Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Tag: cantoras brasileiras (page 1 of 3)

Sylvia Patricia mescla Brasil e latinidade no seu belo EP Piel

sylvia patricia-piel- capa-400x

Por Fabian Chacur

Há exatos 30 anos, Sylvia Patricia lançou um disco autointitulado pela gravadora Sony Music. A partir dali, esta cantora, compositora e instrumentista baiana desenvolveu uma carreira impecável, com direito a discos de estúdio deliciosos, um DVD ao vivo retrospectivo de primeira linha e shows sempre encantadores. Como forma de celebrar essas três décadas de muita qualidade e coerência artística, ela nos oferece o EP Piel (Speciarias Musicais), outra delícia auditiva.

Quem acompanha Mondo Pop há mais tempo sabe que tenho um carinho todo especial pela obra de Sylvia Patricia (leia mais matérias sobre a artista aqui). E não é para menos. Ouvir sua voz calorosa e doce vicia, aquele tipo de vício que não tem contra-indicação. Afinal, nada melhor do que prazer auditivo intenso.

Piel (pele, em castelhano) é uma espécie de cartão de visitas do lado mais latino da sonoridade de Sylvia. Temos aqui seis faixas. Besame Mucho, grande clássico da música latina escrito pela compositora mexicana Consuelo Velásquez nos anos 1940 e regravada até, pasmem, pelos Beatles, aparece em duas releituras no melhor estilo bossa nova, uma com letra em português e outra com alguns versos em catalão escritos pelo músico dessa origem Daniel Cros.

Un Beso, de Sylvia em parceria com Paulo Rafael, também é oferecida em duas gravações diferentes, ambas em castelhano. Uma é a versão original, lançada originalmente no álbum No Rádio da Minha Cabeça (2006), e a outra se trata de um remix feito pelo baiano DJ Titoxossi. Ambas são calientes e com uma levada bem espanhola, bem flamenca.

Lançada originalmente em 2014 em outro EP, De Vuelta (Sylvia Patricia-Cecelo Froni) reaparece agora em uma versão denominada Rio-Barcelona Mix.

A faixa mais interessante é Resistiré (Carlos Toro e Manuel de La Calva), da trilha sonora do filme Ata-me (1989), de Pedro Almodóvar. Sylvia já a havia regravado em seu álbum Andante (2010), mas nesta nova versão ele teve uma bela sacada: acrescentou trechos do clássico disco I Will Survive (Dino Fekaris-Freddie Perren), estouro mundial em 1979 na voz da americana Gloria Gaynor. Como as músicas tem boas semelhanças entre si, ficou um mix dos mais encantadores.

Este novo EP funciona como um delicioso aperitivo para quem estava sedento por novas gravações de Sylvia Patricia, e também pode ser um bom cartão de apresentação ou porta de entrada para novos fãs.

Resistiré– Sylvia Patricia:

Zelia Duncan volta ao folk pop com delicadeza e clima positivo

tudo e um zelia duncan-400x

Por Fabian Chacur

Se há alguém que pode ser definida como “artista dos mil projetos”, ela atende por Zelia Duncan. Além de participar de discos e shows de nomes dos mais variados segmentos, ela também mergulha em obras com os mais diferentes enfoques. Até dos Mutantes ela já foi integrante! Dessa forma, esta cantora, compositora e musicista de 54 anos oriunda de Niterói (RJ) ficou dez anos sem lançar um trabalho autoral voltado à sonoridade que a tornou conhecida nacionalmente, o folk-pop-MPB, digamos assim. Esse hiato acaba agora com o lançamento de Tudo É Um (Duncan Discos-Biscoito Fino), um belo momento do tipo “volta às raízes”.

O principal marco do álbum é o retorno do principal parceiro de Zelia nesse praia, Christiaan Oyens, que aqui se incumbe da produção, alguns instrumentos musicais e parceria nas músicas Canção de Amigo e Olhos Perfeitos. Aliás, o que não falta nesse álbum é parceiro. Zeca Baleiro, por exemplo, é coautor de Me Faz Uma Surpresa e Medusa. Dani Black assina com ela Só Pra Lembrar. Moska é o parceiro em Feliz Caminhar, enquanto a faixa que dá nome ao CD foi escrita a quatro mãos com Chico Cesar.

Fred Martins escreveu com a cantora Sempre os Mesmos Erros, e Dimitri é o “parça” de Breve Canção de Sonho, única não inédita do disco, gravada originalmente em 2012 para a trilha da novela global Cheias de Charme e aqui em nova versão. Eu Vou Seguir é só dela, e O Que Mereço equivale à única canção do álbum não escrita pela artista, escrita por Juliano Holanda.

