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Alexia Bomtempo mostra em Suspiro sua versão da bossa nova

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Por Fabian Chacur

A cantora Alexia Bomtempo nasceu em Washington D.C. (EUA), filha de pai brasileiro e mãe americana. Foi criada no Brasil, mas com várias passagens por seu país de origem. Isso criou uma espécie de dualidade cultural em sua formação pessoal que se refletiu em uma trajetória musical com mais de 10 anos.

Há quase oito anos radicada em Nova York, Alexia está lançando Suspiro (que saiu no Brasil pela Lab344, ouça aqui), seu quarto álbum, no qual mergulha em uma visão própria da bossa nova, com direito a canções autorais, inéditas de outros compositores e clássicos nada óbvios daquele movimento musical, de autores como Jorge Ben Jor, João Donato e Edu Lobo.

Em entrevista feita por email a MONDO POP, ela conta tudo sobre o novo trabalho e também nos dá uma geral em sua interessante e bastante consistente trajetória como cantora e compositora.

MONDO POP- Suspiro, seu novo álbum, é um trabalho bem diferente do seu álbum anterior, mais voltado para o pop-rock. Este novo tem um espírito bem de bossa moderna. Como surgiu a ideia de fazer um CD com essa sonoridade?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu passei uns meses em Tokyo fazendo uma residência de jazz e tive uma espécie de “reencontro” com a bossa nova. Fiz um mergulho naqueles discos que foram a base da minha formação musical, comecei a compor músicas novas e convivi muito com amigos e fãs japoneses completamente apaixonados por bossa nova. Voltei pra Nova York com a ideia de fazer um album que explorasse esse universo.

MONDO POP – O repertório de Suspiro mescla faixas inéditas e releituras nada óbvias. Que critérios você seguiu para fazer a seleção? Desde o início a ideia era mesclar idiomas (português, francês e inglês)?
ALEXIA BOMTEMPO
– A gente já tinha o conceito do álbum, que era saudar esse movimento samba-bossa-jazz dos anos 60 e 70, mas com um pensamento moderno. Apesar de fazer minhas próprias músicas, sempre gostei de cantar canções de outros compositores. Adoro pesquisar repertório e encontrar pérolas, relembrar músicas que foram lançadas lá atrás com roupagem diferente. Eu, o Jake e o Stéphane fomos trocando ideias e selecionando o repertório de forma colaborativa. Sou naturalmente bilíngue, sempre cantei em inglês e português e com esse álbum não poderia ser diferente. A bossa nova tem ligação forte com a cultura francesa e achamos bacana explorar esse idioma também.

MONDO POP- Como ocorreu a seleção das faixas inéditas? O objetivo era misturar canções de sua autoria com as de outros compositores ou isso acabou ocorrendo naturalmente?
ALEXIA BOMTEMPO
– O objetivo era esse, mas tudo aconteceu naturalmente. Eu já tinha algumas músicas prontas, depois fiz outras com o Jake pensando mais no conceito do álbum. O Stéphane estava passando uns dias no Rio nessa fase de pré-produção do disco e pediu canções inéditas ao Alberto Continentino e ao Domenico Lancellotti – dois compositores que eu adoro.

MONDO POP- A sonoridade do álbum é muito coesa, delicada e elegante, e soa como um trabalho de banda. Essa era a sua ideia inicial? Escolheu os músicos pensando nisso?
ALEXIA BOMTEMPO
– Sim, a ideia era fazer um disco com essa sonoridade de banda. Chamamos o pianista Vitor Gonçalves e o baixista Eduardo Belo (ambos brasileiros radicados em Nova York), que já vinham tocando com o Stéphane num outro projeto de samba-jazz. Foi bacana, porque já existia todo um entrosamento. O Jake, apesar de ter muita experiência com música brasileira, vem de uma formação mais jazz e blues que somou muito pra chegarmos nesse lugar delicado, elegante e internacional.

