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Os Rolling Stones provam que óbvio também pode ser genial

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Por Fabian Chacur

Nada mais óbvio para uma banda que tirou o seu nome de um clássico do blues (Rollin’ Stone, do genial Muddy Waters) do que gravar um álbum totalmente dedicado a esse gênero musical, não é mesmo? Pois essa obra demorou 54 anos para se concretizar. E quer saber? Valeu, e como, a espera. Blue & Lonesome, novo álbum da banda de Mick Jagger, prova de que às vezes o óbvio também pode ser genial e instigante.

O blues faz parte desde sempre do repertório desta seminal banda inglesa. Não faltam exemplos de standards blueseiros relidos com categoria por eles, como I Just Want To Make Love To You, Little Red Rooster e Love in Vain, só para citar três. Isso, sem contar as composições próprias que se valeram de elementos desse gênero fundamental para o surgimento de jazz, rock and roll e tantas outras sonzeiras de primeiríssima linha.

Das várias possibilidades de se realizar um trabalho desse porte, os Stones optaram pela mais adequada a eles. Ou seja, selecionaram um repertório maravilhoso, que soará inédito para a maioria dos fãs por se tratar de canções tiradas do fundo do baú, coisa de conhecedores, mesmo, e as gravaram sem frescuras, de forma crua e direta. Além dos quatro integrantes oficiais da banda, apenas seus três músicos de apoio em shows e a participação de Eric Clapton em duas faixas. As 12 músicas foram registradas em apenas três dias.

O resultado é o que se poderia se esperar de uma empreitada como essa. Totalmente à vontade, Jagger, Richard e sua turma esmerilham, soltando a alma e exalando prazer em maravilhas do porte de Ride ‘Em Down, Hate To See You Go, Just Your Fool, I Gotta Go e Just Like I Treat You, de autores como Little Walter, Willie Dixon e Jimmy Reed. Só uma é mais conhecida. Trata-se de I Can’t Quit You Baby, que muitos conheceram na ótima versão do Led Zeppelin.

Eric Clapton exibe a competência habitual na seara do blues nas ótimas I Can’t Quit You Baby e Everybody Knows About My Good Thing. Se não bastasse a qualidade musical, Blue & Lonesome aparece em belíssima embalagem digipack, com direito a capa tripla e encarte repleto de informações sobre as músicas e as sessões de gravações. Se por alguma razão este álbum se tornar o último dos Rolling Stones, nenhuma despedida poderia ser mais brilhante e elogiável do que esta. Mas se vier um volume 2, será mais do que bem-vindo!

Ride ‘Em On Down- The Rolling Stones:

B.B. King: o rei e embaixador que deixa um legado dourado

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Por Fabian Chacur

O blues perdeu na noite desta quinta-feira (14) seu rei e seu embaixador maior. Deixou-nos aos 89 anos, vítima de causas geradas por uma diabetes 2 que o afligia há mais de 20 anos, o cantor, compositor e guitarrista americano B.B. King. Se há alguém no meio artístico que merecia o adjetivo “lenda”, era ele. Uma perda incalculável. A saudade dói demais. Um mestre!

A essa altura dos acontecimentos, todos já leram sobre a importância desse gênio, nascido em 16 de setembro de 1925. Ele entrou no meio musical tocando e também como radialista. Na década de 1950, iniciou uma trajetória profissional no meio da música que o manteve na ativa durante mais de 60 anos. Só parou há pouquíssimo tempo, quando a saúde o abandonou.

Considerado o rei do blues, ele também foi denominado por muitos como o embaixador desse seminal gênero musical, pois muita gente o conheceu através dos inúmeros shows e discos lançados por Riley Ben King durante sua mais do que produtiva trajetória. Mas ele nunca foi daqueles artistas restritos a um único jeito de tocar ou cantar.

Em uma entrevista, o Blues Boy afirmou que o grande lance para um artista é incorporar novas influências e experiências ao seu trabalho. “Você não pode ficar no mesmo groove o tempo todo”, dizia. E foi a sua receita para uma vida toda. Em sua carreira, fez parcerias com artistas dos mais distintos estilos e gerações, como poucos na história da música.

Entre outros, fez shows e gravações com astros do naipe de U2, Eric Clapton, The Rolling Stones. Willie Nelson, David Gilmour, Joe Cocker, Heavy D., Mick Hucknall, Ringo Starr, Mick Fleetwood, Stevie Nicks, Stevie Wonder, Grover Washington Jr., Bobby “Blue” Bland, Branford Marsalis, The Crusaders e Albert Collins, só para citar alguns.

