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Boca Livre celebra 40 anos de estreia com Viola de Bem Querer

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Por Fabian Chacur

Em 1979, saía pela via independente o álbum de estreia do Boca Livre. Não demorou para que se tornasse um verdadeiro fenômeno, pois mesmo sem a ajuda das grandes gravadoras, atingiu em cheio o grande público e ultrapassou a marca das 100 mil cópias vendidas. E aquilo era só o começo de uma trajetória belíssima. Quatro décadas depois, o quarteto carioca celebra a efeméride com Viola de Bem Querer, um trabalho que os mantém em seu alto patamar de qualidade artística.

Quando fiquei sabendo do novo título do álbum do Boca Livre, imaginei que se trataria de um trabalho retrospectivo de seus maiores sucessos, pois a frase remetia a dois grandes hits da banda, Quem Tem a Viola e Toada (Na Direção do Dia). Errei feio! Na verdade, Viola de Bem Querer é uma composição do jovem cantor, compositor e músico paulista Breno Ruiz, lançada por ele em seu álbum Cantilenas Brasileiras, lançado em 2016 pela via independente.

Com letra a cargo do consagrado Paulo Cesar Pinheiro, esta belíssima canção, curiosamente, foi gravada por Breno em versão na qual temos ele cantando e tocando piano (seu instrumento habitual) e acompanhado por Igor Pimenta (baixo acústico). Ou seja, não tem viola! Na releitura feita pelo Boca, o instrumento se faz presente, reforçando sua mensagem simples e encantadora.

A formação atual do Boca Livre é a sua mais estável nesses 41 anos de estrada, com Zé Renato (voz e violão), Mauricio Maestro (voz, baixo e violão), David Tygel (voz e viola) e Lourenço Baeta (voz, violão e flauta). Desde o início, investem em uma sonoridade que traz como influências mais visíveis o Clube da Esquina, a ala mais melódica do rock rural, bossa nova e outras vertentes bacanas da nossa música popular. Isso, dando continuidade à tradição de grandes grupos vocais brasileiros, como MPB-4 e Os Cariocas.

Viola de Bem Querer, como um todo, os mostra no geral com uma ênfase no som mais rural, o que transparece logo na capa e nas fotos incluídas no belo encarte da versão em CD deste trabalho. São nove faixas no total. O padrão habitual se mantém, com algumas composições de integrantes do time, como as belas Santa Marina (parceria de Lourenço Baeta com o poeta Cacaso), Noite (escrita por Zé Renato com a genial Joyce Moreno, autora de um dos pontos altos do álbum de estreia, Mistérios, feita com Mauricio Maestro), Eternidade (Mauricio Maestro) e a instrumental O Paciente (David Tygel).

Somadas às autorais, temos composições alheias escolhidas a dedo, como a deliciosa Um Paraíso Sem Lugar (Geraldo Azevedo e Fausto Nilo), e clássicos perenes da música brasileira em encantadoras adaptações personalizadas. Amor de Índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos) vem do Clube da Esquina, enquanto Um Violeiro Toca (Almir Sater e Renato Teixeira) sai do berço da canção rural brasileira. A surpresa fica por conta de Vida da Minha Vida (Moacyr Luz e Sereno), hit na voz de Zeca Pagodinho que aqui ganhou contornos latinos e percussivos.

Além dos quatro se desdobrando em vocais e instrumentos musicais, o disco conta com participações de músicos do porte de Pantico Rocha (bateria, conhecido por seu trabalho com Lenine), João Carlos Coutinho (piano elétrico), Bernardo Aguiar (pandeiro), Thiago da Serrinha (percussão) e Marcelo Costa (percussão). A sonoridade delicada e envolvente do grupo se mostra muito bem preservada, enfatizando os belos arranjos vocais, dividindo-se entre uníssomos, solos e vocalizações elaboradas e encantadoras.

