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Johnny Alf e sua essência são as marcas de dois álbuns digitais

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Por Fabian Chacur

Alfredo José da Silva, embora sóbrio, não era um nome muito charmoso para um dos grandes nomes da história da nossa música. Felizmente, ele atendeu a sugestões de amigos e tornou-se Johnny Alf, denominação muito mais classuda. E deu muito certo. Esse grande cantor, compositor e pianista carioca, que completaria 90 anos no próximo dia 19, mas que infelizmente nos deixou em 2010, construiu uma obra sólida e densa que merecia ser bem mais cultuada do que é. A Kuarup acaba de disponibilizar em todas as plataformas digitais dois álbuns inéditos deste gênio, intitulados O Autor e O Intérprete.

Para alguns dos maiores especialistas no tema, entre eles o jornalista Ruy Castro, Johnny foi o pioneiro da bossa nova, misturando com criatividade e sutileza samba e jazz já no início da década de 1950. Versátil, ele sabia não só compor com desenvoltura como também tocar um piano personalizado, além de reler com classe canções alheias. Um artista de primeira, que habitualmente rendia o máximo ao vivo, nos palcos da vida, com uma categoria reservada a poucos.

Os dois álbuns digitais trazem faixas extraídas de gravações ao vivo realizadas no início dos anos 2000 pertencentes ao acervo do produtor e empresário Nelson Valência, que trabalhou por muitos anos com Johnny Alf. Esse material foi pesquisado pelo consagrado produtor musical e jornalista Thiago Marques Luiz, que se incumbiu de selecionar o repertório que chegou aos produtos finais.

O álbum O Autor nos traz dez das composições mais icônicas do nobre songbook do artista carioca, com direito a Rapaz de Bem, O Que é o Amor, Eu e a Brisa e Ilusão À Toa. O Intérprete, por sua vez, nos oferece suas certeiras releituras de maravilhas alheias do porte de Corcovado, Chega de Saudade, Desafinado, Valsa de Eurídice, Alguém Como Tu e The Shadow Of Your Smile.

Totalmente à vontade e em excelente forma, tanto vocal como instrumental, Johnny aparece no formato do trio de jazz, acompanhado por um guitarrista e um baterista. Suas performances tem total DNA jazzístico, respeitando as melodias mas não se negando a improvisos deliciosos e a belos solos de piano e guitarra aqui e ali. Em alguns momentos, ele fala com a plateia, dando informações sobre as músicas. A qualidade de áudio é das melhores.

O material merecia ter lançamento físico, com direito a um encarte com texto informativo redigido por Thiago e uma capa aproveitando as simples, porém muito belas e eficientes imagens que ilustram as versões digitais, mas só o fato de essas gravações raras chegarem à tona e estarem agora disponíveis para todos os fãs da melhor música brasileira já merece fartos aplausos.

O Intérprete- Johnny Alf (ouça em streaming):

Duca Belintani mescla blues e folclore e grava CD espetacular

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Por Fabian Chacur

Com mais de 35 anos de carreira, Duca Belintani é cantor, compositor, guitarrista, educador, produtor e escritor. No currículo, seis CDs, participação no grupo Verminose e coautoria (ao lado de Ricardo Gozzi) do livro Kid Vinil Um Herói do Brasil, biografia do saudoso vocalista do Magazine e do Verminose. Agora, chegou a vez do sétimo álbum, e o mote para o mesmo não podia ter sido mais interessante: uma fusão entre as várias vertentes do blues, seu estilo musical de coração, e o folclore brasileiro. Desta forma, nasceu Blues Na Floresta, sem exageros um dos grandes lançamentos de 2019 até o momento.

Como forma de viabilizar o seu projeto, Duca se associou ao letrista Osmar Santos Jr. . Juntos, escolheram personagens icônicos do folclore brasileiro, adaptando para a nossa cultura uma das características mais peculiares das origens do blues americano. O resultado não poderia ter ficado melhor, trazendo para a brincadeira o lobisomem, o saci pererê, o bicho papão, o boitatá, o curupira e outros. O bacana é que as letras conseguem ao mesmo tempo dialogar com o público infantil e o adulto, sem cair em abordagens infantilistas que por vezes tornam esse tipo de trabalho um desrespeito à inteligência dos petizes.

