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Brian Setzer, dos Stray Cats, um dos grandes estilistas do rock

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Por Fabian Chacur

No dia 3 de fevereiro de 1959, Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper nos deixaram, vítimas de um acidente de avião que seria definido como “o dia em que a música morreu” em 1971 pelo cantor e compositor Dave McLean (leia mais sobre esse tema aqui). Mas a vida é mesmo feita de Encontros e Despedidas, como diriam Milton Nascimento e Fernando Brant. Pois no dia 10 de abril daquele mesmo 1959, nasceu um cara que, anos depois, ajudou a resgatar com brilho esse rock and roll inicial, o incrível cantor, compositor e musico americano Brian Setzer. Ele completa 60 anos nesta quarta (10).

Setzer vira sessentão a mil por hora. Aliás, é irônico pensar que ele chega a uma idade que seus principais ídolos nem sequer chegaram perto de atingir, vide Elvis Presley (morto aos 42), Eddie Cochran (morto aos 21 anos), Gene Vincent (morto aos 36 anos) e o próprio Buddy Holly (morto aos 22 anos). Para felicidade dos fãs, chegará às lojas físicas e virtuais no dia 24 de maio 40, primeiro álbum inédito de estúdio dos Stray Cats (que celebram 40 anos do início de sua carreira) desde 1992, quando saiu Choo Choo Hot Fish.

Com produção a cargo de Peter Collins (que já trabalhou com Rush, Bon Jovi e a Brian Setzer Orchestra) e gravado no fim de 2018 em Nashville, 40 traz faixas como Cat Fight (Over a Dog Like Me), Rock It Off e Cry Danger. O álbum será divulgado como uma turnê comemorativa das quatro décadas do trio roqueiro cujo início está marcado para o dia 21 de junho na Espanha e previsto para acabar (pelo menos, inicialmente) em 31 de agosto nos EUA, passando por vários países europeus e estados americanos. Tipo do show imperdível.

E qual seria a razão para Mondo Pop dar tanta moral para esse cara, diria você? Pois vamos lá. Logo de cara, vale dizer que no início dos anos 1980, quando predominavam a new wave, o tecnopop, o heavy metal e outros estilos do gênero, Brian Setzer, ao lado dos amigos Lee Rocker (baixo) e Slim Jim Phantom (bateria) ousaram investir no mais puro rockabilly, unindo releituras de clássicos da era inicial do rock a composições próprias, com uma energia absurda.

Não foi fácil, no início, pois o público americano não aceitou logo de cara o estilo retrô do trio. Eles se mudaram para a Inglaterra, e foi por lá que conseguiram dar o pontapé inicial na conquista do planeta rock com os ótimos álbuns Stray Cats e Gonna Ball, ambos lançados em 1981. O sucesso chegaria aos EUA e ao resto do mundo em 1982 com o lançamento de Build For Speed, coletânea com faixas extraídas dos dois discos anteriores e que chegou aos primeiros lugares das paradas, impulsionado pelos petardos Stray Cat Strut, Rock This Town e Runaway Boys, só para citar três delas.

Qual o diferencial dos Stray Cats para outros grupos e artistas que tentaram reler o rock cinquentista sem o mesmo êxito? Simples: o imenso talento de Brian Setzer, que além de ser um cantor excepcional é um guitarrista que soube não só incorporar as convenções do rockabilly como elevou-as a um patamar de arte, colocando ali a sua assinatura própria. Atrevo-me a dizer que suas performances em discos e shows são comparáveis, se não até melhores, do que a dos artistas que o inspiraram, uma façanha absurda.

Além do trabalho com os Stray Cats, que se mantiveram entre separações e retornos nesses anos todos, Setzer lançou discos solo nos quais ampliou seus horizontes estéticos, indo do rock instrumental ao rock a la Bruce Springsteen. De quebra, ainda montou a Brian Setzer Orchestra, mesclando rock and roll e jazz estilo big bands de forma primorosa.

Tive a graça divina de ver um show dos Stray Cats no Brasil, mais precisamente no extinto Projeto SP, que ficava em sua segunda fase no bairro da Barra Funda, em 1990. Foram três shows em São Paulo, nos dias 9,10 e 11 de março, e um no Rio, no dia 13 de março. Quem viu, certamente não se esquecerá jamais!

Classifico a performance do grupo naquele dia 9 de março como selvagem, bárbara, adrenalina pura, proporcionada por apenas três músicos, sendo que Slim Jim Phantom tocou de pé e com um kit básico de bateria. O carisma de Brian Setzer é algo absurdo, e o repertório de quebra ainda trouxe a demencial releitura de Summertime Blues, de Eddie Cochran, que considero melhor do que a já maravilhosa versão original de Eddie Cochran. Sinta o drama ao ver o set list:

Rumble in Brighton

Let’s Go Faster

Too Hip, Gotta Go

(She’s) Sexy + 17

That Someone Just Like You

Something’s Wrong With My Radio

Stray Cat Strut

Foggy Mountain Breakdown (Lester Flatt & Earl Scruggs & The Foggy Mountain Boys cover)

Runaway Boys

Summertime Blues(Eddie Cochran cover)

Rock This Town

Bis 1:

Gina

Bring It Back Again

Fishnet Stockings

I Fought the Law (The Crickets cover)

bis 2:

Oh, Boy!(Sonny West cover)

Be-Bop-A-Lula (Gene Vincent & His Blue Caps cover)

Somethin’ Else (Eddie Cochran cover)

Se em 1959 tivemos as tristes despedidas de Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper, o mesmo ano nos ofereceu o nascimento desse magnífico Brian Setzer, que ajudou a manter a tocha olímpica do rock and roll acesa, firme e forte. Tomara que essa turnê dos Stray Cats possa abrir uma brecha para o Brasil. Que tal, heim, Rock in Rio?

