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Tag: cantoras americanas

Fantasia lança single PSTD e anuncia álbum para outubro

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Por Fabian Chacur

A cantora americana Fantasia promete para outubro o seu sétimo álbum. Intitulado Sketchbook, o trabalho será lançado pelo selo Rock Soul/BMG (com distribuição da Warner Music), e terá participações especiais de Meghan Trainor, T.I., Jazmine Sullivan, Brandy e T. Pain. Este último, um rapper consagrado, marca presença no single PSTD, que acaba de ser disponibilizado nas plataformas digitais e possui uma levada hipnótica muito afinada com o rap/r&b atual.

Trata-se do segundo single deste álbum. O primeiro, a envolvente balada estilo r&b anos 1980 intitulada Enough (ouça aqui ), saiu em maio, com mais de dois milhões de visualizações no youtube. A mostra, portanto, é bem atrativa. A cantora iniciará no dia 17 de outubro uma turnê pelos EUA que passará por 29 cidades e com Robin Thicke, Thank e The Bonfyre incluídos na programação.

Fantasia Barrino nasceu em 30 de junho de 1984 em High Point, Carolina do Norte (EUA). e tornou-se conhecida em 2004 ao vencer a terceira edição do reality show musical American Idol. Seu primeiro single, I Believe, estreou no topo da parada americana, e o álbum de estreia, Free Yourself chegou ao 8º posto. Com forte presença cênica e uma voz elogiada por Chaka Khan, Aretha Franklin e Patti LaBelle, ela surgiu de forma promissora, e a promessa se cumpriu.

Dos seis álbuns que lançou até o momento, quatro atingiram o Top 10 da parada americana. Em 2011, ela faturou seu primeiro Grammy, o Oscar da música, na categoria Melhor Performance de R&B, graças à sua performance na canção Bittersweet. Ela brilhou em espetáculos musicais exibidos na Broadway, entre eles The Color Purple (2007), no qual viveu o papel principal, de Celie, e também representou a lendária cantora gospel Mahalia Jackson em um filme televisivo.

Os problemas que teve de superar para se tornar uma cantora de sucesso foram revelados em uma autobiografia, Life Is Not a Fairytale (2006), que no ano seguinte gerou um filme com o mesmo título e estrelado por ela própria. De quebra, a moça viveu o papel de Aretha Franklin em um episódio da excelente série televisiva American Dreams em 2005, e também dublou um personagem em um dos episódios do icônico desenho animado The Simpsons. Ufa!

PTSD– Fantasia e T-Pain:

Lana Del Rey relê clássico de Donovan para filme de terror

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Por Fabian Chacur

A sonoridade desenvolvida pela cantora e compositora americana Lana Del Rey tem forte influência do pop-rock dos anos 1960. Essa proximidade se mostra ainda mais forte em seu mais recente single, Season Of The Witch, não por acaso um clássico daquele período. A ótima regravação integra a trilha sonora de Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, filme de terror do cineasta Guilhermo Del Toro programado para estrear nos cinemas brasileiros no dia 26 de setembro.

Season Of The Witch foi lançada originalmente em 1966 pelo seu autor, o cantor, compositor e músico britânico Donovan Leitch (ouça aqui), que a escreveu em parceria com o cantor e compositor americano Shawn Phillips. Essa gravação traz como charme a participação especial de Jimmy Page, então ainda um muito requisitado músico de estúdio e às vésperas de integrar os Yardbirds e em seguida criar a banda que o eternizou no panteão do rock, o Led Zeppelin.

Com seu clima psicodélico, essa incrível canção foi posteriormente relida e regravada por inúmeros grupos e artistas, entre os quais Al Kooper & Stephen Stills (no projeto Super Session), Vanilla Fudge, Lou Rawls, Joan Jett, Robert Plant (apenas em shows), Richard Thompson, Karen Elson, Terry Reid e Sam Gopal. Além disso, entrou em trilhas de filmes e seriados de TV, entre os quais Crossing Jordan, em episódio clássico da marcante série estrelada pela excelente atriz Jill Hennessy na década passada.