Como um todo, o álbum esbanja delicadeza, afeto e positividade, com os violões sendo o alicerce de toda a sonoridade, mas aliados a arranjos que em alguns momentos incorporam cordas e metais com precisão cirúrgica. Tipo do disco que pode soar superficial e até meio repetitivo em um primeiro contato, mas que cresce muito em novas audições, nas quais as sutilezas são melhor captadas e mostram o quanto este Tudo É Um é bom. Bem-vinda ao lar, Zelia Duncan!

O Que Mereço (clipe)- Zelia Duncan:

Ithamara Koorax canta clássicos do jazz em show no Rio de Janeiro

ithamara koorax 400x

Por Fabian Chacur

Ithamara Koorax está celebrando 30 anos de carreira no cenário musical, e quem ganhará o presente será o público carioca. Neste sábado (22) às 20h, a cantora oriunda de Niterói (RJ) mostra o repertório de seu CD Sings The Jazz Masters. A apresentação terá como palco a Sala Cecília Meirelles (Largo da Lapa, nº 47- Lapa- fone 0xx21-2332-9223), com ingressos a R$ 40,00. Uma boa oportunidade de vê-la dedicando-se especialmente ao jazz, um dos gêneros que domina com categoria, junto com a bossa nova, a música erudita, MPB e música pop.

O currículo desta intérprete é tão significativo que, mesmo bastante resumido aqui, dá uma boa ideia de sua envergadura artística. Com 25 CDs lançados e participação em mais de 250 trabalhos alheios, ela já fez shows em cerca de 20 países, gravando e cantando ao lado de nomes indiscutíveis do naipe de Tom Jobim, Ron Carter, Luiz Bonfá, Dave Brubeck, Larry Coryell, Marcos Valle e John McLaughlin, só para citar alguns. De quebra, ainda teve várias músicas incluídas em trilhas de novelas e seriados televisivos.

No show Ithamara Koorax Sings The Jazz Masters, que conta com roteiro e direção a cargo do expert em jazz e bossa nova Arnaldo DeSouteiro, a cantora terá a seu lado um trio integrado por Paula Faour (piano), Jorge Pescara (baixo) e Cesar Machado (bateria). O repertório traz clássicos do jazz eternizados por nomes como Miles Davis, Bill Evans, John Coltrane, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Chet Baker e Toni Bennett, só para citar alguns.

São canções que resistiram ao teste do tempo e se mantém belas, intensas e atuais. Entre elas, temos All Blues, Giant Steps, My Favorite Things, Autumn In New York, Love For Sale, April in Paris e How Do You Keep The Music Playing. Para curtir e mergulhar em um universo musical mais do que nobre.

My Favorite Things– Ithamara Koorax:

Marina de La Riva e Bruna Caram são parceiras de baile em Sampa

Baile da Revanche 3 (c) MDLRdivulgac¸a_o-400x

Por Fabian Chacur

Em um momento no Brasil e no mundo repleto de tristeza, dor, confusão, intolerância e insegurança, que tal ir a um show em São Paulo que promete ser anticrise, anti-deprê, brasileiro, passional e necessário? Pois o convite é especificamente para o feriadão de primeiro de maio, que vai rolar este ano na próxima quarta-feira. As parceiras nesta apresentação, intitulada Baile da Revanche, são as ótimas cantoras Marina de La Riva e Bruna Caram, o início será às 16h, e a entrada, gratuita. O local escolhido é o Sesc Parque Dom Pedro II (Praça São Vito, s-nº- Brás- fone-0xx11-3111-7400).

Com participações especiais de Zé Ed (do Tarado Ni Você), Diego Moraes (do Não Recomendados) e Fabio Brazza (da Alana), além de outros músicos bacanas, Marina e Bruna selecionaram um repertório que se divide entre músicas de seus repertórios habituais e também do de gente como Roberto Carlos, Ara Ketu, Martinho da Vila, Nelson Cavaquinho, Tim Maia e Chitãozinho & Xororó. A ideia é homenagear a dor de cotovelo e a volta por cima de um jeito bem humorado.

Embora o Baile da Revanche seja o primeiro show das meninas em dupla, elas são amigas há um bom tempo, e possuem um registro fonográfico como cartão de apresentações dessa parceria. Trata-se de Segredo, composição clássica de Herivelto Martins e Marino Pinto que elas registraram no CD Será Bem Vindo Qualquer Sorriso (2012), de Bruna Caram.

