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Caetano Veloso será homenageado em CD

Por Fabian Chacur

No dia 8 de agosto de 2012, Caetano Veloso fará 70 anos de idade. Várias homenagens a esse grande nome da MPB já estão rolando por aí, em termos de shows e lançamentos de CDs, DVDs e Blu-rays.

A Universal Music acaba de anunciar que no mês em que seu artista mais longevo (Caetano está lá desde 1967) chegará às lojas um álbum com uma seleção de suas canções mais importantes.

O repertório terá releituras inéditas gravadas por nomes importantes da MPB, entre os quais Marcelo Camelo e Céu. A produção ficou por conta do inglês Paul Ralphes, que após visitar o Brasil como integrante da banda Bliss acabou se mudando de mala e cuia por aqui, virando um profissional dos mais requisitados na área de produção.

De quebra, Caetano acaba de participar do novo DVD de Arlindo Cruz (FOTO), que tem previsão de lançamento para o segundo semestre, via Sony Music. O seminal sambista e o mestre da MPB trocam figurinhas na música Trilha do Amor.

Gravado no Terreirão do Samba, no Rio, o DVD de Arlindinho (como é chamado carinhosamente pelos amigos) também contará com as presenças de Alcione, Seu Jorge, Zeca Pagodinho e Marcelo D2, entre outros.

Na estrada desde os anos 70, Arlindo Cruz ficou conhecido como um dos integrantes do Grupo Fundo de Quintal. Posteriormente, fez sucesso em dupla com outro ex-integrante do Fundo, Sombrinha, e há mais de 10 anos investe em produtiva carreira solo. Além de ótimo cantor e músico, também é compositor de primeiríssima linha.

Ouça e veja Sozinho (ao vivo), com Caetano Veloso:

Sai nova edição de Transa, de Caetano Veloso

Por Fabian Chacur

No dia 7 de agosto, Caetano Veloso, um dos maiores ícones da música brasileira, fará 70 anos. Como forma de celebrar de forma bacana essa efeméride, a Universal Music está colocando aos poucos no mercado vários lançamentos especiais.

O mais recente é uma nova edição de Transa, álbum lançado em 1972 e considerado por inúmeros “caetanófilos” como um dos melhores ítens de sua riquíssima discografia.

Com seu conteúdo remasterizado nos estúdios Abbey Road (nos quais os Beatles gravaram seus maiores clássicos), o disco aparece em duas versões (LP de vinil especial e CD), ambas reproduzindo a primeiríssima edição do álbum, que incluia um encarte denonimado “discobjeto” que podia ser montado pelo fã no formado de um triângulo.

Transa é uma verdadeira viagem musical em torno de uma sonoridade centrada nos violões de Caetano e de Jards Macalé (que também toca guitarra e se incumbiu da produção) e na percussão de Tutty Moreno e Áureo de Souza. Minimalista, sem teclados, arranjos de cordas ou outros aparatos. Um minimalismo rico e sofisticado.

Gravado na parte final do exílio de Caê em Londres, no estúdio Chappells, o álbum inclui sete faixas, sendo uma delas a bela releitura de um clássico da MPB, Mora Na Filosofia, de Arnaldo Passos e Monsueto Menezes.

As canções mais conhecidas são You Don’t Know Me e Nine Out Of Ten, sendo esta última presença constante no repertório de shows de Caetano desde então.

O diálogo entre violões e percussão é simplesmente envolvente, sendo que em alguns momentos as improvisações levam a durações incomuns para as canções, especialmente Triste Bahia (com quase 10 minutos) e It’s a Long Way (com pouco mais de seis minutos). E a voz de Caetano cativa, entre versos profundos e espertos.

Na época, a palavra transa era usada com inúmeros significados distintos, e serve como luva para definir as inúmeras intenções contidas em seus versos, melodias e batidas que incluem até um leve flerte com o reggae, que iniciava seu caminho rumo ao sucesso mundial nas ruas de Londres naquele exato momento.

Transa merece ser reavaliado pelas novas gerações que descobriram Caetano Veloso a partir do estouro de Sozinho em 1999, ou mesmo para quem acha que ele é apenas aquele tiozinho magricela de cabelos brancos que gravou e fez shows junto com Maria Gadú.

Ouça Nine Out Of Ten, com Caetano Veloso:

CD de Caetano e David Byrne dá boa liga

Por Fabian Chacur

Caetano Veloso e David Byrne se conheceram lá pelos idos de 1984/85, quando lançavam seus primeiros filmes (respectivamente Cinema Falado e Stop Making Sense). Nascia ali uma amizade que se mantém firme até os dias de hoje.