King era um talento completo. Compunha bem, embora não tivesse problemas em gravar composições alheias, sempre muito bem escolhidas. Tocava guitarra com um estilo próprio, marcante e influente. E tinha uma voz poderosa, quem sabe sua maior qualidade. Curiosidade: ele não conseguia cantar e tocar ao mesmo tempo. Mas precisava?

Tenho boas histórias para contar dessa lenda da música. A primeira rolou em 1986, quando ele esteve por aqui para fazer alguns shows. Eu e meu amigo José Carlos Dopazo fomos ao hotel Transamérica (SP), onde seria realizada uma entrevista coletiva com o mestre. O taxista que nos levou errou o caminho e chegamos muito atrasados ao local.

A coletiva já havia se encerrado. Como já estávamos ali, ficamos na porta, esperando que ao menos pudéssemos ver o mestre de perto. Os assessores de imprensa do evento nos desestimularam, mas ficamos ali. E não é que King apareceu? Mais: simpático, não só nos deu autógrafos em vários LPs, como também conversou conosco, com rara simpatia.

Em 1989, vi um dos shows que ele realizou no extinto Olympia, em São Paulo. Excepcional. O momento mais divertido ficou por conta de quando ele fez uma tremenda onda e, depois, jogou uma palheta para a plateia, que a disputou avidamente. Ai, pouco depois, começou a arremessar uma atrás da outra, para felicidade dos fãs, que se divertiram com seu bom humor.

Vi o mestre novamente em 2006, em entrevista coletiva em um hotel na região da avenida Paulista. Simpático e carismático, flertou com as jornalistas presentes. Ao final, distribuiu autógrafos. Aproveitei para pegar mais um, o cumprimentei e afirmei que nunca mais lavaria as mãos, após ter tocado as mãos do rei do blues. Ele deu boas risadas. O show novamente foi maravilhoso, desta vez na Via Funchal, também extinta casa de shows paulistana.

B.B. King é um exemplo para muitos artistas metidos a besta por aí, que não tem um centésimo de seu talento e que, no entanto, esbanjam arrogância e antipatia. Com todo o seu currículo, era acessível e camarada com todos que o abordavam. Dessa forma, elevou o blues a um patamar dos mais altos. Um mestre que nos deixa como herança grandes gravações e bela lição de vida.

The Thrill Is Gone– B.B. King:

When Love Comes To Town– B.B. King & U2:

Rock Me Baby -B.B.King/Eric Clapton/Buddy Guy/Jimmy Vaughan:

Riding With The King– B.B. King & Eric Clapton:

Into The Night – B.B. King:

BB King & Bobby “Blue” Bland – Let The Good Times Roll:

Jonny Lang esbanja talento em festival

Por Fabian Chacur

O Samsung Best Of Blues Festival chega ao seu segundo ano com belos frutos a serem comemorados. Boa e enxuta programação, um ótimo local (o WTC Golden Hall-SP, acessível e abrigando confortavelmente aproximadamente 2.500 pessoas por noite), acústica eficiente e organização elogiável. Seu primeiro dia, na última sexta (9), trouxe boas atrações que agradaram bastante no geral.

A abertura ficou por conta da gatíssima Ana Popovic, cantora e guitarrista de blues de 37 anos de origem sérvia e radicada nos EUA há algum tempo. Ela entrou no palco às 20h05 acompanhada por um trio composto por músicos tocando órgão, bateria e baixo, e precisou de algumas músicas para ir se habituando ao ambiente e consequentemente se soltar um pouco mais. Quando isso ocorreu, a coisa virou festa.

Com cabelos longos e soltos, trajando um vestido curto azul e de saltos altos, Ana mostrou ser boa cantora e uma guitarrista eficiente, mergulhando em variações do blues com desenvoltura e abrindo espaços para seus músicos. Summer Rain, faixa de seu primeiro álbum (ela já lançou seis), foi a que mais agradou, além de belas homenagens a Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan. Quando o show chegou ao fim, às 21h10, o balanço era favorável a Miss Popovic.

Jonny Lang (foto) entrou às 21h35 com o desafio de provar que aquele garoto prodígio que lançou seu primeiro álbum solo (Lie To Me-1997) com apenas 16 anos e fez bonito ao tocar aqui no Free Jazz Festival em 1999 havia amadurecido bem. A resposta se mostrou favorável a ele logo nos primeiros acordes de sua guitarra e nos versos iniciais que cantou, com um vozeirão potente e bem burilado.