Duca, que canta bem e toca uma guitarra incisiva e personalizada, conta com o apoio de Benigno Sobral (baixo), Ulisses da Hora (bateria), Ricardo Scaff (gaita), Vinas Peixoto (percussão), Adriano Grineberg (teclados) e Mateus Schanoski (teclados). Esse time dá uma consistência musical impecável às 11 gravações, com direito a muita energia, qualidade técnica e tesão, elementos sem os quais o blues não tem como se tornar relevante, em face de sua aparente simplicidade estilística. Tocar blues é simples, mas tocar blues BEM não é para qualquer um, e Duca e sua gang dão um show nesse requisito.

Além desse timaço, o disco também traz convidados especiais de primeira: Andreas Kisser, Graça Cunha, Paulo Freire, Suzana Salles, Theo Werneck e Vange Milliet, que ajudam a dar aquele retoque final e perfeito a algumas das faixas. A musicalidade mergulha em diversas variações do blues, com direito a elementos de jazz, rockabilly e rhythm and blues.

O lado mais pesado, próximo do hard rock, aparece nas faixas Cuca e Blues Na Floresta. O divertido rockabilly Assombrou a Festa traz os vocais irreverentes de Suzana Salles e Vange Milliet, enquanto o clima rhythm and blues suave permeia a bela Iara, com vocal de Graça Cunha. Matita Pereira tem uma deliciosa levada jazzy com uma pitada de Moondance, de Van Morrison, enquanto Lobisomem vai na linha do blues rock compassado. Um álbum espetacular!

Blues Na Floresta mostra que um dos ritmos mais influentes e seminais da música pode ser explorado com uma abordagem brasileira sem sair de seus cânones tradicionais. E vale ressaltar a belíssima apresentação do CD, com direito a capa digipack, encarte colorido e belíssimas ilustrações individualizadas para cada personagem (incluindo o próprio Duca) feito por feras como Tim Ernani, Marco China, Ennio Nascimento, Kel Cerruti, Thiago Martins, Gabi Barbosa, Edison Vieira Pinto, Marcos Madalena, Luiz Gabriel, Nando Sobral e Milton de Souza (o Trinkão Watts, baterista do Magazine e do Verminose).

Ouça trechos das canções do álbum Blues Na Floresta:

Musical sobre o Fleetwood Mac será encenado em SP, RJ e BH

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Por Fabian Chacur

Um de meus sonhos era ver o Fleetwood Mac ao vivo no Brasil com sua formação mais bem-sucedida. Como isso parece ser praticamente impossível, após a saída de Lindsey Buckingham (que de quebra luta contra sérios problemas de saúde), o mais próximo disso parece ser a turnê que a banda cover britânica Rumours Of Fleetwood Mac fará pelo Brasil, com shows dias 15 de Agosto de 2019 em São Paulo (Espaco das Américas), 16 de Agosto no Rio de Janeiro (Vivo Rio) e 17 de Agosto em Belo Horizonte (Teatro Palácio das Artes). Trata-se, no mínimo, de uma banda cover com um belíssimo pedigree.

Não é por acaso que intitulei esse post como se fosse a encenação de um musical sobre a banda. Porque, na prática, é isso mesmo que se passa nas apresentações do Rumours Of Fleetwood Mac. Criado em 1999 e com mais de 700 shows no currículo, o grupo tem o aval de ninguém menos do que Mick Fleetwood, o baterista que criou a seminal banda, e de Stevie Nicks, a cantora que entrou no time em 1975 e ajudou a elevá-lo ao topo do pop rock mundial. Além disso, Mick já participou de shows dessa banda-tributo, assim como o guitarrista Rick Vito, que substituiu Lindsey Buckingham no FM entre 1987 e 1991.

O grupo é integrado por Jess Harwood (vocal, interpreta as músicas de Stevie Nicks)), James Harrison (guitarra e vocal, faz as vezes de Lindsey Buckingham), Scott Poley (guitarra e vocal), Alan Cosgrove (bateria, até o visual lembra o de Mick Fleetwood), Emily Gervers (teclados e vocal, veste a pele de Christine McVie), Etienne Girard (baixo) e Dave Goldberg (teclados, guitarra e os vocais do primeiro cantor do grupo em sua fase de blues rock, Peter Green). Um time afiadíssimo, que replica com muito detalhismo e energia as canções do FM.

