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O premiado produtor musical que resgatou astros da MPB

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Por Fabian Chacur

Thiago Marques Luiz contribui para manter viva a memória musical brasileira produzindo discos e shows de artistas veteranos da MPB

Há 15 anos, o jornalista Thiago Marques Luiz teve a oportunidade de se envolver pela primeira vez na produção de um CD. Seria o início de uma trajetória intensa e repleta de momentos importantes. Trabalhos nos quais a frase “disco é cultura”, imprimida nos discos brasileiros nos anos 1970, seria mais do que justa e merecida para adjetiva-los.

Com um currículo incluindo perto de 100 CDs, sem contar inúmeros shows, o produtor se notabilizou por trabalhar com artistas veteranos, aos quais deu o tratamento nobre e atencioso que os mesmos mereciam. Ele ajuda a dar a esses mestres as flores em vida!

Em entrevista por e-mail a Mondo Pop, Thiago dá detalhes sobre seus trabalhos com feras do porte de Angela Maria, Cauby Peixoto, Wanderléa, Claudette Soares e outros deste mesmo gabarito. Um jovem para o qual a infeliz frase “esse artista não é do meu tempo” nunca sequer esteve em seu vocabulário.

Mondo Pop- Para começar, fale um pouco sobre a sua formação, onde estudou, onde trabalhou etc. Você toca algum instrumento, compõe, escreve letras?
Thiago Marques Luiz-
Eu sou jornalista de formação profissional, mas logo que me formei fui trabalhar com produção. Isso faz 15 anos. Não sou músico e não componho; meu trabalho como produtor musical está mais ligado a direção artística.

Mondo Pop- Quais são as suas primeiras recordações musicais, e como se desenvolveu o processo de a música se tornar uma prioridade em sua vida profissional e pessoal?
Thiago Marques Luiz
– Nasci numa casa musical, com muitos discos e muita referência dos cantores populares brasileiros. Logo me tornei um apaixonado colecionador e curioso da nossa música.

Mondo Pop- O que você ouvia quando era criança/adolescente?
Thiago Marques Luiz
– Meus ídolos de criança eram Roberto Carlos e Clara Nunes.

Mondo Pop- Quando e por que você decidiu se tornar produtor musical?
Thiago Marques Luiz
– Em 2002, formei-me jornalista e logo tive a oportunidade de trabalhar como auxiliar de produção do disco que comemorou os 50 anos de carreira da diva Angela Maria. Essa ponte foi feita por uma amiga que sabia da minha paixão por música e, principalmente, cantores veteranos.

Mondo Pop- Como surgiu a ideia de concentrar o seu trabalho em artistas veteranos? E como foi sua aproximação com eles? Houve algum tipo de problema nessa aproximação, do tipo “você não se acha muito novo para nos produzir?”, coisas desse tipo?
Thiago Marques Luiz
– Na realidade, a vida foi me encaminhando pra isso a partir do trabalho com Angela Maria. A partir dela, comecei a fazer um resgate de grandes ídolos que nunca deixaram de atuar, mas que ficaram muitos anos sem gravar disco. Isso ocorreu com Wanderléa, Cauby Peixoto, Maria Alcina, Amelinha, Claudette Soares e outros.

Mondo Pop- Fale sobre como foi o primeiro trabalho, show ou disco, que você produziu, que tipo de recordações você tem desse momento inicial de sua trajetória como produtor.
Thiago Marques Luiz
– O “Disco de Ouro”, que Angela Maria gravou pela Lua Discos em 2003. Aos 24 anos eu me vi dentro de um estúdio sugerindo músicas e compositores pra maior cantora do Brasil. Foi um presente que a vida tão cedo me deu.

Mondo Pop- Quantos trabalhos você produziu até hoje, e de quais artistas?
Thiago Marques Luiz
– Quase 100 discos, inclusive de shows que foram concebidos e dirigidos por mim e transformados em álbum, assim como também grandes homenagens a ídolos expressivos do nosso cancioneiro popular, principalmente na ocasião da celebração de seus centenários (Gonzagão, Adoniran Barbosa, Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho, Herivelto Martins e, mais recentemente, Dalva de Oliveira. )

Mondo Pop- Faça um top 5 dos trabalhos produzidos por você que considere os mais importantes, e dê uma pequena justificativa de cada escolha.
Thiago Marques Luiz
– Vamos lá:
100 anos de Adoniran Barbosa (2010)– Mais de 30 grandes artistas de varias gerações, de Arnaldo Antunes a Jair Rodrigues, em gravações inéditas. Com esse disco ganhei o meu primeiro Prêmio da Música Brasileira.
Angela e Cauby – Reencontro (2013)– Foi um grande desafio produzir um álbum dos dois maiores ícones da era de ouro do Rádio.
Maria Alcina – De Normal Bastam os Outros (2013)– Disco que comemorou os 40 anos de carreira dessa grande artista com músicas inéditas de Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, Karina Buhr e participação especial de Ney Matogrosso.
Maysa – Esta Chama Que Não Vai Passar (2007)– Meu primeiro trabalho de grande repercussão na mídia. Gravações inéditas de 20 super intérpretes, incluindo Bibi Ferreira e Maria Bethânia.
Alaíde Costa e Claudette Soares – 60 anos de Bossa Nova (2018)– O primeiro disco em duo de dois ícones da Bossa Nova, que foram as responsáveis por trazer o movimento musical para São Paulo.

