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Os Caras e Carol mostram a força do novo pop-rock feito no Brasil

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Por Fabian Chacur

Para aqueles que insistem em dizer que o rock morreu, e que o rock brasileiro morreu ainda mais, vale conferir o trabalho de várias bandas da nova geração. Entre elas, certamente deve ser incluída Os Caras e Carol, quarteto carioca com quatro anos de estrada e cujo primeiro álbum, Coisas da Vida, já está disponível nas plataformas digitais pela Universal Music. Formatos físicos devem vir na sequência, para felicidade de quem prefere ouvir música assim.

Formada por Carolina Coutinho (vocal), Leonardo Maciel (baixo), João Loroza (guitarra) e Ruvício Santos (bateria), o grupo investe em um pop-rock vigoroso, com direito a letras incisivas e poéticas e uma sonoridade que remete a influências das décadas de 1970 e 1980. Além de consistente repertório próprio, também releem canções alheias em seus shows. Uma delas, You Don’t Know Me, de Caetano Veloso, integra o álbum Coisas da Vida.

Em entrevista feita por telefone no esquema viva-voz, Mondo Pop buscou saber um pouco mais sobre essa promissora formação do pop-rock brazuca do século XXI, mais uma prova de que, sim habemus rock do bom de novas safras. O grupo se prepara para tocar em um novo espaço, a Highway Stage, no Rock in Rio, nos dias 27, 28 e 29 deste mês e 3,4 e 5 de outubro.

MONDO POP- Como surgiu o grupo, e como se deu o seu direcionamento em termos musicais?
CAROLINA COUTINHO
– A gente se conheceu na Escola de Atores Wolf Maya, no Rio, em 2015. No início, queríamos montar um musical, mas logo percebemos que seria mais lógico montar uma banda. Cada um de nós tem influências próprias, mas quando começamos a tocar juntos, o pop-rock surgiu como um idioma comum a ser explorado.
LEONARDO MACIEL– Nossas referências musicais tem a ver com os anos 1970 e 1980, e até um pouco dos anos 1960, de bandas como Fleetwood Mac, Beatles, Paralamas do Sucesso, Frejat, Queen e o rock clássico. O rock surgiu para nós durante os ensaios, e vimos que o pop-rock é a nossa cara enquanto banda.

MONDO POP- Porque vocês assinaram com uma grande gravadora, em um momento no qual muitos artistas tem optado pela via independente, e o que acham dessa coisa de “o rock morreu” que alguns tentam impor ao público?
CAROLINA COUTINHO
– Nossa história com a Universal Music começou há um ano e meio, quando começamos a nos estruturar, após um início independente com a música Cabelo (veja o clipe aqui). É uma experiência diferente, a Universal Music está nos dando um apoio muito bom. Dizem que o rock morreu, mas tem muita gente boa fazendo pop-rock no Brasil, é um segmento que está crescendo. A música é cíclica, a cena musical é cíclica, as coisas vão e voltam.

MONDO POP- A música O Que Será de Nós? tem uma letra muito afinada com o que vivemos atualmente no Brasil e no mundo, um tempo de dúvidas e de muita insegurança. Falem um pouco de como surgiu essa canção tão forte.
CAROLINA COUTINHO
– O que me assusta em relação a O Que Será de Nós? é que naquele instante de 2016, quando a compusemos, eu sentia aquilo, mas era o registro de um momento particular. Desde então, parece que toda hora acontece algo novo que nos leva a reforçar essa questão de como será o nosso futuro, de como será o futuro de todas as pessoas.
JOÃO LOROZA– Tem a ver com falar de angústias de um país recente, tipo Que País É Esse, da Legião Urbana.

MONDO POP- Existe uma diferença de aproximadamente sete anos entre Carolina, Leonardo e Ruvício e João, diferença bastante grande se levarmos em conta a faixa etária de vocês, entre 19 e 25 anos. Como rolou essa parceria?
CAROLINA COUTINHO
– Idade é apenas um rótulo, nossa amizade vai além disso. O João entrou na banda quando tinha apenas 15 anos, e isso nunca atrapalhou nada, pelo contrário. Essas diferenças de idade nos completam, pois cada um tem as suas referências.

MONDO POP- Como surgiu a ideia de regravar You Don’t Know Me, do Caetano Veloso (faixa do álbum Transa, de 1972)? Vocês cantam outras composições alheias em shows?
CAROLINA COUTINHO
– Essa música entrou em nosso repertório logo em nossos primeiros shows. Cada um de nós se identificou com uma parte específica da música. O legal é que o Caetano aprovou essa nossa releitura. Em nossos shows normais, também tocamos Kiwi, do Harry Stiles (do grupo One Direction) e Old Town Road, do rapper Lil Nas X.

MONDO POP- Como surgiu o convite para tocar no Rock In Rio, e como serão essas suas apresentações?
CAROLINA COUTINHO
– A confirmação da nossa entrada no festival foi quando eu já tinha até comprado ingresso para o festival! Será em um espaço novo no evento, que ficará logo na entrada. Tocaremos músicas dos anos 1960,1970 e 1980, além das nossas. Será um set list criado especialmente para esse evento, que estamos ensaiando há meses, com músicas de Pink Floyd, Creedence Clearwater Revival, Rita Lee, Paralamas do Sucesso e outros, em quatro sets de 30 a 40 minutos cada, por dia.

