Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Tag: caetano veloso (page 1 of 2)

Nelly Furtado lança seu novo trabalho no dia 31 de março

nelly furtado-400x

Por Fabian Chacur

Já tem data para ser lançado o novo trabalho de Nelly Furtado. The Ride, CD da cantora e compositora canadense descendente de portugueses, chegará ao mercado no dia 31 de março pelo seu selo, o Nelstar, criado em 2009. Agora com os cabelos adoravelmente curtinhos, Furtado nos oferece o sexto trabalho de sua bem-sucedida carreira, cinco anos após The Spirit Indestructible (2012).

The Ride conta com a produção de John Congleton, conhecido por ter trabalhado com nomes do porte de St.Vincent, Blondie, Franz Ferdinand e Erykah Badu. A cantora comenta a química da parceria dos dois neste novo álbum: “foi muito legal, porque sou super pop – eu realmente gravito em direção a melodias pop quando escrevo – mas John é realmente interessante e pode reorganizar minha música pop em um arranjo mais punk, nada como o que eu faria”.

Nelly estourou no cenário pop logo com seu disco de estreia, Whoa, Nelly (2000), que traz os hits I’m Like a Bird e Turn Off The Light e lhe rendeu um troféu Grammy. Folklore (2003) tem como destaque Island Of Wonder, seu dueto com Caetano Veloso. Loose (2006) atingiu o primeiro lugar na parada americana, enquanto Mi Plan (2009) foi seu primeiro trabalho em castelhano. Pipe Dreams, do novo CD, já conta com um belo clipe, e é uma das 12 faixas autorais do disco.

Pipe Dreams (clipe)- Nelly Furtado:

Anitta não cabia em um show de total excelência artística

anitta-400x

Por Fabian Chacur

Repercute e ainda repercutirá por muito tempo a participação da cantora carioca Anitta no show de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, realizado na noite desta sexta-feira (6) no estádio do Maracanã. Uns dizem que ela não poderia estar presente no show. Outros, que ela representa o que há de mais moderno e popular na música brasileira atual. Os fãs vibraram; os detratores baixaram a lenha. E aí, qual seria a posição mais sensata para essa análise?

Para mim, o xis da questão reside no fato de que a abertura de um evento de proporções mundiais e visto por bilhões de pessoa via TV pelo mundo afora só deveria comportar a excelência do país em todos os aspectos. Incluindo a parte artística. E é aí que a coisa pega em relação à escalação da jovem cantora e compositora de 23 anos para atuar ao lado de dois gênios da arte brasileira, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

É preciso respeitar Anitta, antes de tudo. Não é fácil chegar ao topo das paradas de sucesso e se manter por lá por tipo três anos, como a intérprete de Bang e Show das Poderosas está conseguindo. Isso é fruto do trabalho da gravadora Warner e de quem gerencia a sua carreira, claro, mas se ela não tivesse talento algum, obviamente não daria certo por tanto tempo. E para quem acha três anos pouco, isso é uma eternidade no mundo do show business, no qual reputações e carreiras começam e terminam mais rápido que o tempo para ler este parágrafo.

No entanto, é nítido que Anitta é ainda uma artista em formação. Não se trata de uma espécie de talento inato que surgiu de forma rápida e se consolidou a jato. São raríssimos os artistas com esse dom. E não há problemas em relação a isso, pois cada um amadurece no seu tempo. No entanto, quando se trata de escolher alguém que represente não só uma nação, mas uma cultura que é repleta de grandes talentos, não dá para escolher alguém com esse status.

Para vestir a camisa de um elenco de cantoras que já teve Elis Regina, Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira e tantos outros talentos absurdos, não dá para se colocar uma novata promissora. Era missão para Gal Costa, Ivete Sangalo, Maria Bethânia, alguém com essa estatura. Ou, se fosse o caso de colocar alguém mais jovem cronologicamente, que se optasse por Vanessa da Mata, Céu ou Maria Rita, essas, sim, novas, mas já com trajetórias sólidas.

