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O brilhante Arthur Verocai é a atração em show gratuito

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Por Fabian Chacur

O incrível compositor, arranjador e músico Arthur Verocai fará em São Paulo, neste domingo (4), às 14h, na Praça da Sé, um show gratuito. O espetáculo é parte integrante do Red Bull Music Academy Festival, que teve início nesta sexta (2) e irá até o dia 11, com diversas atividades bacanas (saiba mais aqui). Imperdível para os fãs de boa, melhor, ótima música. Leia entrevista de Mondo Pop com ele aqui.

Na ativa desde os anos 1960, Arthur Verocai trabalhou com alguns dos grandes nomes da música brasileira, entre eles Ivan Lins, Jorge Ben, Erasmo Carlos e inúmeros outros. Em 1972, lançou seu primeiro álbum solo, que na época não teve repercussão alguma, mas que a partir da década de 1980 foi aos poucos sendo redescoberto pelo público e se tornou um merecido clássico da nossa música, com sua fusão intensa de MPB, rock, soul, jazz e música erudita.

Verocai lançou em 2016 o álbum No Voo do Urubu, um trabalho incrível do qual participaram Mano Brown, Danilo Caymmi, Seu Jorge, Criolo, Vinícius Cantuária e Lu Oliveira. Mais uma bela reunião de grandes canções e temas instrumentais. Seu repertório será a base para o show, cuja expectativa por parte do artista é grande:

“Eu nunca toquei numa praça, de dia, ao ar livre, num evento como esse. Estou muito ansioso e espero que o público goste muito do que ouvirá. Vai ser emocionante, com certeza”.

No Voo do Urubu (em streaming)- Arthur Verocai:

Claudette Soares relembra a década de 50 em show em SP

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Por Fabian Chacur

Bem-humorada e extremamente simpática, Claudette Soares brincou com a sua pequena estatura em termos físicos ao lançar em 1969 o LP Quem Não é a Maior Tem de Ser a Melhor. Em termos profissionais, no entanto, sempre primou pela seriedade, bom gosto e talento lapidado, o que explica o fato de ela estar na ativa há mais de 60 anos. Neste sábado (13) às 21h30, ela canta em São Paulo na comedoria do Sesc Pompeia (rua Clélia, nº 93- Pompeia-fone 0xx11-3871-7700), com ingressos a R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira).

O show tem tudo para ser marcante, pois o seu roteiro é baseado no livro A Noite do Meu Bem- A História e as Histórias do Samba-Canção. Aliás, o autor do livro e do roteiro do espetáculo são o mesmo, o jornalista e escritor Ruy Castro, com direção geral do badalado Thiago Marques Luiz e direção musical e arranjos de Alexandre Vianna, líder do quarteto que acompanhará a intérprete carioca durante a apresentação.

No repertório, teremos canções célebres ligadas a nomes que dominaram o cenário musical brasileiro na década de 1950, período apelidado de Anos Dourados. Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes, Lupicínio Rodrigues, Dolores Duran, Maysa, Tito Madi, Johnny Alf, Elizeth Cardoso, Nora Ney, Isaurinha Garcia, Doris Monteiro e Carmem Costa são algumas dessas celebridades marcantes em uma era pontuada por canções densas, belas e ligadas aos temas do romance. A cantora Alaíde Costa fará uma participação especial no show.

Claudette nasceu no Rio de Janeiro e iniciou sua carreira ainda criança, na década de 1950, e logo se envolveu com os ritmos em voga na época, o baião, o samba-canção e a então iniciante bossa nova. Mostrou talento para encarar todos, e consolidou sua carreira nos anos 1960 e 1970, tendo como marcas a versatilidade, uma voz encantadora e a opção por canções românticas. Lançou em 1968 o ousado Gil, Chico e Veloso Por Claudette Soares, com músicas dos então ainda iniciantes Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Após emplacar aquela que foi provavelmente a canção de maior sucesso de seu repertório, De Tanto Amor (de Roberto e Erasmo Carlos) e lançar dois discos em parceria com Dick Farney, Claudette saiu de cena por uns anos, mas voltou nos anos 1990. Em 2000, lançou Claudette Soares ao Vivo, do qual participaram Roberto Menescal, Paulinho da Viola, Claudinha Telles, Jorge Benjor e Garganta Profunda, entre outros. Em 2015, saiu Claudette Soares e a Bossa de Caymmi, lançamento do selo Nova Estação, de Thiago Marques Luiz.