Muito legal ver um grupo celebrar 40 anos de seu disco de estreia com um trabalho que não soa saudosista ou redundante. Aqui, o que temos é a fidelidade intensa e entusiástica a um estilo próprio de se fazer música, sem se render a modismos ou tendências do cenário musical, e oferecendo apenas o melhor a quem os acompanha nesses anos todos. Da mesma forma que ouvimos até hoje Boca Livre (o álbum) com o mesmo prazer de 1979, certamente este Vida da Minha Vida continuará encantando daqui a muitos e muitos anos.

Viola de Bem Querer– Boca Livre:

Boca Livre mostra hits e algumas novidades ao vivo em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Há exatos 40 anos na estrada, o Boca Livre construiu uma trajetória impecável, consolidando-se como um dos grandes grupos vocais da história da nossa música. Para celebrar essas quatro décadas de estradas, o quarteto prepara um novo álbum de estúdio. Enquanto isso não ocorre, o público paulistano poderá conferir em primeira mão algumas das músicas que estarão nesse disco, assim como aqueles hits maravilhosos habituais. Será nesta sexta (30) e sábado (1º-12) às 21h30 no Tupi Or Not Tupi (Rua Fidalga, nº 360- Vila Madalena- fone 0xx11-3813-7404), com ingressos a R$ 140,00.

O primeiro álbum do Boca Livre, autointitulado, saiu em 1979 pela via independente, e logo tornou-se um fenômeno de vendagens, conseguindo tocar em rádios e os levar a apresentações em emissoras de TV. Isso, fazendo uma sonoridade própria, uma mistura de folk, country, MPB em suas várias tendências e muito mais, com direito a vocalizações simplesmente sublimes. Quem Tem a Viola, Toada, Mistérios, as músicas desse álbum tomaram rapidamente conta das paradas de sucesso. No peito e na raça.

Nesses anos todos, o quarteto se manteve sempre ativo. A atual formação é a sua mais constante, trazendo os fundadores Mauricio Maestro (baixo e vocal), Zé Renato (violão e vocal) e David Tygel (viola de dez cordas e vocal), e Lourenço Baeta (vocal), que entrou no time logo em 1980, substituindo Cláudio Nucci. Fernando Gama também esteve no grupo durante as décadas de 1990 e 2000, sendo que a atual escalação se mantém estável desde 2006.

Além dos hits, os citados e possivelmente Panis Et Circenses e Bicicleta, o Boca Livre também fará uma prévia de algumas faixas do próximo trabalho, que deverá ser intitulado Viola de Bem Querer, nome de uma das faixas que o integrarão. Também estarão no trabalho Vida da Minha Vida e Amor de Índio, esta última um clássico do repertório de Beto Guedes. Será o sucessor de seu mais recente CD, o elogiado Amizade (2013).

Quem Tem a Viola- Boca Livre:

Zé Renato revê seu repertório e hits em show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Difícil não se lembrar do nome de Zé Renato quando o assunto é qualidade vocal na música brasileira. Além de ser um dos integrantes do Boca Livre, banda seminal da nossa MPB, ele também incorpora a sua linda voz a vários projetos, entre eles uma carreira-solo consistente que desenvolve paralelamente ao grupo. Ele fará um show individual em São Paulo nesta sexta (21) às 20h30 no Unibes Cultural Teatro (rua Oscar Freire, nº 2.500- fone 0xx11-3065-4333), com ingressos a R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira).

Neste show, o cantor, compositor e músico contará com a participação especial do cantor pernambucano Zé Manoel, que acaba de lançar o CD Canção e Silêncio. No repertório, Zé Renato comemora seus 60 anos de idade e 40 de carreira mergulhando no repertório que desenvolveu durante todos esses anos. Ele pinçará algumas canções dos projetos especiais que gravou em homenagem a Silvio Caldas, Chico e Noel e Zé Kéti, nos quais deu ênfase a seu lado intérprete.