Anitta não se saiu mal interpretando Isso Aqui o Que É, clássico de Ary Barroso, ao lado de Caetano e Gil. Não desafinou, não errou letra, nada desse gênero. Merecia uma nota seis, seis e meio, algo assim. Mas, pelo amor de Deus, esse show era coisa para nota dez! Se você tem quem possa ganhar a medalha de ouro, pra que apostar em alguém que só pode nos proporcionar a de bronze, ou nem isso? É simples assim. Valeu, Anitta, mas não deu pra você, com todo o respeito.

Isso Aqui o Que É– Caetano Veloso:

Isso Aqui o Que É– Joyce Moreno:

Isso Aqui o Que É– Emilio Santiago:

Negra Li fará o primeiro DVD com produção de JM Bôscoli

negra li @ jr duran-400x

Por Fabian Chacur

Uma das melhores e mais bem-sucedidas crias do cenário hip hop brasileiro nos últimos anos está preparando uma bela novidade para seus inúmeros fãs. Negra Li anunciou que está em pleno processo de produção de seu primeiro DVD. Mais: esse trabalho terá como produtor João Marcello Bôscoli, conhecido por sua atuação com a gravadora Trama. Vem coisa boa por aí.

O repertório ainda não foi divulgado e está em fase de seleção, mas dá para se esperar uma geral em suas músicas mais conhecidas, com o acréscimo de algumas faixas para surpreender a todos. O DVD, que deve ser gravado ao vivo, marcará a comemoração de 20 anos da cantora e compositora, iniciada como integrante do Virtude Negra.

Negra Li completou 36 anos no último dia 17 de setembro, e ficou conhecida a princípio por sua atuação com o grupo de rap RZO. Seu primeiro trabalho, Guerreiro Guerreira (2004), foi gravado em dupla com um dos integrantes daquele time de rap, Helião. Depois, lançou dois CDs solo, Negra Livre (2006) e Tudo de Novo (2012), com ótima repercussão de público e crítica.

A cantora também participou do filme Antonia (2006) e de sua respectiva trilha sonora, além de ter lançado em 2014 Você Vai Estar Na Minha-Duetos, coletânea que reúne suas parcerias com artistas do calibre de Caetano Veloso, Charlie Brown Jr., Akon, Sérgio Britto e Skank, entre outros. Atualmente, ela é semifinalista da Dança dos Famosos, do Domingão do Faustão.

Você Vai Estar na Minha– Negra Li:

Beautiful– Negra Li e Akon:

Telefonema– Negra Li e Caetano Veloso:

Abraçaço, de Caetano Veloso, sai em vinil

Por Fabian Chacur

Dando prosseguimento a sua bela série de lançamentos no formato vinil de 180 gramas de clássicos da música brasileira, a Polysom escolheu agora um título bem mais recente do que os anteriores. Trata-se de Abraçaço, de Caetano Veloso, lançado originalmente em 2012 e licenciado pela Universal Music. O álbum continua repercutindo, e gerou um show registrado nos formatos CD e DVD e lançado há pouco no mercado musical.

Abraçaço completa a trilogia gravada em estúdio pelo genial cantor, compositor e músico baiano com a Banda Cê, integrada por Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo) e Marcelo Callado (bateria), músicos bem mais jovens do que o agora setentão Caê e que trouxeram um acento roqueiro e bastante energia e pique ao seu trabalho, gerando reações bem distintas dos fãs.

A marca registrada de Abraçaço em relação aos ítens anteriores desse trio de álbuns de estúdio é o fato de Caetano explorar vários outros ritmos, como funk melódico, axé music, bossa nova e baladas, mas sempre com um tempero roqueiro e minimalista. Canções como A Bossa Nova É Foda, Estou Triste e O Império da Lei são destaques de um trabalho que mantém o autor de Sampa e de tantos outros clássicos da MPB relevante como de praxe.

