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Fernanda Takai, Marcos Valle e Roberto Menescal, juntos

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Por Fabian Chacur

A música de Tom Jobim é eterna, e merece ser eternamente celebrada. Especialmente se isso ocorrer através de artistas de talento comprovado. A expectativa, portanto, é grande em relação ao trabalho que reunirá Roberto Menescal, Marcos Valle e Fernanda Takai, um álbum cujo título já está definido- O Tom da Takai– e que trará releituras de 12 composições do saudoso Maestro Soberano. O lançamento está previsto para maio, via gravadora Deck.

O encontro do trio ocorreu em um dos shows que celebrou em 2017 os 80 anos de idade de Roberto Menescal, violonista, compositor e um dos nomes mais importantes da história da bossa nova. Aliás, foi ali mesmo que ele fez o convite aos parceiros, de forma pública, e recebeu um sonoro sim como resposta. Os arranjos e a produção serão divididos meio a meio entre ele e o tecladista Marcos Valle, sendo que eles tocarão juntos em todas as faixas e Takai será a cantora.

Com gravações agendadas para o estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, o álbum tem tudo para ser dos melhores, pois as recentes experiências de Fernanda Takai interpretando canções do repertório de Nara Leão foram simplesmente impecáveis. Com sua voz suave e afinadíssima, ela fez fama como cantora do grupo Pato Fu, e há dez anos desenvolve paralelamente uma carreira solo que tem gerado frutos bem bacanas, com forte presença de bossa nova no repertório.

Chega de Saudade (ao vivo)- Fernanda, Menescal e Valle:

Olivia Gênesi brilha com sua mistura doce de sonoridades

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Por Fabian Chacur

A cantora, compositora, arranjadora e tecladista paulistana Olivia Gênesi lançou o seu primeiro CD em 2000. Desde então, fez inúmeros shows, gravou diversos outros trabalhos, interpretou canções próprias e de outros autores e buscou se aprimorar como artista. Toda essa estrada soa nítida em seu novo CD, Amor e Liberdade, o décimo dessa trajetória pelo cenário independente.

Vamos começar pela cantora. Sua voz é delicada, suave, quase frágil, com ecos do timbre da grande Vânia Bastos. Olivia se vale dessas características com bastante desenvoltura nas 14 faixas de seu novo álbum, e de forma inteligente buscou uma sonoridade que se adequasse a ela. Nada mais importante para um intérprete do que saber usar de forma inteligente o seu potencial, e é exatamente isso o que essa artista faz com o seu canto.

Sua sonoridade é uma mistura de jazz, rock, folk e várias tendências da MPB, com uma abordagem minimalista e rica nos detalhes, que se sobressaem graças ao talento dos músicos que a acompanham no álbum. Entre outros, temos aqui Fernando Garcia (bateria), Fábio Dregs (guitarra), Arismar do Espírito Santo (guitarra), Hugo Hori (flauta) e Raquel Martins (guitarra), além da própria Olivia no piano, escaleta, percussão e arranjos.

O repertório traz apenas uma música alheia, a deliciosa Lua No Céu de Janeiro, de Luis Carlos Sá e Dery Nascimento. Não faltam momentos preciosos, como o delicado rock Versiidade, a incrível mistura de jazz, forró, balada e psicodelia O Amor Vai Brotar, a jazzy Astrologia, o rock Mudada, a balada jazz O Feminino e o rock na veia Astrologia.

Forró da Bela serve como interessante amostra dessa perspectiva mestiça da criação de Olivia, pois parte do ritmo nordestino rumo a um resultado que tem variações sutis de climas que remetem a rock, jazz e pop. E ressalte-se o poder das ótimas letras, nas quais temas como amor, vida e relacionamentos afetivos são destrinchados com lirismo, paixão e um quê visionário também. E tem a deliciosa Amores Líquidos, repleta de toques e insights bacanas.

Amor e Liberdade é um título que serve como uma boa pista das intenções de Olivia Gênesi enquanto artista, pois mescla a paixão de quem visivelmente gosta do que faz com a liberdade de mergulhar nas misturas que achar cabíveis. Este álbum pode não agradar a todos, mas certamente será muito apreciado por quem tem bom gosto e sensibilidade poética e musical.