Além dessa faixa, restrita à trilha do filme, Lana também acaba de divulgar outra gravação inédita. Trata-se da delicada balada Looking For America (ouça aqui), mais uma prévia de seu novo álbum, com o polêmico título Norman Fucking Rockwell e programado para lançamento no dia 30 deste mês. A capa traz Lana ao lado de um jovem ator com pedigree: Duke Nicholson, neto de Jack Nicholson.

Season Of The Witch (clipe)- Lana Del Rey:

Sheryl Crow divulga single com Joe Walsh e lança CD em agosto

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Por Fabian Chacur

Acaba de ser disponibilizado nas plataformas digitais um dueto inédito de Sheryl Crow com o cantor, compositor e guitarrista dos Eagles Joe Walsh. A canção é o ótimo rock funkeado Still The Good Old Days. Trata-se da quarta faixa divulgada de Threads, novo álbum da cantora, compositora e musicista americana, cujas versões físicas e digital serão disponibilizadas no exterior no dia 30 de agosto pela Universal Music.

O álbum mostra Sheryl gravando com vários artistas do primeiro escalão da música. Prove You Wrong, outro rockão invocado (ouça aqui), traz as presenças de Stevie Nicks e Maren Morris, enquanto o blues rock Live Wire (ouça aqui) reúne a roqueira americana com as incríveis Bonnie Raitt e Mavis Staples.

A faixa restante, das já divulgadas do álbum até aqui, traz um dueto possibilitado pela tecnologia com o saudoso Johnny Cash na introspectiva balada Redemption Day (ouça a nova versão aqui), canção que ela lançou originalmente em seu álbum autointitulado de 1996. Pela qualidade das amostras, um dos melhores trabalhos de sua carreira está a caminho.

Nascida em 11 de fevereiro de 1962, Sheryl Crow gramou bastante antes de conseguir sucesso individual. Antes, foi vocalista de apoio de artistas como Eric Clapton e Michael Jackson, entre outros. Teve um álbum solo abortado em 1991, e só lançou um primeiro disco em 1993. Mas valeu a espera, pois Tuesday Night Music Club vendeu milhões de cópias e abriu de vez as portas do cenário musical para o seu rock-pop-folk-soul-country de alta qualidade.

Clipe de Still The Good Old Days– Sheryl Crow e Joe Walsh:

Linda Ronstadt brilha em álbum ao vivo inédito gravado em 1980

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Por Fabian Chacur

Com mais de 35 álbuns lançados em seus 50 anos de carreira discográfica, Linda Ronstadt nunca havia nos ofertado um disco gravado ao vivo. Pois essa lacuna acaba de ser preenchida de forma brilhante com Live In Hollywood, que a Warner Music lançou nos formatos CD e vinil no exterior, e também nas plataformas digitais de todo o mundo. Eis um registro sensacional de uma cantora considerada uma das grandes da história do country rock, e não só dele, por sinal.

Infelizmente, esta icônica artista se afastou do cenário musical em 2011. Em agosto de 2013, revelou a razão: é portadora do mal de Parkinson, que a impede de desempenhar o dom que a tornou capaz de emplacar três álbuns no topo da parada americana, de ganhar 13 troféus Grammy, vender mais de 30 milhões de discos em todo o mundo, entrar no Rock And Roll Hall Of Fame e ser considerada a pioneira entre as roqueiras solo a lotar grandes arenas, na década de 1970.

Live In Hollywood foi gravado ao vivo em um show registrado para exibição no canal a cabo HBO em 24 de abril de 1980 no Television Center Studios, em Hollywood. Aos 33 anos (completaria 34 no dia 15 de julho daquele mesmo ano), a moça vivia o auge em termos de popularidade, estando no início da turnê que divulgou o álbum Mad Love, lançado dois meses antes e que atingiu o terceiro lugar na parada ianque graças a hits como I Can’t Let Go e How Do I Make To You, que por sinal fazem parte do set list do show que gerou este trabalho ao vivo.