De Tanto Amor– Claudette Soares:

Sergio Mendes promete CD e um documentário para 2018

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Por Fabian Chacur

Aos 76 anos de idade muito bem vividos, Sergio Mendes não parece disposto a desacelerar. Pelo menos, essa é a conclusão que temos ao saber de suas boas novidades. Segundo a edição americana do site da Billboard, o músico e produtor brasileiro conhecido no mundo todo promete para 2018 um novo álbum e também um documentário sobre seus mais de 60 anos de carreira. Ou seja, vem coisas boas, muito boas, por aí.

O documentário será dirigido por John Scheinfeld, conhecido por trabalhos muito bons nessa área específica, entre os quais destacam-se The U.S. Vs. John Lennon (2006), Who Is Harry Nilsson? (2006) e Chasing Time: The John Coltrane Documentary (2016). Teremos uma geral na carreira dele, com direito a cenas de arquivo, entrevistas e também registros de shows que o maestro fará este ano, e para os quais está atualmente ensaiando no Rio de Janeiro.

Quando ao CD, o que se divulgou até o momento é que terá músicas inéditas e também algumas releituras de clássicos do seu repertório. O parceiro Will.i.am, do Black Eyed Peas, que já atuou junto com ele no álbum Timeless (2006), trabalhará com Mendes em algumas faixas, e outros nomes das novas gerações devem marcar presença. Vale lembrar que ele já bateu bola com astros atuais como John Legend, India Arie, Jill Scott e Justin Timberlake, entre outros.

Sergio Mendes nasceu em Niterói (RJ) em 11 de fevereiro de 1941, e ainda novo se destacou na então ainda emergente bossa nova, no finalzinho dos anos 1950/começo dos anos 1960. Com o tempo, percebeu que poderia ter futuro no mercado internacional e se mudou para os EUA, após ter lançado alguns discos por aqui. Em 1966, lançou Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil 66, álbum do qual foi extraído o single Mas Que Nada, de Jorge Ben, que rapidamente o levou ao top 10 da parada ianque.

A seguir, o bandleader se mostrou craque não só em dar um formato pop à bossa nova como também a “bossanovear” clássicos da música pop daquela época, como The Fool On The Hill (dos Beatles) e The Look Of Love (de Burt Bacharach e Hal David). O seu som orquestral balançado e sempre com vocalistas femininas, entre as quais Lani Hall e Gracinha Leporace (com a qual se casaria), soube se manter atualizado.

Tanto que volta e meia ele volta às paradas de sucesso, o que ocorreu em 1983 com o single Never Gonna Let You Go, em 1992 com o álbum Brasileiro e em 2006 com o CD Timeless. Em seu currículo, milhões de álbuns vendidos e três troféus Grammy, o Oscar da música.

Curiosamente, ele sempre foi detonado por boa parte dos críticos no Brasil, durante décadas, algo que só se reduziu de uns anos para cá. Como dizem por aí, a verdade e o talento sempre vencem, no fim das contas. Bem, nem sempre, mas ao menos neste caso específico.

The Fool On The Hill- Sergio Mendes:

Danilo Caymmi relê com pura classe a obra de Tom Jobim

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Por Fabian Chacur

A carreira discográfica de Danilo Caymmi começou em um disco do seu pai, Dorival Caymmi, o antológico Caymmi Visita Tom (1964). Nele, teve a primeira oportunidade de trabalhar com Tom Jobim. Era o início de uma parceria que se estreitaria a partir de 1983, quando o flautista e cantor passou a integrar a Banda Nova, que acompanhou o Maestro Soberano em discos e em inúmeros shows pelo Brasil e pelo mundo.

Tom foi decisivo na carreira de Danilo, ao incentivá-lo não só a cantar, mas como a assumir a tonalidade natural de sua voz. O artista carioca que completará 69 anos no próximo dia 7 de março faz uma bela viagem no universo de seu mentor no CD Danilo Caymmi Canta Tom Jobim, que acaba de ser lançado pela Universal Music.