Veja o clipe de A Bossa Nova É Foda, com Caetano Veloso:

Gal Costa mostra várias facetas em novo DVD

Por Fabian Chacur

No final de 2011, Gal Costa lançou o ousado álbum Recanto, seu primeiro trabalho de inéditas em quase uma década e com repertório composto especialmente para ela por Caetano Veloso. O trabalho gerou uma turnê que, por sua vez, acaba de render o DVD e CD duplo Recanto Gal Ao Vivo, lançado pela Universal Music.

Como forma de divulgar esse novo ítem em seu currículo, a cantora baiana concedeu uma entrevista coletiva à imprensa em São Paulo (onde mora atualmente), realizada em um hotel de luxo na região dos Jardins. Mondo Pop esteve lá e teve a chance de fazer algumas perguntas e também de saber mais sobre o DVD/CD.

Simpática, tranquila e não aparentando nem de perto os 67 anos de idade que possui, Gal deu uma geral em seus projetos mais recentes, detalhou alguns aspectos dessa nova obra e fez comentários sobre o seu modo de encarar a vida e a profissão. Uma entrevista muito bacana, que durou quase uma hora e que você poderá ler a seguir, em seus melhores momentos.

Como foi a concepção de Recanto Gal Ao Vivo, e como foram sendo encaixadas as canções de outras fases de sua carreira ao lado do repertório do disco de estúdio?
Gal Costa– O álbum de estúdio teve como ideia inicial ser feito com minha voz em tom mais cool. O show acabou virando outra coisa, pois os arranjos cresceram, os músicos adicionaram outros elementos. A estreia foi no Rio em um lugar intimista, mas a segunda apresentação ocorreu em São Paulo ao ar livre, com um público heterogêneo mas com muitos jovens,que estão ouvindo meus discos dos anos 60 e 70. E ali ficaram explicitadas todas as Gals que estão dentro de mim. As canções antigas foram adaptadas à nova sonoridade, mas algumas soam mais próximas dos arranjos anteriores. Baby, por exemplo, ficou mais suave. Há mudanças maiores e menores, dependendo de cada canção.

Como ocorreu a seleção do repertório e a escolha dos músicos que tocaram com você neste show?
Gal Costa– O Caetano (produtor do CD e diretor do show) selecionou o repertório, sendo que não concordei com uma ou duas músicas, e teve uma que entrou depois. Os músicos foram escolhidos pelo Moreno Veloso e pelo Caetano, e nasceu uma harmonia espontânea entre eu e eles. Fizemos 16 ensaios para o show, o que não é muito. A interação entre nós foi rápida.

Um desses músicos é o Pedro Baby, que é filho do Pepeu Gomes e da Baby do Brasil. Você, no lendário show Fa-Tal, tocou com Pepeu. Como foi ter agora o filho dele em sua banda?
Gal Costa– Conheci o Pedro Baby quando ele era pequenininho, era muito amiga da Baby, tenho um carinho muito grande por ele, que toca muito bem. Aliás, foi emocionante tocar novamente Vapor Barato no mesmo teatro (o hoje Theatro Net Rio) em que essa música foi lançada por mim no show Fa-tal.

No repertório do show, temos várias músicas clássicas em seu repertório, e também aquela que provavelmente é a que fez mais sucesso entre todas, Um Dia de Domingo, que você gravou originalmente com o Tim Maia. Como surgiu a ideia de neste show você imitar o Tim Maia na parte que ele cantava, e como você avalia essa canção em sua carreira?
Gal Costa– A sugestão de eu imitar o Tim Maia veio do Caetano, e fiz uma caricatura dele, aproveitei os graves que tenho hoje na voz. Gravei originalmente essa música por causa do Tim, que eu só conheci em 1985 quando participamos da música Chega de Mágoa, gravada em benefício do Nordeste. Ele me elogiou e propõs que gravássemos juntos. Essa canção era dos autores que ele gravava, deixei a música no meu disco Bem Bom por causa dele, essa música existe na minha vida graças a ele. Um Dia de Domingo fez sucesso no Brasil todo e na América Latina, em Portugal. Fui também crucificada pela crítica por gravá-la, mas nunca tive medo de encarar desafios, faz parte do meu temperamento.