Ao atuar em 2004 como curador de um projeto de shows no chiquérrimo Carnegie Hall, em Nova York, o autor de Alegria, Alegria resolveu convidar o ex-líder dos Talking Heads para dividir o palco com ele.

Realizada no dia 17 de abril daquele ano, a apresentação certamente entrou para o currículo dos dois por sua qualidade. E agora, oito longos anos depois, enfim chega ao formato CD no Brasil pela Universal Music (e nos EUA pelo selo Nonesuch, que já havia lançado um álbum de Caetano nos anos 80) a parte de áudio, com o título Live At Carnegie Hall.

O espírito do espetáculo é bem minimalista, com diversos momentos no melhor estilo voz e violão. Os brasileiros Jaques Morelenbaum (cello) e Mauro Refosco (percussão) fazem intervenções perfeitas em algumas músicas.

A rigor, temos aqui três tipos de atuação: Caetano solo, Byrne solo e os dois juntos interpretando algumas canções, num total de 18 faixas. A parte de Caê traz vários cavalos de batalha de seu repertório, como Sampa, Leãozinho e Você é Linda, com espaços para um belo lado B, Manhatã. O desempenho é impecável, como sempre.

Por sua vez, Byrne surpreende ao mostrar que alguns hits marcantes dos Talking Heads, como And She Was, Life During Wartime e especialmente Road To Nowhere, conseguem se manter vibrantes e consistentes mesmo sem os conhecidos e irrepreensíveis arranjos originais gravados pela mítica e extinta banda americana. Seu poder de recriação é de fato elogiável.

Juntos, Byrne e Caetano esbanjam carisma em canções como The Revolution, Dreamworld: Marco De Canaveses (escrita em parceria pelos dois), Um Canto de Afoxé Para o Bloco do Ilê (com Byrne cantando em um português deliciosamente capenga) e (Nothing But) Flowers.

Live At Carnegie Hall possui aquela simplicidade sofisticada que só gênios do gabarito de Caetano Veloso e David Byrne são capazes de nos proporcionar. Um CD que nasce clássico e que certamente será apreciado com prazer nos próximos mil anos, se ainda existirem o planeta Terra e os seres humanos nesse longo período de tempo.

Ouça (Nothing But) Flowers, com Caetano Veloso e David Byrne, ao vivo:

Caetano Veloso e David Byrne lançarão CD

Por Fabian Chacur

Que Caetano Veloso e David Byrne são amigos e possuem inúmeros afinidades musicais, todos já sabiam. Afinal, o astro baiano já cantou músicas do ex-líder dos Talking Heads há mais de 20 anos, como Nothing But Flowers, por exemplo.

O que não se esperava era que eles lançassem um disco em dupla após tantos anos de proximidade. Mas isso irá ocorrer. Live At Carnegie Hall está programado para sair nos Estados Unidos em março.

O selo é o Nonesuch, pelo qual o autor de Alegria Alegria lançou um disco voz e violão nos anos 80, e que já foi distribuído no Brasil pela Universal Music e pela Warner.

O álbum inclui a gravação de um show acústico realizado por Byrne e Veloso em 17 de abril de 2004 no mitológico Carnegie Hall, em Nova York, mesmo lugar no qual a Bossa Nova foi apresentada aos americanos, há 40 anos.

O repertório traz 18 músicas dos dois autores, entre as quais Você é Linda, o Leãozinho, Sampa, Coração Vagabundo, Heaven, And She Was, Everyone’s In Love With You e She Only Sleeps. Ainda não foi divulgado se esse trabalho terá lançamento no Brasil.

David Byrne foi lider entre 1976 e 1988 dos Talking Heads, uma das bandas mais importantes do cenário do rock alternativo americano. Depois, iniciou sólida carreira solo, além de ter, com seu selo Luaka Bop, ajudado a divulgar a música brasileira no exterior lançando coletâneas temáticas de forró e samba e de Tom Zé e os Mutantes.

Ouça Nothing But Flowers/Heaven, com Caetano Veloso e David Byrne, do show realizado no Carnegie Hall em 2004:

Maria Gadú e Caetano: essa dupla dá dinheiro!

Por Fabian Chacur

Com apenas dois meses nas lojas, o trabalho gerado pela parceria de Caetano Veloso e Maria Gadú apresenta belíssimos resultados em termos comerciais, como seria de se esperar.