O repertório traz Dreams, Don’t Stop, You Make Loving Fun e todas as outras músicas do mitológico álbum Rumours (1977), um dos mais vendidos da história, e os hits mais importantes dos 50 anos de estrada da banda, entre os quais Black Magic Woman, Albatross, Sarah, Gypsy, Little Lies, Seven Wonders e Everywhere.

O show é aberto com um vídeo no qual Mick Fleetwood dá um depoimento sobre a banda, sendo que outros vídeos e textos são usados durante a apresentação para ilustrar a trajetória de uma das melhores bandas de rock de todos os tempos. Veja trechos de músicas com o grupo aqui .

Seven Wonders (ao vivo)- Rumours Of Fleetwood Mac:

Bianca Gismonti Trio lança o CD Desvelando Mares no Blue Note

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Por Fabian Chacur

Bianca Gismonti desenvolve um trabalho musical dos mais significativos. Um dos veículos através do qual a pianista e compositora dá vasão a esse compromentimento com a música é o Bianca Gismonti Trio, que está lançando, pelo selo húngaro Hunnia Records, o ótimo CD Desvelando Mares. E é para mostrar o repertório desse trabalho para o público carioca que o grupo se apresenta nesta sexta (29) às 20h no Blue Note Rio (avenida Borges de Medeiros, nº 1.424- Lagoa- no Complexo Lagoon- fone 0xx21-3799-2500), com ingressos custando R$ 45,00 (meia) e R$ 90,00 (inteira).

Como o sobrenome dá a entender, Bianca é parente do mitológico Egberto Gismonti. Filha, para ser mais preciso. E foi com ele que a moça começou a sua carreira, aos 15 anos de idade, acompanhando-o em shows pelos quatro cantos do planeta. Com o tempo, sentiu-se segura para voos próprios, e em 2005 criou ao lado da também pianista Claudia Castelo Branco o Duo Gisbranco, com o qual lançou três discos e um DVD, com um segundo a caminho.

Em 2013, veio com Sonhos de Nascimento, primeiro trabalho solo (com participação de Naná Vasconcelos), e depois criou o Bianca Gismonti Trio, que traz junto com ela seu marido, o baterista Julio Falavigna, e também o baixista Antonio Porto. O primeiro CD do trio, Primeiro Céu, saiu em 2016, com direito a turnê para divulgá-lo que passou por países da Europa, Ásia e África.

Desvelando Mares foi gravado em Budapeste, Hungria, e contou com as participações especiais (registradas em vários países) de músicos como José Izquierdo (percussão), Bebe Kramer (acordeon), Maria João (vocal) e Preetha Narayanan (violino). São nove faixas autorais e instrumentais (com vocais em duas delas), em uma mistura de sonoridades de vários cantos do mundo, buscando com muita felicidade e talento o que Bianca definiu como “unidade na diversidade”, inspirando-se na miscigenação que está no cerne da cultura brasileira e da nossa nação como um todo.

No show, além das faixas de Desvelando Mares, o trio também mostrará temas de seus trabalhos anteriores, três composições inéditas e também uma amostra do seu quarto CD, Gismonti 70, previsto para sair futuramente e dedicado ao repertório do genial papai de Bianca. O espetáculo trará a participação especial do percussionista Frank Colón, porto-riquenho que morou nos EUA e tocou com Aretha Franklin, Wayne Shorter, Herbie Hancock e Tânia Maria, entre outros.

Feitiço– Bianca Gismonti Trio:

Nós do Rock Rural é a celebração a uma musicalidade belíssima

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Por Fabian Chacur

No início dos anos 1970, surgiu no Brasil uma nova sonoridade, misturando de forma sensível e criativa folk, country, rock, música caipira-rural e MPB, que passou a ser definida como rock rural. Dessa seara sonora, saíram nomes que se eternizaram na história da nossa música, e cujas obras prosseguem sendo apreciadas e inspirando novos talentos. É exatamente uma reunião de seminais representantes desse estilo que é flagrada no CD Encontro de Gerações, apropriadamente creditado a um grupo singelamente intitulado Nós do Rock Rural. Um lançamento da gravadora Kuarup que merece a denominação histórico, sem exagero.