Quem ouvir e ver o DVD terá a oportunidade de observar que você continua cantando músicas que gravou há décadas nos mesmos tons originais, sem ter perdido rigorosamente nada de sua afinação. A que você atribui isso? Faz algum tipo de preparação ou coisa do gênero para manter de forma tão intacta sua voz?
Gal Costa– Nunca aprendi canto, sempre tive muita intuição ao usar minha voz. Descubro coisas enquanto canto, mas eu me deixo levar, a emoção vem nova, sempre. Eu me aproprio das canções. Canto as antigas nas mesmas tonalidades em que as gravei. Não perdi os agudos e ainda ganhei os graves que o tempo nos dá. Procuro cuidar da minha saúde, pois quero envelhecer de forma saudável, tendo saúde.

Quais são os seus planos para este ano? Tem outros projetos já engatilhados?
Gal Costa– Já estou pensando em um próximo trabalhom sem nada fechado que eu possa revelar agora. Recanto ainda tem muita história pela frente, pelo menos durante este ano. Farei shows em vários locais, sendo que em São Paulo cantarei no Teatro Bradesco e no Sesc Pinheiros. Também me apresentarei no Circo Voador (RJ), Portugal, Itália, França etc.

Muitas cantoras e artistas da nova geração citam você como uma forte influência. Como encara isso?
Gal Costa– A nova geração tem cantoras super bacanas. Conheci pessoalmente a Céu, a Tulipa Ruiz. A juventude sempre traz boas energias, mas a minha alma sempre foi jovem, não é nada forçado. Cantar para os jovens é bom, a energia é muito forte, muito boa.

Recanto Escuro (ao vivo)- Gal Costa:

Vapor Barato (ao vivo) – Gal Costa:

Caetano lança clipe colaborativo de Abraçaço

Por Fabian Chacur

Caetano Veloso e a Universal Music, através das redes sociais, pediram fotos aos fãs tendo como tema registros de abraços. Inúmeros foram mandados a eles via Instagram. Centenas foram selecionados e agoram estão eternizados no clipe da música Abraçaço, que dá nome ao mais recente trabalho de inéditas de Caê (leia crítica aqui), gravado com a ótima banda Cê.

O clipe recém-lançado, que você poderá ver no fim deste post, ficou muito legal, e combina de forma bastante feliz com o clima urgente e atraente dessa canção, um dos pontos altos do álbum de inéditas que o autor de Leãozinho lançou em 2012, ano em que completou 70 anos de idade (leia homenagem de Mondo Pop aqui).

Outros lançamentos bacanas e recentes envolvendo Caetano Veloso são a belíssima reedição do álbum Transa (1972), com direito a remasterização e reprodução da arte original da versão original em vinil (leia a crítica aqui) e o CD gravado ao vivo nos EUA ao lado do ex-integrante dos Talking Heads David Byrne (leia crítica aqui).

Veja o clipe de Abraçaço, de Caetano Veloso:

Tio Caetano vira sobrinho ágil em Abraçaço

Por Fabian Chacur

Aos 70 anos de idade, Caetano Veloso parece qualquer coisa, menos um septuagenário como imaginávamos antigamente alguém com essa idade. O sujeito está mais inquieto e criativo do que nunca. Abraçaço, seu novo CD, está mais para trabalho de sobrinho do que de tio. Ótimo, um dos melhores de 2012.

Desde o início de sua carreira, nos já distantes anos 60 do século passado, Caetano nunca se limitou a uma única sonoridade/abordagem/estilo em seus trabalhos. Abrangente no limite do impensável, ele é um artista sempre inquieto, e que, por isso, nem sempre consegue agradar a todos. Provavelmente nem pretende tal feito, por maior que seja o seu ego de leonino.