MONDO POP- Qual a importância dos produtores Jake Owen e Stéphane San Juan na concretização do álbum Suspiro, e como rolou o dueto com Stéphane em Les Chansons D’Amour?
ALEXIA BOMTEMPO
– O Jake e o Stéphane foram fundamentais. Eles são produtores fantásticos, pessoas lindas e profissionais incríveis. Todo o processo de feitura do disco se deu de uma forma muito leve, divertida e colaborativa – desde a escolha do repertório. Achamos que seria interessante ter uma música em francês, pela bossa nova ter um elo tão vivo com a cultura francesa e o Stéphane fez a letra pra música do Alberto Continentino, que resultou em Les Chansons D’Amour. O dueto também é uma referência aos duetos clássicos de bossa nova. A voz grave do Stéphane combinou muito com a minha e acho que a gravação transporta o ouvinte para outra atmosfera. Ah, e o Stéphane é francês!

MONDO POP- Fale um pouco sobre o clima das gravações, se você gravou com os músicos ao mesmo tempo ou naquele esquema de ir criando aos poucos a base instrumental para depois colocar a voz.
ALEXIA BOMTEMPO
– Gravamos no SuperLegal Studio (do Jake e do percussionista Mauro Refosco) que fica no Brooklyn, tudo ao vivo, com os músicos tocando ao mesmo tempo, “como se fazia antigamente” – inclusive a voz. Os arranjos foram feitos na hora, sem muito ensaio. Eu, o Jake e o Stéphane já tínhamos escolhido o repertório e conhecíamos as músicas, mas o Eduardo e o Vitor foram ouvindo as ideias na hora, deixando a criatividade fluir, e contribuíram imensamente na elaboração de cada faixa. Foi muito leve e divertido, gravamos as bases em dois dias e depois convidamos o trompetista Michael Leonhart para participar. Ele é um músico fantástico e apaixonado por bossa nova. Também chamamos o guitarrista Guilherme Monteiro para participar da faixa “Les Chansons D’Amour” e ele fez o arranjo no violão rapidamente, de uma forma muito natural. Eu amei fazer um disco assim, livre (e em pouco tempo).

MONDO POP- Gostaria de que você me lembrasse um pouco de suas origens, sendo filha de um brasileiro e de uma americana e tendo nascido em Washington. Foi criada lá ou aqui? E como foi essa criação em termos musicais, o que seus pais ouviam, o que você ouvia na infância e adolescência?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu fui criada nos Estados Unidos e no Brasil. Minha vida foi meio partida entre os dois países, foram muitas idas e vindas ao longo dos anos. Sempre me senti dividida, e as influências das duas culturas se misturam muito dentro de mim. A minha formação musical também foi assim, misturada. Em casa a gente ouvia os clássicos do Brasil (Caetano, Gil, Djavan, Tom Jobim, Gal, Rita Lee, João Gilberto) e da América do Norte (Bob Dylan, Billie Holiday, Joni Mitchell, Janis Joplin, Leonard Cohen). Meu pai era produtor cultural em Petrópolis, então tive a sorte de crescer na coxia, assistindo de perto os shows dos grandes nomes da música brasileira. Foi uma infância muito estimulante e eu sempre soube que queria fazer parte daquele mundo algum dia.

MONDO POP- Relembre um pouco suas primeiras experiências musicais, e em que momento você decidiu que esse seria o seu projeto profissional, ser uma cantora e compositora.
ALEXIA BOMTEMPO
– Durante a minha infância e pré-adolescência no Brasil, estudei teatro no Tablado. Já gostava de cantar, mas comecei no teatro. Já com 17 anos e morando nos Estados Unidos, entrei para o coral da escola e comecei a me destacar. E então resolvi abraçar a música de vez. Voltei pro Brasil, montei uma banda e toquei na noite durante um tempo. Depois, resolvi estudar canto lírico nos Estados Unidos e fiquei na faculdade por dois anos antes de voltar novamente ao Brasil. Conheci o produtor Sérgio Carvalho, que produziu minha primeira demo e depois me apresentou seu irmão Dadi – que se tornou um grande amigo, um padrinho musical e produziu meu primeiro disco, Astrolábio.

MONDO POP- O que te levou a se mudar para Nova York há quase oito anos?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu estava lançando o meu segundo disco I Just Happen to Be Here com canções em inglês do Caetano Veloso que me abriu algumas portas fora do Brasil. Já vinha passando umas temporadas em Nova York, sempre fui fascinada pela energia da cidade, pelo aspecto internacional da arte feita aqui e estava cultivando colaborações musicais – queria fazer parte disso. Fui convidada para tocar no Brasil Summerfest e resolvi vir com uma passagem só de ida – se a coisa fluísse, eu ficava. E assim fiquei de vez.