Afinal, marcam presença neste álbum, gravado ao vivo no Sesc Vila Mariana (SP) em fevereiro de 2018, representantes seminais do rock rural. Guarabyra, do trio pioneiro Sá, Rodrix & Guarabyra e há 50 anos na estrada; Tavito, que após integrar o mítico grupo Som Imaginário investiu em carreira-solo nessa praia; e os excelentes discípulos Tuia Lencioni, ex-integrante do grupo Dotô Jeka que há quase 20 anos mostra grande talento em carreira individual, e o violeiro Ricardo Vignini, um músico absurdamente bom que além de trajetória individual também investe em projetos como o grupo Matuto Moderno e o duo Moda de Rock.

Se a reunião dos quatro já seria sensacional, a cereja do bolo foi a participação especial de Zé Geraldo, nosso trovador tupiniquim do mais nobre escalão. Não tinha como dar errado, e deu certíssimo. O formato é totalmente acústico, com violões e violas envenenadas (com alguma percussão aqui e ali) dando o tom para vocalizações arrepiantes. São 17 músicas, sendo cinco de Tuia, quatro de Guarabyra, quatro de Guarabyra, duas de Zé Geraldo e duas de Vignini. Todas escolhidas a dedo, e apresentadas de forma quente, despojada e com aquele clima de amigos tocando em volta de uma fogueira, em uma “casa no campo”.

Os artistas variam as formações, indo de momentos individuais a outros com os cinco no palco. Chega a ser covardia ver no set list maravilhas do porte de Senhorita, Casa no Campo, Dona, Rua Ramalhete, Sobradinho e Espanhola, notáveis cavalos de batalha do cancioneiro rock rural brazuca. E que se faça justiça: as músicas de Tuia, especialmente a magnífica Flor, só não viraram megahits em nível nacional porque, infelizmente, as rádios não dão mais os espaços que davam para esse tipo de canção nos anos 1970 e 1980. E temos também duas tour de force de Vignini na viola solo, Capuxeta e Alvorada.

As canções fluem de forma deliciosa, e o alto astral entre os participantes aparece nítido em cada uma delas. Um dos momentos mais bacanas é proporcionado por Tavito, quando erra a introdução de Começo, Meio e Fim, dá a volta por cima, começa tudo de novo e arrepia a todos no melhor estilo voz e violão solo. As vocalizações, o som das cordas, as melodias, temos aqui um verdadeiro banho de sensibilidade, provenientes dessa musicalidade tão bonita.

A parte triste fica por conta de ter sido provavelmente a última gravação de Tavito, que nos deixou há pouco. Mas não poderia sair de cena de forma mais digna. A reunião de amigos intitulada Nós do Rock Rural mostra nesse Encontro de Gerações que o rock rural continua mais vivo do que nunca, e pedindo passagem para amealhar ainda mais fãs por esse mundo afora. Um disco perfeito para espantar os maus fluidos de um tempo tão difícil como o que estamos vivendo atualmente. “Ah, coração, se apronta pra recomeçar…”

Rua Ramalhete (ao vivo)- Nós do Rock Rural:

Paula Santisteban lança seu CD de estreia com show em Sampa

Paula Santisteban por Bob Wolfenson 400x

Por Fabian Chacur

Independente de sua qualidade artística, o álbum de estreia da cantora e compositora Paula Santisteban já nasceu histórico, por ter sido o último produzido pelo saudoso Carlos Eduardo Miranda. Felizmente, este lançamento em belíssima versão física (CD) e também nas plataformas digitais vai além desse fato, com um repertório belíssimo defendido com galhardia por essa ótima artista. Ela faz o show de lançamento em São Paulo neste sábado (9) às 21h no Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, nª 1.000- Belenzinhop- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00.

A cantora e compositora terá a seu lado neste show o auxílio luxuoso de uma banda formada por Eduardo Bologna (guitarra e direção musical), Eric Budney (baixo), Daniel de Paula (bateria), Marcos Romera (teclados), Grazi Rodrigues (violino), Irina Kodin (violino), Emerson Di Biaggi (viola), Vana Bock (violoncelo), Nahor Gomes (trompete), Paulinho Malheiros (trombone), Daniel Allain (flauta e sax alto) e Ed Côrtes (sax tenor, sax barítono e clarinete).