O elenco de músicos que a acompanha no show é uma verdadeira seleção de craques da cena de Los Angeles, mais precisamente do bittersweet rock e do country rock. O saudoso Kenny Edwards (guitarra), que esteve a seu lado no efêmero (porém influente) grupo The Stone Poneys em 1967-1968 e depois se tornou seu braço direito, Danny Kortchmar (guitarra), Dan Dugmore (pedal steel), Russell Kunkel (bateria), Bob Glaub (baixo), Bill Payne (do grupo Little Feat, teclados), Wendy Waldman (vocais de apoio) e Peter Asher (seu produtor, percussão e vocais de apoio). Um timaço, nomes que você encontra em discos das feras dessa praia, tipo James Taylor, Jackson Browne e tantos outros.

Além das músicas do álbum mais recente, ela também nos mostra hits bacanas do seu repertório, entre os quais uma explosiva releitura de You’re No Good com direito a belas performances dos músicos, incluindo um solo de guitarra espetacular de Kenny Edwards. Outras canções matadoras são Just One Look, Back In The U.S.A. e Desperado. Aliás, vale recordar que esta última foi composta e gravada originalmente por uma banda que em 1971, por alguns meses, foi sua banda de apoio, e deixou a função para se aventurar no voraz mundo do rock. Seu nome: The Eagles, ninguém menos do que eles.

Coincidência ou não, Live In Hollywood sai no ano em que a carreira-solo de Linda Ronstadt completa 50 anos, ela que anteriormente havia gravado três álbuns com os Stone Poneys. Em 1969, a cantora lançou Hand Sown…Home Grown, e se criou no cenário do clube Troubadour (West Hollywood, California), que revelou ela, os Eagles, Jackson Browne, James Taylor, Carole King (como cantora) e até mesmo o britânico Elton John (que iniciou sua conquista do mercado americano com um show lá em 1970).

Com forte veia roqueira, Linda no entanto não se limitou a esse estilo musical em sua carreira. Quando criança e adolescente, ouviu literalmente de tudo na casa dos pais, e a partir da década de 1980, deu vasão a essa veia eclética gravando standards do jazz, música mexicana, gospel, ópera e até new age. Entre esses trabalho, destacam-se os gravados com direção do célebre arranjador e maestro Nelson Riddle (que trabalhou com Frank Sinatra) e o grupo Trio, que integrou ao lado das amigas Dolly Parton e Emmylou Harris. Vale recordar que ela foi uma das primeiras a gravar músicas de Elvis Costello.

Eis as músicas de Live In Hollywood:

1. I Can’t Let Go
2. It’s So Easy
3. “Willin’
4. Just One Look
5. Blue Bayou
6. Faithless Love
7. Hurt So Bad
8. Poor Poor Pitiful Me
9. You’re No Good
10. How Do I Make You
11. Back In The U.S.A.
12. Desperado”

You’re No Good (ao vivo)– do álbum Live In Hollywood:

Carole King conta sua bela história em Natural Woman

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Por Fabian Chacur

Em uma época na qual a participação feminina no mundo da música parece aumentar e ser mais valorizado, nada melhor do que relembrar a trajetória de uma pioneira no setor. Carole King é o tema do excelente documentário Natural Woman (2016), integrante da série American Masters, já lançado em DVD no exterior. O filme, com aproximadamente 60 minutos de duração, será exibido pelo Canal Bis nesta terça (22) às 13h30 e nesta quarta (23) às 10h na faixa Arquivo Musical, além de já estar disponível na plataforma de streaming pago do canal, a Bis Play.

Nascida em Nova York em 9 de fevereiro de 1942, Carole King começou a tocar piano ainda criança, e não demorou a dominar o instrumento. Ainda adolescente, já compunha, e em 1959 não só arrumou um parceiro para composições, o letrista Gerry Goffin, como ganhou de quebra um marido, pois eles se casaram naquele ano. O documentário registra bem esse período, no qual ela e Goffin escreviam músicas para outros artistas, emplacando hits clássicos como Up On The Roof, The Loco-Motion, One Fine Day, Chains, Will You Love Me Tomorrow, Take a Giant Step, Going Back e (You Make Me Feel Like a) Natural Woman, só para citar alguns dos mais bem-sucedidos.

