariavelmente com uma de duas músicas: Eight Days a Week ou Magical Mystery Tour.

Como novidades, músicas de seu mais recente (e ótimo) álbum New, entre as quais Queenie Eye, Everybody Out There e Save Us, a também recente Valentine e uma releitura de Being For The Benefit Of Mr. Kite, dos Beatles, que curiosamente foi interpretada por John Lennon no álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (1967). E no bis, temos o revezamento entre Birthday, dos Beatles, e Hi Hi Hi, dos Wings.

O show tem sido encerrado sempre, após um segundo bis, com o maravilhoso medley do álbum Abbey Road (1969). Além dos shows em São Paulo, Paul McCartney se apresentará no Brasil no dia 10 de novembro no estádio Kleber Andrade, em Vitória (ES), no dia 12 de novembro na HSBC Arena no Rio e no dia 23 de novembro no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Queenie Eye– Paul McCartney:

Sururu na Roda lança clipe e esbanja swing e alto astral

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Por Fabian Chacur

Fazer samba pra cima, com qualidade artística e swing envolvente não é coisa muito fácil de se fazer. Portanto, o grupo Sururu na Roda pode se gabar de fazer parte de um seleto time capaz dessa façanha. A nova prova é o clipe feito para sua canção Sururu Formado. Uma delícia.

Faixa inédita incluída no quinto e mais recente trabalho do trio carioca, Sururu Na Roda Ao Vivo (lançado nos formatos CD e DVD), Sururu Formado é um descontraído e contagiante convite à alegria, à festa e ao samba de roda. O clima do clipe é de roda de samba, com direito a alguns músicos famosos no meio.

Entre outros, aparecem durante o vídeo feras do naipe de Nelson Sargento, Monarco, Moacir Luz, Tia Surica, Serjão Loroza e até mesmo o roqueiro Guto Goffi, sendo que o baterista do Barão Vermelho aparece vestindo uma camisa de seu time de coração, o Flamengo.

As gravações do clipe tiveram como base o Jardim Estúdio do Laranjeiras Records, incluindo também cenas captadas no Clube Renascença (Samba do Trabalhador), Oficina de Percussão de Maracatu Brasil e Cafofo da Surica.

Criado em 2000 nos jardins da UNIRIO, o Sururu na Roda é integrado por Nilze Carvalho (cavaquinho e voz), Fabiano Salek (percussão e voz) e Silvio Carvalho (percussão e voz). Eles já se apresentaram nos EUA, ajudaram a injetar energia nova no samba e são bem reconhecidos no meio musical por seus colegas.

Afinal de contas, não é qualquer um que pode se gabar de ter tido participação especial em seus discos de gente como Chico Buarque e Zeca Pagodinho, além de músicas em atrações globais. O mais novo trabalho do Sururu Na Roda traz as presenças de Diogo Nogueira, Péricles, Monarco e Dona Ivone Lara.

Veja o clipe de Sururu Formado– Sururu na Roda:

Coletânea R-Kive faz uma boa viagem pela obra do Genesis

R-Kive-genesis-400xPor Fabian Chacur

Foi lançado na Inglaterra e no exterior um documentário que dá uma geral na carreira do Genesis. Ainda sem previsão de lançamento no Brasil, o filme conta com depoimentos atuais de seus integrantes e imagens de arquivo dos mais de 40 anos da carreira da banda britânica. Como consolo, acaba de sair por aqui via Universal Music a coletânea tripla R-Kive, espécie de complemento do vídeo.

Durante esses anos todos, foram lançadas várias compilações com músicas da célebre banda inglesa, um dos pilares do rock progressivo. No entanto, esta aqui é sem sombra de dúvidas a mais abrangente e bem pensada, especialmente para aqueles que não conhecem bem o seu trabalho, ou que gostariam de poder ouvir momentos representativos de todas as suas fases.

