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Barão Vermelho faz show em SP para apresentar seu álbum Viva

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Por Fabian Chacur

Desde que o Barão Vermelho lançou seu mais recente CD de inéditas, em 2004, muita coisa mudou. Roberto Frejat e Rodrigo Santos saíram do time, que recebeu como reforço o cantor, compositor e guitarrista Rodrigo Suricato. Além disso, o tecladista e compositor Maurício Barros, membro fundador do grupo que saiu em 1988 mas que na prática sempre se manteve por perto, em shows e assinando músicas, voltou de vez. A seu lado, outro criador do grupo, o baterista Guto Goffi, e o guitarrista Fernando Magalhães, há mais de 30 anos no time.

É com essa nova escalação e repleta de energia que a seminal banda carioca lança Viva, trabalho composto apenas por composições dos atuais integrantes do time. A primeira amostra, o visceral single A Solidão Te Engole Vivo, saiu no final de 2018. Agora, é a vez do o produto completo, já disponível nas plataformas digitais e em breve também em CD e possivelmente vinil.

E é para mostrar faixas desse trabalho e também dar uma geral em seus principais hits que o Barão Vermelho versão 2019 volta a São Paulo para show neste sábado (24) às 22h na Casa Natura (rua Artur de Azevedo, nº 2.134- Pinheiros- fone 0xx11-3031-4143), com ingressos custando de R$ 40,00 a R$ 200,00. Entre as novas, destaque para Eu Nunca Estou Só, que no álbum conta com a participação do rapper BK, e a já citada A Solidão Te Engole Vivo.

Leia entrevista com Fernando Magalhães aqui.

Leia entrevista com Rodrigo Suricato aqui.

Eu Nunca Estou Só (clipe)- Barão Vermelho e BK:

Suricato se torna banda de um cara só em Na Mão As Flores

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Por Fabian Chacur

Rodrigo Suricato construiu nos últimos dez anos uma carreira repleta de acontecimentos bacanas. Entre eles, figura o projeto Suricato, que ganhou fama nacional em 2014 ao participar do reality show musical global Superstars. O cantor, compositor e multi-instrumentista carioca está lançando o terceiro álbum de sua carreira, Na Mão As Flores, que estará disponível nas plataformas digitais nesta sexta (26) e posteriormente em CD e (possivelmente) vinil.

Desta vez, Suricato se virou sozinho, tocando todos os instrumentos e produzindo o álbum, cujo lançamento está sendo feito pela Universal Music. Além de se preparar para os shows que divulgarão o álbum, ele também está em vias de lançar seu primeiro álbum como vocalista e guitarrista do Barão Vermelho (leia entrevista com a banda aqui), grupo que integra desde 2017.

Em entrevista a Mondo Pop, Suricato fala sobre seu novo álbum, o Barão Vermelho, as experiências ao lado de nomes como Zélia Duncan, Ana Carolina e Fito Páes e outros detalhes interessantes de uma carreira intensa.

MONDO POP- Na Mão as Flores, seu novo álbum, está creditado a Suricato, embora desta vez tenha sido gravado de forma totalmente individual. Por que você não assinou como Rodrigo Suricato, ressaltando esse lado solo?
RODRIGO SURICATO
– Suricato é o nome de um projeto com fases distintas, sendo que 12 músicos já participaram dele, até o momento. E agora eu vi que precisava me resguardar, quis experimentar fazer sozinho, misturar o folk com música eletrônica. É o melhor disco que já fiz, é um disco para todos, para cantar no Maracanã, busco atingir o outro, agradar as pessoas.

MONDO POP- A faixa título, Na Mão As Flores, fala sobre as contradições do ser humano, com versos como ” O pior de mim está na mesma mão que trago flores pra você”. Fale um pouco sobre essa canção.
RODRIGO SURICATO
– Essa é uma das frases mais sinceras, é reconhecer você como um todo, amar a si mesmo e não negar o seu pior lado. Deus e o diabo tomam chopp no mesmo bar. Todos erram. Fiz um disco para me curar, sobre mim, mas para todas as pessoas, que podem se identificar com as músicas.