Com uma mescla de entrevistas feitas em épocas diferentes (incluindo uma realizada especialmente para Natural Woman), a cantora, compositora e pianista relembra com franqueza a dolorosa separação de Goffin, o início de sua carreira como cantora, a parceria musical com James Taylor e o estouro do álbum Tapestry (1971), que vendeu milhões de cópias e a consagrou de uma vez por todas. Os problemas com os outros maridos, a dificuldade de fazer shows e ter de ficar semanas longe das filhas são outros temas muito bem abordados.

Foram aproveitadas imagens de vários momentos da vida de Carole, incluindo fofíssimas cenas de quando ela era criança e começava a tocar piano. Temos também deliciosos depoimentos de amigos e cúmplices do mundo da música como James Taylor, o guitarrista fantástico Danny Kortchmar, o produtor Peter Asher, o casal de compositores Barry Mann e Cynthia Weil, a letrista Toni Stern (parceria dela em hits como It’s Too Late), o produtor Lou Adler e outros.

Natural Woman aproveita muito bem o curto espaço de tempo para abranger uma brilhante carreira que beira 60 anos e equivale a um belíssimo cartão de apresentações para quem não tem muita ideia de quem seja essa tal de Carole King. Duvido que, após ver esse documentário, você não se disponha a ouvir mais, ver mais e saber mais sobre a obra dessa incrível artista, que além de ter uma obra incrível no pop-rock ainda arruma tempo para um ativismo civil muito importante. Temos até ela recebendo o importante prêmio Guershwin das mãos do então presidente americano Barack Obama em 2013.

Veja o trailer do documentário Natural Woman:

Taryn Donath mostra o swing do beatnik blues em Sampa

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Por Fabian Chacur

Em 1998, Taryn Donath lançou o seu álbum de estreia, Have Piano Will Travel, com o qual surpreendeu os fãs de r&b, jazz, soul e swing, mesmo tendo apenas 17 anos de idade. Desde então, essa talentosa cantora e pianista californiana ampliou seus horizontes e se consolidou como uma artista de rara consistência musical. Ela se apresenta em São Paulo pela primeira vez nesta quarta (5) às 21h30 no Bourbon Street (rua dos Chanés, nº 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100), com couvert artístico a R$ 50,00.

Com 37 anos de idade, Taryn tocou com bandas, mas tornou-se conhecida por se dedicar a um formato não tão comum em seu estilo musical, no qual se acompanha ao piano e tem a seu lado apenas um baterista, um tipo inusitado de duo. Dessa forma, conquistou fãs em seu pais com o que ela apelidou de beatnik blues, mescla de swing, rhythm and blues, soul e jazz no qual se destacam sua voz bem colocada e um balanço contagiante no piano inspirado nos grandes mestres.

No show do Bourbon Street, Taryn terá a seu lado dois músicos brasileiros, o baterista Jaderson Cardoso e o gaitista Marcelo Naves. O repertório deve trazer músicas de CDs como o de estreia e também de Gardenia (2012) e Memories Of Ruth, este último uma homenagem à saudosa e brilhante cantora de rhythm de blues Ruth Brown (1928-2006). Músicas como I’ll Wait For You e The Mess Around, hits respectivamente de Ruth Brown e Ray Charles, são destaques.

I’ll Wait For You– Taryn Donath:

Walk The Dog And Light The Light- Laura Nyro (1993)

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Por Fabian Chacur

Em 1993, Laura Nyro completou 26 anos de carreira discográfica. Durante esse período, tornou-se mais conhecida como compositora, embora fosse uma excelente intérprete, dona de uma discografia instigante. Naquele ano, a também cantora e pianista americana lançou o trabalho que tinha tudo para enfim elevá-la aos primeiros lugares das paradas de sucesso, o envolvente Walk The Dog And Light, lançado pela Columbia (hoje parte do conglomerado Sony Music). Só que não…

Laura teve um início precoce no mundo da música, e com apenas 18 anos já lançava seu álbum de estreia, More Than a New Discovery (1967), pelo pequeno selo Verve Folkways (seria relançado em 1973 com o título First Songs e outra sequência das músicas contidas nele). Desde o início, mostrava uma original mistura de soul, jazz, pop music tradicional e doo-wop, com um leve tempero de rock.