MONDO POP- Astrolábio foi o seu álbum de estreia, como você o encara com os olhos e ouvidos de hoje?
ALEXIA BOMTEMPO
– Acho que o Astrolábio (n.da r.: lançado em 2008 pela EMI) é um disco de descobrimento, que representa o meu encontro musical com o Dadi, um retrato da minha vida naquela época. É um disco carioca, “feito à mão”, sem pressa, com amizade e doçura.

MONDO POP- I Just Happen To Be Here foi uma bela ideia, um recorte provavelmente inédito da produção do Caetano Veloso de 1969 a 1972 em inglês em um período conturbado e criativo da vida dele. Fale um pouco sobre esse projeto e como encara a sua repercussão.
ALEXIA BOMTEMPO
– A ideia foi do Felipe Abreu, um dos produtores do disco, junto com o Dé Palmeira. O Felipe foi meu preparador vocal e se tornou um grande amigo e conselheiro. Um dia, durante uma aula, cantei London, London e ele teve a ideia de fazermos um disco com o repertório em inglês do Caetano. O conceito era buscar “despir” as canções da carga política e emocional da época em que foram feitas e trazê-las pra perto de mim, da minha história partida entre dois países, duas culturas, duas línguas. Foi um desafio muito interessante, tenho muito orgulho desse disco. E Caetano gostou da homenagem.

MONDO POP- Suspiro saiu primeiro no Japão, país que tem um público muito grande para a bossa nova. Você já tocou lá, tem bons contatos lá? E como foi a reação do público japonês para este álbum?
ALEXIA BOMTEMPO
– Tenho muito amor pelo Japão. O público me acompanha desde o início, já fiz várias turnês e residências e tenho muitos amigos queridos por lá. A ideia do Suspiro surgiu justamente quando eu estava passando uma temporada no Japão e achei muito significativo o fato de o disco ter sido lançado lá primeiro. Eles adoraram.

MONDO POP- O lançamento de Suspiro será só no formato digital ou teremos versões físicas (CD, vinil etc)?
ALEXIA BOMTEMPO
– Temos o CD nos Estados Unidos e no Japão. A ideia é fazer vinil também, mas agora as fábricas estão paradas por causa da pandemia. Então futuramente, espero que sim.

MONDO POP- Como tem sido para você esse período da quarentena? Muitos artistas tem feito lives, você pensa em fazer algo assim (se é que já não fez…)?
ALEXIA BOMTEMPO
– Tem dias que são melhores do que outros. Eu gosto de ficar em casa e tenho aproveitado o tempo pra descansar, compor, ouvir discos, cozinhar, ler… Mas a sensação de não saber como serão os próximos meses é desconcertante e causa muita ansiedade. Estar lançando um álbum novo nesse período tem sido interessante. Muita gente tem me falado que o disco acalma e traz paz de espírito, que é a trilha sonora ideal para esses tempos difíceis – isso é muito gratificante. Tenho feito lives, sim, mas aos poucos e com cuidado, pois também acho que a internet está ficando saturada de conteúdo superficial. É uma maneira bacana de se manter conectado com o público, mas sinto muita saudade da troca que acontece ao vivo, no palco.

Eles Querem Amar (clipe)- Alexia Bomtempo:

Tiê celebra dez anos de carreira com 1º DVD e show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

A cantora e compositora paulistana Tiê comemora dez anos de carreira. Nesse período, ela computa o lançamento de quatro álbuns, a realização de várias turnês por Brasil e exterior e a inclusão de dez músicas em trilhas de novelas. Agora, chega a vez do primeiro DVD, Dix (Warner Music), cujo repertório ela apresenta em São Paulo nesta sexta-feira (28) às 21h no Sesc Pinheiros- Teatro Paulo Autran (rua Paes Leme, nº 195- Pinheiros- fone 0xx11-3095-9400), com ingressos de R$ 12,00 a R$ 40,00.