How Long You Wanna Live Anyway?– The Stray Cats:

Zeca Pagodinho e a entrevista que rendeu admiração eterna

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Por Fabian Chacur

Essa história rolou em 1988. Vivia os meus primeiros tempos no hoje extinto jornal Diario Popular (SP), e fui designado pelo meu editor Oswaldo Faustino para entrevistar Zeca Pagodinho, então estreando na gravadora BMG com o LP Jeito Moleque, após dois discos de muito sucesso pela RGE. A assessora de imprensa, Miriam Martinez, avisou-me antes do meu bate-papo com o sambista carioca começar: “tome cuidado que ele está bravo, andaram fazendo perguntas de que ele não gostou…” Ou seja, entrei em cena com o placar desfavorável, e não por minha culpa. Mas cabia a mim virar o jogo.

A ideia do meu editor era que eu fizesse uma entrevista solta, coloquial, na qual o leitor pudesse ter uma ideia de como era aquele artista apadrinhado por Beth Carvalho que veio do subúrbio carioca e se tornou um fenômeno de vendas. Embora ainda inexperiente, eu percebi que precisava ser cauteloso ao menos no início do papo, e foi assim que comecei a conversa. Na minha, respeitoso, prestando atenção no que ele me falava. E, para minha felicidade, a troca de ideias se mostrou ótima e bem fluente.

Aos poucos, Zeca demostrou confiar em mim, e os assuntos se ampliaram, indo da música até mesmo ao jogo do bicho. As declarações eram sempre deliciosas, do tipo “sei falar com bacana e sei falar com malandro”, ou “o jogo do bicho é uma das coisas mais confiáveis desse país, pois você ganha hoje e os caras te pagam na hora, sem conversa mole”. Quando essa nossa primeira conversa profissional se encerrou, recebi um elogio que guardo para a vida: “gostei de você, você é malandro”. Imagina ouvir uma dessas vindo de um cara que é malandragem pura, obviamente do lado positivo desse termo.

A entrevista fez sucesso, e a partir dali tive várias oportunidades de conversar com esse cara, que tornou-se ainda mais simpático, franco e sem frescuras. Sua generosidade se mostra em respostas aparentemente banais, como quando lhe perguntei o porque de, com o passar dos anos, ele gravar cada vez menos músicas de sua autoria, ele que ficou conhecido inicialmente como autor de sambas, e só posteriormente como intérprete: “Cara, tem muita gente boa compondo, e gente que precisa mais do que eu dos direitos autorais”.

Em uma entrevista coletiva realizada em 1999, a pergunta que ele levou mais a sério veio de mim, sobre a fusão entre a Brahma e a Antarctica que gerou a AmBev. Ele sempre se declarou um entusiasta da Brahma. “Olha, quando surgiu essa notícia, eu fiquei preocupado e até liguei para saber se eles iriam manter a Brahma do mesmo jeito, e eles me garantiram que sim”, respondeu, para delírio dos repórteres presentes. Com o tempo, ele acabou fazendo propaganda dessa marca, não sem uma polêmica no meio que não cabe ser analisada aqui.

Grande compositor, sambista de estilo inconfundível e craque em escolher músicas alheias para gravar, Zeca sempre foi um seguidor da tradição do samba, como me confessou logo naquela primeira entrevista: “desde moleque eu sempre ficava colado na Velha Guarda. Eu ia buscar as cervejas, abria para eles e ficava ouvindo ele cantarem e tocarem, aprendendo”. E como aprendeu, heim?

Nesta segunda (4), Jessé Gomes da Silva Filho, o nosso querido Zeca Pagodinho, completa 60 anos de idade. Um cara que mesmo em situação financeira excelente nunca abandonou suas origens, sendo famoso pela generosidade. Xerém, que adotou como ponto de encontro com amigos de todas as idades e faixas sociais, deve estar em festa. Que essa data se repita por muitos e muitos anos, e que eu possa entrevistar novamente no futuro esse representante do Brasil que importa, o Brasil do swing, do jogo de cintura, do talento, da simpatia e da integração entre as pessoas.

Camarão que Dorme a Onda Leva (ao vivo)- Zeca Pagodinho e amigos:

Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper: 60 anos de saudade

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Por Fabian Chacur

Neste domingo (3), um trágico acidente de avião completará 60 anos. Naquele doloroso 3 de fevereiro de 1959, perderam precocemente suas vidas três astros ascendentes do rock and roll, Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper. Uma data tão trágica que foi rotulada como “O Dia Em Que a Música Morreu” em um trecho da música American Pie, do cantor e compositor americano Don McLean e grande hit em 1972. E esses três artistas nos deixaram uma bela e eterna herança musical.

