Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Tag: 2016 (page 1 of 7)

Thadeu Romano dá um show de estilo em Da Reza à Festa

DIGIPACK

Por Fabian Chacur

Thadeu Romano é um daqueles músicos com currículo de dar inveja. Entre outros, ele já atuou ao lado de nomes do alto gabarito de Bibi Ferreira, Antônio Nóbrega, Danilo Caymmi, Marina de La Riva, Roberta Miranda, Zizi Possi, Geraldo Azevedo, Fábio Jr., Dominguinhos e Fernanda Porto. A amostra dá uma dica do que surge em seu disco solo Da Reza à Festa: versatilidade, estilo próprio e muita categoria. Coisa de quem de fato sabe o que está fazendo.

Com coprodução musical a cargo do experiente e consagrado Swami Jr., que o incentivou a gravar este álbum, Thadeu Romano se cercou de ótimos músicos para realizar o que pretendia em termos musicais. Gente do porte de Toninho Ferragutti, François de Lima, Luiz Guello, Laércio de Freitas, Carlos Malta, Marcelo Modesto, Rodrigo Sater e Paulo Ribeiro. O time vestiu a camisa do trabalho, e se sai bem no acompanhamento, solos e texturas apresentadas.

As onze faixas contidas no CD provam que o título não está aí por acaso, pois os climas sonoros variam das batidas mais festeiras a alguns momentos reflexivos com ambiência espiritual e introspectiva. Ritmos como o forró, o chamamé, o samba, o tango e até mesmo uma eventual pitada roqueira geram uma sonoridade rica, boa de se ouvir e que nos leva a uma viagem deliciosa rumo a um mundo no qual a gente é obrigado a ser feliz. E feliz seremos!

Romano, que recentemente fez turnê de um mês pela Europa, nos oferece de bom grado as várias possibilidades de seu instrumento, além de se mostrar um ótimo compositor, com um fornada de temas instrumentais requintados e bons de se ouvir. Da Reza à Festa equivale a uma profissão de fé no instrumento divulgado por virtuoses como Sivuca, de quem, por sinal, o músico admite ter boas influências, especialmente nesse lado versátil e sem fronteiras.

Lua Cheia (ao vivo)- Thadeu Romano:

Gatos e Ratos traz Odair José com rock básico e tema irado

odair jose gatos e ratos capa-400x

Por Fabian Chacur

Odair José sempre incluiu boas doses de rock em seu trabalho, vide o incrível e injustiçado O Filho de José e Maria (1977). De uns tempos para cá, no entanto, esse gênero musical virou o eixo de sua criação, vide o excelente e muito elogiado Dia 16 (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Seu novo álbum, Gatos e Ratos, equivale a mais rock na fogueira. Rock do bom!

A concepção sonora do novo trabalho deste consagrado cantor, compositor e músico goiano aposta em uma sonoridade crua, com a presença de apenas três músicos: o próprio Odair (vocal e guitarra), o coprodutor (ao lado de Conrado Ruther) Júnior Freitas (guitarra, baixo, teclados e piano) e Caio Mancini (bateria e percussão). Muitos riffs e solos de guitarras ótimos, vocais bem entrosados e pequenas sutilezas aqui e ali, para dar um colorido e um toque de classe.

A temática das letras é baseada no inconformismo com a situação atual do mundo, no qual o ser humano não se respeita e não respeita a natureza, o próximo, o bem-estar, coisa alguma. Irado, o artista libera sua visão com letras fortes, simples em seu formato para que todos possam entender, mas sem cair na banalidade. Nada de tomar partidos ou de panfletarismo. O que ele defende é um respeito que parecemos ter perdido por tudo e por todos.

São dez músicas, com destaques para a ótima faixa-título, as ardidas Carne Crua e Cobrador de Impostos e a virulenta Segredos. Um momento particularmente inspirado é a ácida balada Livre, com guitarra slide a la George Harrison e letra na qual fica claro que nem sempre ser livre é o melhor para nós. Pelo menos, não no caso específico que ele aborda. Gatos e Ratos é papo reto bem tocado e bem cantado. Odair rules!

Gatos e Ratos- Odair José (CD em streaming):

Os Rolling Stones provam que óbvio também pode ser genial

blue & lonesome the rolling stones capa-400x

Por Fabian Chacur

Nada mais óbvio para uma banda que tirou o seu nome de um clássico do blues (Rollin’ Stone, do genial Muddy Waters) do que gravar um álbum totalmente dedicado a esse gênero musical, não é mesmo? Pois essa obra demorou 54 anos para se concretizar. E quer saber? Valeu, e como, a espera. Blue & Lonesome, novo álbum da banda de Mick Jagger, prova de que às vezes o óbvio também pode ser genial e instigante.