Segundo informações da gravadora Universal Music, o CD duplo Multishow Ao Vivo – Caetano e Maria Gadú, vendeu até agora 90 mil cópias, enquanto o DVD atingiu 52 mil cópias. E isso parece ser só o começo dessa história.

Na mesma nota, foi divulgado que, a partir de setembro, Gadú e Caetano voltarão à estrada juntos, divulgando o álbum pelo Brasil afora. Garantia de casas lotadas, sem sombra de dúvidas.

Mondo Pop fez duas resenhas de Multishow Ao Vivo Caetano e Maria Gadú:

Uma focada em Caetano:
http://mondopop.clickcultural.com.br/2011/06/a-parceria-caetanogadu-o-lado-cae/

E outra tendo Gadú como foco:
http://mondopop.clickcultural.com.br/2011/06/a-parceria-caetanogadu-o-lado-gadu/

Veja Odara, com Caetano Veloso e Maria Gadú:

A parceria Caetano/Gadú: o lado Caê

Por Fabian Chacur

Desde que se tornou um dos grandes astros da história da MPB, Caetano Veloso sempre teve como característica se aproximar das gerações posteriores à sua, o que sempre lhe permitiu renovar a base de fãs.

Marina Lima, Paulo Ricardo, Carlinhos Brown, a lista de nomes a quem o autor de Sampa acabou dando o seu aval é imensa.

Lógico que a via é sempre de mão dupla. Se por um lado ofereceu sua griffe, do outro trouxe para o seu universo nomes emergentes que sempre pintam babando ovos para o Mestre. É que narciso acha feio o que não é espelho, não, é, seo leonino?

Nada contra. Mas que foi gostoso ver Marcelo D2 rejeitando a estratégia paternalista do eterno tropicalista, lá isso foi. Mesmo tendo sido algo meio grosseiro. Mas é legal alguém que prefira seguir o seu próprio caminho, desdenhando avais ou tutelas semi-impostas.

No caso de Maria Gadú, Caetano trouxe para o seu universo a moça que é considerada a joia rara da nova geração da MPB.

Investindo nos últimos anos em uma sonoridade mais crua e próxima do rock, provavelmente sua melhor incursão pelo gênero, Caetano no entanto ficou bem longe do seu auge em termos comerciais.

Gravar clássicos populares de seu repertório ao lado de Maria Gadú em formato acústico representa uma guinada rumo ao que o americano chama “give the people what they want”. Ou, em português mais claro e direto: dar ao povão o que ele realmente quer ouvir.

No caso, canções como Sozinho, Alegria Alegria, Milagres do Povo e Desde Que o Samba é Samba.

Atitude pragmática do Mestre? Sem dúvidas. Artisticamente bacana? Também sem sombra de dúvidas. Aquela rara combinação qualidade/comercialismo.

O espírito da parceria pode ser conferido por seu próprio título: Multishow ao Vivo Caetano e Maria Gadú.

Nem foi preciso colocar o sobrenome, pois todos sabem de qual Caetano estamos falando. No caso da cantora, teve de vir nome e sobrenome. Ou será que não daria para ser Caetano e Maria? Ou Caetano e Gadú? Genipapo absoluto perde.

Seja como for, a parceria se mostrou muito adequada para o autor de Odeio. Mas ele mais ajudou Gadú do que qualquer outra coisa, podem ter certeza, embora tenha ganho muito, também. Bom para todos os envolvidos.

A parceria Caetano/Gadú: o lado Gadú

Por Fabian Chacur

Acaba de chegar às lojas o álbum duplo em CD e DVD simples Multishow ao Vivo  Caetano e Maria Gadú, lançado pela Universal Music.

Trata-se do registro do show feito pelo autor de Alegria, Alegria e da revelação da MPB no fim de 2010 no Rio, gravado depois de um aquecimento proporcionado por performances em São Paulo, Salvador e Recife.

A parceria surgiu quando o canal por assinatura Multishow resolveu marcar a inauguração de seu novo prédio com um show de Gadú, e achou que uma parceria com Caê poderia ser uma boa.

Ele topou, o show rolou e as afinidades entre os dois teriam aflorado de tal forma que a gravação acabou sendo o passo seguinte.

Vou analisar esse lançamento em dois posts, um sob o ângulo de Maria Gadú, e o outro, pelo ângulo do Caetano.

Em seu disco de estreia, Maria Gadú provou ser uma cantora de grande potencial, embora com timbre vocal e estilo interpretativo bastante semelhante ao de Marisa Monte.

Suas composições também ainda se mostravam inferiores ao talento vocal, enquanto sua capacidade como violonista parecia muito interessante.