Entre as 10 faixas incluídas no álbum, lançado pela Warner Music Brasil, temos cinco composições de Paulo Santisteban em parceria com Eduardo Bolonha, duas só de Bolonha e uma, cada, de Tim Bernardes, Tchello Palma e Fabio Góes.

São canções delicadas, sutis e com um clima interiorizado e urbano, bem ilustrado pelas belas fotos incluídas no encarte do CD que trazem Paula em várias locações na região da icônica Avenida Paulista feitas pelo consagrado fotógrafo Bob Wolfenson. As Janelas da Cidade, Frágil, Meu Silêncio e Estranho são destaques de um trabalho consistente e tocante. Veja o making of aqui.

Além do repertório do álbum, o set list trará, entre outras, releituras personalizadas de Better Be Quiet Now (Elliot Smith), De Tanto Amor (Roberto e Erasmo Carlos) e Um Girassol da Cor do Seu Cabelo (Lô e Márcio Borges).

As Janelas da Cidade (lyric video)– Paula Santisteban:

Ave Sangria anuncia álbum para breve e lança single de estúdio

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Por Fabian Chacur

A banda Ave Sangria durou pouco em sua primeira encarnação, na metade inicial da década de 1970. No entanto, marcou época com seu único trabalho de estúdio, autointitulado, lançado em 1974 pela gravadora Continental e em poucas semanas tirado de cena pela censura da ditadura militar. Graças a muita procura do público jovem via internet, três integrantes da formação original trouxeram o grupo de volta à ativa a partir de 2014, e agora nos proporcionam um single gravado em estúdio, Dia a Dia, amostra do álbum que pretendem lançar ainda este semestre, com título já escolhido, Vendavais.

Esta canção saiu pela primeira vez no álbum póstumo ao vivo Perfumes Y Baratchos (2014), registro de um show derradeiro realizado em 1975. A nova versão de estúdio mostra muito vigor e eletricidade. Marco Polo (vocal e composições), Almir de Oliveira (vocal, guitarra-base e composições) e Paulo Rafael (guitarra-solo e viola) agora tem a seu lado Juliano Holanda (baixo e vocais), Gilu Amaral (percussão) e Júnior do Jarro (bateria e vocais).

O novo álbum do Ave Sangria trará Dia a Dia e mais dez outras composições, em trabalho gravado no Rio de Janeiro, embora a banda seja uma das grandes representantes da psicodelia pernambucana. O guitarrista Paulo Rafael ficou conhecido após sair deste grupo como braço direito do conterrâneo Alceu Valença, participando de seus trabalhos mais emblemáticos. Ele também gravou três álbuns solo e integra a Primavera Nos Dentes (leia sobre eles aqui), que lançou um CD em 2017 com releituras de músicas dos Secos & Molhados.

Dia a Dia– Ave Sangria:

This Was, do Jethro Tull, é relançado em versão luxuosa

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Por Fabian Chacur

Em outubro de 1968, chegava às lojas This Was, o álbum de estreia do Jethro Tull. Como forma de celebrar os 50 anos desse importante trabalho, a Warner lança no Brasil This Was- 50th Anniversary Edition em dois formatos. O físico, um CD simples, traz a versão remasterizada em estéreo por Steven Wilson e seis faixas bônus, enquanto nas plataformas digitais está disponibilizada uma versão equivalente a um álbum triplo e recheada de conteúdo bacana e raro, para deleite dos fãs.

Gravado entre junho e agosto de 1968, o trabalho de estreia do grupo britânico traz em sua formação Ian Anderson (vocal e flauta), Mick Abrahams (guitarra e vocal), Glenn Cornick (baixo) e Clive Bunker (bateria). Trata-se do único álbum de estúdio do Jethro Tull no qual uma faixa, no caso Move On Alone, não é cantada por Anderson, e sim por Mick Abrahams, que por sinal sairia do time pouco tempo após o lançamento deste disco.

