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Wanda Sá mostra em show as faixas de Wanda Vagamente

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Por Fabian Chacur

Em 1964, a cantora e violonista Wanda Sá lançou o seu álbum de estreia, Wanda Vagamente. O trabalho logo se tornou um dos grandes clássicos da bossa nova, graças a um repertório impecável e às interpretações envolventes da artista carioca. Ela mostrará pela primeira vez na íntegra e ao vivo as músicas do disco em show neste sábado (10) às 20h na Sala Municipal Baden Powell (avenida Nossa Sra. de Copacabana, nº 360- Copacabana- fone 0xx21-2547-9147), com ingressos custando R$ 30,00 (meia) e R$ 60,00 (inteira).

O evento equivalerá a um show de lançamento tardio do álbum, como explica o consagrado produtor musical Arnaldo DeSouteiro, diretor e curador do projeto Discos Históricos da MPB, que teve início em agosto com o cantor, compositor e tecladista João Donato mostrando o conteúdo de seu álbum Quem é Quem (1973):

“Logo após a gravação do disco, Wanda viajou para uma longa turnê pelos Estados Unidos com Sergio Mendes, iniciando sua carreira internacional. Portanto, não teve tempo de realizar shows no Brasil para divulgar o trabalho”, comenta DeSouteiro. “O álbum se auto-impulsionou por sua qualidade e passou a ser cultuado no mundo inteiro, principalmente no Japão, onde foi reeditado em CD pela primeira vez, muito antes de ser redescoberto no Brasil”.

O álbum traz a primeira gravação da célebre Inútil Paisagem (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), a envolvente Tristeza de Nós Dois (Durval Ferreira, Bebeto Castilho e Maurício Einhorn) e Encontro (parceria de Wanda Sá com Nelson Motta). Vagamente é de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal. Também temos composições de Geraldo Vandré, Edu Lobo, e Marcos Valle, em um total de 12 faixas.

Roberto Menescal produziu o álbum, do qual participaram músicos do primeiro escalão, como Eumir Deodato, Luiz Carlos Vinhas, Ugo Marotta e Edison Machado, entre outros. E dois dos integrantes desse time marcarão presença no show, Menescal e Marotta. Além do show propriamente dito, teremos ainda um papo de Wanda Sá com o também jornalista DeSouteiro, no qual a história do álbum e bastidores do mesmo certamente estarão em pauta.

Wanda Vagamente- Vanda Sá (ouça em streaming):

Toquinho comemora 50 anos de bela carreira com DVD/CD

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Por Fabian Chacur

Toquinho é um desses nomes tão grandes da nossa música popular que às vezes pode parecer que é menos louvado do que deveria. Mas há uma explicação para isso: sua elegância. Cantor, compositor, violonista, ele mantém desde o início de sua carreira, na década de 1960, uma postura humilde, sóbria e sem cair em excessos ou estrelismo. Para comemorar meio século de trajetória artística, ele acaba de lança o DVD/CD 50 Anos de Carreira (Deck), um trabalho enxuto, bem feito e à altura da trajetória desse craque da canção popular brasileira.

Antonio Pecci Filho, nascido em São Paulo em 6 de julho de 1942 e apelidado Toquinho pela mãe, tornou-se conhecido ao lançar parcerias com Jorge Ben como Carolina Carol Bela e Que Maravilha. A seguir, tornou-se parceiro de palcos, discos e composições de ninguém menos do que Vinícius de Moraes. A dupla, com enorme sucesso de público e critica, durou uma década, encerrando-se apenas devido à morte prematura do grande Poetinha em 1980.

Como artista solo, consagrou-se de vez com o estouro de Aquarela, em 1983, e não só lançou trabalhos individuais bem bacanas como também manteve parcerias com craques como Paulinho da Viola, Chico Buarque, MPB-4, Sadao Watanabe e vários outros. Nos últimos anos, mostrou-se aberto ao intercâmbio com as novas gerações, atuando ao lado de Paulo Ricardo, Tiê, Veronica Ferriani e Anna Setton, por exemplo.