Vê-la ao lado de um monstro sagrado como Caê e em um formato tão despojado (só os dois, acompanhando-se com violões) ajudou a ressaltar todas essas impressões.

A moça realmente tem uma voz belíssima, que ganha muito realce ao navegar por músicas realmente boas, como A História de Lilly Braun (Chico Buarque/Edu Lobo) ou Rapte-me Camaleoa (Caetano), por exemplo.

A violonista também é uma fera no quesito acompanhar-se, sendo capaz de criar uma base instrumental encantadora e recheada de sutilezas. Ela toca muito bem.

Se pudesse dar um conselho a ela (dizem que se conselhos fossem realmente bons, seriam cobrados, mas as melhores coisas da vida são grátis!), incentivaria a moça a investir um pouco mais em canções alheias e tentar parcerias com outros compositores para criar músicas mais consistentes.

Para ela, gravar um DVD/CD ao lado de Caetano Veloso é um ponto altíssimo em sua carreira, na juventude de seus 24 anos.

E para ele? Leia o próximo post!

Caetano Veloso manda ver seus transambas

Por Fabian Chacur

Nos anos 80, Caetano Veloso tentou uma aproximação mais forte com o rock que se fazia naquela época.

A principal tentativa de um álbum convincente com essa sonoridade new wave, pós-punk ou como você preferir foi Velô (1984).

No entanto, os músicos que participavam na época da banda do genial e sempre controvertido cantor, compositor e músico baiano não se mostraram adequados para a tarefa.

Músicas como Podres Poderes sempre soaram nos meus ouvidos como rocks feitos por quem não gosta de rock, que acha esse estilo musical muito “simples” e tenta complicá-lo de forma tola e excessiva.

Mais de 20 anos depois, o eternamento inquieto tropicalista de origem enfim encontrou os músicos certos para revigorar sua música na direção rocker pós punk.

Os álbuns(2006), Cê ao Vivo (2007) e zii e zie (2009) são misturas vigorosas de rock básico e minimalista, MPB e muito mais.

Pedro Sá (guitarra), Marcelo Callado (baixo) e Ricardo Dias Gomes (bateria), hoje também conhecidos como Banda Cê, esbanjam versatilidade e incorporaram com sapiência influências de Talking Heads, Pixies e outras seminais bandas oitentistas.

MTV Ao Vivo – Caetano zii e zie, que a Universal acaba de lançar em DVD e CD, é outro capítulo impecável dessa fase controvertida e produtiva desse sempre controvertido e produtivo artista.

O repertório mistura músicas dos dois discos de estúdio feitos por eles com releituras instigantes de clássicos do Tropicalismo e pérolas pinçadas de outras eras caetânicas.

O cenário inclui uma asa delta, que, somada às cenas mostradas pelo telão de alta definição, geram a impressão de que os músicos estão voando. E, de certa forma, estão mesmo.

A Voz do Morto, Três das Cores, Maria Bethânia (em versão de arrepiar), Odeio, A Base de Guantánamo e Força Estranha são destaques de um espetáculo vibrante, gravado ao vivo nos dias 7 e 8 de outubro de 2010.

Nos extras, temos um documentário e mais nove músicas gravadas durante a longa temporada Obra Em Progresso, durante a qual Caetano amadureceu o repertório de zii e zie antes de entrar em estúdio para gravá-lo.

Pelo andar da carruagem, Caetano Veloso continuará protagonista do que de melhor a MPB tem para nos oferecer, além de ter vigor suficiente para atrair novas gerações.

Veja o clipe de Odeio, de Caetano Veloso:

Generosos extras tornam o DVD de Uma Noite Em 1967 ainda melhor do que o ótimo documentário

Por Fabian Chacur

Uma Noite Em 67 é um dos melhores documentários já feitos tendo a música popular brasileira como tema.

O filme dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil retrata de forma brilhante o 3º Festival da Música Popular Brasileira, realizado pela TV Record em 1967 e um marco na história de nossa música.

Já escrevi em Mondo Pop sobre a atração.

Agora, tive a oportunidade de conferir a edição em DVD, que merece a palavra sublime como adjetivo a denotar sua alta qualidade.

Aos 85 minutos do filme, foi acrescentado mais ou menos o mesmo tempo de extras.

Esse material amplia o universo abordado pelo documentário de forma magnífica.

Temos, por exemplo, entrevistas com alguns dos integrantes da atuante plateia daquele evento, entre os quais a incrível jornalista Telé Cardim, que rouba a cena com seu carisma e deliciosas memórias.