Ela participou do Monterey Pop Festival em 1967, e depois lançaria uma trilogia de álbuns que a tornou uma verdadeira unanimidade entre os colegas músicos, Eli And The Thirteenth Confession (1968), New York Tendaberry (1969) e Christmas And The Beads Of Sweat (1970), nos quais aliou introspecção, apelo pop, belas melodias, vocalizações atraentes e letras profundas e inteligentes.

Se esses trabalhos não conseguiram grandes números em termos de vendagens, atraíram outros artistas, que regravaram composições de sua autoria como Wedding Bell Blues, Stoned Soul Picnic, And When I Die, Save The Country e outras e, aí, sim, conquistaram os primeiros lugares das paradas de sucesso. Artistas como Barbra Streisand, The Fifth Dimension, Three Dog Night e Blood, Sweat & Tears foram alguns dos que se deram bem com suas canções.

Curiosamente, seu single de maior sucesso, Up On The Roof, é um cover, releitura de canção escrita por Carole King e Gerry Goffin e incluída no álbum Christmas And The Beads Of Sweat (1970). Em 1971, incentivada por tal êxito, gravou um álbum inteiro só de covers de soul e r&b ao lado do trio negro feminino Labelle, o delicioso Gonna Take a Miracle. Aí, com apenas 24 anos, ela resolveu sair de cena.

A partir do seu retorno ao mundo musical, ocorrido em 1976 com o álbum Smile, Laura passou a ter uma carreira marcada por alguns hiatos e ainda menos repercussão. Quando Walk The Dog And Light The Light chegou às lojas, em agosto de 1993, ela completava nove anos sem lançar um álbum de estúdio, período durante o qual só tivemos um LP ao vivo com algumas inéditas (Live At The Bottom Line, 1989).

Walk The Dog… equivale a uma consolidação da fase pós-retorno de Laura, na qual suas canções foram aos poucos ganhando um clima mais solto e relaxado, embora sem perder a consistência de seus anos de maior popularidade. A coprodução do experiente Gary Katz, conhecido por seus trabalhos ao lado do grupo Steely Dan, deu ao trabalho uma sonoridade concisa e consistente, o que a presença de músicos experientes ajudou a concretizar.

O álbum é aberto e encerrado com canções de outros autores. A deliciosamente delicada Oh Yeah Maybe Baby (The Heebie Jeebies), de Phil Spector, fez sucesso com o grupo vocal The Crystal em 1963. Um delicioso pot-porry une I’m So Proud, de Curtis Mayfield e hit com seu grupo The Impressions em 1964, e a célebre Dedicated To The One I Love, lançada em 1957 pelo grupo The 5 Royales e eternizada em regravações de The Shirelles e The Mamas And The Papas.

Lite a Flame (The Animal Rights Song) e Broken Rainbow são novas versões de musicas que ela havia gravado nos anos 1980. Combinadas com outras seis composições de Laura, temos aqui um álbum absolutamente perfeito, no qual tudo se encaixa feito luva. As letras, profundas, tem como temas o feminismo sem recalques, respeito aos animais e à natureza, a solidão da vida na estrada e até mesmo, de forma divertida, um ode à menstruação (a swingada The Descent Of Luna Rosé).

A performance vocal de Laura é provavelmente uma das melhores de sua carreira, efeito positivo de ela ter abandonado o vício do cigarro uns anos antes. Seu piano elegante e estiloso conduz tudo, ladeada por músicos do porte de Bernard Purdie (bateria), os irmãos Michael e Randy Brecker (metais), Michael Landau (guitarra) e outros do mesmo porte. E vale elogiar as harmonias vocais, com todas as vozes a cargo da própria artista. Simplesmente de arrepiar.

Embora sofisticadas, as canções não são complicadas a ponto de impedirem o público mais acostumado a música pop comercial de ouvi-las e assimilá-las. No entanto, o disco sequer passou perto dos charts americanos, e por tabela, dos de outros países. As rádios simplesmente ignoraram suas dez ótimas faixas.

Devem ter ajudado para tal resultado negativo o fato de a artista ter se recusado a participar de programas de TV para divulgar o disco (até mesmo o de David Letterman, fã confesso da artista), ou mesmo a falta de um empenho um pouco maior por parte da Columbia no intuito de impulsionar as vendas de seu produto discográfico.