A capa do CD possui uma diagramação que lembra a dos álbuns Tide e Wave, do homenageado. A faixa Estrada do Sol traz uma belíssima participação especial da cantora americana Stacey Kent. Em deliciosa entrevista exclusiva concedida por telefone a Mondo Pop, ele fala do disco, do seu relacionamento com Tom e muito mais.

Mondo Pop- A primeira gravação da sua vida foi no álbum Caymmi Visita Tom, gravado por seu pai com a participação de Tom Jobim. Quais as recordações que você tem dessa experiência?
Danilo Caymmi– Meu pai era muito amigo do Tom. A ideia desse disco surgiu do produtor Aloysio de Oliveira. Lembro que eu estava mais preocupado com a prova de Química que faria (risos). Tocava flauta há poucos meses, era muita responsabilidade, o Dori e a Nana (seus irmãos, que também participaram do álbum) também eram muito novos. A gravação de Saudade da Bahia tem um contracanto do Tom incrível. Ele respeitava muito o meu pai. Esse disco contou com grandes músicos, é um trabalho maravilhoso.

Mondo Pop- Como surgiu a oportunidade de você entrar na Banda Nova, que se tornou o grupo de apoio do Tom a partir de 1983?
Danilo Caymmi
– O Tom estava meio parado no Rio, e foi chamado para fazer um show na Áustria, na cidade de Viena. O Paulo Jobim, seu filho e meu amigo, me chamou para participar da banda que iria acompanha-lo nessa apresentação. Durante os ensaios, o Tom me convidou para cantar A Felicidade e Samba do Avião, como solista. Fui até estudar canto.Já havia lançado um LP solo (Cheiro Verde, em 1977), mas usava falsete. Foi com a Banda Nova que assumi o meu verdadeiro tom de voz.

Mondo Pop- Qual o critério que você seguiu na seleção das 11 músicas que estão em Danilo Caymmi Canta Tom Jobim?
Danilo Caymmi
– Acho que esse é provavelmente o melhor disco que gravei em minha carreira, é o mais trabalhado, um mergulho profundo na obra do Tom. O critério de escolha das canções foi puramente afetivo. Ele gostava muito de vocais. Fiz de uma forma que ele gostasse. Por Causa de Você eu ouço desde garoto. Eu participei da gravação original de Chora Coração. Querida eu vi ele fazer, ele não terminava nunca. Quando a finalizou, eu mostrei para o produtor Mariozinho Rocha no viva voz, e acabou entrando na abertura da novela O Dono do Mundo (1991). E Tema Para Gabriela tem a citação da música do Papai, Modinha Para Gabriela.

Mondo Pop-Fale um pouco sobre a concepção sonora do seu CD.
Danilo Caymmi
– O Flávio Mendes se incumbiu dos arranjos. Não é um repertório fácil, são canções minimalistas e complexas. E não tem nem bateria e nem piano, o disco traz eu na voz e flautas, o Flávio no violão e o Hugo Pilger no violoncelo. Inclusive, penso em fazer o show de divulgação com esse mesmo formato, espero concretizar ainda esse ano.

Mondo Pop- Era impressionante a simplicidade do Tom Jobim. Quem teve a chance de conhece-lo não imaginaria o tamanho de sua importância, se levarmos em conta esse desapego à frescura. Como você avalia isso?
Danilo Caymmi
– Essas pessoas mais geniais, como o meu pai, o Tom, o Vinícius de Moraes, eram muito simples. Eles sabiam que não precisavam provar nada a ninguém. A arrogância não passava por esse povo. Aprendi isso com eles. A gente sabe que tem de ser acessível, de respeitar o caminho, é importante saber que são as pessoas que nos possibilitam uma carreira.

Mondo Pop- Os formatos musicais mudaram muito desde o começo de sua carreira. Vinil, fita cassete, CD, agora streaming. Como você lida com isso?
Danilo Caymmi
– Eu vejo que os formatos musicais vão e voltam. No fim das contas, tudo se ajeita. Sempre foi muito ligado à tecnologia. Hoje é o streaming, não é nada linear. Estamos em meio a uma revolução, e é importante saber se adaptar aos novos formatos.