Nascida no Rio de Janeiro e de origem cubana, Marina de La Riva tornou-se conhecida no meio musical com seu álbum de estreia, lançado em 2007 e autointitulado, um dos trabalhos mais elogiados no cenário da música brasileira naquele período. Depois, nos proporcionou o DVD Marina de La Riva Ao Vivo Em São Paulo (2010) e os CDs Idílio (2012) e Rainha do Mar- Marina de La Riva Canta Dorival Caymmi (2017). A moça já gravou com Chico Buarque, Ney Matogrosso., Danilo Caymmi e João Donato, nesses projetos individuais.

Por sua vez, Bruna Caram acumula experiências em diversas áreas. Em seus mais de dez anos atuando como cantora, tem no currículo os álbuns Essa Menina (2006), Feriado Pessoal (2009), Será Bem Vindo Qualquer Sorriso (2012) e Multi Alma (2017). Ela lançou o livro Pequena Poesia Passional e atuou como atriz na minissérie global Dois Irmãos. Bruna também compôs músicas em parceria com Zeca Baleiro, Roberta Sá, Chico Cesar e Pedro Luis.

Segredo– Bruna Caram e Marina de La Riva:

Rosa Marya Colin hipnotiza o ouvinte em CD com dois álbuns

rosa marya colin capa cd-400x

Por Fabian Chacur

Rosa Marya Colin parece ter sido a cantora que inspirou aquela célebre frase “capaz de extrair emoção até de um catálogo telefônico”, coisa que não existe há muito, vale dizer. Mas se existisse, não tenham dúvidas, você se emocionaria ao ouvi-la interpretando suas linhas burocráticas. Gravou muito pouco, mas sempre bem. E agora nos oferece Rosa (Gravadora Eldorado-Nova Estação), um trabalho à altura de seu imenso talento, e que merece ser apreciado e divulgado com a mesma intensidade e profissionalismo que ela teve ao conceber este belíssimo CD.

Nessas mais de duas décadas que ficou longe da gravação de discos, Rosa se manteve atuando como atriz em novelas e séries globais como Deus Salve o Rei (2018) e Fina Estampa (2011). Mas essas “férias” musicais felizmente acabaram.

Coproduzido por ela em parceria com o talentoso LC Varella e produção executiva a cargo de Thiago Marques Luiz (sempre ele!), Rosa equivale a um banho de vitalidade, maturidade e sensibilidade dessa cantora mineira radicada no Rio de Janeiro que completará 73 anos no próximo dia 27 de fevereiro.

Com dez faixas, o novo trabalho de Rosa Marya Colin traz o blues e o jazz no seu DNA, em algumas de forma direta, como Um Blues Para Rosa (Lula Barbosa-Celso Prudente), Depois das Seis (Sylvia Patricia), Man (Alzira Espindola-Itamar Assumpção) e Eu Canto Esse Blues (Arlindo Cruz-Rogê Cury-Gabriel Moura), em outras no tempero, como em Giz (Renato Russo-Marcelo Bonfá-Dado Villa-Lobos), Mas Até Lá (Roney Giah) e É Por Você Que Vivo (Rosa Maria e Tim Maia).

General da Banda (José Alcides-Satiro de Melo-Tancredo Silva), maior sucesso do grande e saudoso Blecaute, é relido com grande impacto. Tema de Eva (Taiguaira) prima pela delicadeza. E o final fica com Alma Cigana (Edu Rocha e Orlando) na qual a intérprete, a capella, se incumbe de todas as vozes de forma magistral.

Os arranjos são precisos, sem excessos ou ausências sonoras, no ponto certo. E Rosa demonstra um domínio pleno de sua potência vocal, sem arroubos exagerados ou contenção excessiva, dando a cada nota e a cada palavra o que elas pedem. Ela mostra que conhece todos os atalhos, proporcionando ao ouvinte maciças doses de prazer auditivo. Blues, jazz, folk, rock, MPB, tudo aqui soa às mil maravilhas, vindos de uma profissional que respeita cada canção que escolhe com muito bom gosto para seu repertório.