Em 1959, o rock and roll vivia a sua primeira era de sucesso. Como forma de divulgar seus trabalhos, os artistas do gênero eram unidos em verdadeiras caravanas que saíam pelos EUA. Os shows equivaliam a uma coletânea dos grandes sucessos radiofônicos de então, com os músicos geralmente interpretando apenas algumas músicas cada um. E era exatamente o que o nosso trio fazia, em uma série de shows iniciada em 23 de janeiro daquele ano e intitulada The Winter Dance Tour. Estavam programadas 24 datas em pleno inverno de lá, com a última apresentação agendada para o dia 15 de fevereiro.

O transporte dos músicos era feito através de ônibus, e as condições de tempo adversas provocaram cancelamento de shows e também exigiram muito da saúde de seus integrantes. Após a 11ª apresentação, realizada na cidade de Salt Lake, no estado de Iowa, Buddy Holly demonstrava fortes sinais de gripe. Como era o músico de maior sucesso da trupe, resolveu fazer uma extravagância, como forma de chegar mais cedo à próxima cidade da programação e poder descansar um pouco mais: alugar um pequeno avião para levar ele e dois de seus músicos, livrando-os de mais uma viagem com o desconfortável ônibus.

O voo foi contratado na noite do dia 2 de fevereiro, e um piloto, Roger Peterson, foi arregimentado às pressas. Estavam escalados para a viagem no avião de quatro lugares (contando o piloto) Holly, o guitarrista Tommy Allsup (1931-2017) e o baixista Waylon Jennings (1937-2002). No entanto, quando soube da iniciativa do colega de turnê, o cantor, DJ e músico The Big Bopper negociou com Jennings a sua vaga, e foi bem-sucedido. O mesmo ocorreu com Ritchie Valens em relação a Allsup. Que trocas…

O avião saiu no início da madrugada do dia 3 de fevereiro de 1959, mas uma inesperada tempestade de neve os surpreendeu. Infelizmente, a aeronave caiu quatro minutos após levantar voo. Demoraram horas até que todos se dessem conta do ocorrido. Os colegas de turnê, ao chegarem à cidade de Moorhead, no estado de Minnesota, surpreenderam-se ao não encontrar os amigos. E, posteriormente, o acidente e suas vítimas virou notícia em termos mundiais. Uma das primeiras tragédias envolvendo o rock and roll, o acidente comoveu o mundo e marcou a história da música.

Se hoje artistas são esquecidos poucos meses após suas mortes, porque estamos lembrando de Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper seis décadas após suas partidas? A resposta é óbvia: independente do choque devido a mortes em idades tão precoces, o legado musical que esses três artistas nos deixaram são grandes demais para serem esquecidos ou igorados. Vamos dar uma pequena mergulhada na trajetória deles, e justificar essa importância toda.

Buddy Holly: genial, criativo e muito influente

Em toda a lista dos artistas mais importantes e influentes da história do rock, Buddy Holly merece um lugar cativo. E não é por acaso. Este cantor, compositor e guitarrista nascido em 7 de setembro de 1936 em Lubbock, Texas, equivale a uma espécie de elo perdido entre o rock and roll inicial de Chuck Berry, Little Richard e Jerry Lee Lewis e o som dos Beatles. Ele soube como poucos mesclar elementos da música country e do hillbilly com o rhythm and blues, investindo em elementos melódicos mais intensos e flertes com o jazz, música erudita e os standards da música americana.

Pode-se dizer que o formato clássico das bandas de rock and roll, o célebre duas-guitarras-baixo-e-bateria, teve em Holly um de seus criadores. Ele partiu do rockabilly e do rhythm and blues para criar canções ora agitadas, ora puramente românticas, sempre ressaltando seu som cristalino de guitarra, sua belíssima voz e um carisma nerd no qual os óculos de aro preto eram uma assinatura própria que inspiraria artistas como Elvis Costello, só para citar um deles.

E ele fez tudo isso em um curtíssimo espaço de tempo. Holly começou a tocar aos 13 anos, e se embrenhou em estúdios de gravação entre 1954 e 1959. Sempre inquieto, buscava evoluir a cada nova experiência, e teve a ajuda em um período clássico de sua trajetória do produtor e parceiro em algumas canções Norman Petty, que em seu estúdio situado em Clóvis, Novo México, expandia sonoridades e ressaltava os sons das guitarras, vocais e percussão.

O songbook de Buddy Holly é simplesmente matador, incluindo entre outras maravilhas as fulminantes That’l Be The Day, Oh Boy, Not Fade Away, Everyday, We’ll All Right, True Love Ways, Peggy Sue, Think It Over, Rave On, Maybe Baby e Heartbeat, só para citar algumas. O cara também sabia reler composições alheias com maestria, entre as quais It Doesn’t Matter Anymore, Brown Eyed Handsome Man e Raining In My Heart. E isso tudo em apenas 22 anos de vida.

Ritchie Valens, o pioneiro do rock latino

Lógico que o tamanho de Buddy Holly em termos artístico se sobrepõe a boa parte de seus colegas de profissão, e isso não é diferente em relação aos parceiros da Winter Dance Party. O que, obviamente, não significa que esses caras não sejam muito importantes. Ritchie Valens, nascido em 13 de maio de 1941, pode ser considerado um dos pioneiros, se não for O pioneiro, da mistura da música latina com o rock and roll. Uma mistura que nos traria Triny Lopez, Carlos Santana e tantos outros.