Amores Líquidos(clipe)- Olivia Gênesi:

Maroon 5 envolve os ouvintes com seu ótimo Red Pill Blues

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Por Fabian Chacur

Adam Levine é atualmente um dos nomes mais badalados do show business. Desde 2011, atua como coach (treinador) no reality show musical The Voice, que tem grandes índices de audiência. Além disso, trabalhou como ator em filmes e séries de TV e frequenta as colunas de celebridades com namoros aqui e ali. Felizmente ele não abriu mão de sua carreira como vocalista e líder do Maroon 5. Com o mais recente álbum da banda, Red Pill Blues, ele e sua turma provam que sua vocação para o pop dançante bem feito continua sendo bem explorada.

Na ativa desde 2001 como Maroon 5, após uma fase inicial com outra sonoridade e outro nome (Kara’s Flowers), esta banda americana traz como marca a sua vocação pop, mesmo tendo uma raiz rocker. Além de Levine no vocal e guitarra, o grupo traz dos tempos de Kara’s Flowers Jesse Carmichael (teclados e guitarra) e Mickey Madden (baixo). Completam o time James Valentine (guitarra desde 2011), Matt Flynn (bateria e percussão, desde 2006), PJ Morton (teclados, desde 2012) e Sam Farrar (guitarra, teclados e baixo, desde 2016).

Com seis álbuns e diversos singles de sucesso em seu currículo, o agora septeto adotou nesta década em seus álbuns um formato que sempre reúne diversos colaboradores, entre compositores, produtores, músicos de apoio e convidados especiais. O resultado é a potencialização máxima de seu DNA pop, com direito a faixas frequentemente dançantes e com eventuais espaços para momentos românticos. Tudo pontuado pela suave e carismática voz de Levine.

Red Pill Blues é altamente indicado para quem curte um trabalho alto astral e gosta de ter como trilha sonora algo que o motive, que o torne mais feliz e animado. Experimentalismo e busca por sonoridades inéditas não é a praia desses caras. Mas e daí? O importante é que, dentro dessa proposta assumidamente pop, eles capricham muito no conteúdo, oferendo aos fãs um trabalho que merece mesmo disputar a ponta das paradas de sucesso.

Lançado no exterior em novembro, o álbum atingiu o segundo lugar na parada americana, tem vários singles já estourados lá fora, e outros com potencial para realizar o mesmo rumo. What Lovers Do (com a participação da cantora revelação do r&b SZA), Best 4 U, Wait, Lips On You, Help Me Out (com a ótima Julia Michaels nos vocais, ela que abrirá os shows do grupo na atual turnê) e Whiskey (com ASAP Rocky) são bons exemplos dessa cara “hit instantâneo bacana”.

O ponto alto do álbum é a arrebatadora Closure, que dura 11m28 e conta com uma extensa parte instrumental com levada funky/jazz. Esse é o momento em que os músicos mostram todo o seu talento, sem abrir mão da batida dançante. Uma verdadeira aula de groove e balanço, daquelas que você nem nota que durou tanto tempo, quase quatro vezes o total habitual de um single pop. Eis uma ousadia bacaníssima.

A edição física de Red Pill Blues lançada no Brasil pela Universal Music traz quatro boas faixas-bônus e um CD adicional com seis músicas gravadas ao vivo, com quase meia hora de duração e hits como Moves Like Jagger, This Love e Animals.

O encarte colorido traz também um código de acesso que permite ao comprador curtir em um site exclusivo faixas-bônus e conteúdos exclusivos como vídeos, livreto digital, imagens etc. Ah se todo grupo/artista pop tivesse o capricho desta banda na hora de gravar…

Closure- Maroon 5:

Sarah McKenzie mergulha no jazz tradicional em novo CD

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Por Fabian Chacur

É muito bom ouvir música transgressiva de qualidade, na qual o artista busca investir em rumos inusitados para gerar a criação de algo novo e expressivo. No entanto, também é excelente poder curtir um tipo de criação que soe extremamente familiar, embora tenha bastante talento e bom gosto envolvido na sua elaboração. A australiana Sarah McKenzie se encaixa feito luva no segundo exemplo, como prova com veemência seu quarto CD, Paris In The Rain, que acaba de sair no Brasil via Universal Music. Um banho de bom gosto e adorável dèja vú.

Com 28 anos de idade, esta bela loirinha tem forte formação acadêmica em artes, com direito a graduação na West Australian Academy Of Performing Arts (onde Hugh Jackman e Lisa McCune, entre outros, se graduaram também) e a célebre Berklee College Of Music americana. De quebra, participou como backing vocalist da turnê Call Me Irresponsible, do astro Michael Bublé, e fez apresentações em grandes festivais, entre os quais o de Montreux, na Suíça.

