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Zélia Duncan lança novo single e vem com álbum inédito em maio

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Por Fabian Chacur

Zélia Duncan retoma em 2019 duas marcas de sua trajetória artística mais conhecida do grande público. Uma é o retorno ao som pop folk autoral que marcou os seus maiores hits, como Catedral e Enquanto Durmo, após dez anos dedicados a composições alheias e a ritmos como o samba. A outra é reiniciar a parceria musical e de trabalho com o compositor, músico e produtor Christiaan Oyens. O álbum que marca esses novos rumos é Tudo É Um, que a cantora lançará dia 17 de maio pelo selo Duncan Discos, em parceria com a gravadora Biscoito Fino.

Como forma de dar ao público pistas de como soará esse trabalho, Zélia lançou dois singles. O primeiro, O Que Mereço, conta inclusive com um clipe para divulgá-lo (veja aqui). O outro acaba de ser disponibilizado para o público. Trata-se de Breve Canção de Sonho, composição dela em parceria com Dimitri BR lançada originalmente em 2012 na trilha da novela global Cheias de Charme, e agora relida em versão mais encorpada, nas palavras da própria intérprete.

Tudo É Um trará parcerias da cantora e compositora com nomes do porte de Chico Cesar, Zeca Baleiro, Paulinho Moska e Dani Black, além do próprio Christiaan, que se incumbe da direção geral do álbum, com direção artística a cargo da própria artista. Seu álbum imediatamente anterior a este é o delicado e ótimo Invento+ (2017), gravado em parceria com o consagrado músico carioca Jaques Moreleubam (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Breve Canção de Sonho– Zélia Duncan:

Mart’nália faz deliciosa viagem pela obra de Vinicius de Moraes

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Por Fabian Chacur

Há artistas que possuem uma forte assinatura autoral naquilo que fazem. Mart’nália integra esse restrito grupo a partir de sua voz, que consegue conciliar um registro mais áspero com uma doçura que você reconhece logo nos primeiros segundos de suas interpretações. Versátil, ela é cantora, compositora, musicista, produtora… Com 32 anos de carreira discográfica, ela dedica o seu novo álbum a um dos repertórios mais nobres da música brasileira. O título entrega o conteúdo: Mart’nália Canta Vinícius de Moraes, lançamento da Biscoito Fino que já está disponível em CD e nas plataformas digitais.

Este novo trabalho de Mart’nália começou bem logo na escolha de seus produtores, o saudoso baixista Arthur Maia e o guitarrista Celso Fonseca. Essa dupla talentosíssima soube arregimentar músicos que, junto com eles, foram capazes de dar conta de uma sonoridade centrada na música brasileira, mas com uma fluência jazzística e apego às sutilezas elegantes.

A escolha do repertório equivale a uma significativa amostra do que melhor o nosso amado Poetinha fez em sua carreira no mundo da música popular, trazendo exemplares de suas parcerias com Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, Carlos Lyra e Hermano Silva. De quebra, temos a voz do próprio abrindo e fechando o CD, com seu tom agradável e mais afinado do que quem não conhece a sua história pode imaginar. Poeta, sim, e dos bons, mas um vocalista bastante respeitável, sem ser um Pavarotti, obviamente.

Com seu estilo próprio e descontraído, Mart’nália aproveita essa roupagem bacana imprimida às músicas de Vinícius para dar a elas releituras elegantes, reverentes e respeitosas, mas sem cair na mera repetição, armadilha em que alguns intérpretes caem quando ficam diante de canções tão clássicas e tão icônicas como essas contidas neste trabalho.

Além do homenageado, temos as participações de Maria Bethânia recitando o Soneto do Corifeu, interpolado em Eu Sei Que Vou Te Amar, a cantora italiana radicada na França Carla Bruni em versão bilíngue de Insensatez, e de Toquinho na sua parceria com Vinícius Tarde em Itapoã. A irreverência de A Tonga da Mironga do Kabuletê e Maria Vai Com As Outras, o ode à saudade de Onde Anda Você, o lirismo de Minha Namorada, é um clássico atrás do outro.

Mart’nália Canta Vinícius de Moraes é o tipo do tributo que esse grande nome da cultura brasileira merece, um verdadeiro banho de sensibilidade, talento e respeito. Difícil ser mais elegante e swingada do que Mart’nália foi com essas canções tão maravilhosas, que refletem o melhor de um país que a gente ama e respeita mais do que nunca. Cultura é isso!