MONDO POP- Você investe na carreira-solo ao mesmo tempo em que gravou recentemente com Zélia Duncan e Ana Carolina e está gravando um álbum como vocalista e guitarrista do Barão Vermelho. Como é conciliar todos esses trabalhos, e o que te leva a fazer isso?
RODRIGO SURICATO
– Sou muito apaixonado por música, no lado mais amplo disso. Sou um músico e me tornei compositor. Trabalhei com muitos artistas, aprendi muito com eles. Meu trabalho não começa e não termina no palco, sou muito abrangente, e sinto prazer igual em tudo o que faço.

MONDO POP- O seu álbum tem uma releitura de Como Nossos Pais, do Belchior. Como surgiu a ideia de dar uma nova roupagem a uma música que já teve inúmeras gravações nesses anos todos?
RODRIGO SURICATO
– Essa música já fazia parte do repertório dos meus shows. O Belchior era fã de blues, eu também sou. Tive a coragem de cometer essa versão, de colocar a minha assinatura nela. Gosto também de ser intérprete, mas não fazendo apenas um cover. Gosto de interpretar de uma forma pessoal e própria, da mesma forma que Cássia Eller e Maria Bethânia, por exemplo, “suricateando”, como gosto de dizer.

MONDO POP- Como está sendo ser integrante do Barão Vermelho, e o que você pode nos adiantar sobre esse novo álbum da banda?
RODRIGO SURICATO
– Quando entrei no Barão, nunca pensei em tentar imitar o Cazuza ou o Frejat. Sou o Rodrigo Suricato no Barão, pensando no futuro. Lançaremos um disco de inéditas em agosto, com nove canções, sendo cinco minhas. Quanto entrei no grupo, já tinha ganho um Grammy Latino, havia participado do Lollapalooza. Não deixou de ser um desafio, mas sei que o jogo se ganha no campo, e é o que estou fazendo.

MONDO POP- Na Mão As Flores está saindo inicialmente só no formato digital. Como você encara os formatos físicos musicais?
RODRIGO SURICATO
– Acho natural o fim dos formatos físicos, com a facilidade que o digital chega às pessoas, às lojas virtuais, às plataformas. Por teimosia eu vou fazer um formato físico, o CD, pois acho importante para ter nos shows. Possivelmente, faremos também vinil. O digital é como se fosse um shot de tequila, você toma de uma vez. Ouvir vinil é mais comparável a degustar um vinho. Adoraria que o meu álbum desse a chance de cada um ouvi-lo no formato que achar o mais conveniente para ele.

MONDO POP- Fale um pouco como foi o processo de gravação do álbum, e de como a faixa Tatua acabou tendo duas versões diferentes.
RODRIGO SURICATO
– Cada música teve até seis ou sete versões diferentes, experimentei bastante. Tatua surgiu da minha busca por uma frase para tatuar, e virou canção. Música é um pouco ocasião, e essa música serve como exemplo de como se valer de duas leituras diferentes para uma mesma composição.

MONDO POP- Você disse que fará a turnê de divulgação de Na Mão As Flores totalmente sozinho no palco. Como será? Terá um pouco a ver com o estilo do Ed Sheeran?
RODRIGO SURICATO
– Estou desenvolvendo essa sonoridade há quatro anos, totalmente autossuficiente. Sou um multi-instrumentista ao meu dispor. Tudo o que o meu show não será é “violão e voz”, terá um formato inovador que, garanto, ninguém faz no Brasil. Vou viajar com quatro pessoas encarregadas da parte técnica para entregar um espetáculo totalmente profissional.

MONDO POP- A turnê já tem datas marcadas? Como será o repertório?
RODRIGO SURICATO
– Vou incluir as minhas principais canções e também vou suricatear algumas canções de outros artistas. O show estreia em 20 de agosto no Theatro Net Rio, chega a Sâo Paulo no dia 29 de agosto, no Theatro Net São Paulo, e depois vai para a Autêntica, em Belo Horizonte. Outras datas serão divulgadas futuramente, e a turnê será paralela à do Barão Vermelho.