Acompanhado por uma excelente e versátil banda de apoio, Lang esbanjou jogo de cintura e versatilidade, atacando de blues, blues rock, soul, toques de jazz e até gospel. O cover de Livin’ For The City, de Stevie Wonder, foi um dos momentos mais arrepiantes de seu show, e nem mesmo o fato de ter tido uma corda estourada em uma das músicas tirou sua concentração.

Jonny saiu de cena às 22h52 com a certeza do dever cumprido, deixando o púbico animado para receber o lendário Buddy Guy, que por sinal é um dos mentores do seu antecessor no palco. O bluesman deu ao público idas à plateia, solos vigorosos, vocalizações potentes e aquele carisma que fez até mesmo Jimi Hendrix ser seu fã, nos já longínquos (porém essenciais) anos 60. Coisa de mestre.

Veja show de Jonny Lang de 2013 na íntegra:

Jake Bugg resgata passado sem soar datado

Por Fabian Chacur

Jake Bugg fez 20 anos de idade no último dia 28 de fevereiro. Nasceu, portanto, em 1994, várias décadas após o surgimento do som que o influencia de forma muito forte. Qual o problema? Rigorosamente nenhum, se levarmos em conta o ótimo desempenho deste jovem cantor, compositor e guitarrista britânico em sua performance durante o Lollapalooza Brasil 2014 no último domingo (6). Um show muito interessante e estimulante em termos artísticos.

Acompanhado apenas por um baixista e um baterista, no melhor estilo power trio, Bugg não tem medo de se expor, pois os holofotes de sua quase uma hora de apresentação ficaram nele o tempo todo. Cantando e tocando guitarra e também violão, ele só tem um ponto teoricamente negativo, que é o de não se comunicar com a plateia. Raros momentos de interação com a plateia presente, sempre tímidos e contidos.

Com o instrumento na mão e o microfone na frente, no entanto, a postura do cara é outra. Canta bem, com sua voz sendo uma mistura de elementos das de Liam Gallagher, Johnny Cash, Lonnie Donegan (bem observado, Raul Bianchi!), Bob Dylan, Mick Jagger dos anos 60 e Carl Perkins, só para citar algumas influências mais nítidas. Mas com personalidade suficiente e bastante adrenalina incorporados na mistura.

O lado guitarrista de Jake Bugg surpreende. O garoto sabe tocar, e sola com desenvoltura surpreendente para um garoto de 20 anos com apenas dois discos no currículo. Seu violão é bastante consistente, também, e a soma de seus talentos dá mostras de um artista que, se tiver a cabeça no lugar e não se deixar levar pelo lado negro do estrelato, tem tudo para se firmar no panteão do rock and roll.

Sobre o primeiro álbum do artista, intitulado Jake Bugg, você já leu resenha em Mondo Pop (se não leu, leia aqui). O segundo, Shangri La, acaba de sair por aqui via Universal Music, e tira uma dúvida: como ficaria ele produzido pelo consagrado Rick Rubin, que já trabalhou com Red Hot Chili Peppers, Tom Petty e tantas outras estrelas?

A resposta é positiva. Rubin foi inteligente e não inventou. Mesmo com novos músicos a seu lado, Bugg continua firme e forte no seu mergulho no universo do folk, rock anos 50, rhythm and blues, blues e rockabilly. O repertório do álbum é excelente, com destaque para as ótimas Slumville Sunrise, Messed Up Kids, A Song About Love, Kingpin e Storm Passes Away. 12 canções básicas, bem construídas e bem arranjadas, com interpretações precisas.

O show teve como base as músicas desses dois ótimos álbuns, mais um cover de My My Hey Hey, de Neil Young, que inúmeros artistas já releram anteriormente, mas que ele encarou com a devida vibração, sem cair no lugar comum ou na mera repetição. O show se encerrou com a endiabrada Lightning Bolt, que abre o álbum de estreia. No geral, Jake Bugg provou no Lollapalooza Brasil 2014 ser uma jovem realidade, com um futuro brilhante pela frente.

Seen It All, Jake Bugg, no Lollapalooza Brasil 2014:

The Rides é novo supergrupo de Stephen Stills

Por Fabian Chacur

Stephen Stills criou um dos primeiros supergrupos da história do rock, o Crosby, Stills & Nash, ao lado de Graham Nash e David Crosby, em 1968. Novamente se envolvendo no conceito de montar uma banda com integrantes previamente famosos, ele agora nos oferece The Rides, trio no qual tem como parceiros o jovem blueseiro Kenny Wayne Shepherd e um velho amigo, Barry Goldberg.