A fase atual, iniciada com o estupendo (2006) e que o une aos excelentes Pedro Sá (guitarra e vocais), Ricardo Dias Gomes (baixo, teclados e vocais) e Marcelo Callado (bateria, percussão e vocais), é uma das mais interessantes dessa trajetória toda.

O Caê das melodias delicadas e bossa-novistas e dos ritmos afrobaianos se encaixa feito luva no universo rock and roll do jovem trio de músicos. O melhor: o autor de Sampa mergulha no rock, mas a Banda Cê também não tem medo de enfiar a cara na brasilidade inerente ao som do astro baiano. Resultado: mistura da boa.

O rockão com direito a eventual quebradeira bossa de A Bossa Nova É Foda é o grande single do disco, com sua letra repleta de palavras sonoras e difícil decodificação. Seria algo no estilo “O mundo se curvou ao Brasil”, tendo a bossa nova como base? Essa é a minha interpretação. Descole a sua! Devem existir pelo menos uma outras mil possíveis.

Abraçaço traz solos endiabrados de guitarra de Pedro Sá, enquanto Estou Triste é um daqueles momentos introspectivos roqueiros a la Radiohead, embora sem soar como cópia barata. Quero Ser Justo é uma variação mais próxima da MPB da mesma tendência de Estou Triste, mas com clima mais Sampa.

O Império da Lei soma uma levada sambaiana animada a uma letra curta e de forte teor político. E a política é também tema de Um Comunista, homenagem a Carlos Marighella que soa ambígua, defendendo e não defendendo ao mesmo tempo, o que é bem próximo do pensamento acerca desse tema do tipo campo minado.

Em Funk Melódico e O Galo Cantou, Caetano experimenta inserir em sua musicalidade elementos respectivamente do funk carioca e do pagode romântico, felizmente sem cair nos chavões/clichês mais medíocres e repetitivos dos dois estilos.

Vinco equivale ao ponto jazzy do disco, com levada lenta, guitarra e violões limpos e bateria com vassourinha. Um quase blues, com tempero bossa e repleto de delicadeza, ideal para quem gosta do Caetano mais tradicional.

Os apreciadores do lado mais sacudido e leve do eterno tropicalista certamente curtirão Parabéns, que equivale a um novo fruto do veio que gerou A Luz de Tieta e Não Enche, entre outras. Não por acaso, de longe a pior do CD.

E se Abraçaço abriu com a ousada e virulenta A Bossa Nova É Foda, teve como encerramento a única faixa assinada por outro autor, uma inédita do tropicalista Rogério Duarte.

Trata-se de Gayana, que entra naquele elenco de canções escancaradamente românticas tipo Lua e Estrela, Você é Linda, Sozinho e Você Não Me Ensinou a Te Esquecer. Um bom exemplar dessa tendência.

No geral, Abraçaço equivale a um trabalho diversificado, repleto de nuances e sutilezas que surgem a cada nova audição, e que deixa claro o porque o caetanismo continua firme e forte, quase 50 anos depois de seu surgimento.

Ouça A Bossa Nova é Foda, com Caetano Veloso:

Ouça Um Comunista, com Caetano Veloso:

Tropicália disseca Tropicalismo com maestria

Por Fabian Chacur

De todos os movimentos ocorridos na história de nossa riquíssima música popular, o Tropicalismo certamente segura o estandarte de o mais polêmico, influente e original. Mais de 40 anos após seu surgimento nos efervescentes anos 60, esse importante capítulo de nossa cultura permanece relevante e atraindo as atenções gerais.

Tropicália, documentário dirigido pelo experiente e competente Marcelo Machado, estreará nos cinemas paulistanos nesta sexta-feira (14) com a missão de oferecer ao público a oportunidade de conhecer melhor o que representa essa palavra de sonoridade agradável e imediatamente associada ao nosso “País Tropical abençoado por Deus”, como diria Jorge Ben.