Ela lançou dois álbuns na Austrália, Don’t Tempt Me (2011) e Close Your Eyes (2012), até que foi contratada pelo célebre selo jazzístico Impulse! (hoje pertencente ao conglomerado Universal Music), no qual estreou com o CD We Could Be Lovers (2015). A produção do novo trabalho ficou a cargo e Jay Newland e Brian Bacchus, este último conhecido por atuar com Norah Jones e Gregory Porter, entre outros.

Ao contrário de outras estrelas recentes ligadas ao jazz, como Norah Jones, Sarah McKenzie não flerta com sonoridades distantes do gênero musical que decidiu abraçar. Paris In The Rain não traz elementos de rock, música eletrônica, soul ou rap, concentrando-se em uma musicalidade ligada à tradição dos standards americanos, repleta de elegância, melodias apuradas e arranjos sempre repletos de sutilezas extremamente agradáveis de serem apreciadas.

O repertório de 13 canções se divide entre clássicos do porte de Tea For Two (Vincente Youmans/Irving Caesar), Day In Day Out (Rube Bloom/Johnny Mercer), Triste (do nosso Tom Jobim) e I’m Old Fashioned (Jerome Kern/Johnny Mercer) e cinco ótimas composições da própria McKenzie, entre as quais a faixa-título do CD, One Jealous Moon e a instrumental Road Chops.

Com uma voz suave e melodiosa e uma execução segura e fluente no piano, ela é acompanhada por músicos talentosos e virtuosos, entre os quais o violonista brasileiro Romero Lubambo, que marca presença com estilo em Triste e In The Name Of Love (Kenny Rankin/Levitt Estelle). Vale lembrar que todos os belíssimos arranjos das músicas foram assinadas pela própria Sarah, o que dá uma ideia do porte de seu talento.

Paris In The Rain não equivale a uma revolução no cenário jazzístico e tem aquele tempero de “já ouvi isso e sei onde”, mas é delicioso de se ouvir, ainda mais em um tempo no qual o marketing parece dar as cartas em detrimento da consistência musical. Aqui, quem manda são as melodias, as harmonias, a emoção. Vale lembrar que a artista esteve em agosto no Brasil, participando da inauguração do Blue Note Rio.

Paris In The Rain– Sarah McKenzie:

MarceloMarcelino demonstra fôlego em sua carreira solo

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Por Fabian Chacur

Em 1997, Marcelo Marcelino iniciava a sua trajetória no cenário do rock nacional. Após integrar as bandas Sem Destino (de 1997 a 2004) e Madrenegra (de 2011 a 2016), com as quais lançou bons álbuns e participou de festivais importantes, ele agora inicia uma carreira solo que parece das mais promissoras, se levarmos em conta o conteúdo do trabalho de estreia dessa nova fase de sua trajetória, o álbum Marcelo Marcelino, disponível em CD e no formato digital.

Oriundo do Jardim Ingá, distrito da cidade goiana de Luziânia, situada no entorno do Distrito Federal, este cantor, compositor e músico destoa de boa parte da produção atual da música brasileira. Em primeiro lugar pelo texto de suas canções, repleto de consistência, inspiração literária e uma preocupação nítida em abordar temas relevantes, como amizade, amor, esperança, paz, combate ao preconceito e aos “poderosos trajando terno e gravata” que afligem as nossas vidas.

O que faz a força de Marcelino enquanto trovador rocker é que ele canta, com vozeirão potente e se valendo de ótima dicção, com a determinação de quem acredita em cada palavra presente em suas letras. Não, aqui não temos um desses oportunistas da canção que “cantam o que o povo quer ouvir”; nosso amigo goiano “canta o que o povo precisa ouvir”. Suas inspirações nesse setor são claras: Raul Seixas, Zé Ramalho, Bob Dylan, Bob Marley, John Lennon, gente desse gabarito.

Valendo-se de uma sonoridade próxima do folk rock, Marcelino se alterna entre violão, baixo, bandolim, ukulele e kazoo. Neste álbum, gravado no Electro Sound Studio, em Santos (SP), ele conta com o apoio de André Pinguim (bateria, ex-Charlie Brown Jr.), André Freitas (guitarra, produção, masterização e mixagem) e Maru Monhawk (teclados). Outro ex-Charlie Brown Jr, Marcão Britto, faz um endiabrado solo de guitarra em Jeito Estranho.