Shepherd tem 36 anos e ficou conhecido na segunda metade dos anos 90 graças a bons álbuns e shows nos quais mostrou talento como cantor e guitarrista de blues e rock. Por sua vez, Barry Goldberg foi tecladista da banda Electric Flag, surgida em 1967 e na qual atuou ao lado de lendas como Mike Bloonfield (guitarra), Buddy Miles (bateria) e Nick Gravenites (vocal).

Stills e Goldberg participaram juntos do mitológico álbum Super Session (1968). Aliás, segundo matéria publicada no site americano da revista Billboard, a reunião deles com Shepherd surgiu de sugestão do executivo do meio musical Bill Bentley de que o jovem músico deveria tentar fazer um trabalho na linha de Super Session, calcado na improvisação.

Can’t Get Enough, primeiro álbum do trio, sairá no dia 27 de agosto nos EUA, um lançamento da 429 Records. A produção ficou por conta de Jerry Harrison (ex-Talking Heads), e o repertório mescla composições próprias (entre as quais Word Game, composta por Stills nos anos 70) e covers como Search And Destroy (Iggy & The Stooges) e Rockin’ In The Free World (Neil Young), além de composições de Elmore James e Muddy Waters.

O álbum será divulgado com uma turnê pelos EUA que terá início no dia 28 de agosto em Nova York. Stills continua com o Crosby, Stills & Nash, com quem tocou no Brasil em maio de 2012, fez recente turnê pela Europa e planeja gravar um esperado álbum inédito, ainda sem previsão de ser concretizado, e também lançará uma autobiografia. Haja fôlego!

Enquanto isso, Kenny Wayne Shepherd reservou para o primeiro semestre de 2014 um novo trabalho em sua carreira solo composto por covers de clássicos obscuros do blues, do qual participaram astros do alto gabarito de Ringo Starr, Robert Randolph e Joe Walsh.

E o The Rides não parece um projeto efêmero, pelo visto. Na entrevista para a Billboard, Shepherd e Stills garantiram que já estão preparando material para o próximo álbum, que começaria a ser gravado em dezembro deste ano. A ideia é que esse segundo disco seja composto apenas por composições inéditas escritas pelos três músicos.

Eis as músicas de Can’t Get Enough, do The Rides:

Roadhouse
That’s a Pretty Good Love
Don’t Want Lies
Search And Destroy
Can’t Get Enough Of Loving You
Honey Bee
Rockin’ In The Free World
Talk To Me Baby
Only Teardrops Fall
Word Game

Veja vídeo com entrevistas dos integrantes do The Rides:

Ouça trechos das músicas de Can’t Get Enough, do The Rides:

Exposição traz fotos de Mario Luiz Thompson

Por Fabian Chacur

Mario Luiz Thompson é um dos nomes mais lembrados pelos especialistas quando o assunto é fotografia de grandes nomes da música. Com 68 anos de idade, mais de 40 deles dedicados aos registros fotográficos, ele possui em seu acervo cliques históricos. Alguns deles podem ser vistos na exposição Jazz & Blues, que fica até o dia 9 de setembro no Central das Artes, em São Paulo.

Nascido em São Paulo em 28 de abril de 1945, Thompson começou a ficar conhecido no meio musical a partir dos anos 70, quando suas fotos começaram a aparecer em reportagens, exposições e até mesmo capas e contracapas de discos clássicos, entre os quais Vivo! (Alceu Valença), A Tábua de Esmeraldas (Jorge Ben) e Doma (Almir Sater), só para citar alguns bem bacanas.

Definido por Gilberto Gil como “amante e devoto da deusa música”, Mario Luiz apresenta nesta seleção de fotos extraídas de seu riquíssimo acervo instantâneos de grandes astros do jazz e do blues internacional em passagens desses mestres pelo Brasil. Entre outros, temos aqui flagrantes de Chet Baker, Miles Davis, B.B. King, Dizzie Gillespie, Etta James, Ray Charles e outras feras desse imenso gabarito.