Lógico que o lado autoral também estará presente, com direito a obras mais recentes e também a clássicos como Quem Tem a Viola e Toada, que gravou com o Boca Livre. Durante sua trajetória, Zé Renato também fez trabalhos voltados ao público infantil, integrou os grupos Dobrando a Carioca e Banda Zil e teve suas composições gravadas por nomes do porte de Jon Anderson (ex-Yes), Milton Nascimento, Zizi Possi, Joyce Moreno, Leila Pinheiro e Nana Caymmi, entre outros.

Ponto de Encontro (ao vivo)- Zé Renato:

Boca Livre lança CD Amizade no Sesc Pompeia

Por Fabian Chacur

O Boca Livre é um dos melhores e mais importantes grupos vocais da história da nossa música popular. Com seu autointitulado álbum de estreia, lançado em 1979 pela via independente, atingiu os primeiros postos das paradas de sucesso e provou que música boa e elaborada também pode fazer sucesso comercial. Desde então, viveu diversas fases em sua bela carreira, com direito a alguns hiatos aqui e ali.

Nunca abriu mão, no entanto, da qualidade das canções, arranjos, álbuns e shows que realiza. O quarteto, que hoje conta com Zé Renato (vocal e violão), Maurício Maestro (baixo, violão e voz), David Tygel (viola e vocal) e Lourenço Baeta (flauta, violão e vocal), sua formação mais estável e produtiva, lança no Sesc Pompeia nesta sexta e sábado (18 e 19) o CD Amizade. Nos shows, participação de João Carlos Coutinho (piano) e Rafael Barata (bateria).

Trata-se do primeiro trabalho composto apenas por gravações feitas em estúdio e nunca antes gravadas por eles em 17 anos. Nesse período, além de alguns intervalos dedicados a projetos paralelos, o grupo investiu em CDs e DVDs gravados ao vivo e retrospectivos de sua trajetória, além de um histórico álbum ao vivo gravado com o 14 Bis. Amizade retoma a faceta independente do quarteto.

O repertório de Amizade inclui oito faixas, entre elas Baião de Acordar (Novelli), Tempestade (Chico Pinheiro-Chico Cesar), Terra do Nunca (Edu Lobo e Paulo Cesar Pinheiro), Paixão e Fé (Tavinho Moura-Fernando Brant) e Amizade (Maurício Maestro-Marcos Valle), pinçadas de várias épocas. Em entrevista exclusiva a Mondo Pop, Zé Renato nos conta as novidades do Boca Livre.

Mondo Pop – O Boca Livre está completando 35 anos de carreira, e já viveu diversas fases, incluindo alguns períodos longe de cena. Como você define a fase atual do grupo?
Zé Renato– Estamos com essa formação desde 2006, quando fizemos alguns shows e, no ano seguinte (2007), lançamos o CD e DVD Boca Livre e ao Vivo, fazendo trabalhos esporádicos. Eu tenho minha carreira solo, o Maurício Maestro está morando em Nova York, o David Tygel com trilhas para cinema, o Lourenço com suas coisas também… Amizade é nosso primeiro trabalho de inéditas em 17 anos, e nossa ideia agora é que o grupo vá adiante, faça mais coisas.

Mondo Pop- Como são realizados os trabalhos do Boca Livre? Como funciona a interação entre vocês, que fazem tantas outras coisas?
Zé Renato– O trabalho do Boca Livre é específico e bem diferente dos outros que fazemos paralelamente. É algo que nos faz muito bem. Juntar os quatro e escolher um novo repertório nos exige muito tempo, dedicação, todos decidem tudo, é um método de trabalho intenso. Tudo é muito cheio de detalhes, desde a escolha das canções aos arranjos vocais do Maurício, demanda uma entrega muito grande. Quando fica pronto, a gente comemora. As pessoas não fazem ideia do trabalho que temos.

Mondo Pop- O grupo teve algumas variações de formação durante sua existência, embora tenha tido apenas seis integrantes durante esses 35 anos. Como você avalia a escalação atual?
Zé Renato– Essa formação atual é a que gravou mais, permaneceu mais, e acho que a música Amizade simboliza muito essa nossa trajetória.