O DVD/CD equivale a uma pequena amostra dessa trajetória, gravado ao vivo em duas sessões no dia 25 de março de 2016 no Teatro WTC, Hotel Sheraton, em São Paulo. A seu lado, uma banda composta por Guga Machado (percussão), Ivâni Sabino (baixo), Nailor Proveta Azevedo (clarinete e sax alto) e Pepa D’Elia (bateria), um time afiado que se mostra muito adequado e ensaiado para acompanhar um dos melhores violonistas brasileiros de todos os tempos.

O repertório dos 55 minutos de show traz 24 músicas acomodadas em 14 faixas, sendo apenas uma delas de fora do repertório do artista, A Noite, sucesso da cantora Tiê que ela interpreta ao lado de seu padrinho artístico. De resto, temos desde o primeiro sucesso, Que Maravilha, até a recente Quem Viver Verá, de 2011. Além de Tiê, participam Anna Setton, Verônica Ferriani, Mutinho e Paulo Ricardo.

Com efeitos cênicos simples e bem concatenados, entre os quais três telões com imagens ilustrando cada canção, o show traz Toquinho à vontade, cantando com sua voz agradável e doce e contando pequenos ‘causos’ entre uma música e outra, entre os quais uma deliciosa recordação de episódio envolvendo sua assumida hipocondria. Da ótima banda, o destaque é o lendário Proveta, que dá um colorido especial às canções com seus belos e inspirados solos.

Da fase com Vinícius, temos representadas A Tonga da Mironga do Kabuletê, Tarde em Itapoã (dueto com Paulo Ricardo), Samba de Orly e O Velho e a Flor/Veja Você (dueto com Verônica Ferriani), entre outras. As canções dedicadas ao público infantil aparecem em um pot-pourry que traz A Casa, O Pato, O Ar (O Vento), A Bicicleta e O Caderno.

Os megahits Que Maravilha, Turbilhão (dueto com o parceiro Mutinho) e Aquarela não poderiam ficar de fora, e não ficaram. Nos extras do DVD, temos pequenos depoimentos de amigos como Galvão Bueno, Roberto Menescal, Zico, Eliane Elias e Ivan Lins, e 10 minutos deliciosos nos quais Toquinho mostra seu talento como solista de violão, tocando sozinho e em estúdio maravilhas como Abismo de Rosas, Bachianinha nº 1 (do seu mestre Paulinho Nogueira) e Gente Humilde, entre outras.

Toquinho 50 Anos de Carreira equivale a uma deliciosa viagem por uma carreira repleta de boas músicas, feitas e interpretadas por um artista que nunca se valeu de recursos reprováveis para fazer sucesso e conseguiu sua popularidade de forma justa e mais do que merecida. Usando versos de seu eterno parceiro naquela célebre canção com a grife Tom & Vinícius: “se todos fossem iguais a você, que alegria viver”…

obs.: e falar o que dessa bela capa, do sempre genial Elifas Andreato?

Tarde em Itapoã– Toquinho e Paulo Ricardo:

ClaudetteSoares-AlaídeCosta são realmente o fino da bossa

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Por Fabian Chacur

Muitas homenagens aos 60 anos da Bossa Nova estão sendo feitas neste ano, e uma das mais louváveis e bem realizadas acaba de chegar às lojas e às plataformas digitais. Trata-se do estupendo álbum 60 Anos de Bossa Nova, lançado pela gravadora Kuarup e que reúne duas expoentes do gênero, as cantoras Claudette Soares e Alaíde Costa. O show de lançamento no Rio ocorre nesta terça (9) às 21h o Theatro Net Rio (rua Siqueira Campos, nº 143- 2º piso- fone 0xx21-2147-8060), com ingressos de R$ 50,00 a R$ 100,00.

As cariocas Claudette e Alaíde estavam na área quando João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e outros mestres desse naipe deram o pontapé inicial no gênero musical que somou o swing do samba com a elaboração do jazz. Foram participantes desde o começo, e ajudaram a divulgar essa “batida diferente” no Rio e principalmente em São Paulo, onde elas se radicaram ainda na década de 1960. Ou seja, as moças possuem conhecimento suficiente para encarar a tarefa.