O ainda adolescente emplacou hits como Come On, Let’s Go e Donna, esta última uma belíssima badalada em homenagem à sua namorada. Mas seu maior mérito foi aproveitar um tema da música folclórica mexicana, La Bamba, e tê-lo adaptado para o universo do rock and roll. Ele precisou superar restrições até de sua gravadora para registrá-la, mas provou estar certo, no fim das contas.

O arranjo roqueiro de La Bamba acabou fazendo ainda mais sucesso posteriormente nas gravações de artistas de origem latina como Trini Lopes e o grupo Los Lobos, este último relendo os hits de Ritchie em 1987 para a trilha sonora do filme de incrível sucesso sobre sua trajetória, o cativante La Bamba. Que adolescente do barulho esse aí!

The Big Bopper, o DJ que virou cantor de sucesso

Jiles Perry Richardson, nascido em 24 de outubro de 1930, foi provavelmente o primeiro DJ de rádio a também fazer sucesso como cantor e compositor. Carismático, ele conseguiu quebrar um recorde de permanência consecutiva no ar, durante incríveis cinco dias, duas horas e oito minutos. Em 1958, chegou ao sexto lugar na parada americana com a divertida Chantilly Lace, que tinha como bordão o inconfundível “hello, babe!!!”, sua marca registrada.

Difícil não se lembrar do inesquecível Kid Vinil, tal qual o Big Bopper um DJ de rádio que também estourou nas paradas de sucesso como cantor do grupo Magazine. JP Richard teria outro grande hit, mas como compositor. Trata-se da música Running Bear, que na voz de Johnny Preston chegou ao primeiro lugar na parada de singles americana em janeiro de 1960. Infelizmente, The Big Bopper (que participou da gravação) já havia partido quando isso ocorreu.

Pequenas curiosidades envolvendo esses três ícones do rock

***** O grupo americano Weezer fez sucesso nos anos 1990 com uma canção em homenagem ao autor de Peggy Sue intitulada Buddy Holly. Seu vocalista Rivers Cuomo, não por acaso tem visual nerd e usa os indefectíveis óculos de aro preto sempre ligados ao saudoso astro do rock dos anos 1950.

***** Jay P. Richard Jr. nasceu no dia 28 de abril de 1959, ou seja, menos de três meses após a morte do pai, The Big Booper. Se não teve a bênção de conhece-lo, ao menos ajudou a manter sua obra reconhecida ao se apresentar em shows e convenções temáticas sobre o rock and roll dos anos 1950. Jr. infelizmente nos deixou em agosto de 2013, aos 54 anos de idade.

***** Logo após a morte de Buddy Holly, foi lançado um primeiro single póstumo, com a musica It Doesn’t Matter Anymore. A ironia involuntária do título (cuja tradução aproximada é “não importa mais”) levou o seu autor, Paul Anka, então começando a se tornar uma lenda da música pop, a doar os direitos autorais da canção à viúva de Holly.

***** A interpretação do ator Lou Diamond Phillips para o papel de Ritchie Valens em La Bamba (1987) foi tão icônica que eclipsou tudo o que ele fez posteriormente. Difícil alguém não se referir a ele como “o ator de La Bamba“.

***** Se no rock The Big Bopper pode ser considerado pioneiro nessa de ser DJ e cantor de sucesso, no mundo do blues existe alguém muito mais famoso que também fez essa transição. Trata-se de ninguém menos do que o genial B.B. King, que inclusive ganhou o apelido nos tempos em que trabalhava em rádio.

****** Paul McCartney era tão fã de Buddy Holly que acabou unindo o útil ao agradável nos anos 1970, adquirindo os direitos autorais da maior parte das músicas do autor de Peggy Sue. Ele participou de eventos em homenagens ao artista e também gravou com remanescentes dos Crickets, o grupo que acompanhou o artista. Os Beatles gravaram um dos grandes hits de Buddy Holly, Words Of Love, em releitura que reproduz quase nota a nota a versão original.

***** Os Rolling Stones também eram fãs de Buddy Holly, e regravaram nos anos 1960 Not Fade Away com bastante sucesso. Eles chegaram a abrir shows deles no Brasil com essa música, nos anos 1990.

Veja uma reportam da revista Mojo sobre “o dia em que a música morreu” aqui

We’ll All Right– Buddy Holly:

Michael Jackson, rei do pop e sua viagem à Terra do Nunca

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Por Fabian Chacur

Michael Jackson teria completado 60 anos de idade nesta quarta-feira (29), se não nos tivesse deixado no dia 25 de junho de 2009. Mas confesso que nunca conseguiria imaginar este cantor, compositor, produtor, dançarino, entertainer etc como um tiozinho de meia-idade. Ele entrou no imaginário coletivo ainda criança, e esse espírito juvenil esteve a seu lado durante seus 50 anos e alguns meses de vida. Eternamente na Terra do Nunca, e seu inconteste rei do pop.