São no total 37 faixas, sendo 22 do grupo e três de projetos individuais de cada um dos cinco integrantes mais importantes da história do grupo: Phil Collins (bateria e vocal), Peter Gabriel (vocal), Peter Banks (teclados), Steve Hackett (guitarra) e Mike Rutherford (baixo e guitarra). Ou seja, pela primeira vez uma coletânea mistura esse material todo.

A distribuição das músicas foi feita de forma bastante inteligente. O primeiro CD enfatiza a fase mais progressiva nos moldes tradicionais do gênero, quando Peter Gabriel era o vocalista do Genesis. São 9 faixas, sendo Supper’s Ready com mais de 23 minutos de duração. Longas passagens instrumentais, melodias próximas da música erudita, especialmente de sua vertente mais romântica, letras psicodélicas, eis as marcas dessa fase.

Entre improvisos e faixas mais longas, também temos nesse disco as mais compactas I Know What I Like (in Your Wardrobe) e Carpet Crawlers, que davam leves dicas do que viria. A faixa que encerra essa parte é Ace Of Wands, do primeiro trabalho solo de Steve Hackett (Voyage Of The Acolyte), da qual participam Phil Collins e Mike Rutherford.

O segundo CD registra a banda em sua fase de transição, sem Gabriel e Hackett e com Phil Collins nos vocais, aos poucos mergulhando um pouco mais no rock eletrônico, no pop e em outros elementos musicais. Os trabalhos solo também mostram uma amplitude enorme, como provam Solsbury Hill e Biko (Peter Gabriel), In The Air Tonight (Phil Collins) e Every Day (Steve Hackett).

O terceiro CD apresenta o Genesis com a cara que o tornou ainda mais bem-sucedido em termos comerciais, um pop rock consistente, musculoso e que não perdeu a força de seus tempos mais progressivo nos moldes dos anos 70. Ou seja, a ousadia continuou presente, só que de outras formas, como provam Invisible Touch, I Can’t Dance, Land Of Confusion e Hold On My Heart.

Também é interessante ouvir as faixas do bem-sucedido grupo alternativo de Mike Rutherford, o Mike + The Mechanics, com direito às ótimas The Living Years e Over My Shoulder. Os outros momentos solo incluídos aqui mostram desde experiências com o flamenco (Nomads, de Steve Hackett) e a música erudita (Siren, de Tony Banks).

O legal desta compilação é que não houve a intenção de reunir todos os hits. Outras coletâneas já cumpriram essa missão anteriormente. Aqui, o fundamental foi apresentar momentos representativos da carreira do grupo e de seus integrantes, mesmo que em alguns casos não se tratasse das faixas mais conhecidas.

R-Kive conta com belíssima embalagem digipack e um encarte com ótimo texto repleto de aspas dos cinco músicos (que contribuíram diretamente na realização desta coletânea) e fotos das capas de todos os álbuns dos quais faixas foram extraídas (no caso do Genesis, todos de estúdio a partir do álbum Foxtrot, de 1970, que marcou o início da “fase adulta” da banda).

Ouvir R-Kive na íntegra e na sequência é uma bela forma de se viajar na trajetória de uma banda que nunca teve medo de experimentar novos rumos e formatos para a sua música, tanto em conjunto como em suas trajetórias individuais paralelas. Que venha logo o documentário, para que possamos ter a experiência integral CDs+filme.

Supper’s Ready – Genesis:

Mama -Genesis:

Invisible Touch – Genesis:

Novo espaço de shows terá o show da Nação Zumbi em SP

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Por Fabian Chacur

Caberá à Nação Zumbi a tarefa de inaugurar um novo espaço para shows em São Paulo. O grupo pernambucano vai realizar no dia 7 de novembro (sexta-feira) às 23h o primeiro espetáculo do Studio Verona (rua Voluntários da Pátria, 498- Santana). Os ingressos custam R$ 60 mais um quilo de alimento, e podem ser adquiridos em www.ingressorapido.com.br (fone 4003-1212).