MONDO POP- Você tem uma fama das mais significativas como guitarrista, sempre convidado para acompanhar outros artistas. Em algum momento você pensou em se dedicar “apenas” a isso?
RODRIGO SURICATO
– Ainda estou entendendo a minha história. Cada passo na minha carreira foi como se fosse um mirante, com uma visão maravilhosa em cada estágio. Já estava muito feliz como guitarrista, mas quando você é picado pelo mosquito da composição, deixa o guitarrista em segundo plano. Ficar à frente do palco nunca esteve em meus objetivos, não queria ser o Mick Jagger, até por ser tímido, mas agora é irreversível dar vasão a esse meu lado. Quero ter a liberdade de aproveitar o melhor dos dois mundos, o solo e o coletivo.

Na Mão As Flores (clipe)- Suricato:

Barão Vermelho mostra um novo single com show no Circo Voador

Foto: Leo Aversa

Foto: Leo Aversa

Por Fabian Chacur

O Barão Vermelho sofreu dois fortes abalos nos últimos meses, com as saídas de Roberto Frejat (vocal e guitarra) e Rodrigo Santos (baixo e vocais). No entanto, a histórica banda carioca sacudiu a poeira, deu a volta por cima e se mantém mais na ativa do que nunca. Após a entrada de Rodrigo Suricato na vaga de Frejat, com Márcio Alencar assumindo a função de baixista, eles lançam um primeiro single inédito, o contagiante A Solidão Te Engole Vivo, que será mostrado em show para o público pela primeira vez nesta sexta (28) às 23h no Rio, no Circo Voador (avenida dos Arcos, s-nº- Lapa- fone 0xx21-2533-0354), com ingressos a R$ 60,00 (meia) e R$ 120,00 (inteira).

Em entrevista via fone a Mondo Pop, o guitarrista Fernando Magalhães, há mais de trinta anos no grupo ao lado dos fundadores Guto Goffi (bateria) e Maurício Barros (teclados) nos conta tudo sobre a fase atual da banda que ajudou a consolidar o rock no Brasil, e também sobre seus planos para o futuro.

MONDO POP- O que gerou as saídas de Roberto Frejat e Rodrigo Santos, e como o grupo as encarou?
FERNANDO MAGALHÃES
– O Frejat e o Rodrigo tem carreiras muito solidificadas. Ficou difícil se dedicar ao Barão e aos outros projetos que possuem, ao mesmo tempo. Para eles, no fim das contas, foi melhor sair. A saída do Frejat não foi nenhuma surpresa, víamos a carreira-solo dele consolidada, abriu para o Eric Clapton, tocou no Rock in Rio.

MONDO POP- E como está sendo seguir em frente, com esses dois belos desfalques?
FERNANDO MAGALHÃES
– Fico muito feliz de tocar no grupo. A entrada do Rodrigo Suricato nos deu uma nova energia, um gás muito grande, pois ele é muito fã do Barão, além de ser uma pessoa muito boa, maravilhosa. Logo no primeiro ensaio, tocamos 19 músicas de cara, sem ensaios anteriores, e ele sabia todas essas músicas, voz e guitarra! O cara tem muita intimidade com esse repertório, que todos na banda gostam muito de tocar. Isso nos ajudou bastante.

MONDO POP- Fale um pouco sobre A Solidão Te Engole Vivo, que é uma parceria sua com o Guto e o Maurício, como surgiu e como foi escolhida como o cartão de apresentações dessa nova fase do grupo.
FERNANDO MAGALHÃES
– Escolhemos essa música porque ela tem bem a cara do Barão, mas com elementos novos. Fala de amor, sem apontar na cara de ninguém, é de âmbito geral. O tema básico é o fato de que as pessoas fazem melhor as coisas juntos do que sozinhas, não tem uma conotação política. A letra foi escrita pelo Guto.

MONDO POP- E como sendo está esse processo de compor canções novas, nessa nova fase da banda?
FERNANDO MAGALHÃES
– A gente já vem compondo há algum tempo. Antes, gravamos algumas músicas antigas com o Suricato nos vocais, colocamos nas plataformas digitais e depois saímos para a estrada. O projeto de composições novas veio logo a seguir. O Barão sempre fez trabalhos diferentes em cada novo disco, e procuramos ver como seria esse novo momento do grupo. Estamos compondo os quatro, em várias formações.

