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Grupo 5 a Seco lança um novo álbum com show único no Rio

5 a Seco - Síntese

Por Fabian Chacur

Com quase oito anos de estrada, o grupo 5 a Seco lançou seu primeiro trabalho em 2012, o CD/DVD Ao Vivo no Auditório Ibirapuera, com elementos sonoros mais orgânicos. Policromo (2014) marcou uma fase com mais experimentalismo e busca de novas sonoridades. Agora, eles partem para uma fusão entre as duas propostas que já se entrega no título do novo álbum: Síntese. Eles lançam esse trabalho no Rio com show neste sábado (17) às 21h no Teatro Bradesco Rio (Avenida das Américas, nº 3.900- loja 160 do Shopping VillageMall- fone 0xx21-3431-0100), com ingressos custando de R$ 40,00 a R$ 130,00.

O 5 a Seco se vale de conceitos típicos dos anos 2000, definindo-se como um coletivo de compositores, ao invés de uma banda tradicional. Seus integrantes são Pedro Viáfora, Leo Bianchini, Vinícius Calderoni, Tó Brandileone e Pedro Altério, todos cantores, compositores e músicos que também se dedicam a outros projetos. Sua sonoridade reflete várias influências musicais, sendo a MPB pop uma das mais facilmente identificáveis, assim como o rock e o eletrônico, com uma especial predileção por boas composições.

O repertório do show trará músicas do novo álbum, entre as quais O Dia de Encontrar Você, Na Onda, Ventos de Netuno e Brisa, além de material oriundo dos trabalhos anteriores. O estilo inquieto e diversificado dos cinco se mostra de forma bastante evidente ao vivo, embora seu esmero nos esforços registrados em estúdio tenha apontado um direcionamento que equilibra essas duas facetas, o palco e as gravações.

Síntese (álbum inteiro em streaming)- 5 a Seco:

John Williams lançará um CD com seus clássicos do cinema

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Por Fabian Chacur

Que tal um álbum com dez dos principais temas de filmes clássicos como Star Wars, Tubarão, E.T., Jurassic Park e Harry Potter, com novas gravações a cargo da London Symphony Orchestra? Pois este CD já tem data pré-determinada para chegar às lojas (e também às plataformas digitais): 4 de maio, através da Universal Music. O autor de todas essas verdadeiras maravilhas sonoras é o genial John Williams, um dos maiores compositores de trilhas de todos os tempos.

Com 86 anos de idade, o americano John Williams completou 60 anos como autor de temas para cinema e TV. Como forma de comemorar, ele lança este novo álbum, que tem como título A Life in Music, no qual a London Symphony Orchestra (LSO) foi regida pelo maestro Gavin Greenaway. A versão para cello do tema de A Lista de Schindler é inédita, um atrativo para colecionadores.

Outro momento comemorativo este ano será uma apresentação da LSO no mitológico Royal Albert Hall, de Londres, com regência a cargo de Williams, algo que não ocorre há 22 anos por ali. Parceiro constante de Steven Spielberg, o compositor americano é considerado uma verdadeira lenda no meio musical e cinematográfico, tendo em seu currículo 5 Oscars, 24 Grammys, 4 Globos de Ouro e 5 Emmys, só para não esticar demais o assunto.

Saiba o repertório completo de A Life in Music:

1. Main Title – From Star Wars
2. Theme – From Jurassic Park
3. Hedwig’s Theme – From Harry Potter And The Sorcerer’s Stone
4. The Raiders March – From Raiders Of The Lost Ark
5. Flying Theme – From E.T.
6. Theme – From Schindler’s List
7. The Flight To Neverland – From Hook
8. Hymn To The Fallen – From Saving Private Ryan
9. Shark Theme – From Jaws
10. Williams: Superman March – From Superman

Making of sobre o álbum A Life in Music:

Fernanda Takai, Marcos Valle e Roberto Menescal, juntos

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Por Fabian Chacur

A música de Tom Jobim é eterna, e merece ser eternamente celebrada. Especialmente se isso ocorrer através de artistas de talento comprovado. A expectativa, portanto, é grande em relação ao trabalho que reunirá Roberto Menescal, Marcos Valle e Fernanda Takai, um álbum cujo título já está definido- O Tom da Takai– e que trará releituras de 12 composições do saudoso Maestro Soberano. O lançamento está previsto para maio, via gravadora Deck.