Com capacidade inicial para 1.764 pessoas, número que será ampliado em breve para cerca de 4 mil pessoas, o Studio Verona integra um complexo de entretenimento do qual também farão parte a Arena Verona, concebida para receber festivais e grandes eventos, e o Cenarium Gastronômico, um food park com 30 vagas para barracas e food trucks de comidinhas diversas.

O Studio Verona promete abrigar até o fim deste ano em torno de 60 atrações, entre elas os já confirmados Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz e Digitaria. Conheça um pouco mais a respeito desse ambicioso projeto comercial e cultural, situado na zona norte de São Paulo e próximo da Marginal Tietê, em seu site www.arenaverona.com.br .

A Nação Zumbi aproveita a deixa para mostrar, neste show, músicas de seu novo álbum, autointitulado e lançado este ano, entre elas Cicatriz, Bala Perdida e Defeito Perfeito, além de clássicos de seu repertório construído em mais de 20 anos de estrada, entre os quais A Cidade, Manguetown, Blunt Of Judah e Maracatu Atômico, entre muitos outros.

Ouça em streaming o novo CD da Nação Zumbi:

Grupo Fundo de Quintal lança novo CD de inéditas em breve

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Por Fabian Chacur

Foram oito longos anos de espera, mais precisamente desde o álbum Pela Hora. Mas finalmente chegou a hora de ouvirmos um novo trabalho de composições inéditas e gravado em estúdio do Grupo Fundo de Quintal. Um dos mais importantes grupos da história do samba, o time promete esse CD de inéditas para dezembro, com 14 faixas inéditas e lançamento pela gravadora LGK Music. O estúdio é o Cia dos Técnicos (RJ).

O disco marca o retorno de Mário Sérgio (cavaquinho e vocal) ao grupo, ele que havia saído há cerca de uma década para se dedicar a projetos individuais. O cara volta a ficar ao lado de Ronaldinho (banjo e voz), Ademir Batera (bateria), Bira Presidente (pandeiro e voz), Ubirany (repique de mão e voz) e Sereno (tantã e voz), uma das formações mais consistentes dos 35 anos de carreira do Grupo Fundo de Quintal.

Além de canções dos integrantes Mário Sérgio, Sereno e Ronaldinho, o novo trabalho também trará músicas de autoria de nomes bacanas das novas gerações do samba, como Mauro Júnior (do grupo Revelação), Leandro Fab, Renan Pereira, Picolé e Pretinho, entre outros. Nem é preciso dizer que o samba solto e consistente será a marca desse trabalho. O produtor é o genial Rildo Hora, outro guru do samba.

De quebra, o Fundo de Quintal também fará parte do Samba Book de Dona Ivone Lara com uma releitura da música Preá Comeu. Considerados inovadores do samba ao introduzir novos instrumentos nesse ritmo, a banda mantém três integrantes de sua formação original, os mestres Ubirany, Sereno e Bira Presidente, verdadeiras sumidades da música brasileira e simpáticos até a medula.

Ouça na íntegra O Mapa da Mina (1986), do Grupo Fundo de Quintal:

João Capdeville estreia com EP de som elaborado e doce

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Por Fabian Chacur

O cantor, compositor e multi-instrumentista carioca João Capdeville estreia em disco com um formato que voltou a ser utilizado por muitos artistas, o EP. Trata-se de um CD com no máximo cinco músicas, no qual o artista pode apresentar uma amostra de seu trabalho de um jeito mais conciso. Uma espécie de cartão de apresentação chique.

Com 21 anos de idade, o artista carioca nos apresenta canções elaboradas, melódicas e doces, mas com um tempero ardido que lhe dão um diferencial em relação ao que anda sendo feito por seus contemporâneos. É MPB, sim, mas também tem raízes no rock, na música pop e até mesmo no jazz e música erudita. Som sem amarras, com vocalizações concisas.