O blues faz parte desde sempre do repertório desta seminal banda inglesa. Não faltam exemplos de standards blueseiros relidos com categoria por eles, como I Just Want To Make Love To You, Little Red Rooster e Love in Vain, só para citar três. Isso, sem contar as composições próprias que se valeram de elementos desse gênero fundamental para o surgimento de jazz, rock and roll e tantas outras sonzeiras de primeiríssima linha.

Das várias possibilidades de se realizar um trabalho desse porte, os Stones optaram pela mais adequada a eles. Ou seja, selecionaram um repertório maravilhoso, que soará inédito para a maioria dos fãs por se tratar de canções tiradas do fundo do baú, coisa de conhecedores, mesmo, e as gravaram sem frescuras, de forma crua e direta. Além dos quatro integrantes oficiais da banda, apenas seus três músicos de apoio em shows e a participação de Eric Clapton em duas faixas. As 12 músicas foram registradas em apenas três dias.

O resultado é o que se poderia se esperar de uma empreitada como essa. Totalmente à vontade, Jagger, Richard e sua turma esmerilham, soltando a alma e exalando prazer em maravilhas do porte de Ride ‘Em Down, Hate To See You Go, Just Your Fool, I Gotta Go e Just Like I Treat You, de autores como Little Walter, Willie Dixon e Jimmy Reed. Só uma é mais conhecida. Trata-se de I Can’t Quit You Baby, que muitos conheceram na ótima versão do Led Zeppelin.

Eric Clapton exibe a competência habitual na seara do blues nas ótimas I Can’t Quit You Baby e Everybody Knows About My Good Thing. Se não bastasse a qualidade musical, Blue & Lonesome aparece em belíssima embalagem digipack, com direito a capa tripla e encarte repleto de informações sobre as músicas e as sessões de gravações. Se por alguma razão este álbum se tornar o último dos Rolling Stones, nenhuma despedida poderia ser mais brilhante e elogiável do que esta. Mas se vier um volume 2, será mais do que bem-vindo!

Ride ‘Em On Down- The Rolling Stones:

Vinyl será lembrada como um clássico das séries musicais

vinyl-tv-serie-2-400x

Por Fabian Chacur

Nada mais irônico para uma série televisiva enfocando um importante momento da história da indústria fonográfica do que ser cancelada após apenas 10 episódios devido a baixa audiência. Esse acabou sendo o triste destino de Vinyl, atração criada por Mick Jagger, Martin Scorsese, Rick Coen e Terence Winter que estreou em 14 de fevereiro de 2016 nos EUA cercada de grande expectativa, e encerrada em 17 de abril do mesmo ano. Um final justo? Creio que não.

O mote básico de Vinyl é mostrar o momento vivido em 1973 pelo executivo fonográfico Richie Finestra, experiente profissional que se via praticamente obrigado a vender a sua gravadora American Century Records a uma empresa estrangeira. O desempenho do ator Bobby Cannavale como Finnestra já tornaria a série imperdível. Ele incorpora com rara felicidade os tiques, excentricidades e momentos visionários de vários dos grandes profissionais dessa área.

A era escolhida não poderia ser mais emblemática. Em 1973, vivíamos ao mesmo tempo a consolidação da indústria musical endereçada ao público jovem, a total perda da ingenuidade de seus, digamos assim, tempos heroicos dos anos 1950 e 1960 (se é que eles de fato existiram) e um momento de transição em termos de preferências musicais.

Ao desistir da venda de sua gravadora, Finestra se arrisca a ir à falência, e ao mesmo tempo pressiona ele próprio e sua equipe a buscarem artistas que pudessem tirá-los do buraco. A iniciante, jovem e ambiciosa Jamie Vine (Juno Temple) oferece uma opção com o grupo Nasty Bits, do seu amante Kip Stevens (James Jagger, filho do vocalista dos Rolling Stones), uma banda indecisa que se endereça rumo ao que viria ser o punk/new wave poucos anos depois.