O encontro do trio ocorreu em um dos shows que celebrou em 2017 os 80 anos de idade de Roberto Menescal, violonista, compositor e um dos nomes mais importantes da história da bossa nova. Aliás, foi ali mesmo que ele fez o convite aos parceiros, de forma pública, e recebeu um sonoro sim como resposta. Os arranjos e a produção serão divididos meio a meio entre ele e o tecladista Marcos Valle, sendo que eles tocarão juntos em todas as faixas e Takai será a cantora.

Com gravações agendadas para o estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, o álbum tem tudo para ser dos melhores, pois as recentes experiências de Fernanda Takai interpretando canções do repertório de Nara Leão foram simplesmente impecáveis. Com sua voz suave e afinadíssima, ela fez fama como cantora do grupo Pato Fu, e há dez anos desenvolve paralelamente uma carreira solo que tem gerado frutos bem bacanas, com forte presença de bossa nova no repertório.

Chega de Saudade (ao vivo)- Fernanda, Menescal e Valle:

Olivia Gênesi brilha com sua mistura doce de sonoridades

olivia genesi capa cd

Por Fabian Chacur

A cantora, compositora, arranjadora e tecladista paulistana Olivia Gênesi lançou o seu primeiro CD em 2000. Desde então, fez inúmeros shows, gravou diversos outros trabalhos, interpretou canções próprias e de outros autores e buscou se aprimorar como artista. Toda essa estrada soa nítida em seu novo CD, Amor e Liberdade, o décimo dessa trajetória pelo cenário independente.

Vamos começar pela cantora. Sua voz é delicada, suave, quase frágil, com ecos do timbre da grande Vânia Bastos. Olivia se vale dessas características com bastante desenvoltura nas 14 faixas de seu novo álbum, e de forma inteligente buscou uma sonoridade que se adequasse a ela. Nada mais importante para um intérprete do que saber usar de forma inteligente o seu potencial, e é exatamente isso o que essa artista faz com o seu canto.

Sua sonoridade é uma mistura de jazz, rock, folk e várias tendências da MPB, com uma abordagem minimalista e rica nos detalhes, que se sobressaem graças ao talento dos músicos que a acompanham no álbum. Entre outros, temos aqui Fernando Garcia (bateria), Fábio Dregs (guitarra), Arismar do Espírito Santo (guitarra), Hugo Hori (flauta) e Raquel Martins (guitarra), além da própria Olivia no piano, escaleta, percussão e arranjos.

O repertório traz apenas uma música alheia, a deliciosa Lua No Céu de Janeiro, de Luis Carlos Sá e Dery Nascimento. Não faltam momentos preciosos, como o delicado rock Versiidade, a incrível mistura de jazz, forró, balada e psicodelia O Amor Vai Brotar, a jazzy Astrologia, o rock Mudada, a balada jazz O Feminino e o rock na veia Astrologia.

Forró da Bela serve como interessante amostra dessa perspectiva mestiça da criação de Olivia, pois parte do ritmo nordestino rumo a um resultado que tem variações sutis de climas que remetem a rock, jazz e pop. E ressalte-se o poder das ótimas letras, nas quais temas como amor, vida e relacionamentos afetivos são destrinchados com lirismo, paixão e um quê visionário também. E tem a deliciosa Amores Líquidos, repleta de toques e insights bacanas.

Amor e Liberdade é um título que serve como uma boa pista das intenções de Olivia Gênesi enquanto artista, pois mescla a paixão de quem visivelmente gosta do que faz com a liberdade de mergulhar nas misturas que achar cabíveis. Este álbum pode não agradar a todos, mas certamente será muito apreciado por quem tem bom gosto e sensibilidade poética e musical.

Amores Líquidos(clipe)- Olivia Gênesi:

Maroon 5 envolve os ouvintes com seu ótimo Red Pill Blues

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Por Fabian Chacur

Adam Levine é atualmente um dos nomes mais badalados do show business. Desde 2011, atua como coach (treinador) no reality show musical The Voice, que tem grandes índices de audiência. Além disso, trabalhou como ator em filmes e séries de TV e frequenta as colunas de celebridades com namoros aqui e ali. Felizmente ele não abriu mão de sua carreira como vocalista e líder do Maroon 5. Com o mais recente álbum da banda, Red Pill Blues, ele e sua turma provam que sua vocação para o pop dançante bem feito continua sendo bem explorada.