MONDO POP- Vocês pretendem lançar em breve um novo álbum? Será em formato físico também?
FERNANDO MAGALHÃES
– Vamos lançar o disco em formato físico, é um produto maneiro de se ter na mão. Ainda iremos lançar mais um single antes do álbum completo, que deve sair no primeiro semestre de 2019.

MONDO POP- Como tem sido esse contato inicial com os fãs após a entrada do Suricato?
FERNANDO MAGALHÃES
– Para nós, é um grande desafio, um novo recomeço, mas que você recomeça não como se fosse um bebê. A reação do público ao Suricato está sendo muito boa, estamos nos divertindo muito. Tem gente conhecendo a banda agora. O documentário Por que a Gente é Assim? nos ajudou a ficar mais conhecidos pelas novas gerações, que estão demonstrando uma curiosidade muito grande pelo Barão. E o show sempre foi o nosso forte.

MONDO POP- Em 2017, você lançou um belo álbum em dupla com o Rodrigo Santos, o Efeito Borboleta (leia a resenha aqui). Como avalia a repercussão dele?
FERNANDO MAGALHÃES
– Tenho muito orgulho desse trabalho, mas acho que lançamos em uma época imprópria, quando as atenções estavam mais voltadas para a reformulação do Barão Vermelho.

A Solidão Te Engole Vivo (video)- Barão Vermelho:

Barão Vermelho lança seu 1º single com a nova formação

Por Fabian Chacur

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Em 2017, o Barão Vermelho passou por duas mudanças importantes em sua formação. Saíram o cantor, compositor e guitarrista Roberto Frejat, um dos fundadores do time, em 1981, e também o baixista Rodrigo Santos, que estava no time há 25 anos. Entraram em suas vagas o cantor Rodrigo Suricato, revelado na banda Suricato, e o baixista Marcio Alencar. A primeira gravação de uma faixa inédita do novo line up do time acaba de sair. É o incrível single A Solidão Te Come Vivo, já disponível nas plataformas digitais.

A nova faixa, intitulada “A Solidão Te Come Vivo”, é um delicioso rock melódico, com uma letra belíssima em sua simplicidade, cujo refrão é “ao lado dos amigos escapo de qualquer perigo, se você deixar, a solidão te come vivo”. Os autores são exatamente os remanescentes da formação anterior do grupo carioca, os fundadores Guto Goffi (bateria) e Maurício Barros (teclados), e Fernando Magalhães (guitarra, há 32 anos no time).

Essa bela amostra certamente deve anteceder um novo álbum de inéditas do Barão, que não lança um trabalho nesses moldes desde 2004. Se a amostra valer, vem coisa boa por aí, pois esse single não deve nada aos melhores momentos da banda, além de provar que Rodrigo Suricato se encaixou feito luva nos vocais do grupo que nos rendeu tantos e tantos hits bacanas nessas quase quatro décadas de estrada.

A Solidão Te Come Vivo– Barão Vermelho:

Barão Vermelho mostra nova cara e os grandes hits em SP

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Por Fabian Chacur

Em 2017, o Barão Vermelho voltou ao cenário rock nacional. No lugar de Roberto Frejat, que optou de vez pela carreira-solo, entrou Rodrigo Suricato, incumbindo-se de vocal, violão e guitarra. Desde então, o time, que depois também perdeu o baixista Rodrigo Santos, está na estrada, mostrando sua nova cara. Eles tocam nesta sexta (27) às 22h30 em São Paulo na Casa Natural Musical (rua Artur de Azevedo, nº 2.134- Pinheiros- fone 0xx11-4003-6860), com ingressos de R$ 140,00 a R$ 200,00.

A atual encarnação desta marcante banda surgida no Rio em 1981 e um dos pilares do rock brasileiro na década de 1980 e desde então traz, além de Suricato, os fundadores Guto Goffi (bateria) e Mauricio Barros (teclados) e Fernando Magalhães (guitarra), este último no time há quase 30 anos. Uma escalação concisa e com muita fome de palco, como seus shows recentes mostraram aos fãs.

Como forma de marcar a fase atual, o grupo acaba de lançar nas plataformas digitais #Barãoprasempre, que traz nove músicas gravadas ao vivo no Rio no Estúdio Palco 41, sendo sete delas releituras elétricas de hits da banda como Pense e Dance, Pro Dia Nascer Feliz, Puro Êxtase e Eu Queria Ter Uma Bomba e as releituras acústicas de Por Você e Brasil, esta última hit da carreira solo do primeiro vocalista da banda, Cazuza. As gravações ainda tiveram Rodrigo Santos como baixista.