O principal mérito da produção é conciliar, de forma inteligente e impecável, uma apresentação fluente do Tropicalismo oferecida a quem não o domina e a busca por elementos inéditos ou pouco divulgados para satisfazer quem conhece o tema de forma mais apurada.

Sem cair em um didatismo que poderia tornar o filme enfadonho, Tropicália proporciona ao espectador uma visão abrangente do movimento que ajudou a quebrar as barreiras entre estilos musicais e culturais até então considerados opostos. Graças ao Tropicalismo, rock, bossa nova, bolero, música erudita de vanguarda e jazz (para citar apenas alguns gêneros musicais) puderam dialogar em um mesmo contexto de forma livre e ousada.

Para contar essa história, Machado e sua equipe mergulharam em pesquisas que resgataram registros inéditos ou raríssimos por aqui de momentos importantes dos artistas envolvidos. Caetano Veloso e Gilberto Gil, por exemplo, aparecem dando entrevista a uma emissora de TV portuguesa em 1969, e em Londres em meio a seu exílio imposto pela Ditadura Militar.

Os cantores também são flagrados em uma desconhecida por muita gente participação no palco do mitológico festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, evento que também incluiu figuras mitológicas como Jimi Hendrix, The Who, Miles Davis e The Doors, entre outros. Caetano e seus parceiros cantam Shoot Me Dead. De arrepiar.

Além dessas cenas garimpadas nos mais diversos arquivos, também temos entrevistas atuais com Caetano, Gil, Tom Zé, Gal Costa, Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e outros protagonistas do Tropicalismo. Em alguns momentos, o filme mostra Caetano, por exemplo, vendo algumas daquelas cenas raras e interagindo com elas.

Lógico que a música come solta durante os 82 minutos de duração do filme, entre as quais uma interpretação ao vivo simplesmente arrasadora de Back In Bahia, um dos clássicos composto por Gil e relacionado a seus dias de exílio londrino.

Tropicália é um documentário essencial para quem deseja entender os caminhos da música brasileira nessas décadas todas. Não vejo a hora do lançamento em DVD, principalmente se tivermos extras aproveitando material que ficou de fora da edição final. Deve ter muita coisa boa adicional nessa geleia geral pesquisada pela troupe da Bossa Nova Filmes.

Veja o trailer de Tropicália, de Marcelo Machado:

Os 70 anos do eterno Mano Caetano

Por Fabian Chacur

Minha relação com a música de Mano Caetano, que completa 70 anos de idade nesta terça(7) com um espírito forever young, começou (só para variar…) através de um LP do meu mais do que saudoso irmão Victor Riskallah Chacur. Era aquele autointitulado álbum de 1971, gravado em Londres e praticamente todo cantado em inglês

Ou seja, conheci esse mestre da MPB em um disco atípico, marcado pela dor do exílio imposto pela Ditadura Militar. Com predominância acústica, com direito a cordas impecáveis e a solos de flauta que o tornam absolutamente único, o álbum apresenta clássicos como London, London (aquela do RPM ahahaha) e Maria Bethânia.

A música em homenagem à maninha mais nova particularmente me marcou, especialmente pelo arranjo absurdamente belo de cordas, pela tensão e pelos longos minutos de verdadeira “mastigação” vocal na parte final, efeito também usado na única música totalmente em português do álbum, uma releitura de Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Desde que estourou nacionalmente graças ao célebre festival da Record de 1967 com Alegria, Alegria, Caetano tornou-se o favorito dos transgressores, dos moderninhos, dos fãs de inovação, dos irreverentes, e obviamente também dos que tentam se mostrar inteligentes, embora nem sempre o sejam.

Arrogante, acertivo, sempre opinando sobre tudo e admitindo isso na célebre frase “é que narciso acha feio o que não é espelho”, da clássica Sampa, Mr. Veloso influenciou muitos artistas, alguns infelizmente só imitando a arrogância, sem talento suficiente para digerir bem as influências musicais e criar algo decente a partir daí.