Onde Anda Você– Mart’nália:

Raquel Martins faz show nesta sexta (29) na Casa Gramo (SP)

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Por Fabian Chacur

Raquel Martins é daquelas pessoas que não vieram ao mundo a passeio. Ela é cantora, compositora, violonista, produtora musical e doutoranda em música pela Unicamp. Sempre a mil por hora, ela apresenta nesta sexta (29) a partir das 21h em São Paulo o show Música Para (R) Existir. O local será a Casa Gramo (rua Bento de Abreu, nº 223- Vila Romana- fone 0xx11-3864-4186), e estarão a seu lado no palco Gê Ruiz (baixo) e Si Sa Medeiros (percussão).

O trabalho autoral de Raquel teve seu primeiro registro discográfico em 2007, com o álbum No Vai e Vem do Metrô. Desde então, além de inúmeros shows, também nos proporcionou os CDs Homem Sem Rosto (2015), O Mar e Outras Águas (2016-com Olivia Gênesi) e Percepções Sonoro-Poéticas (2017).

No show desta sexta, ela mostrará músicas autorais e também cânticos populares de matrizes afro-brasileiros. Raquel nasceu no estado do Rio de Janeiro e está radicada em São Paulo desde 2001. Leia mais sobre ela aqui e ouça mais canções de seu repertório aqui.

Menina Moleque– Raquel Martins:

Roberta Campos lança single com um grande hit de Paul McCartney

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Por Fabian Chacur

Roberta Campos lançará pela gravadora Deck o seu primeiro DVD gravado ao vivo, Todo Caminho é Sorte Ao Vivo, no início de 2019. Ela já lançou um single que estará incluído nesse trabalho (saiba mais aqui). Agora, a cantora e compositora nos proporciona outra faixa que estará nesse trabalho, só que em um single no qual a versão foi gravada em estúdio. E a canção é bem especial, de um autor dos mais consagrados.

Trata-se de My Love, um dos maiores sucessos da carreira-solo de Paul McCartney, lançada por ele em 1973 em single e também como faixa do álbum Red Rose Speedway. A música equivale a uma homenagem à saudosa Linda McCartney, com quem ele foi casado por quase 30 anos. Roberta comenta:

“Sempre amei os Beatles, e o Paul sempre foi o beatle com quem eu mais me identifico. My Love é uma canção que me toca, tem um amor muito verdadeiro, igual ao que tem em mim. Gostaria de tê-la composto”. Com dez anos de carreira, Roberta Campos tem em seu currículo quatro álbuns e diversos sucessos, alguns deles incluídos em trilhas de novelas televisivas.

Ouça My Love, com Roberta Campos:

Patricia Marx procura fugir do tédio em seu novo álbum, Nova

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Por Fabian Chacur

Patricia Marx está de volta ao universo das canções inéditas, após o sucesso de seu álbum Trinta (2013), no qual releu sucessos de seus trabalhos anteriores. Apropriadamente intitulado Nova e lançado pela gravadora LAB 344, o novo CD da cantora e compositora paulistana nos oferece 14 faixas, com direito a letras em português e inglês, participações especiais bacanas e uma consistência artística compatível com sua extensa experiência artística.

Em entrevista a Mondo Pop, ela dá detalhes sobre o seu 13º álbum de carreira, além de falar sobre sua trajetória e novos projetos, um deles sendo uma parceria com Luciano Nassyn intitulada Trem da Alegria Celebration, na qual os dois integrantes do célebre grupo infantil de muito sucesso nos anos 1980 irão reler os hits daqueles tempos em shows ao vivo.

Mondo Pop- Como você define o álbum Nova, comparado com seus trabalhos anteriores?
Patricia Marx
– Consegui experimentar mais nesse álbum do que nos anteriores. Teve um ganho gigantesco, eram ideias que eu já tinha, e que agora consegui concretizar. É um disco no qual você vai descobrindo novas coisas a cada audição, tem sutilezas, como a faixa a capella Cathedral, por exemplo. A gravadora LAB 344 me deu liberdade para fazer isso, me deixou muito livre.

Mondo Pop- Em termos de estilo, musicalmente falando, que caminhos o Nova tomou?
Patricia Marx
– É um trabalho de pop, soul,com umas coisas estranhas no meio. Se eu me sinto me repetindo, fico entediada, sempre busco coisas novas. Não é uma mudança radical em relação ao que já fiz, mas a mudança está lá.