Foram 12 as músicas finalistas da competição musical. As cinco primeiras foram abordadas no documentário.

Seis das outras sete ficaram para os extras, com direito a detalhes bacanas sobre cada uma delas e a execução das mesmas na íntegra.

Só ficou faltando Ventania, de Geraldo Vandré, que sequer é citada no filme ou nos extras.

Certamente para evitar problemas legais que poderiam ser causados pelo polêmico autor e intérprete. Mas não faz falta…

No segmento intitulado Causos, temos histórias adicionais daquele festival e também da época, contados por Chico Buarque, Caetano Veloso, Marília Medalha, Ferreira Gullar e outros.

Uma Noite em 67, o DVD, é uma fantástica viagem a uma era em que a música no Brasil era encarada como algo que ia muito além de simples notas em partituras interpretadas por seres humanos iguais a nós.

Este DVD equivale a uma verdadeira aula de história e música feita de forma fluente, gostosa e cativante.

Um presentão que todo fã de música popular brasileira de verdade precisa dar para si.

Ouça Ponteio, a vencedora do festival:

Caetano Veloso brilha na trilha de O Bem Amado

Por Fabian Chacur

O Bem Amado é um dos momentos marcantes da dramaturgia no Brasil. Afinal, essa obra de Dias Gomes já gerou novela, peça teatral e seriado de televisão, sempre com sucesso. Agora, chegou a vez do filme, que estreia no final de julho, dia 23, para ser mais preciso.

O excelente ator Marco Nanini teve a mais difícil missão de sua vida, que estou curioso para saber se ele conseguiu encarar: chegar perto, ao menos (já que superar é impossível) a performance do iluminado e saudoso Paulo Gracindo no papel do político picareta e folclórico Odorico Paraguaçu.

Mas a trilha sonora da película (como diriam os antigos) já está nas lojas, lançada pela Universal Music. Vale lembrar que a da novela foi assinada por ninguém menos do que Toquinho & Vinícius e é maravilhosa, com direito a Paiol de Pólvora, Meu Pai Oxalá e O Bem Amado, só para citar três faixas seminais.

No caso do filme, temos dez faixas que se dividem basicamente em três categorias: canções inéditas, temas incidentais instrumentais (alguns com vocalizações) e regravações de clássicos dos anos 60, período no qual a trama se desenvolve.

O destaque fica por conta das duas canções assinadas por Caetano Veloso. Esta Terra, interpretada pelo próprio, é excelente, e tem fortes ecos do Tropicalismo que ele capitaneou com tanta categoria.

A outra é o bolero rasgado A Vida É Ruim, que aparece em versão instrumental e outra com Zélia Duncan, esta última em mais uma interpretação emotiva e perfeita dessa que é uma das melhores cantoras e compositoras brasileiras dos últimos 20 anos.

O setor regravações traz dois momentos diametralmente opostos. De um lado, Zé Ramalho dá um tom mais soturno e intimista a Carcará, composição de João do Valle que foi o primeiro sucesso de Maria Bethânia na metade dos anos 60.

Do outro, Mallu Magalhães mostra sua impressionante limitação como intérprete em Nossa Canção, de Luiz Ayrão e sucesso com Roberto Carlos nos tempos da jovem guarda e recentemente com Vanessa da Mata.

Mallu soa como se fosse uma dessas participantes caricatas dos American Idols da vida, grasnando de forma patética e sem alma uma melodia no mínimo maravilhosa. De longe o pior momento de sua curta carreira. Só o namorado Marcelo Camelo deve ter gostado. Talvez nem ele…

As instrumentais são simpáticas e despretensiosas, com destaque para Chachacha das Cajazeiras e Boogie Sem Nome. Esta última reúne Leo Jaime e três de seus ex-colegas da banda João Penca & Os Miquinhos Amestrados, os impagáveis Selvagem Big Abreu, Bob Gallo e Leandro Verdeal. Ficou bacana, no melhor estilo doo wop/surf music/balada rock and roll.

E tem também Jingle de Odorico, divertido jingle eleitoral de Odorico Paraguaçú no qual temos as vozes de Thalma de Freitas e Nina Becker, que brilham na Orquestra Imperial e em carreiras solo respeitáveis. E A Bandeira do Meu Partido, de e na voz grave e carismática de Jorge Mautner.

São só dez faixas, mas Trilha Sonora do Filme O Bem Amado vale o dinheiro que você pagar nela, apesar do vexame de Mallu Magalhães. Afinal, uma gravação ruim para dez boas equivale a vitória por goleada.

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