MONDO POP- João, qual o seu parentesco com o consagrado ator,cantor, compositor e humorista Serjão Loroza? Perdoe a minha ignorância, mas não encontrei a resposta para essa dúvida nas pesquisas que fiz.
JOÃO LOROZA
– Eu sou filho do cara! (risos)

MONDO POP- Coisas da Vida está sendo lançado inicialmente apenas no formato digital. Como vocês encaram essa questão dos formatos físicos e digitais? Acham importante lançar também em CD e LP de vinil esse álbum?
LEONARDO MACIEL
– Achamos importante ter o formato físico também, pois nem todos tem acesso ao digital. Tocar nossas músicas em rádio também é importante, é legal ter esse diálogo entre os diversos formatos, pois dessa forma você consegue atingir públicos diferentes. Pretendemos lançar em CD promocional e possivelmente em vinil.

MONDO POP- Como foi a concepção do álbum, que traz sete faixas próprias, a releitura do Caetano e um remix (de Cabelo)?
LEONARDO MACIEL
– Gravamos essas músicas em etapas. Inicialmente, nossa ideia era fazer um EP, mas o projeto se expandiu até chegar ao formato definitivo, com essas nove faixas.

MONDO POP- Em shows, vocês tem músicos adicionais?
CAROLINA COUTINHO
– Sim. Tocam conosco o Mauricio Pacheco (guitarra) e o Rodrigo Braga (teclados).

MONDO POP- Quais seus próximos projetos?
LEONARDO MACIEL
– Estamos lançando um novo clipe de outra faixa do álbum, a música Até Amanhã (veja aqui). Depois do Rock in Rio, continuaremos a divulgar o álbum, com shows próprios.

O Que Será de Nós? (clipe)- Os Caras e Carol:

Bryan Ferry completa 70 anos com a classe que é sua marca

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Por Fabian Chacur

Neste sábado (26), um dos grandes estilistas do rock completará 70 anos. Só para variar, com a classe de sempre. Bryan Ferry se encontra atualmente em turnê de divulgação de seu mais recente álbum, o ótimo Avonmore (2014), e soprará as velinhas entre um show e outro na Alemanha. Eis um cara que merece ser louvado por quem gosta de música boa e inventiva. Mesmo!

Nascido em 26 de setembro de 1945, Ferry se dividiu entre a música e a graduação em artes, que em seguida lhe proporcionou a oportunidade de dar aulas. A partir de 1970, porém, ficou claro que sua opção pelo caminho musical era inevitável, e depois de ter integrado pequenos grupos como The Banshees, fundou a banda que lhe tornou mundialmente famoso, a Roxy Music.

Desde o início, esse grande cantor, compositor e músico britânico deixou claro que sua visão de arte e moda também integraria o pacote musical criado por si próprio. Ele incorporou uma elegância e um estilo marcante aos shows de seu grupo, e também trouxe esse refinamento às capas de seus álbuns, estrelados por famosas e lindas modelos com as quais também namorou, entre as quais Amanda Lear e Jerry Hall.

Em termos musicais, o som de Bryan Ferry se caracteriza por um mergulho criativo e personalizado nos universos do glam rock, da black music americana em suas várias vertentes (soul, jazz, disco music, funk) e do pop, com um bom gosto simplesmente absurdo. Romântico, sim, brega, nem em pensamento. Tudo pontuado por sua voz de crooner das antigas, explorada com uma classe e uma categoria reservada a poucos cantores na história do pop.

Com o Roxy Music, lançou álbuns absurdamente bons e influentes, entre os quais Roxy Music (1972), For Your Pleasure (1973), Siren (1976), Manifesto (1979) e Avalon (1982), inspiradores para gente como Nile Rodgers (do grupo Chic), David Bowie, Duran Duran e tantos outros.

Na carreira solo, Bryan Ferry sabe mesclar como poucos a releitura de clássicos de várias eras do pop, desde os standards do jazz americano do tipo These Foolish Things, passando por soul, doo-wop, rock e muito mais, até uma obra autoral capaz de nos proporcionar sons climáticos, envolventes e nos quais o ouvinte é levado a viagens deliciosas pelos meandros do amor, da paixão e dos estados elevados da alma.

Da trajetória individual, também não são poucos os trabalhos recomendáveis, como These Foolish Things (1973), Boys And Girls (1985), Taxi (1993), Frantic (2002) e Olympia (2010). De quebra, o cara sempre soube se cercar de grandes músicos nesses trabalhos, gente com o currículo de Nile Rodgers, Robin Trower, Chris Spedding, Gregg Phillinganes, Nathan East e David Gilmour, além dos colegas de Roxy Music Phil Manzanera, Andy MacKay e Paul Thompson.

Tive a chance de entrevistar Bryan Ferry lá pelos idos de 1995, quando ele veio ao Brasil para shows pela primeira vez, e o vi ao vivo naquela mesma época e também em 2003, em apresentações históricas e repletas de vigor e categoria. Se você é fã e conhece a obra de Mr. Ferry, comemore comigo. Se não é, faça um favor a si mesmo: mergulhe em sua obra e tente não se apaixonar por ela. Pessoas de bom gosto não escapam incólumes dessa experiência.

Smoke Gets In Your Eyes– Bryan Ferry:

The ‘In’ Crowd– Bryan Ferry:

Let’s Stick Together– Bryan Ferry :

The Right Stuff – Bryan Ferry :

N.Y.C. – Bryan Ferry :

You Can Dance– Bryan Ferry :

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