Oriundo de uma família repleta de irmãos e irmãs talentosos, ele no entanto não demorou a se mostrar o mais promissor de todos. O pai, Joseph, percebeu isso rapidamente. Se sua fama de tirano com os herdeiros se tornou lendária, não dá para negar que ele lhes ensinou uma forte senso disciplinar, bom caminho para quem deseja se tornar estrela da música. E desde molequinho Michael se mostrou um apaixonado por trabalho, o típico workaholic.

Se você quer ser o melhor, aprenda com e fique perto dos melhores, e isso ocorreu com o autor de Billie Jean durante toda a sua vida. Ao assinar com a Motown Records, ele e seu grupo, o Jackson 5, teve a oportunidade de trabalhar com o genial Berry Gordy. Logo no primeiro single pela gravadora, I Want You Back, lançado em 7 de outubro de 1969, ficava claro que algo novo estava surgindo no cenário do pop, com aqueles garotos energéticos e aquele molequinho vibrante a comandá-los, repleto de carisma e simpatia.

Até 1975, Michael aprendeu muito na gravadora surgida em Detroit. Só que, em um determinado momento, ficou claro que lá ele não conseguiria desenvolver plenamente suas aptidões, especialmente as de compositor e produtor. Aí, seu próximo passo, ao lado dos irmãos (exceto Jermaine, que preferiu ficar na Motown), foi assinar com a Epic. No início, optou por ser produzido por outros mestres da música, Kenny Gamble e Leon Huff (os criadores do “Som da Filadélfia”), mas sabendo ser aquele um momento provisório. Um novo aprendizado.

Em 1978, os Jacksons lançaram o álbum Destiny, e nele Michael Jackson daria pistas do que viria a seguir, com músicas fortes como Blame It On The Boogie (de Mick Jackson, que apesar do sobrenome não era seu parente) e Shake Your Body (Down To The Ground) (esta, parceria dele com o irmão Randy). O encontro com o produtor Quincy Jones na gravação da trilha do filme The Wiz, no mesmo ano, completaria a expectativa de dias ainda melhores.

No ano em que completou 21 anos, Michael Jackson já tinha muito o que comemorar. Sua trajetória com o Jackson 5/The Jacksons se mostrava até então repleta de grandes momentos. A carreira solo, iniciada ainda em 1971 com Got To Be There, também gerou belos frutos e inúmeras gravações maravilhosas. Se por ventura ele não conseguisse ir adiante, já teria um número de hits suficientes para lhe dar um lugar eterno na história da música pop.

Mas a ambição do rapaz era imensa, e seu talento lhe possibilitava ir muito além. E essa transformação de astro pop infanto-juvenil dos melhores para rei do pop teve início naquele 1979 com o lançamento do excepcional Off The Wall. O álbum fez tanto sucesso que a grande questão no cenário pop do início dos anos 1980 era de como aquele artista faria para conseguir lançar um novo trabalho tão impactante.

A resposta foi Thriller (1982), o disco mais vendido de todos os tempos, que de uma vez por todas o tornou um astro sem fronteiras. Michael sempre quis ser um artista que superasse as barreiras de raça, credo, idade e classe social, e conseguiu isso de forma avassaladora, vencendo até o preconceito inicial da MTV contra a música negra.

Michael Jackson consagrou-se como um artista completo: cantor excepcional, dançarino intenso, compositor de primeira, especialista em shows cativantes e o rei dos videoclipes. Sua trilogia Off The Wall, Thriller e Bad (1987), com sua fusão de black music, rock, pop e romantismo, mostrou ser a mais potente de todos os tempos.

Lógico que ninguém conseguiria ficar impune ao impacto desse sucesso todo, ainda mais alguém que a rigor não teve tempo de curtir a infância e adolescência, por viver uma trajetória totalmente dedicada ao trabalho. Aí, ele se viu envolvido em transformações visuais questionáveis, boatos terríveis sobre possíveis envolvimentos libidinosos com crianças, investimentos megalomaníacos como sua Disneylândia particular chamada Neverland e outros quetais. E tome quetais!

Sou um desses possíveis ingênuos que não acredita que Michael tenha assediado de fato alguma criança. Não alguém que sofreu tanto com a rigidez do pai. Na verdade, o mais provável é que ele amava ficar próximo das crianças como forma de, com esse convívio, vivenciar a infância a que não teve direito. Mas são questões irrelevantes e de cunho pessoal, no fim das contas. Como dizem por aí, visto de perto ser humano algum é normal. E ele era isso, um ser humano, apenas.

Como artista, Michael Jackson nos deixou um legado maravilhoso, mesmo que, a partir de 1996, pouco tenha nos oferecido que se comparasse ao que fez em seus anos de ouro. Aliás, uma das causas de sua morte prematura pode ter sido a pressão exercida por ele em si próprio, no propósito de realizar uma turnê que superasse todas as suas conquistas anteriores. Só que o nosso ídolo não tinha mais saúde para isso, e pagou um preço muito alto pela ousadia.

Uma pena. Com a morte prematura, Michael Jackson enfim chegou à Terra do Nunca, conquistando a juventude eterna e ficando distante das imensas dificuldades da convivência com os seres humanos, repletos de contradições e maledicências. A qualidade de seu legado, da infância até os trabalhos lançados de forma póstuma, certamente embalará e alegrará as vidas de muitas novas gerações, nos anos que virão por aí.