Na ativa desde 2001 como Maroon 5, após uma fase inicial com outra sonoridade e outro nome (Kara’s Flowers), esta banda americana traz como marca a sua vocação pop, mesmo tendo uma raiz rocker. Além de Levine no vocal e guitarra, o grupo traz dos tempos de Kara’s Flowers Jesse Carmichael (teclados e guitarra) e Mickey Madden (baixo). Completam o time James Valentine (guitarra desde 2011), Matt Flynn (bateria e percussão, desde 2006), PJ Morton (teclados, desde 2012) e Sam Farrar (guitarra, teclados e baixo, desde 2016).

Com seis álbuns e diversos singles de sucesso em seu currículo, o agora septeto adotou nesta década em seus álbuns um formato que sempre reúne diversos colaboradores, entre compositores, produtores, músicos de apoio e convidados especiais. O resultado é a potencialização máxima de seu DNA pop, com direito a faixas frequentemente dançantes e com eventuais espaços para momentos românticos. Tudo pontuado pela suave e carismática voz de Levine.

Red Pill Blues é altamente indicado para quem curte um trabalho alto astral e gosta de ter como trilha sonora algo que o motive, que o torne mais feliz e animado. Experimentalismo e busca por sonoridades inéditas não é a praia desses caras. Mas e daí? O importante é que, dentro dessa proposta assumidamente pop, eles capricham muito no conteúdo, oferendo aos fãs um trabalho que merece mesmo disputar a ponta das paradas de sucesso.

Lançado no exterior em novembro, o álbum atingiu o segundo lugar na parada americana, tem vários singles já estourados lá fora, e outros com potencial para realizar o mesmo rumo. What Lovers Do (com a participação da cantora revelação do r&b SZA), Best 4 U, Wait, Lips On You, Help Me Out (com a ótima Julia Michaels nos vocais, ela que abrirá os shows do grupo na atual turnê) e Whiskey (com ASAP Rocky) são bons exemplos dessa cara “hit instantâneo bacana”.

O ponto alto do álbum é a arrebatadora Closure, que dura 11m28 e conta com uma extensa parte instrumental com levada funky/jazz. Esse é o momento em que os músicos mostram todo o seu talento, sem abrir mão da batida dançante. Uma verdadeira aula de groove e balanço, daquelas que você nem nota que durou tanto tempo, quase quatro vezes o total habitual de um single pop. Eis uma ousadia bacaníssima.

A edição física de Red Pill Blues lançada no Brasil pela Universal Music traz quatro boas faixas-bônus e um CD adicional com seis músicas gravadas ao vivo, com quase meia hora de duração e hits como Moves Like Jagger, This Love e Animals.

O encarte colorido traz também um código de acesso que permite ao comprador curtir em um site exclusivo faixas-bônus e conteúdos exclusivos como vídeos, livreto digital, imagens etc. Ah se todo grupo/artista pop tivesse o capricho desta banda na hora de gravar…

Closure- Maroon 5:

Sarah McKenzie mergulha no jazz tradicional em novo CD

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Por Fabian Chacur

É muito bom ouvir música transgressiva de qualidade, na qual o artista busca investir em rumos inusitados para gerar a criação de algo novo e expressivo. No entanto, também é excelente poder curtir um tipo de criação que soe extremamente familiar, embora tenha bastante talento e bom gosto envolvido na sua elaboração. A australiana Sarah McKenzie se encaixa feito luva no segundo exemplo, como prova com veemência seu quarto CD, Paris In The Rain, que acaba de sair no Brasil via Universal Music. Um banho de bom gosto e adorável dèja vú.

Com 28 anos de idade, esta bela loirinha tem forte formação acadêmica em artes, com direito a graduação na West Australian Academy Of Performing Arts (onde Hugh Jackman e Lisa McCune, entre outros, se graduaram também) e a célebre Berklee College Of Music americana. De quebra, participou como backing vocalist da turnê Call Me Irresponsible, do astro Michael Bublé, e fez apresentações em grandes festivais, entre os quais o de Montreux, na Suíça.