Com produção musical a cargo de Thiago Marques Luiz, que há muito já virou uma verdadeira grife desses projetos envolvendo craques da nossa música com muita estrada nas costas, as duas intérpretes foram acompanhadas no show que deu origem ao álbum e gravado em 23 de março de 2018 em São Paulo no Teatro Itália por Giba Estebez (produção musical, arranjos e piano), Renato Loyola (baixo acústico) e Nahame Casseb (bateria, o célebre Naminha, que integrou o grupo Língua de Trapo na década de 1980).

Com arranjos classudos e despojados a acompanha-las, as cantoras deram conta do recado diante de um repertório composto por 18 faixas, sendo algumas delas pot-pourris. Em alguns momentos elas atuam juntas, mas na maior parte se incumbem de blocos solo. A seleção traz canções integrantes do songbook máximo da bossa, entre as quais Insensatez, Dindi, Caminhos Cruzados, Chega de Saudade, O Barquinho, Os Grilos, Oba-la-la e Vem Balançar, só para citar algumas.

Os estilos das protagonistas se mostram bem claros. Alaíde é mais contida, discreta e doce, brilhando muito nos momentos intimistas. Por sua vez, Claudette é serelepe, sabendo alternar partes introspectivas com momentos de puro swing, encantando e sendo capaz de conquistar até o ouvinte mais distante e cético em relação ao gênero musical homenageado. A interação entre as duas é ótima e cordial, proporcionando momentos de raro prazer ao ouvinte.

60 Anos de Bossa Nova flui deliciosamente em sua viagem encantadora pelas preciosidades bossa novísticas, e demonstra que Claudette e Alaíde se mantém em plena forma, capazes ainda de oferecer a seus inúmeros fãs shows maravilhosos e discos com este altíssimo padrão artístico e técnico. Prova mais do que concreta de que elas continuam o fino da bossa, 60 anos depois, e que esse repertório é para sempre.

60 Anos de Bossa Nova- ouça em streaming:

Fred Falcão mostra o seu lado regional no CD Ser Tão Brasil

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Por Fabian Chacur

Após lançar o antológico álbum Leny Andrade Canta Fred Falcão-Bossa Nossa (leia a resenha aqui), o cantor, compositor e músico Fred Falcão volta com outro trabalho digno de ser devidamente apreciado. Trata-se de Ser Tão Brasil- Canções de Fred Falcão (Fina Flor), no qual traz como mote o lado mais regional de sua inspiração, ele que é pernambucano de Recife e radicado há décadas no Rio de Janeiro. Mais brasileiro, impossível.

Compositor inspirado e versátil, Fred foi gravado por artistas de áreas bem distintas, como Clara Nunes, Boca Livre, Nelson Gonçalves, Luiz Gonzaga e Os Cariocas, entre outros. É exatamente essa capacidade de enveredar por vários estilos musicais com jogo de cintura que ele nos apresenta neste novo CD, no qual também dá vasão ao seu lado cantor e se mostra muito competente nessa área, dando conta do recado.

Inteligente, deu um espaço significativo no álbum para um bom valor da nova geração, a cantora Mariana Brant, sobrinha do grande e saudoso poeta mineiro Fernando Brant, um dos melhores parceiros de Milton Nascimento. Ela marca presença em cinco das doze faixas do álbum, emprestando a elas seu tom doce e bem utilizado, com destaque para as envolventes Valsa Sertaneja, Ser Tão Brasil e Faca de Ponta. A moça prova ter um ótimo potencial que tem tudo para gerar belos frutos.

Além de Mariana, o álbum traz outras presenças importantes. Entre outros, temos aqui Rildo Hora (harmônica), Elias Muniz (vocal), Manno Góes (vocal), Dirceu Leite (flauta e clarinete), Jaime Alem (viola caipira e viola 12 cordas), Lula Galvão (violão e guitarra), Jorge Helder (baixo), Jurim Moreira (bateria) e Marcelo Costa (percussão). Os arranjos e regências foram divididos por João Carlos Coutinho e Geraldo Vianna, com resultado expressivo e classudo.