Mondo Pop- Você usa as redes sociais para divulgar seu trabalho e dialogar com os fãs?
Danilo Caymmi
– Uso muito o Facebook. Até criei por lá umas aparições eventuais ao vivo que apelidei de TV Dendê que sempre dão um ótimo retorno. Isso me aproximou mais do público. Gosto muito do bom humor, de uma relação mais próxima com os fãs.

Mondo Pop- Você deve ter centenas de histórias legais para contar das suas viagens com o Tom. Conte uma delas.
Danilo Caymmi
– Uma coisa muito engraçada ocorria nas entrevistas no exterior. Sempre perguntavam a ele o que era a bossa nova, e toda vez ele vinha com uma resposta diferente. Duas delas são bem divertidas: bossa nova é “euforia controlada” e “Guerra de guerrilhas”. (risos)

Ouça a gravação de Querida, com Danilo Caymmi:

Lyra ao Vivo reúne no Rio tio e sobrinho em show inédito

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Por Fabian Chacur

De 25 a 28 de janeiro, Carlos Lyra e seu sobrinho Claudio se apresentaram juntos pela primeira vez, em São Paulo, no palco da Caixa Cultural. O sucesso do encontro foi tanto que eles resolveram leva-lo pela primeira vez ao Rio de Janeiro. Lyra ao Vivo, o show, será apresentado nesta quarta-feira (15) às 21h no Teatro Solar do Botafogo (rua General Polidoro, nº 180- Botafogo- fone 0xx21-2543-5411), com ingressos de R$ 20,00 a R$ 40,00.

O encontro entre um dos grandes nomes da bossa nova, Carlinhos Lyra (vocal), e seu talentoso sobrinho, Cláudio (vocal, violão e guitarra), terá a temperá-lo uma banda integrada por Maico Viegas (trompete), Daniel Garcia (sax e flauta), Pedro Milman (teclados), Rômulo Gomes (baixo) e Daniel Conceição (bateria). No repertório, clássicos do porte de Influência do Jazz e Minha Namorada e também composições de autoria do mais novo talento da família Lyra.

Na estrada desde 1999, Claudio Lyra já fez música para cinema, televisão, teatro, poesia falada, dança e mímica. O tio Carlos gravou uma de suas composições, O Barco e a Vela, no CD Sambalanço (2003) e no DVD Carlos Lyra 50 Anos de Bossa (2005). Juntos, eles compuseram Passageiros, gravada em dueto e um dos destaque do mais recente CD de Carlos, Autobiografia Não Autorizada.

Autobiografia Não Autorizada conta com a afiada coprodução de Vittor Santos, e traz 12 faixas que investem em diversas vertentes da nossa MPB, entre elas a bossa, o samba-rock e o romantismo, com direito a um tempero com elementos de jazz, rock e até rap. A faixa Procurando a Direção, por exemplo, traz a participação do rapper MC Mãe.

Razão Pra Tudo é um belo dueto de Claudio com a excelente cantora Alma Thomas. Além dos ótimos arranjos instrumentais, com direito a metais afiadíssimos, vale destacar os impressionantes vocais de apoio (backing vocals) feitos por Luiza Sales, Cacala Carvalho, Alexandre Caldi e Symô (entre outros), esbanjando técnica, bom gosto e sensibilidade.

A voz bem colocada e as letras de Claudio também impressionam, em músicas como a sarcástica Esparrela do Brasil, que tem um clipe espetacular para divulga-la. E o inspirado dueto dos Lyra ilumina a bela Passageiros. Um disco para ser apreciado faixa a faixa.

Esparrela do Brasil (clipe)- Cláudio Lyra:

Sambalanço é dissecado com categoria por Tarik de Souza

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Por Fabian Chacur

A riqueza da música popular brasileira é tanta que algumas de suas vertentes acabam ficando em segundo plano, no que se refere ao estudo e à divulgação para o grande público. Uma que permaneceu durante muito tempo na penumbra foi o chamado sambalanço, roupagem swingada e repleta de molho que surgiu na mesma época da bossa nova, nos anos 1950 e 1960. O livro Sambalanço, a Bossa Que Dança- Um Mosaico, de Tarik de Souza e lançado pela Kuarup, chega com a missão de preencher essa lacuna, e cumpre sua missão com brilhantismo e riqueza de detalhes.