No repertório do show, teremos músicas desse álbum digital e também outros sucessos marcantes do Barão Vermelho, entre os quais Bete Balanço, Maior Abandonado e Por Que a Gente é Assim. Além de dar prosseguimento à atual turnê, o grupo promete para um futuro não muito distante um trabalho com canções inéditas.

Pense e Dance (nova versão)- Barão Vermelho:

Cazuza 60 é na verdade 100, mil, mais do que dois mil e um

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Por Fabian Chacur

Nesta quarta-feira (4), Cazuza comemoraria 60 anos de idade. Infelizmente, o roqueiro carioca se foi naquele triste sete de julho de 1990, com apenas 32 anos bem vividos, e deixou um vazio não só no rock, como na música e cultura brasileira como um todo.

Tive a honra de entrevistá-lo duas vezes, e de ver um dos shows mais emblemáticos de sua brilhante e breve carreira solo. Vou relembrar alguns momentos desses três contatos de forma aleatória, sem querer ser detalhista demais. O que me vier à mente.

Em 1987, vivi o início de minha carreira jornalística em tempo integral, após dois anos de frilas conciliados com um emprego, digamos, convencional. E em abril daquele ano, participei da entrevista coletiva que Cazuza concedeu em São Paulo para divulgar Só Se For a Dois, seu segundo trabalho solo.

A coletiva ocorreu no bairro do Paraíso, onde ficava na época a sede paulistana da gravadora Polygram, hoje Universal Music. Era a estreia dele pelo selo, após ter lançado o LP que inclui Exagerado em 1985 na Som Livre, meses depois de sair do Barão Vermelho.

Gravei a entrevista no meu heroico gravador grandão, grande parceiro. Tenho essa fita até hoje, e um dia (quando a encontrar, obviamente; mas ela está comigo, tenho certeza) a transcreverei na íntegra para os leitores de Mondo Pop. Por enquanto, ofereço recordações superficiais. Ele foi extremamente simpático com todos.

Ele respondeu todas as nossas perguntas, sem frescuras, e após o final, tirou fotos e deu autógrafos a todos que os solicitaram, eu incluso. Também tirei fotos com ele. Uma saiu meio ruim por causa do flash, e infelizmente é a única que me sobrou, pois a outra foi roubada por uma sobrinha. Que ódio! E tenho fotos da entrevista coletiva, essas bem legais. Preciso escaneá-las, também.

Naquele mesmo dia de 1987, tive a oportunidade de conhecer um de meus ídolos na área do jornalismo musical, o inimitável Ezequiel Neves, com quem também tirei foto, junto com o amigo Humberto Finatti.

Na época, trabalhava na editora Imprima, coordenando as revistas de textos de lá, que se notabilizou pelas revistinhas com cifras para violão e guitarra. Um tempo bom, de aprendizado e que me proporcionou a chance de conhecer muita gente boa.

Em 1988, quando começava no Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo), pude rever Cazuza quando ele veio a São Paulo divulgar, com show no extinto (e então badaladíssimo) Aeroanta, no largo da Batata, em Pinheiros, o seu então novo álbum, o incrível Ideologia.

Lembro que tomei um susto (que disfarcei) ao vê-lo bem mais magro do que no encontro anterior. Mas a energia, a simpatia e as ideias bacanas continuavam ali, firmes. O fato de ele portar o vírus HIV ainda não havia se tornado público. Pena que vacilei e não vi aquele show.

Para minha sorte, no final de 1988 Cazuza voltou a São Paulo, desta vez para tocar no antigo Palace (hoje CitiBank Hall) e fazer o show que acabaria gerando, ao ser gravado no Rio, o emblemático álbum ao vivo O Tempo Não Para- Cazuza Ao Vivo. Um show inesquecível.

No início, apesar da energia do roqueiro e de sua banda, a plateia reagiu de forma um pouco fria. Isso, mesmo com o início arrepiante, com o cover de Vida Louca Vida, de Lobão, que no entanto a interpretação apaixonada do autor de Exagerado tornou sua para sempre.