Nas 14 faixas do álbum (sendo uma delas, Alguma Poesia, composta por versos declamados a capella), Marcelino nos apresenta urgência, energia, sensibilidade e ótimas ideias. Os arranjos são simples e diretos, além de muito bem feitos e executados, sem tentar inventar a roda ou coisa do gênero. São rocks e baladas diretos, sem rodeios, interpretados com categoria e personalidade dignas deste artista de 43 anos de idade cronológica e energia de uns 20, se tanto.

As composições vão desde algumas dos tempos do Sem Destino até outras bem recentes, reunidas com forte unidade temática e sonora. Profecia de Mendigo, A Balada de Rosa e Montanha, Anjo Doido, Jeito Estranho, Puta Que Pariu Acontece Outra Vez (que inclui citação de Partido Alto, de Chico Buarque) e Meu Amigo Olha Só a Ironia são destaques, mas o álbum é bem coeso, sem pontos baixos.

O trabalho de Marcelo Marcelino é um tapa na cara com luva de pelica naqueles que desdenham da força do atual rock brasileiro. Pode não estar na grande mídia, mas está aí, à disposição de quem tiver paciência para procurar. Tomara que muitos descubram a voz, o carisma e a poesia deste ótimo artista, e que este seja o início de uma trajetória solo repleta de reconhecimento, sucesso e crescimento pessoal.

Ouça o álbum Marcelo Marcelino em streaming:

Yusuf/Cat Stevens cativa com o álbum The Laughing Apple

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Por Fabian Chacur

Cat Stevens iniciou sua carreira discográfica em 1967. Naquele mesmo período, no qual comemorou 19 anos de idade, ele lançou seus primeiros álbuns, Matthew & Son (março) e New Masters (dezembro). Muita coisa mudou desde então, incluindo o seu nome, que passou a ser Yusuf Islam, devido à sua conversão ao islamismo. Mas o talento musical se manteve firme, como prova seu novo CD, The Laughing Apple (Universal Music).

Na verdade, o novo trabalho deste genial cantor, compositor e músico britânico equivale a uma mistura entre o passado e o presente. Quatro faixas- I’m So Sleepy, Northern Wind (Death Of Billy The Kid), The Laughing Apple e Blackness Of The Night foram lançadas no LP New Masters, mas o autor nunca gostou do resultado rebuscado e recheado de sons orquestrais impostos pelo produtor Mike Hurst. Elas reaparecem aqui em novas gravações nas quais os arranjos são mais delicados e minimalistas, com um resultado muito melhor.

Outra faixa reciclada é Grandsons, lançada na coletânea The Very Best Of Cat Stevens (2000) com o título I’ve Got a Thing About Seeing My Grandson Grow Old e letra diferente. O resgate dessas canções explica o porque, pela primeira vez em sua carreira, o artista credita um álbum simultaneamente a Yusuf/Cat Stevens, pois as outras seis canções são da safra atual. Vale lembrar que ele ficou longe da música pop do fim dos anos 1970 até 2006, quando retornou com o excelente An Other Cup.

A sonoridade de The Laughing Apple remete à fase de maior repercussão da obra de Stevens/Yusuf, ocorrida na primeira metade da década de 1970. Não por acaso, o coprodutor do novo CD é o mesmo Paul Samwell-Smith daqueles tempos, assim como o guitarrista Alun Davies marca presença com sua forma marcante de tocar. O entrosamento entre eles continua impecável, assim como o deles com os outros músicos presentes no álbum.

Grave e doce como de praxe, a voz do artista conduz belas canções que misturam folk ocidental e oriental de várias épocas a pop e a um bocadinho de rock. Conciso, o conteúdo do álbum é passível de ser apreciado pelo ouvinte de forma tranquila e estimulante, sem cair em um possível clima modorrento típico de alguns artistas ditos folk atuais.

As canções de épocas diferentes se integraram de forma muito boa, sendo que dificilmente o leigo seria capaz de dizer quais são as dos anos 1960 e quais foram criadas neste século. See What Love Did To Me, You Can Do (Whatever), Don’t Blame Them e Blackness Of The Night são pontos altos de um trabalho no qual requinte, doçura e simplicidade convivem de forma harmoniosa e inspirada.