Não é de se estranhar a qualidade deste livro. Tarik de Souza é um dos melhores e mais gabaritados jornalistas, críticos e pesquisadores musicais do país, com diversos livros no currículo e também atuação em jornais, revistas, sites e programas de TV. Foram longos anos de pesquisas, durante os quais resgatou um estilo musical que curtia desde a sua infância e adolescência e que correu à margem do prestígio de outras vertentes musicais brazucas.

No livro, Tarik mostra o quanto o sambalanço foi colocado em segundo plano devido ao fato de investir em uma sonoridade mais dançante e descontraída, em contraponto à maior seriedade da “concorrente” bossa nova. Mesmo assim, teve forte aceitação por parte do público na época, gerando ídolos como Miltinho, Orlandivo, Ed Lincoln, Elza Soares, Silvio Cesar, Dóris Monteiro e tantos outros, além de ser a trilha sonora preferencial para bailes pelos quatro cantos do país.

Em comportamento que vem se transformando em padrão em nossa história recente, o sambalanço saiu de cena em meados dos anos 1970 e só foi resgatado graças ao interesse de pesquisadores e fãs de outros países, notadamente da Inglaterra e de outros países europeus e asiáticos. E também a artistas brasileiros das novas gerações, entre os quais Marco Mattoli, Amanda Bravo e Clara Moreno, além de pesquisadores como o próprio Tarik, Charles Gavin e outros.

A obra nos oferece um ensaio geral sobre o movimento, uma discografia básica (que poderia ter sido mais detalhada), 15 deliciosas entrevistas com grandes nomes do estilo, como Elza Soares, Orlandivo, Durval Ferreira, Dóris Monteiro e Silvio Cesar, e 13 perfis de outros artistas fundamentais para o sambalanço, tipo Walter Wanderley, Nilo Sérgio, Luiz Bandeira e Miltinho.

Com riqueza de detalhes e muita, mas muita informação mesmo, Sambalanço, a Bossa Que Dança- Um Mosaico pode ser uma obra difícil de ser assimilada pelo leitor menos afeito ao mundo musical, mas é essencial para quem é iniciado nesse universo e quer completar a sua formação, além de ser uma incrível fonte de consultas sobre o sambalanço e suas estrelas, especialmente sobre o curioso e peculiar Orlandivo, uma figura carimbada da nossa música.

Bolinha de Sabão– Orlandivo:

Danilo Caymmi lança logo um álbum celebrando Tom Jobim

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Por Fabian Chacur

A data já está definida, e não poderia ser mais simbólica. Sairá no dia 25 de janeiro, quando Tom Jobim faria 90 anos de idade, o álbum Danilo Caymmi Canta Tom Jobim, com distribuição a cargo da Universal Music. O álbum investe no riquíssimo repertório do Maestro Soberano, de cuja Banda Nova Danilo fez parte durante alguns anos.

Em suas entrevistas, Danilo, que é filho de Dorival Caymmi e irmão de Nana e Dori, além de pai de Alice (eita família musical essa aí!), sempre ressalta a importância de Tom em sua autodescoberta como cantor. Ele foi convidado para integrar a Banda Nova em 1983. Durante um ensaio, o autor de A Felicidade pediu para que o rapaz interpretasse duas músicas. Pronto. O até então apenas músico resolveu também se dedicar ao canto, e com muito sucesso.

Com uma voz deliciosa, de timbre grave e sempre bem colocada, Danilo Caymmi se tornou presença constante em shows e gravações de alta qualidade no Brasil e exterior. Ele aproveitará o dia 25 de janeiro para atender a imprensa, no intuito de divulgar este novo álbum, que pela qualidade de autor e intérprete tem tudo para se tornar clássico.

A Felicidade (ao vivo)- Tom Jobim e Banda Nova:

Carol Saboya esbanja classe e swing em seu álbum Carolina

carolina saboya cd-400xPor Fabian Chacur

Existe uma velha discussão entre os fãs de música quando o assunto é cantar. Para alguns, só vale aquele que tem o chamado vozeirão, que é adepto do “dó de peito”, com características quase operísticas. Para outros, o que vale é a sutileza, sem exageros e com requinte cirúrgico. Na verdade, não há fórmula, é aquela história daquele antigo comercial: existem mil maneiras de se preparar Neston, invente a sua. E Carol Saboya faz isso muito bem em seu CD Carolina.