Em uma boa sacada que acaba valorizando a versão física do álbum, Rosa traz como bônus nada menos do que a íntegra de outro álbum da intérprete, Vagando, lançado pela Gravadora Eldorado em 1980 e há algum tempo fora de catálogo. Trata-se de um disco mais próximo da estética da MPB, no qual a intérprete encanta com Dancing Cassino (Fátima Guedes), Vagando (Paulinho Pedra Azul), Coração de Strass (Paulinho Nogueira e Zezinha Nogueira), Romeiros (Djavan) e Espírito do Som (Chico Evangelista e Pericles Cavalcante). Discaço!

É um exercício de apreciação bem interessante ouvir as 10 faixas de Rosa e logo a seguir as 10 de Vagando, comparando as nuances da intérprete aos 34 anos de idade e em sua fase atual. Mas posso adiantar que ambas as versões são maravilhosas. Essa cantora encantadora, cujo maior hit foi a releitura de California Dreamin’ (dos The Mamas And The Papas) em 1988, merece a sua atenção. Aliás, na verdade, você merece, mesmo, é ser encantado, hipnotizado e cativado por essa voz maravilhosa. Um bálsamo para tempos difíceis!

Ouça Rosa e Vagando em streaming:

Célia tem seu álbum de estreia relançado em vinil pela Polysom

CAPA_celia.indd

Por Fabian Chacur

A série Clássicos em Vinil, da Polysom, tem resgatado lançamentos importantes da história da MPB, no formato vinil de 180 gramas. O novo item da coleção foi, mais uma vez, escolhido a dedo. Trata-se de Célia, autointitulado álbum de estreia desta brilhante cantora paulistana (1947-2017), uma das melhores de sua geração e que merecia ter tido muito mais sucesso comercial e reconhecimento do que o obtido em seus 70 anos de vida. Ouça esse trabalho e sinta o porquê.

Lançado em 1971 pela gravadora Continental, este disco conta com a produção do jornalista Walter Silva, célebre por seu programa O Pickup do Picapau, em parceria com o músico e maestro Pocho Perez. Além do próprio Pocho, os arranjos das músicas foram divididos entre mestres indiscutíveis da nossa música. São eles Rogério Duprat, um dos grandes nomes ligados ao Tropicalismo, Arthur Verocai, um craque trabalhando para os outros e também para seus próprios trabalhos, e José Briamonte, que naquela época trabalhou alguns dos artistas mais importantes da nossa música.

O repertório de 11 músicas traz a assinatura de nomes então emergentes, como Joyce Moreno, Ivan Lins, Ronaldo Monteiro de Souza, Toninho Horta, Antonio Adolfo e Tibério Gaspar. Com uma afiada mistura de MPB com elementos de música pop, o disco traz maravilhas do porte de Adeus Batucada, No Clarão da Lua Cheia, Abrace Paul McCartney Por Mim e Fotograma. Nelas, a voz quente e envolvente de Célia se mostra um instrumento humano absurdo, exacerbando a beleza inerente em cada uma dessas belas canções. Tipo do disco que você não pode deixar de ouvir, hoje e sempre.

Célia (primeiro LP)- ouça em streaming:

ClaudetteSoares-AlaídeCosta são realmente o fino da bossa

claudette soares alaide costa CD capa-400x

Por Fabian Chacur

Muitas homenagens aos 60 anos da Bossa Nova estão sendo feitas neste ano, e uma das mais louváveis e bem realizadas acaba de chegar às lojas e às plataformas digitais. Trata-se do estupendo álbum 60 Anos de Bossa Nova, lançado pela gravadora Kuarup e que reúne duas expoentes do gênero, as cantoras Claudette Soares e Alaíde Costa. O show de lançamento no Rio ocorre nesta terça (9) às 21h o Theatro Net Rio (rua Siqueira Campos, nº 143- 2º piso- fone 0xx21-2147-8060), com ingressos de R$ 50,00 a R$ 100,00.

As cariocas Claudette e Alaíde estavam na área quando João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e outros mestres desse naipe deram o pontapé inicial no gênero musical que somou o swing do samba com a elaboração do jazz. Foram participantes desde o começo, e ajudaram a divulgar essa “batida diferente” no Rio e principalmente em São Paulo, onde elas se radicaram ainda na década de 1960. Ou seja, as moças possuem conhecimento suficiente para encarar a tarefa.

Com produção musical a cargo de Thiago Marques Luiz, que há muito já virou uma verdadeira grife desses projetos envolvendo craques da nossa música com muita estrada nas costas, as duas intérpretes foram acompanhadas no show que deu origem ao álbum e gravado em 23 de março de 2018 em São Paulo no Teatro Itália por Giba Estebez (produção musical, arranjos e piano), Renato Loyola (baixo acústico) e Nahame Casseb (bateria, o célebre Naminha, que integrou o grupo Língua de Trapo na década de 1980).