Mesmo irritado, ele tocou o barco. Aos poucos, o público foi entrando no espírito anárquico do artista e se soltou, dançando, pulando, cantando junto e transformando o emepebístico Palace em uma arena rocker.

Aí, Cazuza se soltou, agradecendo o apoio, dizendo que queria fazer shows para pessoas bem loucas e descontraídas, sem frescuras, e proporcionando aos presente um show de maravilhoso rock and roll.

Exagerado, Faz Parte do Meu Show, a então inédita O Tempo Não Para (que Simone regravou de forma canhestra), Brasil (idem com Gal Costa) e Codinome Beija-Flor, só para citar alguns dos clássicos tocados por ele, fizeram a minha noite e a dos milhares de fãs presentes inesquecível.

No Diário Popular, no extinto caderno cultural intitulado Revista, coisa inédita para a publicação: duas críticas. Uma de minha autoria elogiando o show e a atitude de Cazuza em pedir a participação de todos.

Outra do editor (e meu mestre) Osvaldo Faustino criticando o cantor pelo fato de ele ter intimado os presentes a participar. Belo exercício de democracia. E as duas opiniões faziam total sentido, eram pontos de vista que se completavam muito bem, modéstia à parte.

E então, meses de sofrimento de vê-lo doente, da campanha idiota da revista Veja contra ele, o lançamento do inconsistente e duplo Burguesia em 1989 (na verdade uma desculpa para alguém muito doente ter motivação para conseguir se manter vivo, sem sombra de dúvidas) e, em 1990, a morte precoce aos 32 anos.

Duas curiosidades, uma engraçada, outra mórbida. A primeira: no lançamento de Burguesia, a Polygram realizou uma festa na qual todos recebiam o LP. Seis deles vieram com cupons, incluindo o meu. Dois desses seis foram sorteados e ganharam viagens para os Estados Unidos. Eu perdi. Foi o mais perto que fiquei, até hoje, de ir ao exterior…

A outra é quase macabra. No início de 1989, a morte do roqueiro do bem parecia iminente. Então, meu editor na época, Danilo Angrimani Sobrinho, pediu-me uma matéria sobra a carreira de Cazuza, para ficar na gaveta e ser publicada rapidamente no caso da morte do artista. Fiz a contragosto, rezando para que nunca fosse publicada.

Se a morte acabou sendo inevitável, ao menos demorou um ano e meio para que aquela matéria “mortuária” chegasse às páginas do jornal. Mas uma ironia: na época, a redação ainda era na base das máquinas de escrever, laudas de papel, edição na raça etc. E a matéria havia sido feita quando ainda não se sabia como seria Burguesia.

Nem o seu título, que durante meses foi divulgado como A Volta do Barão. Eu estava de folga, e quem publicou a matéria não se preocupou em revisar isso. Ou seja, o leitor do finado Dipo “ganhou” um álbum inexistente de Cazuza…

Cazuza foi um roqueiro perfeito. Voz cheia de energia que superava defeitos técnicos do tipo língua presa, letras maravilhosas e melodias sempre trazidas por parceiros inspirados. Quantas coisas boas a mais ele não teria feito, se não tivesse saído de cena em 1990… Ele só viveu 32 anos, que, no entanto, equivaleram a 60, 100, mais do que 2001… Saudades, exagerado, você faz muita falta!

Ritual– Cazuza:

Efeito Borboleta, bela viagem rocker de Rodrigo e Fernando

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Por Fabian Chacur

Quando entrou no Barão Vermelho, em 1992, Rodrigo Santos não só tornou-se membro do primeiro time do rock brasileiro como também ganhou um novo parceiro musical, o guitarrista Fernando Magalhães. Depois de 25 anos, essa amizade não só se consolidou como agora rende um primeiro trabalho em dupla. E que trabalho! Efeito Borboleta (lançado pela Coqueiro Verde) equivale a uma bela viagem rocker.

A ideia dos dois amigos é que este CD seja o primeiro de uma trilogia. Neste volume inicial, temos 15 músicas assinadas por eles. Rodrigo se incumbe de vocais (todos), baixo e violões, enquanto Fernando é o cara das guitarras e violões. Completam o time o tecladista Humberto Barros, que tocou com Rodrigo no Kid Abelha, e o baterista Lucas Frainer, do grupo Rodrigo Santos & Os Lenhadores.