Esse belo conteúdo musical vem em uma embalagem (no formato CD, o analisado para esta resenha) simplesmente maravilhosa, prova de que o formato físico ainda se mostra muito mais completo para o apreciador da arte musical como um todo.

Com preciosos desenhos a cargo do próprio Yusuf, a capa digipack traz embutido encarte com as letras, ilustrações para cada canção e ficha técnica completa de cada faixa. The Laughing Apple equivale a uma viagem sensorial rumo a uma era de paz, sonho e encanto que talvez só exista nos cinzentos dias atuais durante a audição atenta de maravilhas como este CD. Menos mal. Sonhar é preciso.

You Can Do (Whatever)!– Yusuf/Cat Stevens:

Lia Sophia traz convidados de muita classe em seu novo CD

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Por Fabian Chacur

Conhecida nacionalmente graças à inclusão de algumas de suas gravações em trilhas de novelas e séries globais, Lia Sophia está com filhote novo na área. Trata-se do álbum Não Me Provoca, o quinto de sua carreira, no qual assina oito das onze faixas (sendo uma delas versão). Como agradáveis surpresas para os fãs, temos as participações especiais de dois grandes nomes da MPB, Ney Matogrosso e Paulinho Moska.

Gravado em Belém e no Rio de Janeiro, o novo trabalho da cantora e compositora nascida na Guiana Francesa e radicada desde os 17 anos em Belém (PA) conta com a produção musical de Pedro Luis, com direção artística a cargo dele, de Lia e também de Taísa Fernandes. A concepção musical da artista busca uma mistura das sonoridades da Amazônia com elementos sonoros mais universais, caindo em uma fusão original e com letras sobre temas atuais e significativos.

Ney marca presença em Ela, que também traz na guitarra Félix Robatto. Por sua vez, Moska não só canta com Lia como também toca o ronroco, um instrumento de origem andina que entrou na gravação por sugestão do próprio músico. Outro destaque do disco é Teu (Tuyo), versão da música de Rodrigo Amarantes que abre a série Narcos, da Netflix.

Teaser do novo CD de Lia Sophia:

Tears For Fears lança o álbum com seus hits e duas inéditas

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Por Fabian Chacur

Para quem ficou encantado com o show feito pelo Tears For Fears em setembro, no Rock in Rio, e gostaria de ter uma compilação com os maiores hits do duo britânico, boa notícia. Já está disponível nas plataformas digitais Rule The World: The Greatest Hits, cuja versão física chegará às lojas brasileiras no dia 8 de dezembro, via Universal Music.

Como tem sido praxe há muito tempo na indústria musical, esta nova compilação do grupo formado há 36 anos por Roland Orzabal e Curt Smith traz atrativos para os fãs casuais e também para quem coleciona tudo o que eles lançam. Quem se encaixa no segundo grupo deve saber que o álbum inclui duas faixas inéditas: a sacudida I Love You But I’m Lost e a mais introspectiva Stay, ambas bem interessantes.

Além das duas inéditas, a compilação tem como diferencial trazer pela primeira vez faixas representando todas as fases da banda, inclusive o período sem Curt Smith (Raoul And The Kings Of Spain, do álbum homônimo, de 1995) e o álbum do retorno Everybody Loves a Happy Ending (Closest Thing To Heaven,de 2004).

Eis a relação das faixas incluídas em Rule The World: 1. Everybody Wants To Rule The World / 2. Shout / 3. I Love You But I’m Lost / 4. Mad World / 5. Sowing The Seeds Of Love / 6. Advice For The Young At Heart / 7. Head Over Heels / 8. Woman In Chains / 9. Change / 10. Stay / 11. Pale Shelter / 12. Mothers Talk / 13. Break It Down Again / 14. I Believe / 15. Raoul And The Kings Of Spain / 16. Closest Thing To Heaven.

I Love You But I’m Lost– Tears For Fears:

Carla Bruni e o French Touch, um álbum de belas releituras

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Por Fabian Chacur

Acaba de sair no Brasil, via Universal Music, o sexto álbum de estúdio de Carla Bruni. Trata-se de French Touch, no qual a cantora e compositora italiana radicada na França desde os sete anos de idade se dedica a reler do seu jeito onze hits de diferentes origens, com direito a canções extraídas dos universos do jazz, rock, synth pop, country e até heavy metal.