Com arranjos classudos e despojados a acompanha-las, as cantoras deram conta do recado diante de um repertório composto por 18 faixas, sendo algumas delas pot-pourris. Em alguns momentos elas atuam juntas, mas na maior parte se incumbem de blocos solo. A seleção traz canções integrantes do songbook máximo da bossa, entre as quais Insensatez, Dindi, Caminhos Cruzados, Chega de Saudade, O Barquinho, Os Grilos, Oba-la-la e Vem Balançar, só para citar algumas.

Os estilos das protagonistas se mostram bem claros. Alaíde é mais contida, discreta e doce, brilhando muito nos momentos intimistas. Por sua vez, Claudette é serelepe, sabendo alternar partes introspectivas com momentos de puro swing, encantando e sendo capaz de conquistar até o ouvinte mais distante e cético em relação ao gênero musical homenageado. A interação entre as duas é ótima e cordial, proporcionando momentos de raro prazer ao ouvinte.

60 Anos de Bossa Nova flui deliciosamente em sua viagem encantadora pelas preciosidades bossa novísticas, e demonstra que Claudette e Alaíde se mantém em plena forma, capazes ainda de oferecer a seus inúmeros fãs shows maravilhosos e discos com este altíssimo padrão artístico e técnico. Prova mais do que concreta de que elas continuam o fino da bossa, 60 anos depois, e que esse repertório é para sempre.

60 Anos de Bossa Nova- ouça em streaming:

Angela Maria, um marco para os fãs da música brasileira

angela maria foto-400x

Por Fabian Chacur

Angela Maria entrou no meu universo de fã de música lá pelos idos de 1977. Vá Mas Volte, composição do saudoso Wando e gravada por ela, entrou na trilha sonora da novela global Duas Vidas, e não demorou para se transformar em um monstruoso sucesso nacional. Uma dessas baladas matadoras, mereceu uma interpretação que mistura precisão e muita emoção, dando à intérprete a chance de conquistar novos fãs.

Esse verdadeiro ícone da canção brasileira nos deixou neste sábado (29) em São Paulo, aos 89 anos, e felizmente teve a chance de receber as flores em vida. Ela estava internada há 34 dias, e foi vítima de uma infecção generalizada. Seu mais recente álbum saiu em 2017, o elogiado Angela Maria e as Canções de Roberto & Erasmo, e em 2015 o jornalista Rodrigo Faour lançou Angela Maria, a Eterna Cantora do Brasil, uma biografia caudalosa e à altura da artista enfocada.

Nascida em 13 de maio de 1929 com o nome de batismo Abelim Maria da Cunha, a cantora iniciou sua carreira contra o desejo de seus familiares, e foi por isso que, em 1947, adotou o nome artístico Angela Maria, como forma de não ser percebida por eles. Mas com tanto talento, isso um dia teria de acabar. Como deixar aquela pequena e bela intérprete longe dos holofotes?

Angela foi uma das últimas grandes estrelas da chamada era do rádio, e a partir do lançamento de seu primeiro disco, em 1951, logo conquistou um verdadeiro séquito de fãs. Entre eles, estava o então presidente Getúlio Vargas, que deu a ela o apelido de Sapoti, que a acompanhou durante toda a sua longa e bem aproveitada vida.

Com um vozeirão de timbre extremamente agradável de se ouvir, ela emplacou sucessos como Babalu, a já citada Vá Mas Volte, Gente Humilde e uma dezena de outros. Ao contrário de várias colegas de geração, ela sempre soube se renovar, mantendo dessa forma uma popularidade suficiente para sempre atrair as atenções de imprensa, TV e rádio.

Citada como influência por artistas como Elis Regina, Milton Nascimento e Ney Matogrosso, só para citar alguns, Angela Maria teve boas parcerias com Cauby Peixoto e Agnaldo Timóteo, sendo que ela se mostrou decisiva para impulsionar a carreira artística deste último. Romântica até a medula, mas sem nunca perder a classe, ela se tornou um verdadeiro mito da canção brasileira.

Angela Maria era uma das últimas representantes da era do rádio ainda entre nós, e soube se manter durante todos esses anos na ativa, com muita dignidade e qualidade artística. Um verdadeiro exemplo para as novas gerações de cantoras. Mais uma perda difícil de assimilar para um país que tem vivido tantas dificuldades. Descanse em paz, Sapoti!