Nessa busca desesperada por soluções, o executivo acaba se envolvendo em encrencas, e também quebra a cara ao buscar novos contratados para o seu selo. De quebra, ainda perde Hannibal, uma espécie de clone de Sly Stone e um dos astros do seu cast. Bebendo e usando drogas como se não houvesse amanhã, o cara alterna genialidade e faro para o sucesso com momentos de pura insensatez, cercado por uma equipe composta por figuraças do seu mesmo naipe.

Zak Yankovich (Ray Romano, de Everybody Loves Raymond), por exemplo, um cara eficiente no setor promocional que, no entanto, quer mostrar que também manja de a&r (artistas e repertório). No fim das contas, quem acaba sendo mais útil é outro jovem, o assistente Clark Morelle (Jack Quaid, filho de James Quaid e Meg Ryan), que junto com outro colega começa a divulgar nas então emergentes discotecas o disco do grupo Indigo, que a gravadora pretendia demitir em breve.

Com essa trama se desenvolvendo, temos momentos simplesmente antológicos, como o de Morelle tentando atrair Alice Cooper para a gravadora, o que acaba lhe trazendo belas dores de cabeça. Ou então a viagem de Yankovich e Finestra a Las Vegas para conversar com Elvis Presley e o Coronel Tom Parker, viagem que rende não só um passa-moleque clássico como também a perda do dinheiro que haviam obtido com a venda do avião da companhia.

Os romances e relacionamentos afetivos também tem seu destaque, como o de Finestra com sua mulher, Devon (Olivia Wilde, de House), ex-protegida de Andy Warhol. Em um momento difícil de seu relacionamento, eles brigam, e Devon acaba se envolvendo com um fotógrafo, com o qual acaba fazendo fotos de ninguém menos do que John Lennon, então separado de Yoko Ono. E tem também Devon se envolvendo com Hannibal no intuito de ajudar a manutenção do cara na gravadora, o que na hora decisiva acaba irritando Finestra.

A trilha sonora de Vinyl é simplesmente ótima, misturando clássicos dos anos 50, 60 e 70 a canções originais feitas no mesmo clima especialmente para a série. Rock, soul, funk, pop, pré-punk, pré-disco, é uma pérola atrás da outra. E os diálogos envolvendo comentários sobre artistas são deliciosos, como alguns falando sobre os então ainda desconhecidos Abba e Queen, por exemplo.

Um dos personagens mais instigantes é Lester Grimes (Ato Essandoh), cantor, compositor e músico produzido em outra era por Finestra que por várias circunstâncias acaba se dando mal e abandona a carreira. As idas e vindas do relacionamento dos dois acaba colocando Grimes como o manager dos Nasty Bit, e é uma música de sua autoria que acaba se tornando o grande hit da banda.

Se tiver que escolher um momento favorito da série, selecionaria a hora em que Kip, o líder dos Nasty Bits, confessa não conseguir compor músicas de forma rápida. Aí, Grimes pega a guitarra e dá uma aula incrível de estrutura harmônica de blues-rock, valendo-se de uma única sequência com a qual ele toca vários clássicos, iniciando com Maybellene, de Chuck Berry, e passando pela sua composição própria. De arrepiar!

Se ainda poderia ser sido desenvolvida sem grandes apelações em futuras temporadas, a trama de Vinyl nessa sua única encarnação ficou bem amarrada, com um final delicioso. A série pode ser vista no formato streaming na HBO ou mesmo em uma caixa com quatro DVDs infelizmente lançada só no exterior. Um incrível mergulho nos meandros da indústria fonográfica que é obrigatória para quem curte esse tema fascinante. Desde já, um clássico das séries sobre música.

Trailer de Vinyl:

DVD flagra Kiss durante a sua curta temporada em Vegas

KISS_RocksVegas_EU_DVD_Sleeve.indd

Por Fabian Chacur

Entre os dias 5 e 23 de novembro de 2014, o Kiss fez nove shows totalmente lotados no Hard Rock Hotel, em Las Vegas. Uma passagem curta para os padrões locais, que costumam ver artistas permanecerem em cartaz por meses e até mesmo anos, mas extensa para uma banda de agenda cheia que roda o mundo constantemente. Um belo registro desses shows acaba de sair no Brasil, o DVD Kiss Rocks Vegas, exemplo de que a veterana banda americana continua com muita fome de rock e de palco.

Como é praxe em uma apresentação da banda capitaneada há mais de 40 anos por Gene Simmons (baixo e vocal) e Paul Stanley (guitarra e vocal), temos belos efeitos especiais, telões gigantes de altíssima definição, palco móvel, chamas, som alto e muito apelo visual. Afinal de contas, o diferencial do quarteto que atualmente também traz Tommy Thayer (guitarra e vocal) e Eric Singer (bateria e vocal) sempre foi essa parafernália toda em cena, digna de um “Psycho Circus”.