A cantora nascida em Turin, Itália, em 23 de dezembro de 1967, e radicada há muito em Paris, mostrou muito bom gosto e versatilidade na seleção do repertório. Duas das canções já estão sendo muito ouvidas pelos fãs nas plataformas digitais, Miss You (dos Rolling Stones) e Enjoy The Silence (do Depeche Mode), que ganharam nova vida na charmosa voz da cantora que já namorou Eric Clapton e Mick Jagger e foi primeira-dama da França como esposa de Nicolas Sarkozy.

O álbum traz um dueto com o genial astro country americano Willie Nelson em um de seus maiores sucessos, a deliciosa Crazy. Também estão no repertório Jimmy Jazz (The Clash), The Winner Takes It All (Abba) e Highway To Hell (AC/DC), entre outras. A cantora iniciará no próximo dia 23 a turnê de divulgação de French Touch, prevista para passar por mais de 20 países. Ainda não se sabe se ela incluirá o Brasil nessa sequência de shows. Tomara que sim!

Enjoy The Silence– Carla Bruni:

No Voo do Urubu é o Verocai mais inspirado do que nunca

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Por Fabian Chacur

Foram necessárias quase quatro décadas para que Arthur Verocai tivesse o devido reconhecimento no cenário musical brasileiro, após inúmeros serviços de alta qualidade prestados aos amantes da boa música. Mas, pelo visto, valeu esperar. Aos 72 anos, o genial cantor, compositor, músico e maestro carioca se mostra mais inspirado do que nunca, vide seu mais recente lançamento, o não menos do que espetacular CD No Voo do Urubu (Selo Sesc).

Sem medo de cair em exageros, defino a atuação de Arthur Verocai como uma mistura personalizada do trabalho de maestros e compositores do porte de Burt Bacharach e Tom Jobim. Ele tem o dom de transformar a canção popular em arte requintada, com direito a arranjos delicados e precisos, nos quais os instrumentos convivem de forma harmoniosa e dialogam entre si com fluência, sem cair naquele universo intrincado demais que só os músicos conseguem entender.

A música deste genial artista carioca consegue a façanha de ser incrivelmente elaborada e ao mesmo tempo deliciosa de se ouvir. Coloquem as faixas dele para o público médio conferir, e duvido que alguém se meta a dizer que é “música para músicos”. Arthur Verocai direciona todo o seu imenso talento em prol das canções, e isso se reflete no resultado final. E isso se mostra desde seu primeiro e cultuado disco solo, de 1972 (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

No Voo do Urubu equivale a uma espécie de concisa sinfonia pop. Abre com a espetacular faixa-título, que traz Seu Jorge nos vocais e forte influência de Tom Jobim. Outro momento bem jobiniano do álbum é Minha Terra Tem Palmeiras, interpretada por Lu Oliveira. Oh! Juliana é bossa pura, com uma interpretação deliciosa de Danilo Caymmi.

A faceta soul-jazz da obra de Mestre Verocai surge no álbum com generosidade. A Outra, cantada por Vinícius Cantuária, Cigana, comandada por Mano Brown, e O Tambor, com Criolo no microfone, mostram como o cara sabe lidar com o mundo do groove.

E vale um elogio extra: é impressionante o quanto Arthur Verocai evoluiu como cantor. Na faixa O Tempo e o Vento, na qual ele se incumbe da tarefa, o cara esbanja maturidade, afinação e ginga. Era o que faltava para considera-lo completo. Não falta mais.

Se as sete faixas com vocais já valeriam uma nota máxima ao álbum, as instrumentais Snake Eyes, Na Malandragem e Desabrochando, que encerram o CD, tornam essa avaliação inevitável. Diferentes entre si, ressaltam o DNA do trabalho de seu autor, que é quase cinematográfico, conduzindo o ouvinte rumo a caminhos envolventes e cativantes.

No Voo do Urubu equivale a um verdadeiro disco de produtor, no qual o chefe da história toda comanda um elenco escolhido a dedo e brilhante e o encaminha rumo ao nirvana sonoro. Demoramos a descobrir e a reverenciar a música de Arthur Verocai, mas isso felizmente ocorreu com ele ainda vivo e repleto de energia. Que muitos mais descubram a sua música envolvente, intensa, criativa e repleta de boas energias. Leia entrevista de Mondo Pop com ele aqui.

No Voo do Urubu (completo, em streaming)- Arthur Verocai:

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