Mondo Pop- Como começou a sua parceria musical com o Herbert Medeiros, e qual a importância dele neste CD?
Patricia Marx
– O Herbert é um coautor desse álbum, meu braço direito, o parceiro musical perfeito, além de arranjador, músico, parceiro de composições. Começamos a trabalhar juntos quando ele era músico da banda do Trinta, inicialmente só como músico e depois como arranjador e tudo o mais.

Mondo Pop- O álbum tem algumas parcerias bem legais. Com o Paul Pesco, por exemplo.
Patricia Marx
– O Paul Pesco, produtor americano que trabalhou com Daryl Hall & John Oates, Madonna, Steve Winwood, Mary J. Blige e Miguel, entre outros, eu conheci através do Sérgio Martins (diretor e criador da LAB 344). Começamos a nos comunicar via whatsapp, ele de Nova York e eu e o Herbert daqui. Gostei demais de trabalhar com ele, que é muito rápido.

Mondo Pop- Tem outros parceiros bacanas, também, fale sobre eles.
Patricia Marx
– O Jorge Ailton, que toca na banda do Lulu Santos e lançou um disco solo há pouco (Arrembi, pela mesma LAB 344), é meu parceiro na música Lá No Espaço. O Marc Mac, da banda londrina 4Hero, fez letras em inglês. O Jair Oliveira é parceiro na música Luz Numa Lágrima, enquanto o rapper francês radicado no Canadá Lou Piensa participou da música Don’t Break My Heart.

Mondo Pop- Aliás, o disco mescla letras em inglês com outras em português. Isso tem um pouco a ver com a repercussão que seu trabalho tem no exterior, e do fato de você ter morado em Londres?
Patricia Marx
– Eu, por mim, teria feito um álbum inteiro em inglês, mas é muito bom cantar na minha língua, também. Desde 2001, quando morei em Londres, tive abertura para me divulgar no exterior, estou no mundo há algum tempo.

Mondo Pop- Para encerrar, diga algo sobre seus projetos para 2019.
Patricia Marx
– Farei um show para divulgar o Nova, vou bolar uma forma nova de fazer isso. Pretendo lançar uma biografia, e farei junto com o Luciano Nassyn o Trem da Alegria Celebration, uma série de shows com músicas do Trem de Alegria, cujos discos foram disponibilizados nas plataformas digitais.

You Showed Me How (clipe)- Patricia Marx:

Cris Narchi interpreta canções natalinas neste sábado (15) em SP

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Por Fabian Chacur

Dezembro é um mês cuja data máxima é sem sombra de dúvidas o natal. Em torno dele, giram o comércio, as emoções, o carinho e a oportunidade da reunião da família em torno de uma mesa farta e bem arrumada. Também temos o predomínio das canções feitas especialmente para a ocasião, e shows temáticos. E é exatamente um deles que a cantora Cris Narchi irá proporcionar ao público neste sábado (15) às 11h em São Paulo, na Praça Pereira Coutinho, Vila Nova Conceição, com entrada gratuita.

Com produção a cargo dos consagrados Luiz Carlos Maluly e Marcos Caixote Pontes, Cris irá interpretar um repertório de canções natalinas para encantar os corações das mais diversas gerações, com direito a All I Want For Christmas Is You e Jingle Bells. A intérprete atualmente prepara o lançamento de um novo single, e investe em uma sonoridade que mescla soul, pop, MPB e muito mais, sempre com direito a muita emoção e qualidade artística (leia mais sobre ela aqui).

The Greatest Love Of All (ao vivo)– Cris Narchi:

Angela Ro Ro faz um show de clima intimista em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Cantora, compositora e pianista de sucesso, Angela Ro Ro estará em São Paulo neste sábado (10) para um show às 21h30 no Tupi Or Not Tupi (rua Fidalga, nº 100- Vila Madalena- fone 0xx11-3813-7404), com ingressos a R$ 100,00. Além dela, teremos no palco o pianista Ricardo MacCord, seu parceiro em músicas como Compasso (faixa-título do CD lançado pela artista em 2006). Clima intimista e promessa de uma noite bem bacana para quem for.