Ela lançou dois álbuns na Austrália, Don’t Tempt Me (2011) e Close Your Eyes (2012), até que foi contratada pelo célebre selo jazzístico Impulse! (hoje pertencente ao conglomerado Universal Music), no qual estreou com o CD We Could Be Lovers (2015). A produção do novo trabalho ficou a cargo e Jay Newland e Brian Bacchus, este último conhecido por atuar com Norah Jones e Gregory Porter, entre outros.

Ao contrário de outras estrelas recentes ligadas ao jazz, como Norah Jones, Sarah McKenzie não flerta com sonoridades distantes do gênero musical que decidiu abraçar. Paris In The Rain não traz elementos de rock, música eletrônica, soul ou rap, concentrando-se em uma musicalidade ligada à tradição dos standards americanos, repleta de elegância, melodias apuradas e arranjos sempre repletos de sutilezas extremamente agradáveis de serem apreciadas.

O repertório de 13 canções se divide entre clássicos do porte de Tea For Two (Vincente Youmans/Irving Caesar), Day In Day Out (Rube Bloom/Johnny Mercer), Triste (do nosso Tom Jobim) e I’m Old Fashioned (Jerome Kern/Johnny Mercer) e cinco ótimas composições da própria McKenzie, entre as quais a faixa-título do CD, One Jealous Moon e a instrumental Road Chops.

Com uma voz suave e melodiosa e uma execução segura e fluente no piano, ela é acompanhada por músicos talentosos e virtuosos, entre os quais o violonista brasileiro Romero Lubambo, que marca presença com estilo em Triste e In The Name Of Love (Kenny Rankin/Levitt Estelle). Vale lembrar que todos os belíssimos arranjos das músicas foram assinadas pela própria Sarah, o que dá uma ideia do porte de seu talento.

Paris In The Rain não equivale a uma revolução no cenário jazzístico e tem aquele tempero de “já ouvi isso e sei onde”, mas é delicioso de se ouvir, ainda mais em um tempo no qual o marketing parece dar as cartas em detrimento da consistência musical. Aqui, quem manda são as melodias, as harmonias, a emoção. Vale lembrar que a artista esteve em agosto no Brasil, participando da inauguração do Blue Note Rio.

Paris In The Rain– Sarah McKenzie:

MarceloMarcelino demonstra fôlego em sua carreira solo

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Por Fabian Chacur

Em 1997, Marcelo Marcelino iniciava a sua trajetória no cenário do rock nacional. Após integrar as bandas Sem Destino (de 1997 a 2004) e Madrenegra (de 2011 a 2016), com as quais lançou bons álbuns e participou de festivais importantes, ele agora inicia uma carreira solo que parece das mais promissoras, se levarmos em conta o conteúdo do trabalho de estreia dessa nova fase de sua trajetória, o álbum Marcelo Marcelino, disponível em CD e no formato digital.

Oriundo do Jardim Ingá, distrito da cidade goiana de Luziânia, situada no entorno do Distrito Federal, este cantor, compositor e músico destoa de boa parte da produção atual da música brasileira. Em primeiro lugar pelo texto de suas canções, repleto de consistência, inspiração literária e uma preocupação nítida em abordar temas relevantes, como amizade, amor, esperança, paz, combate ao preconceito e aos “poderosos trajando terno e gravata” que afligem as nossas vidas.

O que faz a força de Marcelino enquanto trovador rocker é que ele canta, com vozeirão potente e se valendo de ótima dicção, com a determinação de quem acredita em cada palavra presente em suas letras. Não, aqui não temos um desses oportunistas da canção que “cantam o que o povo quer ouvir”; nosso amigo goiano “canta o que o povo precisa ouvir”. Suas inspirações nesse setor são claras: Raul Seixas, Zé Ramalho, Bob Dylan, Bob Marley, John Lennon, gente desse gabarito.