A dobradinha Santos/Magalhães gerou uma fornada de canções roqueiras com várias nuances, sem cair na mesmice. O início não poderia ser melhor, com a virulenta faixa-título, cuja letra detona a situação caótica do mundo e os riscos que corremos de um fim apocalíptico.

A faixa-final, o impactante hard rock A Magnitude da Nossa Insignificância, é uma espécie de complemento da de abertura, trazendo versos ácidos sobre o quanto o ser humano é insignificante perante tudo o que o cerca, embora sempre se ache a última bolacha do pacote.

Entre uma e outra, o ouvinte poderá se divertir com um repertório que investe em rocks certeiros com vocação pop como Navegar, Juntos de Novo e A Vida Bela, a balada com slide guitar inspiradíssima Sem Deixar Pegadas, a ótima stoneana Uma Pequena Lágrima (espécie de Beast Of Burden da dupla), e a belíssima balada folk acústica O Meu Juízo.

Mano é uma bela blues ballad homenageando o saudoso percussionista Peninha, parceiro dos dois no Barãm Vermelho. Sorte é um rock melódico com cara de hit, assim como a incrível Coragem. As duas mereciam entrar imediatamente nas programações das rádios roqueiras deste país, se é que ainda existe alguma. Na pior das hipóteses, nos podcasts dedicados ao rock nacional.

Em outro momento político do repertório (sem cair no panfletário, por sinal), O Fóssil Brasileiro mistura punk e hard rock com versos incisivos como “e se o chão é duro, traiçoeiro, é mais heroico pra partir, do que o espinhoso travesseiro dos assassinos do país”. Por sinal, as letras são sempre muito bem concatenadas, independente do tema desenvolvido- amor, relacionamentos, filosofia de vida, política…

Versátil e com um currículo do tamanho de uma lista telefônica, Rodrigo Santos mostra que aprendeu e muito com todas essas experiências. Ele canta cada vez melhor, com personalidade e estilo, mostrando que sabe tanto ser sideman como frontman, sempre com a mesma categoria. Por sua vez, Fernando Magalhães joga para o time o tempo todo, sem querer ser mais do que as canções, que mandam neste álbum.

O que não significa que, em momentos como 12 Anos de Espera, Sem Deixar Pegadas e A Magnitude da Nossa Insignificância Magalhães não assuma o protagonismo com fúria, técnica e emoção. Como já sabíamos nesses seus tantos anos de Barão Vermelho, é um baita músico. E nas composições, a dupla esbanja inspiração, concisão e talento, manuseando as regras e elementos do rock and roll com uma desenvoltura destinada apenas aos craques.

Se esse é apenas o início de uma trilogia, fica a torcida para que os outros volumes venham logo, pois esta dupla dá provas inequívocas de que estão bem errados aqueles que afirmam ser o rock um gênero morto e com farofa na boca. Provavelmente, são os caras que afirmam uma asneira dessas que se encontram em tal situação. O saudoso mestre Zeca Neves amaria este álbum!

Efeito Borboleta- Rodrigo Santos e Fernando Magalhães (ouça em streaming):

Frejat traz shows voz/violão a São Paulo e ao Rio de Janeiro

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Por Fabian Chacur

Sem Frejat, o Barão Vermelho voltou à ativa com Rodrigo Suricato nos vocais. Por sua vez, o ex-cantor e guitarrista da banda carioca também mostra suas novas armas. Aliás, apenas duas: voz e violão. Será com esse formato básico e intimista que ele se apresenta nesta quinta (8) às 21h no Rio, no Teatro Bradesco Rio (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160- Shopping VillageMall-Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100), com ingressos de R$ 60,00 a R$ 220,00, e nesta sexta (9) em São Paulo no Teatro Opus (avenida das Nações Unidas, nº 4.777- 4º piso- Shopping Villa Lobos- Alto de Pinheiros), com ingressos de R$ 70,00 a R$ 200,00.