Atualmente vivendo uma fase bem mais tranquila do que aqueles anos turbulentos no qual era frequente manchete de jornais e publicações sensacionalistas por causa de abusos alcoólicos e relações românticas mal resolvidas, ela nos mostrará clássicos de seu repertório, entre os quais Amor Meu Grande Amor, Tola Foi Você, Só Nos Resta Viver, Balada da Arrasada e Compasso, além de uma releitura de Summertime, clássico na voz de Janis Joplin, cantora que certamente a influenciou.

Angela Ro Ro gravou seu primeiro álbum quando já tinha 30 anos, em 1979. Mas valeu a espera, com o estouro de faixas como Amor Meu Grande Amor, Tola Foi Você e A Mim e a Mais Ninguém. Sua mistura de rock, blues e MPB deu muita liga, e ela se mostrou ótima compositora e também capaz de interpretar com garra e originalidade canções de Caetano Veloso (Escândalo) e João Donato (Simples Carinho), entre outros. Com sua voz rouca e cativante, continua relevante na MPB.

Amor Meu Grande Amor– Angela Ro Ro:

Olivia Gênesi/Raquel Martins cantam juntas em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Embora a grande mídia prefira ignorar, existem inúmeros artistas talentosos no atual cenário musical brasileiro, todos batalhando para solidificar e viabilizar suas carreiras. Olivia Gênesi e Raquel Martins integram uma parte nobre desse time, com trajetórias bem bacanas e trabalhos de primeira. Elas se apresentam em São Paulo nesta quarta (5) às 21h no projeto Talento MPB do Bar Brahma (avenida São João, nº 677- República- fone 0xx11-2039-1250), com ingressos a R$ 30,00.

Juntas, as duas lançaram em 2016 o CD O Mar e Outras Águas, cujo repertório se fará presente neste show, assim como canções de seus discos solo mais recentes, Amor e Liberdade (Olivia) e Percepções Sonoro Poéticas (Raquel). As duas cantarão, sendo que Olivia tocará piano, guitarra, escaleta e percussão, enquanto sua colega de palco se incumbirá de guitarra, violão e baixolão.

Uma canção será lançada precisamente neste show, uma homenagem ao histórico local onde a apresentação será realizada. Trata-se de Lua Paulistana, com letra a cargo de Raquel e melodia feita por Olivia. A faixa será lançada em breve nas plataformas digitais no formato single pelo selo Elefante D. O som delas é uma mistura de MPB, pop, rock, folk e muito mais, com direito a letras consistentes e melodias bacanas.

Saiba mais sobre Olivia Gênesi aqui, e sobre Raquel Martins aqui.

Seiva da Vida (ao vivo)- Olivia Gênesi e Raquel Martins:

Alaíde Costa e Toninho Horta fazem 4 shows em São Paulo

Toninho Horta e Alaíde Costa -foto Geraldo Rocha-400x

Por Fabian Chacur

A amizade entre Alaíde Costa e Toninho Horta teve início entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970, nos bons tempos do Clube da Esquina. Em 2011, o produtor Geraldo Rocha teve a ideia de reuni-los, projeto que se concretizou em 2015 com o lançamento do elogiado álbum Alegria é Guardada em Cofres Catedrais. A dupla estará em São Paulo para shows de quinta a domingo (9 a 12), sempre às 19h15, na Caixa Cultural São Paulo (Praça da Sé, nº111- Centro- fone 0xx11-3321-4400), com entrada gratuita.

Alaíde Costa tornou-se conhecida do grande público na fase inicial da bossa nova, e se firmou como uma das elogiadas intérpretes da nossa música. Por sua vez, Toninho Horta apresentou seu talento como cantor, guitarrista, violonista e compositor ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes, Lô Borges e companhia bela. Em 1972, Alaíde participou do seminal álbum Clube da Esquina, em estupenda regravação de Me Deixa Em Paz (Monsueto) ao lado do Bituca. Horta também marcou presença nesse álbum clássico da música brasileira e mundial.

Alegria é Guardada em Cofres Catedrais, o CD, traz basicamente um resgate de clássicos dos anos 1960 e 1970 dos geniais compositores mineiros, entre os quais Travessia, Outubro, Beijo Partido, Nascente, Sol de Primavera e Tudo o Que Você Podia Ser. Também entrou no repertório Sem Você (Tom e Vinícius), que Horta afirma ter sido a primeira música que ouviu na voz de Alaíde, faixa de seu álbum Alaíde Joia Moderna, lançado em 1961 e com o genial Baden Powell no violão.