Em entrevista exclusiva a Mondo Pop, Capdeville nos fala do primeiro EP, intitulado Pausa e lançado pela via independente, e também sobre as influências musicais que permeiam sua obra, seus planos, projetos e muito mais. É um artista promissor que mostra bastante poder de fogo logo na estreia. Vale a pena ficar de olho nele.

Mondo Pop- O que te levou a estrear em termos fonográficos com um EP? O que acha da atual tendência de vários artistas lançarem músicas novas nesse formato? E como você faz as vendas dele? Em shows, na internet etc?
João Capdeville– Então. Gravar primeiro um EP foi na verdade uma espécie de teste, uma experiência. Escolhemos as músicas que achamos que se destacavam e, se desse certo e as pessoas gostassem, gravaríamos o resto das músicas para lançar, posteriormente, um CD cheio. Felizmente o Pausa tem dado um bom retorno e rendido boas críticas, o que facilita a continuidade do projeto. Acho o EP uma forma muito legal de se trabalhar. É claro que depende de cada artista. Mas acho bem bacana porque não é necessário esperar você ter um monte de músicas pra gravar. Tudo pode ser feito aos poucos. De 3 em 3, de 4 em 4 músicas etc. Isso diminui o tempo total de criação e faz com que o público tenha alguma novidade por parte do artista em um período menor. A espera por novidades fica menos demorada. Acho muito bacana.
Eu tenho o EP inteiro disponível para compra online através de algumas plataformas como o iTunes, por exemplo, mas pra quem quiser ter o álbum físico, eles sempre estão à venda em meus shows. Interessados em comprar o disco físico podem entrar em contato pelo meu email também para mais informações (joaocapdevillecontato@gmail.com).

Mondo Pop- Como foi selecionar o repertório para Pausa? Que tipo de critérios você seguiu? Todas as músicas foram compostas em uma mesma época ou vem de períodos diferentes?
João Capdeville– Pra mim foi um pouco difícil escolher apenas cinco músicas. Tenho um carinho muito grande por todas as canções que escrevo e não queria deixar nenhuma de fora. Essa escolha veio junto ao Diogo, que foi quem produziu o disco. Ele ia escutando e me dizendo as que mais o agradavam e, estando enfim de acordo, depois de um tempo tínhamos as cinco faixas determinadas. Quanto ao processo de criação, há músicas de períodos distintos da minha vida. A Lembra?, por exemplo, é uma das que compus há mais tempo e tinha guardado na gaveta. Por outro lado, escrevi O Mundo Vai Girar pouco antes de entrar no estúdio pra gravar o disco.

Mondo Pop- Você tem 21 anos, mas suas referências musicais (que constam do release do seu disco) são de nomes bem anteriores à sua geração. Isso ocorreu de forma não intencional ou denota uma insatisfação com a música feita dos anos 80 para cá?
João Capdeville– Engraçado. Sabe que eu não tinha percebido isso? (Risos) De forma alguma. Não tenho insatisfação nenhuma com a música feita dos anos 80 pra cá. Pelo contrário, tenho admiração por um monte de artistas dessa época. Acho que foi só coincidência mesmo.

Mondo Pop- Ainda na mesma pegada da pergunta anterior: quais são os artistas da nova geração que você mais gosta, e por quê?
João Capdeville– Ah! Eu gosto de muitos. Adoro o trabalho do Silva, do Lucas Santtana, do Cícero. Acho que são capazes de fazer algo magnífico, cada um com suas características, e sem fugir das raízes.

Mondo Pop- As suas canções mesclam elementos de MPB, rock e mesmo música erudita de forma bem aberta, sem amarras. Essa era a sua intenção desde o início?
João Capdeville– Acho que essa mistura é algo inevitável, não é só questão de ter ou não a intenção. Isso vem das coisas que gosto de ouvir e tocar, de todas as minhas influências, e estas estão presentes em todas as minhas composições. De forma intencional ou não, penso que todas as minhas músicas tem e terão essa característica de misturar minhas influências.