O repertório passa por bolero, baião, xote, toada, canções e bossa nova, esta última a especialidade de Fred, que assina todas as músicas. Entre seus parceiros, temos aqui Antônio Cícero, Manno Góes, Elias Muiz, Aluizio Reis, Carlos Henrique Costa e Ronaldo Monteiro de Souza.

As envolventes melodias foram aliadas a letras impecáveis, versando sobre as várias vertentes do amor, memórias bacanas e impressões sobre o Brasil, com direito à citação de ícones da nossa música como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Altamiro Carrilho e Ademilde Fonseca.

Ser Tão Brasil equivale a uma deliciosa viagem por um universo musical oriundo da abençoada mestiçagem brasileira, fundindo ritmos e estilos e dando origem a uma sonoridade própria, típica da nossa terra e rica por natureza. E fica o registro: intérpretes talentosos/talentosas e de bom gosto em busca de músicas de qualidade deveriam procurar Fred Falcão urgente, pois o seu songbook não só é repleto de coisas boas, como também se renova e se amplia a olhos vistos.

Ser Tão Brasil– Fred Falcão e Mariana Brant:

Joyce Moreno relê seu álbum de estreia de forma sublime

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Por Fabian Chacur

Como forma de comemorar seus 50 anos de carreira e 70 de vida, ambas muito bem vividas, Joyce Moreno teve uma ideia bem interessante. A cantora, compositora e violonista carioca resolveu regravar na íntegra o seu álbum de estreia, lançado em 1968 e autointitulado. Uma forma de concretizar aquele pensamento que às vezes temos, do tipo “como eu teria feito o que fiz aos 20 anos com a maturidade de hoje?” O resultado é o CD 50, lançado pela Biscoito Fino.

Joyce, o álbum, equivale a uma estreia promissora, mas com algumas arestas, especialmente se levarmos em conta o que essa incrível artista faria nos anos posteriores ao seu lançamento. Os arranjos orquestrais são classudos, mas nem sempre adequados, e sua voz soava afinada, mas sem a personalidade e a forte assinatura própria que os anos de estrada bem aproveitados lhe proporcionariam. De quebra, com seu violão sem destaque, só como pano de fundo.

Em 50, o excelente repertório do disco de 1968 recebe um tratamento mais minimalista, embora sofisticado e criativo, tendo como estrutura básica a incrível banda que a acompanha há muitos anos, formada por ela na voz e violão, o marido Tutty Moreno na bateria, Rodolfo Stroeter no contrabaixo e Hélio Alves no piano. Um time entrosadíssimo que se entende perfeitamente, com muito swing e sem nunca pecar pelo excesso. As canções mandam, sempre.

Temos também diversos convidados especiais que se encaixam feito luva nas faixas das quais participam. Gente do porte de Francis Hime, André Mehmari, Marcos Valle, Danilo Caymmi, Roberto Menescal, Zélia Duncan, Fabio Peron e Pedro Miranda. Em quatro faixas, Joyce deixa seu icônico violão de lado e se concentra nos vocais, dando aos convidados a tarefa de assinar esses arranjos musicais.

O resultado mescla bossa nova, samba, chorinho e canções com sutileza, categoria, swing e aquele jeito solto que marca o melhor da obra da autora de Feminina, Mistérios e tantos outros clássicos da MPB. Composições próprias como Não Muda Não e Me Disseram convivem bem com canções de então jovens amigos como Paulinho da Viola, Toninho Horta, Francis Hime, Marcos Valle e Ruy Guerra.

Há momentos particularmente arrepiantes, como Anoiteceu, parceria de Francis Hime e Vinícius de Moraes lançada naquele álbum de estreia e que faria sucesso em 1978, quando Hime a regravou em seu álbum Passaredo e a mesma entrou na trilha de novela global Sinal de Alerta, e Bloco do Eu Sozinho, de Marcos Valle e na qual o autor faz uma participação simplesmente perfeita nos teclados e arranjo.