Vá Mas Volte-Angela Maria:

Vânia Bastos volta a SP com a homenagem a Pixinguinha

VâniaBastos-MarcosPaiva-concerto-a-pixinguinha-400x

Por Fabian Chacur

Desde sua estreia, em abril de 2013, o show Concerto Para Pixinguinha, de Vânia Bastos e Marcos Paiva, não só passou por palcos nobres e plateias idem como também gerou o elogiadíssimo CD homônimo (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Com novo cenário e figurinos, o espetáculo volta a São Paulo nesta terça(7) às 21h no Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, nº 740- Campos Elísios- fone 0xx11-3226-7300), com ingressos custando de R$ 30,00 a R$ 80,00.

O show, assim como o CD, oferecem ao público uma caprichada seleção de clássicos do repertório de Pixinguinha (1897-1973), um dos nomes mais importantes da história da nossa música popular, dono de uma obra densa e deliciosa. Aquela incrível combinação de letras poéticas e melodias que, embora sofisticadas, tem o eterno dom de cativar os ouvintes de todas as faixas etárias e classes sociais. Vânia e Paiva souberam reler essas canções com reverência e ousadia.

Vânia terá a seu lado no show o Marcos Paiva Quarteto, integrado por seu experiente líder no contrabaixo, arranjos e direção musical, Cesar Roversi (sax tenor e soprano, clarinete e flauta), Jônatas Sansão (bateria) e Nelton Essi (vibrafone). Canções como Rosa, Carinhoso, Isso É Que É Viver e Urubu Malandro são alguns dos destaques. O CD foi lançado pelo selo Conexão Musical, de Fran Carlo e Petterson Melo, em parceria com a gravadora Atração Fonográfica.

Após ter se destacado na primeira metade dos anos 1980 como integrante da célebre banda Sabor de Veneno, de Arrigo Barnabé, Vânia Bastos lançou seu primeiro álbum solo em 1986. Desde então, firmou-se como intérprete talentosa e de muito bom gosto na seleção de repertório, dedicando projetos a Edu Lobo, Tom Jobim, Caetano Veloso, Clube da Esquina e Pixinguinha, firmando-se como dona de uma das mais consistentes carreiras entre as melhores cantoras brasileiras.

Concerto Para Pixinguinha- Vânia Bastos e Marcos Paiva:

Izzy Gordon mostra seu novo álbum com show em Sampa

Izzy Gordon _ Crédito_ Gabriel Wickbold-400x

Por Fabian Chacur

A garota tem sangue nobre na área musical. Filha do excelente cantor Dave Gordon, sobrinha da inesquecível Dolores Duran… No entanto, a moça em questão, a cantora Izzy Gordon, há muito dispensa esses atributos como forma de ser reconhecida, pois seu talento gerou belos frutos nessas mais de três décadas de carreira. Ela mostra em São Paulo o seu novo trabalho, o álbum Pra Vida Inteira, com show nesta quinta (2) às 21h no Sesc 24 de Maio (rua 24 de Maio, nº 109- Centro- fone 0xx11-3350-6300), com ingressos de R$9,00 a R$ 30,00.

Pra Vida Inteira, já disponível nas principais plataformas digitais, é o quarto álbum solo de Izzy, cuja carreira começou a deslanchar após sua participação com destaque no premiado musical Emoções Baratas, dirigido no fim dos anos 1980 pelo diretor José Possi Neto. O trabalho traz oito faixas, sendo cinco inéditas e três releituras.

As recriações são Lata D’Água, hit de Elza Soares, Boa Noite, de Djavan, e Ideias Erradas, parceria de Dolores Duran com J. Ribamar. Entre as inéditas, temos Together, parceria dela com seu diretor musical neste trabalho, o excelente tecladista e arranjador Rogerio Rochlitz. A mixagem e gravação do álbum ficaram a cargo de outro cara talentoso e experiente, Alexandre Fontanetti.

No show desta quinta, Izzy terá a seu lado os músicos que gravaram com ela: Rogerio Rochlitz (teclados), Gilberto de Syllos (baixo) e Thiago Silva (bateria). Farão participações especiais o cantor Tony Gordon, irmão da intérprete, e o lendário trombonista Bocato. Bom elenco para acompanhar uma cantora que já recebeu elogios de Bono (com o qual até deu uma canja) e Quincy Jones.

Lata D’Agua/Pra Vida Inteira– Izzy Gordon:

Older posts

© 2019 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