Nessas apresentações, o cantor, compositor, guitarrista e violonista dará uma geral em canções de várias fases de seus mais de 30 anos de carreira, com a ex-banda ou em trajetória solo. Pérolas do quilate de Segredos, Amor Pra Recomeçar, Homem Não Chora, Por Você e Todo Amor Que Houver Nessa Vida. Como forma de homenagear alguns de seus compositores favoritos, ele também cantará Trocando em Miúdos e Carpinteiro do Universo, entre outras.

Sem nunca perder o seu espírito de rock ‘n’ roller, Frejat sempre se interessou por outros ritmos e sonoridades, e neste show mais cru e enxuto, trará aos fãs um aspecto mais básico de sua personalidade musical. “A ideia é fazer um show intimista tocando minhas músicas. Algumas delas sucessos e outras que não toco há muitos anos”, adianta.

Segredos (ao vivo)- Frejat:

Humberto Gessinger e single nos formatos vinil e digital

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Por Fabian Chacur

O formato single, que durante muito tempo ficou em segundo plano aqui no Brasil, voltou com força total nos últimos tempos. Quem está investindo neste produto é Humberto Gessinger. O ex-líder dos Engenheiros do Hawaii acaba de lançar Desde Aquela Noite (capa acima), que está disponível em vinil pela Polysom e em formato digital pela gravadora Deck.

Desde Aquela Noite traz três parcerias de Humberto com outros artistas que ainda não haviam sido gravadas por ele próprio. São elas Alexandria, escrita com o badalado Tiago Iorc e incluída em seu CD Troco Likes (2015), O Que Você Faz à Noite, feita com Dé Palmeira e registrada pelo Barão Vermelho em seu álbum Carnaval (1988) e Olhos Abertos, escrita com o Capital Inicial e título do seu CD de 1989.

O compacto chega ao mercado no mesmo momento em que o cantor, compositor e músico gaúcho que há quatro anos resolveu investir em uma carreira solo inicia uma nova turnê. Nela, cantará as músicas do single e também o repertório completo de A Revolta dos Dândis (1987), um dos melhores discos de sua ex-banda (leia mais aqui).

Ouça o single Desde Aquela Noite em streaming:

Percussionista Peninha sai de cena e encara a eternidade

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Por Fabian Chacur

Não posso negar que sou emotivo até a medula. Como jornalista bastante rodado, já tive a oportunidade de entrevistar centenas, quiçá milhares de pessoas, especialmente músicos. E toda vez que um desses personagens se vai, me dói muito. A bola desta vez é Paulo Humberto Pizziali, 66 anos, mais conhecido no meio musical como Peninha. Ele nos deixou nesta segunda-feira (19), vítima de um choque hemorrágico no estômago. Ele estava internado no Hospital da Lagoa, na zona sul do Rio de Janeiro, desde o dia 5 de agosto.

Peninha, que é o primeiro da esquerda para a direita na foto que ilustra esse post, tinha todo o perfil de um rock and roller das antigas. Descontraído, franco e jeitão de quem não aguentaria um único dia em um escritório da vida, cumprindo os tais 9 to 5. Nasceu para a estrada, para tocar em uma banda de rock, para ser músico. Ele já havia tocado com feras do porte de Johnny Alf, Gal Costa, Simone e Sivuca, até que chegou a hora certa.

Essa hora certa foi o convite para tocar com o Barão Vermelho, em 1986. Do início como músico de apoio, logo acabou sendo incorporado ao time de forma oficial. Dessa forma, ajudou a banda de Roberto Frejat a dar a volta por cima, após um período difícil devido à saída de Cazuza. Sua participação ajudou a acentuar um toque de latinidade meio Carlos Santana em alguns momentos, como a fantástica Pense e Dance.

Por sinal, foi exatamente no disco que inclui esse petardo, o ótimo Carnaval (1988), que Peninha marcou sua estreia em estúdio com o grupo. Daí para a frente, esteve em álbuns como Supermercados da Vida (1992), Carne Crua (1994) e Barão Vermelho (2004). O Barão se mostrou bem menos ativo neste século, mas ele marcou presença nas turnês realizadas de 2004 a 2007 e de 2012 a 2013. Peninha deixou quatro filhos. Descanse em paz, fera!

Pense e Dance (ao vivo)- Barão Vermelho:

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