Infelizmente, Walk The Dog And Light And Light The Light foi o último trabalho de inéditas lançado por Laura Nyro em vida. Ela nos deixou precocemente em abril de 1997, sendo que em 2001 seria lançado o álbum Angels In The Dark, com as gravações feitas por ela em 1994 e 1995 visando criar na verdade dois álbuns, um de inéditas e um de covers. Um verdadeiro crime contra a boa música esse CD ser tão pouco conhecido. Ouça e tente duvidar dessa afirmação!

Walk The Dog And Light The Light– Laura Nyro:

Joan Osborne, de “One of Us”, faz show único em São Paulo

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Por Fabian Chacur

One hit wonder (maravilha de um sucesso só, em tradução livre) é a frase com a qual são definidos artistas que possuem um único hit em suas carreiras. A cantora e compositora americana, com a sua maravilhosa One of Us, infelizmente se inclui nessa categoria de estrelas pop. Isso, no entanto, não significa que essa moça de 56 anos não tenha uma carreira das mais respeitáveis.

Ela se apresenta pela primeira vez em São Paulo na próxima terça-feira (21) às 21h no Theatro Net São Paulo (Shopping Vila Olímpia- 5º andar- rua Olimpíadas, nº 360- fone 0xx11-3448-5061), com ingressos de R$ 45,00 a R$ 380,00. O show faz parte da turnê com a qual ela está divulgando o seu mais recente álbum, Songs of Bob Dylan (2017).

A carreira de Joan teve início na década de 1980, com direito a shows e a lançamentos pela via independente. Em 1991, lançou dessa forma o álbum Soul Show: Live At Delta 88. Com esse lançamento, no qual mostrava uma mistura de rock, soul e pop, atraiu as atenções da Mercury Records. Pela gravadora, estreou em 1995 com o CD Relish, no qual contou com o apoio de Eric Bazilian e Rob Hyman, da banda The Hooters, a mesma que acompanhou Cyndi Lauper no álbum que tornou essa cantora uma estrela, She’s So Unusual (1983).

A dupla deu a Osborne o mesmo impulso, pois Relish atingiu a posição de nº 9 na parada americana, emplacando como single a balada rock One of Us, que atingiu o 4º lugar entre os singles mais vendidos nos EUA. O CD também tinha outras faixas bem legais, como Right Hand Man, Dracula Moon, St Teresa e Spider Web, tornando a cantora um sucesso em diversos países, além da sua terra natal.

Infelizmente, Joan nunca mais conseguiu emplacar um novo hit. E não foi por falta de tentativas. O simpático álbum Righteous Love (2000), por exemplo, que tinha a dura missão de suceder Relish, não passou da posição de número 90 na parada ianque, o que levou a Mercury (que faz parte da Universal Music) a não renovar o seu contrato.

O ótimo How Sweet It Is (2000), lançado por um selo independente e com covers de rock e soul, foi pior ainda nas paradas, mesmo com a releitura de I’ll Be Around, hit na década de 1970 com os Spinners, tendo tido alguma repercussão, inclusive no Brasil. Ela lançaria outros álbuns bem legais só com releituras de sucessos alheios: Bring It On Home (2012), Breakfast In Bed (2007) e o recente Songs of Bob Dylan.

Mesmo uma reunião com Eric Bazilian, Rob Hyman e o produtor Rick Chertoff, o elogiado Little Wild One, com repertório de inéditas, não conseguiu espantar a zica. Em 2010, ela passou a conciliar a carreira solo com o posto de cantora da banda de rock Trigger Hippy, com a qual gravou um álbum autointitulado em 2014.

Osborne fez algumas parcerias bem bacanas nesses anos todos. Em 2002, por exemplo, ela foi uma das convidadas no incrível documentário Standing In The Shadows of Motown, que contou a história dos Funk Brothers, grupo de músicos que participou das gravações da lendária gravadora Motown em singles e álbuns antológicos de astros como Stevie Wonder, Marvin Gaye, The Four Tops, The Supremes etc.