Nascida no Rio de Janeiro, Carol Saboya começou a cantar aos oito anos de idade. Morou nos EUA de 1989 a 1991, participou do célebre CD Brasileiro, de Sergio Mendes, e gravou Dança da Voz, primeiro trabalho solo, em 1998. Desde então, lançou mais de dez álbuns, alguns deles nos EUA e Japão, além de fazer inúmeros shows. Dessa forma, aperfeiçoou o seu canto, tornando-se uma profissional de alto nível.

Carolina, o CD, traz dez composições alheias selecionadas pela artista de modo a apresentar um pouco de suas influências no cenário musical. O quadro é amplo, e abrange autores que vão de Pixinguinha a Sting, passando por Beatles, João Bosco, Edu Lobo, Tom Jobim, Djavan e Chico Buarque. A escolha é bem personalizada, com direito a Passarim, Fragile, Hello Goodbye, Avião e Zanzibar, entre outras. Bom gosto e fuga ao óbvio.

Dois fatos dão ao disco uma estrutura sólida em termos de criação e concretização, tornando-o impecável. Um é a capacidade interpretativa de Carol, que canta suave, sim, mas sem cair na monotonia, mostrando-se expressiva e sutil e aproveitando bem cada palavra das letras, ou no caso da fantástica Zanzibar (do genial Edu Lobo), valendo-se com classe dos vocalizes/scats da gravação original sem cair na imitação.

O outro ponto chave de Carolina, o CD, é o elenco escalado para acompanha-la. No piano e arranjos, temos o mestre Antônio Adolfo, que é pai da moça. Nas outras posições, os craques Marcelo Martins (sopros), Jorge Helder (baixo), Rafael Barata (bateria) e André Siqueira (percussão), com participação especial de Claudio Spiewak na faixa Faltando Um Pedaço. Juntos, eles fazem uma sonoridade swingada, pura bossa jazz que proporciona a moldura perfeita para a voz de Carol.

A capacidade que Antônio Adolfo tem de mesclar a sofisticação e a acessibilidade sonora na sua forma de arranjar e tocar dão o tom ao disco. Mas de nada valeria se Carol não fosse uma intérprete tão capacitada e talentosa. Carolina (que é seu nome de batismo) é um trabalho que celebra a música brasileira e internacional sem cair na mesmice, prova de que em pleno 2016 há ainda muita coisa boa a se ouvir dessa fonte inesgotável chamada MPB.

Passarim– Carol Saboya:

Sá Marina – Carol Saboya e Antonio Adolfo:

Leve– Carol Saboya:

Alaíde Costa e Gonzaga Leal e sua sutileza no CD Porcelana

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Por Fabian Chacur

Se eu fosse obrigado a definir Porcelana, primeiro CD lançado em dupla pelos experientes e talentosos cantores Alaíde Costa e Gonzaga Leal, com uma única palavra, ela seria sutileza. Nada mais sutil do que as canções, os arranjos e especialmente as interpretações contidas neste álbum, com direito a 13 canções repletas de lirismo e sensibilidade pura.

Alaíde Costa é uma das pioneiras da Bossa Nova, e está na estrada há mais de 50 anos, esbanjando talento ao interpretar composições alheias e também as de sua própria autoria. Seu dueto com Milton Nascimento em Me Deixa em Paz, faixa do antológico Clube da Esquina (1972), é para mim um dos mais brilhantes e emocionantes da história da MPB.

Por sua vez, Gonzaga Leal está na estrada desde a década de 1970, investindo em um trabalho que se preza pelo bom gosto e por um apurado senso de qualidade na seleção de repertório e músicos que o acompanham. Investir no que estiver na moda ou em facilidade para “tocar nas rádios” nunca foi sequer opção para ele, que assim construiu uma trajetória bem respeitável no cenário da MPB.

