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Surrealistic Pillow faz 50 anos como um marco psicodélico

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Por Fabian Chacur

Um bom disco de estreia que vendeu muito pouco, duas alterações importantes na formação e certamente o olhar atento da gravadora RCA Records (hoje, Sony Music), não muito afim de encarar outro fracasso comercial. Eis o clima envolvendo o lançamento de Surrealistic Pillow, o segundo álbum do grupo americano Jefferson Airplane, que chegou às lojas americanas em fevereiro de 1967.

A banda criada em 1965 pelo cantor e compositor Marty Balin na cidade de San Francisco vivia um momento de transição. Paul Kantner (vocal, guitarra e composições), Jack Casady (baixo) e Jorma Kaukonen(guitarra) procuravam substitutos para duas posições importantes. A boa vocalista Signe Toly Anderson preferiu largar o mundo do rock para criar o seu primeiro filho ao lado de um ativista político, afastando-se dos shows e da estrada para isso.

A saída de Skip Spence era previsível. Afinal de contas, não se tratava de um baterista de fato, e sim de cantor e compositor. Balin cismou que o cara seria o seu baterista, e durante um tempo, isso se materializou. Só que Spence era muito talentoso, e decidiu partir para montar a sua própria banda, a Moby Grape, que se tornaria cultuada no cenário do psicodelismo, e depois investiria em uma carreira-solo.

Jefferson Airplane Takes Off equivale a uma boa estreia, mostrando uma banda bem entrosada com uma sonoridade na linha do folk-country-rock e elementos do então emergente psicodelismo. Em alguns momentos, soavam muito próximos ao som do The Mamas & The Papas, um dos grandes sucessos do rock naquele momento. Mas as duas baixas ajudariam sua sonoridade a tomar rumos próprios e mais originais.

Como baterista, entrou no time Spencer Dryden, mais velho do que os outros integrantes e com forte formação jazzística. Nos vocais, uma surpresa: Grace Slick, que era a cantora de uma banda que tentava rivalizar com o Airplane na cena de San Francisco, a Great Society. Quando recebeu o convite para trocar de time, a cantora, compositora e pianista não pensou duas vezes. Ela sabia que teria muito mais chances de atingir o estrelato com o outro time.

Se Dryden se encaixou feito luva com Jorma e Casady, dois músicos com grandes recursos técnicos, Grace se mostrou ideal para impulsionar a banda rumo ao primeiro time do rock americano. Carismática, vozeirão e de uma beleza agressiva, ela de quebra ainda trouxe duas músicas do repertório do Great Society, a de sua autoria White Rabbit e Somebody To Love, de seu ex-cunhado Darby Slick. Bingo!

Foram exatamente essas duas canções que abriram as portas das paradas de sucesso para o JA. Lançada em single em abril de 1967, Somebody To Love atingiu o 5º posto na parada ianque e se tornou um dos hinos do chamado Verão do Amor. Por sua vez, White Rabbit virou um marco do psicodelismo, com seu andamento inspirado no Bolero de Ravel e letra baseada em Alice no País das Maravilhas. Saiu como single em junho daquele ano e chegou ao 8º lugar nos charts.

Embora excelentes, essas canções são apenas a ponta do iceberg aqui analisado. Surrealistic Pillow é uma das obras primas do rock psicodélico, e um dos campeões de vendagem nesse segmento roqueiro. Traz como característica canções mais concisas do que a média do estilo, mas com muita invenção e diversidade, além de uma performance vocal e instrumental dignas de uma banda do seu porte.

Além do incrível entendimento entre Dryden, Casady e Kaukonen, o Airplane trazia como armas o fato de ter três grandes vocalistas (com Jorma como uma espécie de D’Artagnan, cantando vez por outra). A voz potente de Grace se encaixou feito luva com a interpretação apaixonada e intensa de Marty Balin, e com o vocal de alcance médio, mas muito bem colocado, de Paul Kantner. Um trio de forte calibre.