No papel de faixas-bônus, temos duas composições inéditas que trazem em suas letras uma espécie de diálogo com a Joyce de 1968 e uma declaração de intenções da atual Joyce Moreno. A primeira é Com o Tempo, parceria dela com Zélia Duncan e belo dueto dessas talentosas artistas. A segunda, que fecha o álbum, é a irresistível A Velha Maluca, na qual a artista esbanja bom humor e deixa claro que ainda vem muita coisa pela frente. Como duvidar disso?

No fim das contas, 50 serve como bela recriação para aquele primeiro LP, mostrando ao mesmo tempo um presente incrível apontado para um futuro que promete muita coisa boa. Sem nunca ter se traído em termos artísticos, Joyce Moreno construiu uma carreira respeitada no Brasil e no exterior. Quem apostou naquela talentosa menina de 1968, como o saudoso Vinícius de Moraes, deve se orgulhar dessa trajetória repleta de luz e som do bom. Que bela “Velha Maluca” de responsa aquela jovem morena promissora se tornou!

Bloco do Eu Sozinho– Joyce Moreno:

Fernanda Takai lança clipe de Estrada do Sol e fará um show

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por Fabian Chacur

Já está no ar o clipe de Estrada do Sol, uma das faixas de O Tom da Takai, novo trabalho solo de Fernanda Takai que está disponível em CD e nas plataformas digitais pela gravadora Deck e em vinil e fita cassete pela Polysom. O álbum traz composições de Tom Jobim, e conta com produção e participação de dois craques da bossa nova, Roberto Menescal e Marcos Valle.

As cenas do clipe foram registradas em um estúdio durante as gravações do disco, e mostram em cena, além da cantora do Pato Fu, os músicos Roberto Menescal (guitarra), Marcos Valle (Rhodes),João Cortez (bateria), Adriano Giffoni (baixo) e Adriano Souza (piano, vibrafone e órgão), um time afiadíssimo que dá a Estrada do Sol uma levada latina deliciosa que a voz suave da cantora complementa com categoria.

Fernanda mostrará o repertório de O Tom da Takai em show no Rio de Janeiro que será realizado dia 3 de agosto (sexta) no Blue Note Rio (avenida Borges de Medeiros, nº 1.424- Lagoa- fone 0xx21-3799-2500), com ingressos a R$ 75,00 (meia) e e R$ 150,00 (inteira) por sessão. Sim, teremos duas sessões no mesmo dia, uma às 20h e a outra às 22h30.

Estrada do Sol (clipe)- Fernanda Takai:

Edu, Dori & Marcos é uma boa e peculiar reunião de gênios

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Por Fabian Chacur

Edu Lobo, Marcos Valle e Edu Lobo são amigos desde o início da década de 1960, quando davam os primeiros passos em suas carreiras. Chegaram a atuar como trio, mas logo cada um seguiu o seu caminho, embora a amizade tenha se mantido firme e forte durante esses mais de 50 anos. Agora, enfim chegou a hora de eles se reunirem em um projeto fonográfico, o CD Edu Dori & Marcos (Biscoito Fino), trabalho delicioso feito de forma bem peculiar e original.

O álbum não traz os três cantando e tocando juntos em nenhuma de suas 12 faixas. A concepção foi a seguinte: cada um escolheu quatro composições, sendo duas de cada colega, e se incumbiu dos vocais e direção musical. Ou seja, nenhum cantou músicas de sua própria autoria. A banda base que acompanhou os três traz os craques Cristóvão Bastos (teclados), Jorge Helder (baixo), Jurim Moreira (bateria) e Jessé Sadoc (sax), além de outros músicos de apoio.

Partindo desse princípio, tivemos a oportunidade, por exemplo, de ouvir Edu Lobo reler de forma inspirada Viola Enluarada e O Amor é Chama, de Marcos e Paulo Sérgio Valle. Ele, que optou por não tocar violão em suas gravações, também se deu bem nas duas canções pinçadas do repertório de Dori, as belas Na Ribeira Deste Rio e Velho Piano.