Aliás, uma das marcas de This Was é exatamente a sua sonoridade, mais próxima do blues, do rhythm and blues e até do jazz. Com a saída de Abrahams e a entrada de Martin Barre, o Tull se encaminhou rumo a um som mais próximo do rock progressivo, com fortes influências da música folk britânica e guitarras mais próximas do hard rock. Song From Jeffrey é provavelmente a música mais conhecida do álbum, incluida em algumas ocasiões nos set lists de shows da banda. O disco atingiu o 10º lugar na parada britânica, e equivale a um belo início de trajetória desta banda tão importante.

O conteúdo reservado apenas ao formato digital no Brasil traz gravações ao vivo feitas pela banda em 1968 exclusivamente para a rádio BBC de Londres, algumas raridades como Christmas Song e Love Story, e também a versão original do áudio em estéreo lançada na época e uma versão remasterizada em mono. No exterior, esse material está disponível no formato físico em uma box set com três CDs, encarte especial com fotos e informações e coisas do gênero.

Confira as faixas de That Was: 50th Anniversary Edition:

Disco Um: Steven Wilson Stereo Remix *** também na versão física

“My Sunday Feeling”
“Some Day The Sun Won’t Shine For You”
“Beggar’s Farm”
“Move On Alone”
“Serenade To A Cuckoo”
“Dharma For One”
“It’s Breaking Me Up”
“Cat’s Squirrel”
“A Song For Jeffrey”
“Round”
faixas-bônus:
“Love Story”
“A Christmas Song”
“Serenade To A Cuckoo” (Take 1)*
“Some Day The Sun Won’t Shine For You” (Faster Version)*
“Move On Alone” (Flute Version)*
“Ultimate Confusion”*

Disco Dois

“So Much Trouble” (BBC Sessions)
“My Sunday Feeling” (BBC Sessions)
“Serenade To A Cuckoo” (BBC Sessions)
“Cat’s Squirrel” (BBC Sessions)
“A Song For Jeffrey” (BBC Sessions)
“Love Story” (BBC Sessions)
“Stormy Monday” (BBC Sessions)
“Beggar’s Farm” (BBC Sessions)
“Dharma For One” (BBC Sessions)
“A Song For Jeffrey” (Original Mono Mix)
“One For John Gee” (Original Mono Mix)
“Someday The Sun Won’t Shine For You” – Faster Version (Original Mono Mix) *
“Love Story” (Original Mono Mix)
“A Christmas Song” (Original Mono Mix)
“Sunshine Day”
“Aeroplane”
“Blues For The 18th”
“Love Story” (1969 US Promo Single Stereo Mix for FM Radio Airplay)
US FM Radio Spot #1
US FM Radio Spot #2

Disco Três

“My Sunday Feeling” (Original Stereo Mix)
“Some Day The Sun Won’t Shine For You” (Original Stereo Mix)
“Beggar’s Farm” (Original Stereo Mix)
“Move On Alone” (Original Stereo Mix)
“Serenade To A Cuckoo” (Original Stereo Mix)
“Dharma For One” (Original Stereo Mix)
“It’s Breaking Me Up” (Original Stereo Mix)
“Cat’s Squirrel” (Original Stereo Mix)
“A Song For Jeffrey” (Original Stereo Mix)
“Round” (Original Stereo Mix)
“My Sunday Feeling” (2008 Remastered Version – Mono)
“Some Day The Sun Won’t Shine For You” (2008 Remastered Version – Mono)
“Beggar’s Farm” (2008 Remastered Version – Mono)
“Move On Alone” (2008 Remastered Version – Mono)
“Serenade To A Cuckoo” (2008 Remastered Version – Mono)
“Dharma For One” (2008 Remastered Version – Mono)
“It’s Breaking Me Up” (2008 Remastered Version – Mono)
“Cat’s Squirrel” (2008 Remastered Version – Mono)
“A Song For Jeffrey” (2008 Remastered Version – Mono)
“Round” (2008 Remastered Version – Mono)

This Was- Jethro Tull (álbum completo em streaming):

Johnny Mathis e Chic enfim tem seu álbum lançado em CD simples

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Por Fabian Chacur

Em 1981, o consagrado astro do jazz e do pop Johnny Mathis deveria ter lançado o álbum I Love My Lady, no qual foi produzido por Nile Rodgers e Bernard Edwards, do grupo Chic. Na prática, o LP equivale a uma espécie de álbum da banda disco com os vocais do cantor, pois composições, músicos e backing vocals ficaram por conta deles. No entanto, a gravadora Columbia Records resolveu abortar o projeto, e colocou-o em seus arquivos. Em 1ª de fevereiro, nos EUA, I Love My Lady, o fruto dessa parceria, enfim estará disponível no formato CD simples.