O álbum possui várias colorações sonoras. She Has Funny Cars e 3/5 Of a Mile in 10 Seconds são dois rocks incisivos. My Best Friend (de Skip Spence) e How Do You Feel (do obscuro Tom Mastin) são as que mais se assemelham ao estilo do álbum de estreia, e são boas. O lirismo de Balin se manifesta na intensa Today e na introspectiva e dolorida Comin’ Back To Me. Jorma esbanja técnica e categoria na instrumental Embryonic Journey, que é só ele no violão e nada mais.

D.C.B.A-25 mostra Paul Kantner e Grace Slick terçando vozes, eles que acabaram se tornando um casal durante os anos de ouro do Airplane. O álbum se encerra com a vibrante Plastic Fantastic Lover, conduzida por uma levada compassada de bateria e uma linha de baixo genial, sendo que o vocal meio falado de Balin pode ser considerado como uma espécie de pré-rap. Não sei como nenhum artista dessa área pensou em regravá-la, tão óbvio é se associar seu pioneirismo nessa direção.

Surrealistic Pillow tornou o Jefferson Airplane popular, atingindo o 3º lugar na parada americana e abrindo os caminhos para que a banda se tornasse uma das mais cultuadas naqueles anos de ouro do rock, com direito a participações marcantes nos festivais de Monterey (1967), Woodstock e Altamont (ambos em 1969). Abriria as portas para discos ainda melhores, mas isso fica para uma futura resenha.

Surrealistic Pillow- Jefferson Airplane (em streaming):

As minhas lembranças de Cássia Eller

Por Fabian Chacur

Se ainda estivesse entre nós em termos físicos, Cássia Eller estaria completando nesta segunda-feira (10) 50 anos de idade. Como ela permanece na memória de todos os fãs da melhor música brasileira, vale celebrar essa data redonda e lembrar um pouco desta artista brilhante, que nos deixou em um triste 29 de dezembro de 2001.

Meu primeiro contato com ela ocorreu graças a uma grande amiga, a Regina Estela Vieira, em 1990. Na época, a Reka (seu apelido) era assessora de imprensa da gravadora Polygram (hoje, Universal Music), e me convidou para ver, no teatro do hotel Crowne Plaza (hoje extinto, ficava na rua Frei Caneca, em São Paulo), o show de uma nova cantora que havia acabado de ser contratada por aquele selo.

Nunca vou me esquecer daquele impactante contato inicial. Aquela moça bela e simples entrou em cena e, acompanhando-se inicialmente só por voz e violão, mandou ver um trecho de I’ve Got a Feeling, dos Beatles, para depois investir em Por Enquanto, obscura música da Legião Urbana de Renato Russo.

Aquele vozeirão incorporou a letra e a melodia da canção de tal forma que me fez gostar de uma composição escrita por um artista e grupo que sempre detestei, a Legião Urbana da Boa Vontade do Pastor Renato Russo. O resto daquele show, com banda, completou o serviço de me tornar fã de Miss Eller.

A partir daquele exato momento, passei a acompanhar passo a passo a carreira de Cássia, com direito a entrevistá-la em pelo menos três ocasiões. Numa delas, a moça veio acompanhada do poeta Wally Salomão, seu produtor no belíssimo álbum em homenagem a Cazuza, Veneno Antimonotonia (1997).

Cássia era tímida, mas quando percebia que você era uma pessoa legal e tinha boas perguntas, acabava se soltando, proporcionando ótimas entrevistas. Minha última vez com ela foi na coletiva organizada para divulgar o álbum Acústico MTV (2001), seu trabalho com melhor resultado em termos comerciais.

Poucas intérpretes brasileiras se mostraram tão efetivas na hora de pegar canções alheias e dar a elas um formato personalizado e próprio como Cássia Eller.Ela não compunha, mas, tal qual Elis Regina, sabia como poucas tomar posse de uma música.

Difícil saber como teria sido se ela tivesse chegado até aqui em termos físicos para comemorar cinco décadas de vida. O mais importante é ver que a obra que Cássia nos deixou continuará servindo como uma bela trilha sonora para nossas vidas.

Por Enquanto, ao vivo em 1990, com Cássia Eller:

Rolling Stones gravam ensaios com Don Was

Por Fabian Chacur

Mais novidades em relação às comemorações dos 50 anos de existência dos Rolling Stones. Segundo o site da revista Billboard, o grupo gravou alguns ensaios em maio para inclusão em um documetário comemorativo, ainda sem data para ser lançado.