Valendo-se de uma sonoridade próxima do folk rock, Marcelino se alterna entre violão, baixo, bandolim, ukulele e kazoo. Neste álbum, gravado no Electro Sound Studio, em Santos (SP), ele conta com o apoio de André Pinguim (bateria, ex-Charlie Brown Jr.), André Freitas (guitarra, produção, masterização e mixagem) e Maru Monhawk (teclados). Outro ex-Charlie Brown Jr, Marcão Britto, faz um endiabrado solo de guitarra em Jeito Estranho.

Nas 14 faixas do álbum (sendo uma delas, Alguma Poesia, composta por versos declamados a capella), Marcelino nos apresenta urgência, energia, sensibilidade e ótimas ideias. Os arranjos são simples e diretos, além de muito bem feitos e executados, sem tentar inventar a roda ou coisa do gênero. São rocks e baladas diretos, sem rodeios, interpretados com categoria e personalidade dignas deste artista de 43 anos de idade cronológica e energia de uns 20, se tanto.

As composições vão desde algumas dos tempos do Sem Destino até outras bem recentes, reunidas com forte unidade temática e sonora. Profecia de Mendigo, A Balada de Rosa e Montanha, Anjo Doido, Jeito Estranho, Puta Que Pariu Acontece Outra Vez (que inclui citação de Partido Alto, de Chico Buarque) e Meu Amigo Olha Só a Ironia são destaques, mas o álbum é bem coeso, sem pontos baixos.

O trabalho de Marcelo Marcelino é um tapa na cara com luva de pelica naqueles que desdenham da força do atual rock brasileiro. Pode não estar na grande mídia, mas está aí, à disposição de quem tiver paciência para procurar. Tomara que muitos descubram a voz, o carisma e a poesia deste ótimo artista, e que este seja o início de uma trajetória solo repleta de reconhecimento, sucesso e crescimento pessoal.

Ouça o álbum Marcelo Marcelino em streaming:

Yusuf/Cat Stevens cativa com o álbum The Laughing Apple

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Por Fabian Chacur

Cat Stevens iniciou sua carreira discográfica em 1967. Naquele mesmo período, no qual comemorou 19 anos de idade, ele lançou seus primeiros álbuns, Matthew & Son (março) e New Masters (dezembro). Muita coisa mudou desde então, incluindo o seu nome, que passou a ser Yusuf Islam, devido à sua conversão ao islamismo. Mas o talento musical se manteve firme, como prova seu novo CD, The Laughing Apple (Universal Music).

Na verdade, o novo trabalho deste genial cantor, compositor e músico britânico equivale a uma mistura entre o passado e o presente. Quatro faixas- I’m So Sleepy, Northern Wind (Death Of Billy The Kid), The Laughing Apple e Blackness Of The Night foram lançadas no LP New Masters, mas o autor nunca gostou do resultado rebuscado e recheado de sons orquestrais impostos pelo produtor Mike Hurst. Elas reaparecem aqui em novas gravações nas quais os arranjos são mais delicados e minimalistas, com um resultado muito melhor.

Outra faixa reciclada é Grandsons, lançada na coletânea The Very Best Of Cat Stevens (2000) com o título I’ve Got a Thing About Seeing My Grandson Grow Old e letra diferente. O resgate dessas canções explica o porque, pela primeira vez em sua carreira, o artista credita um álbum simultaneamente a Yusuf/Cat Stevens, pois as outras seis canções são da safra atual. Vale lembrar que ele ficou longe da música pop do fim dos anos 1970 até 2006, quando retornou com o excelente An Other Cup.

A sonoridade de The Laughing Apple remete à fase de maior repercussão da obra de Stevens/Yusuf, ocorrida na primeira metade da década de 1970. Não por acaso, o coprodutor do novo CD é o mesmo Paul Samwell-Smith daqueles tempos, assim como o guitarrista Alun Davies marca presença com sua forma marcante de tocar. O entrosamento entre eles continua impecável, assim como o deles com os outros músicos presentes no álbum.

Grave e doce como de praxe, a voz do artista conduz belas canções que misturam folk ocidental e oriental de várias épocas a pop e a um bocadinho de rock. Conciso, o conteúdo do álbum é passível de ser apreciado pelo ouvinte de forma tranquila e estimulante, sem cair em um possível clima modorrento típico de alguns artistas ditos folk atuais.