Na verdade, este mitológico álbum já havia sido disponibilizado no formato CD anteriormente. No entanto, o interessado teria de adquirir The Voice Of Romance: The Columbia Original Album Collection, box set lançada em 2017 com 67 discos (!!!) e um livro com 200 páginas. No site da Amazon americana, está disponível pela “bagatela” de 362 dólares (bem mais do que mil reais, fora frete). A partir de 2010, algumas faixas do disco apareceram em coletâneas como Up All Night (The Chic Organization Album (2013, lançada no Brasil).

A nova versão do álbum, que será disponibilizada em CD e logo após em vinil, trará como atrativos adicionais uma nova capa, belíssima, e um encarte repleto de informações sobre as gravações de I Love My Lady com direito a uma entrevista com o próprio Johnny Mathis feita especialmente para esta ocasião. O selo responsável por tal reedição é o americano Real Gone Music, especialista em reeditar trabalhos bacanas há muito fora do mercado discográfico.

I Love My Lady traz oito faixas, e mostra o cantor se adaptando de forma competente à sonoridade concebida pelos geniais Nile Rodgers e Bernard Edwards. O repertório é muito bom, com direito a maravilhas como a swingada balada Fall In Love (I Want To), a sacudida e irresistivelmente dançante Something To Sing About (com um refrão fantástico e bela interação entre Mathis e as vocalistas de apoio), a elegante faixa-título e a gostosa Love And Be Loved.

Alguns podem achar os vocais de Mathis muito contidos em relação a outros trabalhos dele, mas a graça quem sabe esteja exatamente aí, ou seja, ele teve a humildade de se enquadrar na concepção musical do Chic. No fim das contas, valeu a pena esperar tanto para enfim ouvir essa parceria histórica. Pena que, só para variar, esse álbum não terá versão nacional no formato físico…

Something To Sing About– Johnny Mathis:

Carlos Santana lançará EP com canções inspiradas em Mona Lisa

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Por Fabian Chacur

Carlos Santana inicia 2019 com boas novidades para seus milhões de fãs mundo afora. No dia 25 de janeiro, será lançado em CD e no formato digital um novo EP do seminal guitarrista mexicano radicado nos EUA, In Search Of Mona Lisa. O mesmo trabalho terá versão em vinil, que chegará às lojas americanas em 22 de fevereiro. E também está previsto ainda para este ano o lançamento de um novo álbum inédito, com produção a cargo do consagrado Rick Rubin (Red Hot Chili Peppers, Beastie Boys, Tom Petty etc-e tome etc!).

O EP (sigla que significa Extended Play e equivale ao antigo compacto duplo) traz cinco faixas: Do You Remember Me (em duas versões), In Search Of Mona Lisa (em duas versões) e Lovers From Another Time. A produção ficou a cargo de outro nome constante em discos bacanas, o do veterano Narada Michael Walden (Whitney Houston, Steve Winwood, Aretha Franklin e dezenas de outras feras do mesmo porte, ele que é artista-solo de sucesso).

As versões das canções incluídas neste disco ainda não foram divulgadas oficialmente, mas In Search Of Mona Lisa tem tudo para ser uma música que o roqueiro latino toca há alguns anos em shows e cujo nome era dado como Mona Lisa, e até hoje inédita em seus discos, com um refrão simples e contagiante.

O artista explica que, embora tenha visitado Paris em inúmeras oportunidades, nunca tinha ido no Museu do Louvre, onde está exibido o icônico quadro Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Há pouco tempo, ele e sua esposa, a percussionista Cindy Blackman Santana, finalmente estiveram por lá, e aquela obra de arte acabou inspirando novas canções do astro, revelado mundialmente após performance marcante no Festival de Woodstock, em 1969.

Monalisa (ao vivo)- Santana:

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