Por suar vez, Dori valeu-se de seu envolvente violão e voz grave para recriar com categoria Bloco do Eu Sozinho e Passa Por Mim, de Marcos Valle, e Dos Navegantes e Na Ilha de Lia No Barco de Rosa, de Edu Lobo. Valle, cantando e tocando piano, fecha o ciclo mandando bem em Saveiros e Alegre Menina, de Dori Caymmi, e Canto Triste e Corrida de Jangada, de Edu Lobo.

O clima do disco é centrado nas melodias, com um acento doce e envolvente. A alternância dos vocalistas dá uma diversidade bem bacana à audição do álbum, enquanto os arranjos investem em um clima intimista sem cair em algo introspectivo demais. Se fica a curiosidade de saber como teria sido se eles participassem das faixas uns dos outros, o resultado final da concepção de Edu Dori & Marcos nos proporcionou um CD belíssimo, consistente e artisticamente impecável.

Na Ribeira desse Rio– Dori Caymmi, Marcos Valle e Edu Lobo:

Joyce Moreno lança um belo e envolvente novo single no ar

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Por Fabian Chacur

Em 31 de janeiro, Joyce Moreno celebrou 70 anos de uma vida muito bem dedicada à música. Em termos profissionais, já temos meio século de atuação dessa seminal e incrível cantora, compositora e violonista carioca. Para celebrar essa segunda efeméride, ela acaba de lançar um novo e contagiante single, já disponível nas plataformas digitais. Trata-se da deliciosa A Velha Maluca, que pode ser o prenúncio de um novo álbum.

Aliás, esse single está sendo divulgado como o início dessa comemoração. E tem de festejar, mesmo, pois essa jovial e inquieta artista esbanja energia, criatividade e poder de seduzir seus fãs pelos quatro cantos do mundo. Com uma letra muito bem-humorada e aquela batida de violão que marca sua produção, além do acompanhamento perfeito de sua banda, a moçoila esbanja swing e nos diverte com versos como “a velha maluca já viu coisas demais”.

E olha que o álbum de inéditas mais recente dela saiu no ano passado, Palavra e Som, bastante elogiado e com participação especial do amigo Dori Caymmi. Joyce conseguiu em seu trabalho unir o violão da bossa nova com elementos de várias vertentes da música brasileira e também com elementos de jazz. Sua discografia é belíssima, com destaque para o incrível Feminina (1980), um dos melhores álbuns de todos os tempos. Mais do que nunca, queremos ouvir Joyce Moreno!

A Velha Maluca– Joyce Moreno:

Jane Morais e bossa nova em um show na Virada Cultural

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Por Fabian Chacur

Se você é daqueles que só conhece Jane Morais por sua atuação na deliciosa dupla cult Jane & Herondy, do eterno hit Não Se Vá, não sabe da missa nem a metade. A cantora paulista também possui uma belíssima história como cantora de bossa nova e MPB. E é esse lado de sua trajetória que ela mostrará ao público neste domingo (20) ao meio-dia na Sala Olido (avenida São João, nº 473- Centro- fone 0xx11-3331-8399), com entrada gratuita, em show que integra a Virada Cultura 2018.

Jane começou sua carreira ainda criança, atuando em rádio e TV. Nos anos 1960, criou o trio Os Três Morais ao lado dos irmãos Sidney e Roberto, dedicando-se à bossa nova e à então emergente MPB. Além de participar dos principais festivas da canção da época, o grupo também gravou e fez shows com artistas do porte de Baden Powell, Eduardo Gudin, Chico Buarque, Johnny Alf, Tom Zé e Egberto Gismonti, entre outros, com grandes elogios de público e crítica.

Com Açúcar Com Afeto, sucesso lançado por Chico Buarque em 1967, conta com a voz de Jane, em dueto que invadiu as paradas de sucesso. Em seu show na Sala Olido, a ótima e simpática interprete promete mostrar belas canções de MPB e bossa e também contar deliciosas histórias daqueles anos de ouro da nossa música popular, nos quais também cantou em badalados bares e casas noturnas.