Mondo Pop- Qual o seu objetivo básico enquanto artista? Gostaria de fazer sucesso em termos comerciais ou prefere concentrar seu poder de fogo na parte artística, sem levar isso em conta?
João Capdeville– Meu objetivo é conseguir chegar no maior número possível de pessoas e vê-las se identificando com minhas letras e melodias. Pra mim isso é tudo! Dinheiro e sucesso seriam consequências. O mais importante é poder me expressar de forma sincera, através das minhas canções, e fazer com que as pessoas se sintam, ao ouvir, do mesmo jeito que eu me sinto ao cantá-las.

Mondo Pop- Nos seus shows você mescla músicas próprias e releituras de músicas de outros artistas. Como foram escolhidas essas canções alheias, e como você as relê, mais próximas dos arranjos originais ou tentando partir para um rumo diferente em termos estilísticos?
João Capdeville– A prioridade nos meus shows é, obviamente, das minhas músicas mas, sobrando espaço, é um prazer poder cantar alguma composição de artistas de quem eu gosto. No último show, toquei algumas versões de músicas de outros compositores, mas a tendência é que, conforme eu vá lançando mais material, diminua um pouco esse número. Quando toco uma música de outra pessoa, tento colocar o máximo de João Capdeville nela. Tento tratar a canção como se eu mesmo a tivesse escrito. Por isso, escolho somente músicas com as quais me identifico muito. Caso contrário, não veria razão em cantá-las.

Mondo Pop- Como funciona o trabalho com os músicos de sua banda de apoio? É como se fosse um grupo, com abertura para que eles opinem, ou você dá as coordenadas e eles as seguem?
João Capdeville– É 100% aberto para que opinem. Somos um grupo. É claro que eu tenho que dar a palavra final pra que tudo tenha o meu jeito e minha cara, mas eu fico muito contente em receber sugestões dos meus parceiros.

Mondo Pop- Como você encara o atual cenário da indústria fonográfica no Brasil, e como é o seu relacionamento com os fãs via redes sociais?
João Capdeville– Ao meu ver, nossa cena é extremamente rica! Não canso de dizer que há artistas sensacionais espalhados pelo Brasil, independente do gênero. Escuto muito da nova cena e fico muito orgulhoso da nossa música.Quanto aos fãs, procuro responder todas as mensagens que recebo e busco sempre retribuir o carinho dessas pessoas. Minha maior alegria é abrir minha conta em alguma rede social e encontrar uma mensagem nova de alguém dizendo que gostou e se identificou com minhas canções.

Mondo Pop- Quais são seus próximos projetos (CD “cheio”, DVD etc)?
João Capdeville– Meu próximo projeto é gravar um CD cheio. Essa seria, ao meu ver, a minha verdadeira estreia na indústria fonográfica. Ainda não tenho uma previsão muito precisa sobre a data do lançamento mas, daqui a uns meses, terei mais informações. Fora isso, meu objetivo é estar sempre fazendo show e levando meu trabalho pra mais lugares.

Mondo Pop- Se você tivesse de escolher um CD de outro artista para tocar na íntegra ao vivo, qual seria, e por quê?
João Capdeville– Hoje eu estava escutando o CD do Tom junto ao Sinatra. Acho que essa seria uma boa pedida. (n.da r.: Antonio Carlos Jobim & Francis Albert Sinatra, lançado em 1967 pela Reprise Records).

Ouça Lembra?, com João Capdeville:

Taiguara terá um livro e um CD lançados em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Taiguara (1945-1996), saudoso cantor, compositor e músico nascido no Uruguai mas criado desde moleque no Brasil, deixou como legado uma obra de grande valor artístico. Como forma de resgatar a sua memória, a gravadora Kuarup está lançando simultaneamente um livro e um CD ligados ao artista. A noite de autógrafos em São Paulo será realizada nesta quinta-feira (23) a partir das 18h30 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (piso do Teatro Eva Herz- avenida Paulista, 2.073).