Mondo Pop- Com quem você ainda não trabalhou que gostaria de poder trabalhar?
Thiago Marques Luiz
– Tantos artistas… Lamento por não ter produzido o Emilio Santiago. Tínhamos uma ideia de fazer um tributo a Agostinho dos Santos.

Mondo Pop- Desde sempre, dizem que o Brasil é um país sem memória. Você acha que, com o seu trabalho, contribuiu para reduzir um pouco isso, ajudando a atrair a atenção para artistas do primeiro time que estavam um pouco esquecidos?
Thiago Marques Luiz
– O público tem memória! É a grande mídia que esquece e substitui os artistas.

Mondo Pop- Se tiver mais alguma coisa que gostaria de ressaltar quanto à sua trajetória, Thiago, fique à vontade, e obrigado desde já por topar fazer essa entrevista!
Thiago Marques Luiz
– Quero informar aos seus leitores que os meus dois próximos projetos a serem lançados no final do ano serão tributos a Luiz Vieira e Inezita Barroso.

Ouça 60 Anos de Bossa Nova, com Claudette Soares e Alaíde Costa:

Angela Maria, um marco para os fãs da música brasileira

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Por Fabian Chacur

Angela Maria entrou no meu universo de fã de música lá pelos idos de 1977. Vá Mas Volte, composição do saudoso Wando e gravada por ela, entrou na trilha sonora da novela global Duas Vidas, e não demorou para se transformar em um monstruoso sucesso nacional. Uma dessas baladas matadoras, mereceu uma interpretação que mistura precisão e muita emoção, dando à intérprete a chance de conquistar novos fãs.

Esse verdadeiro ícone da canção brasileira nos deixou neste sábado (29) em São Paulo, aos 89 anos, e felizmente teve a chance de receber as flores em vida. Ela estava internada há 34 dias, e foi vítima de uma infecção generalizada. Seu mais recente álbum saiu em 2017, o elogiado Angela Maria e as Canções de Roberto & Erasmo, e em 2015 o jornalista Rodrigo Faour lançou Angela Maria, a Eterna Cantora do Brasil, uma biografia caudalosa e à altura da artista enfocada.

Nascida em 13 de maio de 1929 com o nome de batismo Abelim Maria da Cunha, a cantora iniciou sua carreira contra o desejo de seus familiares, e foi por isso que, em 1947, adotou o nome artístico Angela Maria, como forma de não ser percebida por eles. Mas com tanto talento, isso um dia teria de acabar. Como deixar aquela pequena e bela intérprete longe dos holofotes?

Angela foi uma das últimas grandes estrelas da chamada era do rádio, e a partir do lançamento de seu primeiro disco, em 1951, logo conquistou um verdadeiro séquito de fãs. Entre eles, estava o então presidente Getúlio Vargas, que deu a ela o apelido de Sapoti, que a acompanhou durante toda a sua longa e bem aproveitada vida.

Com um vozeirão de timbre extremamente agradável de se ouvir, ela emplacou sucessos como Babalu, a já citada Vá Mas Volte, Gente Humilde e uma dezena de outros. Ao contrário de várias colegas de geração, ela sempre soube se renovar, mantendo dessa forma uma popularidade suficiente para sempre atrair as atenções de imprensa, TV e rádio.

Citada como influência por artistas como Elis Regina, Milton Nascimento e Ney Matogrosso, só para citar alguns, Angela Maria teve boas parcerias com Cauby Peixoto e Agnaldo Timóteo, sendo que ela se mostrou decisiva para impulsionar a carreira artística deste último. Romântica até a medula, mas sem nunca perder a classe, ela se tornou um verdadeiro mito da canção brasileira.

Angela Maria era uma das últimas representantes da era do rádio ainda entre nós, e soube se manter durante todos esses anos na ativa, com muita dignidade e qualidade artística. Um verdadeiro exemplo para as novas gerações de cantoras. Mais uma perda difícil de assimilar para um país que tem vivido tantas dificuldades. Descanse em paz, Sapoti!

Vá Mas Volte-Angela Maria:

Marcio Gomes faz show com a estrela Angela Maria no RJ

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Por Fabian Chacur

O jovem cantor Marcio Gomes está conseguindo ótima repercussão há um ano e meio com o show Eternas Canções, no qual resgata grandes clássicos da música brasileira e mundial de outras eras, quando o vozeirão era imperativo para se fazer sucesso. Ele volta ao Rio de Janeiro para show nesta quarta-feira (19) às 16h no Imperator (rua Dias da Cruz, 170- Meier), com ingressos a R$ 40,00 e R$ 20,00. Ele terá a participação especialíssima da eterna diva Angela Maria.

O show coincide com o lançamento em CD de Eternas Canções. Produzido pelo talentoso Thiago Marques Luiz, o repertório vai de Luiz Vieira a Charles Chaplin, investindo em boleros, tangos, canções italianas, portuguesas e standards americanos. Angela também participa do álbum, cantando com Gomes Ave Maria No Morro e Adeus Querido.

Entre outras canções marcantes, estão no disco Tortura de Amor (Waldick Soriano), Nossa Canção (Luiz Ayrão e sucesso na voz de Roberto Carlos) e Luzes da Ribalta, esta última do brilhante cineasta e também eventualmente compositor de mão cheia. Nelas, Márcio Gomes solta seu vozeirão à moda antiga, arrebatando os fãs.

Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda– Marcio Gomes:

A Noite do Meu Bem– Angela Maria e Marcio Gomes:

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