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O genial Burt Bacharach volta a SP em abril

Por Fabian Chacur

A palavra gênio nunca é usada de forma exagerada quando o nome em questão é Burt Bacharach. O maestro, compositor e músico americano, autor de um caminhão de clássicos da música pop, voltará a São Paulo no dia 20 de abril, quando fará um show com sua orquestra no HSBC Brasil, com ingressos de R$ 150,00 a R$ 400, 00 (www.hsbcbrasil.com.br).

Nascido em 12 de maio de 1928 em Kansas, nos EUA, Burt Bacharach iniciou sua carreira nos anos 50, e encontrou sua cara metade em termos artísticos ao conhecer o saudoso letrista Hal David, morto em setembro de 2012 (leia mais sobre ele aqui).

Juntos, Bacharach e David compuseram inúmeros sucessos do mais alto quilate, entre os quais Anyone Who Had a Heart, Mexican Divorce, (They Long To Be) Close To You, Walk On By, Raindrops Keep Falling On My Head, Reach Out For Me, Baby It’s You e I Saw a Little Prayer, só para citar alguns, gravadas por Deus e o mundo.

Com melodias insinuantes, arranjos sempre classudos e as letras sempre inspiradas e originais, a dupla Bacharach/David entrou para os anais da música pop graças às suas criações dos anos 60 e 70. As gravações dessas canções com a orquestra de Burt também são certeiras, com aqueles vocais doces e orquestrações que fogem do brega e do convencional.

Bacharach voltou às paradas de sucesso nos anos 90 ao gravar o álbum Painted From Memory (1998) em parceria com o roqueiro britânico Elvis Costelo, álbum que inclui uma de suas mais inspiradas canções, God Give Me Strenght. Alias, a dupla prepara um espetáculo para a Broadway com o ator Mike Myers, enquanto Burt promete ainda para este ano sua autobiografia, Anyone Who Had a Heart, que será lançada pela editora Harper-Collins.

*obs.: essa matéria é dedicada a você, saudoso Toninho Spessoto, o maior fã e especialista em Burt Bacharach que conheci na minha vida!

God Give Me Strengh – Elvis Costello e Burt Bacharach:

Mexican Divorce, com Burt Bacharach:

Morre o genial letrista pop Hal David

Por Fabian Chacur

O que canções maravilhosas como Raindrops Keep Falling On My Head, Close To You, Baby It’s You, That’s What Friends Are For, Mexican Divorce, Reach Out For Me, Walk On By, I Say A Little Prayer, entre dezenas e dezenas de outras, tem em comum? As letras inteligentes de Hal David.

Este brilhante letrista morreu neste sábado (1º) nos Estados Unidos, aos 91 anos, vítima das consequência de um derrame sofrido há alguns dias. Ele foi o principal parceiro de outro gênio, o maestro americano Burt Bacharach.

David conheceu Bacharach em 1957, quando começaram a trabalhar juntos em um dos vários cubículos do lendário Bill Building, célebre prédio situado em Nova York no qual compositores atuavam no intuito de escrever canções para outros intérpretes.

Seu primeiro sucesso, naquele mesmo ano, foi a canção Magic Moments, gravada pelo crooner Perry Como. Mas a dupla estouraria mesmo após se associar a uma jovem intérprete, Dionne Warwick, a partir de 1962.

Com o tempo, Warwick gravaria hits como I Say a Little Prayer, Walk On By e outras, ajudando a divulgar a obra de Bacharach/David. Inúmeros outros astros gravaram suas canções, como Frank Sinatra, Aretha Franklin e até mesmo os Beatles, que em seu primeiro álbum releram com maestria Baby It’s You.

Outro intérprete que registrou bem as canções da dupla foi B.J.Thomas, que se tornou famoso mundialmente graças à obra-prima Raindrops Keep Falling On My Head, que até um Oscar rendeu a seus autores. Os Carpenters também tiveram muito sucesso ao gravá-los, como provou o estouro de Close To You, por exemplo.

A orquestra do próprio Burt Bacharach também invadiu as paradas com algumas dessas músicas, entre as quais destaco Mexican Divorce (grande sucesso no Brasil), What The World Needs Now e Reach Out For Me.