A carioca radicada há décadas em São Paulo e o pernambucano fazem shows juntos há dez anos, e faltava apenas registrar essa parceria bem entrosada em disco. Não falta mais. Porcelana é um daqueles trabalhos que você precisa ouvir com atenção, para poder captar as suas nuances em termos musicais e poéticos. Não se presta a uma audição apressada e desatenta, pois não foi feito para isso. E vale dar ao CD essa atenção.

As vozes de Gonzaga e Alaíde são muito belas, e brilham tanto nos momentos solo como nas horas em que se encontram. Facilita as coisas os belos arranjos instrumentais, que são assinados por ótimos músicos como Maurício Cesar (teclados) e Marcos FM (baixo). O tema básico do disco são as idas e vindas do amor, olhados de forma lírica e poética e sem cair no rotineiro ou no banal. É a paixão como mote o tempo todo.

O repertório, assinado por autores das mais diversas origens e fama, prima pelas melodias elaboradas e letras sofisticadas, mas sem nunca cair naquela erudição exagerada/arrogante. É música popular, sim, mas de bom gosto. São vários os destaques, entre os quais Meu Amor Abre a Janela, O Meu Menino é D’oiro e Quando Se Vai Um Amor, provas de que dá para se falar de amor sem cair naquelas coisas repetitivas e tolas que tocam nas rádios mais popularescas.

Porcelana é um daqueles trabalhos que apostam na inteligência e no bom gosto do ouvinte. Impressiona a categoria de Alaíde Costa, que há pouco comemorou 80 anos de idade que definitivamente não aparenta, nem em termos físicos, nem em termos vocais. E Gonzaga Leal é categoria pura, digno seguidor do que de melhor a nossa música popular nos rendeu em toda a sua história. Eis um disco que merecia ter impresso a frase Disco é Cultura que aparecia nos LPs nos anos 1970.

Meu Amor Abre a Janela:

Divinamente Nua a Lua:

Alaíde Costa festeja 80 anos e fará show grátis em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Neste mês de dezembro, Alaíde Costa comemora 80 anos muito bem vividos. Como forma de celebrar essa efeméride tão importante, a cantora e compositora carioca realizará neste domingo (6) às 19h00 em São Paulo um show no Teatro Décio de Almeida Prado (rua Cojubá, nº45- Itaim Bibi- fone 0xx11-3079-3438). Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados no local uma hora antes do espetáculo.

Nascida no Rio de Janeiro no dia 8 de dezembro de 1935, Alaíde Costa iniciou sua carreira musical em 1955. Gravou o primeiro álbum em 1959 com o apoio do amigo João Gilberto, que de quebra lhe apresentou os nomes mais importantes da então emergente Bossa Nova, da qual se tornou uma das mais importantes e bem-sucedidas intérpretes.

Seu currículo é dos mais nobres. Nos anos 1960, por exemplo, participou do programa televisivo O Fino da Bossa, que era apresentado por Jair Rodrigues e Elis Regina, e um de seus principais sucessos foi Onde Está Você (Oscar Castro Neves- Luverci Fiorini). Em 1972, gravou em dueto com Milton Nascimento a maravilhosa Me Deixa Em Paz, faixa do álbum Clube da Esquina, um dos marcos da história da MPB.

Amiga de Verdade (1988) reuniu convidados como Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Ivan Lins e Egberto Gismonti. Dois álbuns gravados em parceria com o pianista João Carlos Assis Brasil, o CD gravado em Paris Falando de Amor (2014) um em homenagem ao amigo Milton Nascimento em 2009 e Canções de Alaíde (2014), este último incluindo apenas composições próprias, são outros marcos de sua carreira.

No show deste domingo (6), Alaíde terá a seu lado o pianista e arranjador Giba Estevez. Ela interpretará canções de outros autores, e também músicas de sua autoria, entre as quais Você é Amor (parceria com Tom Jobim), Amigo Amado (escrita com Vinícius de Moraes), Meu Sonho (escrita com Johnny Alf) e Banzo (feita com José Marcio Pereira). Na agenda, um CD em parceria com Toninho Horta (Alegria é Guardada em Cofres Cardeais) e um DVD comemorativo dos 80 anos de vida.

Me Deixa em Paz– Alaíde Costa e Milton Nascimento:

Você é Amor– Alaíde Costa:

Amigo Amado– Alaide Costa:

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