O restaurante Central das Artes- Comida, Diversão e Arte, fica na rua Apinajés, 1.081- Sumaré, fone (0xx11) 3670-4040 (www.centraldasartes.com.br), e abre das 12h à meia-noite, sendo que a entrada para ver a exposição é gratuita. O belíssimo acervo independente de Mario Luiz Thompson pode ser apreciado online no site do fotógrafo, http://www.mario-luiz-thompson.com/.

Johnny Winter cancela show que faria em SP

Por Fabian Chacur

Vocês se lembram do post que publiquei em Mondo Pop anunciando o show que Johnny Winter faria em São Paulo no dia 28 de agosto no Credicard Hall? Se por ventura não se lembram, leiam aqui. Pois bem. Há pouco, nota oficial da empresa que controla aquela casa de shows anunciou o seu cancelamento, para tristeza de seus fãs brasileiros.

A nota enviada pela Time For Fun não nos oferece maiores detalhes, informando apenas que o cantor, compositor e guitarrista americano teria cancelado a apresentação por motivos pessoais. Em seu site oficial, o www.johnnywinter.net , o show ainda consta de sua programação, assim como os outros espetáculos previstos para a turnê brasileira. No mínimo o programador ainda não teve tempo de atualizar.

Lógico que muita gente irá especular se Winter não teria se assustado com as imagens dos protestos nas ruas brasileiras e dessa forma resolvido deixar para lá essa nova turnê em nossos palcos. Aparentemente, o bluesman não está com problemas de saúde, outra possível razão, embora ele já esteja com 69 anos.

Seja como for, quem por ventura já havia adquirido com antecedência ingressos para o espetáculo poderá obter o seu dinheiro de volta a partir do dia 1º de julho. Mais informações podem ser obtidas pelo fone 4003-5588 ou pelo site www.ticketsforfun.com.br .

Como consolo para quem pretendia ver o lendário albino que se tornou conhecido no mundo inteiro por sua genialidade no universo do blues e do blues rock, fica o consolo de ouvir, abaixo, na íntegra, um de seus álbuns mais importantes, Second Winter, lançado originalmente em 1969.

Ouça na íntegra o álbum Second Winter (1969), de Johnny Winter:

Johnny Winter tocará em São Paulo em agosto

Por Fabian Chacur

Johnny Winter, considerado um dos melhores guitarristas da história do blues, voltará ao Brasil em breve. Ele tocará em São Paulo no dia 28 de agosto às 21h30 no Credicard Hall, acompanhado por Scott Spray (baixo), Paul Nelson (guitarra) e Tommy Curiale (bateria), com ele se incumbindo de guitarra solo e vocais.

O show marcará o lançamento no Brasil de seu mais recente álbum, intitulado Roots, no qual investe em releituras de músicas que o influenciaram em sua formação como músico. Participam do CD nomes importantes do naipe de Vince Gill, Warren Haynes, John Popper, Derek Trucks e Susan Tedeschi, entre outros.

Nascido em Beaumont, Texas, em 23 de fevereiro de 1944, Johnny Winter montou sua primeira banda quando tinha apenas 15 anos, ao lado do também célebre irmão, o cantor e musico Edgar Winter. Em 1969, lançou seu primeiro álbum, e chamou a atenção de crítica e público por sua voz potente e habilidade como guitarrista, além de ser um raro caso de albino virtuose em termos de blues e rock.

Ele atraiu a atenção de grandes nomes do rock e do blues, entre eles Jimi Hendrix, Albert Collins, Stevie Ray Vaughan, Frank Zappa e Muddy Waters. Com este último, um dos nomes seminais da história do blues, gravou vários discos e realizou inúmeros shows em parceria, sendo que Waters o considerava como se fosse seu próprio filho.

A mais recente visita de Johnny Winter ao Brasil ocorreu em 2010. Os ingressos para o show estarão a venda a partir do início de junho, com preços que variam entre R$ 40 e R$ 350 . Maiores informações podem ser obtidas pelo fone 4003-5588 (para todo o Brasil) e pelo site www.ticketsforfun.com.br .

Ouça Still Alive And Well (1973), álbum clássico de Johnny Winter:

Eric Clapton e Paul McCartney juntos de novo

Por Fabian Chacur

Em 2012, Eric Clapton participou do álbum Kisses On The Bottom, de Paul McCartney, tocando guitarra nas faixas My Valentine e Get Yourself Another Fool. Pois agora chegou a vez de o ex-beatle retribuir a gentileza no novo álbum do astro britânico.