Dix reúne 17 faixas extraídas de várias fases da carreira desta talentosa artista, e foi gravado ao vivo no Rio de Janeiro em 25 de junho de 2019 no Youtube Space. Ela define as intenções e o direcionamento básico deste lançamento:

“Tem um olhar de maturidade diferente nesse trabalho. Estou mais leve, porém ainda muita intensa. O número dez representa a ausência e a completude ao mesmo tempo. Ou seja, a falta de um repertório só de inéditas, como estou acostumada a lançar, mas a totalidade de revisitar o caminho até aqui”.

Acompanhada por André Whoong (guitarra e teclados), Gianni Salles (baixo) e Matheus Souza (bateria), Tiê mostrará no show músicas como Mínimo Maravilhoso, Mexeu Comigo, Chá Verde, Amuleto e A Noite, com a sutileza, elegância e sensibilidade pop que a marcam.

Veja o DVD Dix, de Tiê, em streaming:

Ana Cañas celebra 12 anos de carreira com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Em 2007, Ana Cañas lançou seu álbum de estreia, Amor e Caos, e rapidamente viu seu nome ser comentado como uma das grandes revelações da música brasileira naquele período. Desde então, a cantora e compositora conseguiu se firmar, com direito a um público fiel e muito respeito por parte dos colegas. Ela celebra 12 anos desse lançamento (que logo serão 13, por sinal) com shows nos dias 10 e 11 (sexta e sábado) às 21h na Comedoria (antiga Chopperia) do Sesc Pompeia (rua Clélia, nª 93- Pompéia- fone 0xx11-3871-7700), com ingressos de R$ 9,00 a R$ 30,00.

A ideia é dar uma geral no repertório de seus seis álbuns de estúdio, incluindo algumas do mais recente, intitulado Todxs (2018). Entre outras canções, teremos Pra Você Guardei o Amor (que ela gravou em parceria com seu autor, Nando Reis), Esconderijo, Será Que Você Me Ama?, Tô na Vida e Luz Antiga.

“Também cantarei músicas da militância que fizeram parte da história do país, celebrando a resistência nesse momento difícil que vivemos para arte e cultura. É um show pra todo mundo cantar junto, com muita emoção e canções especiais que marcaram a minha vida”, garante a intérprete.

Ana Cañas terá a seu lado nesses dois shows em São Paulo uma banda composta por Monica Agena (guitarra), Dj Nato PK (beats), Estevan Sinkovitz (baixo), Marco da Costa (bateria) e André Lima (teclados).

Pra Você Guardei o Amor– Ana Cañas e Nando Reis:

Tom Speight e Mahmundi gravam dueto acústico em Willow Tree

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Por Fabian Chacur

Em março deste ano, o jovem cantor, compositor e músico britânico Tom Speight deu uma rápida passada pelo Brasil, participando de uma apresentação esquema pocket no Rio de Janeiro. Por lá, conheceu e fez amizade com a cantora carioca Mahmundi. Juntos, eles gravaram uma versão acústica da canção Willow Tree, que acaba de ser divulgada nas plataformas digitais. O artista não esconde a alegria pela concretização dessa parceria.

“Eu sentia que devia um grande agradecimento ao Brasil por ter sido um dos primeiros lugares a ouvirem minhas músicas… Pareceu uma boa forma de mostrar minha felicidade dedicando uma versão à eles. Era um sonho meu gravar no Rio de Janeiro e trabalhar com a Mahmundi. Mal posso esperar para voltar e explorar mais ainda!”, afirmou, em press-release enviado à imprensa.

Speight lançou no primeiro semestre o seu primeiro álbum, Collide, que inclui a versão de estúdio de Willow Tree, gravada por ele em dueto com a cantora Jessica Staveley Taylor, integrante do grupo The Staves. Com gravações realizadas no célebre Abbey Road, em Londres, e também no Jam Hut, em Devon, o trabalho mostra um delicado e melódico som folk com elementos eletrônicos, com direito a canções como Little Love, o hit consagrado pelos fãs brasileiros.

Mahmundi é o nome artístico que a promissora e talentosa cantora, compositora e mucisista carioca Marcela Vale adotou em 2012. Desde então, lançou dois EPs e os álbuns Mahmundi (2016) e Para Dias Ruins (2018). Em seu dueto com Tom Speight, ela se divide em versos em inglês e em português, mostrando bom entrosamento com o artista britânico.

Willow Tree (acoustic)- Tom Speight e Mahmundi:

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