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Matuto Moderno comemora 20 anos de estrada com shows

Matuto Moderno crédito Ulisses Matandos-400x

Por Fabian Chacur

Nada mais legal do que a miscigenação que marca o Brasil como país, especialmente em termos culturais. Na música, essa liberdade de misturar o tempo todo gerou frutos bem bacanas. O grupo Matuto Moderno exemplifica bem tal tendência, com sua fusão de música rural brasileira com a rebeldia e a energia crua do rock. Eles celebram 20 anos de carreira com shows em São Paulo de quinta a domingo (20 a 23), sempre ás 19h15, na Caixa Cultural São Paulo (Praça da Sé, nº 111- Centro- fone 0xx11-3321-4400), com entrada gratuita.

O Matuto Moderno tem como integrantes Ricardo Vignini (viola caipira), Zé Helder (viola caipira e vocal), Edson Fontes (vocal e catira), Marcelo Berzotti (baixo e vocal), André Rass (percussão) e Carlinhos Ferreira (percussão). Com cinco CDs lançados, eles provaram que viola caipira, catira e congado podem perfeitamente ser temperados com poderosos riffs roqueiros sem desvirtuar nenhuma dessas vertentes sonoras. O público conquistado, dos maiores, prova o acerto.

Nos shows em São Paulo, o grupo contará com as participações especiais do percussionista Carlinhos Ferreira e de um dos nomes mais criativos da música paulista. Trata-se do cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista André Abujamra, conhecidos por seus trabalhos com os grupos Os Mulheres Negras e Karnak. Ele, inclusive, tem uma música sua, em parceria com Ricardo Vignini, gravada pelo Matuto, a ótima Topada, do CD Matuto Moderno 5 (2013).

No repertório das apresentações, serão incluídas faixas extraídas de todos os álbuns da banda, entre elas Manacá, Curva de Rio, Topada e Ecologia Brasileira, além de algumas de André Abujamra, entre as quais Juvenar e Milho. Também serão realizadas homenagens aos saudosos Índio Cachoeira, Inezita Barroso e Pena Branca.

Curva de Rio (ao vivo)- Matuto Moderno:

Marcos Bowie: dos bastidores ao centro dos holofotes enfim

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Por Fabian Chacur

Com mais de 20 anos de carreira, o cantor e músico Marcos Bowie é figurinha carimbada do cenário paulistano da música. Nesse tempo todo, tocou com Karnak, Orquestra Paulista de Soul, Nazi & Os Irmãos do Blues e The Central Scrutinizer Band, além de participar de gravações de Pato Fu, Zeca Baleira etc. Já estava na hora de dar a sua cara a bater em versão solo.

Lógico que existem excelentes sidemen no cenário musical que nunca investem em carreiras individuais. Nada contra. Mas que é legal ver alguns deles arriscando sair dos bastidores das bandas de apoio e gravações para encarara os holofotes, isso é. E Marcos Bowie acaba de fazer isso em Bom Como Beber Água, seu primeiro CD solo. Belo gesto!

Embora toque trompete em duas das onze faixas do CD, Marcos Bowie concentra seu poder de fogo na função de cantor. Todas as músicas são de outros autores, incluindo feras como André Abujamra, Maurício Pereira, Os Mulheres Negras (a dupla formada pelos dois citados), Lenine, Fernando Salem, Fernando Figueiredo, Kleber Albuquerque e Sandra Myazawa.

O estreante como artista solo define o seu universo temático como o do amor, mas indo além do mero romantismo e das relações afetivas amorosas, avançando rumo a todas as vertentes que esse sentimento possui: amor a vida, amor próprio, aos entes queridos etc. Tudo abordado com a sensibilidade que nem sempre é bem vista nos homens por puro preconceito idiota e machista.

A produção de Bom Como Beber Água ficou a cargo de André Abujamra, que dá um banho de versatilidade e bom gosto, indo desde arranjos eletrônicos com puro teor pop até momentos quase sinfônicos, no melhor estilo voz + cordas. O resultado é um álbum extremamente sofisticado, que vai do introspectivo ao dançante em questão de minutos, mas sempre com categoria e bom senso, sem cair em “cabecices” herméticas.

Marcos Bowie se mostra um intérprete de voz ao mesmo tempo forte e doce, conduzindo cada canções com uma teatralidade sem exageros e bastante original. Ele extrai de cada composição as suas essências, soando ousado. Não por acaso, o álbum começa e termina com canções que tem o mar como temática, respectivamente Pescador e Pedra e Areia. Nesta última, temos uma arrepiante interpretação a capella, tendo como fundo sons marítimos. Viajante!

A fusão reggae/percussão de Vapor, a introspecção da divina Common Uncommunicability, a balançada e eletrônica Florida, as delicadas e quase sinfônicas Deus, Colar de Prata e Nome das Coisas e a deliciosamente pop e dançante Me Love Me equivalem a momentos bacanas de um CD repleto de boas surpresas em seus acordes e melodias.

Se sempre demonstrou muito talento para abrilhantar projetos alheios, desta vez Marcos Bowie prova que também sabe ser protagonista, e dos bons. Se fosse ator, certamente acabaria concorrendo tanto ao Oscar de ator coadjuvante como o de ator principal, pois se vira bem nas duas. Bom Como Beber Água é um disco pop inteligente e sofisticado feito por um cantor preparado para ocupar o centro das atenções.

Vapor (ao vivo)- Marcos Bowie:

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