Em 1973, o fracasso do filme Lost Horizon (Horizonte Perdido), que só fez sucesso no Brasil, levou a dupla a seguir outros rumos. Isso, mesmo com a trilha sendo maravilhosa, incluindo o tema principal e a belíssima Living Together Growing Together.

Eles só voltariam a compor juntos em 1992, quando Dionne Warwick gravou Sunny Weather Lover, primeira composição dos ex-parceiros em quase 20 anos.

Conhecido pela inteligência, delicadeza e sensibilidade de suas letras, Hall David também teve grande atuação na área da defesa dos direitos autorais, presidindo entidades e ajudando a valorizar o trabalho dos compositores, nem sempre tão reconhecidos como os intérpretes.

Ele também compôs om autores do nível de John Barry (Moonraker, tema de um dos filmes da franquia James Bond) e Albert Hammond (To All The Girls I’ve Loved Before, hit com Julio Iglesias e Willie Nelson na década de 80).

Ouça Baby It’s You, com os Beatles:

Ouça Close To You, com os Carpenters:

Ouça Mexican Divorce, com Burt Bacharach Orchestra:

Rumer, a doce e delicada revelação do pop atual

Por Fabian Chacur

Em um mercado no qual parece que o mais importante é quanto se bebe, as roupas que se veste ou a tal de “atitude” imposta pelas Lady Gagás da vida, é bacana ver gente ficando badalada pelo simples fato de cantar e compor boas canções pop.

Esse é o caso de Sarah Joyce, paquistanesa filha de uma inglesa com um nativo daquele país nascida há 31 anos e radicada desde os 10 no Reino Unido.

Com o curioso nome artístico Rumer, a cantora e compositora estreia como artista solo com um disco que consegue ser ao mesmo tempo simples, sofisticado, pop, original e delicioso.

Seasons Of My Soul, que chegou ao mercado britânico no final de 2010 e que agora sai no Brasil pela Warner, inclui 10 composições próprias da moça e três releituras de sucessos pop.

O seu universo musical é basicamente o pop-soul dos anos 60 e 70, com nítidas e nobres influências de Laura Nyro, Burt Bacharach, The Fifth Dimension e The Carpenters.

A voz de Rumer é suave, doce e sempre muito bem colocada, enquanto suas composições trazem como marca boas melodias, letras muito simpáticas e uma capacidade de encantarem o ouvinte até hipnotizá-lo por completo.

Não é por acaso que gente do gabarito de Elton John, Jools Holland e Burt Bacharach se confessou fã de seu trabalho.

Bacharach foi além, convidando-a para gravar com ele um EP com músicas natalinas lançado em 2010 e ainda inédito por aqui.

O CD começa com a deliciosa Am I Forgiven, que parece saída de um disco de Laura Nyro, e vai se espalhando em nossos ouvidos, com maravilhas do naipe de Come To Me High, Slow, a faixa título, Saving Grace e On My Way Home, só para citar algumas do material próprio.

As releituras são de Goodbye Girl, sucesso de David Gates (do grupo Bread) e tema do filme A Garota do Adeus (1977), Alfie, de Burt Bacharach e tema do filme homônimo, e It Might Be You, sucesso de Stephen Bishop e tema do filme Tootsie. Das três, só a última não ficou tão bacana, mas ainda assim aceitável.

No geral, Seasons Of My Soul é a madura estreia de uma cantora classuda, simples, hipnótica e que tem tudo para nos proporcionar coisas ainda melhores em um futuro próximo.

Veja o clipe de Am I Forgiven:

Elvis Costello voltará ao Brasil em abril

Por Fabian Chacur

Bela notícia para os fãs de rock de primeiríssima linha.

Elvis Costello voltará ao Brasil para shows nos dias 5 e 6 de abril, respectivamente em São Paulo (Credicard Hall) e Rio (Citibank Hall).

Será a terceira vez do cidadão por aqui.

Na primeira, em 1995, ele veio apenas fazer uma participação especial durante um show no extinto Free Jazz Festival.

Foi realizada uma entrevista coletiva, na qual tive a oportunidade não só de fazer algumas perguntas, como também de pegar um autógrafo do cara.

Em 2005, ele retornou, só que dessa vez para shows completos que agradaram bastante quem os viu. Não pude ir, buááááá!