A infindável capacidade de se renovar fez com que Caetano protagonizasse momentos os mais diversos em sua prolífica carreira, indo de cantar ao vivo com Odair José a atuar com músicos de vanguarda, com tudo o que se imaginar entre isso.

Foi campeão de devoluções com o célebre álbum Araçá Azul (1972), um dos trabalhos mais bizarros e por isso mesmo fascinantes da história da MPB, e ultrapassou a barreira de um milhão de cópias vendidas com Prenda Minha (1998), álbum ao vivo que trazia como pepita de ouro uma fantástica releitura ao vivo de Sozinho, composição do craque Peninha.

Nem sempre acertou, como prova a canção Você é Minha, uma das baladas mais bregas e recheadas de clichês da história da música brasileira, ou o superestimado álbum Velô (1984), tentativa de soar roqueiro que mais parecia “rock para quem não gosta de rock”, de tão asséptico. Mas ele acertaria a mão no rock and roll no vibrante (2006).

Tive a oportunidade de participar de umas duas entrevistas coletivas com o cantor, compositor e músico baiano, nas quais ele era “obrigado” a opinar sobre tudo, até sobre o insuportável trânsito de São Paulo ou sobre os Smiths (em 1986). Difícil acreditar, ao vê-lo de perto, que aquele cara magrelo e baixinho era esse verdadeiro gigante da MPB. Mas é.

Em um cenário tão raquítico como o da MPB e do rock brasileiro dos últimos 20 anos, é lógico que a importância de Caetano Veloso se torna ainda maior, mesmo quando ele dá seu aval a artistas ainda insossos como a clone de Marisa Monte Maria Gadú e o nefando Criolo.

Parabéns, Mano Caetano, seu legado é de riqueza absurda, e seu nome continuará sendo louvado e sua música apreciada por décadas, décadas e mais décadas. E novos brasileiros te podem curtir numa boa.

Ouça London, London, com Caetano Veloso:

Ouça Maria Bethânia, com Caetano Veloso:

Caetano Veloso será homenageado em CD

Por Fabian Chacur

No dia 8 de agosto de 2012, Caetano Veloso fará 70 anos de idade. Várias homenagens a esse grande nome da MPB já estão rolando por aí, em termos de shows e lançamentos de CDs, DVDs e Blu-rays.

A Universal Music acaba de anunciar que no mês em que seu artista mais longevo (Caetano está lá desde 1967) chegará às lojas um álbum com uma seleção de suas canções mais importantes.

O repertório terá releituras inéditas gravadas por nomes importantes da MPB, entre os quais Marcelo Camelo e Céu. A produção ficou por conta do inglês Paul Ralphes, que após visitar o Brasil como integrante da banda Bliss acabou se mudando de mala e cuia por aqui, virando um profissional dos mais requisitados na área de produção.

De quebra, Caetano acaba de participar do novo DVD de Arlindo Cruz (FOTO), que tem previsão de lançamento para o segundo semestre, via Sony Music. O seminal sambista e o mestre da MPB trocam figurinhas na música Trilha do Amor.

Gravado no Terreirão do Samba, no Rio, o DVD de Arlindinho (como é chamado carinhosamente pelos amigos) também contará com as presenças de Alcione, Seu Jorge, Zeca Pagodinho e Marcelo D2, entre outros.

Na estrada desde os anos 70, Arlindo Cruz ficou conhecido como um dos integrantes do Grupo Fundo de Quintal. Posteriormente, fez sucesso em dupla com outro ex-integrante do Fundo, Sombrinha, e há mais de 10 anos investe em produtiva carreira solo. Além de ótimo cantor e músico, também é compositor de primeiríssima linha.

Ouça e veja Sozinho (ao vivo), com Caetano Veloso:

Older posts

© 2017 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