Mondo Pop- Que tipo de critério vocês usam para escolher repertório? Nesse disco novo, por exemplo, temos desde canções compostas nos anos 70 até algumas mais recentes. O que as une?
Zé Renato– A gente sempre privilegia as músicas que traduzam o que a gente está querendo expressar, independente de onde ou quando vieram. O mais importante é que a gente sinta uma vibração conjunta, que o entusiasmo seja dos quatro. A gente não se prende a um único caminho, abre o leque. Procuramos reunir canções que tenham uma harmonia entre elas.

Mondo Pop – Como será esse novo show que vocês estrearão aqui em São Paulo, no Sesc Pompeia?
Zé Renato– Vamos tocar umas seis ou sete canções do novo disco, outras que a gente não toca ao vivo há muito tempo, como Folia, e os clássicos do grupo, como Toada, Quem Tem a Viola e Mistérios, entre outros.

Mondo Pop – O CD Amizade inclui oito músicas, um número não muito comum em álbuns, que costumam ter dez, doze, até quatorze canções. O que levou vocês a incluir esse número de oito, especificamente?
Zé Renato– Na verdade, gravamos nove músicas, mas uma delas ficou para fora por problemas com os herdeiros. Aí, ficamos no impasse de ou adiar ou lançar o disco assim mesmo, e optamos pela segunda possibilidade. As oito músicas contam a história do grupo nesse momento, são representativas, e nada impede um disco de ter oito músicas.

Mondo Pop – Amizade está sendo lançado pela via independente, assim como ocorreu com o clássico disco de estreia de vocês, em 1979. Como você compara os dois momentos, e qual a sensação de voltar ao esquema independente?
Zé Renato– Para nós, Amizade é um retorno ao formato independente em parceria com o João Mário Linhares, que foi nosso primeiro empresário. Hoje, temos mais experiência do que antes, quando lançamos o disco por conta própria devido ao fato de as gravadoras não aceitarem um repertório como o que tínhamos. Era nossa única opção. Hoje, a gente nem sequer cogitou procurar as gravadoras.

Mondo Pop – Como vocês encaram lançar um novo disco nos dias de hoje, com as dificuldades impostas pela internet, pela pirataria e pela redução do mercado fonográfico no Brasil?
Zé Renato– O disco é hoje um cartão de visitas de luxo. Queremos mostrar que não estamos parados no tempo, que não nos prendemos ao passado, que temos coisas novas para mostrar. Hoje, a música valoriza demais a palavra em relação às melodias, os arranjos. A canção, a harmonia, estão caindo em desuso, não estão sendo explorados, e a gente só sabe fazer dessa forma. Estamos reentrando no mercado com um estilo que não está sendo tão praticado. Não é uma crítica ao que está sendo feito hoje, que fique bem claro, mas nossa forma de fazer é outra.

Mondo Pop- Quais são os planos do Boca Livre para o futuro mais próximo, digamos assim?
Zé Renato– Queremos viajar com esse show, levar esse novo trabalho para o Brasil. Vamos vender o disco novo no show, será parecido com o que ocorreu com nosso primeiro disco, que foi na base do mão a mão, de boca em boca. A primeira tiragem será vendida nesses shows no Sesc Pompeia. A época mudou, mas o tesão é o mesmo. Acho um bom presságio isso ocorrer, porque na verdade o CD já devia estar pronto há algum tempo, mas acabou ficando pronto só na semana do show.

Boca Livre no Sesc Pompeia (SP)- Projeto Vozerio:

Show Amizade – dias 18 e 19/10 (sexta e sábado) às 21h

Ingressos de R$ 4 a R$ 40.

Local: Sesc Pompeia- rua Clélia, 93 – Pompeia – fone: (0xx11) 3871-7700- www.sescsp.org.br/pompeia

Ouça Boca Livre (1979), primeiro álbum do Boca Livre:

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