Ela gravou acompanhada por eles no documentário e em sua trilha sonora boas releituras de (Love is Like a) Heatwave (hit com Martha Reeves & The Vandellas) e What Becomes of The Brokenhearted (sucesso com o cantor Jimmy Ruffin) e participou de uma turnê ao lado de alguns daqueles músicos incríveis.

A cantora participou com destaque de alguns álbuns-tributo e também integrou uma turnê com o grupo country feminino The Dixie Chicks. No repertório de seu show em São Paulo, teremos, entre outras, One of Us, I’ll Be Around, Crazy Baby, Hallelujah In The City, What You Gonna Do, To The One I Love, além de canções de Songs Of Bob Dylan.

One of Us– Joan Osborne:

Chaka Khan lança um novo hit e prepara álbum de inéditas

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Por Fabian Chacur

Essa é uma daquelas notícias que a gente publica com gosto e felicidade. Chaka Khan, uma das grandes divas da black music mundial, acaba de lançar uma nova música. Trata-se de Like Sugar, um funk-disco daqueles de rachar assoalhos, divulgada por um clipe dirigido pela diretora australiana radicada em Londres Kim Gehrig, conhecida por seus trabalhos com Calvin Harris e Basement Jaxx.

A música é uma parceria da cantora e compositora americana de 65 anos com o consagrado produtor, compositor e DJ britânico Switch, que tem no currículo trabalhos com Diplo (com o qual criou o projeto Major Lance, do qual saiu em 2011), M.I.A., Christina Aguilera, Beyonce e Brandy. Essa é a primeira faixa a ser revelada de um futuro álbum da estrela do funk/soul que ainda não tem data nem título definidos, embora previsto para sair em breve.

O delicioso clipe, do qual infelizmente a cantora não participa, traz afiados dançarinos mandando ver em performances solo ou coletivas tendo o groove invocado de Like Sugar como trilha sonora. O cenário é a instalação de arte Here After, situada em Londes onde ficava anteriormente um posto de gasolina abandonado e que hoje é um espaço cultural bem bacana.

Levando-se em conta a qualidade desta primeira amostra, é grande a expectativa para esse novo CD de Chaka Khan, o primeiro de estúdio desde Funk This, de 2007. Com mais de 40 anos de carreira, a musa tem 10 troféus Grammy em seu currículo, além de hits do porte de I Feel For You, Ain’t Nobody, I’m Every Woman, Love Me Still, Through The Fire e inúmeros outros, gravados solo ou com o grupo funk Rufus.

Like Sugar (clipe)- Chaka Khan:

A cantora Kathryn Dean volta ao Brasil para show em Sampa

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Por Fabian Chacur

Nos últimos tempos, a jovem cantora americana Kathryn Dean vem sendo presença constante nas trilhas sonoras de programas globais. Ela nos visitou pela primeira vez em julho de 2015, participando de atrações da emissora carioca e fazendo apenas um pocket show para poucos sortudos. Mas os fãs podem esfregar as mãos. Ela voltará no dia 30 de setembro para um show às 22h no Tom Brasil (rua Bragança Paulista, nº 1.281- Santo Amaro-S.P.), com ingressos custando de R$ 120,00 a R$ 300,00. Mais informações aqui.

Kathryn Dean lançou seu primeiro álbum em 2015, Hit The Lights. O trabalho está aos poucos cativando o público americano, com direito a vários shows promocionais por parte da cantora. Mas foi o Brasil quem primeiro abraçou as canções da loirinha de cabelos longos. Graças à massiva divulgação em vários programas globais, a cantora é atualmente uma das artistas internacionais mais badaladas pelo público jovem.

As faixas de Hit The Lights tocaram em Malhação, A Regra do Jogo, Alto Astral e Encontro com Fátima Bernardes. Seu estilo mescla romantismo, baladas e um pouco de pop dançante, tudo temperado por uma voz bastante gostosa de se ouvir. Be My Sin, City Of Angels, Love You Forever And a Day, So Undeniable e I’ll Show You Crazy tocaram e ainda tocam nas rádios pop, e o disco saiu por aqui via Som Livre, a gravadora global.

Be My Sin– Kathryn Dean:

City Of Angels– Kathryn Dean:

I’ll Show You Crazy– Kathryn Dean:

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