Macca toca baixo e faz vocais em All Of Me, faixa do novo álbum do Deus da Guitarra, Old Sock, que acaba de chegar às lojas. O álbum traz apenas duas músicas inéditas, Every Little Thing e Gotta Get Over. As outras faixas são covers escolhidos a dedo pelo ex-integrante do Cream.

Compositores tão diversos entre si como Leadbelly, J.J.Cale, Peter Tosh, George Gershwin, Hank Snow e Gary More estão no repertório. Além do autor de Live And Let Die, o álbum também traz craques do rock como o ex-colega de Blind Faith Steve Winwood (teclados em Still Got The Blues), a cantora Chaka Khan (vocais em Gotta Get Over), J.J.Cale (vocais e guitarra em Angel) e Jim Keltner (bateria em Our Love Is Here To Stay).

A banda básica que acompanha Clapton no álbum é composta pelos badalados Steve Gadd (bateria), Willie Weeks (baixo) e Chris Stainton (teclados). A produção foi dividida por Clapton com Doyle Bramhall II, Justin Stanley e Simon Climie. Um dos destaques de Old Sock é a sutil e bela releitura de Still Got The Blues, maior hit do saudoso Gary Moore (1952-2011).

As faixas de Old Sock, de Eric Clapton:

01. Further On Down The Road (5:44)
02. Angel (3:54)
03. The Folks Who Live On The Hill (3:46)
04. Gotta Get Over (4:38)
05. Till Your Well Runs Dry (4:42)
06. All Of Me (3:23)
07. Born To Lose (4:03)
08. Still Got The Blues (5:55)
09. Goodnight Irene (4:23)
10. Your One And Only Man (4:31)
11. Every Little Thing (4:35)
12. Our Love Is Here To Stay (4:13)

Still Got The Blues, com Eric Clapton:

Ben Harper e Charlie Musselwhite: que dupla!

Por Fabian Chacur

De um lado, Charlie Musselwhite, gaitista de blues nascido em 31 de janeiro de 1944 e conhecido por sua carreira solo e parcerias com outros artistas. Do outro, Ben Harper, cantor, compositor e músico americano vindo ao mundo em 28 de outubro de 1969 e nome badalado do cenário do blues rock. Juntos após dez anos de tentativas, eles lançam um explosivo álbum em dupla, Get Up!, que sai no Brasil agora com o mítico selo Stax, hoje propriedade da Universal Music.

Musselwhite lançou seu primeiro álbum solo em 1966, e além de uma trajetória individual intensa, colaborou com artistas do alto calibre de Bonnie Raitt, Tom Waits, Cyndi Lauper e o grupo australiano Inxs. Com este último, gravou a sacudida Suicide Blonde, por sinal um dos maiores hits da banda do saudoso cantor Michael Hutchence.

Lógico que seria de se esperar que Get Up! fosse um disco centrado no universo do blues, pois desde que se tornou conhecido do grande público, a partir de 1997 com o álbum Will To Live, Ben Harper sempre usou boas doses desse seminal gênero musical na sua obra. E a expectativa se confirmou, mas de forma bastante positiva.

Get Up!, em suas dez ótimas faixas, viaja por várias vertentes blueseiras, como o blues rural, o country blues e o hard blues, além de mergulhar também em derivações como o blues rock, o hard rock, a soul music e o funk. A harmônica swingada e com assinatura própria de Musselwhite pontua o vozeirão de Harper, com acompanhamento instrumental ora minimalista, ora mais encorpado, mas sempre exato.

A faixa-título e as ótimas You Found Another Lover (I Lost Another Friend), I Don’t Believe a Word You Say e Don’t Look Twice podem ser destacadas, mas o álbum é daqueles para se ouvir na íntegra, especialmente por não cair em repetições e não deixar o ouvinte cair no tédio.

Ben Harper é aquele tipo de artista que investe em vertentes musicais tradicionais de forma competente e consistente, sem criar nada de realmente novo mas proporcionando a seus fãs um som forte, intenso e no qual ele imprime sua alma sem medo de ser feliz. Já vi esse cara ao vivo, e ele é do ramo, sendo ótimo músico e um cantor dos bons.

Get Up! é daquele tipo de trabalho que já nasce clássico, e que certamente trará ótimos frutos aos dois músicos envolvidos, prova de que quando artistas de gerações distintas possuem evidentes afinidades e resolvem juntar suas sonoridades para ver no que dá, a chance de render coisa boa é sempre grande. Aqui, não deu outra!

I Don’t Believe a Word You Say:

You Found Another Lover (I Lost Another Friend):

Get Up! (live):

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