O show será em um formato bem intimista, com Alaíde cantando e Toninho se alternando entre violão e guitarra. Ambos também tem projetos individuais sendo concretizados. No caso do músico mineiro, um songbook com o melhor de sua bela produção musical. Já Alaíde lançará em breve o seu primeiro DVD, em parceria com o Canal Brasil. Também teremos no futuro um documentário registrando a parceria histórica entre esses dois grandes artistas.

Tudo Que Você Podia Ser– Alaíde Costa e Toninho Horta:

Joyce Moreno relê seu álbum de estreia de forma sublime

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Por Fabian Chacur

Como forma de comemorar seus 50 anos de carreira e 70 de vida, ambas muito bem vividas, Joyce Moreno teve uma ideia bem interessante. A cantora, compositora e violonista carioca resolveu regravar na íntegra o seu álbum de estreia, lançado em 1968 e autointitulado. Uma forma de concretizar aquele pensamento que às vezes temos, do tipo “como eu teria feito o que fiz aos 20 anos com a maturidade de hoje?” O resultado é o CD 50, lançado pela Biscoito Fino.

Joyce, o álbum, equivale a uma estreia promissora, mas com algumas arestas, especialmente se levarmos em conta o que essa incrível artista faria nos anos posteriores ao seu lançamento. Os arranjos orquestrais são classudos, mas nem sempre adequados, e sua voz soava afinada, mas sem a personalidade e a forte assinatura própria que os anos de estrada bem aproveitados lhe proporcionariam. De quebra, com seu violão sem destaque, só como pano de fundo.

Em 50, o excelente repertório do disco de 1968 recebe um tratamento mais minimalista, embora sofisticado e criativo, tendo como estrutura básica a incrível banda que a acompanha há muitos anos, formada por ela na voz e violão, o marido Tutty Moreno na bateria, Rodolfo Stroeter no contrabaixo e Hélio Alves no piano. Um time entrosadíssimo que se entende perfeitamente, com muito swing e sem nunca pecar pelo excesso. As canções mandam, sempre.

Temos também diversos convidados especiais que se encaixam feito luva nas faixas das quais participam. Gente do porte de Francis Hime, André Mehmari, Marcos Valle, Danilo Caymmi, Roberto Menescal, Zélia Duncan, Fabio Peron e Pedro Miranda. Em quatro faixas, Joyce deixa seu icônico violão de lado e se concentra nos vocais, dando aos convidados a tarefa de assinar esses arranjos musicais.

O resultado mescla bossa nova, samba, chorinho e canções com sutileza, categoria, swing e aquele jeito solto que marca o melhor da obra da autora de Feminina, Mistérios e tantos outros clássicos da MPB. Composições próprias como Não Muda Não e Me Disseram convivem bem com canções de então jovens amigos como Paulinho da Viola, Toninho Horta, Francis Hime, Marcos Valle e Ruy Guerra.

Há momentos particularmente arrepiantes, como Anoiteceu, parceria de Francis Hime e Vinícius de Moraes lançada naquele álbum de estreia e que faria sucesso em 1978, quando Hime a regravou em seu álbum Passaredo e a mesma entrou na trilha de novela global Sinal de Alerta, e Bloco do Eu Sozinho, de Marcos Valle e na qual o autor faz uma participação simplesmente perfeita nos teclados e arranjo.

No papel de faixas-bônus, temos duas composições inéditas que trazem em suas letras uma espécie de diálogo com a Joyce de 1968 e uma declaração de intenções da atual Joyce Moreno. A primeira é Com o Tempo, parceria dela com Zélia Duncan e belo dueto dessas talentosas artistas. A segunda, que fecha o álbum, é a irresistível A Velha Maluca, na qual a artista esbanja bom humor e deixa claro que ainda vem muita coisa pela frente. Como duvidar disso?

No fim das contas, 50 serve como bela recriação para aquele primeiro LP, mostrando ao mesmo tempo um presente incrível apontado para um futuro que promete muita coisa boa. Sem nunca ter se traído em termos artísticos, Joyce Moreno construiu uma carreira respeitada no Brasil e no exterior. Quem apostou naquela talentosa menina de 1968, como o saudoso Vinícius de Moraes, deve se orgulhar dessa trajetória repleta de luz e som do bom. Que bela “Velha Maluca” de responsa aquela jovem morena promissora se tornou!

Bloco do Eu Sozinho– Joyce Moreno:

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