O mais legal, no entanto, é o caprichado set list, que traz 16 faixas extraídas de todas as fases da banda, com direito a clássicos dos anos 1970 como Detroit Rock City, Rock And Roll All Nite e Deuce, hits oitentistas como Creatures Of The Night, War Machine (um de seus autores é Bryan Adams, aquele mesmo) e I Love It Loud, dos anos 1990 como Psycho Circus e até mesmo um recente, Hell Or Hallelujah (do álbum Monster, de 2013, seu mais recente de estúdio).

Em entrevista via telefone concedida a este que vos tecla, lá pelos idos de 2013, Gene Simmons me explicou que uma das razões pelas quais a formação clássica da banda (que incluía ele, Stanley, Ace Frehley e Peter Criss) ter se separado era a falta de empenho dos outros dois. Se levarmos em conta o desempenho do quarteto atual, ele prova que realmente esse time é repleto de energia, fazendo um show vigoroso, bem ensaiado e que é puro entretenimento rocker.

Se o espetáculo com aproximadamente 90 minutos já seria um belo conteúdo (se único) neste DVD, a coisa fica ainda melhor com um extra matador. Trata-se de um show acústico e intimista para dezenas de fãs felizardos. Nele, os músicos aparecem de cara lavada, e interpretam sete canções que não fizeram parte do show principal. Essas músicas foram gravadas originalmente entre 1974 e 1977, extraídas da primeira fase do Kiss e com uma configuração mais adequada ao jeitão desplugado.

Com vocalizações perfeitas e performances instrumentais precisas, os caras mostram este set list: Coming Home, Plaster Caster, Hard Luck Woman, Christine Sixteen, Goin’ Blind, Love Her All I Can e Beth, em um total de 25 minutos de puro deleite. O profissionalismo do grupo de Gene Simmons é algo impressionante, o que justifica seu lema arrogante “você quer o melhor, você terá o melhor” usado por eles há décadas. Se não é o melhor comparado a outras bandas clássicas, é certamente sempre o melhor que eles podem oferecer. E isso não é pouco!

Detroit Rock City (live, do DVD Kiss Rocks Vegas)- Kiss:

CD Involution equivale a boa estreia da banda Primator

primator-involution

Por Fabian Chacur

O início ocorreu em 2009. A partir daquele ano, a banda paulistana Primator entrou naquele circuito básico de shows na cidade, locais abertos ao rock pesado como Manifesto, Blackmore e Gillan’s Inn, entre outros. Em 2012, lançaram uma demo-EP. Desta vez, chega a hora de estrear com um álbum completo, no caso este Involution. E o conteúdo desse trabalho nos leva a prever uma carreira muito bacana para o quinteto.

As inspirações mais evidentes e assumidas em termos musicais do Primator remetem ao heavy metal dos anos 80 e 90.O vocalista Rodrigo Sinopoli, por exemplo, solta a voz no melhor estilo Bruce Dickinson, indo dos tons mais graves aos mais agudos com muita garra. Os guitarristas Marcio Dassié e Diego Lima alternam riffs poderosos e solos sem muitos preciosismos, enquanto a cozinha rítmica formada por André dos Anjos (baixo) e Alexandre Birão (bateria) segura todas as ondas.

As dez faixas de Involution se desenvolvem de forma vigorosa e competente, alternando andamentos lentos e mais acelerados, abrindo espaços para os instrumentos e também para a voz de Sinopoli, sempre de forma concatenada e bem ensaiada, sem “trombadas”. Esse tempo todo de estrada antes de gravar o álbum de estreia certamente contou a favor dos caras, algo a ser bastante elogiado.

A potente Playing For Nothing, com direito a bela linha de baixo na abertura e o uso do clássico pedal wah wah, a envolvente Involution, o rockão Black Tormentor e a quase épica Flames Of Hades são momentos do CD que merecem destaque. Se continuar nessa linha e com essa elogiável disposição para acertar, o Primator certamente nos oferecerá novos trabalhos ainda melhores em sua trajetória.