Quem participou das gravações tocando baixo foi Don Was, que já trabalhou como produtor de seis álbuns da banda britânica. Ele afirmou em entrevista à Billboard americana que a emoção por tocar com os Stones nesses registros ainda continua fazendo seu coração bater mais rápido.

Was, que se tornou conhecido inicialmente no mundo do rock em 1988 como líder do grupo pop Was (Not Was), do hit Walk The Dinosaur, produziu seis álbuns dos Stones a partir de Voodoo Lounge (1994), e também trabalhos de astros como Bob Dylan, Ringo Starr, Iggy Pop, Bonnie Raitt e John Mayer, entre muitos outros.

Atualmente, ele também é o presidente da histórica gravadora Blue Note, na qual supervisionou novos lançamentos para Van Morrison e Anita Baker. Don Was fará 60 anos no próximo dia 13 de setembro. O músico também está produzindo, em parceria com o Stone Keith Richard, o novo álbum de Aaron Neville (dos Neville Brothers), que será uma homenagem ao doo wop, um dos estilos vocais mais influentes e marcantes da black music.

You Got Me Rockin, com os Rolling Stones:

Beach Boys, Adele e Alan Jackson: a disputa

Por Fabian Chacur

Três grandes nomes de diferentes épocas da música disputam esta semana o primeiro lugar na parada americana de álbuns mais vendidos da revista americana Billboard. Um verdadeiro duelo de feras!

Segundo os analistas da revista, o provável, ou melhor, a provável vencedora será a sensação da nova geração da música pop. O álbum 21, da inglesinha Adele, deve vender entre 70 a 73 mil cópias. Se isso se confirmar, o segundo trabalho da cantora completará sua 24ª semana não consecutiva no topo dos charts ianques. Isso, mesmo com o CD há mais de um ano nas lojas.

Por sua vez, Thirty Miles West, do astro country Alan Jackson, poderá atingir um número entre 67 a 70 mil cópias comercializadas, o que pode proporcionar ao astro que se tornou conhecido a partir dos anos 90 o seu quinto álbum no topo da lista de vendas mais importante.

Correndo por fora, temos That’s Why God Made The Radio, primeiro trabalho de inéditas em décadas dos Beach Boys. O grupo traz Brian Wilson, Al Jardine, Mike Love e Bruce Johnston de sua formação clássica, e poderá atingir entre 60 a 65 mil cópias, sendo, mais provavelmente, candidato forte para encarar o terceiro posto.

Se isso ocorrer, será o melhor resultado de vendas de um disco do célebre grupo de rock americano desde 1974, quando sua coletânea Endless Summer passou uma semana no primeiro lugar nos EUA. O disco, 29º de estúdio dos Beach Boys, é um dos marcos das comemorações de seus 50 anos de carreira.

Veja matéria da TV americana sobre os 50 anos de carreira dos Beach Boys:

Beach Boys podem voltar, diz Mike Love

Por Fabian Chacur

Em entrevista concedida ao site da revista Billboard, Mike Love, dos Beach Boys, afirma que a banda poderá comemorar seus 50 anos de carreira com um álbum contando com a participação de todos os remanescentes da formação clássica do célebre grupo americano.

Segundo Love, “Brian Wilson escreveu algumas músicas, eu também, e estamos falando seriamente em compor juntos de novo. Ele está fazendo a turnê dele, nós a nossa, e pretendemos nos reunir depois”.

Em função desses compromissos, a previsão de Love é que o álbum seja lançado apenas em 2012, pois ainda está em sua fase inicial de planejamento.

O trabalho incluiria Mike Love, Bruce Johnston, Brian Wilson e Al Jardine, os integrantes que restaram da formação clássica da banda, já que Dennis e Carl Wilson, irmãos de Brian e primos de Love, morreram respectivamente em 1983 e 1998.

Se concretizado, o CD será o primeiro da banda desde Stars And Stripes Vol.1, lançado em 1996 e incluindo a participação de diversos cantores country nos vocais.

Ouça Good Vibrations, com os Beach Boys:

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