Forever, Michael!

One Day In Your Life– Michael Jackson:

Cazuza 60 é na verdade 100, mil, mais do que dois mil e um

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Por Fabian Chacur

Nesta quarta-feira (4), Cazuza comemoraria 60 anos de idade. Infelizmente, o roqueiro carioca se foi naquele triste sete de julho de 1990, com apenas 32 anos bem vividos, e deixou um vazio não só no rock, como na música e cultura brasileira como um todo.

Tive a honra de entrevistá-lo duas vezes, e de ver um dos shows mais emblemáticos de sua brilhante e breve carreira solo. Vou relembrar alguns momentos desses três contatos de forma aleatória, sem querer ser detalhista demais. O que me vier à mente.

Em 1987, vivi o início de minha carreira jornalística em tempo integral, após dois anos de frilas conciliados com um emprego, digamos, convencional. E em abril daquele ano, participei da entrevista coletiva que Cazuza concedeu em São Paulo para divulgar Só Se For a Dois, seu segundo trabalho solo.

A coletiva ocorreu no bairro do Paraíso, onde ficava na época a sede paulistana da gravadora Polygram, hoje Universal Music. Era a estreia dele pelo selo, após ter lançado o LP que inclui Exagerado em 1985 na Som Livre, meses depois de sair do Barão Vermelho.

Gravei a entrevista no meu heroico gravador grandão, grande parceiro. Tenho essa fita até hoje, e um dia (quando a encontrar, obviamente; mas ela está comigo, tenho certeza) a transcreverei na íntegra para os leitores de Mondo Pop. Por enquanto, ofereço recordações superficiais. Ele foi extremamente simpático com todos.

Ele respondeu todas as nossas perguntas, sem frescuras, e após o final, tirou fotos e deu autógrafos a todos que os solicitaram, eu incluso. Também tirei fotos com ele. Uma saiu meio ruim por causa do flash, e infelizmente é a única que me sobrou, pois a outra foi roubada por uma sobrinha. Que ódio! E tenho fotos da entrevista coletiva, essas bem legais. Preciso escaneá-las, também.

Naquele mesmo dia de 1987, tive a oportunidade de conhecer um de meus ídolos na área do jornalismo musical, o inimitável Ezequiel Neves, com quem também tirei foto, junto com o amigo Humberto Finatti.

Na época, trabalhava na editora Imprima, coordenando as revistas de textos de lá, que se notabilizou pelas revistinhas com cifras para violão e guitarra. Um tempo bom, de aprendizado e que me proporcionou a chance de conhecer muita gente boa.

Em 1988, quando começava no Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo), pude rever Cazuza quando ele veio a São Paulo divulgar, com show no extinto (e então badaladíssimo) Aeroanta, no largo da Batata, em Pinheiros, o seu então novo álbum, o incrível Ideologia.

Lembro que tomei um susto (que disfarcei) ao vê-lo bem mais magro do que no encontro anterior. Mas a energia, a simpatia e as ideias bacanas continuavam ali, firmes. O fato de ele portar o vírus HIV ainda não havia se tornado público. Pena que vacilei e não vi aquele show.

Para minha sorte, no final de 1988 Cazuza voltou a São Paulo, desta vez para tocar no antigo Palace (hoje CitiBank Hall) e fazer o show que acabaria gerando, ao ser gravado no Rio, o emblemático álbum ao vivo O Tempo Não Para- Cazuza Ao Vivo. Um show inesquecível.

No início, apesar da energia do roqueiro e de sua banda, a plateia reagiu de forma um pouco fria. Isso, mesmo com o início arrepiante, com o cover de Vida Louca Vida, de Lobão, que no entanto a interpretação apaixonada do autor de Exagerado tornou sua para sempre.

Mesmo irritado, ele tocou o barco. Aos poucos, o público foi entrando no espírito anárquico do artista e se soltou, dançando, pulando, cantando junto e transformando o emepebístico Palace em uma arena rocker.

Aí, Cazuza se soltou, agradecendo o apoio, dizendo que queria fazer shows para pessoas bem loucas e descontraídas, sem frescuras, e proporcionando aos presente um show de maravilhoso rock and roll.

Exagerado, Faz Parte do Meu Show, a então inédita O Tempo Não Para (que Simone regravou de forma canhestra), Brasil (idem com Gal Costa) e Codinome Beija-Flor, só para citar alguns dos clássicos tocados por ele, fizeram a minha noite e a dos milhares de fãs presentes inesquecível.

No Diário Popular, no extinto caderno cultural intitulado Revista, coisa inédita para a publicação: duas críticas. Uma de minha autoria elogiando o show e a atitude de Cazuza em pedir a participação de todos.

Outra do editor (e meu mestre) Osvaldo Faustino criticando o cantor pelo fato de ele ter intimado os presentes a participar. Belo exercício de democracia. E as duas opiniões faziam total sentido, eram pontos de vista que se completavam muito bem, modéstia à parte.

E então, meses de sofrimento de vê-lo doente, da campanha idiota da revista Veja contra ele, o lançamento do inconsistente e duplo Burguesia em 1989 (na verdade uma desculpa para alguém muito doente ter motivação para conseguir se manter vivo, sem sombra de dúvidas) e, em 1990, a morte precoce aos 32 anos.