Involution– Primator (ouça em streaming):

Luciana Mello lança clipe para o ótimo samba-soul Joia Rara

foto-luciana-mello-por-ike-levy-400x

Por Fabian Chacur

Como ferramenta de divulgação de seu mais recente álbum, Na Luz do Samba, a cantora Luciana Mello acaba de lançar o segundo videoclipe com músicas desse trabalho. O primeiro foi Estrela Sorridente, em realidade virtual. Agora, é a vez de Joia Rara, canção de autoria do cantor, compositor e músico Walmir Borges. A direção ficou a cargo de Alexandre Sorriso, o mesmo responsável pelo ótimo documentário Quase Lindo (sobre o Premê).

A canção é extremamente swingada, e equivale a uma espécie de samba soul, pois tem o balanço típico do mais brasileiro dos ritmos e elementos melódicos bem característicos do gênero musical criado nos EUA. Uma delícia! Com arranjo assinado por Otávio de Moraes, a música é ilustrada por cenas captadas no show de lançamento do álbum, realizado em São Paulo no Theatro Net. Na Luz do Samba está disponível nas principais plataformas digitais.

Joia Rara– Luciana Mello:

Banda Zona Proibida retorna após 25 anos com Pane Cega

zona-proibida-pane-cega-capa

Por Fabian Chacur

Em 1991, saiu Corrida Noturna, primeiro álbum (EP) da banda paulistana Zona Proibida. Mesmo lançado em um momento no qual as portas estavam fechadas para o rock brazuca, o grupo conseguiu agitar bastante, com shows nos principais espaços para a música independente de São Paulo e também diversas aparições na TV. Coisa de guerrilheiros, mesmo.

Ainda eram os tempos heroicos do vinil, embora o CD já tivesse dado as caras por aqui. A Zona Proibida tocou em locais hoje históricos, como Woodstock Bar, Madame Satã, Café Pedaço, Espaço Retrô, Victoria Pub, Enigma, Blue Note Jazz Bar e nas casas de cultura de São Paulo. Também estiveram em programas como Antes (MTV), Zaap (apresentado por um ainda adolescente Rodrigo Faro), Dia a Dia (c/ Aimar Labaki), Clip Trip (com Beto Rivera) e por aí vai.

Infelizmente, as dificuldades levaram o time a sair de cena. Agora, 25 longos anos depois, ei-los de volta. São eles Miguel “Krafor” Barone (vocal e pandeiro), Marco Grecco (guitarra e vocais), Luis Bonelli (bateria) e Junior Fernandes (baixo). Acabam de lançar um novo EP, Pane Cega, mais uma vez com uma capa matadora com foto de Gal Oppido. E aí, fica a questão: como estão agora os “zoneados”?

Uma boa imagem para definir esse retorno: é como se eles tivessem ido fazer uma viagem de disco voador, ou no DeLorean de Marty McFly, e retornado agora, de sopetão, em pleno 2016. Nada mudou. Os caras continuam com a mesma sonoridade, influenciada de forma positiva por rock básico, hard rock, blues, folk e até jazz, com toques de Barão Vermelho, Cazuza, Deep Purple e por aí vai. Letras simples e bem sacadas, instrumental conciso e energético…

Ao contrário do que poderia parecer em uma primeira análise, essa manutenção de sonoridade só pode ser elogiada. Sinal de que existe aí uma profissão de fé em um rumo, que continua sendo válido e, mais importante, continua sendo feito pelos rapazes com a mesma determinação de sempre. Só que, agora, com mais experiência, mais maturidade, mais malandragem, no melhor sentido da palavra. Os atalhos são encontrados com mais tranquilidade.

Pane Cega traz sete faixas que não reinventam a pólvora nem pretendem revolucionar o cenário musical, mas que certamente injetam doses maciças do velho e bom rock and roll na veia de quem o ouvir. A voz de Krefor continua ótima, e seus colegas de time não complicam a parada. O country pop em Areia Movediça, o quase pop da deliciosa Pra Ser Feliz e Um Abraço (muito radiofônica), o rockão de O Universo é o Saber/Pane Cega e a boa releitura de A Chuva Está Caindo (que já havia aparecido no primeiro EP) são destaques.

Só para variar, a Zona Proibida surge em uma cena difícil. Quem sabe, até mais difícil do que naqueles complicados anos 1990. Os locais abertos a bandas com repertório próprio rareiam, as rádios não tocam material desse tipo, a mídia está fechada… Mas existe a internet, os podcasts independentes, os pequenos festivais. Fica a torcida para que, desta vez, Krefor e seus asseclas possam atingir o público que merecem.