Estarão presentes no evento a jornalista e escritora Janes Rocha, autora da biografia Os Outubros de Taiguara- Um Artista Contra a Ditadura: Música, Censura e Exílio, e também Pedro Baldanza e Ricardo Carvalheira, que trabalharam na produção do CD Ele Vive, que traz 11 canções inéditas de Taiguara resgatadas a partir de fitas cassete, e também quatro gravações ao vivo de canções marcantes como Helena Helena Helena e Hoje.

Conhecido do grande público entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970 graças a sucessos românticos como Hoje e O Universo no Teu Corpo, Taiguara logo teve sérios problemas com a censura da Ditadura Militar devido ao conteúdo libertário de algumas de suas canções, o que atrapalhou e muito a sua carreira nos anos que viriam. Sua obra, no entanto, resistiu e se mantém essencial até hoje.

Ouça o álbum Viagem (1970), de Taiguara, em streaming:

The Leprechaun mostra folk afiado em seu novo álbum

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Por Fabian Chacur

Em 2012, após três anos de existência, a banda punk The Leprechaun partiu para uma reformulação. Eric Fontes (baixo), Fernando Zornoff (bateria) e Rafael Schardosim (antes guitarra, agora banjo) resolveram partir para outras sonoridades, mais precisamente variações da música folk. O segundo fruto dessa nova fase acaba de sair o CD The Long Road, pela gravadora Hearts Bleed Blue, e prova que a mudança de rumos fez bem para o time.

Além dos três remanescentes da formação original, entraram no grupo a cantora Fabiana Santos, os violonistas Bruno Stankevicius e Paulo Sampaio e o violinista Andrew Nathanael. A nova encarnação do grupo estreou em disco naquele mesmo 2012 com The Years Are Just Packed, que teve boa repercussão. Mas eles queriam ir além.

Como forma de permitir um trabalho mais solto e sem pressões, o grupo gravou em uma fazenda situada no interior do estado de São Paulo, conseguindo a concentração necessária para elaborar e deixar mais fluidos seus arranjos acústicos. O som folk estilo britânico com elementos de country e bluegrass na mistura preservaram a energia punk, com afinidades com bandas atuais como Flogging Molly, Mumford & Sons e The Lumineers.

Long Road, álbum resultante desse processo criativo, contou com a produção dos próprios músicos e masterização a cargo do badalado John Golden, na Califórnia, ele que já trabalhou com Green Day, Pearl Jam e Flogging Molly. Logo de cara a qualidade técnica do álbum chama a atenção, com seu padrão internacional.

Mas isso é o de menos. O que realmente torna este CD um marco no folk feito no Brasil é a qualidade de suas 12 canções, que se alternam entre as vertentes mais “rapidinhas”, digamos assim, até momentos um pouco mais introspectivos. Os violões fluem, o banjo e o violino preenchem bem os espaços e a cozinha rítmica arrasa.

A vocalista Fabiana Santos é outro ponto atraente do The Leprechaun, com seu timbre e fraseado lembrando um pouquinho o de Natalie Merchant, ex-vocalista do grupo 10.000 Maniacs e referência importante do folk-rock dos anos 80 e 90. Sua voz é bem melódica, e se encaixa feito luva na musicalidade da banda, além de ser um diferencial bacana e expressivo.

As belíssimas Dead Stars e The Hope At The End, boas representantes da faceta mais melódica e introspectiva da banda, e as sacudidas Culprits And Victins, Hold The World e Lemon Tree também merecem destaque, assim como a ótima Hide Your Love. As letras não jogam palavras fora, com elementos filosóficos e políticos bem desenvolvidos com verve poética.

O CD Long Road é a prova de que o Brasil possui uma banda de folk capaz de encarar festivais e eventos do gênero em qualquer parte do mundo sem grandes dificuldades. Mais um bom exemplo da versatilidade do brasileiro, capaz de enveredar por diversas sonoridades com originalidade, qualidade artística e apelo comercial.

Hold The World (clipe)- The Leprechaun:

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