As canções de épocas diferentes se integraram de forma muito boa, sendo que dificilmente o leigo seria capaz de dizer quais são as dos anos 1960 e quais foram criadas neste século. See What Love Did To Me, You Can Do (Whatever), Don’t Blame Them e Blackness Of The Night são pontos altos de um trabalho no qual requinte, doçura e simplicidade convivem de forma harmoniosa e inspirada.

Esse belo conteúdo musical vem em uma embalagem (no formato CD, o analisado para esta resenha) simplesmente maravilhosa, prova de que o formato físico ainda se mostra muito mais completo para o apreciador da arte musical como um todo.

Com preciosos desenhos a cargo do próprio Yusuf, a capa digipack traz embutido encarte com as letras, ilustrações para cada canção e ficha técnica completa de cada faixa. The Laughing Apple equivale a uma viagem sensorial rumo a uma era de paz, sonho e encanto que talvez só exista nos cinzentos dias atuais durante a audição atenta de maravilhas como este CD. Menos mal. Sonhar é preciso.

You Can Do (Whatever)!– Yusuf/Cat Stevens:

Lia Sophia traz convidados de muita classe em seu novo CD

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Por Fabian Chacur

Conhecida nacionalmente graças à inclusão de algumas de suas gravações em trilhas de novelas e séries globais, Lia Sophia está com filhote novo na área. Trata-se do álbum Não Me Provoca, o quinto de sua carreira, no qual assina oito das onze faixas (sendo uma delas versão). Como agradáveis surpresas para os fãs, temos as participações especiais de dois grandes nomes da MPB, Ney Matogrosso e Paulinho Moska.

Gravado em Belém e no Rio de Janeiro, o novo trabalho da cantora e compositora nascida na Guiana Francesa e radicada desde os 17 anos em Belém (PA) conta com a produção musical de Pedro Luis, com direção artística a cargo dele, de Lia e também de Taísa Fernandes. A concepção musical da artista busca uma mistura das sonoridades da Amazônia com elementos sonoros mais universais, caindo em uma fusão original e com letras sobre temas atuais e significativos.

Ney marca presença em Ela, que também traz na guitarra Félix Robatto. Por sua vez, Moska não só canta com Lia como também toca o ronroco, um instrumento de origem andina que entrou na gravação por sugestão do próprio músico. Outro destaque do disco é Teu (Tuyo), versão da música de Rodrigo Amarantes que abre a série Narcos, da Netflix.

Teaser do novo CD de Lia Sophia:

Tears For Fears lança o álbum com seus hits e duas inéditas

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Por Fabian Chacur

Para quem ficou encantado com o show feito pelo Tears For Fears em setembro, no Rock in Rio, e gostaria de ter uma compilação com os maiores hits do duo britânico, boa notícia. Já está disponível nas plataformas digitais Rule The World: The Greatest Hits, cuja versão física chegará às lojas brasileiras no dia 8 de dezembro, via Universal Music.

Como tem sido praxe há muito tempo na indústria musical, esta nova compilação do grupo formado há 36 anos por Roland Orzabal e Curt Smith traz atrativos para os fãs casuais e também para quem coleciona tudo o que eles lançam. Quem se encaixa no segundo grupo deve saber que o álbum inclui duas faixas inéditas: a sacudida I Love You But I’m Lost e a mais introspectiva Stay, ambas bem interessantes.

Além das duas inéditas, a compilação tem como diferencial trazer pela primeira vez faixas representando todas as fases da banda, inclusive o período sem Curt Smith (Raoul And The Kings Of Spain, do álbum homônimo, de 1995) e o álbum do retorno Everybody Loves a Happy Ending (Closest Thing To Heaven,de 2004).

Eis a relação das faixas incluídas em Rule The World: 1. Everybody Wants To Rule The World / 2. Shout / 3. I Love You But I’m Lost / 4. Mad World / 5. Sowing The Seeds Of Love / 6. Advice For The Young At Heart / 7. Head Over Heels / 8. Woman In Chains / 9. Change / 10. Stay / 11. Pale Shelter / 12. Mothers Talk / 13. Break It Down Again / 14. I Believe / 15. Raoul And The Kings Of Spain / 16. Closest Thing To Heaven.

I Love You But I’m Lost– Tears For Fears:

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