Veja vídeos da Zona Proibida:

Corrida Noturna (ao vivo em 1991)- Zona Proibida:

Blitz e Zeca Pagodinho juntos em nova música; ouça agora!

DIGIPACK_CD_BLITZ_AVENTURASII.indd

Por Fabian Chacur

Dos artistas atualmente em atividade no cenário musical brasileiro, poucos personificam tão bem o Rio de Janeiro como Zeca Pagodinho e Blitz, cada qual no seu estilo próprio. Pois esses dois ícones do jeito carioca de ser resolveram “nadar na mesma praia” desta vez. Eles gravaram juntos Fominha, um dos destaques do novo álbum do grupo, Aventuras II, que sairá no dia 18 no formato digital e até o fim do mês em CD.

A música, uma espécie de reggae pop que é a cara da Blitz, demonstra um bom entrosamento da parceria, que rolou de forma bastante rápida, segundo Evandro Mesquita, cantor e líder da banda. “Zeca é um mestre e amigo reverenciado por nós e foi uma honra ter esse diálogo musical carioca na Blitz. Entre papos sobre Moreira da Silva fiz o convite e ele disse: Não precisa nem mandar a música já topei!”.

Gravado durante os últimos dois anos no estúdio do grupo, o Toca da Onça, no Rio, Aventuras II tenta captar o mesmo clima direto e divertido de As Aventuras da Blitz (1982), primeiro álbum do grupo, que mantém de sua formação clássica Evandro (vocal), Billy Forghieri (teclados) e Juba (bateria). O time atual, que já está há dez anos junto, é completado por Rogério Meanda (guitarra), Cláudia Niemeyer (baixo), Andréa Coutinho (backing vocal) e Nicole Cyrne (backing vocal).

Fominha– Blitz e Zeca Pagodinho:

“Black Beatles” vira a trilha de memes e traz Paul McCartney

rae-sremmurd-400x

Por Fabian Chacur

Em 2006, uma dupla americana de hip hop de nome estranho estourou no mundo todo com o single Crazy. Era a Gnarls Barkley. Exatos dez anos depois, outro duo ianque repete a dose, só que desta vez investindo no insólito tanto no nome do grupo como no de seu hit. Trata-se do Rae Sremmurd, que comemora o estouro inesperado do single Black Beatles, o terceiro a ser extraído de seu 2º álbum, Sremmlife2, lançado em agosto deste ano.

A história é relativamente simples e muito rápida. No fim de outubro, surgiu nas redes sociais um novo meme viral, com a hashtag #mannequinchallenge. Trata-se de um grupo de pessoas posando paralisadas, como se fossem manequins. Por alguma razão, a música Black Beatles tornou-se rapidamente a trilha favorita dos videos daqueles que entraram nessa onda de memes, e isso impulsionou o sucesso do single, que já chegou ao 9º lugar nos EUA e pode ir além.

O mais legal é que várias celebridades entraram na brincadeira, incluindo Jon Bon Jovi e até a candidata derrotada à presidência dos EUA Hillary Clinton. O que pouca gente esperava, no entanto, ocorreu nesta quinta-feira (10): ninguém menos do que Paul McCartney, um dos “White Beatles”, entrou na brincadeira e postou um vídeo paradinho defronte seu piano. Veja aqui.

Black Beatles é uma espécie de reggae/raggamuffin, com clima etéreo, refrão grudento e uma letra bem-humorada. O clipe traz uma ou outra referência aos Fab Four, como o show no teto da Apple em 1969 ou a travessia da Abbey Road no mesmo 1969, ou ainda uma reprodução do Bed Peace, ato pela paz realizado por John Lennon e Yoko Ono em uma cama localizada em um hotel no Canadá, e ocorrida em… Sim, você adivinhou, 1969 também.

Integrado pelos irmãos Khalif “Swae Lee” Brown e Aaquil “Slim Jxmmi” Brown e tendo como base a cidade de Atlanta, a dupla criou o seu nome usando a denominação da gravadora que os contratou, a Ear Drummers, ao contrário. Eles tem no currículo dois álbuns, Sremmlife (2015, chegou ao nº 5 nos EUA) e Sremmlife2 (2016, no nº7 nos EUA esta semana). Eles gravaram em 2015 dois singles em parceria com a badalada Nicki Minaj, Throw Sum Mo e No Flex Zone.

Black Beatles– ft. Gucci Mane- Rae Sremmurd:

Older posts

© 2017 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