Com Açúcar, Com Afeto– Chico Buarque e Jane Moraes:

Leny Andrade incorpora belas composições de Fred Falcão

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Por Fabian Chacur

Fred Falcão era ainda um jovem compositor em busca de reconhecimento quando a já badalada cantora Leny Andrade entrou em seu caminho, lá pelos idos de 1966. Ela o aconselhou a mostrar Vem Cá Menina para o consagrado grupo Os Cariocas, e foi exatamente isso o que ele fez, e se deu bem. Agora, mais de 50 anos depois, os bons amigos se reúnem para um projeto delicioso: Leny Andrade Canta Fred Falcão-Bossa Nossa (Biscoito Fino).

Desde que se conheceram, muita coisa aconteceu na vida dos dois personagens deste álbum. Fred Falcão teve suas músicas gravadas nas décadas de 1960 e 1970 por nomes do gabarito de Wilson Simonal, Vanusa, Maysa, Clara Nunes, Beth Carvalho, Nelson Gonçalves, Luiz Gonzaga, Os Cariocas, Pery Ribeiro, Boca Livre, Golden Boys e outros. Advogado de ofício, deixou a música de lado por algum tempo, mas não para sempre, pois não faria sentido.

Incomodado por não ter seu nome associado a canções que escreveu e fizeram sucesso, ele resolveu gravar álbuns reunindo sua obra interpretada por ele e amigos famosos. Nesse clima, surgiram os CDs Imparceria (2006), Voando na Canção (2011) e Nas Asas dos Bordões (2014). E foi quando este pernambucano radicado no Rio preparava novas composições para um novo CD que Leny voltou à cena.

Considerada uma das melhores cantoras brasileiras e com fãs nos quatro cantos do mundo, admirada não só no cenário da bossa nova e MPB como também pelos jazzistas, Leny Andrade já havia participado de um dos CDs de Fred. Ao mandar as novas canções para ela escolher uma delas, a intérprete se ofereceu para gravar o álbum inteiro, proposta irrecusável que Fred obviamente não perdeu tempo em aceitar rapidamente. Surgia assim este admirável CD.

Com um repertório de 12 músicas maravilhosas, escritas sozinho ou com os parceiros Carlos Costa, Aroldo Medeiros, Ed Wilson, Lysias Ênio e Nelson Wellington, Fred deixou seu lado músico de lado e montou um time do tipo seleção, integrado por Jorge Helder (baixo), Lula Galvão (violão e guitarra), Rafael Barata (bateria) e João Carlos Coutinho (produção musical, arranjos, piano e acordeom), concentrando-se na direção artística e seleção/composição do repertório.

Com essa escalação e esse material, a probabilidade de termos em mãos um projeto impecável era imensa, e se concretizou sem maiores temores. As músicas viajam por variações bacanas da bossa nova, indo desde temas mais rítmicos como outros mais introspectivos e líricos, com os músicos demonstrando um swing e entrosamento de dar gosto, aproveitando alguns instantes para improvisos deliciosos, sem nunca deixar as composições em segundo plano.

E temos, obviamente, a estrela da companhia, Leny Andrade, esbanjando emoção, técnica e bom gosto em cada interpretação. No auge de seus 75 anos, soa como se fosse uma jovem com fome de bola, e ao mesmo tempo relaxada e tranquila, oferecendo às belas composições de Fred Falcão vida plena e vigorosa. Ela, vamos combinar, incorporou cada uma delas. Que beleza sem fim!

Difícil destacar só uma ou duas das músicas do CD, mas para não ficar em cima do muro, vamos de O Amor Pegou na Veia, Alô Donato, Tons de Ipanema e a faixa-título. E não nos esqueçamos das letras, que abordam as várias fases do amor e também mergulham nas lembranças e referências da Bossa Nova com sensibilidade e charme. Leny Andrade Canta Fred Falcão- Bossa Nossa é um disco que já surge clássico, um bálsamo para a alma em tempos tão conturbados como os atuais.

Bossa Nossa– Leny Andrade:

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