Duas curiosidades, uma engraçada, outra mórbida. A primeira: no lançamento de Burguesia, a Polygram realizou uma festa na qual todos recebiam o LP. Seis deles vieram com cupons, incluindo o meu. Dois desses seis foram sorteados e ganharam viagens para os Estados Unidos. Eu perdi. Foi o mais perto que fiquei, até hoje, de ir ao exterior…

A outra é quase macabra. No início de 1989, a morte do roqueiro do bem parecia iminente. Então, meu editor na época, Danilo Angrimani Sobrinho, pediu-me uma matéria sobra a carreira de Cazuza, para ficar na gaveta e ser publicada rapidamente no caso da morte do artista. Fiz a contragosto, rezando para que nunca fosse publicada.

Se a morte acabou sendo inevitável, ao menos demorou um ano e meio para que aquela matéria “mortuária” chegasse às páginas do jornal. Mas uma ironia: na época, a redação ainda era na base das máquinas de escrever, laudas de papel, edição na raça etc. E a matéria havia sido feita quando ainda não se sabia como seria Burguesia.

Nem o seu título, que durante meses foi divulgado como A Volta do Barão. Eu estava de folga, e quem publicou a matéria não se preocupou em revisar isso. Ou seja, o leitor do finado Dipo “ganhou” um álbum inexistente de Cazuza…

Cazuza foi um roqueiro perfeito. Voz cheia de energia que superava defeitos técnicos do tipo língua presa, letras maravilhosas e melodias sempre trazidas por parceiros inspirados. Quantas coisas boas a mais ele não teria feito, se não tivesse saído de cena em 1990… Ele só viveu 32 anos, que, no entanto, equivaleram a 60, 100, mais do que 2001… Saudades, exagerado, você faz muita falta!

Ritual– Cazuza:

Marina Lima comemora seus 60 anos repleta de conquistas

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Por Fabian Chacur

Isso aqui não será um mero texto comemorando uma efeméride importante, no caso os 60 anos de idade que Marina Lima completou nesta quinta-feira (17). Trata-se, na verdade, da celebração de uma cantora, compositora e musicista que nesses anos todos quebrou barreiras, criou trabalhos maravilhosos e deixou a sua marca na nossa música. E vem mais coisa boa por aí.

Essa “gata todo dia” nasceu no Piauí em 17 de setembro de 1955, mas foi com a família ainda criança para os EUA, onde morou até os 22 anos de idade. Sua primeira aparição concreta no cenário musical ocorreu em 1977, quando ninguém menos do que Gal Costa gravou uma de suas composições, Meu Doce Amor. De volta ao Brasil, lançou pela WEA em 1979 o álbum Simples Como Fogo.

A partir desse primeiro trabalho, Marina (que só acrescentaria o Lima ao nome artístico em 1991) mostrou que não estava disposta a seguir rumos já percorridos por outros artistas. Do início próximo da MPB, logo ampliou os horizontes rumo ao rock, ao soul, ao pop, ao jazz, à música sem fronteiras. Uma artista de assinatura forte e própria.

Seu auge em termos comerciais ocorreu precisamente quando o rock brasileiro ganhou a grande mídia lá pela metade dos anos 1980, graças a hits como Fullgas, Pra Começar, Eu Te Amo Você e tantos outros. Além de suas ótimas composições próprias, várias delas feitas em parceria com o irmão mais velho Antônio Cicero, também soube reler obras alheias com categoria, de artistas nacionais e internacionais. Sempre com uma voz de timbre próprio, particular e sensual até a medula.

Dos anos 1990 para cá, manteve-se desafiando seus ouvintes e fugindo do óbvio, embora sempre com um tempero pop capaz de tornar até seus trabalhos mais experimentais palatáveis para quem tivesse um mínimo de boa vontade. Cercada de músicos excelentes, criou uma sonoridade híbrida que a tornou referência para o pop nacional sofisticado, acessível e que preze pela qualidade.

Não dá para falar dela sem citar sua evidente beleza física. Uma mulher lindíssima, do alto de seus 1m62, repleta de charme, sensualidade não forçada e muita, mas muita inteligência mesmo. Além de uma simpatia muito grande, que lhe permite falar dos temas mais delicados sem cair na apelação ou banalidade. Um tipo perfeito de musa, cultuada por grandes da música brasileira como Caetano Veloso (com quem gravou Nosso Estranho Amor) e Guilherme Arantes (que compôs Marina No Ar), só para citar os dois mais óbvios.

Marina Lima continua afiadíssima e em busca de trabalhos ainda melhores do que seus clássicos, e uma bela prova é o excepcional Climax (2011), que inclui petardos como Não Me Venha Mais Com o Amor, #SP Feelings e Pra Sempre (dueto com Samuel Rosa, do Skank) e a flagra tocando (bem) vários instrumentos (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Atualmente, ela faz um show voz e violão, formato que usa em uma apresentação completa pela primeira vez na carreira. O espetáculo terá três datas em outubro, no Sesc Santana, e vale a pena conferir, sempre. É para poucos chegar aos 60 anos de idade tão atual e tão bacana como essa linda Marina Lima. Parabéns!!!