O cantor, compositor e músico britânico está divulgando seu mais recente álbum, National Ransom, lançado em outubro do ano passado e gravado com um de seus grupos, o The Imposters, cuja formação é bem semelhante ao que o consagrou, The Attractions.

Com 56 anos de idade, Costello, cujo nome de batismo é Declan McManus, tornou-se conhecido mundialmente graças a seu segundo álbum, o explosivo This Year’s Model (1978), do qual faz parte o torpedo rocker Pump It Up.

Rapidamente, ele se tornou um dos mais bem-sucedidos nomes surgidos no movimento new wave, mas ainda mais rapidamente se mostrou distante de rótulos ou amarras que tolhessem sua criatividade.

Sua coqueteleira musical acrescentou elementos como country, jazz, ska, rock básico, soul, pop e até música erudita.

O resultado: músicas fantásticas como Alison, Everyday I Have The Book, This Town, 45 e dezenas de outras.

Ele compôs diversas músicas com Paul McCartney, entre elas as ótimas Veronica e My Brave Face.

Outro parceiro ilustre foi Burt Bacharach, com o qual gravou o álbum Painted For Memory (1998).

Seu maior sucesso comercial foi possivelmente a releitura de She, sucesso em inglês de Charles Aznavour que ele regravou para a trilha do filme Um Lugar Chamado Notting Hill, de 1998.

Traincha dá tratamento de luxo às clássicas composições do mestre Burt Bacharach

Por Fabian Chacur

Já sei o que você deve estar pensando, após ler o título deste post: Tra o quê? Do que se trata? É de comer? O que vem a ser isso? Grupo, cantor, cantora, ET?

Não posso condená-lo. Ao ver esse nome, também fiquei com cara de bolacha Maria.

Achou complicado? Pois o real nome da cantora holandesa conhecida mundialmente por esse apelido é Judith Katrijntje Trijntje Oosterhuis. Que tal?

Mas a complicação pára por aqui.

Com 37 anos de idade, Traincha é uma cantora excepcional.

Ela iniciou sua carreira nos anos 90 e se firmou no cenário holandês como uma das grandes intérpretes de lá.

A moça, que possui uma forte semelhança visual com Frida, ex-cantora do Abba, envereda pelo pop e pelo jazz com grande categoria.

Em 2006, lançou The Look Of Love, CD dedicado ao repertório de um dos grandes estilistas da história da música pop, o magnífico Burt Bacharach.

Dois anos depois, gravou mais um disco com as canções do mestre. Detalhe: o próprio tocou piano em cinco faixas desses trabalhos, dando o seu aval à moça.

Agora, Traincha arremata a homenagem ao lançar Best Of Burt Bacharach Live, DVD gravado ao vivo em outubro de 2009 em Amsterdã com o acompanhamento da Metropole Orchestra, conduzida por Vince Mendoza.

Com um vozeirão que usa com bom-senso e absurdo bom gosto, Traincha extrai de cada canção o seu máximo.

O repertório de 21 músicas do DVD faz uma viagem ampla e abrangente pela obra de Bacharach, e não se restringe aos grandes sucessos.

Lógicos que pérolas do quilate de The Look Of Love, I Say a Little Prayer, Walk On By e What The World Needs Nows estão aqui.

Mas a bela morena também mergulhou em momentos menos manjados da obra do autor americano, como as ótimas Stronger Than Before, Waiting For Charlie (To Come Home) e God Give Me Strenght.

Aliás, a interpretação da moça para esta última, parceria de Bacharach com Elvis Costello e tema do filme Grace Of My Heart, é simplesmente arrasadora, provavelmente o ponto alto de um DVD brilhante.

O pacote traz também como bônus um CD de áudio, com 13 das 21 músicas gravadas.

Vou cometer uma heresia aqui: após ver este DVD, atrevo-me a dizer que Traincha se mostrou uma intérprete da obra de Burt Bacharach ainda melhor do que Dionne Warwick, até hoje considerada a campeã neste setor e responsável por ter lançado boa parte dos sucessos do mestre.

É uma tese polêmica, sei disso. Mas vida sem um pouco de polêmica não vale a pena. Ouça esse Best Of Burt Bacharach Live e tire suas próprias conclusões.

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