Virgem– Marina Lima:

Pra Começar – Marina Lima:

Nâo Me Venha Mais Com o Amor– Marina Lima:

Hearts– Marina Lima:

Fullgas– Marina Lima:

Cuide-se bem, sessentão Guilherme Arantes!

Por Fabian Chacur

A música de Guilherme Arantes me acompanha desde meus 15 anos, quando Meu Mundo e Nada Mais estourou em todo o país, em 1976. Meu primeiro contato pessoal com esse cara ocorreu em dezembro de 1980, quando ele fez um inesquecível show gratuito na estação São Bento do metrô paulistano, no melhor estilo teclado e voz. Ali, tive meu primeira experiência com sua generosidade e gentileza.

Aquela apresentação foi realizada poucos dias após a lamentável morte de John Lennon. Em determinado momento, alguns fãs pediram a ele que cantasse uma música do ex-Beatle. De forma improvisada e se valendo da revista de cifras de um deles, o músico nos proporcionou uma bela versão de Imagine, que emocionou todos os presentes. Pura gentileza.

Em 1987, tive a oportunidade de entrevista-lo pela primeira do que seria uma longa sequência de vezes. Sempre um bom papo, não demorou para que nos tornássemos amigos, com direito a almoços, papos animados e francos. Em 1992, quando ele lançou Crescente, para mim um de seus melhores trabalhos, pedi para que ele o autografasse para mim, e não esquecerei sua felicidade por eu ter gostado tanto daquele álbum. Coisa de gente humilde.

Nesses mais de 25 anos de carreira como jornalista, já tive a oportunidade de manter contato com centenas, provavelmente milhares de artistas, e Guilherme continua no topo dessa turma. E é ótimo quando o artista e o ser humano possuem grandes qualidades de forma simultânea. Ou quando o ser humano não nos decepciona, o que infelizmente ocorre no caso de alguns grandes artistas que prefiro não citar por uma questão de…gentileza.

Guilherme Arantes é o que suas músicas nos indicam. Doce, simpático, verborrágico (no melhor sentido da palavra), bem-humorado, idealista, romântico, inconformista, sonhador e um artista extremamente talentoso. Bom de letras, bom de melodias, bom de vocais, bom de arranjos, bom como músico, bom de palco… É qualidade pra mais de metro. E não sou suspeito por ter virado amigo. Sou culpado, mesmo!

Além disso, ele sempre teve como marca aquela gentileza ressaltada há alguns parágrafos, participando de trabalhos de outros artistas e sendo gravado por nomes do alto gabarito de Elis Regina,Caetano Veloso, Maria Bethânia, MPB-4, Leila Pinheiro, Roberto Carlos e tantos outros das mais diversas gerações. Aliás, a garotada o está redescobrindo neste exato momento.

Pois ele completou 60 anos neste domingão (28). O que poderia desejar a ele, além de muita saúde, paz, alegria e pessoas legais para curtirem os bons momentos ao seu lado? Que ele leve a sério a letra de Cuide-se Bem, de todas as maravilhas compostas por ele a que mais me toca, me emociona e me faz refletir. Que venham os 70, 80… Grande abraço, e que em um futuro não muito distante eu possa realizar meu sonho de escrever um livro sobre sua vida e obra!

Ouça Cuide-se Bem, com Guilherme Arantes:

John Lennon vence enquete do NME

Por Fabian Chacur

O New Musical Express (NME), uma das publicações especializadas em música mais conceituadas do mundo, está completando 60 anos de existência. Como forma de marcar a data, a revista britânica criou uma enquete, iniciada em março. Entre 60 nomes pré-escolhidos, qual seria o ícone fundamental da música de 1962 para cá?

Mais de 160 mil pessoas votaram via internet no intuito de eleger The Ultimate Musical Icon Of The Last 60 Years, e o vencedor acabou sendo John Lennon. O eterno beatle superou concorrentes como o parceiro Paul McCartney, Bob Dylan, os irmãos Liam e Noel Gallagher, Ozzy Osbourne, Kurt Cobain, Amy Winehouse e outros do mesmo gabarito.

O Top 10 mistura artistas de várias épocas. Surpreende nomes como Paul McCartney, Bono, Bob Dylan e Ozzy Osbourne não terem conseguido chegar a este posto, enquanto Alex Turner, cantor e guitarrista do bem menos relevante Arctic Monkey ostentar o quarto posto, mas o fato de ele ser da nova geração faz todo o sentido. E John Lennon é um belíssimo vencedor.

Listas de melhores e piores são sempre discutíveis, mas indiscutivelmente válidas pelas discussões que geram e para nos ajudar a avaliar nossos gostos e opiniões pessoais.

Eis a lista dos 10 mais votados da eleição do NME:

1- John Lennon (Beatles)

2- Liam Gallagher (Oasis)

3- David Bowie

4- Alex Turner (Arctic Monkeys)

5- Kurt Cobain (Nirvana)

6- Amy Winehouse

7- Jimi Hendrix

8- Morrissey (The Smiths)

9- Noel Gallagher (Oasis)

10- Ian Curtis (Joy Division)

Veja o clipe de Gimme Some Truth, de John Lennon:

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